sábado, 22 de novembro de 2008

Biomonitorização e Bioindicação


Líquene Lobaria amplissima

Escrito por Rui Figueira, 24/10/05, Portal Biomonitor
O conceito de biomonitorização teve alguma evolução a partir do seu sentido inicial como um método de monitorização das alterações ambientais, através da quantificação de parâmetros nos organismos vivos relacionados com essas alterações. O termo biomonitorização foi algumas vezes substituído por bioacumulação, em particular nos estudos em que se quantificou a acumulação de elementos pelos organismos. Por outro lado, é frequente designar por bioindicação o conjunto de estudos em que a qualidade do ar é avaliada através da diversidade das espécies, segundo a sua diferente sensibilidade a condições ambientais particulares. Nestas circunstâncias, a bioindicação é, em geral, referida a estudos qualitativos, enquanto a biomonitorização se revestiria de carácter essencialmente quantitativo. No entanto, a diferença entre ambos os termos é bastante ténue, uma vez que os estudos de biodiversidade se baseiam cada vez mais em métodos semi-quantitativos, que permitem estabelecer índices de qualidade do ar em escalas ordenadas que reflectem bem os níveis de contaminação ambiental. Acresce ainda que os estudos de bioindicação poderão derivar, naturalmente, em trabalhos onde são quantificados os parâmetros ecológicos ou fisiológicos que mais afectam as variações na biodiversidade. Conforme foi detalhadamente descrito por Wittig (1993), a diferença entre a bioindicação e biomonitorização é subtil, podendo ser utilizados como termos sinónimos. As definições sugeridas por esse autor referem que bioindicação consiste no uso de organismos para obter informação sobre a qualidade do ambiente terrestre ou aquático num determinado instante. Os organismos utilizados para este fim são denominados bioindicadores. A biomonitorização, por seu lado, consiste na observação contínua, no espaço ou no tempo, dos bioindicadores (que neste caso podem ser designados por biomonitores), permitindo a avaliação semi-quantitativa dos resultados. Tem-se, assim, que a bioindicação produz um retrato instantâneo de uma determinada situação ambiental, enquanto que a biomonitorização permite a avaliação continuada de variações ou tendências na situação ambiental a partir de vários estudos de bioindicação desenvolvidos no espaço e/ou no tempo. A diferença entre bioindicação e biomonitorização é, assim, análoga à existente entre uma fotografia e um filme.

Referências

Wittig, R., 1993. General aspects of biomonitoring heavy metals by plants In: Markert, B. (Ed.), Plants as Biomonitors. Indicators for Heavy Metals in the Terrestrial Environment, VCH, Wheinheim, pp. 3-27.

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Lichens and Air Quality Database and Clearinghouse (EUA)

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