![]() |
| Relvas (à direita) com Marcelo Rebelo Sousa , Couto dos Santos, Cavaco e Passos Coelho |
Terça-feira, 31 de Julho de 2012
Incêndios em Portugal: Onde estás Miguel Relvas?
Quanto aos incêndios, só este ano, com Vítor Gaspar e Paulo Portas, em 2012 tivemos a maior área ardida na última década- Incêndios:o dobro da última década e área ardida triplicou
Onde estás Relvas para, no mínimo visitares, as vítimas da maior área ardida de sempre na última década em Portugal?
Etiquetas:
Floresta,
Fotografia,
Politica
O que é que a biodiversidade das árvores tem a ver com música?
Segunda-feira, 30 de Julho de 2012
45 Dicas para construir uma casa mais sustentável
Selecção do local
Locais pouco expostos ao vento, em particular aos ventos no Inverno
Locais com protecção natural contra o vento, como encostas ou conjuntos de árvores
Terrenos não sombreados por outros edifícios
Ruas com pouco trânsito automóvel
Locais com acesso a transportes públicos
Perto do local de trabalho, podendo assim poupar no uso do automóvel
Perto de comércio local
Integração no local
Utilizar pavimentação exterior que possibilite a fácil infiltração e drenagem da água
Manter os espaços verdes para permitir a evapotranspiração do solo
Evitar o uso de pavimentos betuminosos
Escolher plantas e árvores que se integrem no local
Desenho da casa
Orientar a casa com a fachada maior a Sul
As divisões com a maior utilização orientadas a Sul
As janelas sombreadas pelo exterior, a Sul e principalmente a Poente
Janelas pequenas viradas a Norte
Evitar grandes áreas de janelas
Uma boa iluminação natural em todas as divisões da casa
Janelas em paredes opostas da casa para permitirem ventilação transversal
Construção da casa
Prefira materiais de origem local, como pedras e outros
Materiais de origem reciclada
Materiais certificados ambientalmente
Materiais que possam ser renováveis
Não se esqueça que os materiais têm um tempo de vida limitado e que terão um dia de ser substituídos, opte por soluções de fácil renovação
Madeiras de origem certificada, geralmente com origem em florestas controladas
Isolamento térmico adequado à região, poderá consultar o valor no RCCTE
Caixilharias e vidro que promovam a redução da transmissão de calor e frio
Caixilharias que permitam ventilarem a casa facilmente
Isolamento junto ao solo com materiais que não apodreçam com a humidade
Cores claras na fachada e cobertura
Evitar tintas no interior que emitam COV’s (compostos orgânicos voláteis)
Equipamentos
Lâmpadas de baixo consumo
Candeeiros com regulação da intensidade de luz
Sensores de movimento em zonas comuns do prédio
Electrodomésticos de baixo consumo energético e de água
Aquecimento com equipamentos que utilizam materiais renováveis, como a madeira ou derivados da madeira (biomassa, pelletes)
Arrefecimento com ventoinhas de tecto e/ou equipamentos energeticamente eficientes
Torneiras em que possa ser regulada a quantidade do fluxo de água
Torneiras termostáticas, i.e. com escolha da temperatura desejada
Autoclismos com capacidade entre 4 a 6 litros
Cisternas para aproveitamento de águas pluviais para a rega dos espaços verdes
Energias renováveis
Colectores solares térmicos para aquecimento de águas
Colectores solares fotovoltaicos para micro-produção de electricidade
Míni-turbinas eólicas para micro-produção de electricidade
Resíduos
Contentores ou depósitos com separação de resíduos domésticos
Contentores com aproveitamento de resíduos orgânicos na produção de adubo para os espaços verdes
Fonte Ecoarkitekt
Dossier Arquitectura actualizado
Etiquetas:
Arquitectura,
Design,
Energia,
Geologia,
Lixo Zero,
Sustentabilidade,
Urbanismo
Domingo, 29 de Julho de 2012
Amanhã será a minha vez (no bom sentido)
Há movimentos mundiais que estão a recorrer a referendos a entregar à CEE; há mecanismos legais que a AR/ Parlamentos de cada país pode e deve exigir a fiscalização das actividades, e há uma enorme desinformação (propositada, a meu ver) que evitam a criação de providências cautelares. Além disso não se esqueçam que a mediatização é forte, é chamada infelizmente o 4º Poder. Mas dentro e fora das instituições há "combatentes" fortes. Os seus regimes internos demoram algum (muito) tempo a ser alterados. Há "privilégios" instalados - vencimentos, ligações público-privadas, acesso privilegiado a informação confidencial, etc...
Mas não devemos deixar baixar os braços e enfiar a cabeça na areia, porque é isso que os vilões querem: façam a vossa vida, consumam e trabalhem, deixem os votos e eleições para nós. Isto tem que ser dito e impedido.
Esta crónica é bem ilustrativa disso- Shoots, greens and leaves [Economist, Green Growth, 16 Junho]
Here´s the sound of hope whispering...a hymn for 2012...whatever it goes ahead.
Though some may reach for the stars
Others will end behind bars
What the future has in store no one ever knows before
Yet we would all like the right to find the key to success
That elusive ray of light that will lead to happiness
Tomorrow is my turn
No more doubts no more fears
Tomorrow is my turn
When my luck is returning
All these years I've been learning to save fingers from burning
Tomorrow is my turn
No more doubts no more fears
Tomorrow is my turn to receive without giving
Make life worth living
Now it's my life I'm living
My only concern for tomorrow is my turn
Now the summer is gone, there's another to come
You can't stop years from drifting by even if you want to try
Though time may help you forget all that has happened before
But honey it's too late to regret what is gone will be no more
Tomorrow is my turn
When my luck is returning
All these years I've been learning to save fingers from burning
Tomorrow is my turn
No more doubts no more fears
Tomorrow is my turn to receive without giving
Make life worth living
Now it's my life I'm living
My only concern for tomorrow is my turn
Mais músicas de Nina Simone no Bioterra.
Etiquetas:
Activismo,
Agenda 21,
Agricultura,
Ambiente,
Anarquismo,
Ecoaldeias,
Ecofeminismo,
Liberdade,
Paz,
Poesia,
Psicologia
Sábado, 28 de Julho de 2012
Tempo de perder as Ilusões (?)
Texto de fim de semana: Tempo de perder as Ilusões (?)
Escreve Elísio Estanque no seu mural: "Deixo-vos a leitura do economista Jorge Bateira. O problema é também este: e então, a solução é a saída do euro? Ou antes devemos insistir para que a Europa (com ou contra a vontade da Alemanha) avance decididamente para uma verdadeira politica economica comum? Isso requer ou não federalismo político e económico? Devemos exigir a eleição direta dos comissários europeus? Lutar para por um senado e um governo europeu?"
A opinião que António Viriato deu é para mim a mais relevante e passo a transcrever:
"Retomando a questão, diria que, hoje, quase ninguém acredita em utopias políticas, havendo todas falhado. Daí o enorme desespero presente, porque o Homem precisa de crer em utopias, políticas, religiosas ou outras. De contrário, cai no consumismo infrene, agora impossibilitado pela crise económica, pela austeridade sobrevinda. Talvez só uma Regeneração de base ética possa atrair de novo o empenho das pessoas. Mas tal movimento, se não surgirá do nada, tampouco poderá vir daqueles que já por diversas vezes decepcionaram, delapidando o crédito político que lhes foi concedido. Em todo o caso, só um movimento de vontades de cidadãos desligados de vínculos partidários, deles emancipados, mas dotados de organização, para não se cair em anarquias improdutivas, me parece possível de retirar da descrença e do pessimismo a grande massa da população. Resta saber quem estará em condições de encabeçar esse movimento regenerador...(obrigado António Viriato)
A mesma energia destes japoneses [ouvir supercoming part 1 (star)] , o anacronismo da bateria com os samplers de sons da natureza. Uma criatividade surpreendente, porque ecotecnológica e primitivista urbano!
Etiquetas:
Activismo,
Agenda 21,
Ambiente,
Anarquismo,
Arte,
Blogosfera,
Economia,
Fotografia,
Musica,
Politica
Sexta-feira, 27 de Julho de 2012
Foto video do dia- O silêncio mortal da radioactividade
Últimas Notícias:
exposição Michael Kenna à la BNF, Paris
wikipedia Michael Kenna
página oficial
1. A ideologia consumista e da obsolescência programada é talvez o maior erro pós anos 60.
Exemplo concreto e do mais recente disso mesmo é o que afirma Marc Faber, que foi comunicado a mim pelo meu amigo António Maria: 70% a economia americana é consumo; e 70% do consumo são serviços.... Logo uma recessão na China terá um impacto muito maior do que uma recessão nos EUA [Fonte: RT]
2.BOMBA Mundial- É tão bom "brincar" aos empresários com o dinheiro de todos, não é?
Escândalo LIBOR: JPMorgan Chase and Co. (JPM), Citigroup Inc. (C) and Bank of America Corp. acabam de ser avisados por um congressista republicano do Texas de que vão ter que responder pela manipulação das taxas LIBOR.[Fonte: Zero-Hedge]
![]() |
| Ratcliffe Power Plant por Michael Kenna |
wikipedia Michael Kenna
página oficial
Etiquetas:
Ambiente,
Bioética,
Consumismo,
Economia,
Energia,
Fotografia,
Jornalismo,
Nuclear,
Psicologia,
Publicidade,
Teledisco
Quinta-feira, 26 de Julho de 2012
Orangotangos e Economia de "Gestão" Florestal Sustentável em Sumatra
Acção Internacional: Salve a vida dos orangotangos Bornéu [assina e divulga a petição]
O que vale mais? O lucro ou a vida de quase cinco mil orangotangos? Um tribunal na Indonésia tem que responder esta pergunta, porque a empresa britânica de mineração Churchill Mining quer explorar um mina de carvão que foi descoberta no Parque Nacional de Kutai. Mas é exatemente aqui onde morram mais de 2000 orangotangos-de-bornéo, o projeto vai pôr a vida dos animais em perigo.
A sobrevivência dos primatas em extinção está directamente relacionada com as áreas protegidas como o Parque Nacional de Kutai. Aqui eles encontram um refúgio de mais ou menos 200.000 hectares, onde vivem juntos com outras espécies ameaçadas, como os Ursos-malaios ou os Panteras-nebulosas.
A desflorestação é responsável por aproximadamente 17% das emissões globais de gases de efeito estufa e, portanto, um dos principais contribuintes para as alterações climáticas, mas também responsável pela perda de biodiversidade e serviços ambientais e uma ameaça direta para os grandes primatas da Ásia - o orangotango. Entre 2005-2010, a Indonésia acelerou a perda da floresta em comparação com 2000-2005 e está dentro dos cinco países com mais perda de floresta primária em todo o mundo.
Grande parte da desflorestação é causada por ambos os ganhos ilegais e económicos a curto prazo, muitas vezes comprometendo as metas de longo prazo de desenvolvimento. O relatório da UNEP quantifica os trade-offs para o orangotango e clarifica as formas mais vantajosas do uso da terra a favor da sustentabilidade, e considera o papel de Redução de Emissões por Desflorestação e Degradação (REDD) e a ampliação de medidas do programa Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) como esquemas de atingir a conservação equilibrada e os objectivos de desenvolvimento, evitando a extinção do orangotango.
Etiquetas:
Activismo,
Alterações Climáticas,
Antropologia,
Biologia,
Desertificação,
Documentários,
Economia,
Energia,
Evolução,
Floresta
Quarta-feira, 25 de Julho de 2012
Cartoon - evolução humana pós-nucelar
Últimas Notícias
2. Japão retoma atividades nucleares com reativação de central, apesar de forte contestação social [Economia, 1 de Julho]
3.O fim do nuclear na Alemanha: Ano – 1, Acção – 0 [Público, 12 de Junho]
Dossiê Nuclear (do BioTerra) actualizado
1.Energia nuclear ocupa 13,4% da matriz elétrica mundial.Segundo novo relatório elaborado pela Agência de Energia Nuclear (NEA, na sigla em inglês). No entanto, o documento aponta que a fatia tem caído comparado ao crescimento da geração de electricidade no mundo.
O levantamento indica que em 2011, o número de novos projectos nucleares em construção se reduziu para quatro, diante dos 16 que estavam em andamento em 2010. Essa redução, aponta o estudo, é um possível reflexo do acidente na central Fukushima Daiichi combinado à crise económica mundial. [Fonte:Actividades Nucleares18 de Julho]

3.O fim do nuclear na Alemanha: Ano – 1, Acção – 0 [Público, 12 de Junho]
Terça-feira, 24 de Julho de 2012
Documentário da Semana: "Farmer to Farmer. The truth about GM crops" - "De Agricultor para Agricultor. A verdade sobre as culturas transgénicas" -, de Michael Hart.
Esta postagem é a minha contra-resposta possível à ingerência do embaixador norte-americano em Portugal, que contestou a zona livre de transgénicos nos Açores, ainda em Janeiro de 2012 [Ecosfera]. Esta postagem é a minha homenagem aos agricultores, investigadores e permacultores e assalariados do mundo agrícola português que defendem um bem público: as sementes. Deviam ser Livres!
Última Hora:
O Tribunal de Justiça da União Europeia confirmou a 12 de julho a proibição da comercialização de variedades de sementes tradicionais e diversificadas que não estejam listadas no catalogo oficial da União Europeia. O partido dos verdes belga Ecolo propõe uma reforma da regulamentação, qualificando-a de "absurda. [Zona Livre de OGM]
P.S.1. Afinal a versão no Blip, colocada na própria plataforma Transgénicos Fora foi precisamente hoje retirada. Amanhã irei tentar perceber o que aconteceu. Há de facto "censura".
P.S. 2. Foi novamente reposta a versão Blip.
P.S.1. Afinal a versão no Blip, colocada na própria plataforma Transgénicos Fora foi precisamente hoje retirada. Amanhã irei tentar perceber o que aconteceu. Há de facto "censura".
P.S. 2. Foi novamente reposta a versão Blip.
Dez anos após a introdução dos ogm nos EUA, o pequeno produtor de agro-pecuária e activista da agricultura familiar que produziu este filme, Michael Hart percorreu os EUA entrevistando outros agricultores que produziram ogm e vários especialistas.
São cerca de 23 minutos de demonstração realista, no campo, de muitas das falsas vantagens dos ogm alardeadas pelas multinacionais interessadas em evitar precauções fundamentais quando se trata de produzir alimentos e de interferir com os equilíbrios ambientais.
Recomendamos este documentário especialmente aos agricultores e produtores pecuários que já plantaram ou usaram alimentos geneticamente modificados.
Os valores da vida e da saúde humana têm de prevalecer sobre o lucro financeiro de empresas privadas, por mais poderosas que aparentem ser.
Etiquetas:
Agricultura,
Alimentação,
Biografias,
Biotecnologia,
Blogosfera,
Documentários,
Economia,
OGM,
Saúde
Segunda-feira, 23 de Julho de 2012
Documentários da Semana- "Dinheiro como Dívida" e/ou "Manual de Desobediência Económica"
Super-ricos “escondem” mais de 17 biliões de euros em paraísos fiscais
Há um “enorme buraco negro” na economia mundial: as fortunas privadas mantidas em paraísos fiscais. Até agora não se sabia quantificar o tamanho desse “buraco”. Mas neste domingo foi divulgado um estudo que revela que a elite internacional de “super-ricos” preserva em paraísos fiscais pelo menos 21 biliões de dólares (17,3 biliões de euros).[Público].
O UBS, o Credit Suisse e o Goldman Sachs são os três bancos privados que gerem mais activos em offshores, em todo o mundo, ainda de acordo com o mesmo estudo.
Duas perspectivas sobre dinheiro: divergentes, convergentes ou coevolução, para a felicidade do Ser vivente?
1. Um importante vídeo didático sobre a origem do dinheiro. Legendado em português.
2. A Desobediência Económica
Podes descarregar (em pdf castelhano) o manual da desobediência económica.
Há um “enorme buraco negro” na economia mundial: as fortunas privadas mantidas em paraísos fiscais. Até agora não se sabia quantificar o tamanho desse “buraco”. Mas neste domingo foi divulgado um estudo que revela que a elite internacional de “super-ricos” preserva em paraísos fiscais pelo menos 21 biliões de dólares (17,3 biliões de euros).[Público].
O UBS, o Credit Suisse e o Goldman Sachs são os três bancos privados que gerem mais activos em offshores, em todo o mundo, ainda de acordo com o mesmo estudo.
Duas perspectivas sobre dinheiro: divergentes, convergentes ou coevolução, para a felicidade do Ser vivente?
1. Um importante vídeo didático sobre a origem do dinheiro. Legendado em português.
2. A Desobediência Económica
Podes descarregar (em pdf castelhano) o manual da desobediência económica.
Etiquetas:
Anarquismo,
Economia,
Globalização,
Justiça,
Liberdade,
Pobreza,
Politica,
Sustentabilidade
Domingo, 22 de Julho de 2012
A austeridade é uma ideologia do fascismo sem campos de tortura
MENTIROSOS VÃO EMBORA Aldeias de Portugal
"Eu nem tenho televisão, mas gosto de ligar o rádio e que raio de notícia falsa haveria eu de ouvir logo ao acordar! Mentirosos!
Diziam eles que um senhor, um tal de António Borges, dizem que até tem prestígio lá para o estrangeiro, afirmou que é urgente baixar os salários em Portugal! São mesmo mentirosos! Ainda por cima diziam que o tal senhor, o tal António Borges, ganhou o ano passado 225.000 euros livres de impostos! Mentirosos! Tenho 82 anos, ainda cavo o campo, apanho a lenha, faço a comida no pote e nunca recebi um tostão de ninguém e, apesar da idade, continuo a acreditar na humanidade! Se fecharam as escolas cá da aldeia é porque é o melhor para nós. Se fecharam os centros de saúde cá da aldeia é porque existem coisas melhores lá para as cidades. Se nos baixaram as reformas, que já nem para os medicamentos davam, é porque não tiveram hipóteses. Se já não nos pagam a ambulância para irmos ao médico quando nos sentimos mal, é porque morrer fica mais barato. Se dizem tal coisa deste senhor, das duas uma: ou estão a mentir ou pessoas como estas são piores que o Hitler.
Vou mas é desligar o rádio e morrer em paz, pois já não há quem aguente esta gentalha."
Texto e Imagem 2
Do Eduquês para o Economês A Educação do Meu Umbigo
"[...]Tudo isso tem, pois, um preço que não passa «apenas» pelo aumento catastrófico do desemprego dos professores. Esse preço a pagar será o seguinte: mais ensino de massas e menos educação inclusiva; ingovernabilidade dos mega-agrupamentos superlotados, que estarão condenados a uma gestão distante e impessoal; condições deploráveis para prestar apoio pedagógico individualizado a alunos e assistência personalizada a encarregados de educação; impossibilidade de muitos alunos optarem por vias alternativas profissionalizantes; insustentável deterioração do ambiente da sala de aulas; agravamento, para níveis nunca antes vistos, da indisciplina e da violência escolar entre alunos e entre alunos e professores — situação que, aliás, será potencializada pela grave crise económica e social que o país atravessa; e ainda menos acesso dos adultos à formação escolar.
É verdade que o ministro terá, entretanto, avaliado as consequências trágicas das suas políticas e procurado emendar a mão com duvidosas medidas avulsas de última hora. Mas os erros grosseiros já estavam cometidos…
Porque está em causa, talvez como nunca, o futuro da escola pública, é preciso reagir. É preciso que os professores, os pais e todos aqueles que ainda se preocupam com a qualidade da educação façam implodir esta política educativa. Caso contrário, esta política educativa acabará por fazer implodir o país."
Levantai do chão! Em Madrid o Povo está mais unido que nunca.
Em Londres o Povo está mais Unido do que nunca. A 15 de Junho fizeram a maior Greve desde 1982 nos Transportes Publicos dos Autocarros e na semana seguinte obrigaram até o Metro fechar porque são muitas pessoas a usa-lo. Os gregos têm razão. Os espanhóis não abrandam na contestação. Os cortes (se existem) são para TODOS! A austeridade é uma ideologia do fascismo sem campos de tortura.
Etiquetas:
Activismo,
Agenda 21,
Agricultura,
Ambiente,
Arte,
Desertificação,
Ensino,
Globalização,
Mobilidade,
Pobreza,
Poesia,
Politica,
População,
Segurança,
Sustentabilidade
Waste and Glass (Resíduos e Vidro) de Philip Glass e Companhia de dança Conny Jassen
Esta peça foi criada por Conny Janssen com Philip Glass, diretor do Cello Octet Conjunto Ibérico, que combina dança com música ao vivo. 8 dançarinos e 8 músicos, violoncelistas, se reúnem para criar e Resíduos de vidro.
Este trabalho está definido num espaço um tanto peculiar, já que eles estão todos juntos numa fábrica, músicos e dançarinos, que teve de ser um desafio para refinar os instrumentos e localizar posições num espaço tão grande como este.
Neste "livro" nós vemos a repetição de peças, até que leva a outra coisa. Você pode ver como a música e a dança nascem juntos na mesma direção.
O uso de objetos como colchões, patins ou patinetes colocam um ponto de dificuldade e risco na coreografia, mas também torna-o mais interessante e surpreende o espectador, fazendo com que a "leitura" seja mais agradável e intensa.
Por vezes há uma sensação de silêncio e dor expressa quando o bailarino parece que vem sozinho, mas não se aplica este raciocínio. Olhe bem leve, os bailarinos parecem penas.
"Resíduos e vidro" é uma peça única e original jogado com várias técnicas como o silêncio, objetos, sentimentos, música, dançarinos, etc.
Conny Janssen nasceu em Roterdão, na Holanda, em 1958. Em 1982, ele completou seus estudos como bailarino na Dança Rotterdam Academy. É hoje conhecida mundialmente como um coreógrafo e bailarino para suas realizações. Em 1988 ele fez sua estreia coreográfica "The Undertow", e continuou deixando sua marca na coreografia de dança holandesa, com uma série de obras surpreendentes e, alcançando reconhecimento internacional em 1991 com "Eloi Eloi". Como resultado desse sucesso, o produtor Wim Visser proposta de fundar a empresa Conny Janssen dança contemporânea CONNY danst JANSSEN.
Etiquetas:
Activismo,
Arte,
Biografias,
Musica,
Paz
Sábado, 21 de Julho de 2012
Stereolab & Nurse With Wound- Simple headphone mind
Simple Headphone Mind é a segunda colaboração entre Stereolab e Nurse With Wound.. Como no seu primeiro lançamento, Crumb Duck, Stereolab gravou a faixa de base e, em seguida, entregou a Steven Stapleton para fazer o que quisesse. Ao contrário de Crumb Duck , os ouvintes podem ouvir a gravação Stereolab original, como foi emitida sob o título The Long Hair of Death num single único com Yo La Tengo, esta versão também foi destaque no álbum de compilação Aluminum Tunes do Stereolab.
Novamente, como com Crumb Duck, o lançamento foi uma edição limitada. Havia entre 800 e 1000 discos compactos (a NWW e sites Stereolab discordam sobre números) e 4000 discos de vinil, em torno dos quais 1000 eram em vinil amarelo. Todas as cópias vinham numa luva metálica selada.
"Simple Headphone Mind" foi nomeado após a canção de krautrock grupo Alcatraz do álbum Vampire State Building. Alcatraz também estavam na lista dos membros do Nurse With Wound.
Etiquetas:
Anarquismo,
Filosofia,
Musica
Sexta-feira, 20 de Julho de 2012
Foto do dia- A revolução, se quiser resistir

"A revolução, se quiser resistir, deve permanecer revolução. Se se transforma em governo, já está falida... Os lugares que deixaram de ter uma revolução permanente recuperaram a tirania." ~ Bianciardi , L.- Apririe il fuoco
Etiquetas:
Filosofia,
Fotografia
Quinta-feira, 19 de Julho de 2012
Entrevista do ano- José Mattoso: o "governo do povo" favorece quem já tem o poder
![]() |
| José Mattoso em Mértola [autor desconhecido] |
José Mattoso é parco em entrevistas e textos mediáticos - poderia manter uma coluna num Jornal, - e é uma pena, mas são opções individuais e intelectuais, quiçá monásticos.
Contudo, quando se expressa nas raras entrevistas como a que reproduzo aqui, e que foi publicada no Público, em 29 de Abril de 2012, o Professor revela-se e demonstra um profundo conhecimento em diversos domínios do ser humano e da sua relação com o meio ambiente e mais louvável ainda, ditos num discurso muito simples, acessível e "legível", nada ecléctico ou intencionalmente epistemológico. Por favor leiam esta entrevista até ao fim. É relevante, muito e inspiradora, intensa.
José Mattoso acaba de publicar o livro Levantar o Céu - Os Labirintos da Sabedoria (ed. Temas e Debates/Círculo de Leitores), onde recolhe textos de intervençao cívica e espiritual. É como que uma síntese da vida do historiador que, aos 79 anos, não desiste de um olhar lúcido sobre a contemporaneidade. Pretexto para esta entrevista.
PÚBLICO: No seu livro, confessa o seu cepticismo perante a realidade, relacionando-o também com a desilusão que sobreveio às esperanças da década de 1960. A posição céptica é a mais saudável hoje em dia?
José Mattoso: Não, de todo. A posição céptica é resultado de um certo realismo e lucidez. Quando se vêem as estatísticas, o aumento do lixo nuclear, das consequências dos aditivos na indústria alimentar, tudo o que preocupa um cidadão normal, não se vê como se possa sair daí. As coisas têm repercussões tais que só a reunião de poderes universais pode alterar a direcção em que se vai. As estatísticas são implacáveis e seria cegueira não ver isso.
Não encarar essa realidade...
Sim, mas esse é um ponto de vista racional. Do ponto de vista da fé, nada disso é fatal. Podemos ter uma atitude política, tentar intervir na realidade. Mas, se não formos conduzidos pela fé, o realismo leva-nos a desistir. O cristão tem possibilidade de se livrar dessa fatalidade na sua relação com o céu. Na metáfora que utilizo, levantar o céu, é trazer a terra ao encontro do céu. Aí, não estamos sós. Temos a intervenção de Deus, temos a fé na redenção, no perdão dos pecados, no valor do sofrimento, na abnegação, na bondade... Temos também a fé na cultura, na inspiração extraordinária dos grandes artistas, que alcançam níveis fantásticos de captação da bondade, da beleza do mundo. E temos a renovação constante da vida: se há um incêndio numa mata, vemos daí a pouco aparecerem as flores, as ervas. A vida não desiste de se reproduzir, de envolver a realidade.
Fala da atitude política, mas hoje ela está subjugada ao financeiro. Estamos perante uma usurpação da democracia?
Não domino suficientemente a terminologia política para poder dizer se se trata de uma usurpação. Sei que o Estado tem mostrado a sua impotência perante os abusos do poder financeiro e que o sistema democrático não resolve os problemas actuais. Ninguém acredita no discurso político, nem mesmo quem o pronuncia. Os interesses corporativos viciam a democracia. O "governo do povo" não defende os direitos dos pobres e excluídos. Favorece quem já tem poder.
Impressiona a evocação que faz da tragédia ambiental. Está ameaçada a relação da humanidade com a natureza?
Creio que sim. A escassez de petróleo e de água, de todas as fontes de energia, mostra que é preciso um investimento enorme. A grande ameaça é a confiança que o homem põe na técnica. A ciência dá um poder enorme sobre a realidade. Uma parte dos cientistas atribui uma grande capacidade de resolução dos problemas à técnica. Mas esta, muitas vezes, adopta soluções que depois se revelam extremamente dispendiosas. Somos incapazes de imaginar o mundo sem energia, sem movimento, sem Internet. As comunicações tornaram-se indispensáveis. Mas quais são os subprodutos?... A técnica não dá o poder de resolver os efeitos secundários.
Há anos, Lourdes Pintasilgo presidiu a uma comissão que elaborou o relatório "Cuidar o Futuro". Estamos a pôr em causa as futuras gerações?
Sim, é de tal modo uma evidência que espanta que não se veja isso. Todavia, o imediatismo na resolução dos problemas não deixa adoptar soluções de longo prazo. Não há nenhum político que se atreva a propor que se deixe de ter electricidade uma hora ou duas por dia, porque perderia as eleições...
É preciso recuperar as ideologias e os ideais, perdidos nas últimas décadas?
Tenho pouca confiança nas ideologias, nos ideais sim. Os ideais propõem-nos um horizonte que nunca conseguiremos alcançar: o ideal da pureza, da beleza, da abnegação - nunca lá chegaremos suficientemente. Jesus Cristo utiliza expressões extremas, porque são ideais: se te baterem numa face, dá a outra; devemos fazer o bem aos nossos inimigos. Isso é um ideal, ninguém chegará lá, porque é um horizonte sem fim, de tal modo exigente, que há sempre uma aproximação e a esperança de fazer mais. E as ideologias?
Os ideais são indispensáveis para o homem melhorar a sociedade em que vive. As ideologias, não sei de nenhuma que tivesse resolvido os problemas da humanidade a uma escala suficiente: marxista, socialista, conservadora... Até as próprias religiões, como sistemas de organização da vida. Elas traçam uma série de regras e, se as regras são absolutas, tornam-se como o homem que se submete [à lei e não a lei] para o homem; e se são instituições permissivas, não atingem os objectivos.
Apareceu um abaixo-assinado de 400 padres na Áustria. Há ali uma série de problemas concretos que a instituição-Igreja não aceita e, todavia, do ponto de vista evangélico, seria natural haver uma certa maleabilidade. Na Idade Média havia um subentendimento de outra forma de organizar a vida humana do ponto de vista moral e espiritual: as regras fundamentais eram apresentadas em toda a sua exigência, mas a prática era muito mais maleável e não considerava que houvesse casos sem solução.
É nesse sentido que devemos ler a metáfora "levantar o céu"?
Não tanto. Quando falo em levantar o céu, é todo o universo, são realidades espirituais, a arte, mesmo a que não tem nada que ver com a religião, porque representa uma forma de melhorar o ser. O ser é sempre parcialmente realizado. Ao falar na beleza, não se pressupõe que ela não possa conter também alguma coisa de fealdade. Os antagonismos, fundamento do pensamento ocidental, em que se baseia a visão da realidade, são muitas vezes parciais.
Por isso vai ao Oriente buscar a ideia da harmonização dos contrários?
Exactamente. O Ocidente precisava de mais maleabilidade e da consciência de que a realização do ser é tão pluriforme que ninguém pode abarcar essa totalidade. Não é por processos de oposição que caminharemos para o pleno do ser humano. Há toda uma tradição da cultura ocidental, em que predomina a racionalização, os opostos: preto e branco, bem e mal... Na Idade Média, aparentemente, também prevalece esse tom radical nos grandes pregadores. A mulher, para São Pedro Damião, é a encarnação do demónio. O leitor deixa-se enganar por essa aparência de intolerância mas, se estudar o que aconteceu na realidade, verifica que há uma concepção pragmática da realidade, muito diferente da doutrina.
Constrói o seu livro à base do triângulo sabedoria, razão e fé. É possível a coexistência destes três vértices?
Creio que sim, contanto que a razão não prevaleça sobre a sabedoria e a fé. Mas a razão é fundamental. A formulação teológica do século XII, de São Tomás de Aquino e da teologia escolástica, é a demonstração mais categórica da capacidade de conciliar a fé com a razão. Isso representa um progresso enorme na compreensão da mensagem evangélica. Portanto, não há uma oposição inconciliável. O pietismo, uma devoção sentimental que é por vezes a expressão de um culto popular, precisa da reflexão racional para se tornar aceitável.
Em Portugal, não se cultivou suficientemente a teologia, na sua expressão plena. Não há uma tradição de estudos teológicos suficientemente válidos do ponto de vista racional, para poder responder a um anticlericalismo primário e cego que existiu em Portugal no século XIX e grande parte do século XX.
Já referiu a bondade e escreve que enquanto homens e mulheres se amarem, ainda há um resto de esperança. A bondade é a sua esperança?
Não só. Radica nela, na medida em que esse é um efeito de Jesus Cristo ter assumido a natureza humana e representar no mundo a bondade de Deus. Ele é o redentor, o salvador. Mas eu não queria insistir no aspecto dogmático, antes na forma prática como Jesus Cristo mostra o que deve ser o homem na sua expressão mais profunda.
A bondade pode ser praticada numa concepção laical, laicista mesmo. Não precisa de ter nenhum sobrenatural por trás. Mas o cristão tem essa propensão, se a cultivar. E tem o exemplo de Jesus Cristo que leva isso a um extremo que o homem, só por si, não alcança.A bondade pode ser uma chave de uma ética comum entre crentes e não-crentes?
Sim. Pode haver colaboração entre um crente e um não-crente na vivência da bondade.
Temos dificuldades com a supressão do tempo, porque ele traz o envelhecimento e a morte, e da liberdade, porque ela nos permite escolher entre o bem e a violência?
Quando falamos do ser, pensamos em qualquer coisa fora do tempo. Mas a realização do ser é no tempo, não pode ser toda de uma vez e tem que ser com todos os indivíduos que constituem a humanidade. A realização do ser homem faz-se na totalidade da vivência humana no tempo.
E implica aceitar o sofrimento e a morte?
Sim, e também a consideração entre o bem e o mal.Que é a questão da liberdade. Sim. A realidade do ser humano implica o bem e o mal, como se conciliam, como entram em relação um com o outro... Os livros que têm aparecido a negar a existência de Deus dizem que, se Deus existisse, teria que intervir para que a maldade humana não prevalecesse. A oposição inconciliável entre o bem e o mal leva a negar a existência de Deus.
Qualquer pessoa que considere as coisas em termos de justiça e verifique o que se passa no mundo ou a crueldade no Holocausto, diz: como é que Deus permite isto, como é que estes homens fazem isto e quem sofre são as vítimas?
Para mim também é difícil aceitar esta realidade. Talvez seja numa visão de totalidade, em que o bem não pode existir sem o mal, que se pode aceitar e encontrar uma relação com o ser do homem. O ser implica também o ser mau.
A dificuldade maior das nossas sociedades é enfrentar o envelhecimento e a morte?
Sim, mas no envelhecimento há qualquer coisa mais própria da nossa época do que de outras. Não havia os progressos da medicina que permitem retardar o envelhecimento. Também há toda uma cultura da juventude que desvaloriza a velhice e as incapacidades que ela traz. Todavia, de um ponto de vista estatístico, a diminuição da natalidade não traz senão uma percentagem cada vez maior de velhos e doentes. Como se resolve tudo isso? O pensamento oriental se calhar é mais sábio, porque tem consciência do papel do velho...Tal como o africano..... talvez porque a percentagem de velhos é menor do que no Ocidente. Para o homem de fé, é preciso aprofundar esta noção da sabedoria, que se baseia numa experiência vivida e na meditação da palavra como fundadora da própria realidade, de autenticidade dos conceitos e dos valores.
Não se zanga quando ouve, na praça pública, referências à Idade Média como a idade das trevas? Mesmo quando várias das tragédias evocadas, como a Inquisição, são posteriores...
Não acho que seja precisa uma atitude apologética, explicando que esse é um conceito primário e redutor. Foi refutado já tantas vezes e de forma tão clara que não vejo nisso grande problema. Pode acontecer é que seja apenas expressão de um primarismo cultural que é lamentável. Mas há mais qualquer coisa: o Liberalismo e, sobretudo, o Iluminismo é muito responsável pela inferiorização da Idade Média, por causa da noção de progresso. O Iluminismo procura a racionalização e o progresso e desvaloriza tudo o que seja intuitivo, tudo o que seja [do domínio do] jogo...Dizia que a Idade Média era muito mais tolerante e diversificada, que o clero não era tão dogmático como mais tarde alguns missionários...Não diria "muito mais" tolerante. Diria mais tolerante e menos dogmático. Isso resulta sobretudo da prática das instituições. A Igreja quis formatar o homem de uma certa maneira, impor-lhe um modo de comportamento demasiado rígido. Por exemplo, a confissão sacramental, que aparece no Concílio de Latrão em 1215, ou a regra de ir à missa uma vez por semana ou o matrimónio como sacramento... O clero começou a pensar que eram objectivos. Mas não são senão meios pedagógicos.
É verdade que a sociedade ocidental ganhou, do ponto de vista moral, com o matrimónio monogâmico. Mas, na prática, o concubinato era extremamente difundido. A Igreja conviveu com isso. Era preferível ter sido um pouco mais tolerante. A prática das visitas canónicas na região de Coimbra no século XVI era uma autêntica espionagem da vida privada das pessoas que levava a uma hipocrisia que não trouxe vantagem nenhuma em relação a uma certa tolerância medieval.
Tem evocado a sua convicção cristã, mas também expressa reservas em relação a aspectos institucionais do catolicismo. Como vê a Igreja institucional?
Poderia dizer, de forma quase brutal, que não me importaria de assinar a carta dos 400 padres austríacos [a pedir reformas na Igreja e o fim do celibato obrigatório, entre outras coisas]. Mas não quero ser provocador. Relaciono isso com a sondagem que diz que há menos católicos e uma proliferação cada vez maior de grupos religiosos ou pseudo-religiosos. A evolução social é implacável. Que estratégia a Igreja deveria seguir, para não perder o lugar que chegou a alcançar? Penso que é sobretudo na vivência do Evangelho, na autenticidade da vida cristã. Não de uma forma pietista, mas de forma autêntica, vivencial e esclarecida. Há uma grande quantidade de questões que resultam da ignorância teológica pura e simples.
É uma atitude exemplar, a de frei Bento Domingues, seguro nas suas posições doutrinais e todavia extremamente maleável na sua apreciação da realidade actual.
Quando ganhou o Prémio Pessoa, estava numa aldeia em Arganil. Agora vive no interior do distrito de Aveiro. Já passou por uma aldeia no Alentejo, por Timor... A vocação de monge continua a tentá-lo?
Não diria a tentar-me, diria a manifestar-se. Diria quase: a protestar contra todas as tarefas que tenho aceitado e das quais não me arrependo porque me parecia que era isso que eu devia fazer, na ocasião em que me foram propostas. Mas o meu apelo interior vai por aí, é um apelo primeiro, que permanece.
Agora queria que me deixassem em paz. Se calhar já é tarde. Os cartuxos só admitem vocações até aos 40 anos, já tenho o dobro, não sei se tenho capacidades de viver sozinho. Mas pelo menos queria, com a liberdade pessoal suficiente e sem imposição de tempo, dedicar-me à oração. Mais do que isso: dedicar-me a descobrir o valor da palavra, o autêntico significado da palavra, no sentido de linguagem, de expressão da realidade, no sentido de logos. Encontrar-me na meditação da palavra como expressão do mundo, da existência, da história, e descobrir-lhe um sentido. Sente esse apelo mas, no livro, fala da cidade como símbolo da humanidade solidária. Na Idade Média, a cidade era o sítio onde as pessoas se protegiam da agressão do campo e hoje a cidade é a selva urbana...
Não oporia uma coisa e outra. Há uma tradição cristã que vê a cidade com uma dupla face: a Babilónia, o orgulho, o querer afrontar Deus na realização técnica. A outra metáfora é A Cidade de Deus, de Santo Agostinho, a sociedade ordenada, com uma capacidade de organização que valorize o homem e permita a sua realização, a solidariedade, a conjugação das tarefas. Essa dupla face da cidade mantém-se toda a Idade Média. Na actualidade, poderíamos também ter as duas metáforas como modelo: Corbusier e outros arquitectos que pensaram as coisas em termos urbanísticos quereriam dar realidade à concepção de Santo Agostinho. Mas o que a realidade nos mostra é a megapolis, as cidades desenvolvidas quase sem limites, como São Paulo, Bombaim ou outras. E o homem perde o domínio, a sua capacidade de construir um lugar onde possa viver em toda as suas virtualidades, na solidariedade.
José Mattoso: Não, de todo. A posição céptica é resultado de um certo realismo e lucidez. Quando se vêem as estatísticas, o aumento do lixo nuclear, das consequências dos aditivos na indústria alimentar, tudo o que preocupa um cidadão normal, não se vê como se possa sair daí. As coisas têm repercussões tais que só a reunião de poderes universais pode alterar a direcção em que se vai. As estatísticas são implacáveis e seria cegueira não ver isso.
Não encarar essa realidade...
Sim, mas esse é um ponto de vista racional. Do ponto de vista da fé, nada disso é fatal. Podemos ter uma atitude política, tentar intervir na realidade. Mas, se não formos conduzidos pela fé, o realismo leva-nos a desistir. O cristão tem possibilidade de se livrar dessa fatalidade na sua relação com o céu. Na metáfora que utilizo, levantar o céu, é trazer a terra ao encontro do céu. Aí, não estamos sós. Temos a intervenção de Deus, temos a fé na redenção, no perdão dos pecados, no valor do sofrimento, na abnegação, na bondade... Temos também a fé na cultura, na inspiração extraordinária dos grandes artistas, que alcançam níveis fantásticos de captação da bondade, da beleza do mundo. E temos a renovação constante da vida: se há um incêndio numa mata, vemos daí a pouco aparecerem as flores, as ervas. A vida não desiste de se reproduzir, de envolver a realidade.
Fala da atitude política, mas hoje ela está subjugada ao financeiro. Estamos perante uma usurpação da democracia?
Não domino suficientemente a terminologia política para poder dizer se se trata de uma usurpação. Sei que o Estado tem mostrado a sua impotência perante os abusos do poder financeiro e que o sistema democrático não resolve os problemas actuais. Ninguém acredita no discurso político, nem mesmo quem o pronuncia. Os interesses corporativos viciam a democracia. O "governo do povo" não defende os direitos dos pobres e excluídos. Favorece quem já tem poder.
Impressiona a evocação que faz da tragédia ambiental. Está ameaçada a relação da humanidade com a natureza?
Creio que sim. A escassez de petróleo e de água, de todas as fontes de energia, mostra que é preciso um investimento enorme. A grande ameaça é a confiança que o homem põe na técnica. A ciência dá um poder enorme sobre a realidade. Uma parte dos cientistas atribui uma grande capacidade de resolução dos problemas à técnica. Mas esta, muitas vezes, adopta soluções que depois se revelam extremamente dispendiosas. Somos incapazes de imaginar o mundo sem energia, sem movimento, sem Internet. As comunicações tornaram-se indispensáveis. Mas quais são os subprodutos?... A técnica não dá o poder de resolver os efeitos secundários.
Há anos, Lourdes Pintasilgo presidiu a uma comissão que elaborou o relatório "Cuidar o Futuro". Estamos a pôr em causa as futuras gerações?
Sim, é de tal modo uma evidência que espanta que não se veja isso. Todavia, o imediatismo na resolução dos problemas não deixa adoptar soluções de longo prazo. Não há nenhum político que se atreva a propor que se deixe de ter electricidade uma hora ou duas por dia, porque perderia as eleições...
É preciso recuperar as ideologias e os ideais, perdidos nas últimas décadas?
Tenho pouca confiança nas ideologias, nos ideais sim. Os ideais propõem-nos um horizonte que nunca conseguiremos alcançar: o ideal da pureza, da beleza, da abnegação - nunca lá chegaremos suficientemente. Jesus Cristo utiliza expressões extremas, porque são ideais: se te baterem numa face, dá a outra; devemos fazer o bem aos nossos inimigos. Isso é um ideal, ninguém chegará lá, porque é um horizonte sem fim, de tal modo exigente, que há sempre uma aproximação e a esperança de fazer mais. E as ideologias?
Os ideais são indispensáveis para o homem melhorar a sociedade em que vive. As ideologias, não sei de nenhuma que tivesse resolvido os problemas da humanidade a uma escala suficiente: marxista, socialista, conservadora... Até as próprias religiões, como sistemas de organização da vida. Elas traçam uma série de regras e, se as regras são absolutas, tornam-se como o homem que se submete [à lei e não a lei] para o homem; e se são instituições permissivas, não atingem os objectivos.
Apareceu um abaixo-assinado de 400 padres na Áustria. Há ali uma série de problemas concretos que a instituição-Igreja não aceita e, todavia, do ponto de vista evangélico, seria natural haver uma certa maleabilidade. Na Idade Média havia um subentendimento de outra forma de organizar a vida humana do ponto de vista moral e espiritual: as regras fundamentais eram apresentadas em toda a sua exigência, mas a prática era muito mais maleável e não considerava que houvesse casos sem solução.
É nesse sentido que devemos ler a metáfora "levantar o céu"?
Não tanto. Quando falo em levantar o céu, é todo o universo, são realidades espirituais, a arte, mesmo a que não tem nada que ver com a religião, porque representa uma forma de melhorar o ser. O ser é sempre parcialmente realizado. Ao falar na beleza, não se pressupõe que ela não possa conter também alguma coisa de fealdade. Os antagonismos, fundamento do pensamento ocidental, em que se baseia a visão da realidade, são muitas vezes parciais.
Por isso vai ao Oriente buscar a ideia da harmonização dos contrários?
Exactamente. O Ocidente precisava de mais maleabilidade e da consciência de que a realização do ser é tão pluriforme que ninguém pode abarcar essa totalidade. Não é por processos de oposição que caminharemos para o pleno do ser humano. Há toda uma tradição da cultura ocidental, em que predomina a racionalização, os opostos: preto e branco, bem e mal... Na Idade Média, aparentemente, também prevalece esse tom radical nos grandes pregadores. A mulher, para São Pedro Damião, é a encarnação do demónio. O leitor deixa-se enganar por essa aparência de intolerância mas, se estudar o que aconteceu na realidade, verifica que há uma concepção pragmática da realidade, muito diferente da doutrina.
Constrói o seu livro à base do triângulo sabedoria, razão e fé. É possível a coexistência destes três vértices?
Creio que sim, contanto que a razão não prevaleça sobre a sabedoria e a fé. Mas a razão é fundamental. A formulação teológica do século XII, de São Tomás de Aquino e da teologia escolástica, é a demonstração mais categórica da capacidade de conciliar a fé com a razão. Isso representa um progresso enorme na compreensão da mensagem evangélica. Portanto, não há uma oposição inconciliável. O pietismo, uma devoção sentimental que é por vezes a expressão de um culto popular, precisa da reflexão racional para se tornar aceitável.
Em Portugal, não se cultivou suficientemente a teologia, na sua expressão plena. Não há uma tradição de estudos teológicos suficientemente válidos do ponto de vista racional, para poder responder a um anticlericalismo primário e cego que existiu em Portugal no século XIX e grande parte do século XX.
Já referiu a bondade e escreve que enquanto homens e mulheres se amarem, ainda há um resto de esperança. A bondade é a sua esperança?
Não só. Radica nela, na medida em que esse é um efeito de Jesus Cristo ter assumido a natureza humana e representar no mundo a bondade de Deus. Ele é o redentor, o salvador. Mas eu não queria insistir no aspecto dogmático, antes na forma prática como Jesus Cristo mostra o que deve ser o homem na sua expressão mais profunda.
A bondade pode ser praticada numa concepção laical, laicista mesmo. Não precisa de ter nenhum sobrenatural por trás. Mas o cristão tem essa propensão, se a cultivar. E tem o exemplo de Jesus Cristo que leva isso a um extremo que o homem, só por si, não alcança.A bondade pode ser uma chave de uma ética comum entre crentes e não-crentes?
Sim. Pode haver colaboração entre um crente e um não-crente na vivência da bondade.
Temos dificuldades com a supressão do tempo, porque ele traz o envelhecimento e a morte, e da liberdade, porque ela nos permite escolher entre o bem e a violência?
Quando falamos do ser, pensamos em qualquer coisa fora do tempo. Mas a realização do ser é no tempo, não pode ser toda de uma vez e tem que ser com todos os indivíduos que constituem a humanidade. A realização do ser homem faz-se na totalidade da vivência humana no tempo.
E implica aceitar o sofrimento e a morte?
Sim, e também a consideração entre o bem e o mal.Que é a questão da liberdade. Sim. A realidade do ser humano implica o bem e o mal, como se conciliam, como entram em relação um com o outro... Os livros que têm aparecido a negar a existência de Deus dizem que, se Deus existisse, teria que intervir para que a maldade humana não prevalecesse. A oposição inconciliável entre o bem e o mal leva a negar a existência de Deus.
Qualquer pessoa que considere as coisas em termos de justiça e verifique o que se passa no mundo ou a crueldade no Holocausto, diz: como é que Deus permite isto, como é que estes homens fazem isto e quem sofre são as vítimas?
Para mim também é difícil aceitar esta realidade. Talvez seja numa visão de totalidade, em que o bem não pode existir sem o mal, que se pode aceitar e encontrar uma relação com o ser do homem. O ser implica também o ser mau.
A dificuldade maior das nossas sociedades é enfrentar o envelhecimento e a morte?
Sim, mas no envelhecimento há qualquer coisa mais própria da nossa época do que de outras. Não havia os progressos da medicina que permitem retardar o envelhecimento. Também há toda uma cultura da juventude que desvaloriza a velhice e as incapacidades que ela traz. Todavia, de um ponto de vista estatístico, a diminuição da natalidade não traz senão uma percentagem cada vez maior de velhos e doentes. Como se resolve tudo isso? O pensamento oriental se calhar é mais sábio, porque tem consciência do papel do velho...Tal como o africano..... talvez porque a percentagem de velhos é menor do que no Ocidente. Para o homem de fé, é preciso aprofundar esta noção da sabedoria, que se baseia numa experiência vivida e na meditação da palavra como fundadora da própria realidade, de autenticidade dos conceitos e dos valores.
Não se zanga quando ouve, na praça pública, referências à Idade Média como a idade das trevas? Mesmo quando várias das tragédias evocadas, como a Inquisição, são posteriores...
Não acho que seja precisa uma atitude apologética, explicando que esse é um conceito primário e redutor. Foi refutado já tantas vezes e de forma tão clara que não vejo nisso grande problema. Pode acontecer é que seja apenas expressão de um primarismo cultural que é lamentável. Mas há mais qualquer coisa: o Liberalismo e, sobretudo, o Iluminismo é muito responsável pela inferiorização da Idade Média, por causa da noção de progresso. O Iluminismo procura a racionalização e o progresso e desvaloriza tudo o que seja intuitivo, tudo o que seja [do domínio do] jogo...Dizia que a Idade Média era muito mais tolerante e diversificada, que o clero não era tão dogmático como mais tarde alguns missionários...Não diria "muito mais" tolerante. Diria mais tolerante e menos dogmático. Isso resulta sobretudo da prática das instituições. A Igreja quis formatar o homem de uma certa maneira, impor-lhe um modo de comportamento demasiado rígido. Por exemplo, a confissão sacramental, que aparece no Concílio de Latrão em 1215, ou a regra de ir à missa uma vez por semana ou o matrimónio como sacramento... O clero começou a pensar que eram objectivos. Mas não são senão meios pedagógicos.
É verdade que a sociedade ocidental ganhou, do ponto de vista moral, com o matrimónio monogâmico. Mas, na prática, o concubinato era extremamente difundido. A Igreja conviveu com isso. Era preferível ter sido um pouco mais tolerante. A prática das visitas canónicas na região de Coimbra no século XVI era uma autêntica espionagem da vida privada das pessoas que levava a uma hipocrisia que não trouxe vantagem nenhuma em relação a uma certa tolerância medieval.
Tem evocado a sua convicção cristã, mas também expressa reservas em relação a aspectos institucionais do catolicismo. Como vê a Igreja institucional?
Poderia dizer, de forma quase brutal, que não me importaria de assinar a carta dos 400 padres austríacos [a pedir reformas na Igreja e o fim do celibato obrigatório, entre outras coisas]. Mas não quero ser provocador. Relaciono isso com a sondagem que diz que há menos católicos e uma proliferação cada vez maior de grupos religiosos ou pseudo-religiosos. A evolução social é implacável. Que estratégia a Igreja deveria seguir, para não perder o lugar que chegou a alcançar? Penso que é sobretudo na vivência do Evangelho, na autenticidade da vida cristã. Não de uma forma pietista, mas de forma autêntica, vivencial e esclarecida. Há uma grande quantidade de questões que resultam da ignorância teológica pura e simples.
É uma atitude exemplar, a de frei Bento Domingues, seguro nas suas posições doutrinais e todavia extremamente maleável na sua apreciação da realidade actual.
Quando ganhou o Prémio Pessoa, estava numa aldeia em Arganil. Agora vive no interior do distrito de Aveiro. Já passou por uma aldeia no Alentejo, por Timor... A vocação de monge continua a tentá-lo?
Não diria a tentar-me, diria a manifestar-se. Diria quase: a protestar contra todas as tarefas que tenho aceitado e das quais não me arrependo porque me parecia que era isso que eu devia fazer, na ocasião em que me foram propostas. Mas o meu apelo interior vai por aí, é um apelo primeiro, que permanece.
Agora queria que me deixassem em paz. Se calhar já é tarde. Os cartuxos só admitem vocações até aos 40 anos, já tenho o dobro, não sei se tenho capacidades de viver sozinho. Mas pelo menos queria, com a liberdade pessoal suficiente e sem imposição de tempo, dedicar-me à oração. Mais do que isso: dedicar-me a descobrir o valor da palavra, o autêntico significado da palavra, no sentido de linguagem, de expressão da realidade, no sentido de logos. Encontrar-me na meditação da palavra como expressão do mundo, da existência, da história, e descobrir-lhe um sentido. Sente esse apelo mas, no livro, fala da cidade como símbolo da humanidade solidária. Na Idade Média, a cidade era o sítio onde as pessoas se protegiam da agressão do campo e hoje a cidade é a selva urbana...
Não oporia uma coisa e outra. Há uma tradição cristã que vê a cidade com uma dupla face: a Babilónia, o orgulho, o querer afrontar Deus na realização técnica. A outra metáfora é A Cidade de Deus, de Santo Agostinho, a sociedade ordenada, com uma capacidade de organização que valorize o homem e permita a sua realização, a solidariedade, a conjugação das tarefas. Essa dupla face da cidade mantém-se toda a Idade Média. Na actualidade, poderíamos também ter as duas metáforas como modelo: Corbusier e outros arquitectos que pensaram as coisas em termos urbanísticos quereriam dar realidade à concepção de Santo Agostinho. Mas o que a realidade nos mostra é a megapolis, as cidades desenvolvidas quase sem limites, como São Paulo, Bombaim ou outras. E o homem perde o domínio, a sua capacidade de construir um lugar onde possa viver em toda as suas virtualidades, na solidariedade.
Etiquetas:
Ambiente,
Amor,
Blogosfera,
Filosofia,
História,
Jornalismo,
Ordenamento Território,
Paz,
Religião,
Sustentabilidade,
Urbanismo
Quarta-feira, 18 de Julho de 2012
POESIA DA RESISTÊNCIA – Romance do Homem da Boca Fechada
Não faltem à Vigília pela Educação
"Espero bem que os pais se apercebam que os maiores prejudicados são os alunos. Os mega agrupamentos e as turmas de 30 alunos são um retrocesso na educação! Os professores e o país estão de luto." opinão de uma leitora, recebido por facebook
Recordam-se de Jaime Rebelo? E era pescador

Estudo Sobre o Comunismo
Estel Negre
"Espero bem que os pais se apercebam que os maiores prejudicados são os alunos. Os mega agrupamentos e as turmas de 30 alunos são um retrocesso na educação! Os professores e o país estão de luto." opinão de uma leitora, recebido por facebook
Recordam-se de Jaime Rebelo? E era pescador

Lutador antifascista tanto em Portugal como na Espanha, ativo militante sindical, foi perseguido e torturado pela ditadura do Estado Novo. Durante os torturantes interrogatórios que lhe foram infligidos pela Polícia Política, chegou a cortar a língua com uma lâmina para evitar falar. É na sequência deste acontecimento que Jaime Cortesão escreveu um dos seus belos poemas, intitulado "Romance do Homem da Boca Fechada".Este poema de Jaime Cortesão circulou clandestinamente nos anos trinta e foi publicado no Avante em1937 . A publicação de um poema de um republicano sobre um anarquista no jornal comunista inseria-se nos esforços de Francisco Paula de Oliveira /”Pavel” para reforçar uma política de frente popular em Portugal . Sobre Jaime Rebelo veja-se a sua necrologia em Voz Anarquista 1 , 22/1/1975 e César Oliveira , “Jaime Rebelo : Um Homem Para Além do Tempo ” , História , 6 , Março 1995.
Foi um dos dinamizadores da Associação de Classe dos Trabalhadores do Mar – Casa dos Pescadores.
Jaime Cortesão – Romance do Homem da Boca Fechada
- Quem é esse homem sombrio
Duro rosto, claro olhar,
Que cerra os dentes e a boca
Como quem não quer falar?
– Esse é o Jaime Rebelo,
Pescador, homem do mar,
Se quisesse abrir a boca,
Tinha muito que contar.
Ora ouvireis, camaradas,
Uma história de pasmar.
Passava já de ano e dia
E outro vinha de passar,
E o Rebelo não cansava
De dar guerra ao Salazar.
De dia tinha o mar alto,
De noite, luta bravia,
Pois só ama a Liberdade,
Quem dá guerra à tirania.
Passava já de ano e dia…
Mas um dia, por traição,
Caiu nas mãos dos esbirros
E foi levado à prisão.
Algemas de aço nos pulsos,
Vá de insultos ao entrar,
Palavra puxa palavra,
Começaram de falar
- Quanto sabes, seja a bem,
Seja a mal, hás de contá-lo,
- Não sou traidor, nem perjuro;
Sou homem de fé: não falo!
- Fala: ou terás o degredo,
Ou morte a fio de espada.
- Mais vale morrer com honra,
Do que vida deshonrada!
- A ver se falas ou não,
Quando posto na tortura.
- Que importam duros tormentos,
Quando a vontade é mais dura?!
Geme o peso atado ao potro
Já tinha o corpo a sangrar,
Já tinha os membros torcidos
E os tormentos a apertar,
Então o Jaime Rebelo,
Louco de dor, a arquejar,
Juntou as últimas forças
Para não ter que falar.
- Antes que fale emudeça! -
Pôs-se a gritar com voz rouca,
E, cerce, duma dentada,
Cortou a língua na boca.
A turba vil dos esbirros
Ficou na frente, assombrada,
Já da boca não saia
Mais que espuma ensanguentada!
Salazar, cuidas que o Povo
Te suporta, quando cala?
Ninguém te condena mais
Que aquela boca sem fala!
Fantasma da sua dor,
Ainda hoje custa a vê-lo;
A angústia daquelas horas
Não deixa o Jaime Rebelo.
Pescador que se fez homem
Ao vento livre do Mar,
Traz sempre aquela visão
Na sombra dura do olhar,
Sempre de boca apertada,
Como quem não quer falar.
ReferênciasFoi um dos dinamizadores da Associação de Classe dos Trabalhadores do Mar – Casa dos Pescadores.
Jaime Rebelo viveu a maior parte da sua vida em Cacilhas e deixou em Almada, parte da sua família. Em 1931, na sequência da "greve dos 92 dias", Rebelo é preso e torturado pela PIDE e dá-se o episódio, descrito no poema de Jaime Cortesão.
Vítima de constantes perseguições, emigra para a Espanha onde se junta às milícias da CNT (Confederação Operária Anarcossindicalista) e aí comanda uma unidade que combateu na frente meridional. Regressando a Portugal, continua a sua luta pela liberdade. Morreu em 7 de janeiro de 1975.
Vítima de constantes perseguições, emigra para a Espanha onde se junta às milícias da CNT (Confederação Operária Anarcossindicalista) e aí comanda uma unidade que combateu na frente meridional. Regressando a Portugal, continua a sua luta pela liberdade. Morreu em 7 de janeiro de 1975.
Jaime Cortesão – Romance do Homem da Boca Fechada
- Quem é esse homem sombrio
Duro rosto, claro olhar,
Que cerra os dentes e a boca
Como quem não quer falar?
– Esse é o Jaime Rebelo,
Pescador, homem do mar,
Se quisesse abrir a boca,
Tinha muito que contar.
Ora ouvireis, camaradas,
Uma história de pasmar.
Passava já de ano e dia
E outro vinha de passar,
E o Rebelo não cansava
De dar guerra ao Salazar.
De dia tinha o mar alto,
De noite, luta bravia,
Pois só ama a Liberdade,
Quem dá guerra à tirania.
Passava já de ano e dia…
Mas um dia, por traição,
Caiu nas mãos dos esbirros
E foi levado à prisão.
Algemas de aço nos pulsos,
Vá de insultos ao entrar,
Palavra puxa palavra,
Começaram de falar
- Quanto sabes, seja a bem,
Seja a mal, hás de contá-lo,
- Não sou traidor, nem perjuro;
Sou homem de fé: não falo!
- Fala: ou terás o degredo,
Ou morte a fio de espada.
- Mais vale morrer com honra,
Do que vida deshonrada!
- A ver se falas ou não,
Quando posto na tortura.
- Que importam duros tormentos,
Quando a vontade é mais dura?!
Geme o peso atado ao potro
Já tinha o corpo a sangrar,
Já tinha os membros torcidos
E os tormentos a apertar,
Então o Jaime Rebelo,
Louco de dor, a arquejar,
Juntou as últimas forças
Para não ter que falar.
- Antes que fale emudeça! -
Pôs-se a gritar com voz rouca,
E, cerce, duma dentada,
Cortou a língua na boca.
A turba vil dos esbirros
Ficou na frente, assombrada,
Já da boca não saia
Mais que espuma ensanguentada!
Salazar, cuidas que o Povo
Te suporta, quando cala?
Ninguém te condena mais
Que aquela boca sem fala!
Fantasma da sua dor,
Ainda hoje custa a vê-lo;
A angústia daquelas horas
Não deixa o Jaime Rebelo.
Pescador que se fez homem
Ao vento livre do Mar,
Traz sempre aquela visão
Na sombra dura do olhar,
Sempre de boca apertada,
Como quem não quer falar.
Estudo Sobre o Comunismo
Estel Negre
Etiquetas:
Anarquismo,
Biografias,
História,
Liberdade,
Poesia,
Politica
Terça-feira, 17 de Julho de 2012
Documentário de semana- William McDonough sobre o conceito do berço ao berço
O arquitecto e designer com princípios ecológicos William McDonough pergunta como seriam nossos prédios e produtos se os projetistas levassem em consideração "todas as crianças, todos os tipos, por todo o tempo." Full bio »
Etiquetas:
Arquitectura,
Criança,
Design,
Economia,
Lixo Zero,
Ordenamento Território,
Pesticidas,
Sustentabilidade,
Ted Talks,
Urbanismo
Segunda-feira, 16 de Julho de 2012
Vigília Pela Educação
Na noite de 18 para 19 de Julho, em todas as capitais de distrito. Pelas 19:00.
A troika não pára, o Governo acelera...nós ainda vamos a tempo para travar...é um apelo a todos os cidadãos que se preocupam com a Educação. Comparece e divulga por todos os meios possíveis.
Adesão e todos os detalhes aqui no facebook P.S. concentração "ideal" em Lisboa! Podem organizar um autocarro.
Neste caso entrar em contacto/tem que marcar com
Ana Barriga ou Cristina Tavares
Comissão Parlamentar de Educação, Ciência e Cultura
Telefone: 213919472
A divulgação da iniciativa está a ser feita pelo facebook, mas muitos docentes, alunos e pais usam outras redes sociais/ fóruns/ email/ telemóvel. Um colega sugeriu disponibilizar-se um ficheiro pdf A4 (cor cinza) com a imagem da vigília, a indicação de horas e datas da iniciativa e um espaço para colocação da Cidade e do Local. Será um panfleto para divulgar por email e telemóvel, com a possibilidade de impressão.
Leitura de Verão: será mesmo possível viajar no tempo?
A controvérsia continua...e a questão está sempre em aberto.
Dr. Ronald Mallett, autor do Time Traveller afirma que sim
e neste artigo, o Prof. Alberto Prass, conclui que não.
Dr. Ronald Mallett, autor do Time Traveller afirma que sim
e neste artigo, o Prof. Alberto Prass, conclui que não.
ERA UMA VEZ UMA GAROTA ESPERTA
Era uma garota esperta,
Muito mais rápida que a luz.
Um dia ela partiu
Do jeito relativo,
E chegou de volta na véspera.
Um dia ela partiu
Do jeito relativo,
E chegou de volta na véspera.
Estes versinhos muito citados, que apareceram pela primeira vez na revista britânica Punch muito tempo atrás, quando as teorias de Einstein começavam a chegar ao conhecimento do público mais amplo, descreve com bastante precisão uma das implicações da teoria especial da relatividade de Einstein. A teoria nos diz que se alguma coisa - quer seja um objeto material ou uma informação — pudesse se deslocar com velocidade maior que a da luz, seria capaz de se deslocar do futuro para o passado.
Como muitas conclusões surpreendentes na Física, a idéia de que a viagem mais rápida que a luz pode, sob certas circunstâncias, ser também uma viagem no tempo pode ser deduzida de alguns pressupostos muito simples. A teoria especial se apóia em apenas dois. O primeiro é que a velocidade da luz, tal como medida por qualquer observador é sempre a mesma. O segundo é que as leis da Física parecerão as mesmas para qualquer observador num estado de movimento uniforme. "Uniforme", aqui, significa "com uma velocidade constante numa direção fixa". A distinção entre movimento uniforme e não-uniforme é importante. Por exemplo, uma passageira de um avião que está se movendo com velocidade constante numa linha reta sente a mesma força da gravidade que na superfície da Terra e pode caminhar para frente e para trás pelo corredor como caminharia pelo corredor de um auditório. Mas se de repente o avião encontrar turbulência e perder altura, a coisa pode mudar de figura. Em condições extremas, uma bandeja de comida pode até parecer estar levantando vôo.
A idéia de relatividade não é na verdade nada de novo. Galileu e Newton sabiam que o movimento era relativo. Tinham conhecimento de que um passageiro num navio em movimento por um mar calmo pode, se quiser, considerar que o navio está em repouso. Como Galileu assinalou, um objeto que se deixa cair de um mastro parecerá cair diretamente para baixo rumo ao convés, quer a embarcação esteja se movendo pela superfície do oceano ou não. A única coisa que importa é o movimento do objeto em relação ao navio.
Na verdade, somos todos relativistas naturais. Uma pessoa sentada numa cadeira vai geralmente se considerar "imóvel", ainda que a Terra esteja girando em seu eixo e revolvendo-se em torno do Sol, enquanto o Sol se revolve em torno do centro de nossa Via Láctea, que por sua vez se move em relação a outras galáxias no espaço. Nenhum desses movimentos é uniforme. O movimento circular, por exemplo, não é uniforme porque não se dá em linha reta. Para os propósitos da vida cotidiana, no entanto, esses movimentos se aproximam o suficiente da uniformidade.
[Ler artigo completo aqui]
BEM, A VIAGEM NO TEMPO É POSSÍVEL OU NÃO É?
Por mais que os físicos teóricos brinquem com a idéia, a maioria deles espera que a viagem no tempo não seja possível. Se uma pessoa ou um objeto pudesse se deslocar para o passado, isso transtornaria as idéias estabelecidas sobre causalidade e invalidaria as leis da Física que delas dependem. O único meio de evitar isso seria a existência de alguma lei da natureza que impedisse tudo que viaja para o passado de alterá-lo, ou uma lei que assegurasse que tudo que um viajante fizesse produziria exatamente o mundo de que ele viera. Mas é difícil ver como uma lei da natureza poderia impedir uma pessoa de matar a avó - ou a si mesma - se ela estivesse realmente decidida a fazê-lo.
Stephen Hawking tem uma outra solução para o problema. Sugere que uma "Agência de Proteção à Cronologia" impeça a viagem no tempo. Não, ele não está sugerindo uma Polícia do Tempo que impeça as pessoas de viajar para o passado. Hawking simplesmente gosta de expressar idéias sérias de maneira irreverente. Ele quer dizer apenas que desconfia que as leis da Física operam de modo a tornar a viagem no tempo impossível. Não está muito claro, contudo, como essa "proteção da cronologia" funcionaria. Pode ser que todos os mecanismos de viagem no tempo tenham características que os inviabilizariam na prática, mas não é fácil imaginar que tipo de lei natural faria tal situação ocorrer.
Seja como for, ainda que não possa ser absolutamente vedada, a viagem no tempo certamente parece ser uma possibilidade muito pouco plausível. Apesar de todas as tentativas feitas para superá-la, a "barreira da infinidade" erigida pela teoria especial da relatividade mostrou ser dificilmente transponível.
Etiquetas:
Fisica,
Matemática
Domingo, 15 de Julho de 2012
Amazon - Amazoff

Miguel Torga é mesmo universal. A energia tem que nascer de nós. O meu obrigado aos novos membros que aderiram à minha página facebook e sejam bem-vindos. Contem comigo e conto convosco para um mundo cheio de Amaz"on"!
Warm welcom to my new members on facebook´s page.
COSMORAMA
Porque será que não medram aqui
Senão ódios e pedras?
Pátria maninha de outras sementeiras!
Cores derramadas, e os pintores não pintam;
Formas aos gritos, e os cinzéis parados;
Versos já feitos, e ninguém os lê!
Tudo seco e mirrado.
A terra na incultura que se vê,
E o mar como um piano abandonado.
Miguel Torga
Dossiê Bioética actualizado.
Etiquetas:
Activismo,
Base Dados,
Consumismo,
Desertificação,
Ecologia Profunda,
Floresta,
Pobreza,
Poesia
Estado Negro da Educação- Paulo Guinote no programa Opinião Pública dia 13 de Julho e depoimento de Ana Quelhas sobre a Educação Artística
As mudanças na EDUCAÇÂO BÁSICA
Por Ana Quelhas
Estamos a assistir de braços cruzados a profundas alterações na escola.O rumo traçado é poupar, poupar e poupar.
Sobrevalorizam-se alguns conhecimentos em detrimento de outros. Corta-se a direito, só interessa o Português e a Matemática o resto são flores… as artes nem flores são!
Para que servem? Dão dinheiro? Não! Portanto ficam em 3º ou 4º plano.
Ao longo dos anos tem-se assistido a uma progressiva desvalorização das Artes Visuais, com a diminuição da carga horária nos currículos escolares.
Agora dividiu-se a EVT em duas disciplinas: uma de Educação Visual outra de Educação Tecnológica. Até aqui, eu até concordo, alguém lá no passado resolveu casá-las mas muitos casamentos têm um fim a que se chama divórcio.
Tudo bem!
Voltou a situação anterior.Só que não voltou a situação anterior!
Como se sabe estas áreas são essencialmente práticas o que exige que o docente se desdobre para poder dar apoio directo e individualizado aos alunos.
Antes, a Educação Visual protestava porque um docente era insuficiente para dar o apoio necessário aos seus alunos. Eliminaram-se os canivetes, goivas, eliminaram-se os X-atos, os picos de picotagem, as tesouras de bicos e outros instrumentos que são eventualmente necessários para evitar agressões voluntárias ou involuntárias entre alunos. Abandonaram-se técnicas impossíveis de realizar em grandes grupos: serigrafia, pintura colectiva, xilogravura, azulejaria, pintura sobre vidro, etc.
A outra disciplina denominada Trabalhos Manuais funcionava relativamente bem, pois as aulas eram asseguradas por um par pedagógico, sendo possível aos nossos jovens fazer uma serie de experiências muito oportunas na sua formação.
Casaram-se as disciplinas manteve-se o programa de cada uma delas e reduziu-se o horário, mas manteve-se o esquema de par pedagógico. Esta situação teve algumas consequências, reduziram-se as áreas a explorar de acordo com o tempo disponível.
Agora o nosso ministro apresenta-nos um divórcio que consta de duas disciplinas, com novas metas que vão para além das anteriores e sem par pedagógico, em turmas de 25 a 30 alunos.
Estas áreas caminham a passos largos para a teorização e para exames finais!
E isso é mau?
Claro que é.
Se repararem há crianças que chegam aos 10 anos e não sabem descascar uma maçã!
Há motricidades que deixaram de ser desenvolvidas.
Há jovens que é na arte que encontram o seu sucesso educativo e onde promovem a sua auto-estima. Há crianças que chegam à escola carregando imensos problemas familiares, e é através das suas concretizações artísticas que elas exteriorizam o seu mundo interior, feito de alegrias e frustrações, promovendo a sua auto-estima e aprendendo a respeitar as experiências dos outros. Está mais que provado que a arte reduz a agressividade, que é uma almofada onde se esbate o confronto violento entre nós e a sociedade que nos rodeia. É através destas áreas que lentamente as crianças vão interiorizando o método de trabalho científico, útil em qualquer momento, sempre que o Homem tem que tomar decisões.
Quanto à Educação Tecnológica, proponho-vos um exercício simples:
Imaginem 30 alunos idades 10/13 anos numa sala de aula a trabalhar por exemplo as madeiras – serras, formões, limas, alicates, martelos e até o berbequim – com um único professor que tem que orientar o trabalho de cada um, manter a ordem e zelar pela a segurança de todos…
Se tivesse filhos na escola ficaria preocupada. Acho desnecessário fazer um desenho….
(sem acordo ortográfico, fora da escola nada me obriga a acordar)
Heróis verdes- O homem que faz nascer rios
Rajendra Singh conseguiu, através do uso de técnicas ancestrais de aproveitamento da chuva, dar vida a cursos de água secos há mais de 60 anos [Fonte: Visão, 9 de Julho 2012]

Se os ambientalistas portugueses quiserem fazer parar a construção da barragem do Sabor ou do Foz-Tua, talvez devam falar com Rajendra Singh, 52 anos, presidente da Tarun Bharat Sangh (TBS), uma organização não-governamental indiana, e pedir-lhe alguns conselhos.
Afinal, ele teve um papel central na suspensão da construção de uma megabarragem, no rio Bhagirathi, um dos principais afluentes do Ganges. Em 2010, o Governo indiano aceitou desmantelar a obra até aí erigida.
E se o assunto forem as pedreiras que esventram os parques naturais das serras de Aire e Candeeiros ou da Arrábida, talvez devam fazer o mesmo. Depois de uma luta aguerrida, nos anos 1990, o Supremo Tribunal Indiano obrigou 470 minas de mármore a encerrarem, no ParqueNacional de Sariska.
Por outro lado, se os problemas de falta de água no Alentejo ou em Bragança precisam de solução, o presidente da TBS terá, com certeza, uma resposta. Por sua causa, hoje, em todo o Rajastão, um dos mais pobres e áridos Estados indianos, existem mais de 10 mil johads construções que retêm as chuvas das monções, erguidas pelas comunidades rurais, em centenas de aldeias. Através da sua política de conservação e gestão da água e das florestas, onde antes havia zonas desérticas, agora há campos agrícolas; onde havia leitos secos, de pó e pedra, há hoje correntes fortes e peixes; onde havia aldeias sem gente, voltou a haver escolas e serviços de saúde.
Pode um homem mudar o mundo? Parece que sim.
Quando o líder da comunidade de Golpalpura, Maangu Meena, chamou Rajendra Singh, estava com cara de poucos pasamigos.
Disse-lhe: "Você e os seus companheiros são boas pessoas, mas estão a fazer tudo mal! Nós não precisamos dos vossos medicamentos, nem da vossa educação. Podemos ter tudo isso na cidade. Se querem fazer algo útil, resolvam o problema da falta de água!"
DE MÉDICO A CAVADOR
Foi um choque. Como podiam voluntários com cursos superiores ser tratados assim? Singh, então com 26 anos, era licenciado em medicina e tinha uma pós-graduação em literatura hindu e os seus amigos também eram "doutores". Haviam largado tudo, abandonado os empregos e as famílias, e há sete meses que se dedicavam às populações daquele distrito.
"Vínhamos para fazer a revolução, combater as injustiças, não para tratar da água", recorda. Os outros foram-se embora, desiludidos. Ele ficou.
"Durante sete meses, cavei um buraco, dez a doze horas por dia, sem saber muito bem o que estava a fazer. Os velhos camponeses iam-me ensinando, enquanto se riam de mim." O esforço deu origem a uma johad, um reservatório tradicional de recolha de chuva, usado durante séculos nas aldeias rurais da Índia. Construídas nos declives naturais, em forma de pequenos lagos ou barragens, as johads serviam para armazenar, durante o ano, a água que caía nas monções. Além de ser usada para usos domésticos e agrícolas, a água capturada ia-se infiltrando e recarregava os lençóis freáticos. Mas já nada disto acontecia.
"Na Índia, a água é um assunto das mulheres.
Nos anos 1980, eram obrigadas a caminhar durante sete ou oito horas para recolherem cerca de 30 litros. Os homens tinham abandonado as aldeias para procurar trabalho na cidade, porque as terras eram tão áridas que não havia agricultura ", conta Singh. Mas o resultado do seu voluntariado, em 1986, foi o primeiro passo para a mudança: na primeira época de chuvas, a johad recolheu tanta água que algumas nascentes de poços secos começaram a correr. O fenómeno não era visto há décadas e isso revelou a Singh a sua verdadeira missão.
Decidido a espalhar a boa nova, organizou uma peregrinação para divulgar a sua forma de combater a seca: palmilhou as povoações que viviam nas margens do rio Arvari, morto há mais de 60 anos.
Na aldeia de Bhaonta-Kolyala, nascente original do curso de água, os habitantes estavam entusiasmados com o que tinha acontecido e pediram a Singh que os ensinasse a fazer johads. Mas ele pôs condições: tinham de formar um Gram Sabha, uma assembleia local, onde cada família tivesse o seu representante. Além disso, todas as decisões relativas ao uso da água e à gestão das florestas e das pastagens tinham de ser tomadas em conjunto.
Criou, assim, uma forma de envolver toda a comunidade na resolução dos problemas que mais a afetavam: a seca extrema, a erosão dos solos, a desertificação.
Nos anos seguintes, as populações ribeirinhas, com a ajuda da organização criada por Rajendra, construíram 375 estruturas, ao longo do rio. Devido à constante recarga de aquíferos, em 1990, o Arvari correu, pela primeira vez, durante umas semanas e, no ano seguinte, durante um mês. Até que, em 1996, se tornou num rio perene, fluindo todo o ano. Seguiram-se outros seis afluentes: Ruparel, Sarsa, Sabi, Bhagani, Jahajwali, Majis Hari todos renascidos pela mão de Singh.
DEMOCRACIA VERDE
Quando chegou a água, chegou também o Governo, pronto a concessionar a exploração pesqueira no rio, agora com peixe em abundância. Mas as populações opuseram-se fortemente. Criaram o Parlamento do rio Arvari, uma assembleia constituída por representantes das 72 aldeias sediadas nas margens do curso de água representa, hoje, mais de 100 mil pessoas e reivindicaram para si a gestão do rio. "Quanta água podemos tirar? Que culturas se devem plantar? Quanta madeira se pode cortar das árvores? Foi este tipo de responsabilidade que os habitantes assumiram", explica Singh.
As grandes beneficiárias desta revolução talvez tenham sido as mulheres.
Deixaram de percorrer dezenas de quilómetros em busca de água potável e podem agora dedicar-se a outras atividades.
Mais: a TBS fomentou uma política de igualdade de género, criando concelhos específicos nos quais as opiniões femininas são tidas em conta e fazendo depois chegar os seus pareceres vinculativos aos Gram Sabha de cada aldeia.
"Na minha cultura, 'civilização' significa respeitar as mulheres, a água e os rios.
Com a regeneração das áreas agrícolas, começou a haver rendimento disponível, que vem da venda do leite e dos cereais.
As mulheres assumiram a gestão desse dinheiro e ganharam poder", nota Singh.
"Agora, podem tomar decisões e são sempre as mulheres que tomam as decisões mais sábias." Estas batalhas culturais são difíceis mas comparando-as com as tentativas de assassínio por parte de industriais das pedreiras ou com os processos judiciais movidos pelo Estado contra si ou a sua organização (377 acusações, das quais foi sempre absolvido), parecem muito simples.
E para Singh, são: "Se vives para a natureza, ela dá-te sempre a proteção de que precisas."
O ativista foi agora convidado pelo primeiro-ministro para integrar a Autoridade Nacional para a Bacia do Ganges, uma agência estatal autónoma, com plenos poderes e meios financeiros, cuja missão é despoluir o rio sagrado. "Deviam fazer o mesmo no Tejo, que bem precisa. Posso vir cá quando quiserem, é só convidarem."
Etiquetas:
Agenda 21,
Agricultura,
Agua,
Biografias,
Desertificação,
Economia,
Homenagem,
Ordenamento Território,
Permacultura,
Politica
Subscrever:
Mensagens (Atom)



