Segunda-feira, 27 de Fevereiro de 2006

MOTIVOS PARA DIZER NÃO À ENERGIA NUCLEAR

19 de Março: Contra o Nuclear!
No dia 15 de Março, a quarta feira anterior, perfazem-se 30 anos sobre a marcha do povo da aldeia de Ferrel sobre o local onde decorriam trabalhos preparatórios para a então projectada central nuclear, numa impressionante manifestação de recusa, pacífica e determinada.( Ler mais na EcoAgenda da Quercus)


Agora que alguns querem ressuscitar a perigosa e inútil ideia de centrais nucleares em Portugal, vamos a Ferrel, no domingo 19 de Março, comemorar os 30 anos sobre essa primeira grande manifestação de carácter ambiental no nosso país e relançar o debate sobre o problema energético em bases realmente sustentáveis, renováveis e alternativas.Inscrições e detalhes da deslocação informe-se na Campo Aberto.



Campanha de cartazes internacional Factos Sobre a Energia Nuclear (várias línguas,com textos e posters livremente disponíveis)


50 dos principais acidentes nucleares até hoje registados

CONSEQUÊNCIAS DO NUCLEAR

MAIS FACTOS

Posição da Quercus

DIVERSOS

Radioactivos nunca mais.

Sobretudo usemos os recursos naturais e renovaveis que temos e somos: o Amor e a Razão!

Sexta-feira, 24 de Fevereiro de 2006

UNIDOS ... EU FAÇO OUTRO PLANETA POSSÍVEL


Texto de Gilson Tessaro e foto de João Soares

UNIDOS ... EU FAÇO OUTRO PLANETA POSSÍVEL

Querer , não querer, falar, não fazer. Idealismo e proclamação, sonho e atitude. Eu, tu, ele – nós.Eu faço a diferença: nós e a individuação. Atitude coerente ou eterna transição?
Palavras e poesias, informação ou comunicação? Bla,bla,blás (escritos ou falados) ou expressões ecosensíveis? Alternativo aos sistemas, ou ecovivente do universo paralelo?
Emprego ou livre ecoprodução? Condicionamento aos (não eco)sistemas ou liberdade ecoociosa? Progresso ou co-evolução? Envolvimento incondicional ou des-envolvimento possessivo? TERRA Planetária ecosolidária ou terra propriedade ao mercado? Campo e Cidade ou Planeta? Urbano e rural ou bioregionalismo planetário? Cooperar ou competir? Trabalhar ou Dedicar-se? Necessidades humanas ou Econecessidiades? Educar ao ser cultural manipulador/ transformador do meio ou facilitamar harmonizações ao Ser natural ? (Pseudo)conscientizar com ilustracionismo mental ou conscientizar com atitudes de intervenção planetária? Tempo é dinheiro ou Tempo é ecoarte? Ativismo sem sentido ou ecoócio? Dinheiro e relações de compra des-envolvente ou moeda ecológica solidária e relações de confiança? Ser ou não ser? Sinto ... logo existo e co-relaciono-me.

Querer e fazer, liberdade e ecodisciplina. Amar compartilhando-se, daí
Eu faço outro planeta e realidade, melhor e possível, quando:

- sou a mudança que quero ver no mundo, porque um planeta melhor e equilibrado, ajudará a ficar bom para todos, e começa por mim;
- busco o re-ligare concreto com o mistério da origem, com a sincronicidade cósmica de Gaia, porque fomentam o sentido do estado de todas as coisas;
- me coloco incondicional e dedicadamente ao servir à vida sustentável, porque só a cooperação inter-seres pode nos manter existentes;
- expresso ecoartisticamente com atitude eco-lógica, porque só com elementos naturais a arte tem sentido e coerência planetária não destrutivos;
- a busca incessante e total ao ecossustentável me toma conta, porque precisamos continuar existindo – com (eco)sistemas sustentáveis;
- busco o natural, lento e tranquilo envolvimento, porque a linear e desvairada panacéia do progresso e des-envolvimento nos adoece e mata;
- tenho a autonomia interdependente, livre e des-apegada, porque não somos número, máquinas, títulos e nem certificados burrocráticos – que nos condicionam e prendem;
- descubro que a verdade/ dogmas não existem, e a Vida é simplicidade de re-construção, porque nada é imutável, tudo se re-faz e está por ser feito por nós;
- Vivo o amor universal e incondicional, faço a favor da Vida, com muita cooperação e ecoternura, porque com violência e luta contra / competitiva, já envelhecemos ... e ampliamos a não harmônica degradação;
- Boicoto todo o não natural, porque todos juntos boicotando, esvaziamos os sistemas de não vida – já que a mudança começa por mim;
- Aprendo a ecologizar(antes de economizar), porque desta, interdepende e subordina-se a economia da Vida;
- Me educo ecolivremente, porque as instituições mentem, iludem e des-educam do interdependente ecossistêmico;
- Vivo o tempo e afazeres do dia a dia para o meu Ser - indivíduo planetário, porque viver para o meu eu sobrevivente, para minhas (não eco)necessidades, degrada mais;
- Re-conecto ao profundo respeito bioregional, porque ali está o conhecimento ancestral abandonado, e o sentido eco-lógico de nossas Vidas e articulações ecopolíticas;
- Dedico-me a solidariedade com todas espécies, como livre ecoprodutor em trocas, porque não posso continuar sacrificando todas elas, em nome do emprego, comercialismo e benefício de um só espécie(a humana);
Enfim, quando percebermos as tantas outras milenares ilusões a nós deixadas como ARMADILHAS ANTROPOCêNTRICAS, iremos retornar à BUSCA DO SER NATURAL, num UNIVERSO PARALELO. Aí reconheceremos (junto a GAIA) que não precisamos de quase nada que os (não eco)sistemas des-envolvimentistas – economicistas nos oferecem, então ... ficará fácil VIVER,
pois TUDO É RE-INVENÇÃO ORGÂNICA, e SIMPLES ECO-LÓGICA.
EIS A VIDA e não mais a doentia sobreviência (que gira atrás do rabo eternamente).
UNIDOS ECOPOLÍTICOS, começa por cada um de nós e eu faço a diferença. Agora.


Gilson Tessaro
Ecopedagogo permacultural; mestrado em Educação UFSC (Univ. Federal de Santa Catarina) Brasil

Segunda-feira, 20 de Fevereiro de 2006

África e Diálogos Lusófonos- cultivando o pensamento de Agostinho da Silva e promovendo as estratégias do Desenvolvimento Sustentável

Mais fotos belíssimas de Moçambique no blogue Nosso Moçambique


Cresci muito ao ler e ver os programas de Agostinho da Silva(1906-1996).O tema mais candente da sua obra foi a cultura de língua portuguesa, num fraternal abraço ao Brasil e aos países lusófonos.Portanto com este artigo pretendo não apenas prestar-lhe homenagem, mas dar o meu contributo divulgando mais projectos LINDOS que estão a acontecer no terreno na promoção da lusofonia e da Educação Ambiental.

1.Rede do Festival Virtual AfricanoO Movimento Mulheres pela Paz, fundado pela economista Amyra El Khalili, coordena esta rede formada com a participação exclusiva de conferencistas e imprensa para a cobertura on line, divulgando em demais veículos de comunicação, como rádios espalhadas pelo mundo. Pois trata-se de um Festival diferente e muito peculiar. Através dele, vários conhecimentos, ideias e contribuições estão sendo graciosamente transmitidas na Internet.
Idealizado e dirigido por Celso Salles, organizado por africanos e afro-descendentes, esta iniciativa tem como principal objetivo levar a mensagem do mundo para a África e, tão importante quanto, a mensagem da África para o mundo, mixando conhecimentos relacionados com o desenvolvimento sustentável do ser humano, do meio ambiente e da humanidade. São diversificadas visões de um mesmo ou vários assuntos, que se completam e contribuem para diminuir as desigualdades e tornar a vida menos injusta em nosso Planeta.
Vamos, por isso,cantar todos
Filhos do mesmo Sol,chegou a hora África de mostrar sua grandeza!


2.Entrevista da minha amiga Michele Sato para o Forum Africano Manifesto a favor da Educação Ambiental.

Convidada pela querida amiga Amyra El Khalili, tenho enorme satisfação de participar deste momento, celebrando também um renovar de esperanças. Agradeço a oportunidade de estar junto, enviando uma mensagem sobre as orientações duvidosas internacionais que varrem identidades construídas no âmago de cada cultura.

A entrevista foi realizada por João Carlos Gomes e falo também no nome de Mauro Guimarães, que lançou um manifesto a favor da Educação Ambiental junto comigo, durante o lançamento da década da Educação para o Desenvolvimento Sustentável, pela UNESCO, no Rio de Janeiro-2005. Agradeço, também, a estes dois amigos especiais.

Adensa-se a era das incertezas, o mar revolto poderá trazer discórdias e dúvidas. Entretanto, e certamente, um fio conduzirá a possibilidade de continuarmos nossa luta. É possível que não sejamos vitoriosos e o destino da Terra já tenha uma rota não promissora. O que nos move, todavia, é lutar contra o imobilismo, a castração intelectual e a coragem de fazer de nossa luta, novos enredos à construção de espaços coletivos que possam espelhar posturas éticas frente a este mundo e a este século.

Desejo, desta maneira, territórios e temporalidades de utopias que nos conduzam a construir várias sociedades sustentáveis, com inclusão social e proteção ecológica.

Um forte abraço, carregado de esperanças.

Michèle Sato

MICHÈLE SATO - Licenciada em biologia, mestre em filosofia e doutora em ciências. É coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE) e do Grupo Pesquisador em Educação Ambiental (GPEA) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

3. Lusotopia - página actualizada e empenhadamente mantida por Carlos Fontes

4.Projecto Às Portas do Mundo
Temos como uma verdade incontestável que a Língua, as culturas, as vivências interactivas dos povos de expressão lusa, os valores que os informam e que lhes imprimem carácter, constituem verdadeiros portais franqueados sobre o Mundo e para ele. Reconhecendo que, entre povos amigos, se têm verificado múltiplas realizações cujos resultados incentivam sempre a uma maior consolidação do diálogo cultural, surgiu a proposta do Projecto Às Portas do Mundo. Pretende-se, através da sua implementação, desenvolver uma intervenção cultural e social inédita nos países irmanados pela Língua portuguesa.

Quarta-feira, 15 de Fevereiro de 2006

Robert Kurz- O desenvolvimento insustentável da natureza

Robert Kurz
São Paulo, domingo, 06 de outubro de 2002
Inundações e secas ocorridas nos últimos meses no mundo todo anunciam uma nova e grave dimensão da crise ecológica. Essa relação contém uma tensão que pode rebentar destrutivamente. Já que processos sociais e naturais não são idênticos, eles podem colidir.
Nenhum ser humano é capaz simplesmente de viver em harmonia com a naturez", como requer a ideologia verde.
Do contrário, ele mesmo seria simples natureza, ou seja, um animal. Para que esse processo não leve a fricções catastróficas, é indispensável uma organização racional da sociedade. Razão significa, nesse aspecto, nada mais que uma reflexão sobre os nexos naturais na consciência e um comportamento
correspondente na reconfiguração social da natureza que evite a exploração exaustiva e absurda e os efeitos colaterais destrutivos. Uma organização racional da sociedade não pode, porém, se restringir somente ao processo de metabolismo com a natureza. A razão é indivisível. Sem uma relação racional dos membros da sociedade entre si, isto é, uma relação que satisfaça as carências sociais, não pode haver razão nenhuma na remodelagem da natureza. Como Horkheimer e Adorno haviam mostrado na Dialética do Esclarecimento (ed. Jorge Zahar), um domínio sobre a natureza irracional, destrutivo e irrefletido, e um idêntico domínio do homem sobre o homem se condicionam reciprocamente.

Dinâmica ameaçadora
Nesse sentido, todas as sociedades até hoje devem ser consideradas irracionais, visto que não se desvencilharam da irracionalidade da dominação. Mesmo as catástrofes sociais, como as guerras ou os flagelos da fome, e a destruição da natureza se condicionam reciprocamente. A dominação é sempre destrutiva, já que representa uma relação de poder irrefletida. Definidas por relações de dominação e submissão no nível das relações sociais, as sociedades agrárias pré-modernas também conheceram a destruição dos nexos naturais ligada a isso. A calcarização das margens do Mediterrâneo, outrora
enflorestadas, foi, como se sabe, uma consequência do consumo inescrupuloso de madeira pelas potências antigas, sobretudo pelo Império Romano. A construção de frotas de guerra desempenhou aí um grande papel.
Mas essa destruição da natureza se limitava a aspectos isolados da biosfera, ela não assumia ainda um caráter sistemático e abrangente. SÓ A MARAVILHOSA MODERNIDADE DESENCADEOU UMA DINÂMICA QUE SE TORNOU DE MODO GERAL UMA AMEAÇA PARA A VIDA TERRENA ,suscitando em grande escala aquelas catástrofes sociais da natureza; e com tanto maior impeto quanto mais a sociedade moderna se desenvolve, convertendo-se num sistema planetário total.
Seria barato demais atribuir a dinâmica da destruição moderna da natureza exclusivamente à técnica. Certamente são os meios técnicos que interferem direta ou indiretamente nos nexos naturais. Mas esses meios não são responsáveis por si, são o resultado de uma determinada forma de organização social, que define tanto as relações sociais quanto o processo de metabolismo com a natureza. O MODERNO SISTEMA PRODUTOR DE MERCADORIAS, BASEADO NA VALORIZAÇÃO DO CAPITAL MONETÁRIO COMO FIM EM SI MESMO, REVELA-SE AÍ, DE DUPLA MANEIRA, IRRACIONAL: TANTO NO MACROPLANO DA ECONOMIA NACIONAL E MUNDIAL QUANTO NO MICROPLANO DA ECONOMIA INDUSTRIAL.
O macroplano, isto é, a soma social de todos os processos de valorização e de mercado,produz a coerção para um crescimento abstrato permanente da massa de valores. Isso leva a formas e conteúdos nocivos de produção e a modos de vida que não são compatíveis nem com as carências sociais nem com a ecologia dos nexos naturais (transporte individual,assentamento irregular, desgaste do ambiente, formação de aglomerações-monstro nas cidades, turismo de massa etc.).
No microplano da economia industrial, as coerções do crescimento e da concorrência conduzem a uma política de redução dos custos a qualquer preço, não importando se o conteúdo da produção é em si conveniente ou diruptivo. Mas os custos não são na maior parte objetivamente reduzidos, mas simplesmente deslocados para fora: para a sociedadeinteira, para a natureza, para o futuro. Essa externalização dos custos aparece então,de um lado, como desemprego e pobreza, de outro, como poluição do ar e da água, lixiviação e erosão do solo, transformação destruidora das condições climáticas etc .

O pós-guerra
As consequências destrutivas desse modo de produção irracional sobre o
clima e a biosfera pareciam ser a princípio uma questão meramente teórica, visto que se manifestam em escala planetária só a longos intervalos. Esse processo de destruição foi preparado em dois séculos de industrialização, apressado no desenvolvimento do mercado mundial depois de 1945 e extremado na globalização das duas últimas décadas. Repetindo-se a intervalos cada vez mais curtos e alastrando-se por um número cada vez maior de regiões do globo, as catástrofes das enchentes e das secas anunciam os limites ecológicos absolutos desse modo de produção, assim como o desemprego e a pobreza em massa, globais e crescentes, marcam seus limites socioeconômicos absolutos. O dilúvio e a seca podem ser explicados de maneira precisa como relações de causa e efeito a partir da lógica destrutiva do mercado mundial e da economia industrial. Em escala continental e transcontinental, as chuvas e os temporais extremos e anormais bem como, inversamente, a escassez extrema e anormal de água são provocados por modificações climáticas, que por sua vez são o resultado da emissão industrial desenfreada dos chamados gases-estufa (clorofluorcarbonetos). Esses gases, que esquentam artificialmente a longo prazo a temperatura da terra, são liberados na produção e na operação de quase todas as mercadorias industriais importantes, embora haja também outras possibilidades técnicas.

Fracasso das ONGs
Em escalas regionais menores, é uma série inteira de intervenções na natureza produzidas ela economia de mercado que leva à intensificação da nova dimensão dos temporais,chegando às catástrofes de enchentes que se estendem por grandes superfícies: nos vales fluviais, as terras são industrialmente enresinadas, as várzeas aniquiladas e mercadejadas como regiões de comércio e construção e, os próprios rios, retificados, dragados e transformados em rodovias de água. De um lado, portanto, a mudança do clima, gerada pela economia da indústria e do mercado, concentra maciçamente as chuvas, antes distribuídas com uniformidade, em determinadas zonas; de outro lado, igualmente em razão das práticas inescrupulosas do mercado e da indústria, os volumes de água escoam e se infiltram ali numa medida muito menor do que o faziam no passado. Os críticos ecologistas demonstraram,é verdade, esses nexos, alertando sobre as catástrofes que agora se manifestam realmente.
Mas eles sempre evitaram colocar em questão o princípio econômico causador como tal.
TEÓRICOS E PUBLICISTAS ECOLOGISTAS, PARTIDOS VERDES E ONG’S, COMO O
GREENPEACE,DEIXARAM-SE RENDER TODOS JUNTOS AOS PRINCÍPIOS ETERNOS DO CAPITALISMO
. Nunca quiseram algo diferente de uma espécie de "lobby da natureza", inserido no quadro exato da lógica que destrói a biosfera. Todo o debate sobre o chamado desenvolvimento sustentável ignora o caráter do princípio abstrato da valorização e do crescimento, que não possui nenhum senso para as qualidades materiais, ecológicas e sociais e, por isso, é também completamente incapaz de tomá-las em consideração. Absurdo por inteiro é o projeto de querer que a economia industrial contabilize em seus balanços os custos da destruição da natureza que ela tem acumulado. A essência da economia industrial consiste, é claro, justamente no fato de externalizar sistematicamente os custos, que por fim já não podem mais ser pagos por nenhuma instância. Se ela devesse parar com isso, já não seria mais nenhuma economia industrial, e os recursos sociais para o processo de metabolismo com a natureza teriam de ser organizados em uma forma qualitativamente diferente. É uma ilusão que a economia industrial deva renegar seu próprio princípio. O lobo não vira vegetariano,e o capitalismo não vira uma associação para a proteção da natureza e para a filantropia.

Um luxo
Como era de esperar, todas as conferências de cúpula acerca da proteção do clima e da sustentabilidade, do Rio a Johannesburgo, passando por Kyoto, fracassaram de forma lamentável, e a resistência "sustentável" dos EUA, que não querem perder a alegria de seu consumo de potência mundial, NÃO FOI A ÚLTIMA DAS RAZÕES. Uma vez que o reequipamento perfeitamente possível com outras tecnologias pesaria nos cálculos da economia industrial e estreitaria os lucros, ele é recusado, e o gás-estufa continua a ser emitido em grandes quantidades; da mesma forma, o desgaste do ambiente segue desenfreado.
Entrementes a disposição para intervenções ecológicas na economia chegou a recuar de maneira dramática, porque o fim do capitalismo de bolhas financeiras ameaça estrangular a economia mundial e, por isso, a proteção da natureza e do clima parece ser apenas um luxo, o primeiro a ser cortado. Sob a impressão da crise econômica, cada vez mais ex-ecoativistas proeminentes se confessam filhos do capitalismo, não querendo saber mais nada de uma limitação da economia industrial. Um deles é o “cientista político dinamarquês Björn Lomborg [autor de O Ambientalista Cético, ed. Campus"], que se tornou o predileto da imprensa econômica e pode viajar a toda parte como missionário bem pago da indústria, já que remete a
catástrofe do clima para o reino da fantasia e assevera que, com a ajuda da economia de mercado global, tudo ficará cada vez melhor e até a natureza desabrochará pra valer.

Sem esfriamento
Tomada de entusiasmo por essa falsificação descarada dos fatos, a Wirtschaftswoche, o órgão central do neoliberalismo alemão, dedicou toda uma série às teses de Lomborg. Quando da última parte dessa série, veio pontualmente a grande enchente.
Meteorologistas e historiadores constataram em comum acordo que havia séculos não ocorriam na Europa Central temporais e enchentes dessa espécie. A alteração do clima foi então direta e sensivelmente perceptível, pois se tratava de tempestades e aguaceiros sem esfriamento, como os que são conhecidos comumente apenas nas regiões tropicais. A catástrofe subsequente da inundação na Alemanha, na República Tcheca e na Áustria causaram, em semelhança com a Ásia, danos de bilhões de euros.
Devido aos cofres vazios do Estado, o chanceler alemão Gerhard Schroeder teve de colocar em questão o pacto da estabilidade da União Européia. A enchente assumiu dimensões que tocam a política financeira. É cada vez mais evidente: crises econômicas e destruição ecológica se entrelaçam em uma catástrofe global única. As leis físicas não podem ser manipuladas nas estatísticas, e os pragmáticos realistas do sistema do mercado global afundam literalmente na água suja e na lama.
_____

Robert Kurz é sociólogo e ensaísta alemão, autor de "Os Últimos
Combates" (ed. Vozes) e "O Colapso da Modernização" (ed. Paz e Terra). Ele escreve mensalmente na
seção "Autores", do Mais!
Tradução de Luiz Repa.
Mais textos actualizados no seu site Robert Kurz

Porque está Lua Cheia...vamos luarejar um pouco!

Foto de João Soares,Luar em Barca d´Alva,Janeiro 2005


LUAREJAR

No extenso luarento
Surte-se um estrelário faiscante
Extremado num escuro negregoso.
Proibitivo, atenuo a marcha
Desmarco a velocidade atroz do vento,
Que refresca o boscarejo verdoengo.
Do caminho que prossigo
Vindo a propósito casos de alvitres distantes,
Tão perto de mim
Vejo o sono entre os ninhos.

João Soares,Abril 1996

Terça-feira, 14 de Fevereiro de 2006

**** All IS FULL OF LOVE ****


Nós, no prado da Fundação de Serralves, Janeiro de 2006

Ao meu amor Teresa: estar perto de ti faz-me esquecer todas as preocupações e no calor do teu abraço sinto o aroma fresco das flores do prado que o nosso amor semeou.

Sexta-feira, 10 de Fevereiro de 2006

PAZ E HARMONIA PLANETÁRIA



Está a percorrer o mundo a exposição ASHES AND SNOW , do fotógrafo canadiano George Colbert,do qual já expus algumas vezes fotografias.

Todo o trabalho é um poema e um manifesto à HARMONIA DE TODOS OS SERES NA TERRA.

Liguem o som e façam a experiência online.


Tomei conhecimento deste novo trabalho de George Colbert através do blogue La Double Vie de Véronique.

Quarta-feira, 8 de Fevereiro de 2006

Horta à Porta!!


(Foto:João Soares)


Em Almeida, encontrei esta casinha com umas couves óptimas, fresquinhas à porta da casa nº 10 e curiosamente lembrei-me do Primeiro-Ministro de Inglaterra, não sei porquê e com vontade de lhe enviar esta foto também, para lhe dizer que há muitas propostas para haver uma agricultura mais ecológica e que há alternativas aos cultivos OGM e aos pesticidas que matam e intoxicam o nosso planeta,as nossas crianças e o nosso organismo....

Segunda-feira, 6 de Fevereiro de 2006

Ainda Educação Ambiental e Religião: Tabu ou abertura, mesmo na Educação Ambiental??


Quando se fala em religião há sempre um certo tabú?? Não acham?? Levanta-se a poeira do acriticismo ou do laicismo e insurgem-se grupos (pseudo)religiosos extremistas, confiantes e a acharem-se os donos da verdade e da fé?
Outros à espera do Reino de Deus futuro, quando não fazem quase nada para servir com alguma dignidade e humildade os mandamentos e textos sagrados no seu dia-a-dia?
Muitos refugiando-se no consumismo, no materialismo e noutros ismos, prejudicando a si e ao planeta, numa busca incompreensiva de felicidade e apoiados numa visão muito egocêntrica do mundo?
A curto, a médio ou a longo prazo, nas nossas vidas, a religião/espiritualidade vem ter connosco, mesmo aos ateístas e agnósticos mais convictos....independentemente da cor,sexo,idade,profissão,....
A religião que podia ser uma planície de reflexão, de enriquecimento e de ajuda ética, é hoje em dia, fruto de muitas divisões e sectarismos, fracturada, vilipendiada e arma de arremesso entre políticas de guerra e de poder,de contra-informação...misturada em conflitos socioambientais (água,petróleo,recursos pesqueiros, etc......
Não defendo que cristãos, muçulmanos, budistas, etc criem movimentos católicos/muçulmanos/budistas/etc ambientalistas,p.ex...mas defendo que os teóricos/arautos de cada religião abram as suas perspectivas a todos....para todos...e promovam o diálogo entre religiões e que as promovam entre o seu "rebanho" orientando-os também para estas questões socioambientais.
Deixo-vos mais um testemunho, que me foi enviado por mail e que levanta mais questões importantes.
Quer queiramos quer não a Religião é um facto cultural humano de enorme importância...No fundo o que as une é o questionamento da vida e da morte...da dor e do amor....Vamos dar uma força de maior transparencia religiosa na estratégia de Ecodesenvolvimento....No caminho da Paz e da Carta da Terra.


Por Alberto Vieira da Silva, Mestrando em Educação Ambiental; licenciado em Gestão de Empresas (ISCTE, Lisboa); actualmente responsável pelo Sistema de Informação de Alta Gestão na Reitoria da Unisul (Universidade do Sul de Catarina,Brasil)


Prezado João Soares
Concordo com a sua colocação abaixo e achei esse texto bem interessante, do ponto de vista das sinapses (ou falta delas) entre os diferentes aspectos de nossa cultura ocidental, e não só. Qualquer abordagem religiosa tradicional tem como objetivo a purificação do ser humano e,portanto, uma aproximação progressiva a algo transcendente, seja qual for o nome que lhe seja dado e em qualquer religião.
Porém, é surpreendente como, de um modo geral, as pessoas soi-disant envolvidas com a prática religiosa - vulgo praticantes, que devem ser a maioria da população - não conduzem seus co-religionários à reflexão, que bem poderia retornar comportamentos ambientais ou, pelo menos, pró-ambientais. Se, como se acredita, a maior parte das pessoas tem uma religião, e diz praticá-la, como pode haver tanto lixo, tanta sujeira,tanta concentração química e bio-química prejudicial no ar, na terra e na água?... tanta... destruição perpetrada pelo ser humano contra a Natureza e contra si mesmo? ...
Um sura do Corão diz assim: Deus é belo e ama a Beleza. Belíssimo. Mas quanto lixo nos países muçulmanos! E quanto lixo nos países que se dizem cristãos!... Quantas latas, garrafas plásticas e sacolas tenho visto serem arremessadas de automóveis, caminhões ou carretas com grandes dísticos como : Deus é Fiel, Veículo monitorado por Deus, Jesus é o Senhor, Este veículo pertence aJesus, etc. etc?
Numa praia em Santa Catarina onde estive ancorado na época de férias, um grupo religioso fez uma celebração ritual na praia, à noite,com uma enorme fogueira e tochas ao redor; resultado visível - na hora,o vento encheu de fumaça a casa mais próxima, a ponto de os ocupantes terem que fechar todas as portas e janelas, numa noite bem caliente! De manhã, as cinzas da fé estavam tapadas com areia, mas o tronco ainda estava ardendo... Não sei se alguém pisou nessa areia e queimou o pé,mas poderia ter acontecido; entretanto, a maré subiu e distribuiu, por uma área extensa, milhares de bocados de carvão que estavam escondidos logo por baixo na areia, muitos dos quais continuam lá ainda hoje...sujando a areia branca e o pé de todo o mundo que passa por lá.
Bem sei que todo esse assunto é extremamente sensível e polêmico, por isso estou fazendo uma abordagem com o devido respeito a qualquer crença, e também à ausência dela, nos casos aplicáveis.
No fundo, se existem verdades universais acessíveis pelo entendimento humano, chamem-se de Leis Naturais, Leis Universais, A Verdade ou qualquer outra designação, as pessoas com bom senso, sensibilidade e inteligência devem começar a concordar em certos pontos fundamentais e agir de acordo, respeitando, ao mesmo tempo, as opções existenciais umas das outras, sem perda aparente de sua identidade; mas, com certeza, numa perspectiva de melhoramento, de aperfeiçoamento permanente (fará sentido de um outro jeito?).
Será que, aos olhos da Divina Providência, a prática ambiental, a preservação da beleza natural, da limpeza aceitável do ar, da terra e da água, não será tão importante como a fé mais profunda? Por que, então, há-de haver tanta fé para falar, e tão pouca fé para praticar? Por que a fé ilumina a alma mas não ilumina o entendimento de que tudo está ligado, e de que a destruição da Natureza é a destruição da própria Criação? Se considerada a tradicional e judaico-cristã salvação da alma,suponho que tal salvação não poderá ser um processo egoísta, voltado
para si mesmo, cego e esquecido de tudo e de todos que estão no entorno.
Com efeito, se formos buscar todas as teologias e cosmogonias históricas, nenhuma delas deixa de afirmar, com mais ou menos variações, que Deus encontra-se por todo o lado na Criação.
Ora, se o ser humano é considerado a criatura portadora de discernimento por excelência, tocada pela própria Divindade - Criada à imagem e semelhança de Deus,segundo as Escrituras -, não se entende, então, tanta fé, tanta religiosidade e, ao mesmo tempo, tanto desvario, tanto estrago realizado pelo predomínio humano na Criação.
Ou será que a prática da religião se resume apenas à rotina ritual? Haverá redenção possível para tal pecado contra-natura?... Haverá desculpa para tal destruição perante o Criador? O Homem, criatura dileta do Criador, fazer tanto mal à Criação e a si mesmo? Algo parece errado, num mundo com tantas religiões. O que está errado? Por definição, não será certamente o Eterno que está errado. Caso, talvez, para refletir e começar a ligar as coisas. Será que não é a hora de refletir um pouco e rever as formas como a religião é entendida e... praticada, justamente no que diz respeito ao ambiente,ao entorno? à obra da Criação?
Abraços



1.Livros (se conhecerem mais bibliografia, comuniquem-me por mail)
Dalai Lama- O Dalai Lama Fala de Jesus. Ed. Fissus
Tich Nhat Han-Jesus e Buda. Ed. Vozes
Jesus e Buda Versículos Paralelos- Ed.Instituto Piaget
Buddhism and Ecology: The Interconnection of Dharma and Deeds, edited by
Mary Evelyn Tucker and Duncan Ryuken Williams

2. Um site excelente



3.Termino sugerindo que leiam e divulguem um poema lindíssimo, um GRITO, da minha Amiga Maat

Quinta-feira, 2 de Fevereiro de 2006

Dois Apelos Internacionais + Portais, bases de dados com imensa informação e docs disponíveis

DOIS APELOS INTERNACIONAIS


1.S.O.S. BALEIAS
(saiba mais sobre a VERGONHA DA HUMANIDADE)- Mais de 70 blogueiros já se juntaram a esta iniciativa da Fátima. Aqui sabes todas as condições para participares.Junta-te à Greenpeace, protegendo as baleias.

2.Apelo Mundial por um Movimento e uma Estratégia de Não-Violência, pela Paz e Justiça Globais (texto em inglês). Conheça a prestigiada War Resisters' International website.Confiram a sua lista gigantesca de links, em todo o mundo....PODEMOS FAZER MUITO MAIS pela PAZ!!!

PORTAIS E BASES DE DADOS


1.Directório de Documentos Sobre a Década das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável - Gigante base de dados, com milhares de documentos totalmente gratuitos, para descarregar directamente, consultar e praticar a Educação Ambiental.Mais de 80 documentos relativos à Década estão à sua disposição, produzidos na China, Índia, México, Chile, Alemanha, Brasil, Canadá, França, Nova Zelândia, Espanha, e nas regiões da Comunidade Européia e Ásia; e sempre que possível, disponíveis em português.
Você poderá encontrar os documentos clássicos da educação ambiental, como a Carta de Belgrado, a Declaração de Tbilisi e o Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global.
Estão disponíveis ainda, os documentos relativos às iniciativas a serem integradas na implementação da proposta, como a Década das Nações Unidas da Alfabetização, o Plano de Ação de Dakar de Educação para Todos e os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.

2.A Ecological Intenet, especializada no uso da Internet para a promoção global e local de programas, troca de informações, debates e links numa aposta de que haja realmente mudanças de projectos políticos e económicos no sentido da sustentabilidade dos próprios ecossistemas e a tomada de medidas BIOREGIONAIS de regeneração e recuperação dos mesmos.E mais recentemente inaugurou mais um serviço a Rainforest Portal


3. Biblioteca Digital Paulo Freire - Com dezenas de vídeos de palestras do excelente pedagogo Paulo Freire, além de que pode conhecer e visitar a sua Fundação on-line.

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