terça-feira, 29 de outubro de 2019

Alheiras vegetarianas: Aumento da procura leva a criação de nova unidade em Paredes de Coura


"Sentimos necessidade porque o espaço que temos é relativamente pequeno para acompanhar o crescimento das encomendas e da produção. Aproveitamos para criar uma unidade nova, de raiz, onde poderemos criar mais produtos", avançou hoje à agência Lusa Laurentino Alves.

Além das alheiras vegetarianas, com e sem glúten, e dos hambúrgueres, com base de grão e de feijão, a nova unidade vai permitir o lançamento de novos produtos feito a partir de seitan (produto que substitui a proteína), como os chouriços e as morcelas vegetarianas.

Criado há quatro anos, num espaço no quintal da habitação do guarda prisional e presidente da União de Freguesias de Linhares e Cossourado, o negócio familiar - Enchidos Agramonte - produzia, essencialmente, de forma tradicional e artesanal, e fumados com lenha de carvalho, os enchidos tradicionais, como os chouriços, chouriças, morcelas e alheiras.

Em 2016, o município e amigos do casal, ligados à organização do congresso internacional Paredes de Coura Vegetariana, cuja quinta edição decorreu em setembro, desafiaram Albertino e a mulher a criar um enchido vegetariano.

Nasceu a "alheira do Tino", como é localmente conhecida, responsável atualmente por cerca de 80% da produção da empresa familiar.

"Inicialmente fazíamos umas 80 a 100 por mês. Agora produzimos cerca de mil ‘alheiras’ vegetarianas por mês", especificou.

Agora o negócio prepara-se para uma nova fase, com um espaço de produção especialmente destinado aos enchidos vegetarianos e com a criação de um posto de trabalho.

"A minha mulher é que se dedica a tempo inteiro ao negócio. Entrega as encomendas e faz as compras. Eu ajudo nos meus tempos livres e as nossas duas filhas, que estão a estudar, dão uma mãozinha ao fim de semana. Com a nova unidade de produção temos de criar um posto de trabalho para dar resposta às encomendas", acrescentou.

O investimento nas novas instalações, "a rondar os 100 mil euros, passou pela aquisição de uma casa, que se encontrava fechada, situada a cerca de 100 metros da habitação do casal, onde o negócio familiar começou como um ‘part-time'.

"É um espaço criado de raiz, numa casa que se encontrava fechada e que adquirimos, reconstruímos e transformámos num espaço com cerca de 100 metros quadrados, com todas as condições para o fabrico deste produto", explicou.

Laurentino Alves recusa "entrar em megalomanias" por defender que a Enchidos Agramonte deve crescer com "passos seguros" e continuar "o mais artesanal e tradicional possível".

Em Paredes de Coura, as alheiras vegetarianas podem ser adquiridas na residência do casal de produtores ou na loja rural que o município tem instalada bem no centro daquela vila do Alto Minho.

A presença do produtor em eventos gastronómicos tem permitido que os enchidos vegetarianos estejam disponíveis em vários espaços comerciais e de restauração em diversas cidades do país.

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

ICNF autoriza conduta ao longo de mata protegida em Vila Real de Santo António

A conduta de água serve para abastecer apoios de praia. A entidade responsável pela defesa da natureza e florestas garantiu que está “salvaguardada a integridade” da mata.


Fonte: aqui


O Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) deu parecer favorável condicionado à construção de uma conduta de água de mais de um quilómetro através de uma mata nacional protegida em Vila Real de Santo António.

A agência Lusa questionou o ICNF sobre a realização de uma obra no caminho pedonal e ciclável entre a estrada municipal 511, conhecida como estrada da mata, e a praia dos Três Pauzinhos, que atravessa a Mata Nacional das Dunas Litorais de Vila Real de Santo António (MNDLVRSA), e o Instituto esclareceu que os trabalhos visam a instalação de condutas de água para servir apoios de praia.

O ICNF referiu que o objectivo dos trabalhos é fazer o “abastecimento de água aos apoios de praia (neste momento para um apoio de praia e no futuro dois apoios), através da instalação de uma conduta enterrada”, e adiantou que “a responsável da obra é a AdVRSA -- Águas de Vila Real de Santo António, S.A., por concessão da Câmara Municipal de VRSA”.

A agência Lusa questionou também a Câmara algarvia, uma das 16 do distrito de Faro, sobre os trabalhos em curso, o calendário previsto e o valor orçamentado para a obra, sem resultados.

“Quanto às competências do ICNF, o enquadramento legal da intervenção é dado pelo regime jurídico da Rede Natura 2000. O ICNF, em tempo oportuno e antecedente, emitiu parecer favorável condicionado obrigando o requerente, de entre outros, a plantar na MNDLVRSA o dobro de exemplares de pinheiros bravos que viessem a ser afectados no seu sistema radicular (o traçado da conduta é junto ao caminho, não percorre o sistema dunar e evitou o abate de pinheiros bravos) e à limpeza dos resíduos de construção, com depósito em vazadouro autorizado”, precisou o Instituto.

Questionado sobre a instalação de uma conduta ao longo de um percurso de cerca de 1,2 quilómetros, através de uma mata nacional que integra a Rede Natura 2000, a entidade responsável pela defesa da natureza e florestas garantiu que está “salvaguardada a integridade” da mata.

“Com o traçado e o plano de trabalhos definidos e o cumprimento das condicionantes impostas, fica salvaguardada a integridade dos valores naturais associados a este sítio Rede Natura 2000. A obra é acompanhada com a frequência devida, desde a fase prévia ao seu início, pelo corpo de Vigilantes da Natureza sedeados na Reserva Natural do Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António”, assegurou.

A obra em curso deverá abastecer de água um apoio de praia que está instalado junto às dunas, no início do areal da praia dos Três Pauzinhos — conhecida localmente como praia do segundo pontão —, que não chegou a ser ocupado depois da sua construção.

domingo, 27 de outubro de 2019

Coca-Cola é a fonte de plástico mais poluidora do mundo. Conheça o Top 10

Numa recolha de lixo pelas praias, o plástico das garrafas desta marca foi o mais frequente. Mas a lista das dez marcas poluidoras inclui também a Nestlé, a Pepsi e a Mars.
Fonte: aqui

Pelo segundo ano consecutivo, a marca Coca-Cola é considerada uma das maiores poluidoras de plástico pelo movimento de pressão ambiental Break Free From Plastic, de acordo com o jornal “The Independent“.

Na lista publicada esta quarta-feira, 23 de outubro, no site do movimento, a marca de refrigerantes gaseificados ficou em primeiro lugar, mas há outras conhecidas, como é o caso da Nestlé e da PepsiCo, que ficaram em segundo e terceiro lugar, respetivamente.


Mas o relatório nomeia ainda a Mondelēz International, a Unilever, a Mars, a P&G, a Colgate-Palmolive, a Phillip Morris e a Perfetti Van Melle.

Só no mês passado esta organização realizou 484 limpezas nas praias em mais de 50 países, onde encontrou várias garrafas destas marcas junto à água do mar. De todo o lixo recolhido, mais de 11 mil resíduos plásticos pertencem à Coca-Cola.

“A reciclagem não vai resolver esse problema. As cerca de 1.800 organizações membros da Break Free From Plastic estão a pedir às empresas que reduzam urgentemente a produção de plástico descartável e encontrem soluções inovadoras focadas em sistemas de entrega alternativas que não causam poluição”, refere Von Hernandez, coordenador global da Break Free From Plastic, no relatório.

Os representantes de outras entidades internacionais também se pronunciaram sobre a poluição das marcas que usam plástico descartável: “Mais uma vez, estamos a assistir à poluição dos nossos rios e praias com plásticos de grandes grupos empresariais como a Coca-Cola, a Nestlé e a Pepsi”, refere Louise Edge que está à frente da campanha de plástico nos oceanos da organização não governamental britânica Greenpeace.

Edge reconhece que estas marcas vão continuar a ser as maiores poluidoras de plástico nos próximos anos, porque mesmo tendo recursos para apostar em embalagens reutilizáveis e com um sistemas de recarregamento inovador, as suas políticas concentram-se na reciclagem ou na troca de uma embalagem descartável por outra.

“Pedimos a esses poluidores de plástico que se concentrem na mudança para embalagens reutilizáveis ​​e recarregáveis ​​agora”, apela o responsável pela campanha de plástico nos oceanos da Greenpeace no Reino Unido.

Um porta-voz da Coca-Cola pronunciou-se sobre os dados do relatório, cujas ideias vão ao encontro do apelo de Louise Edge.

“Sempre que as nossas embalagens acabam nos oceanos — ou em qualquer lugar em que não pertençam — é inaceitável para nós. Em parceria com outras empresas, estamos a trabalhar na resolução deste problema global crítico, tanto para ajudar a fechar a torneira dos resíduos de plástico que entram nos nossos oceanos, como para ajudar a limpar a poluição existente”, refere Evening Standard da empresa Coca-Cola, de acordo com o site “Standard“.

Entre as parcerias já estabelecidas pela marca está a Parceria Global de Ação em Plástico do Fórum Económico Mundial (GPAP), bem como a Carta G7 dos Plásticos dos Oceanos, ou ainda a Circulate Capital — empresa atua na limpeza dos oceanos — onde a Coca-Cola investiu mais de 13 milhões de euros.

Além destas medidas, a Coca-Cola tem feito outros investimentos, tal como o programa “Mundo Sem Resíduos”, lançado em 2017, cujo objetivo seria recuperar 100% das latas e garrafas da marca até 2030. Para o futuro, a marca anuncia no próprio site três medidas, entre as quais está o aproveitamento da marca para incentivar os consumidores a reciclar.

sábado, 26 de outubro de 2019

Canadians just crowdfunded $3 million to buy pristine land and save it from development


Sometimes the monstrous machine of industry and corporate greed can feel like too much for us as individuals to battle. But a bunch of Canadian citizens has just shown what a committed band of individuals can do.
In the first crowdfunding effort of its kind, Canadians have raised $3 million to purchase a stretch of coastal wilderness in British Columbia to save it from development. The 2,000 acres (800 hectares) of pristine coastline in the Princess Louisa Inlet on British Columbia's Sunshine Coast are virtually untouched. The land includes a fjord, the top rim of which branches into high alpine snow pack forming multiple dramatic waterfalls that run down the rock.
Crowdfunding efforts were organized by B.C. Parks Foundation, a non-profit group whose mission is to protect natural landscapes in the province. The foundation's CEO Andrew Day told the CBC that the land, which is being sold by a private owner, had some interest from logging companies and developers. So people stepped up to stop that from happening. 
And it wasn't just a handful of rich donors who pooled their money—scores of average Canadians offered what they could to the fundraising effort.
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sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Instituto de Química da Ufba transforma óleo recolhido de praias em carvão

Fonte: aqui
Segundo levantamento da manhã desta sexta (19), 81 toneladas de petróleo cru já haviam sido coletadas das praias de Salvador desde que manchas do óleo começaram a aparecer na areia. Mas, afinal, o que acontece com esse material recolhido?
Um projeto do Instituto de Química da Universidade Federal da Bahia (Ufba) encontrou um destino para o resíduo: transformar o petróleo em carvão. A técnica foi testada por membros do projeto ‘Compostagem Francisco’, que trabalha com processos de compostagem acelerada. 
“Bioativadores criados aqui no instituto aceleram a degradação da matéria orgânica e, em 60 minutos, o petróleo é degradado e transformado em carvão”, explica a professora doutora Zenis Novais da Rocha, responsável pelo projeto. Com ela, trabalham na transformação do resíduo quatro estudantes - três de graduação e uma de doutorado.
A professora explica que as máquinas disponíveis na universidade permitem transformar 50 kg do óleo por dia, mas que o instituto ainda tem recebido o material em pouca quantidade. O que chega é trazido por voluntários que atuam na limpeza das praias. 
“Esse processo de compostagem acelerada é limpo, não inflamável, com aditivos que não agridem o meio ambiente, e ainda não libera gases que seriam liberados em caso de incinerar o óleo, por exemplo. Então, é uma escolha com inúmeras vantagens”, explica a professora.
Além do carvão, o petróleo pode ser transformado para outros usos, como materiais de construção civil, por exemplo, mas seriam necessários estudos adicionais. “O carvão a gente já sabe que deu certo, mas para outros usos é preciso realizar mais testes”, explica a pesquisadora.
Manchas de óleo na praia? Saiba o que fazer
1) Evite ir à praia, nadar ou praticar esportes aquáticos nas regiões afetadas; 

2) Se encontrar algum animal ferido ou em contato com óleo, ligue para Polícia Ambiental (190) ou Guarda Civil Municipal (3202-5312);
3) Agentes de limpeza da Prefeitura estão de plantão 24h em todas as praias de Salvador. Disque 156 para acionar o serviço;
4) Em caso de reação alérgica ao toque ou ingestão do óleo, procure uma unidade básica de saúde.

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Universidade de Aveiro desenvolve espumas 3D com base na cortiça


É um ótimo isolante térmico, é flexível e fácil de produzir. Para além disso, é mais uma forma de aproveitar a cortiça nacional e de promover a economia circular. Uma equipa de investigação da Universidade de Aveiro (UA) conseguiu produzir espumas para isolamento térmico com ajuda da cortiça desperdiçada na produção de rolhas. A equipa conseguiu ainda o feito de produzir as revolucionárias espumas através da impressão 3D.

“Sendo a cortiça um material isolante, a sua utilização na produção de espumas 3D de poliuretano [polímero utilizado na produção de vários materiais plásticos] tem a vantagem de ajudar no isolamento, obtendo-se valores de isolamento térmico idênticos às espumas convencionais”, congratula-se Nuno Gama, o investigador responsável por este projeto nascido no Departamento de Química e no CICECO - Instituto de Materiais de Aveiro, uma das unidades de investigação da UA.

Outra das vantagens da utilização da cortiça, mais propiamente das sobras da produção de rolhas, é que, com o uso deste material, se aumentou a sustentabilidade e a flexibilidade das espumas o que pode aumentar a gama de aplicações do material. E com o recurso à impressão 3D a UA abre as portas à produção de espumas com estrutura celular na exata medida das necessidades.

A impressão 3D apresenta diversas desvantagens relativamente às técnicas convencionais, como é o caso dos custos e tempos necessários para a produção das espumas. No entanto, aponta o investigador, apresenta também múltiplas vantagens. “Com recurso a esta técnica, não é necessário a produção de protótipos sendo também possível construir peças com geometrias impossíveis de se obter com recurso a outras técnicas. É ainda possível produzir peças personalizadas”, diz o investigador.

Para além de Nuno Gama, também os investigadores do CICECO Artur Ferreira e Ana Barros-Timmons participam neste projeto de uma equipa que tem uma larga experiência na produção de espumas de poliuretano, para serem utilizadas como isolantes térmicos, sempre a partir de recursos renováveis.

“Neste trabalho foi dado enfoco no isolamento térmico, mas o aumento da flexibilidade que a cortiça proporcionou, pode aumentar a gama de aplicações do material, como por exemplo na absorção de vibrações ou energia sonora”, esclarece Nuno Gama.

O custo associado hoje à produção de espumas 3D torna inviável produzir painéis para o isolamento de habitações, mas com a diminuição dos custos associados à técnica, “poderá no futuro tornar viável a utilização destes materiais no isolamento de produtos com elevado valor acrescentado”.

Fonte: Uniplanet

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

É um abrigo móvel para deslocados, “cria” água potável e ganhou um prémio

Criado por uma professora e uma antiga aluna da Universidade de Évora, o projecto Nautilus, que ainda está a ser desenvolvido, venceu o concurso Born from Knowledge de 2019.
Fonte: Público
Um abrigo transportável para deslocados, como refugiados, que incorpora um novo material que recolhe, aproveita e converte humidade em água potável foi concebido por uma antiga aluna e uma professora da Universidade de Évora, agora premiadas pelo projecto.

O projecto, intitulado Nautilus, foi desenvolvido por Inês Secca Ruivo, professora no Departamento de Artes Visuais e Design da Escola de Artes da Universidade de Évora (UÉ), e Cátia Bailão Silva, antiga aluna da academia alentejana. Em comunicado, a UÉ explica que o “sistema de abrigo transportável com capacidade de recolha, aproveitamento e conversão de humidade em água potável” que ambas conceberam foi galardoado, recentemente, no concurso Born from Knowledge (BfK) Ideas 2019, conquistando o 1.º prémio na categoria de Materiais e Tecnologias Avançadas de Produção.

A professora Inês Secca Ruivo, contactada pela agência Lusa, adiantou que este conceito de abrigo de emergência foi desenvolvido no âmbito do mestrado em Design da antiga aluna Cátia Bailão Silva, sob sua coordenação. “O projecto tinha a investigação feita, estava desenvolvido conceptualmente e, em 2016, desafiei a Cátia para desenvolver as soluções tecnológicas afectas ao produto, para avançarmos para um pedido de patente”, disse a docente.

A antiga aluna não pôde participar nesta fase, mas Inês Secca Ruivo desenvolveu “toda a componente tecnológica do projecto” e, em 2017, avançou-se para “o registo de patente nacional e europeia pela UÉ, com o nome das duas autoras”, processo esse que se encontra, actualmente, em “fase final” de conclusão.
Foto

Este prémio no concurso BfK Ideias 2019, promovido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, através da Agência Nacional da Inovação (ANI), dá “alento”, congratulou-se a professora, realçando tratar-se de um galardão atribuído por “um júri especializado e num contexto exigente”, num concurso em que “participaram 30 instituições de ensino superior”. Ao mesmo tempo, é “uma oportunidade”, pois, os vencedores desta e das outras categorias “têm entrada directa na fase seguinte que é o BfK Rise”, que vai ajudar no “desenvolvimento mais aprofundando e em maior detalhe dos modelos de negócios afectos aos projectos”.

O abrigo de emergência concebido na tem um sistema fácil de montagem e desmontagem e conta com a incorporação de “um novo material com propriedades hidrófilas e hidrófugas”, ou seja, “permite a colecta, recuperação e conversão de névoa em água, bem como o seu armazenamento, tratamento e transporte para posterior consumo”, segundo a academia. “A nossa tenda é para deslocados” e estes tanto “podem ser deslocados internos”, como “refugiados, o que implica “passar a fronteira para outro país”, precisou Inês Seca Ruivo, aludindo a dados deste ano da Organização das Nações Unidas (ONU): “Os deslocados internos representam cerca de 60% dos deslocados no mundo e os refugiados são os outros 40%”.

A geometria e estrutura da tenda foram inspiradas “no molusco nautilus”, tendo sido feitos “estudos de soluções naturais que pudessem ser mimetizadas neste caso, em termos de funcionamento, de recolhimento e de exposição”, diz a docente. O abrigo pode ser montado e desmontado “em quatro passos simples, estimados em cinco minutos”.

Quanto ao novo material desenvolvido, as suas propriedades fazem com que consiga “captar e converter a humidade do ar em água e, por outro lado, acelerar o escorrimento dessa humidade para os contentores armazenados dentro da tenda”, um deles “uma garrafa que torna a água potável e pode ser amovível e transportável” e o outro, “no chão, que acumula água para ser utilizada na higiene ou lavagem de alimentos”.

O projecto ainda está a ser desenvolvido e a equipa vai, agora, ser reforçada, com elementos das áreas de Química, Engenharia Mecânica ou Economia e Gestão. Além disso, avançou Inês Secca Ruivo, o objectivo é testar protótipos em ambiente real, junto de organizações que apoiam deslocados, e, mais tarde, decidir então se a opção passa “pela venda da patente ou por outro tipo de parcerias” para colocar o produto no mercado.

terça-feira, 22 de outubro de 2019

Unique friendship between wolf and bear documented by finnish photographer



Finnish photographer Lassi Rautiainen was able to capture the unlikely “friendship” of a female grey wolf and male brown bear, documenting the unusual pair over the course of ten days in 2013. The duo went everywhere together, hunting as a team and sharing their spoils.
Finnish photographer Lassi Rautiainen was able to capture the unlikely “friendship” of a female grey wolf and male brown bear, documenting the unusual pair over the course of ten days in 2013. The duo went everywhere together, hunting as a team and sharing their spoils.


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domingo, 20 de outubro de 2019

Portuguesa com missão de poupar água ganha prémio de inovação europeu

O prémio foi atribuído pelo trabalho na Trigger Systems, um sistema de rega inteligente que já ajudou a Câmara de Lisboa a poupar mais de 100 mil euros em água.



Aos 25 anos, a jovem agrónoma Sara Guimarães Gonçalves foi uma das vencedoras deste ano dos prémios do Instituto Europeu de Inovação em Tecnologia (EIT) pela sua missão de poupar água através de sistemas inteligentes. Ganhou na categoria EIT Woman, que se destina a destacar projectos desenvolvidos por mulheres na União Europeia.

A vitória foi-lhe atribuída pelo trabalho realizado nos últimos dois anos com a Trigger Systems, uma startup que ajudou a fundar em 2017 para automatizar sistemas de rega em parques, jardins e campos agrícolas, quando estava no último ano da faculdade. A cidade de Lisboa já tem o sistema instalado no Parque Eduardo VII, no Jardim da Estrela, nos Jardins do Campo Grande e na Quinta das Conchas.

“É sempre um pouco paradoxal ganhar numa categoria destinada a eleger mulheres. Por um lado, o reconhecimento é óptimo, mas, por outro, espero que daqui a uns anos este tipo de prémios deixem de ser necessários”, admite ao PÚBLICO Sara Gonçalves, pouco depois da cerimónia de entrega de prémios do EIT em Budapeste. Apesar da licenciatura em Agronomia, aprendeu a programar durante um projecto no último ano da faculdade e está agora a meio de um mestrado em Bioengenharia. “Ainda há muito preconceito em relação às mulheres nestas áreas, mas é preciso deixar de olhar para o género. É preciso existirem tantas mulheres como homens a trabalhar na área de inovação a tecnologia.” Além do reconhecimento, o prémio vem acompanhado de 20 mil euros que Sara Gonçalves diz que vão ser utilizados para continuar a desenvolver o produto.

“O próximo passo é arranjar mais parceiros em Portugal e depois em Espanha, França e Brasil”, prevê Sara Gonçalves, que trabalha lado a lado com Francisco Manso, outro engenheiro agrónomo, mas com mais 20 anos de experiência na área.

A tecnologia depende de uma plataforma online em que são programados algoritmos que são capazes de prever a quantidade de água de que as plantas precisam – o resultado é enviado para o equipamento que está a ser instalado em jardins públicos, campos de golfe e quintas por todos o país.

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sábado, 19 de outubro de 2019

Cinco espécies portuguesas que dependem da madeira morta

Um grupo de cientistas defendeu na semana passada a importância de deixar a madeira morta nas florestas. Aqui ficam cinco espécies para as quais isso fará toda a diferença.

Quer seja uma árvore morta (de pé ou caída no chão), quer seja madeira morta em decomposição em árvores ainda vivas – como em cavidades, ramos e tumores -, é importante deixá-la ficar nas florestas e bosques. Foi isso que disse um grupo de investigadores alemães na semana passada.

“A madeira morta em decomposição é um elemento essencial nas nossas florestas”, disse à Wilder João Gonçalo Soutinho, coordenador do projecto VACALOURA.pt. É a base de microhabitats para inúmeras espécies.

A decomposição de madeira “permite manter os ciclos de nutrientes destes habitats, ajuda a reter humidade e a suportar os solos”, acrescentou.

Mas, acima de tudo, sustenta “um grande número de seres vivos que evoluíram para degradar e decompor esta madeira”, havendo espécies que se especializaram em determinadas espécies e estruturas das árvores.

Na verdade, entre 25-30% das espécies que vivem nas florestas a nível mundial precisam de madeira morta durante algum momento da sua vida e usam-na, por exemplo, para se alimentarem, hibernarem ou nidificarem e todos estes organismos são chamados saproxílicos.

Aqui ficam cinco espécies que dependem da madeira morta para sobreviver. João Gonçalo Soutinho explica os contornos destas relações.


Vaca-loura (Lucanus cervus):
Vaca-loura. Foto: João Gonçalo Soutinho


A vaca-loura alimenta-se de raízes mortas de carvalho-alvarinho (Quercus robur). “Tem um ciclo de vida de dois a três anos no nosso país, durante o qual passa a maior parte do tempo a ingerir e degradar a madeira morta”, explicou João Gonçalo Soutinho. “Esta espécie permite que a decomposição da madeira por fungos e bactérias possa ser acelerada posteriormente.”

O maior escaravelho europeu é apenas uma das espécies de escaravelhos que existem em Portugal que se alimentam de madeira morta durante o seu desenvolvimento. Escaravelhos saproxílicos são um dos grupos mais diversos de fauna dependente destas estruturas e, de acordo com as últimas estimativas, 17.9% das espécies europeias encontram-se em risco de extinção, principalmente pela falta e destruição dos seus habitats.

Mas há muitos mais invertebrados sem ser escaravelhos que dependem de madeira morta, como moscas, abelhas, vespas, formigas, borboletas, traças, térmitas, entre outros. “Estes não só degradam a madeira morta mas também degradam os cogumelos que crescem nela, predam e controlam populações de outros organismos, são a base de cadeiras alimentares destes ecossistemas e muitos são ainda polinizadores quando se transformam em adultos.” 


Cogumelo Trametes versicolor:
Foto: Jerzy Opioła/WikiCommons


Há uma panóplia de espécies de fungos exclusivos de madeira morta, como os políporos (que parecem prateleiras nas árvores) como o cogumelo Trametes versicolor ou o Formitopsis pinicola e uma parte deles é também comestível e pode ser usado para, por exemplo, começar fogueiras (uma vez que grande parte são lenhificados). Muitas vezes, cada espécie de fungo tem outras espécies de organismos associados que são capazes de decompor os seus cogumelos. É um mundo a descobrir.

O processo de decomposição da madeira morta só acontece realmente quando envolve fungos e bactérias que têm o papel de transformar a matéria orgânica em inorgânica novamente. A forma como a madeira é colonizada por fungos dita a forma como será decomposta uma vez que há fungos que são capazes de decompor todos os elementos da madeira, mas outros nem por isso.


Pica-paus:
Pica-pau-malhado-grande. Foto: Flevobirdwatching/WikiCommons


Além das corujas que usam grandes cavidades das árvores para nidificarem, há um grupo particular de aves extremamente especializadas e dependentes de madeira em decomposição, os pica-paus.

Em Portugal podemos encontrar várias espécies, como o pica-pau-malhado-grande (Dendrocopus major), o pica-pau-malhado-pequeno (Dendrocopus minor) e o peto-verde (Picus viridis).

Os pica-paus têm uma dieta que inclui várias espécies de invertebrados que se desenvolvem na madeira morta, normalmente sob a casca das árvores. Além disso são o grupo mais importante de aves que criam e usam orifícios nas árvores para nidificarem.

Estas aves são excelentes a criar estes orifícios, mas normalmente só os usam uma vez, deixando-os para outras espécies de aves – como chapins, trepadeiras e piscos – nidificarem no futuro (as caixas ninhos que normalmente construímos em madeira e colocamos nas árvores têm exatamente esta finalidade).

Os pica-paus são espécies chave nas florestas pois criam abrigo para espécies que não conseguem criar os orifícios. 

As cavidades criadas por estas espécies, além de darem proteção contra predação e abrigo contra condições meteorológicas extremas para outros vertebrados, são também zonas com variações muito reduzidas da temperatura e da humidade e por isso são locais ideias para os ciclos de vida de muitos seres vivos.


Morcego-anão (Pipistrellus pipistrellus):
Morcego-anão. Foto: Gilles San Martin/Wiki Commons


O morcego-anão (Pipistrellus pipistrellus), juntamente com o morcego-arboricola-gigante (Nyctalus lasiopterus) são outras espécies que dependem da madeira morta. Estes encontram nas árvores excelentes locais para se abrigarem, por vezes debaixo da casca das árvores.

São exemplos de outros vertebrados sem ser aves que usam a madeira morta durante a sua vida.

Mas há muitas outras espécies que usam as cavidades que se formam na madeira morta, principalmente como abrigo (e usam desde cavidades com três centímetros que foram escavadas por algum escaravelho, até as grandes cavidades que se assemelham a pequenas cavernas) ou local de hibernação/estivação.

Podemos ainda encontrar associados a madeira morta e os seus microhabitats espécies de mamíferos, como as martas (Martes foina) ou as raposas (Vulpes vulpes).


Salamandra-de-pintas-amarelas (Salamandra salamandra):
Salamandra-de-pintas-amarelas. Foto: Agis Kothalis/WikiCommons


A salamandra-de-pintas-amarelas (Salamandra salamandra) é uma das espécies de anfíbios de Portugal que depende destes ecossistemas, assim como o sapo-comum (Bufo spinosus).

Esta salamandra procura abrigar-se debaixo de troncos durante os meses mais quentes do Verão. Além disso, alimenta-se de muitos pequenos animais que vivem na madeira morta, como lesmas, bichos-de-conta, aranhas e outros invertebrados.


Portugal, um país com pouca madeira morta disponível

Há uma grande variedade de espécies que dependem da madeira morta em Portugal.

No entanto, somos, de acordo com dados de 2015 citados por João Gonçalo Soutinho, o 4º país da Europa com menos madeira morta disponível nas suas florestas.

Isto acontece “fruto de uma cultura generalizada de colheita deste material para usufruto privado, mas também por uma falta de reconhecimento e valorização pública da madeira morta como estrutura essencial à gestão sustentável das nossas paisagens”.

No entanto há projetos a trabalhar para valorizar estes ecossistemas. Exemplos são o projecto VACALOURA.pt que promove a conservação da vaca-loura a nível nacional partindo da ajuda dos cidadãos, utilizando esta espécie como um símbolo para sensibilizar sobre a importância destes habitats e ainda como motivo para preservar a madeira morta em determinados locais um pouco por todo o país.

Há também a uma escala local o Projecto Gigantes Verdes que promove, no Município de Lousada, a preservação das árvores de grande porte devido ao seu valor ecológico, caracterizando todas as árvores de grandes dimensões relativamente à diversidade de microhabitats que albergam e criando mecanismos que promovam a sua proteção.

Há ainda iniciativas pontuais de manutenção de madeira morta para fins de conservação um pouco por todo o país, principalmente em florestas protegidas, mas a grande parte da madeira morta disponível no país é fruto dos incêndios e posterior gestão.

sexta-feira, 11 de outubro de 2019