segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

WhiteDate. 32 homens em Portugal tinham perfis no "Tinder Nazi"



Mais de 30 homens residentes em Portugal tinham contas na plataforma de encontros WhiteDate, conhecida como o "Tinder Nazi", um site que promovia encontros entre pessoas de ascendência europeia com valores "tradicionais".
 
O WhiteDate (que na tradução livre significa literalmente "Encontro Branco", referindo-se à etnia caucasiana) apresentava-se como um local para pessoas de valores "tradicionais" e de "ascendência europeia", que pretendiam contribuir para "criar uma sociedade racialmente pura".

O site foi, entretanto, apagado, mas graças ao trabalho de Martha Root (pseudónimo) - uma hacker alemã que levou a cabo a divulgação dos perfis e dados de quem tinha uma conta - é possível ainda consultar esta informação.

No site, criado pela própria, os utilizadores podem consultar um mapa mundo, onde são assinalados os perfis de quem tinha uma conta no WhiteDate. Para aprofundar a informação, pode-se ainda visitar estes perfis um a um e ler o que tinham na plataforma.


"Nascido em Portugal, mas a viver na Noruega, consciente do que significa ser europeu, procuro encontrar uma parceira de ascendência europeia para criar e cuidar de uma família", lê-se no perfil de um homem de 31 anos. 

Mais abaixo, nas orientações políticas, este utilizador admite ser de extrema-direita e até mesmo fascista.

"Estou farto de toda a degeneração que tem corroído a civilização ocidental, sobretudo nas relações entre homens e mulheres", lê-se numa outra biografia. "A necessidade de encontrar uma parceira a quem eu possa dedicar todo o meu coração na sociedade atual parece valer a pena apenas com a ajuda de iniciativas como esta comunidade romântica online para pessoas brancas", acrescenta.

E num outro perfil, este de um homem de 23 anos: "Acho que é importante para nós, brancos, termos os nossos próprios espaços, especialmente no que diz respeito às relações sexuais".

Nas dezenas de perfis, a grande maioria apresenta-se como "pro-white" ou "pró-branco", em português, com muitos a dizerem-se também anti-vacinas e a admitirem não terem sido vacinados contra a Covid-19.

As idades variam entre os 20 e os 50 anos.

Mas há um outro dado que se faz notar: em Portugal, não há um único perfil de uma mulher, apesar de todos estes homens estarem à procura de uma parceira.

De facto, no total dos oito mil perfis divulgados, com mais de 6.500 ativos na altura da exposição, cerca de 86% pertencia a homens. Apenas 14% dos utilizadores da plataforma eram mulheres.

Perante a disparidade, Martha Root chegou mesmo a ironizar, dizendo que a plataforma "faz com que a aldeia dos Smurf parecia uma utopia feminista".

A hacker alemã infiltrou-se na plataforma durante uma conferência tecnológica realizada em Hamburgo, na Alemanha, em dezembro de 2025, (onde apareceu mascarada de Power Ranger rosa para proteger a sua identidade) mas a ação resultou de um trabalho de vários meses.

Ao longo desse tempo, Root disse ter descoberto que a cibersegurança da plataforma era tão má que "faria a conta de AOL da tua avó corar".

"Imagina dizeres que fazes parte da ‘raça superior’ e esqueceres-te de proteger o teu próprio site - talvez seja melhor dominar o WordPress [plataforma de criação de sites] antes de dominar o mundo", atirou.

O WhiteDate era gerido, alegadamente, por uma mulher de extrema-direita a partir da Alemanha.

Dos cerca de 6.500 perfis ativos, cerca de metade eram dos Estados Unidos com 3.411 utilizadores. Seguia-se o Reino Unido, com 399 perfis, França, com 380, e o Canadá, com 357. A vizinha Espanha tinha 46 utilizadores. 

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