quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Tempos de escalamento de guerra

Esta pintora Alemã fascina-me bastante.

Esta pintura e uma breve ausência do ruído das redes sociais e de notícias da praxis de políticos medíocres que nos sobressaltam como colectivo, levou-me a esta reflexão.

"Tempos de escalamento de guerra revelam uma tensão central do pensamento político moderno: a contradição entre o progresso técnico e a fragilidade ética. Nunca a humanidade dispôs de tantos instrumentos para cooperar globalmente, e nunca foi tão evidente a facilidade com que o medo, o nacionalismo e a lógica de poder se sobrepõem à razão política. O escalamento não nasce apenas de armas, mas de discursos que normalizam a excepção, a desumanização do outro e a ideia de que a violência é inevitável.

Ainda assim, o pensamento político moderno não se esgota no realismo cínico. Da tradição iluminista aos movimentos democráticos contemporâneos, persiste a noção de que a política pode ser um espaço de contenção da barbárie, e não o seu motor. A esperança, neste contexto, não é ingenuidade: é uma práctica consciente. Ela manifesta-se na defesa do direito internacional, na diplomacia, na sociedade civil activa e na recusa em aceitar a guerra como destino.
Agir em tempo de medo exige, antes de tudo, resistir à sua naturalização política. O medo não é apenas uma emoção individual, mas um dispositivo colectivo que pode ser mobilizado para justificar a suspensão do juízo crítico, a concentração de poder e a erosão do espaço público. Reconhecer esta dimensão é um primeiro gesto de acção: tornar o medo objecto de reflexão, e não princípio de decisão.

Pensar politicamente no contexto contemporâneo implica, em última instância, uma escolha normativa fundamental: ou a reprodução de lógicas securitárias que intensificam o medo, a polarização e o conflito, ou o compromisso crítico com a construção de horizontes políticos partilhados, capazes de sustentar a possibilidade de um futuro comum, mesmo em contextos marcados pela incerteza e pela escalada da violência."

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