quinta-feira, 28 de março de 2019

Descoberta nova espécie de abelha em Portugal

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Foi um acaso feliz. A primeira e única vez que Ana Gonçalves esteve nas margens do rio Vascão, perto de Mértola, em trabalho de campo, para coletar insetos, foi na primavera de 2016. Mas saiu-lhe logo a sorte grande dos biólogos: descobriu uma nova espécie. Neste caso, uma nova abelha, que tem, além disso, a particularidade de ser única na Europa.

Ana Gonçalves, que está neste momento a fazer o mestrado em Biologia da Conservação, na Universidade de Lisboa, não se apercebeu na altura de que tinha um pequeno tesouro científico nas mãos. Nem podia. Como sempre fazia com as abelhas, enviou o exemplar para David Baldock, um inglês que estava na época a completar o catálogo das abelhas de Portugal - e não pensou mais no assunto. Só que, as coisas acabaram por se desenvolver de forma inesperada.

Intrigado com a aparência um pouco bizarra daquela abelha, David Baldock decidiu enviá-la para um especialista francês em entomologia, Gerard Le Goff, que a estudou. E, um belo dia, no ano passado, Ana Gonçalves recebeu um telefonema de Le Goff. A abelha, disse ele, era uma nova espécie, era necessário fazer a sua publicação.

quarta-feira, 27 de março de 2019

Não corte já as "ervas daninhas". As abelhas agradecem

Investigadores desaconselham o corte da vegetação espontânea que cresce nos relvados ou entre os muros da cidade porque assim se retiram recursos a insectos importantes para o equilíbrio dos ecossistemas.
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Mal começa a Primavera, há uma tarefa que se repete por todo o lado: cortar ou atirar um químico qualquer para aniquilar as ervas daninhas e as flores selvagens que delas rebentam entre os passeios de casa ou as pedras e muros das cidades, ou florescem nos relvados citadinos. E se, com esta rotineira acção, estivéssemos a prejudicar insectos polinizadores como as abelhas? E se, com isso, nos estivéssemos também a prejudicar? Algumas das plantas favoritas destes insectos, que ajudam na reprodução da flora, são as mal-amadas ervas daninhas. É por isso que entomólogos (estudiosos dos insectos) desaconselham que se cortem estas plantas mal começam a florescer. Dessa forma, estão a retirar-se recursos a estes bichos tão importantes para o equilíbrio dos ecossistemas.

“É muito comum vermos uma zona relvada e nesta altura do ano começam a aparecer algumas flores espontaneamente e são imediatamente cortadas porque as pessoas querem ver um relvado e não um prado”, diz Carla Rego, investigadora do Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

No entanto, sustenta Carla Rego, é preciso não pensar nesta vegetação como ervas daninhas: “Eu não gosto do termo ervas daninhas. É vegetação espontânea e tem o seu papel a cumprir nos ecossistemas, mesmo num meio urbano”, sublinha.

Segundo a investigadora, que é também membro da Sociedade Portuguesa de Entomologia, “cerca de 80% dos alimentos de origem vegetal” que se ingerem dependem do processo de polinização. “As pessoas não têm consciência disso. Cada vez mais estamos a tirar recursos destes insectos que são bastante importantes para os ecossistemas”, nota.

O alerta ganha outra dimensão se se tiver em conta que o mundo atravessa “um momento de grande crise em termos de perda de biodiversidade de insectos, sobretudo também de polinizadores”, diz a investigadora.

Declínio dos insectos

A perda de biodiversidade de polinizadores, não está a acontecer a uma escala local, nem sequer europeia. É uma “crise” que se está a verificar a nível mundial independentemente do tipo de habitat. “É um aspecto bastante preocupante porque nós vivemos dentro de um ecossistema e estamos todos muito interdependentes. Dependemos das plantas, dos insectos. Esta perda que estamos a observar pode ter consequências muito grandes para o nosso futuro”, nota Carla Rego.

Este declínio do número de insectos é causado, em grande parte, pelas alterações climáticas mas tudo depende de uma conjugação de factores: a intensificação da agricultura, o crescimento das áreas urbanas e a perda de área verde e a utilização intensiva de herbicidas e pesticidas

“Quando começamos a aplicar um produto químico, o fabricante escreve os efeitos que considera benéficos contra as pragas agrícolas, mas cada vez há mais indicações de que existem efeitos secundários que vão afectar outros insectos e organismos”, explica a investigadora. “Há menos insectos porque acabam por ser sensíveis aos pesticidas aplicados”, diz. E se há menos insectos, também vão existir, por exemplo, menos aves.

Apesar deste cenário, as cidades podem ter o seu papel e criar pequenos redutos para estes bichos.

terça-feira, 26 de março de 2019

#Trashtag Challenge: o desafio online que está levando internautas a recolherem lixo em locais públicos

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Não é sempre que uma hashtag viraliza para além das redes sociais.

Mas um desafio online que estimula participantes a recolher lixo de locais públicos tem levado dezenas de milhares de pessoas a fazer exatamente isso.

No chamado "Trashtag Challenge" - algo como hashtag "Desafio do Lixo", em português - os participantes escolhem um lugar poluído, limpam esse local e postam fotos mostrando o antes e o depois.

A iniciativa tem ajudado a mudar o cenário em praias, parques e estradas e também a conscientizar sobre a quantidade de lixo plástico que produzimos.

Como surgiu o Trashtag Challenge

O Trashtag Challenge não é um desafio novo. Foi criado em 2015 pela fabricante de produtos de camping UCO Gear, como parte de uma campanha para proteger áreas silvestres.

Mas foi com um post publicado na semana passada no Facebook, voltado a "adolescentes entediados", que aparentemente a ideia ganhou novo fôlego e a hashtag acabou viralizando.

"Aqui está um novo #desafio para vocês, adolescentes entediados. Tire uma foto de uma área que precise de alguma limpeza ou manutenção, depois tire uma foto mostrando o que fez em relação a isso e poste a imagem. Aqui estão as pessoas fazendo isso #BasuraChallenge #trashtag Challenge, junte-se à causa. #BasuraChallengeAZ", diz a postagem.
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Nas redes sociais, imagens de ações realizadas por participantes começaram então a se espalhar.

"Eu não tenho foto de antes e depois, mas aqui estão imagens com a minha família apanhando lixo na marginal da rodovia, sempre que paramos para descansar", postou uma usuária do Twitter, da Argélia, com a hashtag do desafio.


Na Índia, outros usuários usaram o Instagram para mostrar que também estão participando. Mais de 25 mil postagens apareceram na rede social com a hashtag #trashtag - variações incluíam #trashtagchallenge e #trashchallenge.

Em espanhol, ela foi traduzida como #BasuraChallenge.

"Aqui estamos.. Com uma pequena contribuição para o meio ambiente... Nós tentamos recolher parte do plástico que a população local jogou em Laldhori, Junagadh, uma das áreas mais bonitas de Girnar (na Índia)", disse um dos que aderiram.

"É nosso humilde dever manter o MEIO AMBIENTE LIMPO E VERDE e LIVRE do lixo de PLÁSTICO e de outros tipos de LIXO, para que a próxima geração possa desfrutar da beleza original de GIRNAR".Presentational white space
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Este outro grupo em Novosibirsk, na Rússia, disse ter enchido 223 sacolas com lixo, das quais 75% seriam enviadas para reciclagem.
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Usuários no Brasil também comentaram o assunto, elogiando o desafio como "um que realmente vale à pena".

Há quem tenha aderido à iniciativa, como esta internauta de Curitiba:
E este outro do México, que partiu para a ação: "Hoje completamos o primeiro dia em que nos propusemos a limpar um terreno baldio bem grande, em que colônias vizinhas se acostumaram a jogar lixo e entulho. Anexo o pequeno primeiro avanço. Aceita-se ajuda para os próximos dias de limpeza. #basurachallenge", postou ele.
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E quais serão os rumos dessa história?

"Tirar o plástico do meio ambiente é importante", disse Mark Butler, diretor de políticas do Centro Canadense de Ação Ecológica (EAC, da sigla em inglês), ao jornal Star de Halifax.

"Mas nós precisamos fazer mais do que apenas ir atrás de quem está jogando esse lixo e mais do que limpar essas áreas. Nós precisamos fechar a torneira do plástico", disse ele, se referindo à produção desse tipo de resíduo e acrescentando que espera que a campanha leve a mudanças fundamentais sobre plásticos descartáveis, por exemplo.

"Existe a hierarquia dos resíduos, que é recusar, reduzir, reutilizar, reciclar. Se nós não fizermos isso, tudo o que vai nos restar é ficar recolhendo o lixo sem parar."

segunda-feira, 25 de março de 2019

Manifesto por uma Floresta Discriminada

Para: Sociedade

O SEU APOIO É MUITO IMPORTANTE 
Imagine o leitor uma floresta natural madura e longeva no espaço que hoje é Portugal. As árvores são, naturalmente, uma componente estrutural dominante, mas não exclusiva dessa floresta. Entre a restante vegetação há várias outras espécies, quer arbustivas quer herbáceas, e organismos mais simples como os musgos. Haverá árvores de todas as idades, mas são as árvores centenárias que dominam o ecossistema, não apenas pela sua dimensão, mas também porque, no seu longo processo de decadência e finalmente morte, abrigam todo um universo de seres vivos. Os organismos decompositores – bactérias, fungos, microinverterbrados – pululam na manta morta proveniente da folhagem que se desprende cada ano, e transformam a matéria orgânica, permitindo que os nutrientes sejam gradualmente libertados e disponibilizados às raízes das plantas vivas. Desta complexa teia dependem todos os animais da floresta, desde os microscópicos, que vivem no solo e na matéria vegetal morta, aos que dependem das folhas e dos frutos, aos roedores e aos herbívoros. Animais de tamanho e visibilidade crescente à medida que percorremos a cadeia alimentar, culminando nos predadores, mamíferos e aves, diurnos e noturnos. 

O leitor deverá agora ter em conta que apenas pode imaginar uma floresta assim em Portugal, pois no nosso país as florestas primárias foram todas destruídas pelo Homem ao longo dos milénios. Sim, foram destruídas, mas outras vezes apenas alteradas na sua composição, e em situações mais raras foram apenas pouco alteradas, permitindo-nos ter um vislumbre das antigas florestas que acompanharam as diferentes civilizações que passaram pelo nosso território. Ainda existem alguns resquícios destas florestas: a Mata do Solitário na Serra da Arrábida, a de Albergaria na Serra do Gerês, a da Margaraça na Serra do Açor ou a Laurissilva da Madeira constituem uma amostra, mesmo que alterada, do que foram as florestas pristinas do passado. Devido à sua raridade e ao seu valor natural e histórico, estas florestas têm um grande valor patrimonial. Para além do seu valor patrimonial, em geral as florestas nativas podem prestar um enorme manancial de serviços à sociedade: a regulação do regime hidrológico, suavizando os picos de cheia e fornecendo água de qualidade; a conservação do solo e a manutenção de elevados níveis de fertilidade, o armazenamento prolongado de carbono (algo muito diferente de simples fixação de carbono) necessário para contrariar o aquecimento global; a paisagem, que faz com que estes locais sejam muito visitados para recreio e lazer; ou o abrigo a animais e plantas, constituindo sistemas com elevada biodiversidade. Num país onde os incêndios são um fenómeno recorrente, estas florestas podem ser locais muito pouco favoráveis à propagação do fogo. Em particular as florestas maduras dominadas por espécies folhosas caducifólias como os carvalhos ou o freixo, dão normalmente origem a um ambiente aprazível de sombra e de frescura durante o verão, que torna mais difícil a propagação dos incêndios, algo amplamente comprovado cientificamente. As florestas nativas são também uma excelente barreira ao avanço de espécies exóticas invasoras, como tem sido também recorrentemente demonstrado por estudos científicos. 

Com todos estes benefícios, parece natural que algo seja feito pela sociedade para favorecer estas florestas, relativamente à floresta estritamente produtiva. No entanto, há a tentativa de passar a mensagem mesmo por agentes do meio académico, que as florestas não devem ser discriminadas. Há quem chegue ao ponto de comparar a discriminação das espécies florestais a questões sociais como o racismo, numa espécie de antropomorfismo das árvores no mínimo absurdo, para não dizer ridículo. A acompanhar esta linha de raciocínio vem a afirmação de que apenas a gestão florestal faz a diferença em termos dos serviços prestados à sociedade. Esta assunção nega décadas de investigação científica que demonstram até à exaustão que as espécies são todas diferentes, e que há umas mais diferentes que outras, chama-se a isso distância filogenética. Esta distância faz por exemplo com que pouquíssimos animais da nossa fauna se alimentem de espécies provenientes do outro extremo do Planeta, como o eucalipto ou as acácias. O chavão da gestão, tão recorrente no discurso sobre a floresta, parte do princípio que tudo deve ser gerido, e que, portanto, cai sobre o Homem e não sobre as espécies, o papel que eventualmente possam ter quanto aos serviços que prestam e sobre os problemas que possam causar. Esta atitude exageradamente antropocêntrica revela não só ignorância como também uma enorme falta de humildade e de respeito pela natureza. Revela também um enorme irrealismo, dado que é impossível gerir cada metro quadrado do território deste ou de qualquer outro país. 

Repare-se que a discriminação das espécies sempre foi uma evidência aos longo dos séculos, tal como aliás acontece hoje em dia. El-rei D. Dinis terá decretado que “sse non faça dano nos soueraes” de modo a travar a destruição dos sobreirais, no século XIV. A discriminação positiva do sobreiro mantem-se até aos dias de hoje, através de legislação de proteção, impedindo/dificultando a sua substituição por outras espécies e usos do solo. A legislação também discrimina, neste caso negativamente, as acácias, pelo impacto que a sua expansão pode causar nos ecossistemas nativos. A discriminação tem sido naturalmente feita pela industria de pasta para papel ao optar por uma única espécie, o eucalipto, para abastecer as suas fábricas. Essa discriminação positiva foi também feita pelo Estado ao fomentar a procura de matéria-prima através do aumento da capacidade industrial instalada. O aumento da procura fez aumentar naturalmente a oferta de madeira através da expansão das plantações, fazendo com que o eucalipto seja atualmente a espécie dominante na paisagem florestal portuguesa, à custa de uma discriminação negativa das espécies de crescimento lento, menos interessantes economicamente. 

Dado que tudo se conjuga para favorecer a floresta de produção, é fundamental que se discrimine positivamente a floresta de conservação, para que possam continuar a existir ecossistemas florestais dignos desse nome, não obstante a lógica económica tender a suprimi-los. Por isso, a dotação de recursos, quer privados quer públicos, para a criação e manutenção de florestas nativas, discriminando-as positivamente em relação às monoculturas industriais, é fundamental, e só a sociedade, refletindo e agindo acima de uma lógica imediatista, pode garanti-los. A discriminação positiva da floresta nativa tão necessária em Portugal, deverá passar por um pacote de medidas a nível legal, fiscal e financeiro. Em particular continua a não existir legislação de proteção às espécies arbóreas nativas, tal como já acontece com o sobreiro, a azinheira e o azevinho. Existem muitas manchas de floresta nativa em propriedades privadas sem qualquer estatuto de proteção e existem muitas outras áreas em que, com pouco esforço, se poderiam converter matagais em florestas nativas maduras. Mas para que se possam expandir e conservar estas manchas de floresta, é necessário fazer mais do que tem sido feito até agora, dando incentivos aos proprietários e compensando-os pelo serviço que prestam à sociedade. Em alternativa, estas áreas, algumas delas sem dono conhecido, poderão ser adquiridas pelo Estado ou outras entidades públicas, corrigindo o enorme deficit de florestas públicas em comparação com todos os outros países da Europa. Ao nível do planeamento seria desejável que os Planos Regionais de Ordenamento Florestal fossem muito mais ambiciosos no fomento da floresta nativa. Enfim, discrimine-se o que deve ser discriminado, porque as florestas não são todas iguais e porque a sociedade valoriza de forma diferente os diferentes tipos de floresta e as espécies que os constituem. Pugnemos por isso por uma floresta discriminada! 


Subscritores:
Ana Raquel Calapez; Carlo Bifulco; Carlos Pacheco Marques; Fernando Leão; Filipe Catry; Filipe Duarte Santos; Francisco Castro Rego; Francisco Ferreira; Francisco Moreira; Gonçalo Duarte; Helena Freitas; João Joanaz de Melo; João Loureiro; Joaquim Sande Silva; Jorge Palmeirim; José Gaspar; José Manuel Alho; Justin Roborg-Söndergaard; Laura Roldão Costa; Manuel Graça; Maria João Costa; Maria João Feio; Nuno Pedroso; Paulo Alexandre Estrela Lucas; Paulo Domingues; Raul Silva; Rosa Pinho; Rui Cortes; Rui Lourenço; Sónia Serra; Teresa Ferreira; Verónica Ferreira 

sexta-feira, 22 de março de 2019

Azinheira de Mértola ficou em 3.º lugar no concurso Árvore Europeia do Ano

É a segunda vez que uma árvore portuguesa fica no pódio deste concurso. A Árvore Europeia de 2019 é uma amendoeira da Hungria.
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Uma azinheira de Mértola com uma sombra majestosa ficou em terceiro lugar no concurso Árvore Europeia do Ano, anunciou-se ao final da tarde deste terça-feira numa cerimónia no Parlamento Europeu (Bruxelas), depois de uma votação online que decorreu em Fevereiro. Em primeiro lugar ficou uma amendoeira da Hungria e o segundo lugar foi para um carvalho russo. Participaram na 9.ª edição deste concurso 15 árvores de diferentes países da Europa.

Ao todo, foram contabilizados 311.772 votos. Quanto ao pódio, por ordem crescente, a azinheira de Mértola – chamada “Azinheira Secular do Monte Barbeiro” – teve 32.630​ votos, o carvalho russo teve 39.538 votos e a amendoeira húngara mais de 45.132 votos.

“Neste momento, é importantíssimo receber estes prémios: são reconhecimentos de uma floresta bem tratada pelos produtores florestais”, disse ao PÚBLICO Duarte Mira, representante da Confederação dos Agricultores de Portugal em Bruxelas, da qual a UNAC – União da Floresta Mediterrânea (organizadora do concurso nacional) é afiliada, e que esteve na cerimónia no Parlamento Europeu.

Duarte Mira destaca que, numa altura em que os incêndios têm sido recorrentes, esta é uma forma encorajar os produtores. Além disso, como a azinheira tem já 150 anos frisa: “É uma prova de que a nossa floresta tem resiliência e que as árvores autóctones passam de geração em geração e têm capacidade de ter um reconhecimento europeu.”

“Para nós já foi muito importante o reconhecimento em Portugal e o facto de sermos o representante português”, diz Jorge Rosa, presidente da Câmara Municipal de Mértola – entidade responsável pela candidatura desta árvore no concurso nacional –, salientando que esta azinheira representa todo o subsistema do montado. Segundo o autarca, um dos objectivos era mesmo chegar ao pódio deste concurso. “É um terceiro lugar muito relevante até porque se fala sempre nas três primeiras [árvores]”, frisa.

A Azinheira Secular do Monte Barbeiro fica a cerca de sete quilómetros da aldeia de Alcaria Ruiva (concelho de Mértola) e permanece na ponta de um montado. “[A Azinheira Secular do Monte Barbeiro] é especial pela idade que conseguiu atingir e porque se desenvolveu de uma forma extraordinária”, dizia ao PÚBLICO Jorge Rosa, quando esta azinheira (Quercus rotundifólia) foi eleita a Árvore Portuguesa do Ano.

Uma das suas características é uma sombra majestosa que em dias de calor no Baixo Alentejo pode fazer toda a diferença. Afinal, tem uma copa de 23,28 metros de diâmetro e ocupa uma área com cerca de 487 metros quadrados.

Esta azinheira gigante tem uma forte ligação à comunidade. “Desde logo, há uma ligação sentimental das pessoas à volta daquela zona. Há uma série de pequenos povoados que conhecem a árvore há muito tempo”, referia Jorge Rosa. Há ainda uma ligação das novas gerações a esta árvore que visitam – por exemplo – durante o período escolar. Segundo o autarca, as visitas a esta azinheira aumentaram desde que ganhou o título de Árvore Portuguesa do Ano.

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Benefícios das árvores urbanas (poster)

quarta-feira, 20 de março de 2019

Envio imediato de de substancial contingente de Fuzileiros e meios de resgate, para o centro de Moçambique

Para: Presidente da República, Primeiro-Ministro e Ministro da Defesa de Portugal

Na sequência da devastadora tempestade Idai, o centro de Moçambique está transformado, ao longo de bem mais de uma centena de quilómetros, num mar de água doce pejado de crocodilos, com milhares de pessoas tentando desesperadamente sobreviver em cima de árvores, de construções e em zonas altas cuja área não alagada vai diminuindo. 

É de esperar que a situação ainda se agrave em breve, com a necessidade de abrir comportas de barragens no Zimbabwe. 

Os meios de salvamento disponíveis no terreno, embora contando com apoio da África do Sul e outros países, são claramente insuficientes para a dimensão avassaladora do desastre. 

APELAMOS AO PRESIDENTE DA REPÚBLICA PORTUGUESA, CHEFE SUPREMOS DAS FORÇAS ARMADAS, E AO GOVERNO DA REPÚBLICA, PARA O IMEDIATO ENVIO PARA A ZONA AFECTADA, POR VIA AÉREA, DE UM CONTINGENTE SUBSTANCIAL DE FUZILEIROS, COM O RESPECTIVO EQUIPAMENTO E MEIOS DE RESGATE. 

Essa força da Marinha portuguesa possui os meios, as competências e a coragem para ajudar a fazer a diferença. 

A curto prazo, toda a ajuda alimentar e material que vier a ser prestada por parte dos governos, instituições e particulares, será preciosa. 

Neste momento, contudo, trata-se de salvar milhares de vidas em risco imediato. 

E não há tempo a perder.

sexta-feira, 15 de março de 2019

São jovens, vivem no interior e não querem estar sozinhos — conheçam-nos no Wildlings



Um grupo de jovens de várias nacionalidades que vive na região Centro lançou, em parceria com artistas europeus, o Wildlings, um projecto que mostra a beleza do Pinhal Interior e convida ao repovoamento do interior do país.

O projecto ganhou forma numa plataforma digital que agrega educação ambiental, informação sobre projectos comunitários ecologicamente sustentáveis em Portugal e no estrangeiro, bem como uma websérie com seis episódios que retrata jovens a morar na zona da Serra do Açor, no distrito de Coimbra, fortemente afectada pelos fogos de Outubro de 2017.
Para além do site, o projecto vai ainda lançar um livro em Abril, que é uma espécie de guia turístico para o Pinhal Interior, revelando cascatas e piscinas naturais escondidas pelo território, ao mesmo tempo que divulga informação sobre a biodiversidade da região, disse à agência Lusa Lynn Mylou, holandesa de 36 anos a morar em Arganil. "Moro aqui há três anos e apercebi-me do envelhecimento e da desertificação na região. Se queremos restaurar a natureza e os ecossistemas, precisamos de muitas pessoas", explicou.

Foi esse o motivo que a levou a criar o Wildlings, em parceria com outros jovens a morar na região e artistas estrangeiros, para tentar atrair pessoas "que vivem nas cidades, que trabalham para o mundo corporativo, mas que têm um sentimento de que não gostam tanto" desse estilo de vida.
Na plataforma, é disponibilizado "conteúdo de qualidade", seja documentários ou artigos sobre o ambiente, sustentabilidade ou alterações climáticas, ou ligações para cursos e artigos de educação nas mesmas áreas ou sobre agricultura sustentável. "É inspirador, mas também educacional", vincou Lynn Mylou.

Ao mesmo tempo, mostra a comunidade já estabelecida e os projectos que vão surgindo, muitas vezes pelas mãos de jovens. "Depois dos fogos, houve muita atenção mediática nesta zona, mas há uma ideia de que as pessoas que vivem aqui são uns hippies, que fumam droga, que não fazem as coisas de acordo com a lei. Essa ideia está errada. A maioria das pessoas que vieram para aqui são muito qualificadas, estão cheias de competências, fazem coisas e investem tudo para revivificar esta região, que está abandonada e negligenciada", frisa a holandesa.

A websérie, feita por Tiago Cerveira, jovem realizador de Oliveira do Hospital, procura mostrar isso mesmo, em episódios curtos que contam as histórias e motivações de seis jovens que escolheram a Serra do Açor para viver. Dois episódios já saíram, sendo que um novo episódio é sempre lançado ao domingo, às 19h. "Nós esperamos inspirar com as nossas histórias, para que as pessoas comecem a tomar diferentes escolhas. Depois, sim, precisamos de mais pessoas e esta plataforma permite dar a conhecer-nos" e criar uma espécie de ligação com jovens que pretendam estabelecer-se na região, resumiu.

Fonte: P3

15º aniversário do blogue BioTerra

Deixei passar a data, ele começou no dia 1 de Março de 2004. Temos todos que re-herdar a Terra. Obrigado a todos os que me visitam, consultam e me estimulam a continuar.


quinta-feira, 14 de março de 2019

“As Caraíbas no meio do Atlântico”. Açores é um dos sítios a visitar em 2019, diz o The New York Times

Fonte e notícia aqui

“As Caraíbas no meio do Atlântico”. Esta é a expressão utilizada para descrever os Açores, pelo The New York Times (acesso livre/conteúdo em inglês). A publicação norte-americana escolheu o arquipélago português como um dos sítios a visitar em 2019, posicionando-o em 9º lugar na lista.

Os Açores inserem-se no ranking que incluí destinos como o Japão, a Dinamarca, o Panamá ou os Estados Unidos. As paisagens e peculiaridades açorianas, que incluem locais que são património mundial da Unesco, cativam os viajantes. Destacam-se as crateras vulcânicas que são agora lagos, fontes termais naturais, a abundância de hortênsias azuis e o facto de ser o único local onde se cultiva café na Europa.

A liderar o ranking de sítios a visitar neste ano encontra-se Porto Rico, que está a voltar a erguer-se depois de ter sido atingido pelo Furacão Maria, há cerca de um ano e meio. Segue-se Hampi, na Índia, uma antiga cidade onde se pode ver como evoluem as civilizações, num complexo arqueológico que está a chamar a atenção de organizações e agências de viagens.

Santa Bárbara, na Califórnia, completa o pódio. Esta é uma cidade para aqueles que gostam de descobrir comidas novas, onde estão a surgir vários restaurantes trendy e locais que se especializam na degustação de vinho.

quarta-feira, 13 de março de 2019

Greve Estudantil Mundial 15 de Março Pelo Clima

Este grupo é formado e coordenado por estudantes do ensino secundário e superior de todo o país. O número de escolas contactadas aumenta todos os dias. Podem fazer o download do cartaz a partir do nosso site https://greveclimaestudantil.wixsite.com/greveclimaticapt ou facultar-nos um endereço de email através de mensagem privada. Muito obrigada pelo apoio!


Greta Thunberg full speech at UN Climate Change COP24 Conference


In this passionate call to action, 16-year-old climate activist Greta Thunberg explains why, in August 2018, she walked out of school and organized a strike to raise awareness of global warming, protesting outside the Swedish parliament and grabbing the world's attention. "The climate crisis has already been solved. We already have all the facts and solutions," Thunberg says. "All we have to do is to wake up and change."

The disarming case to act right now on climate change | Greta Thunberg
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Greta Thunberg

terça-feira, 12 de março de 2019

Petição para classificação do eucalipto como espécie invasora

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Exmo. Senhor Presidente da Assembleia da República,

Todos os abaixo signatários, vêm solicitar a revisão do Decreto-Lei nº 565/99, de 21 de Dezembro, que regula a introdução na natureza de espécies não indígenas da flora e da fauna, reclassificando todas as espécies de eucalipto, inclusive as geneticamente modificadas, como espécies invasoras.

Este DL define como espécie invasora a susceptível de, por si própria, ocupar o território de uma forma excessiva, em área ou em número de indivíduos, provocando uma modificação significativa nos ecossistemas, sendo, nos dias de hoje, científica e comumente aceite que o eucalipto, se enquadra nesta classificação.

Apesar de ser considerada uma óptima espécie para cultivo devido ao seu rápido crescimento e grande adaptabilidade a diferentes tipos de solos e climas, essas mesmas características e outras, tornam-na prejudicial ao ambiente dos lugares onde são cultivadas e naturalizadas, destacando-se:

. “O eucalipto é altamente inflamável, mas raramente morto pelo fogo. A casca pega fogo rapidamente, e as flâmulas de casca e os epífitos líquenes tendem a transportar e disseminar o fogo na sua frente. Outras características que promovem a propagação do fogo são a grande libertação de biomassa, óleos inflamáveis da folhagem, e coroas abertas de ramos pendentes, que incentiva a máxima ascensão do fogo” (in Fire Effects Information System. U.S. Department of Agruculture. 2018. EUA)

. “Regenera vigorosamente de touça. Observa-se frequentemente a germinação das sementes, afastadas das árvores-mãe, principalmente após abandono de plantações, ausência de gestão adequada e/ou ocorrência de incêndios. As plantas jovens chegam a formar mantos contínuos que impendem o desenvolvimento de outras espécies. É muito difícil impedir a regeneração da touça.”

(in Guia Prático para identificação de Plantas Invasoras em Portugal. Universidade de Coimbra. 2014. Portugal)

. Provoca “empobrecimento das cadeias alimentares”, alteração das propriedades físico-quimicas bioquímicas e microbiológicas do solo”, “atividade alelopática”, “perda de biodiversidade”, “fragmentação de ecossistemas naturais”, “colonização de espaços aberto”, “dificuldade de erradicação” e “elevado risco de incêndio”.

(in Dictamen del Comité Cientifico - Ministerio Agricultura, P., A. y Medio Ambiente. 2017. Espanha)

Sendo Portugal o país do mundo com maior número de eucaliptos por área de território, é urgente reformular, de forma descomplexada e apolítica, a utilização desta espécie, preferencialmente substituindo-a pelas várias espécies naturais, com semelhante capacidade de resposta às necessidades agro-florestais, e adaptadas à realidade social e ecológica actual e futura, no contexto das alterações climáticas.

As várias espécies do género Eucalyptus, são hoje classificadas como invasoras, praticamente em todos os territórios onde estão presentes como espécie não natural, como por exemplo nos estados da Califórnia e Havaí dos EUA, Africa do Sul, Nova Zelândia e Madagáscar.

Negar o eucalipto como invasor é negar as alterações climáticas, o desenvolvimento sustentável, a segurança das populações e o futuro de Portugal.


segunda-feira, 11 de março de 2019

De Times Square ao Paredão de Matosinhos

Assinar e partilhar a petição aqui


Em meados de 2018, com pompa e circunstância o Turismo de Portugal com a presença do primeiro ministro, passou num do videowall de Times Square um filme da maior onda do mundo que, como todos sabemos fica na Nazaré, para promover o país enquanto destino turístico de surf. Uma espécie de fenómeno do Entroncamento, mas em modo high-tech e muito dispendioso.

Nem seis meses depois a Ministra do Mar vem apresentar a extensão do paredão do Porto de Douro e Leixões, condenando de uma forma sumária toda a praia Internacional do Porto, também conhecida como praia de Matosinhos. A condenação estende-se muito para além da destruição das ondas desta praia. Esta que é talvez a praia com maior densidade de surfistas em Portugal, que pela sua situação e acessibilidade permite o ensino do surf como poucas em Portugal. É também uma montra da região para quem chega de Cruzeiro, e para quem depois de descer a avenida da Boavista tem essa oferta que é uma praia urbana com qualidade (apesar de por vezes a qualidade da água deixar a desejar), isto se tivermos apenas em conta os turistas e o turismo. Se falarmos da população local podemos sem medo dizer que entre a marginal que vai da Rotunda do Castelo do Queijo até ao Jardim do Senhor. do Padrão passam mais de cinco mil pessoas a pé por dia durante todo o ano e na praia atrevo-me a dizer que entre Março e Outubro pelo menos outras tantas. São pessoas que vão caminhar, correr, andar de bicicleta, de skate, fazer exercício físico, que vão apanhar sol, jogar vólei, tomar banho no mar, consumir no comércio local, comer croissants e alguns (muitos) aprender e fazer surf. Porque é que este argumento é importante? Porque para além do turismo, a praia de Matosinhos também é uma das zonas de lazer do grande Porto, que gera receitas de uma forma consistente ao longo de todo ano, utilizando um recurso natural que não custa 70 milhões de euros construir e muito mais a manter e que para além disso promove o bem estar físico e mental e dessa forma reduz a despesa do Estado na saúde publica, que como todos sabemos anda pelas ruas da amargura.

Qualquer pessoa pode perceber que este projecto de fundos privados é uma má opção excepto para quem vai construir a dita obra.

Depois de ler lido um dos estudos promovido pela DGRM de autoria do LNEC vejo que a solução apresentada tem vários “potenciais” problemas, sendo dois deles em meu entender relevantes. O primeiro a possibilidade de haver excesso de areia a norte da praia e o segundo o risco de erosão elevada, que de acordo com o dito documento irá obrigar defender a zona costeira do lado sul da praia. Estamos a falar de dois riscos que por si vão muito para além dos 70 milhões de investimento privado. Estamos a falar potencialmente para a operação do porto a necessidade constante de dragar a zona de acesso ao Porto (algo, que por exemplo em Lisboa representa um custo relevante na operação portuária) — se calhar era bom fazer esta conta e apresentá-la publicamente. E ainda o risco para a população, bens e comercio local entre a rotunda da Anémona, passando pelo Edifício Transparente e chegando ao Castelo do Queijo sempre que se verificarem condições adversas. Este estudo refere que deve ser tido em conta que para “defender” a zona Sul da praia será necessário ter intervenções regulares. Aqui o custo dificilmente será imputado à APDL, mas sim à cidade do Porto e de Matosinhos, e sobretudo aos seus munícipes.

Tentando perceber os argumentos de quem ainda poderá considerar esta uma opção, fui também ver no site da APDL os movimentos no Porto, apenas para concluir que eles são mais ou menos iguais nos últimos 3 anos. E que os dois grandes argumento para o prolongamento do molhe são a possibilidade de entrada de navios de grande porte, que analisando o site do dono dos maiores navios do mundo de carga a OOCL não passam perto do Porto, nem a companhia que tem os navios com maior dimensão a seguir a COSCO, que segundo percebi têm as suas operações ancoradas no norte da Europa e no sul de Espanha. O segundo argumento passa pela acessibilidade ao Porto nos dias de maior ondulação e neste sentido não conseguimos encontrar dados sobre quantos dias por ano nos últimos 3 anos esteve a barra fechada. Assim não se consegue perceber se este argumento é válido ou não.

Por fim quero falar do ambiente e da qualidade da água. No estudo da DGRM/LNEC uma das referências é que a circulação da água se fará no sentido oposto ao relógio, o que significa que a água tenderá a ficar na zona norte da praia, justamente aquela que terá menos impacto da ondulação e por essa razão menos renovação de água. Será que este facto poderá ser relevante para a qualidade da água balnear? Penso sinceramente que sim. A análise à qualidade da água nos últimos anos tem sido muito pouco favorável com as condições existentes e por isso com menos circulação de água seguramente que será pior. E isto leva-me de novo à questão dos utilizadores da praia e do passeio marítimos que se verão confrontados a prazo com a deterioração das condições existentes e a perda de um recurso que gera receitas para toda a região do Porto.

Pergunto então que sentido tem, tendo em conta o recurso natural existente, fazer um investimento que não tem garantias de sucesso comercial e apresenta riscos iminentes para a população local e para uma das âncoras da nossa economia que é justamente o Turismo?

É tempo, acredito, de todos olharmos para esta questão e marcarmos a nossa posição, falo de cada um de nós, mas também do Turismo de Portugal, da WSL que recentemente mudou a sua sede europeia para o nosso país, da FPS, da ANS, da AESDP, dos diferentes representantes das entidades da restauração e da hotelaria da região, das escolas de surf e surfcamp, da Surfrider Foundation . É tempo de defender uma solução que sirva todos e não apenas alguns.

Boas ondas!!!

Fonte da notícia aqui

sábado, 9 de março de 2019

Al Gore no Porto: "Queremos deixar a Terra como um caixote do lixo?"


O ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore defendeu esta quinta-feira, no Porto, que combater as alterações climáticas é "escolher o que está certo", desafiando todos a assumirem que o futuro da humanidade depende da "coragem" para preservar o clima "agora".

"O fim do 'apartheid', da discriminação, do racismo - todos estes grandes movimentos enfrentaram vários nãos até alguém dizer que se trata de uma escolha entre o certo e o errado. [Em relação ao clima] Temos de escolher o que está certo. Temos de reconhecer que a verdade do futuro que vai ser enfrentado pelos nossos filhos e netos depende do que tivermos agora a coragem de fazer. Queremos deixar a Terra como um caixote do lixo ou ouvir os cientistas e fazer algo?", questionou, aos gritos, o também Prémio Nobel, no Porto, no encerramento da Climate Change Leadership.

Durante as cerca de duas horas de conferência, Al Gore admitiu estar "furioso" algumas vezes, alertando que as pessoas "precisam de ouvir a verdade" e "podem mudar", perante "a resposta patética dos governos" ao problema e o facto de alguns subsidiarem a produção de energias fósseis.

Após mostrar vários "cenários apocalípticos" de cheias, chuvas intensas, secas extremas ou dias de calor fora do vulgar, Al Gore pediu para todos impedirem que tais imagens se transformem "no novo normal".

O Prémio Nobel admitiu que estão a ser dados passos positivos em todo o mundo para combater as mudanças climáticas e proteger o planeta, mas alertou que "as grandes mudanças só vão acontecer" quando os governos deixarem de subsidiar a produção de energias fósseis

"Estas empresas de [energias] fósseis têm muito poder económico e político", vincou.

Questionado pelo diretor da conferência, Pancho Campo, sobre como mudar este cenário, o ex-vice-presidente norte-americano apelou para o ativismo.

"Não podemos depender de mudanças individuais. As grandes mudanças só vão acontecer quando mudarmos as políticas. Estamos num momento invulgar de atividade política a uma escala revolucionária", observou.

Para Al Gore, existe um "escalar do empenho" social e "este é o momento" de as pessoas se envolverem.

"Os ativistas de base, por vezes, dão-nos a impressão de que são estranhos, mas são eles que motivam as mudanças. Está na altura de darmos alguns recursos a estes ativistas de base. Está na altura de alguns de nós sairmos para a rua. Agora é o momento", avisou.

De acordo com o Prémio Nobel, "as projeções de população até 2100 indicam que África terá mais pessoas do que a China ou a Índia em conjunto".

"Se partes significativas do continente africano vão ser inabitáveis devido às mudanças climáticas, para onde vão estas pessoas?", perguntou.

"Pode haver até mil milhões de migrantes do clima. Não podemos continuar. Não podemos deixar. Vocês precisam de ouvir a verdade. Ando há 40 anos nisto e vejo a resposta patética dos governos. Vocês podem mudar", afirmou.

Referindo-se à crise de refugiados que a Europa "enfrentou", com "um milhão provenientes da Síria", Al Gore assegurou não ser a guerra civil o que está na origem da migração em massa.

"Antes da guerra civil, houve a maior e mais destrutiva seca em 900 anos. Esta seca destruiu 60% das quintas, matou 80% do gado e levou 1,5 milhões de refugiados das quintas para as cidades", observou.

As "boas notícias", disse Al Gore, residem na capacidade que vários pontos do planeta têm tido para produzir energia a partir de fontes renováveis, como é o caso das "centrais solares flutuantes em Portugal".

"Subsidiar energia solar é mais barato do que fazê-lo com combustíveis fósseis. É a diferença entre gelo e água. Nos mercados de capitais, é a diferença entre capital congelado e fluxo de capitais que procuram oportunidade", ilustrou.