segunda-feira, 22 de abril de 2019

Documentário: "A Flor, a Formiga e a Borboleta Ameaçada"


«Em Portugal, a Maculinea alcon, a borboleta azul de montanha, é uma borboleta ameaçada. Ela vive numa relação de equilíbrio complexo com uma espécie de formiga, uma planta e o Homem. Em toda a Europa é uma borboleta muito ameaçada. 

É no norte de Portugal, nas Serras do Alvão e do Marão, que ainda podemos ter o prazer de observar populações viáveis desta pequena borboleta. Uma importante população de M.alcon sobrevive ainda em Lamas de Olo no Parque Natural do Alvão. Aqui se filmou todo o seu ciclo de vida, desde o "enganar" as formigas, que guardam e alimentam as suas lagartas durante o Inverno, ao acasalamento e postura de ovos. 

O documentário acompanha também o trabalho e o esforço de Ernestino Maravalhas para estudar e perceber estas estranhas relações ecológicas que passam despercebidas à maioria das pessoas.

Um documentário onde a ciência e a vida desta maravilhosa borboleta se cruzam com aqueles que a rodeiam, a estudam, a ignoram, sempre com a perspectiva do que poderemos fazer por esta pequena borboleta azul.»

domingo, 21 de abril de 2019

Há 23 conjuntos de árvores imaculadas no Porto

Foto e notícia aqui
No Porto, há 23 conjuntos de árvores que fazem parte da lista de exemplares protegidos por lei. Intocáveis e com estatuto especial, possuem regras claras que as vedam à degradação e obrigam à respetiva preservação. O Estado equipara-as mesmo a "património construído classificado". Monumentos nacionais, portanto.
Existem cerca de 500 conjuntos de árvores classificadas em Portugal e 23 estão no Porto. A mais recente a ser incluída na restrita lista foi uma centenária Afrocarpus falcatus, espécie que pode chegar aos 60 metros de altura, única na cidade e das poucas existentes no país. Exibe-se, frondosa, num terraço do Palácio do Freixo e merece destaque pela "copa elegante e majestosa", segundo o despacho publicado na edição do Diário de República do passado dia 22 de março que lhe confere a nova designação oficial.
"A particular importância e atributos daquele exemplar são reveladores da necessidade de cuidadosa conservação e justificam o relevante interesse público da sua classificação, relativamente à qual não se verificam quaisquer causas legais impeditivas", justificou o Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), responsável único pela atribuição de tal classificação do património arbóreo.

A Afrocarpus falcatus do Palácio do Freixo junta-se a outras duas recentes contribuições do Porto na lista de árvores de interesse público: sete centenárias palmeiras e um metrosídero, ambas no Palácio de Cristal.

Além destas, existem árvores intocáveis espalhadas por toda a cidade, num total de 238 em todos os 23 conjuntos. A que mais tempo tem de categorização, desde 1939, é um tulipeiro-da-virgínia que se ergue na Escola Municipal João de Deus, na rua homónima. Da mesma lista constam ainda outros tulipeiros (na Ordem dos Médicos, na Casa Tait e na Praça Pedro Nunes), cedros (também no Jardim da Ordem dos Médicos e no Jardim da Casa do Professor), cameleiras (no Largo da Igreja de Paranhos, metrosíderos (nos Jardins do Palácio de Cristal, na Avenida Montevideu e no Jardim do Passeio Alegre), uma washintónia-mexicana (nos Jardins do Palácio de Cristal), uma araucária (na Cordoaria e no Jardim do Passeio Alegre), palmeiras (também no Jardim do Passeio Alegre), tulipeiros (na Praça Pedro Nunes), plátanos (na Cordoaria e na Casa do Professor), magnólias (no Jardim de São Lázaro), uma árvore-do-ponto (na Casa do Professor) e uma nogueira-do-japão (no Jardim das Virtudes).

O objetivo da Câmara do Porto é alargar ainda mais este rol. "Encontram-se submetidos à avaliação do ICNF vários processos de árvores que podem vir a obter idêntica classificação", revela ao JN Urbano Filipe Araújo, vice-presidente da Autarquia e vereador da Inovação e Ambiente. "As árvores com idade avançada têm um impacto muito importante na cidade, sobretudo no que diz respeito à retenção de poluentes do ar, à biodiversidade, ao amenizar do vento e no auxílio que prestam ao escoamento da água para a rede de águas pluviais", explica.

sábado, 20 de abril de 2019

Depois de ler este artigo, a adubação verde será a sua nova melhor amiga! Não acredita? Comprove!

Foto e reportagem aqui


Autora do artigo: Rosa Moreira, promotora do blog A Cientista Agrícola

O que é adubação verde?

Não sei se já ouviu falou de adubação verde, provavelmente até já. No entanto, para quem ainda não ouviu ou quer saber mais sobre este assunto este é uma boa oportunidade para conhecer outras prespectivas sobre este tema.
Em primeiro lugar, devemos deixar bem esclarecido em que consiste esta prática agronómica.  A adubação verde é uma prática agrícola bastante antiga que tem como objetivo incrementar a capacidade produtiva do solo, melhorando a sua estrutura e composição.

Como podemos implementar a adubação verde?

Essa melhoria do solo pode ser conseguida através da adição de material orgânico não decomposto de plantas cultivadas exclusivamente para este fim e que são posteriormente cortadas  mesmo antes de completarem o  seu ciclo produtivo.
A adubação verde pode ser realizada utilizando várias espécies vegetais, no entanto são as leguminosas  o tipo de culturas que mais é utilizadas devido às suas várias vantagens, destacando-se a
sua capacidade de fixar azoto atmosférico.
É importante também salientar que, no caso das leguminosas, estas associam-se a bactérias fixadoras de
azoto que estabelecem também relações de simbiose, transferindo também este elemento para o solo, sendo também posteriormente transferido para as plantas.

A importância de utilizar adubo verde na horta

A maior parte das hortas  são cultivadas de forma intensa e verifica-se por essa razão que depois de ser efectuada a colheitao solo empobrece em termos nutricionais.
O uso  de  adubos verdes permite diminuir a necessidade de adubos industriais e manter a capacidade produtiva da sua horta .  Sabe qual a  altura ideal para produção de  adubos verdes?  Eu respondo: No Inverno. É nesta altura em que não existem muitas produções agrícolas em desenvolvimento  que a adubação verde deve ser feita.
Sabia que pode utilizar certas culturas para fixar o azoto na terra?  Sim é verdade! De forma a conseguir obter uma boa produtividade, manter a concentração de azoto no solo é fundamental.Por essa razão, a utilização de certas plantas que têm a capacidade de captar o azoto da atmosfera e fixá-lo no solo revela-se  consciente e economicamente viável  a opção mais viável para para conseguir fixar azoto na terra.

Principais vantagens da utilização da adubação verde para a fertilidade do solo

  • Diminuir a probabilidade de ocorrer lixiviação de nutrientes:
  • Aumenta a  capacidade de armazenamento de água no solo;
  • Contribui para a  descompactação do solo assim como melhoria da sua estrutura favorecendo o arejamento.
  • Fornece azoto ao solo de forma natural;
  • Contribui para a intensificação da actividade biológica do solo;
  • Melhora a capacidade de aproveitar a eficiência dos adubos e corretivos do solo;
  • Ajuda a recuperar os solos com fertilidade baixa;
  • Diminui o aparecimento de plantas infestantes;
  • Diminui a incidência de pragas e doenças nas culturas agrícolas;
  • e muitas mais vantagens (…)

Como produzir adubo verde?

A melhor forma para produzir adubo verde e incorporar azoto na terra  é através de plantas fixadoras de azoto. Estas, após atingirem posteriormente a maturação, efetua-se o seu corte e enterra-se  as mesmas de  modo a fixar também o azoto contido da planta.
Culturas que podem ser usadas para a adubação verde: chagas, cereais, colza, linho, mostrada, sarraceno, trevo, alfafa e soja por exemplo.
No que diz respeito ao uso de alfafa ou trevo para a produção de adubo verde, deve ter em atenção que deve cortar a cultura antes de formar sementes uma vez que são espécies infestantes.

Condições de eficácia da adubação verde

No momento de instalação das culturas(adubação verde), a fertilização pode ser uma práctica cultural necessária em alguns adubos verdes (fosfatos, especificamente), no momento antes ou durante a sementeira. No caso da sementeira de leguminosas, é necessário efectuar a inoculação das sementes com o Rhyzobium específico ( no meu ensaio com a cultura da soja, procedi também à inoculação das sementes).
A % de humidade  deve ser um factor que deve ter também em consideração e deve  ser suficiente para assegurar germinação das sementes. Caso o solo esteja muito compactado, deve também ponderar fazer uma subsolagem.
Antes de  3 a 4 semanas antes de instalar  a cultura principal, e antes de proceder ao enterramento dos adubos verdes, deve destroçar (esmiuçar) as plantas usadas como adubo verde.
É importante salientar que se as plantas forem simplesmente cortadas, sendo destroçadas ou não e ficarem a cobrir o terreno como mulching, podem atuar de forma benéfica minimizando o crescimento de plantas infestantes.

sexta-feira, 19 de abril de 2019

Diabo da Tasmânia acelerou evolução para evitar extinção

Foto e notícia aqui
Os marsupiais conhecidos como diabos da Tasmânia são dizimados há mais de 20 anos por uma forma de cancro contagioso, mas cientistas australianos descobriram que os animais estão a conseguir evitar a extinção evoluindo mais depressa.

O diabo da Tasmânia, um marsupial carnívoro noctívago conhecido pelo forte cheiro que emite quando se sente ameaçado, só existe na ilha que fica ao sul da Austrália e desde 1996 é afetado por uma doença que se caracteriza por provocar tumores no focinho, fatal em quase todos os casos, que já acabou com 85% da população.

A doença transmite-se através das mordeduras que acontecem quando os animais lutam ou acasalam e que provoca tumores no focinho que os impedem de comer, acabando por morrer de fome.

No entanto, os investigadores descobriram que os diabos da Tasmânia, com uma população entre 15 mil e 18 mil animais, estão a desenvolver resistência à doença e a criar anticorpos, com cerca de duas dezenas de animais estudados a conseguirem sobreviver.

O investigador Rodrigo Hamede, da Universidade da Tasmânia, afirmou à France Presse que há animais que contraíram a doença, mas que conseguiram curar-se, enquanto outros não ficaram doentes.

"O risco de extinção continua a existir" ressalvou Chris Coupland, do santuário de Cradle Mountain, observando que a população não pode cair abaixo dos 10 mil animais.

O ciclo reprodutivo dos diabos está a acelerar, com cios anuais em vez de bianuais, como costuma acontecer, e os animais chegam à idade reprodutiva mais cedo.

O que acontece é que, como a população decaiu, há mais alimento e os animais conseguem atingir mais cedo o peso em que se tornam férteis.

Os responsáveis pelo santuário colaboram reunindo informação genética em bases de dados, o que lhes permite selecionar animais para se reproduzirem com mais diversidade genética.

"A adaptação às doenças acontece sempre, mas costuma ser à escala evolutiva [medida em milhares de anos] e não em seis ou oito gerações [12 a 16 anos]. É uma evolução incrivelmente rápida", assinalou.

quinta-feira, 18 de abril de 2019

Portugueses deitam fora 200 mil toneladas de roupa por ano

Foto e notícia aqui

A moda rápida e barata - conhecida como fast fashion - que veio com as grandes cadeias mundiais, mudou a forma como nos vestimos. A produção mundial de roupa duplicou, tendo ultrapassado os cem mil milhões de peças por ano em 2015. Entre as várias consequências deste movimento - nomeadamente a aceleração da moda, a cópia, e a globalização dos estilos - veio também o peso ambiental. É que quando deixa de ser útil grande parte da roupa velha acaba no lixo. Há uma parte que é colocada em contentores para reutilização, mas outra vai parar aos caixotes indiferenciados, e para estes o único destino é o aterro e a incineração. Em Portugal, deita-se para o lixo 200 mil toneladas de têxteis por ano.

De acordo com os dados da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) em 2017 foram recolhidas cerca de 200 756 toneladas de têxteis nos resíduos urbanos, um valor ligeiramente superior ao registado no ano anterior (196 865) - o que representa cerca de 4% do total de resíduos produzidos em Portugal (perto de 4,75 milhões). Se analisarmos o período entre 2011 e 2017, foram deitados ao lixo 1,2 milhões de toneladas de têxteis - um problema que não é exclusivo de Portugal. De acordo com o The Guardian, em 2016 foram enviadas para aterros 350 mil toneladas de roupa no Reino Unido. Já nos EUA, são gerados mais de 15 milhões de toneladas de resíduos têxteis por ano, e apenas 2,62 milhões são reciclados.

É lixo a mais. Segundo a Greenpeacecada pessoa compra, em média, mais 60% das peças do que comprava no ano 2000 e só as mantém metade do tempo. E isto é especialmente grave porque a indústria têxtil é uma das mais poluentes do mundo. Em alguns rankings, a moda aparece em segundo lugar entre os setores menos amigos do ambiente, logo a seguir à indústria petrolífera. Para produzir uma T-shirt de algodão, por exemplo, são necessários 2700 litros de água. Já numas calças de ganga, o consumo de água pode chegar aos 10 000 litros. E o consumo de recursos hídricos é apenas um dos muitos impactos desta indústria.

Um dos maiores problemas diz respeito às matérias-primas usadas. "A maior parte da roupa é sintética, provém do petróleo. Estamos a vestir-nos de plástico. Cada vez mais deixamos de comprar roupa de algodão", diz Carmen Lima, coordenadora do Centro de Informação de Resíduos da Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza. Por outro lado, há o impacto associado às tintas, que acabam muitas vezes por contaminar os rios: "Muitas têm compostos orgânicos voláteis associados e nem sequer cumprem certificações." Já as emissões atmosféricas de gases de efeito estufa são uma constante desde o processo de produção, ao transporte, ao próprio uso.

Além da produção, há também a reciclagem - que não é feita tanto como devia. A Associação Portuguesa do Ambeite explica que, em Portugal, "não existindo recolha seletiva de resíduos [têxteis], a sua recolha é feita em conjunto com a fração indiferenciada, pelo que o destino será aterro, valorização energética ou, nalgumas situações, produção de combustível derivado de resíduos". No entanto, adianta, "e em alinhamento com a Diretiva (UE) 2018/851 de 30 de maio de 2018 (recolha seletiva de resíduos têxteis obrigatória a partir de 1 de janeiro de 2025) está prevista a implementação de sistemas de recolha seletiva de resíduos têxteis pelos sistemas de gestão de resíduos urbanos, ou pelos municípios que os integram". A partir dessa altura, os têxteis encaminhados como resíduos serão, sempre que possível, preparados para reutilização e reciclagem.

Nos têxteis, há "uma parte significativa" que é recolhida para reutilização, feita em contentores localizados na via pública, com intenção de "que a mesma seja novamente usada para o mesmo fim". Uma das empresas que se dedicam à recolha de roupa em Portugal é a Ultriplo, com sede em Braga. Em 2018 recolheu 6 333 584 quilos de resíduos têxteis, sendo na sua maioria roupas, e contando também com calçado, brinquedos e livros. Atendendo a este valor, estima "uma redução anual de 19 634,1 toneladas de dióxido de carbono".

Anualmente, a Ultriplo recolhe "mais de 6000 toneladas de resíduos têxteis um pouco por todo o país, impedindo que 90% do que é recolhido acabe em aterros". Após a receção dos artigos, estes são separados consoante as suas características e qualidade, podendo ser encaminhados para os parceiros sociais da empresa, para reutilização (uma parte é exportada), para reciclagem (30%) ou para o aterro.
Falta sensibilização dos mais jovens

Carmen Lima, da Quercus, diz que "o que vai parar aos aterros em Portugal ainda tem alguma expressão". Não há dados centralizados sobre a quantidade recolhida nos contentores para reutilização - "e que devia estar quantificada" -, mas acredita que será "francamente superior ao que vai parar ao aterro". Quando chega lá, geralmente encontra-se em mau estado. "Mas não sabemos se chegou assim ao lixo ou se ficou danificada durante o processo."

Neste assunto, não há ainda muitas pessoas que tenham noção do que estão a fazer quando estão a deitar fora uma peça de roupa. "Há um núcleo de consumidores de fast fashion que usam a roupa uma ou duas vezes e não têm a preocupação de a passar para as organizações. Sobretudo nas gerações mais novas, não há tendência para entregar a roupa às organizações de solidariedade social", critica Carmen Lima, destacando que, quando não há contentores nas proximidades, há "uma franja da população" que não os procura quando se quer desfazer da roupa.


Um dos maiores problemas diz respeito às matérias-primas usadas. "A maior parte da roupa é sintética, provém do petróleo. Estamos a vestir-nos de plástico. Cada vez mais deixamos de comprar roupa de algodão", diz Carmen Lima, coordenadora do Centro de Informação de Resíduos da Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza. Por outro lado, há o impacto associado às tintas, que acabam muitas vezes por contaminar os rios: "Muitas têm compostos orgânicos voláteis associados e nem sequer cumprem certificações." Já as emissões atmosféricas de gases de efeito estufa são uma constante desde o processo de produção, ao transporte, ao próprio uso.

Além da produção, há também a reciclagem - que não é feita tanto como devia. A Associação Portuguesa do Ambeite explica que, em Portugal, "não existindo recolha seletiva de resíduos [têxteis], a sua recolha é feita em conjunto com a fração indiferenciada, pelo que o destino será aterro, valorização energética ou, nalgumas situações, produção de combustível derivado de resíduos". No entanto, adianta, "e em alinhamento com a Diretiva (UE) 2018/851 de 30 de maio de 2018 (recolha seletiva de resíduos têxteis obrigatória a partir de 1 de janeiro de 2025) está prevista a implementação de sistemas de recolha seletiva de resíduos têxteis pelos sistemas de gestão de resíduos urbanos, ou pelos municípios que os integram". A partir dessa altura, os têxteis encaminhados como resíduos serão, sempre que possível, preparados para reutilização e reciclagem.

Nos têxteis, há "uma parte significativa" que é recolhida para reutilização, feita em contentores localizados na via pública, com intenção de "que a mesma seja novamente usada para o mesmo fim". Uma das empresas que se dedicam à recolha de roupa em Portugal é a Ultriplo, com sede em Braga. Em 2018 recolheu 6 333 584 quilos de resíduos têxteis, sendo na sua maioria roupas, e contando também com calçado, brinquedos e livros. Atendendo a este valor, estima "uma redução anual de 19 634,1 toneladas de dióxido de carbono".

Anualmente, a Ultriplo recolhe "mais de 6000 toneladas de resíduos têxteis um pouco por todo o país, impedindo que 90% do que é recolhido acabe em aterros". Após a receção dos artigos, estes são separados consoante as suas características e qualidade, podendo ser encaminhados para os parceiros sociais da empresa, para reutilização (uma parte é exportada), para reciclagem (30%) ou para o aterro.
Falta sensibilização dos mais jovens

Carmen Lima, da Quercus, diz que "o que vai parar aos aterros em Portugal ainda tem alguma expressão". Não há dados centralizados sobre a quantidade recolhida nos contentores para reutilização - "e que devia estar quantificada" -, mas acredita que será "francamente superior ao que vai parar ao aterro". Quando chega lá, geralmente encontra-se em mau estado. "Mas não sabemos se chegou assim ao lixo ou se ficou danificada durante o processo."

Neste assunto, não há ainda muitas pessoas que tenham noção do que estão a fazer quando estão a deitar fora uma peça de roupa. "Há um núcleo de consumidores de fast fashion que usam a roupa uma ou duas vezes e não têm a preocupação de a passar para as organizações. Sobretudo nas gerações mais novas, não há tendência para entregar a roupa às organizações de solidariedade social", critica Carmen Lima, destacando que, quando não há contentores nas proximidades, há "uma franja da população" que não os procura quando se quer desfazer da roupa.

Seria importante fazer recolha seletiva de roupa em Portugal? "Era importante, mas isso não implica mais um contentor." Na opinião de Carmen Lima, era preferível "promover uma rede, talvez com uma entidade gestora, que organizasse o processo de recolha", nomeadamente com mais contentores nas proximidades das pessoas. E, sublinha, que cada loja "pagasse uma ecotaxa por produto, pelo seu impacto ambiental associado".

Carmen Lima acredita que a sociedade "está mais atenta às questões sociais" associadas ao fabrico da roupa, mas nem tanto ao impacto ambiental que este setor tem. "A moda é feita de tendências, o que faz que as pessoas tenham uma necessidade constante de comprar. É feita de roupa barata, com pouca qualidade, fibras sintéticas e pouco controlo sobre as condições ambientais e de trabalho." Por isso, prossegue, é preciso educar a sociedade para a compra e o destino que dá aos produtos usados. "Quando nos tentamos ver livres da roupa em bom estado, devemos encaminhá-la para ser reutilizada ou reciclada."

Sasia recicla 900 toneladas por mês

Em Vila Nova de Famalicão, a Sasia recicla "todo o tipo de resíduos têxteis e de diferentes composições: algodão, poliéster, lã, linho, viscose, acrílico, entre outros". Miguel Silva, administrador, explica que "a grande maioria dos resíduos são provenientes da indústria têxtil (confeção, fiação, tecelagem, etc.)", tanto nacional como internacional. Por mês, a Sasia recicla cerca de 900 toneladas de tecidos.

Em funcionamento há 67 anos, a empresa trabalha "no sentido de criar um sistema circular que permita recuperar resíduos das suas produções, dando-lhes assim um novo destino". Com "processos tecnológicos automatizados", Miguel Silva conta que a empresa transforma os resíduos "em ramas destinadas a segmentos de mercado muito diferentes: indústria automóvel, hidrófila, colchoaria, fiação, geotêxtil e horticultura, entre outras".

Para Paulo Vaz, diretor-geral da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal, o futuro da indústria têxtil passa "pela economia circular e pela sustentabilidade", nomeadamente com o desenvolvimento "de tecnologias evoluídas e economicamente sustentáveis, que permitam transformar os resíduos em matéria-prima". Atendendo ao facto de Portugal ter de importar praticamente todas as matérias-primas, um grande passo seria a criação destas através dos resíduos. Hoje, frisa, já há muitas empresas que usam materiais reciclados na confeção do seu vestuário.
Marcas atentas às preocupações dos consumidores

Nos últimos anos, várias empresas deram passos em frente rumo a um futuro mais sustentável. Assistiu-se à criação de vários conceitos amigos do ambiente, nomeadamente dentro da moda ecovegan, mas também a iniciativas com vista à redução da pegada ecológica do setor. A H&M, por exemplo, diz que 57% dos materiais usados pelo grupo são atualmente "reciclados ou de origem sustentável". Desde que lançou a sua iniciativa de reciclagem de têxteis, em 2013, a H&M reciclou 25 mil toneladas de roupa doada pelos seus clientes em todo o mundo, o equivalente a 125 milhões de T-shirts. Nas lojas da marca, os clientes recebem vouchers por cada saco de roupa usada que entregam: "Todos os têxteis são bem-vindos - qualquer marca, qualquer estado -, até meias sem par, T-shirts gastas e lençóis antigos."

Mais tarde, em 2016, foi a vez de a Zara apostar na reciclagem de roupa: "Traga a roupa que não usa e dê-lhe uma nova vida." Atualmente, a marca do grupo Inditex tem pontos de recolha em algumas lojas, mas pretende vir a estender o serviço a toda a sua rede. De acordo com a informação disponível no site, as peças recolhidas serão "doadas, recicladas, transformadas em novos tecidos ou comercializadas de forma a permitir o financiamento" de várias organizações sem fins lucrativos, como a Cáritas ou a Cruz Vermelha.

Atenta à preocupação dos consumidores com a sustentabilidade dos produtos que adquirem, a C&A também tem vindo a desenvolver várias ações e produtos, que procuram diminuir o seu impacto ambiental. Uma estratégia que passa, por exemplo, pela aposta em algodão biológico ou pela utilização de materiais reciclados.

Preocupação vs. marketing

E quando são as marcas a pedir que os consumidores comprem menos? Foi o que fez a Adolfo Dominguez, em março, ao lançar a campanha "Pensa. Depois compra". Ao DN, os responsáveis pela marca espanhola explicam que "o objetivo da campanha é convidar os consumidores a refletir sobre um modelo de consumo mais responsável, sobre a valorização da qualidade e da durabilidade das peças".

Segundo a marca, cada espanhol compra, em média, 34 peças de roupa por ano. "Mas a questão não é só o número de peças. Há pessoas que compram uma camisola para usar e tirar, e isso não é o normal. O normal é ter uma peça que possa durar dez anos no armário", refere a marca, numa resposta escrita enviada ao DN. Numa era em que "o que importa é o último, o novo, o que acabou de sair", a Adolfo Dominguez - marca de autor - quer ter uma visão alternativa, apelando também aos consumidores que "sejam mais velhos". Porque isso é "escolher melhor" e, assim, "ser mais sustentável".

Para Mafalda Ferreira, professora no IPAM - Instituto Português de Administração e Marketing, este tipo de estratégias "pretendem ir ao encontro dos valores emergentesem termos de consumo". Atualmente, a especialista em consumo diz que há dois eixos que os consumidores valorizam: a transparência e a responsabilidade. "As marcas assumem que poluem, que este não é o mundo ideal, mas que têm problemas", afirma.

Ao lançar uma campanha que apela a um consumo mais consciente, Mafalda Ferreira considera que a Adolfo Dominguez quer "posicionar-se, fazer frente à fast fashion, que tem preços mais baratos, menor qualidade, que contribui ainda mais para todos os impactos que a indústria já tem". Este é, segundo a docente, um movimento global, que atinge as várias áreas. "O apelo à sustentabilidade é um caminho para as marcas se diferenciarem das suas concorrentes, valorizando aquilo que vai sendo gradualmente mais importante para os seus consumidores." É "claramente uma estratégia".

quarta-feira, 17 de abril de 2019

Plásticos vão poluir durante décadas mesmo se o deixarmos de usar hoje

Os plásticos acumulados nos rios vão continuar a poluir durante décadas ou mesmo séculos, mesmo que o mundo deixasse de usar plástico hoje mesmo, concluíram cientistas envolvidos num estudo sobre o percurso daquele material até ao mar.

Foto e notícia aqui
Informação sobre a poluição dos oceanos com plástico é hoje abundante, mas há poucos estudos sobre como esses plásticos chegam ao mar, uma lacuna que a Universidade de Birmingham, Reino Unido, pretende colmatar com um estudo centrado nos rios e na foz dos rios.

O projeto '100 Rios de Plástico' junta cientistas em mais de 60 locais do mundo que recolhem amostras de água e sedimentos nos rios, para tentar perceber como é que os plásticos são transportados e transformados, e como é que se acumulam nos sedimentos, criando um legado poluente de longa duração.

“Mesmo que parássemos agora mesmo de usar plástico ainda haveria décadas, se não séculos, de plásticos pelos rios em direção aos nossos mares. Estamos cada vez mais conscientes do problema que isso está a causar aos oceanos, mas só agora estamos a começar a olhar para de onde esses plásticos vêm e como é que eles se estão a acumular nos sistemas fluviais”, disse Stefan Krause, da Escola de Geografia, Terra e Ciências do Ambiente da Universidade de Birmingham.

Os primeiros resultados do projeto serão apresentados na Assembleia Geral da União Europeia de Geociências, que decorre em Viena, na Áustria, até sexta-feira. Mas segundo os responsáveis há um quadro complexo de uma grande diversidade de tipos e fontes de plástico em estuários de rios do Reino Unidos e de França.

terça-feira, 16 de abril de 2019

O fungo assassino que já dizimou populações de 500 espécies de anfíbios

Foto Rã-dourada-do-panamá (Atelopus zeteki) GONÇALO M. ROSA

Há uma doença infecciosa que tem atormentado anfíbios em todo o mundo: chama-se quitridiomicose e é causada por um fungo. Mas quantas espécies de anfíbios foram afectadas por esta doença? Num artigo publicado na última edição da revista científica Science, refere-se que já causou o declínio de 501 espécies de anfíbios e que 90 delas já estão “presumivelmente extintas”. Também se considera que a quitridiomicose é a doença que provocou a maior perda na biodiversidade até agora.

Quando o fungo quitrídio (Batrachochytrium dendrobatidis) infecta a pele de várias espécies de rãs, sapos e outros anfíbios causa a quitridiomicose – que também pode ser provocada pelo fungo Batrachochytrium salamandrivorans, que afecta salamandras e tritões. Esta doença afecta a capacidade de os anfíbios regularem a água e pode levá-los à insuficiência cardíaca. Como o fungo passa de animal para animal e se espalha rapidamente na natureza, tem contribuído para o declínio de algumas espécies.

Embora tenha sido identificado pela primeira vez nos anos 70, o quitrídio só foi reconhecido como um fenómeno global associado ao declínio de espécies de anfíbios nos anos 90. No ano passado, desvendou-se que a estirpe mais agressiva deste fungo terá surgido na península da Coreia no início do século XX.

“Apesar de ter aumentado a compreensão que temos deste fungo, os cientistas só tinham sido capazes de supor a escala dos danos causados pelo Batrachochytrium dendrobatidis nas populações de anfíbios de todo o mundo”, escrevem Dan Greenberg e Wendy Palen, da Universidade Simon Fraser (Canadá) e que não participaram neste trabalho, num comentário ao estudo também na Science.

Para ter dados à escala global, uma equipa internacional de cientistas usou um conjunto abrangente de dados sobre o declínio do número de anfíbios em todo o mundo para quantificar o impacto da quitridiomicose na biodiversidade.

Percebeu-se então que a quitridiomicose causou o declínio de pelo menos 501 populações de espécies de anfíbios. Como há mais de 7000 espécies de anfíbios descritas, isto representa cerca de 6,5% dessas espécies. Além disso, 124 delas tiveram diminuições graves (mais de 905) nas suas populações e 90 já estão extintas ou “presumivelmente extintas”. “Isto representa a maior perda de biodiversidade documentada atribuída a um agente patogénico e coloca o B. dendrobatidis entre as espécies invasivas mais destrutivas, quando comparado com os roedores (que ameaçam 420 espécies) e gatos (que ameaçam 430 espécies)”, lê-se no artigo.

Apesar de estar presente em 60 países, no estudo salienta-se que as maiores diminuições ocorreram em populações de anfíbios da Austrália, Mesoamérica e na América do Sul. Concluiu-se ainda que o pico no declínio das populações aconteceu nos anos 80.

A equipa traçou ainda o perfil das espécies atingidas de forma mais grave: “O declínio foi maior em espécies com corpos maiores, que estão presentes em regiões regularmente húmidas e fortemente associadas a habitats aquáticos perenes”, lê-se no artigo.

“Doenças altamente virulentas na vida selvagem, incluindo a quitridiomicose, estão a contribuir para a sexta extinção em massa na Terra”, reage Ben Scheele, ecólogo da Universidade Nacional Australiana e primeiro autor do trabalho, num comunicado da sua instituição. “A doença que estudámos causou extinções em massa por todo o mundo. Perdemos algumas espécies realmente espectaculares.”


A perda da rã dourada

“Estamos a falar de uma doença com uma letalidade sem precedentes e com um espectro de hospedeiros extremamente amplo, isto é, capaz de infectar centenas ou milhares de espécies”, considera Gonçalo M. Rosa, do Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais (cE3c) da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e do Instituto de Zoologia do Parque Regent (Londres), que não fez parte deste trabalho, mas que tem estudado o impacto deste fungo nos anfíbios em Portugal.

O investigador refere que têm sido publicados vários estudos que descrevem os impactos desta doença a nível regional como na América Central ou na Serra da Estrela. “Este estudo traz uma perspectiva espacial e temporal da perda de biodiversidade de anfíbios causada pela quitridiomicose a uma escala global, como que juntando várias peças de um puzzle”, afirma.

“O estudo pinta uma vez mais a quitridiomicose como uma das doenças mais impactantes em termos de perda de biodiversidade”, destaca ainda o investigador. “São números bastante elevados mesmo quando comparados com os de outras doenças altamente infecciosas de fauna selvagem.” Dos valores apresentados pela equipa, o investigador sublinha que, passadas várias décadas, cerca de 40% das espécies que sofreram declínio continuam a ser afectadas pela doença.

Gonçalo M. Rosa esclarece que não é “fácil atribuir uma doença como único responsável pela extinção de uma espécie.” Ou seja, a quitridiomicose pode contribuir para a extinção de uma espécie em conjunto com outros factores de pressão como a destruição de habitat, as alterações climáticas ou espécies invasoras.

Um caso de uma espécie “presumivelmente extinta” e analisada neste trabalho é a rã-dourada-do-panamá (Atelopus zeteki). Apesar de se fazerem buscas frequentes, esta rã não é detectada na sua zona de ocorrência desde 2006. “O seu desaparecimento coincidiu com a chegada do quitrídio à sua área de distribuição.”

Ben Scheele assinala que só na Austrália 40 espécies de rãs diminuíram as suas populações devido a esta doença nos últimos 30 anos. “A globalização e o comércio de espécies selvagens são as principais causas desta pandemia global.”

Por sua vez, Gonçalo M. Rosa também indica o comércio e diferentes actividades humanas como os principais responsáveis pela dispersão desta doença. E avisa: “Fracas ou inexistentes medidas de biossegurança acabam também por colocar em risco a saúde humana, permitindo uma chegada fácil de certos agentes patogénicos a lugares e populações nunca antes expostos e, por isso, sem quaisquer defesas naturais.”

E em Portugal?

Quanto a Portugal, o primeiro surto registado de quitridiomicose foi observado na serra da Estrela em 2009 e causou o declínio de cerca de 70% da população do sapo-parteiro (Alytes obstricans) nas zonas mais elevadas da serra. Até agora, devido a esta doença, não se extinguiu nenhuma espécie em Portugal.

E o que se pode fazer para se minimizar os efeitos desta doença? “Temos de fazer tudo o que for possível para parar futuras pandemias fazendo um melhor controlo do comércio de espécies selvagens em todo o mundo”, responde Ben Scheele no comunicado. Para se reduzir o risco de dispersão desta doença, Gonçalo M. Rosa indica que é urgente tomar medidas de biossegurança efectivas, assim como um maior controlo do comércio de espécies.

O investigador explica que é possível curar a doença em laboratório com banhos com soluções antifúngicas (por exemplo), mas que este método não pode ser usado em populações selvagens. “Várias formas de mitigar o problema na natureza têm sido testadas, mas com pouco sucesso até à data”, lamenta. “É necessário um maior investimento nesta área bem como na monitorização de populações selvagens.”

Gonçalo M. Rosa adianta ainda que é difícil documentar o declínio de populações de anfíbios porque a monitorização de populações selvagens é rara antes de os surtos serem detectados. “Uma boa vigilância e seguimento contínuo do estado de saúde das populações é crucial, permitindo a detecção subclínica de doenças e adopção atempada de medidas de gestão e conservação.”


Mas a preocupação de Gonçalo M. Rosa não se resume à quitridiomicose. “A crescente emergência de doenças infecciosas apresenta-se como um dos maiores riscos do século para a saúde pública, segurança alimentar e a biodiversidade”, assinala. “Este aumento sem precedentes de doenças frequentemente promovido pela globalização, bem como a degradação do meio ambiente, é agora reconhecido como um dos principais impulsionadores da perda de biodiversidade em todo o mundo.”


Além da quitridiomicose, nos anos 90 houve em Portugal um surto de ranavirose (doença causada pelo ranavírus) no Parque Nacional da Peneda-Gerês que levou à morte de centenas de tritões e de outros anfíbios. No final de 2011, a ranavirose também emergiu na Serra da Estrela. “A partir desse ano, várias foram as espécies que sofreram declínios no parque natural vendo as suas populações reduzidas. Na verdade, a Península Ibérica é a região mais afectada da Europa tendo em conta o impacto da emergência das formas letais de ambas as doenças: a quitridiomicose e a ranavirose.”

Mesmo assim, o investigador frisa um dos resultados do trabalho na Sciencecomo uma “luz ao fundo do túnel”: ainda que lentamente, 12% das espécies de anfíbios que sofreram declínio estão a mostrar sinais de recuperação.

segunda-feira, 15 de abril de 2019

"O colapso dos insetos", por José Alberto Quartau

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Os insetos atuais, que se estima totalizarem entre cinco a dez milhões de espécies, constituem os macrorganismos terrestres com maior sucesso evolutivo, sendo cruciais para o normal funcionamento dos ecossistemas. Sobreviveram, renovando-se, às extinções em massa, estão no centro das cadeias tróficas, mantêm e regulam as populações da maioria das plantas pela polinização e pela fitofagia, e, entre outras funções, estão ainda envolvidos na reciclagem da matéria orgânica. São, assim, peças fundamentais para a manutenção da vida tal como hoje a conhecemos.

Porém, apesar da sua dominância em biodiversidade, resiliência evolutiva e cruciais funções ecológicas, paradoxal e surpreendentemente os insetos parecem hoje enfrentar a maior extinção de sempre. Se bem que algum decréscimo populacional se tenha revelado já em meados do século passado, é ultimamente que têm sido cada vez mais frequentes e alarmantes os alertas sobre o declínio silencioso mas galopante das suas comunidades a nível mundial. Entre muitas notícias de teor catastrófico, que têm surgido nos media, o New York Times resumiu esta matéria num explícito e preocupante título: “The Insect Apocalypse Is Here”.

Com efeito, múltiplas observações conduzidas nos dois últimos decénios, têm mostrado que as comunidades de insetos estão a diminuir rapidamente e em proporções alarmantes em todas as áreas geográficas, calculando-se que cerca de 40% da entomofauna mundial esteja atualmente em declínio e cerca de um terço das espécies esteja ameaçado. Por exemplo, na Alemanha a biomassa da sua entomofauna tem decaído abrupta e consideravelmente, incluindo os polinizadores como as abelhas, as borboletas e os sirfídeos. Mesmo as reservas naturais alemãs não foram poupadas, como cientistas da Universidade Técnica de Munique e do Instituto Entomológico de Senckerberg denunciaram. Nas palavras do diretor deste Instituto, Thomas Schmitt, que foi aluno Erasmus nesta Faculdade, “Our study reveals, through one detailed example, that even official protection status can’t really prevent dramatic species loss.”

Em Inglaterra, a Zoological Society of London publicou há algum tempo um estudo que igualmente concluia que os insetos estavam em declínio severo, afetando as populações de muitos vertebrados, bem como os serviços prestados pelos ecossistemas, de que se releva a polinização.

Também no nosso país a perda na biomassa dos insetos tem sido até constatada pelo público em geral, através do chamado windscreen phenomenon, i.e., a quantidade de insetos mortos e aderentes aos pára-brisas dos automóveis e que marcadamente tem vindo a diminuir. De facto, a nossa entomofauna está a regredir um pouco por toda a parte, como mostram observações em diversos grupos, para além das abelhas. Como alertámos algures (**), no que respeita à nossa entomofauna florestal, “...thousands of insect species associated with the ground, herbaceous and bush layers are being put under the risk of extintion”. Por exemplo, em cigarras e afins (Cicadomorpha), insetos considerados bons indicadores ecológicos e de que tenho dados coligidos ao longo dos últimos decénios, é manifesto o seu declínio. Euryphara contentei Boulard, 1982, hoje reduzida a populações vestigiais em biótopos muito localizados no Alentejo, é uma das espécies mais ameaçadas no nosso país. Também Tettigettalna mariae(Quartau & Boulard, 1995), cigarra que só existe praticamente na área central do Algarve, tem perdido efetivos populacionais consideráveis nas últimas décadas, à semelhança de outras cigarras de distribuição localizada.

Para além da Europa, praticamente em todos os continentes a abundância e diversidade dos insetos está também a declinar consideravelmente. Mesmo nas florestas tropicais, como revela um estudo em Porto Rico publicado nos Proceedings of the National Academy of Sciences, também a biomassa tem diminuído significativamente nos insetos (bem como em miriápodes e aracnídeos). Como seria de esperar, por um efeito em cascata, tais perdas refletem-se também em declínios populacionais dos predadores, como répteis, batráquios e aves.

Porquê este declínio? Fundamentalmente é um fenómeno decorrente das nossas práticas agrícolas ecologicamente ofensivas (monocultura intensiva), por regra com o recurso abusivo a pesticidas e herbicidas, que eliminam não só as espécies alvo mas indiscriminadamente todos os insetos e a maioria das flores selvagens. Equivalente situação acontece com o meio florestal, onde o solo e os estratos herbáceo e arbustivo do subcoberto, de grande riqueza em biodiversidade entomológica, têm sido igualmente atingidos por práticas desadequadas, nomeadamente pela luta química, sobrepastoreio e lavragens ou remoções exageradas (*,**).

A estas práticas agro-silvícolas agressivas, há a acrescentar a urbanização intensa e desordenada, para além das alterações climáticas, tudo isto, enfim, conduzindo à destruição do habitat e dos recursos para a sobrevivência dos insetos.


A gravidade deste problema global é que os insetos estão na base da sustentabilidade dos ecossistemas terrestres, que tantos serviços nos prestam a preços nulos. Só a polinização pelos insetos é responsável por mais de um terço na produção agrícola mundial e pela sobrevivência de mais de 90% das plantas selvagens. Isto significa que o presente depauperamento em curso da biomassa entomológica, a não ser travado, poderá despoletar uma catástrofe ecológica mundial, que certamente nos afetará gravemente através de repercussões económicas e sociais inimagináveis.

Por tudo isto, são urgentes medidas corretivas que impeçam este desastre ecológico verdadeiramente mundial. Para além duma eficaz sensibilização do público, e residindo as principais causas deste problema nas atuais práticas agrícolas e silvícolas abusivas, como atrás se refere, urge alterar drasticamente tais procedimentos, de modo a torná-los amigos do ambiente. A agricultura biológica deve ser encorajada e generalizada, a par da manutenção de mosaicos de vegetação natural, bem como uma gestão florestal que não ponha em risco a biodiversidade associada ao solo e aos estratos herbáceo e arbustivo (*, **).

Torna-se urgente e imperativo travar e reverter todo este processo de destruição. Amemos ou odiemos os insetos, o certo é que será difícil sobrevivermos sem eles.
Referências:
(*) Quartau, J.A. (2009). Preventative fire procedures in Mediterranean woods are destroying their insect Biodiversity: a plea to the EU Governments. Journal of Insect Conservation, 13:267-270. DOI 10.1007/s10841-008-9177-y.
(**) Quartau, J.A. & Mathias, M.L. (2010). Insects of the understorey in Western Mediterranean forest landscapes: a rich biodiversity under threat: In Harris, E.L. & Davies, N.E. (eds.). Insect Habitats: Characteristics, Diversity and Management, pp.: 133-142. Nova Science Publishers, Inc. New York, 203 p.

Texto por
José Alberto Quartau, professor do Departamento de Biologia Animal e investigador do cE3c do polo de Ciências ULisboa

domingo, 14 de abril de 2019

The Best Technology for Fighting Climate Change Isn't a Technology: It's Forests

Forests are the most powerful and efficient carbon-capture system on the planet
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The latest IPCC report does not mince words about the state of our planet: we must act now to achieve global change at a scale that has “no documented historical precedent” in order to avoid the climate catastrophe that would result from a 2 degree C rise in average global temperature. Climate change already disproportionately affects the world’s most vulnerable people including poor rural communities that depend on the land for their livelihoods and coastal communities throughout the tropics. Indeed, we have already seen the stark asymmetry of suffering resulting from extreme weather events, such as hurricanes, floods, droughts, wildfires and more.

So far, advocates and politicians have tended to focus on reducing fossil fuel consumption through technology and/or policy, such as a steep carbon tax, as climate solutions. These proposals are, of course, essential to reducing manmade carbon emissions—71 percent of which are generated by just 100 fossil fuel companies. For this reason, fossil-fuel–related emissions reductions rightly figure heavily in the national climate commitments of the 181 nations that signed the global Paris Agreement.

Yet the international focus on fossil fuels has overshadowed the most powerful and cost-efficient carbon-capture technology the world has yet seen: forests. Recent scientific research confirms that forests and other “natural climate solutions” are absolutely essential in mitigating climate change, thanks to their carbon sequestering and storage capabilities. In fact, natural climate solutions can help us achieve 37 percent of our climate target, even though they currently receive only 2.5 percent of public climate financing.

Forests’ power to store carbon dioxide through the simple process of tree growth is staggering: one tree can store an average of about 48 pounds of carbon dioxide in one year. Recent research shows intact forests are capable of storing the equivalent of the carbon dioxide emissions of entire countries such as Peru and Colombia.

For this reason, policy makers and business leaders must create and enforce ambitious policies and incentives to prevent deforestation, foster reforestation of degraded land, and support the sustainable management of standing forests in the fight against climate change. Protecting the world’s forests ensures they can continue to provide essential functions aside from climate stability, including producing oxygen, filtering water and supporting biodiversity. Not only do all the world’s people depend on forests to provide clean air, clean water, oxygen, and medicines, but 1.6 billion people rely on them directly for their livelihoods.

Unfortunately, we are fighting a crisis of deforestation, much of it driven by conversion to agricultural lands to produce a handful of resource-intensive commodities, despite zero-deforestation commitments from companies and governments. With increasing atmospheric carbon dioxide, insufficient emissions reductions and continued high rates of deforestation, urgent action is needed to avoid the worst effects of climate change.

Now is the time to increase investment in and attention to forest protection and restoration. In doing so, we will also address a number of other pressing global issues.

For example, increasing tree cover can help address the problem of food security in many areas. Trees can enhance farm productivity and provide farmers with another source of revenue through the sale of fruits, nuts or timber—all while storing carbon dioxide. It is estimated that increased investment in the multi-strata agroforestry area could help sequester up to 9.28 gigatons of carbon dioxide, while saving a net $709.8 billion by 2050. In production landscapes where large-scale tree cover increases are difficult, agroforestry serves as an attractive compromise.

And in less-developed, rural areas—especially in the tropics—community-based sustainable forest management programs can provide pathways out of poverty. In the Petén region of Guatemala, for instance, community-managed forests have boasted a near-zero deforestation rate over the past 14 years, as compared to 12 percent in nearby protected areas and buffer zones. These communities have built low-impact, sustainable forest-based businesses that have bolstered the economy of the region enough to fund the creation of local schools and health services. Their success is especially poignant in a region otherwise besieged by deforestation; outside the community-managed zones, deforestation rates increase by 20x.

Finally, landscape restoration promises an unparalleled return on investment, in terms of ecosystem services and carbon sequestered and stored. Landscape restoration could potentially sequester up to 1.7 gigatons of carbon dioxide every year, according to the International Union for Conservation of Nature. Reforestation projects can also intersect neatly and positively with human systems—restored forests provide a renewed resource base and new economic opportunities for communities.

There is good work being done on this front already. The Bonn Challenge, issued by world leaders with the goal of reforestation and restoration of 150 million hectares of degraded landscapes by 2020, has been adopted by 56 countries. Many governments and groups pledged to halve global deforestation by 2020 through the New York Declaration on Forests. And in an exemplary display of public-private sector cooperation, the Cocoa and Forests Initiative in Cote d’Ivoire and Ghana aims to end deforestation from cocoa cultivation.

With world leaders gathering in December for their yearly U.N. climate talks, the time is ripe for concrete action on forests and natural climate solutions. World leaders now have the opportunity to make big gains on climate by dramatically ramping up their investment in proven, natural solutions. More trees in the ground. More reforestation projects. More sustainable forestry. More avoided deforestation through sustainable agriculture and certified crops.

sexta-feira, 12 de abril de 2019

Conheça a Blue Java, a banana azul com textura de sorvete e sabor de baunilha

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Parece coisa de peça publicitária enganosa, mas não é. Realmente existe uma banana com textura bastante semelhante a sorvete, sabor de baunilha e cor azulada; e o nome dela é banana Blue Java. Esta que podemos considerar uma “prima de segundo grau” da banana que conhecemos no Brasil, pode ser facilmente encontrada no Havaí, na Oceania e em alguns países das Américas Central e do Sul.

A planta da Blue Java tem uma aparência de chamar a atenção de qualquer um, alcançando até seis metros de altura e com frutos maiores que os das bananeiras que conhecemos no Brasil. A fruta é mais azul quando nova, depois vai perdendo a coloração e adquirindo uma tonalidade mais pálida.
Não há um consenso sobre a origem da banana Blue Java, porém, de acordo com a Sociedade Internacional da Banana, a variedade teve seus primeiros registros de cultivo na Índia, e posteriormente foi exportada para outros países.


Com certeza, enquanto lia este texto, você deve ter se animado em experimentar a banana azul com textura de sorvete e sabor de baunilha, mas a Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – infelizmente não traz boas notícias. No Brasil, a banana Blue Java ainda é difícil de ser encontrada, e a opção é visitar os países em que ela é comercializada.

quarta-feira, 10 de abril de 2019

Perdem “saúde”, “educação” e a “infância”. Milhões de crianças em risco no Bangladesh por causa das alterações climáticas

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O relatório divulgado pela UNICEF refere que, embora o país tenha melhorado a sua resistência às alterações climáticas, a sua “topografia plana, densidade populacional e fracas infraestruturas tornam-no vulnerável a cheias, ciclones e outras calamidades ambientais”. As crianças, que representam 40% da população, são das mais afetadas, perdendo o acesso à educação e à saúde.

Mais de 19 milhões de crianças encontram-se em risco devido a desastres relacionados com as alterações climáticas no Bangladesh, alertou esta sexta-feira o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

O relatório divulgado pela agência refere que, embora o país tenha melhorado a sua resistência às alterações climáticas, a sua “topografia plana, densidade populacional e fracas infraestruturas tornam-no vulnerável a cheias, ciclones e outras calamidades ambientais”. E as crianças, incluindo as da minoria muçulmana rohingya que fugiram de Myanmar (antiga Birmânia) e vivem em campos na zona sul do país (representam 40% da população total do Bangladesh), serão das mais afetadas. Quase 12 milhões encontram-se numa situação de grande vulnerabilidade face às frequentes inundações num país que tem uma quinta parte do seu território ocupado por rios e afluentes. “O perigo é extremo e é-o durante todo o ano”, refere Simon Ingram, autor do relatório, citado pela “Al Jazeera”.

As maiores cheias das últimas décadas no país deram-se em 2017, afetando cerca de oito milhões de pessoas. Pelo menos 480 clínicas de saúde ficaram inundadas, assim como quase 50 mil poços, essenciais para as comunidades que deles extraem água para as suas necessidades diárias.

O relatório alerta ainda para os riscos que correm as cerca de 4,5 milhões de pessoas que vivem nas zonas costeiras, frequentemente afetadas por ciclones, e outras cerca de três milhões que vivem no interior e têm de lidar com períodos de seca cada vez mais frequentes e intensos. “No Bangladesh, e também noutras partes do mundo, as alterações climáticas podem vir a reverter anos e anos de ganhos no que diz respeito à sobrevivência das crianças”, afirmou, por sua vez, a diretora-executiva da UNICEF, Henrietta Fore, a quem preocupam sobretudo as comunidades mais pobres, que não têm condições para lidar com quaisquer adversidades relacionadas com o clima, e as comunidades que, não o sendo, para lá caminham.

São citados dados no documento que indicam que o número de migrantes climáticos do Bangladesh irá passar dos atuais seis milhões para o dobro em 2050 e é dado um aviso: as famílias mais pobres vão continuar a abandonar as suas casas e comunidades para tentar sobreviver noutros sítios, nomeadamente em Dhaka, capital do país, onde as crianças acabam muitas vezes por cair em redes de exploração laboral (ou patrões que simplesmente as exploram), abusos variados e casamentos forçados. “Quando as famílias saem das suas casas por causa das alterações climáticas, as crianças perdem, efetivamente, a sua infância”, referiu o representante da UNICEF no Bangladesh, Edouard Beigbeder.

Os 10 mais ricos do país só criam 1,3% dos empregos

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As 10 famílias mais ricas de Portugal, com um património conjunto superior a 14 mil milhões de euros, dão emprego a apenas 65 mil pessoas no país, 1,3% do total de 4,8 milhões de trabalhadores portugueses. A fortuna da maioria destes grupos empresariais está hoje assente em operações no estrangeiro. "Todos têm negócios fora do país, são grandes empresas a nível internacional e grande parte da riqueza é feita no exterior", sublinha o economista João Cerejeira. Exemplos são o grupo Amorim, a Jerónimo Martins ou a Farfetch.

terça-feira, 9 de abril de 2019

Quer ajudar os ouriços que vivem na cidade? Saiba como



São pequenos e tímidos, têm hábitos nocturnos e por isso é fácil não dar por eles, mas os ouriços-cacheiros vivem tanto no campo como na cidade. Verónica Bogalho, do LxCRAS – Centro de Recuperação de Animais Silvestres de Lisboa, diz-lhe como pode dar uma mão a estes discretos mamíferos.

Tem um pequeno logradouro ou jardim ou até mesmo uma horta? Então pode ser que os ouriços-cacheiros (Erinaceus europaeus) lhe façam visitas regularmente, mesmo dentro de grandes cidades como Lisboa, afiança a bióloga do LxCRAS. “Existem muitos ouriços em Lisboa”, disse à Wilder. Contas feitas, dos quase 250 ouriços que entraram no centro coordenado pela câmara municipal lisboeta durante os últimos cinco anos, a maioria veio do concelho, seguindo-se os concelhos de Oeiras, Almada e Sintra.

Não se trata de uma espécie em risco de extinção, pois é considerada Pouco Preocupante pela União Internacional para a Conservação da Natureza, mas é um dos poucos sinais de vida selvagem em meio urbano. Conheça cinco formas simples de ajudar:


1.Instalar um pequeno recipiente com água: Nos meses de Primavera e de Verão ou quando não chove durante longos períodos, estes animais precisam de água para matar a sede. Instale uma pequena vasilha ou prato com água num canto discreto do seu jardim ou da sua horta, mas tenha cuidado para a água não ser demasiada, para os ouriços não correrem o risco de se afogar.



Foto: Wiki Commons

2.Manter o espaço o mais natural possível: Estes mamíferos têm uma alimentação variada que inclui insectos, caracóis e lesmas, pelo que vão ter mais dificuldade para encontrar alimentos em espaços que são apenas vastos relvados ou onde foram utilizados produtos pesticidas, por exemplo. “É muito importante manter o espaço o mais natural possível”, nota Verónica Bogalho.



Pilriteiro. Foto: Jean-Pol Grandmont.

3.Plantar arbustos com bagas: Arbustos como os pilriteiros e abrunheiros servem como fonte de alimento para estes mamíferos, mas também como abrigo nos meses mais frios do ano ou quando está muito calor. Lembre-se de que os ouriços são criaturas discretas e por isso agradecem um sítio onde se possam sentir em segurança, de preferência um arbusto fechado onde possam ficar escondidos durante o dia, quando estão menos activos.

4.Construir um abrigo: Se em qualquer caso não tiver arbustos, pode erguer um pequeno amontoado de pedras ou mesmo um abrigo com madeiras não tratadas, que tenham espaço disponível para este pequeno mamífero se abrigar. “Tente sempre manter esses locais sossegados”, indica a bióloga do LxCRAS. Quem sabe? Até pode ser que tenha utilidade para o nascimento das crias – o que costuma acontecer na Primavera ou Outono, quando costumam nascer entre 2 a 6 ouriços por ninhada.



Foto: LxCRAS

5. Não deixar os cães à solta: Dos ouriços que recuperam no centro lisboeta de recuperação de fauna silvestre, há casos de animais vítimas de dentadas de cães, mas a verdade é que estes últimos também não ficam em boas condições. “Sabendo que num determinado local há ouriços, não podemos deixar os cães andarem livres sem trela, pois podem abocanhar um ouriço e ficam com picos no focinho”, explica a mesma responsável.

Saiba mais.

Há cada vez mais ouriços a darem entrada no Centro de Recuperação de Animais Silvestres de Lisboa. Saiba porquê.

Recorde também o encontro de Mafalda Ferreira de Lima com um destes simpáticos animais, aqui.