quinta-feira, 22 de março de 2018

Somos Marielle Franco

Nunca "morremos". Esta Vereadora estará connosco para sempre. Esta moça corajosa será sempre a prova de tudo o que podemos ser e fazer. Ela foi tudo isto porque rompeu dentro do Brasil. Mas a Voz que clamava por justiça, equidade, denúncias, as suas mensagens e palestras e presença não morrerá. É o nosso grito também. Marielle eterniza na luta por melhores dias, seja em que País for.



Compartilho também este poema de uma cidadã Brasileira Ana Freitas Reis . Dor emocionada, incentivo à "força" da voz, chamamento aos afectos, à igualdade, à justiça social e liberdade. Melhor exposto impossível. Texto emocionante e motivador.

(Sou mulher, branca, “heterossexual rica”, escrevi para as minhas filhas conseguirem ler)
Sou a Ana
Mas podia ser Mário ou Maria ou Mónica
Podia ser Marielle
e seu motorista
A minha pele podia ser preta, homossexual, ativista, pobre, favelada, violada
Sou humano
Sou pessoa
Somos todos ela
Não somos
nada todos ela
não carregamos metade da bagagem
não sabemos o que é nascer num país sem direito a documentos
não sabemos o que é nunca ter tido um contrato
não sabemos o que é acordar desconhecendo o dia que vamos levar com o ato de tormentos-bala a voar
Chega
Chega de horror, racismo, preconceito, roubo, escravidão, povo oprimido que gera bandido
Chega de matar
principalmente o inocente
que quer apenas sobreviver e levantar a sua voz
quer apenas falar e expor a injustiça
quer apenas poder vingar
Para sermos todos ela
tem de haver um espaço a balizar a coragem, a crítica, a ética, o pensamento, o diálogo e a inclusão
Chega
Chega de opressão, de extermínio, de barbárie
qualquer que seja
no Brasil, na Síria ou em Portugal, onde quer que esteja
não feche a porta na cara do seu vizinho
Sou a Ana (muito prazer)
Mas podia ser Mário ou Maria ou Mónica
Podia ser Marielle
e seu motorista
A minha pele podia ser preta, homossexual, ativista, pobre, favelada, violada
Sou humano
Sou pessoa
Somos todos ela
Somos todos frágeis, vulneráveis, Dependo de ti, preciso de ti, tu também de mim
Chega
da lição que nos ensinou assim o branco e o preto
Chega
de um mundo binário, dual e divisório
que põe o que incomoda num gueto, lá longe, bem distante para não vermos nada
O mundo nunca vai ser igual, isso é uma cilada, mas não queremos igualdade, queremos a liberdade e a justiça, política com lugares ocupados, cidadãos que levantam a verdade dos alvejados e que ataquem o horror
Chega
Chega da dor desta natureza primitiva e talvez possamos aprender um dia que a beleza está, mais do que nas diferenças do homem e da mulher, do feminino e do masculino, está em apenas podermos ser pessoa e cada um deve estar mais próximo daquilo que quer
Chega
Chega de tanta censura e do medo do diferente que origina a tortura radical
E é tão parcial que sabemos que dentro de um opressor também vive um oprimido
e dentro de um oprimido também vive um opressor
Chega
Chega de estar parado
atrás desse computador ou telefone -celular
A fingir um povo unido
Que na prática não se olha e não se atreve a dançar as suas forças tão ferozes
Não vamos lá com vozes de falinhas mansas, não tenhamos essa ilusão mas temos certeza de uma mão para dar a um outro que não sou eu
Sou a Ana
Mas podia ser Mário ou Maria ou Mónica
Podia ser Marielle
e seu motorista
A minha pele podia ser preta, homossexual, ativista, pobre, favelada, violada
Sou humano
Sou pessoa
Somos todos ela
Vamos acender a vela com a largada da potência, do nosso grito, da existência
no mistério absurdo deste planetinha de objectos tão mortais
Vamos investir nos afetos, nos canais, na educação, na união e na identidade
Porque hoje e sempre reinou o não sei quem sou e o ser contemporâneo está na verdade bem sozinho
Sou a Ana
Mas podia ser Mário ou Maria ou Mónica
(Ou o teu vizinho)
Podia ser Marielle
e seu motorista
A minha pele podia ser preta, homossexual, ativista, pobre, favelada, violada
Sou humano
Sou pessoa
Somos todos ela
Marielle
presente
sempre
Vi algures que seu sangue
vai virar semente 


Para saber mais/ To know her better 
1- Marielle Franco: Negra, moradora da Maré e a quinta vereadora mais votada do Rio Na Câmara, dedicou mandato à causa negra e aos direitos das mulheres

2- Say Her Name: Marielle Franco, a Brazilian Politician Who Fought for Women and the Poor, Was Killed. Her Death Sparked Protests Across Brazil

3- Esta mulher, executada no Rio de Janeiro, ocupado por militares há um mês

2 comentários:

Rogerio G. V. Pereira disse...

Na corrente
solidária
de quem luta
e não desarma

sou elo

João Soares disse...

Obrigado Rogério, nossas causas se cruzam sempre.
Um Abraço e até breve!