domingo, 31 de dezembro de 2017

Carl Sagan e as Árvores

PT
"Nós, humanos, parecemos bastante diferentes de uma árvore. Sem dúvida, percebemos o mundo de forma diferente do que uma árvore faz. Mas no fundo, no coração molecular da vida, as árvores e nós somos essencialmente idênticos. "~ Carl Sagan, Cosmos

EN
We humans look rather different from a tree. Without a doubt we perceive the world differently than a tree does. But down deep, at the molecular heart of life, the trees and we are essentially identical.” ~ Carl Sagan, Cosmos

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

As ruas e a arte de caminhar

A pé vê-se muito intensamente as cidades e paramos, pelo menos eu, travo e fixo e reflito e aprendo sempre mais. Mas também espanto-me e sinto as mesmas emoções com as "ruas" que as redes sociais nos dão a mostrar.
E pelas ruas não encontro "medos": Converso, falam comigo, há alguém que passeia um cão, indicam-me caminhos, não uso muito gps ou faço do gps móvel pretexto para conversar e sentir o barómetro da cidade, do local onde estou a caminhar.  E encontramos mensagens, nas paredes (refiro-me a arte de rua), a magia e a emoção e sonhos e mistérios quando avisto uma casa abandonada, uma quinta histórica. Por vezes estou em grupo. E o mais relevante  desligo o wifi e estar atento. Simples.

Arte de rua  Lisboa
Foto de autor

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Poema da Semana: Onde a Lua cruza os espinhos das estrelas, por João Soares

Onde a Lua cruza os espinhos das estrelas


Onde a Lua cruza os espinhos das estrelas
Onde o Sol espreita pelas raízes da erva
Onde no oceano, no frio do abismo, se descobre o mais profundo prémio da vida

Onde no fruto se antecipa o universo à espera
do infinito ao infinito

Onde na curva do ramo da árvore a silhueta esbelta
do limbo do Éden sagrado

Onde enfim dialogo com os cogumelos e os insectos
e serei água e solo e luz e fogo

Possuo uma agenda cósmica, acima das fronteiras
acima do ódio, bem no alto do mais alto penhasco

João Soares, 17.12.16.

sábado, 23 de dezembro de 2017

Franklin D. Roosevelt e as Florestas


"Uma nação que destrói os seus solos está a autodestruir-se.  As florestas são os pulmões da nossa terra, purificando o ar e dando nova força para o nosso povo~ Franklin D. Roosevelt

"A nation that destroys its soils destroys itself. Forests are the lungs of our land, purifying the air and giving fresh strength to our people "~ Franklin D. Roosevelt

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Poema da Semana: Vastidão de pétalas soltas na língua, por João Soares

Vastidão de pétalas soltas na língua


Sim, vastidão de pétalas soltas na língua

Sim, amplos campos nos dedos de vento e pólen

Sim, gigantes faúlhas de cores amestradas pela Lua e Sol,

perdido contente entre as nuvens do éter dos poetas

dos loucos dias e momentos cravados em pele e pétalas

e os cheiros tremendos da carqueja e esteva e

além os abelharucos

num exotismo presente, aqui, nada mais

aqui e, sim, à vastidão das pétalas soltas na língua.

João Soares, 16.12.16

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Encontros Improváveis- Nadir Afonso (citação) e Álfheimer - Pretty (música e video)


"O homem volta-se para a geometria como as plantas se voltam para o sol: é a mesma necessidade de clareza" ~ Nadir Afonso


O Natal cuja celebração original era Celta/Pagã, celebrava, no solstício do inverno, o fim da obscuridade e o retorno da luz e da esperança.

Portanto o Natal é uma transição interior e de harmonia que faça sentido. Esperança, Partilha. Genuíno. Renovação. Tempo de ação.

Um feliz Natal para todo os meus leitores e amig@s.
Merry Eco-Xmas to all my followers and friends

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Estudo Internacional revela que os eucaliptos reduzem de forma dramática a biodiversidade do território


O investigador Daniel Montesinos, do Centro de Ecologia Funcional da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), participou num estudo internacional, já publicado na revista "Global Ecology and Biogeography", juntamente com investigadores da Austrália, Chile, EUA e Índia.
Daniel Montesinos revela que "as substâncias químicas presentes nas folhas dos eucaliptos impedem o crescimento das raízes de outras espécies nativas, motivo pelo qual os eucaliptais contêm muita pouca biodiversidade fora da sua área nativa, na Austrália" e que "a plantação de eucaliptos é altamente prejudicial. O empobrecimento de espécies gerado pelos eucaliptos tem impacto em todo o ecossistema, por exemplo, ao nível do controlo da erosão dos solos ou da manutenção da biodiversidade".
O investigador, ressalva ainda que fora da Austrália, "ironicamente, algumas das espécies que de facto conseguem sobreviver debaixo dos eucaliptais são também espécies exóticas, criando um círculo vicioso de reduzida biodiversidade e espécies invasoras. Os resultados do trabalho mostram, já sem qualquer dúvida, o empobrecimento das superfícies plantadas com eucalipto, que mesmo que de longe possam ter uma aparência “verde”, são na realidade “desertos".

Fonte: Notícias de Coimbra

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Dia Mundial da Poupança



O Dia Mundial da Poupança celebra-se anualmente a 31 de outubro.

Origem da data

O Dia Mundial da Poupança foi criado com o intuito de alertar os consumidores para a necessidade de disciplinar gastos e de amealhar alguma liquidez, de forma a evitar situações de sobre-endividamento.

A ideia de criar uma data especial para promover a noção de poupança surgiu em outubro de 1924, durante o primeiro Congresso Internacional de Economia, em Milão. Todos os anos são organizadas diferentes atividades neste dia. Os eventos deste dia podem ser conhecidos no site oficial da data.

Poupança em tempos de crise

Muitos portugueses alegam que não fazem qualquer tipo de poupança, diária, semanal, mensal ou anual. Em outubro de 2015 tinham chegado à DECO 26.035 pedidos de famílias sobre-endividadas.

Contudo, alguns estudos mostram que é em períodos de crise que se registam os maiores índices de poupança. Empresas e famílias portuguesas fazem esforços para reduzir custos e conseguir poupar.
Ferramentas de poupança

Para auxiliar e facilitar a poupança, existem cada vez mais ferramentas e técnicas de poupança, fornecidas por entidades bancárias, governos e economistas. Para ajudar à poupança existem várias aplicações financeiras gratuitas que podem ser instaladas no smartphone. Na internet encontra também vários sites destinados à poupança.

terça-feira, 24 de outubro de 2017

A Semana do Desarmamento / Semana Mundial da Paz



A Semana do Desarmamento/Semana Mundial da Paz, criada pela Organização das Nações Unidas (ONU), é realizada em todo o mundo entre 24 e 30 de outubro, anualmente. No Brasil, projetos legislativos e propostas no Congresso tentam alterar o Estatuto do Desarmamento. Mas não é somente o brasileiro que debate a questão, os americanos também voltaram a discutir o assunto após a tragédia em Las Vegas, onde um atirador matou 59 pessoas.

Para a Organização das Nações Unidas (ONU), a necessidade de uma cultura de paz e de uma redução significativa de armas no mundo nunca foi tão grande “e ela se aplica a todos os tipos de armas”. Para conscientizar o mundo a respeito dessa necessidade, a Assembleia Geral da ONU proclamou a Semana do Desarmamento.

A ONU também ressalta que o custo humano e material das armas convencionais também é alto. “De pelo menos 640 milhões armas de fogo licenciadas em todo o mundo, aproximadamente dois terços estão nas mãos da sociedade civil. O comércio legal de armas de pequeno calibre excede quatro bilhões de dólares por ano. O comércio ilegal é estimado em um bilhão de dólares. E essas armas convencionais, como as minas terrestres, causam destruição da vida e da integridade física, que continua por anos após os conflitos terem acabado”, afirma a organização internacional.

Para o ex-presidente dos Estados Unidos, Dwight D. Eisenhower, e comandante geral das Forças Aliadas durante a 2ª Guerra Mundial, “cada arma produzida, cada navio de guerra lançado ao mar, cada foguete disparado significa, em última instância, um roubo àqueles que têm fome e não são alimentados, àqueles que estão com frio e não têm o que vestir. O custo de um moderno bombardeiro pesado é este: a construção de uma moderna escola em mais de 30 cidades”.

Desde o nascimento das Nações Unidas, em 1945, as metas do desarmamento multilateral e da limitação de armas são consideradas fundamentais para a manutenção da paz e da segurança no mundo todo. Estas metas significam: redução e eventual eliminação das armas nucleares (recentemente, foi assinado um acordo na ONU entre 43 chefes de Estado proibindo armas nucleares); destruição de armas químicas; fortalecimento da proibição contra armas biológicas; suspensão da proliferação de minas terrestres e de armas leves e de pequeno calibre, entre outros objetivos.

A ONU aborda questões do desarmamento continuamente, além de trabalhar frequentemente para implementar acordos específicos de desarmamento entre partes em conflito. As missões de paz das Nações Unidas também utilizam a estratégia do desarmamento preventivo, que procura reduzir o número de armas de pequeno calibre em regiões de conflito.

A organização afirma que é plenamente consciente da relação direta entre desarmamento e desenvolvimento. “Podemos fazer progressos significativos em direção aos objetivos de desenvolvimento do milênio se alguns destes recursos (usados em gastos militares e seus armamentos) fossem redirecionados para esforços para o desenvolvimento econômico e social. Em um momento de elevação dos preços de alimentos e combustíveis e de incertezas na economia global, o mundo não pode ignorar o potencial de desenvolvimento do desarmamento e da não proliferação”, disse o secretário-geral Ban Ki-moon.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Dia Mundial de Combate à Obesidade

Texto e imagem aqui
Num país onde, de acordo com os dados do Inquérito Nacional de Saúde (2014), mais de metade da população (52,8%) com 18 ou mais anos, ou seja, qualquer coisa como 4,5 milhões de pessoas, tem excesso de peso ou é obesa, não há nenhum fármaco para a obesidade com comparticipação do Estado. “A obesidade é uma doença com um grande impacto na saúde pública e nos sistemas de saúde. Mas apesar de termos um novo fármaco, este não é comparticipado. Aliás, nunca houve nenhum que o fosse no nosso país”, refere Paula Freitas, presidente da Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade que, a propósito do Dia Mundial de Combate à Obesidade, chama a atenção para um problema que considera ter de ser olhado “numa perspetiva mais global, uma vez que ainda há muitos doentes que são tratados pelas doenças associadas, como a diabetes mellitus tipo 2, dislipidemia, apneia do sono, entre outras, sem que se resolva aquilo que as causa, ou seja, a obesidade”.
Sobre a inexistência de comparticipação dos medicamentos destinados ao combate à obesidade, a especialista defende que, apesar de os medicamentos não serem um “milagre” capaz de erradicar a doença, “são muito importantes para o seu combate. E perdas de peso da ordem dos 5 ou 10% traduzem-se em melhoria ou mesmo reversão das comorbilidades associadas à obesidade, como a diabetes, hipertensão arterial, apneia, problemas articulares, etc. Claro que é preciso que haja sempre, por parte do doente, uma alteração do estilo de vida. Por isso acho que deveria haver uma comparticipação condicionada por esta mudança”.
Numa altura em que tanto se tem falado sobre a população infantil, também ela vítima do flagelo que é a obesidade, confirmada pelos números - o mais recente estudo da Associação Portuguesa contra a Obesidade Infantil (APCOI), realizado junto de uma amostra de 17.698 crianças, no ano letivo 2016-2017, mostra que 28,5% das crianças no nosso país, com idades entre os 2 e os 10 anos, têm excesso de peso e, destas, 12,7% são obesas, o que nos torna um dos países da Europa onde os números da obesidade infantil são mais elevados -, a presidente da SPEO considera que é preciso fazer mais. “As crianças são muito recetivas a novas ideias. Penso que, aqui, se poderia fazer mais, muito mais, nomeadamente na educação para a saúde. Existem já vários projetos, iniciativas, mas falta ainda muito trabalho na promoção de uma ação global de educação para a saúde para todas as faixas etárias.”
Paula Freitas aproveita também o Dia Mundial de Combate à Obesidade para chamar a atenção para outra falha, neste caso a de nutricionistas e fisiologistas do exercício físico nos centros de saúde, capazes de prescrever quer o plano alimentar, quer o exercício certo para cada doente, tal como se faz com a terapêutica medicamentosa. “Os médicos aconselham os doentes a fazer caminhadas, a inscrever-se no ginásio, etc. Mas todos deveriam ter acesso a um fisiologista do exercício físico, de modo a ter uma prescrição de exercício à medida da sua condição física e das doenças concomitantes”
A prevalência da obesidade tem vindo a aumentar em todo o mundo, de tal forma que a Organização Mundial de Saúde lhe atribui mesmo a designação de epidemia global. Trata-se de um problema grave de saúde pública, uma das principais causas de doença e morte prematura, sendo um fator de risco para várias doenças, como as cardiovasculares, a diabetes e vários tipos de cancros. É, no entanto, possível de prevenir, graças a uma mudança nos estilos de vida, que passa por uma alimentação saudável e a prática regular de de exercício físico.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Dia Mundial Contra a Pena de Morte



O Dia Mundial Contra a Pena de Morte encontra-se a 10 de outubro no calendário.

A data pretende defender a peça central dos direitos humanos – o direito à vida – sensibilizando os países contra a pena de morte.

Dia Mundial Contra a Pena de Morte foi criado em 2003 por iniciativa conjunta de organizações não governamentais, governos e organizações jurídicas. A Organização das Nações Unidas repudia a legalidade e o uso da pena capital, assim como a União Europeia.

Portugal foi o líder na abolição da pena de morte, já que foi o primeiro país do mundo a abolir a pena capital na Lei Constitucional, após a reforma penal de 1867.

Até há sete décadas, somente 14 países tinham abolido a pena de morte. Atualmente, 82% dos países suspenderam ou aboliram a pena de morte.

O Direito Internacional delimita a aplicação da pena de morte para "a maioria dos crimes graves", o que circunscreve o seu uso ao crime de homicídio intencional.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Árvores economizam 430 milhões de euros por ano em metrópoles - estudo

Ao reduzir substancialmente a poluição e o custo do aquecimento, arrefecimento e tratamento da água
Funchal- Foto de autor

As árvores fornecem 430 milhões de euros por ano (cerca de US $ 505 milhões) em benefícios para cada megacidade porque fornecem serviços que tornam os ambientes urbanos mais limpos, mais acessíveis e mais agradáveis ​​para viver. Esses grandes municípios (com mais de 10 milhões de habitantes) são o lar de quase 10% dos 7,5 biliões de pessoas que vivem no planeta.

Esta é a conclusão de um estudo realizado por seis pesquisadores dos Estados Unidos e Itália, e publicado na revista 'Ecological Modelling'. O trabalho centra-se em 10 megacidades dos cinco continentes: Bombay (Índia), Buenos Aires (Argentina), Cidade do México (México), Cairo (Egito), Istambul (Turquia), Londres (Reino-Unido), Los Angeles (Estados Unidos), Moscovo (Rússia), Pequim (China) e Tóquio (Japão).

A área metropolitana das megacidades estudadas tem uma média de 2.530 quilómetros quadrados, com uma cobertura arbórea de 21% e um potencial colhido de outros 19%. Cada um tem 39 metros quadrados por habitante de densidade média de massa arbórea.

Os cientistas estudaram a cobertura existente e potencial das árvores nessas grandes cidades e qual a sua contribuição para os serviços ecossistémicos. Eles concluíram que os benefícios dos bosquetes e árvores de rua têm um valor médio anual de US $ 505 milhões por ano, equivalente a US $ 1,2 milhão por quilómetro quadrado de árvores ou US $ 35 per capita por cada residente na metrópole.


Theodore Endrey, da Faculdade de Ciências Ambientais e Florestais da Universidade Estadual de Nova York e principal autor do estudo, aponta que o valor dos serviços das árvores poderia ser facilmente duplicado simplesmente plantando mais espécimes.


"As megacidades podem aumentar esses benefícios em 85%", diz ele, acrescentando: "Se as árvores foram estabelecidas ao longo de sua área de cobertura potencial, eles filtram os poluentes do ar e da água, reduzem o uso de a energia dos edifícios e melhorar o bem-estar humano, enquanto fornece habitat e recursos para outras espécies na área urbana ".

Benefícios diretos e indiretos
Os pesquisadores levaram em conta os benefícios das árvores na redução da poluição do ar, o escoamento da água da chuva, os custos de energia associados ao aquecimento e arrefecimento e as emissões de dióxido de carbono (CO2).

Sublinham que o benefício médio das 10 megacidades analisadas é de 410 milhões de euros por ano em reduções de poluentes atmosféricos; 9,4 milhões em tratamento de águas pluviais salvaguardas; 6,8 milhões de sequestro de CO2 e 0,4 milhões de poupança de aquecimento e ar condicionado.
"As árvores têm benefícios diretos"

Fonte: Economista Es 
Tradução: João Paulo Soares  
Obrigado Paulo Pimenta de Castro (Portugal) e João Paulo Soares (Brasil)

sábado, 2 de setembro de 2017

Terra Bela - "Nox Atacama" - Beautiful Earth- belíssimo filme de Martin Heck


POR
O deserto de Atacama é o lar dos céus mais escuros e limpos do mundo. Uma visão do céu nocturno recompensa pelo incontável número de estrelas e fantásticas nebulosas num dos lugares mais calmos e "vazios" da Terra. Nenhum ruído distrai-se do grande panorama que a noite de Atacama tem para oferecer. No entanto, o ambiente é áspero. Filmado a temperaturas congeladas, altitudes até 5.000m / 16.000ft, lagos salgados e encostas geladas, o Atacama não é amigável para a vida e equipamentos. Embora forneça, sem dúvida, vistas épicas e vastas de uma das maiores e mais surpreendentes paisagens da Terra.


EN
The Atacama desert is home to the darkest and cleanest skies in the world. A view to the nightsky rewards with uncountable numbers of stars and fantastic nebulas in one of the most quiet a empty places on earth. Not a single noise distracts from the grand show the nightsky has to offer. The environment is harsh though. Filmed in freezing temperatures, altitudes up to 5000m/16000ft, salt lakes and icy slopes, the Atacama is not friendly to life and equipment. Though it provides without doubt for epic and vast vistas of one of the greatest landscapes on earth.

Todas as informações mais técnicas e merecidos comentários no Vimeo.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Encontros Improváveis: Ramos Rosa e John O'Grady

John O'Grady - Spirit of the Forest
Estou fixo e livre neste centro com uma intensidade monótona.
Contente de ser teu e de ser meu, na expressão plana do desenho e na expressão redonda do volume, alto em densidade e transparente, animal de fundo e de ar, no equilíbrio fluido de um movimento sólido, que não arde, imensa, mas à medida do corpo ardente, límpido.

Por vezes, sem qualquer esforço, sou uma atmosfera ou identifico-me com um arvoredo, com a sua cor sombria, cor de veludo e silêncio, cor de estar ou ser, intemporal e densa.

Onde sou uma respiração de silêncio.
Ou então uma encosta, alongado, profundo, externo, gosto de ser e nada mais, numa completa tranquilidade.

Rumor de folhas e de mãos pequenas, insectos de delicada chama, diminutos fulgores silenciosos.
Entre confusas claridades, na plena humidade, o fogo abre a flor do corpo.
Sou tudo aquilo em que estou.

Folhagem e água, ar, pedras, o sono verde da terra, tudo, o todo inteiro, aqui na coincidência feliz de ser, de mais ser, ebriamente límpido, misteriosamente idêntico.(...)

Ramos Rosa

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

A Amazónia, glosada em Benke por Milton Nascimento, "pulmão verde do Mundo", em risco ao ser escavada por empresas de mineração

Benke! Grande Milton
"Tem a água
tem aquela imensidão
tem sombra da Floresta...
tem a luz do coração"



A exploração mineira é uma das principais causas da desflorestação da Amazónia, que continua a bater recordes no Brasil.

 Fonte: Desinformemonos
Oposição fala no “maior ataque à Amazónia em 50 anos” após Michel Temer ter assinado um decreto na quarta-feira, dia 23 de Agosto, para permitir a exploração de ouro e de outros minerais em mais de quatro milhões de hectares, uma área maior que o território da Dinamarca. “Nem a ditadura militar ousou tanto”, acusa o senador Randolfe Rodrigues.

O Presidente brasileiro promulgou um decreto na quarta-feira para extinguir quatro milhões de hectares de reserva natural na Amazónia para permitir a exploração de ouro e de outros minerais. A Reserva Natural de Cobre e Associados (Renca), criada em 1984 antes da queda da ditadura militar, situa-se nos estados de Amapa e Pará, no norte do Brasil, e tem uma área de 46 mil quilómetros quadrados, maior que o território da Dinamarca.

O governo defende que 30% da Renca pode ser aberta a exploração mineira porque existem outras nove áreas de conservação e reservas indígenas que vão continuar sob proteção legal do Estado brasileiro. "O objetivo da medida é atrair novos investimentos, gerar riqueza para o país e emprego e rendimento para a sociedade, sempre com base nos preceitos da sustentabilidade", sublinhou o Ministério da Energia e das Minas em comunicado.

Ativistas ambientais e a oposição rejeitam o argumento da sustentabilidade e acusam o Presidente e o seu Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) de saque à região amazónica, pondo em risco a fauna e a flora da área. "O decreto é o maior ataque à Amazónia dos últimos 50 anos", denunciou ao jornal “O Globo” Randolfe Rodrigues, senador do REDE. "Nem a ditadura militar ousou tanto. Nem a [Rodovia] Transamazónica foi tão ofensiva. Nunca imaginei que o governo tivesse tamanha ousadia."

Em julho, o diretor do World Wildlife Fund (WWF) no Brasil, Maurício Voivodic, tinha avisado que abrir a área à exploração de minérios ia conduzir a fenómenos problemáticos como "explosão demográfica, desflorestação, à destruição de recursos aquíferos, à perda de biodiversidade e à criação de conflitos" por causa das duas reservas indígenas existentes no território, que albergam várias comunidades étnicas a viver ainda esta quinta-feira em relativo isolamento.

"A corrida ao ouro na região pode criar danos irreversíveis para estas culturas", acusou o WWF num relatório publicado há um mês. "Se o governo insistir em abrir estas áreas à exploração mineira sem salvaguardas ambientais, terá de lidar com protestos internacionais." No mesmo documento, o grupo ambiental lembrou que estudos para a exploração mineira foram proibidos em 69% do território da Renca.

O Ministério do Ambiente garante que o decreto promulgado por Temer não afeta as unidades de conservação existentes na região, tendo sublinhado ontem em comunicado que "qualquer empreendimento que possa impactar as unidades de conservação é passível de procedimento de licenciamento específico, o que garante a manutenção dos atributos socioambientais das áreas protegidas".

A área impactada pelo decreto foi criada há 33 anos pela ditadura militar brasileira depois de planos iniciais para a exploração de cobre na região nunca se terem concretizado. Sem a classificação de reserva natural, a região volta a estar sujeita a operações de mineração, numa altura em que empresas de quatro países já expressaram interesse em explorar os recursos naturais da área.

Em Portugal dia 31 não faltes ao primeiro protesto "Mexeu com a Amazônia, Mexeu com o Planeta.", em Lisboa, Praça de Luís de Camões, pelas 19 horas.


Toda a informação e adesão, partilhas e comentários na página do evento no Facebook.
Fonte: Expresso Agradecimentos: Teodoro Vieira; José Diogo; Pedro Costa e Colectivo Andorinha

domingo, 27 de agosto de 2017

A música mais antiga do Mundo, já encontrada, pertence ao norte da Síria


O assentamento de Ugarit, no norte da Síria, permanecia inabitado desde a era Neolítica, em 6.000 a.C. Porém, no século XV a.C., ela foi transformada numa estratégica cidade portuária, estabelecendo importantes ligações comerciais com o Império Hitita, o Egito, e mesmo a longínqua Chipre. Essas conexões com outras cidades-Estado atingiram seu apogeu entre os anos de 1.450 a.C e 1.200 a.C., período de maior glória de Ugarit, fato que pode ser comprovado mediante as evidências arqueológicas da região. Ali foram erguidos grandes palácios, templos e bibliotecas, contendo placas de argila com escrita cuneiforme. Contudo, além desses vestígios, singulares nesse período, os pesquisadores também encontraram, no ano de 1950, uma placa contendo o trecho de uma partitura musical, composta na língua hurrita, que remete a pelo menos 3.400 anos, sendo, portanto, a mais antiga música do mundo já encontrada até então.

A compilação musical (encontrada sob a forma de um sistema de notação de músicas, gravada em tábuas de argila), é mais conhecida como as “canções hurritas”. Provavelmente, elas eram tocadas com uma lira contemporânea. A maior parte dessas séries musicais eram dedicadas à deusa de Ugarit, Nikkal, mais tarde também adotada com divindade no panteão fenício, protetora dos pomares e jardins. Destarte, uma equipe de especialistas foi capaz de traduzir a escrita cuneiforme das placas contendo as “canções hurritas”, recriando assim a melodia. Abaixo, segue uma versão mais moderna da mesma, baseada numa interpretação feita por Anne Draffkorn Kilmer, professora de Estudos Assírios na Universidade da Califórnia, em 1972.


Caso a versão acima não tenha lhe agradado, é possível conferir a mesma canção, tocada em lira. Os professores Anne Draffkorn Kilmer e Richard Crocker produziram uma variante da melodia, mais de acordo com a forma com que ela era originalmente tocada. O músico Michael Levy também produziu uma interpretação em lira, que pode ser escutada  abaixo:

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

A Holanda tem criado habitações minimalistas com espaços verdes para moradores em situação de rua (com video)

Fonte: Elmo Vermijs. Mais imagens aqui

Para quem vive muito tempo na rua, adaptar-se novamente a viver numa casa, junto com outras pessoas, dividir espaço e compartilhar regras, nem sempre é uma tarefa fácil. Para ajudar estas pessoas no processo de adaptação, a iniciativa Trudo Housingcorporation, em parceria com o estúdio de arquitectura Elmo Vermijs, projetou uma vila minimalista para abrigar aqueles que saem das ruas.

O espaço é composto por diversas casas coloridas, com grandes janelas que proporcionam a entrada de luz natural e muito verde em redor. No chão, ainda há caminhos que levam de uma moradia para a outra. Tudo para despertar nestas pessoas que viviam em situação de rua o sentido de pertencerem a uma comunidade, mas sem que sintam que estão a abrir mão da sua individualidade e/ou liberdade. 

O inquilino que ganha uma casa na vila não tem prazo para sair – pode ficar até se sentir pronto para mudar para uma residência “mais convencional. Mas precisa ajudar a comunidade com os gastos.

Para baratear ao máximo, as casas foram construídas de acordo com a tipologia Sakaeve Huse (ver o vídeo aqui na postagem e projectos na página) e equipadas com sistema de geração de energia fotovoltaica, a fim de eliminar os gastos com electricidade.

Rodeado de tanto cuidado e humanidade, fica muito mais fácil vencer esta etapa tão difícil que é a saída das ruas!

O vídeo explica o que são este tipo de casas- Skaeve Huse (em Holandês) e o estúdio disponibiliza um resumo em Inglês 


Fonte (com adaptações)

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Folhas de árvore contra o Céu- Urbano Tavares Rodrigues


Preso pela PIDE em 1963 e 1968, usou o segundo período de clausura para escrever "Contos de Solidão", que Urbano Tavares Rodrigues, descreve, numa entrevista feita por Maria Augusta Silva (1994), quando recebeu o Prémio Fernando Namora: "a polícia política não me deixava ler nem escrever. Até que pedi a Bíblia. Li-a de uma ponta a outra. E, depois fui escrevendo no único papel disponível, o do rolo de papel higiénico, e fiz sair esses "Contos" embrulhados em papel vegetal".

A entrevista está publicada, na íntegra, aqui 

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Jovem carpinteiro alemão produz bicicletas de madeira em Lagoa

Depois de um primeiro lançamento mediático com bastante sucesso no seu país de origem, o jovem alemão Raphael Much, 29 anos, mudou-se com a namorada algarvia para o Algarve. Consigo traz a linha de produção das bicicletas artesanais em madeira «Lumber Jack» (do lenhador).
Um jovem artesão alemão teve a ideia de construir, à mão, bicicletas de alta qualidade em madeira, no Algarve. Inspirado pelo crescimento do turismo ciclável na região e também por ver Portugal a liderar o ranking dos maiores exportadores de bicicletas da União Europeia em 2016, Raphael Much criou a sua própria marca. As bicicletas «Lumber Jack» demoram três meses a serem montadas, pois cada uma é peça única. A mais acessível custa 4290 euros e estão ser produzidas numa oficina na Mexilhoeira da Carregação, no concelho de Lagoa.

O conceito até pode ser de nicho, mas já deu provas de ser sustentável e há todo um mercado europeu interessado. A prova é que Raphael Much perdeu a conta aos eventos e exposições onde apresentou as suas «Lumber Jack», na Alemanha. As bicicletas têm feito capas em várias revistas da especialidade. Much cresceu na Floresta Negra, no sul da Alemanha, rodeado de bosques, apaixonado pela madeira enquanto matéria-prima. Formou-se em carpintaria e após os estudos, e com o desejo de «conhecer um pouco mais do mundo» passou por uma serralharia na Nova Zelândia e colaborou com a indústria náutica em Portugal.

Apesar de se ter formado mestre carpinteiro «apenas aprendi realmente a arte da carpintaria em Portugal. Não recorríamos a computadores para construir barcos, como noutros países. Aprendia a fazer tudo de forma manual e o mesmo acabou por acontecer com as minhas bicicletas», recorda. Em 2011, em plena crise, e com o trabalho a escassear, o jovem carpinteiro encontrou tempo e criatividade para criar a sua primeira bicicleta «reciclada» a partir dos restos de madeira que sobravam das embarcações, sobretudo restos de madeiras como freixo, ácer e mogno.

«Comprei uma bicicleta velha a um pescador por 15 euros e assim nasceu o meu primeiro protótipo. Não era de todo funcional. Ficou grande e pesada demais. Demorei quase dois anos até produzir o modelo final».
Para já, quem quiser apenas saber
mais sobre estas bicicletas, poderá consultar o seu site Wood Works
Obrigado, Manuela Gonzaga e Luísa 

domingo, 20 de agosto de 2017

Livro do Mês: Levadas da Madeira- Uma Antologia Literária

No passado dia 11 de Maio, veio a lume Levadas da Madeira: uma antologia literária, organizada por Thierry Proença dos Santos, com fotografias de Francisco Correia e publicada pela Imprensa Académica. Segundo o editor, Luís Eduardo Nicolau, constitui objectivo deste livro «dar a conhecer aos leitores uma relação pouco explorada entre o texto literário e essa obra única da nossa natureza, construída e moldada ao longo dos séculos e cuja marca, na vida dos madeirenses e de todos os que nos visitam, é indelével.»

Thierry Proença dos Santos, professor da Faculdade de Artes e Humanidades da Universidade da Madeira, tem, nos últimos anos, dedicado a sua investigação à produção literária madeirense e contribuído de forma notável para a sua divulgação no contexto académico nacional e internacional, através de muitos artigos e ensaios em revistas e actas de colóquios, e ainda de alguns livros, dos quais salientamos Comeres e beberes madeirenses em Horácio Bento de Gouveia (2005) e a edição crítica de Canga, (2008). Foi também co-organizador de Crónica madeirense: 1900-2006 (2007) e Cadernos de Santiago 1: colectânea de poesia (2016).
Em Levadas da Madeira: uma antologia literária, Thierry Proença dos Santos reuniu contos, crónicas e poemas, excertos de diários, cartas, romances e reportagens sobre as levadas da nossa ilha.

Surgem assim autores de diferentes épocas e correntes literárias e estéticas. O primeiro texto apresentado é de Gaspar Frutuoso, extraído do Livro Segundo das Saudades da Terra, obra escrita por volta de 1584. Isabella de França, João de Nóbrega Soares, Luzia, Alberto Artur Sarmento, António Ferreira, Assis Esperança, Maria Lamas, Ferreira de Castro, António Marques da Silva, Horácio Bento de Gouveia, João França, Carlos Martins, Alberto Figueira Gomes, Maria do Carmo Rodrigues, Jorge Sumares, António Ribeiro Marques da Silva, Clemente Tavares, Irene Lucília Andrade, Dalila Teles Veras, Fátima Pitta Dionísio, José António Gonçalves, Nelson Veríssimo, Lília Mata, Fernando Bessa são os autores seleccionados. Apenas um viajante estrangeiro foi antologiado. Trata-se do francês Léon Manchon, cujo relato de uma caminhada ao Rabaçal foi traduzido para português, pela primeira vez.

Os discursos sobre as levadas figuram dispostos sob nove temáticas que dão origem a igual número de capítulos. Assim: Os construtores de levadas; Águas passadas, Disputa de água; O silêncio das levadas; O prazer da água (de rega); Ao sabor da levada; A levada que corre dentro de mim; A fonte de lendas, Tornadoiro de poemas. No final, são apresentadas notas bibliográficas dos autores escolhidos, seguindo-se um glossário e um breve posfácio com o enquadramento histórico das levadas madeirenses.

As fotografias de Francisco Correia, que acompanham os textos, não assumem o papel de mera ilustração, sem menosprezo dessa importante função da representação do real. Neste livro, as bonitas imagens captadas são uma espécie de texto visual que anuncia, rodeia ou prolonga o texto literário, envolvendo o leitor no amplo processo de fruição da levada, enquanto obra insular e produto da Natureza. Trata-se, portanto, de uma antologia literária e fotográfica, mas um objecto com unidade, criado com palavras e registos da paisagem.

No processo em curso sobre a candidatura das levadas da Madeira a Património da Humanidade, junto da UNESCO, esta edição constitui mais uma importante achega para valorização de um legado cultural, que remonta aos tempos do povoamento da ilha.

Nesta antologia, narrativas, poemas e fotografias fixam imagens bem diversas das levadas e da sua paisagem, da rega e dos levadeiros, do quotidiano agrícola, de superstições e crendices, quando na noite não existia luz elétrica para iluminar as encostas, dos recorrentes e indómitos conflitos em torno da água de rega, de relatos de caminhadas e de visões inspiradas.

Com a chancela da Imprensa Académica, da Associação Académica da Universidade da Madeira, disponibiliza-se um novo e diferente instrumento para a compreensão das levadas como obra da cultura madeirense.


Funchal Notícias. 17 Maio 2017

sábado, 19 de agosto de 2017

Encontros Improváveis- José Saramago e Graciela Magnoni

Hoje celebra-se a Fotografia e é, também, o Dia Mundial da Ajuda Humanitária.

Para assinalar estas efemérides, escolhi um texto de José Saramago e uma fotografia de Graciela Magnoni, Uruguai, 2014, homenageando assim todos os que registam e partilham olhares únicos do nosso quotidiano, mas também as pessoas e as organizações que fazem da sua vida ajudar a vida dos outros.


"Produzimos uma cultura de devastação baseada muitas vezes no engano da superioridade das raças, dos deuses, e sustentada pela desumanidade do poder económico. Sempre me pareceu incrível que uma sociedade tão pragmática como a ocidental tenha deificado coisas abstractas como esse papel chamado dinheiro e uma cadeia de imagens efémeras. Devemos fortalecer, como tantas vezes disse, a tribo da sensibilidade..."~ José Saramago

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Efeitos directos dos incêndios na saúde

Para Lá da Cortina de Fumo- os efeitos na saúde

O que importa dar destaque! Como temos feito destacar, os negócios silvícolas não ocorrem apenas entre duas partes. Por isso, o Estado tem de estar presente e com posição reforçada, seja na investigação, seja na fiscalização, seja em extensão, seja na regulação.

Já assinou a Petição- "Nem mais um hectare de eucalipto plantado em Portugal", queremos esta promessa cumprida?


Por  1 e Diogo Pestana 2, Público, 16 de Agosto de 2017

Portugal encara, atualmente, uma situação de emergência para dar resposta à crescente problemática dos incêndios florestais. Os incêndios são eventos adversos com custos tangíveis ambientais (área ardida em 2017 mais de dez vezes superior ao mesmo período de 2016), socioeconómicos (como a desertificação, a erosão do solo, a falta de abastecimento de água, e outros prejuízos económicos estimados em cerca de 250 milhões de euros por ano com incêndios) e para a vida humana. A quantificação dos custos imediatos e diretos dos incêndios permite estabelecer a métrica do impacto socioeconómico; porém, os incêndios têm outras consequências adversas menos imediatas e evidentes sobre o ambiente e, por consequência, sobre as populações. É por isso surpreendente a escassez de literatura e comunicação relativa aos seus efeitos diretos na saúde.

Efetivamente, a relação do ambiente com o binómio saúde-doença é reconhecida desde Hipócrates, no seu mais famoso tratado Dos ares, Águas e Lugares. Numa interessante e rica descrição dos efeitos ambientais na saúde de indivíduos e populações, correlaciona o ambiente aos diferentes quadros nosológicos e características populacionais. O modelo ainda hoje é válido, mas a multifatorialidade de muitas doenças dificulta a avaliação da contribuição relativa dos diferentes fatores ambientais, tornando-se assim premente o aumento do conhecimento integrativo em domínios como a água, o ar, os solos, a nutrição, procurando clarificar um olhar da toxicologia para a saúde.

O impacto dos incêndios nas populações depende de vários fatores, nomeadamente a duração e o tipo de exposição, os meios de transmissão para o meio ambiente e a suscetibilidade do indivíduo. Uma distinção importante na definição dos impactos é a diferenciação entre curto e longo prazo. Os efeitos para a saúde decorrentes de uma exposição aguda são os mais explorados, nomeadamente relacionados com o fumo produzido pelos incêndios (problemas respiratórios, cardiovasculares e oculares), com o excesso de calor (queimaduras, desidratação e golpes de calor) e com falhas do abastecimento de água (ver em Riscos para a saúde resultante da ocorrência de incêndios, DGS).

Em matéria de alimentação e com o objetivo de mitigar estes efeitos, principalmente nas populações vulneráveis e em risco (como os bombeiros), o Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável (PNPAS), da Direção-Geral da Saúde, tem vindo a definir algumas linhas orientadoras sobre alimentação em tempo de incêndios (ver em Recomendações gerais para a alimentação de bombeiros, Nutrimento).

Mas, atrás da cortina de fumo dos incêndios florestais, não podemos menosprezar os efeitos a longo prazo da contaminação do ambiente (solo, água e subsequentemente da cadeia alimentar) e da exposição crónica das populações a outros poluentes provenientes do fumo, como metais pesados, PAH, PCB e dioxinas. Talvez por este impacto não ser imediatamente observado e reconhecido, e muitas vezes decorrente da exposição a baixas concentrações (disruptores endócrinos), escasseia o conhecimento dos seus verdadeiros efeitos (cardiovasculares, respiratórios e carcinogénicos) nas populações afetadas.

Já assinou a Petição- "Nem mais um hectare de eucalipto plantado em Portugal", queremos esta promessa cumprida?

1- Investigadora do grupo ProNutri, Cintesis; Faculdade de Ciência Médicas Universidade Nova de Lisboa
2- Investigador do grupo ProNutri, Cintesis; Faculdade de Ciência Médicas Universidade Nova de Lisboa; Membro da COST Action – Industrially Contaminated Sites and Health Network (ICSHNet)

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Bertrand Russell- Uma mensagem para as gerações futuras


Num programa de televisão, Face-to-Face da BBC em 1959, foi perguntado a Bertrand Russell, que mensagem deixaria para as gerações vindouras. A resposta dele foi que diria duas coisas: uma intelectual e outra moral.
Se querem saber quais são vejam o vídeo.
É um espantoso testemunho, pela inteligência e pela simplicidade. Palavras imperdíveis e, verdadeiramente, inspiradoras.


Para saber mais sobre Bertrand Russell consultar e ler esta postagem.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

A relevância da floresta nativa na Madeira

Cada floresta pristina organiza-se e adopta uma sociedade de seres que dela dependem mas com ela interconectam-se em redes de energia e de matéria impensáveis e de uma liquidez económica incríveis.
Início da Levada dos Moínhos, Porto Moniz, Madeira (Foto de autor)
A actual floresta indígena da Madeira, «na sua maioria, representada por árvores da família das lauráceas, no dragoeiro e nos fetos», existiu outrora no sul da Europa e bacia do Mediterrâneo, onde foram encontrados fósseis de espécies da floresta madeirense, tendo-se aí extinguido naturalmente. Interroga-se então, o porquê da extinção desta floresta nesse continente, e como terá podido sobreviver nestes arquipélagos atlânticos? E como vieram lá parar? Relativamente à primeira resposta, sabemos que, no final do Terciário verificou-se uma descomunal modificação no clima europeu, caracterizado por um gradual arrefecimento. Este abaixamento da temperatura surgiu na sequência da expansão em direcção ao sul da calote de gelo polar. Quase em simultâneo, começou a processar-se uma alteração climática na zona do norte de África, tornando-se aí o clima mais seco. Desta forma, a floresta subtropical do sul da Europa deixou de encontrar as condições climáticas ideais ao seu desenvolvimento sustentado, devido ao frio crescente vindo de norte e à aridez proveniente do sul, dando-se assim, início ao seu processo de recuo e consequente extinção. Quanto à segunda resposta julga-se que os arquipélagos atlânticos protegidos que estavam destas mudanças climáticas, devido à sua localização oceânica, serviram de “poiso” a determinadas aves que aqui “semearam” sementes originárias dessa mesma floresta do sul da Europa, também de África, e talvez de outros continentes.
De referir que, as aves que habitam a floresta da Madeira (Laurissilva), como por exemplo o pombo trocaz, são na sua maioria “comedores de sementes”.

Trocaz  (Columba trocaz - foto via web)

Uma das características principais da floresta indígena madeirense, nas suas espécies, que na sua maioria são de expressão sexual dióica, (necessitando de uma planta de sexo masculino para se reproduzirem), são produtoras de sementes, e por sua vez, esta interdependência “aves-versus-floresta”, também ajudou à consolidação da mesma. Por essa razão, o pombo trocaz é actualmente protegido, pois o mesmo se tornou, o grande “semeador” da floresta autóctone insular, designadamente a Laurissilva. Quanto às outras espécies de plantas, se chegam por cá poeiras do Deserto do Saara, arrastados pelos ventos de leste, também chegam outras sementes! Assim, a “floresta terciária” sobreviveu, persistindo até hoje! Esta, é considerada por muitos especialistas como uma floresta “fóssil vivo”, que acompanhou a história geológica das ilhas do Arquipélago da Madeira, ao longo de milhões de anos. A testemunhá-lo, foi o “achado” de fósseis de toros, “que se julga ser de barbusano”, entre camadas de tufo vulcânico e de alcatrão, por ocasião da perfuração do túnel para passagem da Levada do Norte na Encumeada de São Vicente, em 1947. Alguns destes exemplares, encontram-se actualmente no Museu Municipal do Funchal e no Museu da Electricidade "Casa da Luz".

A floresta da Madeira, particularmente a Laurissilva, é actualmente a mais extensa e a mais bem conservada dos arquipélagos atlânticos (Açores, Madeira, Canárias e Cabo Verde), que constituem a Macaronésia (regiões com características fitográficas e biológicas comuns), e por conseguinte pode-se afirmar que, a Madeira possui a melhor e mais extensa mancha de floresta Laurissilva do Mundo. A totalidade da área desta floresta, e dada a sua importância, foi recentemente classificada como Reserva Biogenética e incluída na rede europeia de Reservas Biogenéticas, sob a égide do Conselho da Europa. As Reservas Biogenéticas constituem áreas protegidas europeias onde ocorrem ecossistemas, biótipos e espécies únicos, raros ou ameaçados e característicos de uma dada região.

A floresta Laurissilva, é uma floresta “produtora” de água (pdf), que no caso da ilha da Madeira, e face à sua localização geográfica, com a cordilheira central perpendicular (oeste - leste) aos ventos predominantes de nordeste (os alíseos), carregados de vapor de água do oceano, impulsionados por correntes de ar ascendentes, chocam com as montanhas, e ao passar pela floresta, provocam a chamada precipitação oculta, e se for nos planaltos ou nos píncaros “assume” a designação de “horizontal”, onde predomina o Urzal de Altitude.


Na Madeira, existe mais água na vertente norte do que na vertente sul. Por esta razão se construíram canais de transporte de água, as levadas, que na sua maioria também "nascem" a norte, captando as nascentes aí existentes.

Uma visita imperdível é o Jardim Botânico do Funchal. Existem no Jardim duas áreas dedicadas à flora da Madeira; uma localizada na zona do arboreto, e outra, na secção sul do jardim, junto ao anfiteatro e à coleção de palmeiras e cicas.

Na coleção localizada no arboreto destacam-se as espécies arbóreas da Laurissilva da Madeira, tais como a Faia (Myrica faya), o Folhado (Clethra arborea), o Vinhático (Persea indica), o Til (Ocotea foetens) e o Loureiro (Laurus novocanariensis) e ainda outras espécies endémicas da Madeira e Macaronésia raras ou ameaçadas de extinção, nomeadamente o Mocano (Pittosporum coriaceum), o Dragoeiro (Dracena draco), o Jasmineiro (Jasminum azoricum), o Gerânio da Madeira (Geranium maderense) e Cheirolophus massonianus entre várias outras.

A coleção de espécies endémicas da Madeira visa dar a conhecer a flora do Arquipélago da Madeira. A coleção inclui exemplares de vários taxa endémicos, alguns dos quais raros e ameaçados de extinção. Destaca-se por exemplo Jasminum azoricum, Cheirolophus massonianus, Chamaemeles coriacea, Pittosporum coriaceum e Prunus lusitanica subsp. hixa). tem as espécies organizadas de forma a representar os vários níveis de vegetação da Madeira, desde a zona litoral até às altas montanhas da ilha. Nesta zona salienta-se as espécies raras Berberis maderensis e Pittosporum coriaceum.
Destaca-se ainda nesta coleção uma área de conservação ex situ de Aichryson dumosum, espécie endémica da Madeira e extremamente rara na Natureza. Neste espaço foi recriado o peculiar habitat desta espécie, que vive por entre amontoados de rochas basálticas em apenas uma localidade da ilha da Madeira.

Bibliografia e Sites Consultados

Diário da República, 1.ª série - N.º 179 - 15 de Setembro de 2006 (pdf), foi aprovada a “Estratégia Nacional para as Florestas”, inserida na “Estratégia Florestal da União Europeia”.
NEVES, Henrique Costa et al. (1996). Laurissilva da Madeira - Caracterização Quantitativa e Qualitativa. Secretaria Regional de Agricultura, Florestas e Pescas - Parque Natural da Madeira. Funchal.
OLIVEIRA, Paulo (1999). A Conservação e Gestão das Aves do Arquipélago da Madeira. Secretaria Regional de Agricultura, Florestas e Pescas - Serviço do Parque Natural. Funchal. Funchal.
PRADA, Susana- O Potencial do Nevoeiro como Recurso Hidrológico.
QUINTAL, Raimundo (2007)- Quintas, Parques e Jardins do Funchal, Estudo Fitogeográfico

Jardim Botânico da Madeira
José Lemos Silva Madeira-Gentes e lugares

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Odeceixe e Portugal disse ao Mundo - Não ao Furo! Sim ao Futuro

Odeceixe beach shouts Portugal’s message to the world -> No to oil drilling 12 August 2017
Odeceixe beach shouts Portugal’s message to the world

Não ao Furo! Sim ao Futuro – Não à exploração de petróleo em Portugal!
PT
Cerca de 1.000 pessoas de 40 países diferentes formaram uma enorme mensagem humana na praia de Odeceixe para impedir a exploração de petróleo na costa Portuguesa. O evento integrou-se no "Defend the Sacred: Envision a Global Alternative", realizado em Tamera, ao qual se juntaram líderes de Standing Rock e movimentos ambientalistas Portugueses.

A imagem humana aérea foi desenhada por John Quigley da Spectral Q, filmada por Ludwig Schramm e uma equipa de Tamera.
À medida que as empresas petrolíferas pressionam para iniciar a exploração de petróleo em Abril de 2018, juntámo-nos para honrar a água como fonte de vida, a água como sagrada, a vida como sagrada, e a necessidade de defender o que é sagrado.
#defendthesacred
#waterislife
Assina a petição: SALVAR O ALGARVE DA EXPLORAÇÃO DE GÁS E PETRÓLEO
http://bit.ly/2vCaFGI

Intervenientes- Speakers:
John Quigley
Martin Winiecki
Sabine Lichtenfels
LaDonna Brave Bull

EN

Nearly 1000 people from 40 countries form a large-scale human message on Odeceixe beach to stop plans for off-shore oil drilling in Portugal. The event was part of "Defend the Sacred: Envision a Global Alternative" hosted by Tamera, joined by Standing Rock leaders and supported by environmental movements in Portugal. The aerial human image was designed by John Quigley of Spectral Q and produced by Ludwig Schramm and team from Tamera.
As the oil companies push to drill for oil off this coast as early as April 2018, we came together to honor that water is life, water is sacred, life is sacred, and that we must defend the sacred.

Sign the petition: SAVE THE ALGARVE FROM OIL AND GAS EXPLORATION
http://bit.ly/2vCaFGI

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Petição- "Nem mais um hectare de eucalipto plantado em Portugal", queremos esta promessa cumprida

Santa Valha, Valpaços (Foto de autor)
Para: Senhor Presidente da República Portuguesa, Senhor Presidente da Assembleia da República, Senhores Deputados; Senhor Primeiro-Ministro, Senhores membros do Governo

Excelências,

Cidadãos vêm por meio desta petição pedir-lhes que revejam a Primeira alteração ao Decreto-Lei n.º 96/2013, de 19 de Julho, que estabelece o regime jurídico aplicável às acções de arborização e rearborização (Decreto n.º 165/XIII) da Reforma Florestal aprovada na Assembleia da República a 19 de Julho de 2017, e promulgada a 8 de Agosto de 2017 pelo Senhor Presidente da República, por forma a que garanta que não seja autorizada a plantação de sequer mais um hectare de eucalipto no nosso país.

900 mil hectares de monocultura constituem um desequilíbrio incomensurável, temos a maior proporção territorial coberta com eucalipto do mundo. Portugal é o 5º maior produtor mundial, atrás do Brasil, China, India e Austrália, mas não tem uma extensão comparável. Esta conjuntura tem custos inegáveis.

Consideramos que a lei, tal como foi aprovada e promulgada, não acaba com novas plantações de eucalipto nem reduz a área do território ocupada por monocultura de eucalipto, pois ela:

- permite a permuta de uma área de monocultura de eucalipto com solos esgotados de nutrientes e com baixa produtividade para uma nova área de floresta produtiva com solos férteis, com a desistência de 10% de plantação ao ano com o máximo de redução de 50% ao fim de 5 anos.

Ora reduzir 10% ao ano não é o mesmo que reduzir 50% ao fim de 5 anos. Reduzindo 10% durante 5 anos uma área de 500 mil hectares ficam 295 mil e não 250 mil hectares.

- permitindo essas permutas, constitui uma importante ameaça à floresta existente onde temos já várias espécies em vias de extinção. A monocultura de uma árvore exótica, oriunda de um ecossistema longínquo, não tem valor de suporte da fauna e flora nativas, não assegura a preservação da biodiversidade. Monocultura não é floresta. Floresta é todo um ecossistema interdependente, espécies não importadas e adaptadas ao nosso ecossistema, ao nosso clima, que albergam diversidade, conservam os solos, a humidade e amenizam a temperatura ambiente.

- não prevê que, na permuta por áreas novas, as áreas onde se deixe de cultivar eucalipto sejam arborizadas com espécies autóctones. Se não se retirarem os cepos os eucaliptos voltam a crescer. Retirá-los tem custos elevados. Esses eucaliptos já não interessarão para a indústria da celulose. Ao continuarem a crescer lá eucaliptos onde está a redução do eucaliptal em Portugal?

- mantém, na prática, o deferimento tácito por parte do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas dos pedidos de arborização com eucalipto que lhe sejam dirigidos:

Para propriedades inferiores a 10 hectares, o ICNF, aleatoriamente, seleccionará 20% dos pedidos de arborização e terá um máximo de 45 dias para responder. O deferimento será tácito nos restantes 80% (autorizados automaticamente por falta de resposta do ICNF). Para propriedades superiores a 10 hectares há deferimento tácito após 60 dias. A lei anterior previa 45 dias para propriedades superiores a 2 hectares... não vemos grande mudança.

O ICNF com efectivos reduzidos nos últimos 10 anos fica responsável por gerir e fiscalizar os 900 mil hectares de eucaliptal que temos no país. Perguntamo-nos como e com que inspectores?
Falamos do mesmo ICNF que permitiu o abate de 200 sobreiros na Azambuja para plantar um olival de cultivo intensivo? Ou o abate de carvalhos na Quinta das Nogueiras pela Santa Casa da Misericórdia do Fundão em plena estação da nidificação das cegonhas que por lei deveria proteger?
Duvidamos que este ICNF consiga travar a exploração de monoculturas de árvores com vista exclusiva ao lucro rápido e cumprir a sua função de proteger os ecossistemas.

- não apoia claramente o lucro superior, inclusivamente ambiental e turístico, que retiramos de florestas de uso múltiplo constituídas por espécies autóctones.

Na criação de valor acrescentado com base em produtos certificados da floresta, como farinha de avelã, de noz, de castanha, de bolota, de pinhão (farinhas sem gluten) e concomitantes actividades em que ainda temos tradição e elevada qualidade, como mel, azeite, medronho, resina, pastorícia, cinegética (safari fotográfico) acrescentando o valor da prática de desporto e ocupações de lazer num ambiente saudável, explorando o valor paisagístico com guias da natureza e/ou guardas florestais que pudessem também dar a conhecer a fauna e flora locais a visitantes... por que não considerar a hipótese de existir potencial para uma maior contribuição para o PIB e para a dinamização do interior do país do que com o eucalipto?

- não possibilita que os municípios possam vetar o uso das terras para eucaliptal. Não obriga a consulta pública.

A lei não põe em causa a necessidade de reduzir a área de eucaliptal e aparenta propor-se fazê-lo, mas não cumpre a expectativa que criou. Confiamos que os nossos governantes e legisladores, independentemente de partidos políticos, no superior interesse da nação, queiram ver aplicada uma lei que cumpra o propósito para o qual foi criada.

Foi prometido aos Portugueses que não seria permitido aumentar a área dedicada à monocultura de eucalipto no nosso território. Cremos, pelas razões expostas, que esta lei defraude as expectativas de ver essa promessa cumprida.

Em consciência, esgotando todas as diligências ao nosso alcance para evitar que tragédias como a de Pedrógão Grande se voltem a repetir ainda no Vosso mandato, acreditamos que juntarão a Vossa voz à nossa para que possamos marcar juntos o momento a partir do qual optámos pelo futuro da nossa floresta, de forma inequívoca.

A maior homenagem é aquela que faz com que a perda de vidas não tenha sido em vão, e é com esperança de nos podermos sentir serenos com o cumprimento desse dever que assinamos 

(11 de Agosto de 2017)
Assinar e divulgar a Petição aqui