domingo, 13 de março de 2022

Projeto do CEF vai pela primeira vez quantificar impacto das barragens europeias na conectividade fluvial


O projeto Dammed Fish (Impacto da perda de conectividade estrutural e funcional de redes hidrográficas na biodiversidade piscícola – otimizando soluções de gestão) vai, pela primeira vez, quantificar o impacto de todas as barragens da Europa na conectividade fluvial Europeia.

Liderado pelo Centro de Estudos Florestais (CEF) do Instituto Superior de Agronomia (ISA), em conjunto com parceiros internacionais, o projeto vai produzir “ferramentas gratuitas” para que os gestores possam identificar qual o “melhor cenário de restauro, em cada bacia hidrográfica, de modo a maximizar a conectividade para as várias espécies de peixes”, reduzindo os “custos de intervenção” e a “perda de serviços de ecossistema resultante das barreiras”, explica o Centro, num comunicado.

O Dammed Fish é um projeto que se alinha com várias estratégias e diretivas Europeias, pelo que a equipa espera poder contribuir decisivamente para uma “melhor gestão das bacias hidrográficas e influenciar as futuras políticas da Europa sobre conectividade fluvial e conservação da biodiversidade piscícola”, lê-se no mesmo comunicado.

De acordo com o CEF, os rios ocupam menos de 1% da superfície terrestre e contêm apenas 0,01% de todo o volume de água presente no planeta. No entanto suportam cerca de 9,5% de todas as espécies animais conhecidas e quase 50% de todos os peixes, tendo, por isso, uma importância desproporcional para a manutenção da biodiversidade global.

O desenvolvimento das sociedades humanas teve sempre uma ligação estreita aos sistemas de habitas com água doce, que foram ficando cada vez mais impactados por pressões de origem antropogénica.

De todas estas pressões, a “construção de barragens e açudes”, que fragmentam os rios, é considerada a pressão que “afeta mais espécies de peixes a nível europeu”, influenciando “75% de todas as espécies de peixes ameaçadas” na Europa, refere o centro, acrescentando que, estas barreiras, além de muitos outros efeitos, “não permitem que os peixes se desloquem ao longo do rio, impedido a reprodução com sucesso de muitas espécies”.

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