segunda-feira, 30 de março de 2020

Coronavírus: “Na altura da segunda onda, algumas pessoas já terão imunidade”

Fonte: aqui
A médica Rita Sá Machado, responsável de epidemiologia e estatística da Direcção-Geral de Saúde, participou, este sábado, numa sessão de esclarecimento sobre a covid-19 no Fórum Público.

O Fórum Público é um novo espaço em que leitores, jornalistas e convidados podem debater em grupos de discussão temáticos, e tirar dúvidas sobre diversos temas junto de especialistas.

Os hospitais portugueses estão a recorrer a medicamentos que já mostraram ter efeitos positivos em alguns doentes?
Não existe um tratamento específico para doentes com covid-19. Existem, sim, alguns tratamentos experimentais que têm obtido bons resultados e outros com resultados inconclusivos. Portugal, tal como o resto do mundo, está a utilizar fármacos que parecem ter algum efeito nestes doentes e que são autorizados pela entidade reguladora nacional (INFARMED) e europeia (EMA).

Ainda estão a ser utilizados critérios epidemiológicos (e.g. tempo de exposição, área geográfica) para determinar quem deve ser testado? Se sim, quais?

Os critérios epidemiológicos em vigor na Região Autónoma dos Açores são os preconizados pela Região, devido às suas especificidades insulares. Quanto ao número de testes, tal como sabe, Portugal, está a fazer todos os esforços para aumentar a capacidade laboratorial em todos os pontos do país.

Como é que o número de testes realizados influencia a percepção da dinâmica do covid-19? Veremos um aumento de infectados ao realizar mais testes?

O número de testes realizado é um tópico bastante importante, mas que tem de ter em conta diferentes factores: a capacidade instalada de teste (disponibilidade de material e reagentes; recursos humanos, entre outros); a fase da epidemia em que nos encontramos; a percepção de risco, entre outros. A relevância do aumento do número de testes em Portugal coaduna-se com a nossa necessidade de perceber o número de pessoas infectadas com o vírus SARS-CoV-2. No entanto, o aumento do número de testes não dará, necessariamente, um aumento do número de infectados. Numa fase mais tardia da epidemia, a necessidade de realização de testes já não será tão premente.

Veremos uma nova vaga de covid-19 em 2021 que obrigue a um novo isolamento?

Neste momento, e mediante o nosso conhecimento actual da epidemia, é expectável que possa surgir uma segunda onda. Contudo, não quer dizer que as medidas de saúde pública implementadas nessa altura serão iguais às que estamos a implementar agora. Actualmente a nossa população não tem qualquer imunidade ao vírus SARS-CoV-2, mas na altura da segunda onda, algumas pessoas da nossa população já terão essa imunidade.

É preciso comprar algum detergente especial ou sabonete para eliminar o vírus?

A limpeza e desinfecção são de extrema importância na resposta efectiva ao vírus SARS-CoV-2. São uma das muitas medidas que dependem de nós, indivíduo. Assim, os “nossos detergentes de casa” são os recomendados (o desengordurante da louça, a lixivia, entre outros). Estes produtos devem ser manuseados com os devidos cuidados, cumprindo as indicações dos fabricantes. Quanto ao sabão e sabonete, o mais relevante é a forma de fazer a higienização das mãos, assim como o tempo que demoramos a realizar esta actividade. Existem vídeos da DGS e de outras entidades internacionais que poderá ver, se quiser, para mais informações.

É preferível ir ao supermercado ou usar sistemas de entrega ao domicílio?
As duas opções são aceitáveis, se cumprirmos as boas práticas do distanciamento social. Contudo, os sistemas de entrega ao domicílio têm menor exposição social, pelo que podem ser preferidos.
O que comprar sem levar o supermercado para casa?

Já se sabe se é possível adquirir imunidade ao novo coronavírus?

A evidência actual mostra-nos que, efectivamente, poderá haver imunidade adquirida à doença. Contudo, ainda é importante perceber, entre outras questões, o tempo de duração desta imunidade, e se esta é transversal a todos os grupos etários. Nos últimos meses, tem havido um esforço enorme na partilha de informação científica por todo o mundo.

As grávidas são consideradas grupo de risco?

As grávidas não são grupo de risco prioritário, já que a transmissão vertical (de mãe para filho) parece não existir. Em 2016, quando o mundo enfrentava a epidemia da infecção por vírus Zika era exactamente o oposto. As grávidas eram a nossa maior preocupação. A DGS está a preparar uma orientação específica para grávidas, que será publicada muito brevemente.

Quando é que quem está em quarentena voluntária pode visitar populações de risco como idosos?

Alguém que está em quarentena, só poderá contactar com outras pessoas no final da quarentena. Se estamos a falar desta altura, em que as pessoas fazem quarentena voluntária, então esperar duas semanas para ver um familiar, poderá ser o mais indicado.

Os portadores de doença respiratória ou VIH devem usar máscara?
A evidência diz-nos que os doentes com doenças específicas (a que os médicos normalmente dizem “doentes com comorbilidades”) devem usar máscara em contextos específicos como a ida a serviços de saúde, locais com grandes aglomerados populacionais. A utilização de máscara facial por pessoas doentes durante surtos ou pandemias é útil para impedir a propagação do vírus a contactos próximos ou outras pessoas da comunidade. De chamar apenas a atenção que, mais do que utilizar uma máscara, temos de estar capacitados para o uso correcto da mesma!

Como é que o vírus reage a temperaturas elevadas?
Ainda não existe evidência conclusiva nesta área.

domingo, 29 de março de 2020

Food, Earth, Happiness [Official - Short Film on Natural Farming]

A majestic journey through Japan, Korea, and the United States that turns our perceptions of food (and life) upside down in a simple and poetic way. Solutions for our most pressing social and ecological issues come from unexpected places in a bite-sized film that New York Times bestselling author Alicia Bay Laurel calls “beautiful … both art and documentary.” Inspired by the work and philosophy of Masanobu Fukuoka, artist Patrick M. Lydon (USA) and editor Suhee Kang (South Korea) spend four years meeting and studying with multiple generations of modern day natural farmers. The result is a film that weaves breathtaking landscapes and an eclectic original soundtrack together with stories and insights from an inspiring cast of natural farmers, chefs, and teachers. The film gives modern-day relevance to age-old ideas about more sustainable, regenerative, and harmonious ways of living with the earth. Current-day leaders in the natural farming movement featured in the film include Yoshikazu Kawaguchi (Japan), Seonghyun Choi (Korea), Larry Korn (United States), and a dozen others. Their stories illuminate a brilliant-yet-maddeningly-simple path to sustainability and well being, one popularized by the late Masanobu Fukuoka, author of the seminal environmental text “One Straw Revolution.” Far-reaching in its application, “Food, Earth, Happiness” offers philosophical seeds to grow solutions for social and environmental justice. – Note: Officially released on January 1, 2019, this film is an abbreviated version of the acclaimed environmental documentary Final Straw: Food, Earth, Happiness (74 min / 2015). It has been edited by the directors for public and classroom use.

sábado, 28 de março de 2020

O Mito da Meritocracia…A Piada Que se Transformou num Dogma



O termo “meritocracia” foi criado por Michael Young, quando escreveu o romance satírico em 1958, “The Rise of Meritocracy”. No livro, Young descrevia um tipo de auto-ilusão em que as pessoas ricas se convenciam que a sua riqueza era evidência da sua superioridade moral. A piada é que a sátira virou dogma. Hoje vivemos da meritocracia. Onde nos convenceram que aquilo que alcançamos depende apenas da nosso trabalho árduo e perseverança. Se não consegues, a culpa é tua. Não te esforçaste o suficiente.

Não só isso, como se criou outra piada interessante. A ideia da meritocracia começou por ser uma ideia anti-aristrocrática já que, cada um de nós, independentemente das nossas origens, poderia ser rico, famoso e bem sucedido dependendo apenas do nosso mérito. No entanto, esta atitude/ideologia transformou-se num modelo de perpetuação de uma nova aristrocacia, já que um dos maiores fatores para ser bem sucedido na vida é ser filho de pessoas bem sucedidas. Mesmo que tenham más notas na escola.

E ser filho de pessoas bem sucedidas influencia o nosso futuro sucesso de duas formas. Os genes que herdamos e o ambiente familiar e sócio-económico em que somos criados. Dado que ninguém escolhe o seu próprio genoma, não estou a ver onde está o mérito disso. E como ninguém escolhe a família onde nasce – se rica se pobre, com bom ou mau aporte nutricional, se bem conectada em termos sociais ou nem por isso, se numa família estruturada ou não – também não me parece que seja possível atribuir o nosso mérito a essas ocorrências.

Aliás, uma das passagens do Behave, do Salpolsky, que mais me impressionou, foi esta:

“A conexão entre a adversidade infantil e a maturação frontocortical é visível quando se estuda a pobreza infantil. O trabalho de Martha Farah, da Universidade da Pensilvânia, Tom Boyce, da UCSF, e outros demonstra algo ultrajante: aos cinco anos, quanto menor o estatuto socioeconómico de uma criança, em média, (a) maiores os níveis basais de glicocorticóides e/ou mais reativa a resposta ao stresse glicocorticóide, (b) mais fino é o córtex frontal e menor o seu metabolismo, e (c) mais fraca é a função frontal em relação à memória operacional, regulação das emoções, controlo de impulsos e tomada de decisões executivas; além disso, para obter uma regulação frontal equivalente, as crianças com estatuto socioeconómico mais baixo devem ativar mais o córtex frontal do que as crianças com estatuto socioeconómico mais alto. Além disso, a pobreza infantil prejudica a maturação do corpo caloso, um feixe de fibras axonais que conectam os dois hemisférios e integram a sua função. Isso é tão errado – escolha estupidamente uma família pobre para nascer e, no jardim de infância, a probabilidade de ter sucesso nos testes de marshmallow da vida já estão contra si.

Pesquisas consideráveis ​​concentram-se em como a pobreza “penetra na pele”. Alguns mecanismos são específicos para o ser humano – se é pobre, é mais provável que cresça próximo de toxinas ambientais, num bairro perigoso, com mais lojas de bebidas alcoólicas do que os mercados que vendem vegetais; é menos provável que frequente uma boa escola ou tenha pais com tempo para ler para si. É provável que na sua comunidade tenha pouco capital social e você, baixa auto-estima.”

Mas estas pessoas, para além de terem nascido numa família com condições sócio-económicas favoráveis e terem a bênção genética, também conseguiram ter o “mérito” de nascer num país, numa sociedade, capaz de aproveitar todo o seu esforço e mérito. Como exemplo, se fossem mulheres e nascessem na Arábia Saudita, dificilmente iriam conseguir alcançar alguma coisa de relevante, dadas as limitações impostas às mulheres nessa sociedade. Ou se tivessem nascido numa aldeia na Nigéria e a vossa aldeia fosse dizimida pelo Boko Haram e vocês transformados em Crianças-Soldado, dificilmente iriam ter capacidade para criar uma Startup fantástica na área da Inteligência Artificial. Portanto, parabéns pela vossa sorte.
Os “Meritocráticos” Versus Instituições Governamentais

A coisa mais perversa associada a esta ideia da meritocracia, é que levou a uma corrente liberal anti-Estado. No fundo, a lógica é a seguinte: “se eu fui bem sucedido na vida à conta do meu esforço e tu não foste bem sucedido porque és um preguiçoso e não te esforçaste o suficiente, porque é que eu tenho que pagar mais impostos para te sustentar a ti?”

Surge assim a ideia do “Self Made Man” criado no vazio, como se não tivesse sido o Estado (ou seja, todos nós), os responsáveis pela criação das infraestruturas, das instituições e serviços que permitiram ao “Self Made Man” prosperar. Mas o mais importante, é que o Estado é dos poucos mecanismos que poderá impor um verdadeiro sistema meritocrático, ajudando a reduzir as desvantagens existentes entres os diferentes estratos sociais, para que as crianças que tiveram o azar de ser menos afortunadas nos ambientes em que nasceram, tenha menos desvantagens em comparação às crianças que nasceram em “berços de ouro”. Um estudo da OCDE mostra quantas gerações são necessárias para subir no estrato sócio-económico. E não há surpresas…países nórdicos, conhecidos pela sua menor desigualdade sócio-económica, permite uma mais rápida mobilidade social.


Não só isso, como o desrespeito pelo Estado demonstrado por esta ala meritocrática é um pontapé na boca a todos nós, já que o investimento público em investigação, inovação, tecnologia é um dos grandes pilares que permite que estes “Self Made Man” vão surgindo. O telemóvel que temos na mão, é graças ao investimento do Estado. Mesma coisa para GPS, baterias de lítio, airbags e a Internet. E a mesma coisa para muitos dos fármacos que consumimos hoje em dia (1, 2, 3).

Mas não é apenas isso. É a sociedade e todas as instituições criadas pela sociedade que permitiram a evolução cultural e a acumulação de conhecimento. Portanto, quando um “Self Made Man” cria alguma tecnologia revolucionária, o mérito dele é uma ínfima parte de todo o processo de criação, já que assenta em conhecimento produzido por milhares de pessoas que o antecederam. Aliás, hoje em dia grandes descobertas são feitas por equipas de pessoas e não por uma pessoa só, dada a complexidade cada vez maior em fazer avançar o conhecimento e produzir tecnologia.

Mas mais…estes Meritocratas não seriam nada, na ausência das pessoas “sem grande mérito” ou status social, que lhes produzem a comida, constroem a casa, mantém os sistemas de canalização, de eletricidade e aquecimento, fazem recolha do lixo, etc. Aqueles funcionários sem mérito que recebem pouco, mas que mantêm todas as nossas infrastruturas a funcionar.

Citando o Ricardo Lopes, do Canal Dissenter, esta atitude dos meritocratas “é uma falta de respeito abjecta pela sociedade em que vivem, pela longa história da humanidade e o nível mais alto de arrogância e egocentrismo que alguém pode atingir.“

O Meritocrata não é nada sem a sociedade em que está inserido e as condições que essa sociedade lhe proporcionou para se transformar neste “Self Made Man”, super empreendedor, que enriqueceu imenso graças a uma ideia genial criada às costas de milhares de pessoas que contribuíram para que essa ideia genial pudesse ter surgido.
Conclusão

Portanto, o nosso mérito será qualquer coisa como 90% sorte, 10% esforço. Certamente que ver as coisas desta forma tira muito glamour a todas as nossas conquistas sociais. Mas é a realidade.

Que fique claro, não se está a falar contra os empreendedores. Eles têm mérito e alguns deles revolucionaram a sociedade em que vivemos. Agora, que se acabe com esta ideia que surgem no vazio, que o seu mérito é exclusivamente seu e que os com pouco mérito o são por “preguiça” e “não se terem esforçado o suficiente”. Obviamente que também existem os preguiçosos, mas a generalização como forma de atacar o Estado Social para reduzir a contribuição do “Self Made Man” via impostos para a sociedade, é só ridícula.

E, para quem acha que o “Self Made Man” conseguiu erguer-se à custa de um trabalho imenso, investindo 100 horas por semana na sua carreira, desengane-se. Os CEOs trabalham em média 60 horas por semana. Não é mau…mas agora vamos imaginar a mãe solteira com dois empregos, a receber o ordenado mínimo, sem ajuda em casa para tomar conta dos filhos, o que significa que ainda tem que fazer a lida doméstica e acompanhar as crianças na escola…faltará esforço a esta pessoa? Onde está a sua recompensa por este esforço? Ou terá tido azar relativamente às suas condicionantes de vida?

E terminamos com um vídeo do Rationality Rules, que devia ser visto por todos estes Self Made Man liberais, que pensam no Estado como um sorvedouro de impostos inútil, que apenas serve para matar a iniciativa privada:

sexta-feira, 27 de março de 2020

Coronavírus sobrevive por até 3 dias em plástico ou maçaneta...

“Uma pesquisa analisou o tempo de vida do coronavírus fora do corpo humano. O estudo constatou que o vírus pode sobreviver por até 72 horas em materiais como o plástico e metal inoxidável. No papelão pode durar 24 horas. No cobre, dura 4 horas e, no ar, 3 horas.

Essas informações podem dar algumas pistas de como o vírus se transmite com rapidez. Cuidem-se, gente!”
Fonte: aqui

O coronavírus pode sobreviver por até 72 horas em materiais como o plástico e metal inoxidável. Em papelão, ele pode durar 24 horas, indica estudo feito por pesquisadores do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas e da Universidade de Princeton, ambos dos Estados Unidos. Já no cobre, ele dura só quatro horas, e no ar, três. Divulgada na quarta-feira (11), a pesquisa analisou o tempo de vida do novo coronavírus fora do corpo humano. As informações podem dar pistas sobre como o vírus se transmite com rapidez.... 

quinta-feira, 26 de março de 2020

Carta aberta - A emergência é social e económica



Não queremos repressão, queremos inclusão e solidariedade. Desde já manifestamos toda a nossa solidariedade com quem reivindicar condições de trabalho e de vida. Os acontecimentos recentes demonstram que, para fazer face à grave situação em que vivemos, precisamos da consciência e da organização de quem sofre na pele a ameaça da covid-19.

Carta aberta a subscrições através do endereço resistirnaemergencia@gmail.com

Publico, 20 de Março de 2020


Manifestamos a nossa mais profunda discordância e preocupação face à decisão de decretar o estado de emergência e à falta de oposição institucional que tal decisão encontrou, quer pelo apoio declarado, quer pela abstenção. No mesmo dia em que, por proposta do Presidente da República, é usado um instrumento de suspensão de direitos fundamentais conquistados com a luta e mesmo com a vida de quem trabalha, o Parlamento rejeitou medidas que, neste momento, são as que verdadeiramente dariam resposta à emergência social e económica que o país atravessa.
Consideramos que esta decisão estabelece erroneamente que a resposta à ameaça à saúde pública gerada pelo coronavirus (covid-19) requer sobretudo medidas repressivas, que põem em causa princípios fundamentais da democracia. Suspender direitos fundamentais como o direito à greve e o direito de resistência que nos últimos dias, contra os variados abusos, foram o garante da saúde e segurança de centenas de trabalhadores – as trabalhadoras da limpeza na Metro do Porto, os trabalhadores dos centros comerciais em todo o país, as pressões para a laboração em sectores não fundamentais para a economia mesmo no caso em que foi decretado o estado de calamidade como no município de Ovar – transfere para uma parte da população o grosso dos custos e dos riscos, ao mesmo tempo que lhes coarcta qualquer possibilidade de defesa dos seus direitos mais básicos, incluindo de sobrevivência.


Tem sido a resposta voluntária, comunitária e -coagida por parte de quem assegura funções fundamentais para a vida comum a maior arma na contenção da propagação do vírus. Trabalhadores do público e do privado acorreram prontamente ao espírito de missão em todos os serviços essenciais, organizaram-se colectivamente para prestar ajuda a quem não pode sair de casa, colocaram-se em quarentena voluntária. Organizações sindicais dos serviços públicos suspenderam o aviso prévio de greve sem qualquer coacção. Contudo, muitos profissionais de saúde trabalham sem qualquer protecção, nos lares há violações diárias dos direitos de trabalhadores e de utentes – a população que está em maior risco –, nos supermercados continuamos a assistir à inexistência de kits individuais de protecção, as operadoras de comunicações não respeitam as orientações da Direcção-Geral da Saúde, sectores não fundamentais da economia continuam em funcionamento sem a tomada de quaisquer medidas.


Perante a ameaça da perda de rendimentos, as pessoas continuam a ter contas por pagar: água, luz, renda, comunicações, transportes. Sobre isto, nenhuma medida. Para quem está a trabalhar, garantindo que o país sobrevive, nenhuma medida de garantia dos seus direitos fundamentais. Todas as medidas que o estado de emergência prevê estão já reguladas no Sistema de Vigilância em Saúde Pública e na Lei de Bases da Protecção Civil, sem qualquer necessidade de suspensão de direitos fundamentais, num momento em que é necessário o seu reforço, nomeadamente quanto aos direitos económicos e sociais de todos. Exigimos a tomada imediata de medidas sociais e económicas que correspondam às suas necessidades. Não queremos repressão, queremos inclusão e solidariedade. Desde já manifestamos toda a nossa solidariedade com quem reivindicar condições de trabalho e de vida. Os acontecimentos recentes demonstram que, para fazer face à grave situação em que vivemos, precisamos da consciência e da organização de quem sofre na pele a ameaça da covid-19.

(carta aberta a subscrições através do endereço resistirnaemergencia@gmail.com)


Subscrições individuais

André Barata, filósofo
António Costa Santos, jornalista
Antonio Gori, activista
Bruno Peixe Dias, investigador
Carolina Moreira, técnica de intervenção social
Clarisse Canha, activista feminista
Carlos Moreira, reformado
Carmo G. Pereira, educadora sexual para adultos
Cristina Roldão, socióloga
Daniela Cartaxo Serralha, assessora
Diogo Duarte, antropólogo
Diogo Ramalho, perchista
Fannie Vrillaud, editora de vídeo
Filipa Vala, investigadora
Igor Constatino, operário fabril
Fernando Ramalho, músico
Filipa Baptista, coordenadora de projectos
Gonçalo Zagalo Pereira, funcionário público
Inês Lago, actriz
Inês Pereira, socióloga
Inês Ribeiro, médica veterinária
Joana Manuel, actriz e dirigente sindical
José Reis Santos, historiador/empresário
João Santos, historiador
José Viana, professor
Judite Fernandes, escritora
Lídia Fernandes, investigadora e activista feminista
Mamadou Ba, activista anti-racista
Maria da Paz Campos Lima, socióloga
Mariana Tengner Barros, coreógrafa/bailarina
Marta Bernardes, artista
Marta Mateus, cineasta
Marta Nascimento Lima, produtora audiovisual
Miguel Bonneville, artista
Miguel Cardoso, tradutor e poeta
Nuno Bio, consultor de gestão
Paula Gil, assessora e activista
Patrícia Pereira, socióloga
Patrícia Santos Pedrosa, arquitecta
Raquel Ramos, auxiliar de acção médica
Ricardo Andrade, musicólogo
Rita Silva, investigadora e activista
Rui Viana Pereira, activista
Sérgio Machado Letria, programador cultural/director da Fundação José Saramago
Sérgio Vitorino, tradutor
Simone Tulumello, investigador
Solange Santos, actriz
Teresa Feteira Azevedo, advogada
Teresa Pinto Mendes, professora
Tiago de Lemos Peixoto, escritor
Vânia Martins, psicóloga
Vera Silva, estudante

Subscrições colectivas

Colectivo Toupeira Vermelha
Habita – Associação pelo Direito à Habitação e à Cidade
Marcha Mundial de Mulheres – Portugal
Panteras Rosa – frente de combate à LesbiGayTransfobia
Stop-Despejos

E depois da pandemia: uma mudança de paradigma?



Por Lourenço Pereira Coutinho (Lisboa, 1973) é doutorado em História Institucional e Política Contemporânea e Investigador Integrado do CHAM- Nova FCSH.

Portugal, uma semana fechado em casa. A realidade assemelha-se cada vez mais à ficção científica. As ruas estão semidesertas, as pessoas andam isoladas e evitam-se, a maioria do comércio e restaurantes estão fechados, e as notícias e conversas esqueceram o futebol, as tricas políticas, e a vida dos vizinhos. No meio do silêncio e da reclusão forçada, existem muitos gestos de generosidade e solidariedade: de médicos, enfermeiros, bombeiros, igrejas, forças armadas e de segurança, do governo e da oposição, de voluntários e gente que quer ajudar. Vivemos um tempo que eu só conhecia dos livros de História.

Das vezes que fui ao supermercado, ao banco e à farmácia, vi as pessoas a esperar com paciência pela sua vez, sem discussões ou atropelos, conscientes do comportamento cívico que é exigido a cada um de nós. Penso que é gratificante para todos constatar esta solidariedade, civismo, e vontade de ultrapassar uma crise, que há poucos meses seria difícil de imaginar. Aliás, estes exemplos têm-se repetido pelo mundo, governos, oposições, e populações unidos na defesa da nossa vida e da humanidade. Infelizmente, tem de haver sempre uma nota dissonante. Donald Trump consegue sempre superar-se em estupidez, até mesmo num momento como este. A insistência na ideia do “vírus chinês”, e a tentativa de comprar à Alemanha a patente de uma vacina em exclusivo para o Estados Unidos (algo referido pela Chanceler Merkl e pelo laboratório), são mais uma prova da sua amoralidade. Para ele, tudo é business.

Boçalidades de Trump à parte, esta crise faz-nos também pensar sobre os nossos hábitos e estilos de vida. No ano 1000, a população humana era de cerca de 300 milhões; no inicio do séc. XIX, era já de cerca de 1 bilião de pessoas. Um século depois, era de 2 biliões e, na década de 1980, de 4 biliões. Hoje, é de cerca de 7 biliões e, em 2050, poderá atingir os 11 biliões. Haverá recursos para tantos seres humanos viverem de forma digna e sustentável? Ou as assimetrias vão acentuar-se cada vez mais? E será que as pessoas vão continuar a aglomerar-se em grandes centros urbanos, com vidas cada vez mais apressadas, exigentes e robóticas?

Esta crise vai dar-nos ensinamentos, e ajudar-nos a repensar as nossas vidas. Perceber que o teletrabalho é uma solução que resulta, que nos permite ganhar qualidade de vida, e reduzir a concentração e poluição nos grandes centros urbanos. Vai também ajudar-nos a perceber que podemos abdicar do consumismo desenfreado, e que os gestos de solidariedade e abnegação valem mais que o último telemóvel, umas férias de sonho, ou jantar no restaurante da moda. Definitivamente, o nosso paradigma vai ter de mudar. Que, ao menos, esta terrível crise sirva para nos fazer pensar nisso.

quarta-feira, 25 de março de 2020

Opinião Daniel Oliveira -O tsunami que se aproxima

Não sei a melhor forma de combater este vírus. Acredito no que dizem os especialistas, sabendo que, passo o pleonasmo, os especialistas dizem o que sabem sobre o que sabem. No caso dos epidemiologistas, sobre como se trava uma epidemia. Não ponderam, porque não é esse o seu papel, o custo e o benefício das medidas que propõem para além da sua especialidade. Geralmente, um epidemiologista não sabe se a medida de contenção que propõe causa tal dano social ou económico que prejudicará mais a saúde pública do que está a prevenir. E é por isso que quem deve explicar a melhor forma de conter um vírus deve ser um epidemiologista, quem deve explicar a melhor forma de conter a crise económica que aí vem deve ser um economista e a pessoa capaz de ponderar cada medida é o político, com a ajuda destes e de outros técnicos. Porque é ele que tem o retrato geral.

Quando sairmos de casa é bom que tenhamos empregos para onde voltar. São eles que nos dão de comer e saúde. É por isso que todas as medidas tomadas devem ser proporcionais. Sobretudo quando agimos perante o desconhecido. A crise que aí vem terá dimensões ciclópicas.

A falta de retrato geral não nos pode fazer correr o risco de passar do oito para o oitenta, como é habitual neste tempo de histeria em rede. Da despreocupação para a paralisia. Quando se fala de preservar, na medida do possível, o dia seguinte à epidemia, a resposta é irada, como se tivesse falado o mais imbecil dos irresponsáveis. Um criminoso, mesmo. O dia seguinte vê-se depois, respondem. 

Lamento, mas não pensar no dia seguinte, mesmo no meio de uma crise, é que é típico dos irresponsáveis. Porque quando sairmos de casa é bom que tenhamos empregos para onde voltar. São eles que nos dão de comer e saúde. É por isso que todas as medidas tomadas devem ser proporcionais. Sobretudo quando agimos perante o desconhecido.

Como ninguém está para a ir virado – um pânico de cada vez –, não se prestou a atenção normal a expressões tão coloridas como “tsunami económico” e “economia de guerra”, usadas pelas principais figuras deste governo. A crise que aí vem, é bom prepararmo-nos, terá dimensões ciclópicas. E se tomarmos decisões apenas movidos pelo pânico coletivo — e não pela ponderação de vários fatores —, ela será uma autêntica tragédia humanitária à escala nacional, europeia e global. Que não deixará de ter efeitos políticos que, também eles, farão as suas vítimas.

O Governo apresentou um pacote económico a que poucos portugueses ligaram. Estava tudo entretido com o estado de emergência, julgando que as estradas iam ser barricadas no dia seguinte. 

Ou que o vizinho do lado que teima em por o nariz fora da janela ia ser finalmente caçado pelas autoridades. Mas há uma urgência que pode vir a ser, nas suas consequências para a nossa sobrevivência e saúde, tão importante como o combate à Covid-19: garantir que a nossa capacidade produtiva não se evapora de um dia para o outro. Recordo que o nosso SNS depende de recursos financeiros e que eles dependem da economia. E um SNS dizimado causará mortes que nunca ninguém contabilizará.

O objetivo das medidas apresentadas é dar liquidez às empresas. Não é um pacote de estímulo económico. É, apesar da disponibilidade financeira de 9.200 milhões de euros, um pequeno kit de primeiros socorros para que a pancada não se sinta toda já. Uma tentativa desesperada do Governo para que as empresas cheguem ao fim desta epidemia com capacidade de, pelo menos, voltarem a funcionar. Não cura, nem sequer previne. Apenas dá um bocadinho de oxigénio. Que não é eterno se a espiral de ansiedade e medo tomar conta de tudo.

Depois das primeiras medidas para dar um sinal às empresas e aos trabalhadores de que o Governo iria fazer alguma coisa, Pedro Siza Vieira e Mário Centeno avançaram com estas, um pouco mais ambiciosas para as empresas, prometendo para mais tarde medidas para os cidadãos. Medidas que não poderão ignorar o apoio a quem vai deixar de conseguir pagar a prestação ou a renda de casa. Por agora, e muito resumido, é isto: prorrogações de prazos de pagamentos ao fisco e à segurança social, uma moratória que suspende o pagamento de juros e de capital a empresas que não o consigam pagar, uma linha de crédito de 3 mil milhões de euros para as empresas.

Os apoios a empresas devem, apesar da urgência, ter alguns critérios sociais. O presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP), João Vieira Lopes, não gostou das regras da linha de crédito e, qual incendiário, lançou a sugestão de despedimentos imediatos. E a CCP não se dirige a pequenos lojistas aflitos. Parece-me evidente que os apoios públicos devem ser dirigidos apenas a quem esteja realmente a segurar o emprego. Seria extraordinário que o estado de emergência obrigasse a trabalhar, proibisse a greve, mas deixasse aos patrões toda a liberdade para despedir.
Não falta muito para o Governo ficar sem munições. Respostas mais robustas têm de vir da Não Europeia. Se se comportar como em 2008, manda gastar agora e depois deixa os mais frágeis de calças na mão. A estreia de Christine Lagarde nesta crise fez antever o pior. Não ofereceu um “tudo o que for preciso” de Mario Draghi aos mercados. Num momento de enorme incerteza e receio, disse que não competia ao BCE reduzir os spreads das taxas de juro da dívida pública, com imediatos reflexos nas bolsas. Esta quinta-feira, deu um sinal diferente: o BCE anunciou a compra de ativos do sector público e privado no valor de 750 mil milhões de euros. Os resultados foram imediatos, com os juros da dívida dos países periféricos a cair. Veremos se é consequente. Se não for, o que aí vem enterrará de vez a União.

terça-feira, 24 de março de 2020

Francisco Louçã assina carta com 300 economistas para pedir emissão de “coronabonds”

Economistas pedem solução europeia e conjunta para fazer face aos impactos do surto. "Covid-19 poderá destruir a zona euro"
Fonte: aqui

Isto é uma crise europeia, exige uma solução europeia”. O argumento é usado para apoiar a emissão de obrigações de dívida europeia durante a crise do Covid-19 e pode ler-se numa carta aberta dirigida ao Conselho Europeu e assinada por 300 economistas, entre os quais o português Francisco Louçã.

Na carta assinada pelo fundador do Bloco de Esquerda, mas também por nomes como Thomas Piketty e Mark Blyth, propõe-se a emissão de dívida conjunta para financiar o esforço de resposta ao Covid-19. Se tal não acontecer, argumenta Louçã, “o risco de grave recessão e de crise de dívida volta a impor-se”.

Os economistas defendem mesmo que a crise da Covid-19 poderá “destruir a zona Euro”, recordando que o Banco Central Europeu “afirmou que faria o que for necessário” e que “nenhum Estado membro deveria ter de recorrer a um bail-out ou assinar um novo memorando para acesso a fundos de emergência”. Por isso, e em tempo de “solidariedade”, os signatários da carta pedem um “instrumento comum de dívida” para mutualizar os custos, uma vez que o impacto do surto atingirá, expectavelmente, toda a Europa.

A proposta voltou a estar em cima da mesa esta semana, quando Angela Merkel admitiu, numa reunião extraordinária do Conselho Europeu, estudar soluções para partilhar os custos da crise a nível europeu - uma solução que foi discutida, mas nunca adotada, durante a crise económica que afetou principalmente os países do sul. Na terça-feira, como o Expresso noticiou, António Costa foi um dos defensores desta solução no encontro de líderes europeus da passada terça-feira.

Conforme noticiou a “Bloomberg”, esta hipótese começou por ser levantada pelo primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte. A chanceler alemã terá assegurado que tinha pedido ao seu ministro das Finanças para analisar a situação, o que já é por si só uma novidade, uma vez que a Alemanha nunca tinha admitido a possibilidade de se recorrer a este instrumento.

segunda-feira, 23 de março de 2020

Coronavirus e as superfícies comerciais


Já vi um pouco de tudo. Funcionários nas caixas de atendimento ao público com máscara e luvas, funcionários com máscara e sem luvas, funcionários com luvas e sem máscara, funcionários com máscaras e sem luvas. 

Então, o que deve ser feito? O que está ou não correcto? 

Deve o funcionário da caixa de atendimento ao público usar luvas? Se as usar, como as deve usar?
Na minha opinião, o funcionário não deve usar luvas. O vírus propaga - se muito mais facilmente através das luvas do que através das mãos. O vírus permanece durante mais tempo nas luvas do que nas mãos, logo aumenta o risco de contaminação de superfícies, logo, pessoas. Se a optar por usar luvas deveria mudar de luvas de cliente para cliente e não utilizar as mesmas luvas durante todo o seu período de trabalho. No final do trabalho as mesmas luvas estarão profundamente contaminadas de vírus e bactérias. 

Deve o funcionário usar máscara? Sim. Os funcionários das caixas nem sempre conseguem manter a distância de segurança entre os seus clientes, dada a proximidade das compras, o ato de recolha e o seu pagamento. A máscara será uma barreira de protecção à entrada de vírus devido à sua proximidade. Além disso, apesar de ter sido reduzido o fluxo de clientes por área, o número total de cliente é na mesma enorme. A máscara deveria ser substituída de 3 em 3 horas por uma nova. 

Então, o que deverão os responsáveis destes estabelecimentos fazerem para salvaguardar a segurança dos funcionários e a dos seus clientes? Devem colocar/disponibilizar uma solução alcoólica antiseptica de higienização das mãos junto de cada funcionário de caixa para estes poderem higienizar as mãos de cliente para cliente, evitando assim a infecção cruzada. O funcionário deve passar esse líquido antiseptico por toda a superfície das mãos, cumprir a norma da lavagem das mãos e deixá-las secar ao ar ambiente sem nunca as secar com pano ou toalhete. Devem - no fazer, após tocar nos produtos alimentares entre outros, de cliente para cliente. Não deve tocar com as mãos e nada para além do essencial e não devem tocar com as mãos na cara, nariz, boca ou olhos sem primeiro as higienizar.
Os responsável do estabelecimento devem fornecer máscaras suficientes aos seus funcionários para serem substituidas de tempos a tempos. 

Eu sugeri à gerência de deveria colocar uma solução antisseptica de higienização das mãos à saída do estabelecimento para que todos os clientes pudessem higienizar as mãos antes de regressarem a casa. 

Como devem os clientes se comportarem dentro do estabelecimento?
Devem fazer as suas compras essenciais o mais rápido possível. Devem evitar contacto de frente com outros cliente que estejam próximos. Mantenham uma distância de segurança de um metro e meio. Evitem falar, só mesmo o necessário e se possível que não seja de frente. É durante a fala que mais particular de saliva são projectadas pela nossa boca. Evitem que os idosos possam ir às compras porque os mais novos além de não estarem tão susceptíveis, são mais resistentes à existência de complicações caso venham a ficar infectados.
No percurso mercado casa, não toquem com as vossas mãos na cara.
Sempre que chegam a casa deve logo lavar as mãos antes de tocar em qualquer objecto.
Se tiverem essa possibilidade usem uma solução antisseptica de higienização das mãos à entrada de casa. Esta é uma boa medida e bastante eficaz.

domingo, 22 de março de 2020

Coronavírus e clima: duas emergências que se tocam, por Ricardo Garcia

Fonte: aqui

Em Dezembro passado, a emergência climática estava no topo dos noticiários. A mobilização era grande e as aspirações, claras. Queríamos um mundo em que fosse possível ir a pé para a escola, de bicicleta para o trabalho ou de comboio para as férias. Um mundo que nos permitisse atravessar o oceano num veleiro, como faz a jovem Greta, para evitar o crime ecológico de andar de avião.

Ninguém poderia imaginar que, três meses depois, as estradas estariam vazias, os carros na garagem, os aeroportos às moscas e a maior parte de nós a trabalhar em casa. E que, por isso, a qualidade do ar melhorasse em muitas cidades e as emissões de gases com efeito de estufa caíssem de uma hora para a outra – como já se comprovou na China.
Pelos piores motivos, a pandemia do coronavírus está a ter alguns efeitos colaterais positivos no ambiente. Mas até que ponto isso pode mudar o futuro?

A melhoria da qualidade do ar é transitória. Mas não deixa de ser relevante. A Organização Mundial da Saúde diz que 4,2 milhões de mortes por ano são atribuíveis à poluição atmosférica, incluindo 1,1 milhões na China e 29 mil na Itália. Embora astronómicos, são números frios, de óbitos invisíveis, que não acompanhamos em directo nas notícias – como tragicamente assistimos agora com o coronavírus.

A queda nas emissões de CO2, fruto do abrandamento dos transportes e da indústria, também não deve perdurar. Basta ver o que aconteceu na última crise económica. Em Portugal, o consumo de gasóleo e gasolina caiu 18% entre 2010 e 2013, segundo dados da Direcção Geral de Energia e Geologia. Mas, desde o fim da crise, tem vindo a subir paulatinamente. Em 2019, metade daquela redução já tinha sido anulada.

Perante as possíveis consequências das alterações climáticas – e não nos podemos esquecer das 72 mil pessoas que morreram na onda de calor que varreu a Europa no Verão de 2003 –, uma redução nas emissões de CO2 este ano seria bem-vinda. Mas o custo deste benefício é inaceitável: milhares de mortes, uma nova recessão económica e a suspensão abrupta da vida tal como a praticávamos.
Do lado negativo, o coronavírus pode conter avanços no combate ao aquecimento global. Num cenário de crise económica, projectos renováveis de capital intensivo – como centrais solares ou eólicas offshore – podem ficar comprometidos. As negociações climáticas deste ano possivelmente serão adiadas. Na União Europeia, a República Checa já sugeriu o adiamento do Pacto Ecológico que está sobre a mesa em Bruxelas e a Polónia quer aligeirar os custos do Comércio Europeu de Licenças de Emissões.

Já há vozes a defender que os pacotes de estímulo à economia que irão surgir na esteira da crise do coronavírus devem estar alinhados com soluções para a crise climática. Por ora, está a acontecer o contrário. O governo dos Estados Unidos propôs injectar 47 mil milhões de euros na aviação e quer comprar milhões de barris de petróleo, para salvar a sua indústria petrolífera.

O que pode fazer a diferença agora é a capacidade mobilizadora que a quarentena de milhões de pessoas em todo o mundo encerra em si própria. Contrariamente à última crise económica, pela qual muitos passaram incólumes, o coronavírus afecta-nos a todos. De súbito, estamos todos no mesmo barco, experimentando coercivamente uma forma diferente de estar no mundo, confinados em casa e impedidos de exageros consumistas – excepto na compra de papel higiénico. Nunca houve um teste tão amplo à capacidade do universo digital em substituir a nossa presença física no trabalho, na escola, nas repartições públicas, nos espaços de cultura. E os resultados podem ter impactos brutais no consumo de materiais e no uso do nosso tempo. É um grande laboratório à escala global. Não há quem não diga que nada será como antes quando tudo isso acabar.

Covid-19- Testemunho de Fernando Miguel Santos, enfermeiro de Cuidados Intensivos na Suíça.

sábado, 21 de março de 2020

Estudo aponta para controlo do surto em Portugal no início de Maio

Cientistas na China e EUA quiseram “ultrapassar as limitações dos modelos epidemiológicos” e usaram num método que recorre a inteligência artificial para projectar a evolução da covid-19 no mundo, Portugal incluído.

Fonte: aqui


Com uma “intervenção de saúde pública activa” no terreno partir de 17 de Março e quando tínhamos 245 casos confirmados (dados da passada segunda-feira), Portugal poderia ter o pico da epidemia já a 23 de Março, a próxima segunda-feira, com um total de 1026 casos confirmados. Com os mesmos cálculos, o controlo do surto poderia ser uma realidade já a 5 de Maio e, no final de 65 dias de epidemia, contaríamos um total de 2655 casos de covid-19 no país. Estes são os resultados de um exercício feito por um cientista nos EUA e especificamente adaptado para Portugal.

A equipa de cientistas na China e EUA apresentou uma série de cálculos e cenários numa pré-publicação de um artigo divulgado na última segunda-feira. No entanto, o estudo rapidamente ficou desactualizado e foi ultrapassado pela realidade. O trabalho falava de Portugal (entre outros 29 países), mas apresentava apenas o cenário para uma intervenção de saúde pública activa a começar a 9 de Março (o que, obviamente, não aconteceu).

Em resposta a um pedido do PÚBLICO, Momiao Xiong, investigador no Departamento de Bioestatística na Escola de Saúde Pública da Universidade do Texas, em Houston (EUA), actualizou os dados. Os novos dados têm assim como ponto de partida os casos confirmados na segunda-feira (245) e partem do pressuposto de que a intervenção activa de saúde pública entraria em vigor no dia seguinte, 17 de Março (como sabemos, entrou a 16 de Março, quando todas as escolas fecharam).

A informação enviada ao PÚBLICO Momiao Xiong diz-nos que o pico seria a 23 de Março com o registo de 205 novos casos confirmados nesse dia, o controlo do surto no início de Maio quando teríamos um número total de casos de covid-19 de 2655. Como é que o investigador chegou até aqui?

“Avaliando o efeito da intervenção de saúde pública na trajectória da disseminação global de covid-19”, é o título do artigo publicado na segunda-feira na plataforma MedRxiv, que junta uma série de pré-publicações sobre a pandemia que assusta o mundo. Os autores, da Universidade de Xangai (China) e do Texas (em Houston, EUA), apresentam uma análise que pretende “ultrapassar as limitações dos modelos epidemiológicos” e que assenta num método que recorre a inteligência artificial para projectar a evolução da covid-19 no mundo. Há vários cenários condicionados a uma intervenção mais ou menos agressiva em vários países.

Eliminar 94% dos casos

Os cientistas apresentam estimativas para dois cenários: um que reflecte os efeitos de uma intervenção limitada de saúde pública e outro que mostra o resultado que teríamos se uma “intervenção activa” (interacção social restrita e quarentena) tivesse começado logo a 9 de Março. Hoje, para acertar as contas, não basta empurrar os cálculos uns dias para a frente. Estes complexos modelos têm de ter em conta uma série de variáveis e parâmetros que, entre outras coisas, são influenciados por previsões de contágios de uma pessoa infectada.


Segundo explicam, foi desenvolvido “um método de auto-codificadores modificados (MAE, na sigla em inglês) para prever a trajectória de disseminação de covid-19 nos países afectados, sob diferentes níveis e prazos das estratégias de intervenção”. Os modelos do MAE “permitem inserir as informações das intervenções, investigar o impacto das intervenções no tamanho, duração e tempo do surto de vírus e recomendar o tempo de intervenção”, acrescentam.

A abordagem quer responder a duas questões importantes. “A primeira pergunta é se é necessária ou não uma intervenção abrangente não medicamentosa em saúde pública. A segunda pergunta é qual a importância do tempo de intervenção”, anunciam. E respondem: “A nossa análise mostra que as intervenções de saúde pública devem ser executadas o mais cedo possível”.

Os autores do artigo concluem que, a nível mundial, um atraso de quatro semanas (após 8 de Março) na adopção de medidas de protecção causaria um aumento do número total (cumulativo) de mortes de 7174 para 133.608 (usando uma média de 3,4% de taxa de mortalidade) e levava a que o controlo do surto só fosse conseguido a 22 de Agosto, em vez de 25 de Junho.

“Após a intervenção activa, o número total final previsto de casos (quando a disseminação de covid-19 terminar) no mundo seria reduzido de três milhões 929 mil 641 casos para 211 mil, ou seja, 94,6% de potenciais casos seriam eliminados e o tempo de duração foi reduzido de 215 dias para 157 dias, com a data final a mudar de 22 de Agosto para 25 de Junho”, escrevem no artigo.

Entre a execução deste modelo e a publicação do artigo passou, como já foi referido, tempo suficiente para desactualizar os dados. Mas a ideia principal é essa: achatar a curva com uma intervenção activa de saúde pública “é extremamente importante”.

Só para termos noção do impacto de uma “intervenção activa de saúde pública” pode ter, Momiao Xiong partilha com o PÚBLICO outros cenários para Portugal que são bem menos optimistas. Assim, se a acção de saúde pública (quarentena) só arrancasse a 23 de Março teríamos um pico a 30 de Março e um total de 14.825 casos, com fim anunciado para 2 de Junho. Por fim, se a intervenção apenas começasse a 30 de Março o pico seria a 3 de Abril e o total de casos chegaria aos 59.674 a 22 de Junho.




sexta-feira, 20 de março de 2020

Petição - Acesso imediato a dados de doentes suspeitos de covid-19 para investigação científica

Assinar e Partilhar . Petição extremamente louvável. Trata-se de uma medida fundamental para acelerar o desenvolvimento de antivirais com o objetivo de travar a epidemia de Covid 19.


Para: Senhor Primeiro-Ministro de Portugal, Senhor Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Senhora Ministra da Saúde, Fundação para a Ciência e Tecnologia, Serviços Partilhados do Ministério da Saúde e Direção-Geral da Saúde


Pedido com carácter de urgência às 11h de 16/03/2020,


Solicita-se que, com a maior brevidade (horas e não dias), seja tomada a decisão política de disponibilização imediata à comunidade científica de todos os microdados pseudo-anonimizados existentes sobre doentes suspeitos (confirmados ou não) de COVID-19 em Portugal.

Urge a decisão política de disponibilização imediata desses dados. Após esse passo, conseguiremos encontrar recursos para que, em poucos dias, os mesmos sejam disponibilizados para benefício de todos.

Cenários de emergência como o que vivemos atualmente requerem respostas imediatas que não se coadunam com atrasos na disponibilização de dados para a comunidade científica. A evidência é necessária agora; os dados para a sustentar eram necessários ontem.

Verificam-se assim os desafios de promover uma recolha e pronta disponibilização de dados rotineiros de qualidade em diferentes contextos relevantes (nomeadamente, dados hospitalares, dos cuidados de saúde primários e de uso de serviços como o SNS24), de forma a que a sua análise possa ser utilizada para melhorar a decisão em saúde, nomeadamente no que respeita à capacidade de dar resposta à pandemia COVID-19.

Com a disponibilização destes dados pseudo-anonimizados será possível colocar os investigadores nacionais a trabalhar neles e a ajudarem o Governo e as autoridades públicas e de saúde a encontrarem as respostas mais eficazes para conter a pandemia.

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior tem aqui um papel fundamental (para o qual estamos disponíveis para ajudar):
• Na ponte com as instituições que detêm os dados DGS, SPMS, ARSs e Hospitais;
• Na catalogação e disponibilização pública dos metadados das fontes de dados existentes;
• Na agilização da infraestrutura para armazenamento dos dados e análises estatísticas e de machine learning;
• Nos processos de recolha e disponibilização dos dados à comunidade científica;
• No processo de pseudo-anonimização dos dados;
• No eventual controlo no acesso aos dados se for julgado necessário pelas entidades competentes;
• No envolvimento da Comissão Nacional de Proteção de Dados para agilizar o cumprimento da proteção dos dados dos cidadãos.

Existe em Portugal uma comunidade científica de grande qualidade que está disponível para ajudar a encontrar as respostas que o país necessita para fazer frente a esta pandemia e urgência de Saúde Pública no imediato, mas também a médio e longo prazo.

Os signatários:

- Nuno Sousa, Presidente da Escola de Medicina da Universidade do Minho

- Altamiro da Costa Pereira, Diretor da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) e coordenador do CINTESIS - Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde

- Carlos Oliveira, Conselheiro do European Innovation Council e antigo Secretário de Estado do Empreendeedorismo, Competitividade e Inovação

- Ricardo João Cruz Correia, Fundador do Mestrado em Informática Médica da Universidade do Porto, membro do Gabinete de Resposta Digital ao COVID-19 da Secretaria de Estado para a Transição Digital e investigador do CINTESIS

- Pedro Morgado, Vice-Presidente da Escola de Medicina da Universidade do Minho

- Pedro Pereira Rodrigues, Diretor do Programa Doutoral em Health Data Science, FMUP, e investigador do CINTESIS

- Bernardo Sousa Pinto, Professor da FMUP, Departamento de Medicina da Comunidade, Informação e Decisão em Saúde, e investigador do CINTESIS

- João Fonseca, Médico Imunoalergologista e Diretor do Departamento de Medicina da Comunidade, Informação e Decisão em Saúde (FMUP) e investigador do CINTESIS

- Pedro M. Teixeira, Professor e Investigador em Saúde das Populações da Escola de Medicina da Universidade do Minho

quinta-feira, 19 de março de 2020

Los ‘bichos bola’ eliminan los metales pesados del suelo. Ayudan mucho al planeta

Fonte: aqui

Las cochinillas de humedad también conocidos como bichos bola, tienen una función muy importante para nuestro ecosistema.

Todos conocemos a este pequeño insecto como «Bicho Bola», también conocido como Cochinillas de humedad, chanchitos de tierra, marranitos y más… La función de este pequeño animal es mantener estable las condiciones en las que crecen las plantas y proteger las aguas subterráneas.

Recordamos que estos pequeños animalitos nos lo encontrábamos en los patios de nuestras casas, en lugares húmedos o cuando levantamos los ladrillos de alguna obra. Siempre están escondidos en lugares húmedos, por ello han sido llamados aparte de su nombre científico (Oniscidea), chonillas de la humedad.

Seguro que recordamos con mucha nostalgia este pequeño animal, pero… ¿Sabías que son unas criaturas que tienen una gran función para nuestro ecosistema? Estos pequeños como bien se ha mencionado, se encuentran en ambientes bastantes oscuros y como no, también húmedos, ya que ellos se alimentan de las materias orgánicas que están en descomposición.

Aunque vayamos directo a lo interesante… Los oniscídeos «bichos bola» no solo se convierten en «bolitas», si no que también son la única solución segura de hacer desaparecer los metales pesados del suelo.

Los bichos bola son muy importantes para nuestro planeta

Cuando este animal se siente amenazado, seguro que ya hemos visto que se convierte en una pelota rápidamente, además de tener una bolsa especializada para llevar sus propios huevos como lo haría un canguro, junto a sus siete pares de patas. Un pequeño animal que tiene unas grandes funciones realmente relevantes para nuestro planeta tierra, incluyendo las plantas y el ser humano.

Para ponerles en situación de que es lo que hace este animal, en primer lugar, hablaremos de las plantas y la función que hacen ellos.

Según informa Upsocl, los oniscídeos se encargan de devolver la materia orgánica al suelo, para que luego los hongos, protozoos y bacterias puedan digerirlas más rápido. Este proceso produce un suministro natural de nitratos, fosfatos y otros nutrientes vitales que las plantas necesitan para prosperar ahora y en las futuras estaciones de crecimiento.

También se advierte que es muy importante que las cochinillas de la humedad no sean puestas cerca de tus plantas en pleno crecimiento, ya que tienden a comerse las plantas y podrían frenar en su totalidad el proceso de su crecimiento. Por eso se recomienda añadirlas después de este proceso, ya que serán una gran compañía y aliada de la planta.

Aunque debemos destacar que los bichos bola son realmente espectaculares, ya que su capacidad de eliminar los metales pesados del suelo, son lo más seguros y eficaces que por el momento existe. Su presencia a la hora de limpiar zonas contaminadas con cadmio, arsénico y plomo, es una herramienta para nuestro planeta muy importante.

¿Que como logran hacer desaparecer los metales pesados?

Pues lo que hacen es ingerir los metales pesados como el cadmio o plomo y lo cristalizan los iones dentro de sus entrañas, logrando que esas toxinas de metales que quedan se conviertan en depósitos esféricos dentro del intestino medio. ¿Una pasada verdad? Y si añadimos que también las cochinillas de la humedad pueden estar en zonas muy contaminadas, es decir, resisten las zonas contaminadas mucho más que otros insectos o animales, con lo pequeño que son…

terça-feira, 17 de março de 2020

Pedras do Alvão podem reescrever história da escrita


Pedras do Alvão podem reescrever história da escrita

Acredita-se que a história do alfabeto se tenha iniciado no Egipto Antigo, quando já havia decorrido mais de um milénio da história da escrita.

Alfabeto Egípcio

O primeiro alfabeto consonantal teria surgido por volta de 2000 a.C., representando o idioma dos trabalhadores semitas no Egipto (ver Alfabetos da Idade do Bronze Médio), e que foi influenciado pelos princípios alfabéticos da escrita hierática egípcia. Quase todos os alfabetos do mundo hoje em dia descendem diretamente deste desenvolvimento, ou foram inspirados por ele.

Alfabeto Grego

O alfabeto mais utilizado no mundo é o alfabeto latino, derivado do alfabeto grego, o primeiro alfabeto ”real”, por designar de maneira consistente letras tanto a consoantes quanto a vogais. O alfabeto grego, por sua vez, veio do alfabeto fenício, que na realidade era um abjad – um sistema no qual cada símbolo representa uma consoante.

Alfabeto Fenício


Alertamos os nossos leitores para o facto de não se dever confundir escrita com alfabeto. A escrita terá sido inventada pelos Sumérios. O alfabeto é uma forma evoluída e padronizada de representar sons que foi criada posteriormente para uniformizar a escrita.

Os historiadores aceitam o Fenício como o alfabeto mais primitivo e rudimentar que se conhece, com cerca de 5 mil anos de antiguidade. Começam, no entanto, a surgir outras hipóteses, levantadas sobretudo por achados arqueológicos ainda por decifrar, que apontam para um surgimento anterior aos Fenícios e, o Alfabeto do Alvão, com 6 mil anos, é o melhor candidato a ser considerado o Alfabeto mais antigo do mundo.

Dólmen

Nos finais do século XIX, no Alvão, Nordeste de Portugal, nas mágicas terras de Trás-os-Montes, encontraram-se, junto a um dólmen, uma série de pedras esculpidas e gravadas com signos idênticos aos de Glozel e com uma antiguidade de mais de 6.000 anos, no mínimo.

Algumas das pedras do Alvão no Museu de Arqueologia e Numismática de Vila Real

Esta descoberta foi tão extraordinária que, no princípio, se duvidava dela. Só depois, após a descoberta de Glozel (França) é que foi considerada a sua autenticidade. As pedras do Alvão têm formas de animais e de homens e estão gravadas, claramente, com signos alfabéticos que no início foram considerados ibéricos.

Pedra do Alvão

Em 1927, José Teixeira Rego, em “Os Alfabetos do Alvão e de Glozel, Vol. III, trabalhos da Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia, Porto, diz: Glozel é sem dúvida autêntico e tem uma estreita ligação com o Alvão”.

Fonte: aqui

domingo, 15 de março de 2020

Cascas de banana limpam águas contaminadas. Descoberta é de cientistas da Universidade de Aveiro


Foto: aqui


Uma equipa de investigadores da Universidade de Aveiro descobriu que as cascas da banana são eficientes no tratamento de águas contaminadas por metais pesados, anunciou esta terça-feira a Universidade.

Formadas por celulose, lenhina e hemicelulose, materiais com grupos funcionais que captam o mercúrio da água, o grupo de investigação descobriu igualmente que as cascas da banana são eficazes na remoção de outros metais tóxicos como o chumbo ou o cádmio.

No caso específico do mercúrio, as cascas “são as campeãs da limpeza”, explica a investigadora Elaine Fabre, e “o que as diferencia dos outros materiais biológicos [que também são formados por celulose, lenhina e hemicelulose] é que as mesmas são mais ricas em grupos de enxofre e o mercúrio tem elevada afinidade por esse elemento”.

Por isso, desvenda a responsável pela investigação, “estas cascas são tão eficientes na remoção de mercúrio da água”.

Os investigadores estimam que, para tratar 100 litros de água contaminada com 0,05 miligramas de mercúrio, e de forma a atingir-se a concentração permitida para águas de consumo humano, que é de 0,001 miligramas de mercúrio por litro, seriam necessários apenas 291 gramas de cascas.

A aplicação de cascas de banana para remoção de mercúrio através de processos de sorção – processos que envolvem a retenção de um composto de uma fase fluida na superfície de um sólido – pode ser realizada em estações de tratamento de águas residuais, em efluentes industriais, ou mesmo em qualquer outro sistema que contenha águas contaminadas.

Para tal, asseguram os cientistas de Aveiro, basta colocar as cascas em contacto com a água contaminada por um determinado período de tempo.

As cascas foram já testadas em diversos sistemas reais, com água da torneira, água do mar ou água de efluentes industriais, e na presença de muitos outros elementos para além de metais pesados, sendo que em todos os casos as cascas mostraram-se eficazes.

“Os resultados mostram um potencial muito promissor na aplicação das cascas em sistemas reais”, aponta a investigadora.

O trabalho com as cascas de banana envolveu, além de Elaine Fabre, investigadora do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM), CICECO – Instituto de Materiais de Aveiro e LAQV -REQUIMTE, os cientistas Cláudia Lopes, Eduarda Pereira, Carlos Silva, Carlos Vale, Paula Figueira e Bruno Henriques.

sábado, 14 de março de 2020

Covid-19. OMS partilha guia para pessoas que estão a viver com alguém infetado

Fonte: aqui
A Organização Mundial da Saúde publicou um guia para pessoas que estejam a partilhar casa com pessoas que estejam infetadas com o Covid-19, visto nem todos os infetados necessitarem de estar hospitalizados.

Nos casos em que os profissionais de saúde aconselham a ficar em isolamento social em casa existem várias medidas que devem ser tomadas, seja pelo infetado como pela pessoa que divide casa com ela, por falta de opção de abandonar a residência. 

No caso de estar infetado e isolado em casa ou de ser o cuidador de alguém com Covid-19 deve tomar as seguintes precauções:

Se está infetado:

- Deve instalar-se num quarto bem ventilado, com as janelas abertas e uma porta aberta;

- Limitar os movimentos dentro de casa e reduzir ao mínimo os espaços partilhados pela restante família, por exemplo a cozinha e o WC, garantindo que são espaços bem ventilados (janelas abertas);

- Os lençóis, toalhas, pratos e talheres utilizados não devem ser partilhados com outras pessoas.

Se estiver a dividir casa com uma pessoa infetada:

- Se possível, os restantes habitantes dessa casa devem mudar temporariamente de residência. Se não for possível, devem manter uma distância pessoal do infetado de pelo menos um metro, dormir em camas separadas, de preferência em divisões diferentes;

- Limitar o número de cuidadores, de preferência uma só pessoa que seja saudável e não tenha doenças crónicas que afetem o seu sistema imunitário;

- Não permitir a entrada de visitas em casa até que o infetado recupere totalmente e não apresente qualquer sintoma;

- Aplicar medidas de higiene das mãos depois de qualquer contacto com o infetado ou com objetos no espaço em que o doente se move. Por exemplo, antes e depois de preparar comida na cozinha e depois de usar o WC;

- Depois de bem lavadas as mãos com água e sabão ou gel desinfetante, deve secar as mãos com papel que possa descartar imediatamente. Se usar toalhas têxtil, deve mudar assim que fiquem húmidas;

- Quando na mesma divisão que o paciente, o cuidador deve utilizar uma máscara bem ajustada à boca e nariz, evitando tocar na sua parte frontal. Essa máscara deve ser descartada assim que se afastarem para divisões diferentes e o cuidador deve lavar bem as mãos;

- Convém limpar todos os dias a divisão em que o infetado passa mais tempo. Desinfetar a mobília, como a mesinha de cabeceira, a cama e outros móveis no quarto, com qualquer detergente doméstico e depois aplicar lixívia ou desinfetante com álcool

- O WC e a sanita devem ser sujeitos à mesma limpeza e desinfetados pelo menos uma vez por dia;

- Não deve sacudir a roupa suja do infetado nem as toalhas e lençóis por ele utilizadas. Convém colocar toda a roupa imediatamente na máquina de lavar num programa entre os 60 e 90 graus. Depois de lavada, deixe secar completamente;

- Para manusear a roupa suja, o cuidador deve utilizar luvas e roupa de proteção;

- O cuidador deve evitar usar objetos presentes no ambiente do paciente infetado (por exemplo, escovas de dentes não devem ser partilhadas, cigarros, pratos e talheres, bebidas, toalhas, esponjas, roupa de cama).

- A pessoa que esteja em contacto com uma pessoa infetada deve estar atenta ao seu estado de saúde e contactar as autoridades no caso de começar a sentir algum dos sintomas. 

sexta-feira, 13 de março de 2020

Maior empresa de carne do mundo fornecida por autor de chacina na Amazónia



Uma investigação do Repórter Brasil identificou ligações da maior empresa de carne do mundo, a JBS, e da sua rival Marfrig com uma quinta cujo dono está implicado num dos maiores massacres na Amazónia dos últimos anos. 

Nove homens foram brutamente assassinados a 19 de Abril de 2017, naquele que ficou conhecido como “massacre de Colniza”, na região de Mato Grosso. Os corpos dos homens foram encontrados uma região remota da floresta. Alguns foram encontrados com sinais de tortura, outros foram esfaqueados ou mortos a tiro.

Segundo apurou a Repórter Brasil, há indícios de que Valdelir João Souza, produtor de animais e alegado mandante da chacina, praticou a chamada “lavagem de gado” para conseguir vender animais à JBS.

A prática consiste em transferir o gado de uma fazenda com desflorestação ilegal para uma propriedade com “ficha limpa”, de modo a encobrir a origem dos animais. O objectivo é fugir ao compromisso de “desmatamento zero” e ao Termo de Ajuste de Conduta de Carne, que as maiores produtoras brasileiras de carne assumiram em 2009. Nestes acordos prevê-se a monitorização dos fornecedores e o fim da compra de animais a quintas que recorram à desflorestação à margem da lei e ao trabalho escravo.

A investigação surge numa altura em que a JBS sofre pressões por falhas de transparência no fornecimento de gado na Amazónia.

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