quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Fungos “à boleia” das aves para colonizar novos territórios

Os resultados do estudo agora publicado representam "uma peça fundamental do puzzle para compreender a distribuição global de fungos micorrízicos e a colonização de territórios remotos, tal como ilhas, por plantas associadas a fungos", explicam os investigadores.
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Alguns tipos de fungos “andam à boleia” das aves para colonizar novos territórios com os seus parceiros vegetais, as plantas, revela pela primeira vez um estudo desenvolvido por uma equipa de investigadores do Centro de Ecologia Funcional (Centre for Functional Ecology – Science for People & the Planet) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC).

«É a primeira evidência de que as aves não transportam apenas sementes de plantas para novos locais, mas também os fungos que estas sementes precisam para germinar e crescer», afirma Marta Correia, primeira autora do artigo científico publicado na revista “New Phytologist”.

De acordo com o estudo, 54 plantas de seis espécies diferentes germinaram de 34 excrementos de aves recolhidos numa floresta perto de Coimbra. Algumas das raízes destas plantas foram imediatamente colonizadas por fungos “amigos”, provando que estes só podem ter sido transportados conjuntamente com as sementes no interior das aves.

Estes fungos, chamados fungos micorrízicos arbusculares, formam relações estreitas com muitas plantas. Os fungos colonizam a raiz e contribuem para uma maior absorção de nutrientes e água para as plantas que conseguem ter um crescimento maior e serem mais saudáveis. Em troca, a planta dá ao fungo uma “casa” e alimento fabricado na fotossíntese. Portanto, estas relações simbióticas beneficiam tanto as plantas como os fungos.

«A comunidade científica acreditava há já algum tempo que partilhar o mesmo mecanismo de transporte daria às plantas que crescem em simbiose com estes fungos uma vantagem. Pela primeira vez, o papel das aves na dispersão de ambos os parceiros é confirmado», declara Marta Correia.

A investigadora do Centro de Ecologia Funcional considera que os resultados do estudo agora publicado representam «uma peça fundamental do puzzle para compreender a distribuição global de fungos micorrízicos e a colonização de territórios remotos, tal como ilhas, por plantas associadas a fungos. Como chegavam os fungos a estes territórios remotos era até agora desconhecido já que não seria possível a dispersão a tão longas distâncias só pelo vento.»

O estudo foi financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e pelo FEDER, no âmbito do programa PT2020. O artigo científico está disponível: aqui.

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Os carros a gasóleo vão mesmo desvalorizar nos próximos 4 anos?

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Vendedores e ambientalistas dividem-se quanto ao valor dos motores a diesel. Governo deu mais de 2,6 milhões de euros em incentivos para a compra de carros elétricos em 2018.


As palavras do ministro do Ambiente sobre a desvalorização dos carros a gasóleo caíram mal a quem vende automóveis e causaram alguma inquietação em quem já tem ou encomendou este tipo de viaturas. "Quem comprar carros a diesel não terá valor na troca daqui a quatro anos", disse Matos Fernandes numa entrevista ao Jornal de Negócios.

Quer isto dizer que a desvalorização dos motores diesel será galopante? A ACAP, a associação que representa os vendedores em Portugal, foi a primeira a reagir dizendo que"o ministro tem que ter cuidado com as palavras". Hélder Pedro, secretário-geral da ACAP disse ao DN que o governante se está a intrometer nos mercados. E lembra que se os carros a gasóleo fossem acabar nos próximos tempos, a União Europeia não publicaria diretivas que se aplicam aos motores diesel, sempre no sentido de reduzir as emissões de gases.

Comprar ou manter carros movidos a diesel ainda é viável do ponto de vista do consumidor? Hélder Pedro entende que a questão da morte destes carros não se colocará na próxima década - "este carros vão manter-se no mercado".

Francisco Ferreira tem outra opinião. O ambientalista da Zero lembra que está muitas vezes em desacordo com o ministro, mas não nesta matéria. E argumenta com os estudos segundo os quais daqui a quatro ou cinco anos os carros elétricos vão ser mais baratos que os carros a gasóleo ou a gasolina. Aliás, faz mesmo questão, de referir que para as empresas já é assim - pagam menos impostos.

A questão dos custos é também esgrimida pelo Ministério do Ambiente e Transição Energética (MATE). "Em 2030 os veículos a diesel já não serão competitivos face aos veículos elétricos". Para isso, muito contribuirá a previsível evolução tecnológica dos veículos elétricos, com a autonomia das baterias cada vez mais extensa e o custo cada vez menor. Várias fontes apontam que, até 2025, se atingirá a paridade de custos de aquisição entre os veículos elétricos e os convencionais, adianta o ministério.

A grande questão com os carros a diesel, sublinha Francisco Ferreira, é que a indústria conseguiu reduzir a emissão de dióxido de carbono, mas não conseguiu diminuir o óxido de azoto.
Motores a diesel vendem-se cada vez menos

Com as notícias de que várias cidades europeias estão a proibir a circulação de motores a gasóleo por questões ambientais e o preço deste combustível estar praticamente equiparado ao da gasolina, a venda carros diesel caiu bruscamente, para valores só comparáveis a 2003. Segundo a ACAP, apesar de continuarem a ser os mais procurados pelos portugueses, a tendência é de descida - o ano passado o diesel representou 53, 2% da quota de mercado, quando em 2017 era de 61%.

Mas isto não quer dizer que a escolha recaia sobre os elétricos, híbridos ou movidos a gás natural, que só representaram 7,45 das vendas. Os maiores beneficiados foram os os motores a gasolina - em 2018 subiram 18,1% (39,3% da quota de mercado, a mais alta desde 2004).

Tendo Portugal um parque automóvel com uma idade avançada, a ACAP propõe que o governo crie incentivos com vista à sua renovação e que o abate possa ser incentivado. Uma proposta que foi feita para integrar o Orçamento de Estado para 2019 mas para a qual, diz Hélder Pedro, não houve resposta. Os subsídios que existem, de 2 250 euros, são para a compra de carros elétricos.

Este ano, o governo vai manter os apoios para a compra das viaturas elétricas. Em 2018, foram pagos mais de 2,6 milhões de euros em incentivos a 1170 candidatos - dados do MATE.
Interdições europeias à circulação de carros a gasóleo

Em Portugal não está estabelecido um calendário para o fim da circulação dos carros a diesel, embora haja a intenção de em 2040 os carros terem zero emissões ou emissões muito baixas. "A nível europeu foram aprovados limites de emissão de dióxido de carbono para veículos ligeiros, que promovem uma maior penetração de veículos elétricos. Para 2025, as emissões das frotas de veículos novos devem reduzir-se 15% e, em 2030, 37,5% face aos valores de 2021. Por outro lado, a fiscalidade automóvel tem em consideração as emissões de dióxido de carbono, pelo que veículos mais poluidores pagam mais impostos", respondeu o MATE ao DN.

Noutros países, nomeadamente em cidades europeias como Paris, Madrid, já está em marcha a proibição da circulação de carros a gasóleo a partir de 2025 com vista à redução da emissão de gases para a atmosfera - a capital francesa vai mais longe e pretende acabar com a circulação total de carros a combustão, ou seja, também os de motor a gasolina, em 2030.

Em Estugarda, cidade que é sede da Mercedes e da Porsche, a interdição aplica-se já a partir deste mês para os motores diesel anteriores a 2009, os que não têm filtro de partículas.


Em Lisboa, as interdições aplicam-se aos carros antigos - são as zonas de emissões reduzidas (ZER). Uma resposta às regras europeias, com vista à diminuição das emissões poluentes em Lisboa.

A primeira ZER avançou em 2011 e abrangem o eixo Avenida da Liberdade - Baixa (limitado a norte pela Rua Alexandre Herculano e a sul pela Praça do Comércio), onde não podem circular automóveis com matrículas anteriores a 2000, entre as 7 e as 21 horas, nos dias úteis.

Um ano depois, foi criada outra ZER - abrange o eixo formado pelas avenidas de Ceuta, das Forças Armadas, dos Estados Unidos da América, Marechal António Spínola, Infante D. Henrique e pelo Eixo Norte-Sul. Aqui as regras dizem que só podem andar os veículos ligeiros com matrícula posterior a janeiro de 1996 e os pesados posteriores a outubro do mesmo ano.

sábado, 26 de janeiro de 2019

Humanos representam 0.01% dos seres vivos e já mataram 83% dos mamíferos.

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Apesar de representarem apenas 0,01% dos seres vivos do planeta, os humanos são responsáveis pela destruição de muitas espécies. Um estudo realizado por pesquisadores do Instituto de Ciência Weizmann, em Israel, e do Instituto de Tecnologia da Califórnia, nos Estados Unidos, revela, inclusive, que a espécie humana acabou com 83% dos mamíferos selvagens da Terra.

Publicada no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences, a pesquisa compila os tipos de biomassa — matéria orgânica — dos reinos animais. "A análise revela uma visão holística da composição da biosfera e nos permite observar padrões de categorias taxonômicas e locais geográficos", escrevem os cientistas.

Esse é o primeiro relatório a estimar a quantidade de todos os tipos de criaturas vivas. "Eu fiquei surpreso em descobrir que não ainda não existia uma estimativa compreensiva e holística de todos os componentes da biomassa", disse o pesquisador Ron Milo, do Instituto de Ciência Wrizmann, em entrevista ao jornal The Guardian.

Milo e sua equipe compilaram dados de diversas fontes, como da Organização Internacional de Comida e Agricultura, por exemplo, para estimar a biomassa de cada país e como a industrialização, o êxodo rural e o uso de novas tecnologias pelos humanos colaborou para o fim de outras espécies animais. 

Os cientistas concluíram que os 7,6 mil milhões de pessoas representam somente 0,01% dos seres vivos, as bactérias, 13% e o restante das criaturas, como insetos, fungos e outros animais equivalem a 5% da biomassa do planeta. O que sobra é das plantas: segundo o estudo, elas representam 82% da matéria viva.

Atualmente, 70% das aves e 60% dos mamíferos do planeta foram criados em cativeiro, enquanto 30% dos pássaros são selvagens, 36% dos mamíferos são humanos e os 4% restantes são selvagens. Ainda de acordo com o relatório, 86% das espécies se encontram em terra, 13% abaixo de superfícies (como bactérias, por exemplo) e somente 1% nos oceanos.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Melhorar a saúde e salvar o planeta: é assim que deve comer

37 especialistas de 16 países trabalharam durante três anos para elaborar um modelo de dieta sustentável para o ser humano e para o planeta. A conceituada revista Lancet publicou as conclusões.
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O diagnóstico faz parte de um relatório de uma comissão de especialistas da revista científica Lancet, segundo o qual o planeta não terá capacidade de alimentar tantas pessoas sem uma transformação dos hábitos alimentares, uma melhoria na produção e uma redução do desperdício.

E essa mudança, para o consumo de alimentos mais saudáveis, também vai evitar a morte prematura de 11 milhões de pessoas em cada ano, reduzindo a morte de adultos entre 19% e 23,6%.

Segundo os especialistas, uma dieta-padrão saudável e planetária consistirá em aproximadamente 35% das calorias provenientes de grãos integrais e tubérculos, em ter nas plantas a principal origem da proteína (incluindo-se apenas cerca de 14 gramas de carne vermelha por dia), e no consumo de 500 gramas de vegetais e frutas por dia.

É esta mudança nos hábitos alimentares que levará à diminuição em 50% do consumo de carne vermelha e açúcar e a um aumento de 50% de consumo de frutos secos, verduras, legumes e fruta.

Esta mudança, diz-se no relatório, garante um sistema alimentar mundial e não põe em causa os limites do planeta na produção de alimentos, tendo em conta por exemplo as alterações climáticas, a perda de biodiversidade, o uso da terra e da água e o ciclo dos nutrientes.
E essa mudança, segundo o documento, é "urgentemente necessária", já que mais de três mil milhões de pessoas sofrem de desnutrição e a produção de alimentos está a exceder a capacidade do planeta, impulsionando as alterações climáticas, a perda de biodiversidade e o aumento da poluição pelo uso excessivo de fertilizantes.

O relatório da Comissão EAT, da Lancet, propõe uma dieta baseada em alimentos à base de plantas e com pouca quantidade de alimentos de origem animal, de grãos refinados, comida altamente processada e açucares.

"As dietas atuais estão a levar a Terra além dos seus limites ao mesmo tempo que causam problemas de saúde. Tal coloca ambos, pessoas e planeta, em risco", diz o documento.
Tim Lang, da Universidade de Londres, um dos membros da comissão, diz que "os alimentos que comemos e a forma como os produzimos determinam a saúde das pessoas e do planeta, e atualmente estamos a fazer isto de forma muito errada".

A Comissão EAT é um projeto a três anos que reúne 37 especialistas de 16 países, com experiência em saúde, nutrição, sustentabilidade ambiental, sistemas alimentares, economia e governança política.

No relatório, os responsáveis salientam que o aumento da produção alimentar nos últimos 50 anos contribuiu para o aumento da esperança de vida, e para a redução da fome, da mortalidade infantil e da pobreza global, mas notam que esses benefícios estão agora a desviar-se para dietas pouco saudáveis, altas em calorias, açucares, amidos refinados e excesso de carne, e baixo teor de frutas, legumes, grãos integrais, frutos secos, sementes e peixe.

Atualmente, diz-se no documento, os países da América do Norte comem quase 6,5 vezes mais carne do que o recomendado, enquanto no sul da Ásia se come metade do que era suposto. Todos os países estão a comer mais vegetais ricos em amido, como a batata e a mandioca, do que o recomendado, 1,5 vezes mais no sul da Ásia ou 7,5 vezes mais na África subsaariana.

No modelo proposto aumenta-se o consumo de ácidos polinsaturados saudáveis e reduz-se o consumo de gorduras saturadas, e aumenta-se também a ingestão de micronutrientes essenciais como o ferro, o zinco, o ácido fólico, a vitamina A e o cálcio. A falta de vitamina B12 (muito presente em alimentos de origem animal) poderá ter de ser compensada.

Os autores notam ainda que é necessário descarbonizar mais rápido do que o previsto o sistema energético, para permitir alimentar 10 mil milhões de pessoas em 2050 sem produzir mais gases com efeito de estufa. E que é preciso reduzir a perda de biodiversidade e o uso de fósforo (fertilizantes) e não aumentar o uso de azoto (em fertilizantes também).

E propõem que sejam criadas políticas para encorajar as pessoas a escolher dietas saudáveis, restrições de publicidade e campanhas de educação. Depois os preços dos alimentos devem refletir os custos de produção, mas também os custos ambientais, pelo que pode haver aumento dos custos para consumidores, podendo ser necessárias políticas de proteção social.

E o desperdício alimentar deve ser reduzido pelo menos a metade. Notam os responsáveis que esse desperdício acontece em países pobres durante a produção, devido a mau planeamento, falta de acesso a mercados e falta de estruturas de armazenamento e processamento.

Nos países ricos o desperdício é causado sobretudo pelos consumidores e pode ser resolvido com campanhas que melhorem hábitos de compra, o entendimento dos rótulos, e o armazenamento, preparação, proporções e uso de sobras.

A Lancet lançará este ano vários relatórios, o próximo, no final do mês, será sobre obesidade, desnutrição e alterações climáticas.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Clonar árvores centenárias para combater as alterações climáticas

A partir de brotos basais foi possível voltar a plantar sequoias. "É como se os dinossauros tivessem voltado a viver", resume fundados da Archangel Ancient Tree Archive
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Arboristas americanos da organização sem fins lucrativos Archangel Ancient Tree Archive, que divulga as maiores árvores do mundo, estão a clonar sequoias, uma espécie praticamente em vias de extinção da família das Taxodiáceas, segundo o Quartz. Estas árvores centenárias podem ajudar a combater as alterações climáticas.

O processo de clonagem das sequoias já foi considerado impossível, por estas se auto clonarem num círculo à sua volta - o "anel de fada". No entanto, o tempo de vida destas árvores começou a decrescer, impedindo assim que tivessem também tempo para se multiplicarem. Agora, a organização americana descobriu outra forma de replicar esta espécie. Os arboristas notaram que havia brotos basais - material vivo - em redor de sequoias que cresciam em zonas litorais.

A partir desses brotos conseguiram criar "sementes" para plantarem novas árvores. Funcionou. "É como se os dinossauros tivessem voltado a viver", disse David Milarch, o fundador da Archangel Ancient Tree Archive.


Processo de clonagem das sequóias 

© THE ARCHANGEL ANCIENT TREE ARCHIVE

Para além de estar em causa a revitalização da espécie, está ainda em cima da mesa o beneficio para o meio ambiente. Se todas as plantas libertam oxigénio e armazenam dióxido de carbono; as sequóias conseguem retirar grandes emissões de dióxido de carbono da atmosfera - a principal causa da aceleração das alterações climáticas. Chegam a recolher 250 toneladas de dióxido de carbono.

"Estas árvores têm a capacidade de combater as mudanças climáticas e revitalizar as florestas e nossa ecologia de uma forma nunca antes vistas", afirma Milarch.

Através deste processo de clonagem, as sequoias já foram plantadas em bosques no Canadá, em Inglaterra, no País de Gales, em França, na Nova Zelândia e na Austrália.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

A cotonete que deita na sanita vai parar ao mar, é comida por peixes e acaba no seu prato

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Todos os anos, pelo menos 8 milhões de toneladas de plástico entram nos nossos oceanos e, segundo a Fundação Ellen MacArthur, até 2050, haverá mais plástico (por peso) do que peixes no mar.

Este não é só um problema para a fauna marinha que é afetada diretamente pelos detritos de plástico. Segundo Olivia Jones, da organização irlandesa An Taisce, quando os peixes ingerem plástico, este material entra na cadeia alimentar e “acaba no seu prato”.

80% da poluição de plástico nos oceanos é de origem terrestre e resulta de atividades humanas, como o hábito que algumas pessoas têm de deitar objetos na sanita, avisa Olivia. Os investigadores identificaram uma lista de 12 artigos frequentemente deitados na sanita, que inclui cotonetes, toalhitas faciais e de bebé, tampões, beatas de cigarro, medicamentos, fraldas e pensos. “As pessoas não sabem que isto é errado – foi por isso que iniciámos a campanha ‘pense antes de puxar o autoclismo’”, disse.

As cotonetes de plástico, por exemplo, são tão finas que conseguem passar através dos filtros das estações de tratamento de águas residuais (ETAR). Daí vão parar, eventualmente, ao mar, poluindo os oceanos e representando um perigo para a vida marinha. Muitas delas acabam por dar à costa, poluindo também as praias. De acordo com a Sociedade para a Conservação Marinha do Reino Unido, as cotonetes perfazem 60% do lixo proveniente das águas residuais encontrado nas praias.

Muitas das peças de plástico que não são comidas inteiras pelas tartarugas, aves marinhas e peixes que as confundem com comida – com consequências fatais para os mesmos – acabam por se decompor em fragmentos minúsculos deste material, os microplásticos, que já cobrem o fundo do mar e cujo impacto nos ecossistemas só agora começa a ser estudado.

Os microplásticos também estão presentes em produtos de cuidado pessoal como o gel de duche, a pasta de dentes e os esfoliantes. Estas micropartículas de plástico já foram proibidas nos EUA e no Reino Unido.

Olivia Jones explica que, para além do perigo de ingestão, o plástico no mar pode acumular toxinas com o passar do tempo, prejudicando os habitats marinhos.

Estima-se que os resíduos de plástico afetem 43% dos mamíferos marinhos e que 90% das aves marinhas tenham plástico nos seus estômagos – de facto, até 2050, este número subirá para 99%, prevê a CSIRO. Os efeitos da ingestão de plástico nas aves têm sido muito estudados e incluem problemas nos intestinos, entrada de poluentes para a corrente sanguínea, úlceras gástricas, lesões do fígado, infertilidade e, em muitos casos, morte.

Também há indícios de que as aves marinhas dão de alimento às suas crias pedaços deste material. Em 2011, a bióloga Jennifer Lavers encontrou uma cria de pardela com 90 dias de idade que tinha mais de 275 peças de plástico no estômago. Numa pessoa, isto seria o equivalente a ingerirem-se 10kg de plástico.

“Podemos todos fazer algo”, enfatiza a ativista. “Podemos participar em limpezas das praias, podemos colocar um caixote de lixo na casa de banho para que as pessoas não deitem cotonetes na sanita e podemos comprar produtos com menos embalagens.” E não se esqueça que pode optar por cotonetes com haste de papel.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Deputados recusam projectos de lei para proibir diclofenac

Uma decisão politica lamentável em prejuízo das nossas aves de rapina necrófagas.
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Os dois Projectos de Lei debatidos ontem no Plenário da Assembleia da República, iniciativas do PAN e do PEV, foram rejeitados hoje durante a votação. A Spea diz-se desiludida.

Ambos os Projecto de Lei – que visavam a proibição da comercialização e a utilização de medicamentos veterinários, de uso pecuário, contendo diclofenac – tiveram os votos contra do PS, PSD e CDS-PP.

Em causa está um pedido de comercialização de um medicamento com diclofenac, em apreciação pela Direção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) há mais de dois anos. Segundo os conservacionistas, os medicamentos que utilizam na sua formulação o diclofenac – usado como anti-inflamatório e analgésico em animais de gado – são fatais para aves necrófagas.

O problema é que o diclofenac pode persistir em concentrações letais numa carcaça até sete dias depois da morte do animal. Quando abutres, águias ou outros animais necrófagos se alimentam dessa carcaça, ingerem também o diclofenac.

Ontem, a deputada Eloísa Apolónia (Partido Ecologista Os Verdes, PEV) tinha defendido esta proibição como “um contributo muito concreto para a preservação da biodiversidade” e lembrou a importância do princípio da prevenção e de uma “posição vinculativa da Assembleia da República”.

Por seu lado, André Silva, do PAN, sublinhou que existem “alternativas comprovadas” e seguras.

Os argumentos não convenceram os deputados da Assembleia da República. A deputada socialista Ana Passos defendeu que Portugal já “tem sistemas eficazes de recolha de animais mortos nas explorações pecuárias”, impedindo assim as aves necrófagas de se alimentar deles, e que esta é uma avaliação que deve ser feita pelos técnicos da DGAV, não pelos deputados.

O deputado António Ventura (PSD) foi mais longe e disse que as iniciativas apresentadas eram um exemplo da “agenda demagógica e populista do PAN e do PEV”. Isto porque, sublinhou, há menos de um ano a Assembleia da República deliberou que o Governo estudasse esse medicamento. “E agora querem que esta câmara diga que não se use. Não se pode ter duas coisas ao mesmo tempo.”

O outro voto contra veio da bancada do CDS-PP. A deputada Ilda Araújo Novo, em representação do grupo parlamentar, lembrou que o medicamento em causa “não está autorizado para uso em Portugal” e que “em Abril esta câmara aprovou uma recomendação ao Governo que não autorizasse o diclofenac”. Por isso, acrescentou, “não se entende a necessidade dos projectos lei”.

“Desiludidos”

Hoje, a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (Spea) disse, em comunicado, que “Portugal perdeu uma oportunidade de dar o exemplo em matéria de conservação da natureza e salvaguarda da saúde pública”.

“Não se percebe como é que não é proibida uma substância que é perigosa e para a qual existem alternativas seguras” comentou Joaquim Teodósio, coordenador do Departamento de Conservação Terrestre da Spea.

Segundo a Spea, “ao não proibir o diclofenac, os deputados falharam nas suas obrigações para com o povo português e descuraram os compromissos assumidos a nível internacional, de conservação da natureza. Ao não proibir este fármaco perigoso, Portugal arrisca-se – caso a DGAV autorize medicamentos contendo diclofenac – a deixar de ser um refúgio para espécies protegidas como o abutre-preto, o britango e a águia-imperial-ibérica, que estão ameaçadas a nível europeu e mundial, e das quais existem populações importantes no nosso país”.

“O resultado da votação de hoje deixa-nos perplexos e muito entristecidos”, comentou Iván Ramírez, director de Conservação da BirdLife Europe & Central Asia. “Portugal acabou de perder uma excelente oportunidade para dar um exemplo a toda a Europa.”

O próximo passo será dado pela Direção-Geral de Alimentação e Veterinária, entidade a quem a Spea exige “que, tendo em consideração o melhor conhecimento científico existente, e respeitando o princípio da precaução, não aprove este pedido de comercialização”.

“Estamos desiludidos com esta decisão, que não serve nem as aves nem as pessoas, e pela qual podemos todos vir a pagar caro”, acrescentou Joaquim Teodósio. “Os abutres têm um papel importantíssimo no controlo de doenças nos nossos campos, sem eles, corremos o risco de enfrentar graves problemas de saúde pública. Resta-nos agora esperar que a DGAV decida a favor da saúde dos nossos campos.”

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Em Lisboa, atirar beatas para o chão dá multa de 1.500 euros


Sabendo que é impossível nos dias que correm contra argumentar que uma das maiores causas da poluição dos mares são as beatas a Câmara de Lisboa apresentou hoje (11 de Janeiro) uma série de medidas para fazer face ao aumento dos resíduos na cidade.

As medidas farão parte de uma atualização ao Regulamento de Gestão de Resíduos, Limpeza e Higiene Urbana de Lisboa, e foram hoje apresentadas em conferência de imprensa, que decorreu nos Paços do Concelho.

“Vamos contratar 300 cantoneiros durante o ano de 2019, já temos o processo de contratação aberto”, disse o vice-presidente do município, que é também responsável pelo pelouro dos Serviços Urbanos.

Na apresentação, Duarte Cordeiro apontou que, “entre 2015 e 2018”, a “produção de resíduos aumentou 10%”, o que se justifica, em grande parte, pelo aumento da atividade turística na capital.

Esta questão levou a câmara a repensar o atual regulamento, e a atualizá-lo, por forma a “adaptar o sistema a uma realidade que mudou”.
Uma das novas contraordenações previstas aplicar-se-á a quem lançar para o "chão beatas de cigarros, maços de tabaco, pastilhas elásticas e outros", exemplifica a autarquia. No projeto de Regulamento de Gestão de Resíduos, Limpeza e Higiene Urbana de Lisboa está prevista uma coima de 150 a 1.500 euros para as pessoas singulares e de 1.000 a 15.000 euros se a responsabilidade for assacada a pessoas coletivas. 

Outra novidade é a obrigatoriedade de os estabelecimentos comerciais e esplanadas disporem de cinzeiros e baldes para lixo e de passarem a ser obrigados a assegurar a limpeza do espaço público na sua zona de influência até um raio de dois metros. Num caso e noutro, a multa pode ir dos mil aos 15.000 euros.
Além da contratação de mais trabalhadores, as novas medidas incluem o alargamento da recolha de lixo ao domingo em 10 freguesias: Santa Maria Maior, Estrela, Misericórdia, Santo António, São Vicente, Avenidas Novas, Alcântara, Arroios, Penha de França e Campo de Ourique.

Também as freguesias da cidade vão contar com mais 10 milhões de euros por ano para reforçar a área da higiene urbana, dinheiro que acresce aos 18 milhões que já recebiam por conta da delegação de competências.
A maior fatia (7,6 milhões de euros) será suportada pela Taxa Municipal Turística, e o resto (2,4 milhões) será verba municipal.

Espera-se desta forma conseguir combater o flagelo da poluição antes que ela chegue ao Oceano, parando desta forma a espiral perigosa em que a nossa sociedade atualmente vive.

domingo, 13 de janeiro de 2019

Fernando Paiva, o produtor de 74 anos que trocou os sulfitos por flores de castanheiro

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Fernando Paiva é um produtor de Amarante que nunca entra nas cogitações para os prémios de melhor viticultor, melhor enólogo ou personalidade do vinho que as revistas da especialidade atribuem todos os anos. A sua produção é pequena (este ano, para a sua marca Quinta da Palmirinha, só vinificou 7 mil litros), não pertence a nenhuma “família vintage” (não me lembro de designação mais elitista do que esta criada pela SIC), anda apenas no circuito mais alternativo do sector e não tem nem dimensão, nem margem financeira para investir em publicidade e eventos sociais. Na verdade, é um ilustre desconhecido. No entanto, há poucos produtores em Portugal com a sua ética de trabalho e a sua determinação em fazer vinhos bons, puros e saudáveis, por filosofia e não por mimetismo. Um verdadeiro “senhor do vinho” e um exemplo tanto para quem começa a dar os primeiros passos neste ramo como para quem já é veterano.

Aos 74 anos, continua a ser o único produtor biodinâmico certificado em Portugal. E por estes dias foi notícia por ter sido o primeiro a usar flor de castanheiro nos vinhos em substituição de sulfitos, o conservante mais usado na indústria vinícola. Com idade para se reformar, parece um jovem sempre disposto a dar um novo passo em frente, na ânsia apenas de fazer vinhos ainda melhores e mais puros.

Já vamos à flor de castanheiro, mas antes vale a pena recordar a sua “história”. Fernando Paiva é um produtor tardio. Tinha 56 anos quando decidiu olhar com mais interesse para os cerca de 3,5 hectares de vinhas que havia herdado dos pais. Acabara de se reformar como professor de História e de Português em Amarante e, após ter participado numa formação, em Celorico de Basto, com um dos gurus da agricultura biodinâmica, o francês Pierre Masson, ficou sensibilizado para a possibilidade de passar a produzir uvas e vinhos num ambiente mais natural, holístico e saudável. No início, teve dúvidas. Questionava-se sobre se a agricultura biodinâmica poderia ser generalizada ao ponto de poder assegurar a alimentação da humanidade. Mas acabou convencido.



Em 2007, depois de alguns anos de aprendizagem, começou a fazer biodinâmica a sério, respeitando todos os preceitos filosóficos e agrários desta corrente. Desde o uso dos famosos preparados 500 (um punhado de bosta que é usado no solo para aumentar a vida microbiana e facilitar a absorção dos minerais por parte das videiras) e 501 (uma mão cheia de cristais de quartzo moídos que são enterrados num corno de vaca desde a Páscoa até ao Outono e que, pulverizado sobre a vinha, depois de ser agitado numa grande quantidade de água durante uma hora, ajuda à frutificação e à maturação dos cachos), à aplicação de macerações hidroalcoólicas de folhas de consolda, urtiga, cavalinha e eucalipto para aumentar a resistência das videiras a certas doenças. Também povoou a quinta de galinhas, para irem oxigenando a terra e comendo as ervas infestantes, e instalou colmeias, para tirar partido do efeito polinizador das abelhas. E passou a respeitar o calendário desenvolvido por Maria Thun com as actividades que devem ou não devem ser realizadas em cada dia do ano, de acordo com as energias cósmicas que chegam à Terra.

A agricultura biodinâmica não se consegue explicar e justificar com o rigor da ciência. É algo mais do domínio da filosofia e da religião: acredita-se ou não. Apesar de ser agnóstico, Fernando Paiva acredita. Uma coisa é certa: todas as experiências conhecidas mostram de forma inequívoca que as vinhas tratadas de forma biodinâmica se tornam mais saudáveis.

Por consequência, os vinhos tendem a ficar também mais puros. Acontece que o caderno de encargos dos vinhos biodinâmicos permite, por exemplo, a aplicação até 120 mg de sulfitos em cada litro de vinho. É um valor muito alto. Num vinho normal, metade desta dose pode ser suficiente. 

Fernando Paiva sempre usou menos. Mas só o facto de ter de usar sulfitos (dióxido de enxofre) colidia de algum modo com o seu afã de fazer vinhos cada vez mais puros e saudáveis. Quando, há três anos, ouviu na rádio que o Instituto Politécnico de Bragança estava a testar em queijos um produto natural feito a partir da flor de castanheiro que conseguia os mesmos efeitos antioxidantes e antimicrobianos dos sulfitos, ligou logo à investigadora responsável, Isabel Ferreira, a propor-lhe experimentar o produto também nos vinhos. O desafio foi aceite e nesse ano Fernando Paiva fez 100 litros com flor de castanheiro. Gostou do resultado e em 2016 experimentou em 600 litros. Em 2017 passou para três mil e na última vindima usou flor de castanheiro no vinho todo.

É num castanheiro situado junto a uma das suas vinhas que, pelo mês de Julho, Fernando Paiva recolhe as flores. Seca-as e depois transforma-as em pó. Na vindima, após desengaçar as uvas, adiciona ao mosto 40 gramas desse pó por cada hectolitro de vinho e não volta a aplicar mais nada (este valor foi estabelecido com base na investigação liderada por Isabel Ferreira). Recentemente, lançou as primeiras 4 mil garrafas de um branco de Loureiro em que só usou flor de castanheiro e garante que o vinho está melhor do que os outros em que usou sulfuroso. As análises realizadas afastaram também quaisquer desvios nos parâmetros físico-químicos e sensoriais do vinho.

Apesar do sulfuroso, ou dióxido de enxofre, já ser utilizado na produção de vinho há milhares de anos e, até agora, não haver melhor, não deixa de ser um conservante sintético. Não é tóxico, se usado nas doses recomendadas, mas também não é totalmente inócuo, podendo causar alergias - daí ser obrigatório colocar nos rótulos dos vinhos a informação "contém sulfitos". Pelo contrário, a flor de castanheiro não é tóxica, nem tem efeitos alergénicos. O que faltava comprovar era o seu efeito antioxidante e antimicrobiano. Os bons resultados alcançados até agora são muito promissores. O único senão de tudo isto teria a ver com os castanheiros: para bem do vinho, seria preciso sacrificar muita castanha. Mas esse é um problema que não se coloca, porque a recolha das flores só é feita após a fecundação.

Resta, então, saber qual será a durabilidade dos vinhos. Se for boa, a descoberta do Instituto Politécnico de Bragança pode ter repercussões extraordinárias na indústria do vinho, uma vez que o mercado valoriza cada vez mais o uso de conservantes naturais. E, se isso acontecer, Fernando Paiva pode finalmente ter o reconhecimento público que merece.

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

O que faz uma bióloga num barco de pesca?

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Até 2020, a SPEA implementa o projecto MedAves Pesca, para descobrir qual o impacto das actividades de pesca nas populações de aves marinhas das Zonas de Protecção Especial portuguesas. Nas Berlengas, Elisabete Silva trabalha com a comunidade de pescadores para desenvolver e testar medidas de mitigação da captura acidental de aves.

“Peixe, peixe!”, anuncia o mestre Pedro Jorge, bem cedo nesta manhã de Novembro. A embarcação a motor branca Dois Filhos está à pesca de robalos e douradas em redor da ilha Berlenga, a sete milhas náuticas (cerca de 13 quilómetros) de Peniche.

Ao fundo do barco com sete metros de comprimento, em que se pesca com aparelho de linhas e anzóis, Pedro Santos e Zé Manel recolhem as linhas largadas ao mar no dia anterior. A experiência e a força destes homens disfarçam a dureza da tarefa. Numa coreografia sincronizada e em silêncio cúmplice, os dois pescadores retiram da água dezenas de anzóis em poucos minutos. “É um robalo dos grandes”, regozija o mestre.

Ao lado do mestre junto à proa, Elisabete Silva, 26 anos, regista as observações num caderno de campo. É bióloga e técnica de conservação marinha na Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) e trabalha há mais de dois anos nas Berlengas. Atualmente participa no projecto MedAves Pesca que, até 2020, estudará o impacto da atividade piscatória nas populações de aves marinhas. Elisabete faz observações em quatro embarcações diferentes, para monitorizar interações e testar medidas que possam reduzir as capturas acidentais de aves marinhas nas várias artes de pesca.

Hoje está a bordo do Dois Filhos. Anota as espécies de peixe retiradas do

mar e, de 15 em 15 minutos, regista as interacções de aves marinhas: número, espécie, localização e direção do voo. Com estes dados espera caracterizar as populações e compreender o impacto das atividades de pesca nas comunidades de aves marinhas.

Todos os anos, cerca de 200 mil aves são capturadas acidentalmente em águas europeias, segundo a organização Birdlife International. Nas Berlengas, as espécies mais afetadas por capturas acidentais são o alcatraz ou ganso-patola (Morus bassanus), a cagarra (Calonectris borealis), a torda-mergulheira (Alca torda), a galheta (Phalacrocorax aristotelis) e a pardela-balear (Puffinus mauretanicus), a espécie de ave mais ameaçada da Europa e que pode ser avistada durante todo o ano ao largo da costa portuguesa.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Maior fóssil de crocodilo do mundo descoberto em Portugal

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Paleontólogos de duas universidades portuguesas anunciaram, esta quinta-feira, a descoberta de um fóssil com 95 milhões de anos que revela uma nova espécie de crocodilo, a mais antiga do mundo.

"Pensava-se que os verdadeiros crocodilos, que faziam parte de um grupo que se chama 'Crocodylia', existiam apenas há 75 milhões de anos e este novo fóssil foi descoberto em rochas com 95 milhões de anos, logo 20 milhões de anos mais antigo do que aquilo que se pensava", afirmou à agência Lusa o paleontólogo Octávio Mateus.

O crânio e a mandíbula deste réptil foram encontrados em 2003 pela geóloga Matilde Azenha, em Tentúgal, concelho de Montemor-o-Velho, distrito de Coimbra, e foram estudados pelos investigadores Octávio Mateus e Eduardo Puértolas-Pascual, da Universidade Nova de Lisboa, e Pedro Callapez, da Universidade de Coimbra.

Os três paleontólogos confirmaram agora a descoberta da nova espécie num artigo publicado na revista científica "Zoological Journal of the Linnean Society".

A nova espécie, batizada de "Portugalosuchus azenhae", em homenagem à responsável pelo achado, possui características únicas que a distingue de todas as outras espécies.

"A mandíbula tem uma abertura que ajuda a definir o que é um verdadeiro crocodilo em contraste com répteis parecidos com crocodilos, os crocodilomorfos, que ainda não faziam parte do grupo 'Crocodylia', e não tinham essa abertura nos ossos da mandíbula", explicou Eduardo Puértolas-Pascual, especialista em crocodilos.

Os crocodilomorfos existiam desde os primórdios da era dos dinossauros, mas os verdadeiros crocodilos, pertencentes ao grupo 'Crocodylia', surgiram apenas no final dessa era, mas 20 milhões de anos mais cedo do que até agora os cientistas pensavam.

O que resta deste crocodilo mais antigo do mundo vai estar em breve em exposição no Museu da Lourinhã, instituição a que os investigadores doaram os fósseis.