segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Jovem carpinteiro alemão produz bicicletas de madeira em Lagoa

Depois de um primeiro lançamento mediático com bastante sucesso no seu país de origem, o jovem alemão Raphael Much, 29 anos, mudou-se com a namorada algarvia para o Algarve. Consigo traz a linha de produção das bicicletas artesanais em madeira «Lumber Jack» (do lenhador).
Um jovem artesão alemão teve a ideia de construir, à mão, bicicletas de alta qualidade em madeira, no Algarve. Inspirado pelo crescimento do turismo ciclável na região e também por ver Portugal a liderar o ranking dos maiores exportadores de bicicletas da União Europeia em 2016, Raphael Much criou a sua própria marca. As bicicletas «Lumber Jack» demoram três meses a serem montadas, pois cada uma é peça única. A mais acessível custa 4290 euros e estão ser produzidas numa oficina na Mexilhoeira da Carregação, no concelho de Lagoa.

O conceito até pode ser de nicho, mas já deu provas de ser sustentável e há todo um mercado europeu interessado. A prova é que Raphael Much perdeu a conta aos eventos e exposições onde apresentou as suas «Lumber Jack», na Alemanha. As bicicletas têm feito capas em várias revistas da especialidade. Much cresceu na Floresta Negra, no sul da Alemanha, rodeado de bosques, apaixonado pela madeira enquanto matéria-prima. Formou-se em carpintaria e após os estudos, e com o desejo de «conhecer um pouco mais do mundo» passou por uma serralharia na Nova Zelândia e colaborou com a indústria náutica em Portugal.

Apesar de se ter formado mestre carpinteiro «apenas aprendi realmente a arte da carpintaria em Portugal. Não recorríamos a computadores para construir barcos, como noutros países. Aprendia a fazer tudo de forma manual e o mesmo acabou por acontecer com as minhas bicicletas», recorda. Em 2011, em plena crise, e com o trabalho a escassear, o jovem carpinteiro encontrou tempo e criatividade para criar a sua primeira bicicleta «reciclada» a partir dos restos de madeira que sobravam das embarcações, sobretudo restos de madeiras como freixo, ácer e mogno.

«Comprei uma bicicleta velha a um pescador por 15 euros e assim nasceu o meu primeiro protótipo. Não era de todo funcional. Ficou grande e pesada demais. Demorei quase dois anos até produzir o modelo final».
Para já, quem quiser apenas saber
mais sobre estas bicicletas, poderá consultar o seu site Wood Works
Obrigado, Manuela Gonzaga e Luísa 

domingo, 20 de agosto de 2017

Livro do Mês: Levadas da Madeira- Uma Antologia Literária

No passado dia 11 de Maio, veio a lume Levadas da Madeira: uma antologia literária, organizada por Thierry Proença dos Santos, com fotografias de Francisco Correia e publicada pela Imprensa Académica. Segundo o editor, Luís Eduardo Nicolau, constitui objectivo deste livro «dar a conhecer aos leitores uma relação pouco explorada entre o texto literário e essa obra única da nossa natureza, construída e moldada ao longo dos séculos e cuja marca, na vida dos madeirenses e de todos os que nos visitam, é indelével.»

Thierry Proença dos Santos, professor da Faculdade de Artes e Humanidades da Universidade da Madeira, tem, nos últimos anos, dedicado a sua investigação à produção literária madeirense e contribuído de forma notável para a sua divulgação no contexto académico nacional e internacional, através de muitos artigos e ensaios em revistas e actas de colóquios, e ainda de alguns livros, dos quais salientamos Comeres e beberes madeirenses em Horácio Bento de Gouveia (2005) e a edição crítica de Canga, (2008). Foi também co-organizador de Crónica madeirense: 1900-2006 (2007) e Cadernos de Santiago 1: colectânea de poesia (2016).
Em Levadas da Madeira: uma antologia literária, Thierry Proença dos Santos reuniu contos, crónicas e poemas, excertos de diários, cartas, romances e reportagens sobre as levadas da nossa ilha.

Surgem assim autores de diferentes épocas e correntes literárias e estéticas. O primeiro texto apresentado é de Gaspar Frutuoso, extraído do Livro Segundo das Saudades da Terra, obra escrita por volta de 1584. Isabella de França, João de Nóbrega Soares, Luzia, Alberto Artur Sarmento, António Ferreira, Assis Esperança, Maria Lamas, Ferreira de Castro, António Marques da Silva, Horácio Bento de Gouveia, João França, Carlos Martins, Alberto Figueira Gomes, Maria do Carmo Rodrigues, Jorge Sumares, António Ribeiro Marques da Silva, Clemente Tavares, Irene Lucília Andrade, Dalila Teles Veras, Fátima Pitta Dionísio, José António Gonçalves, Nelson Veríssimo, Lília Mata, Fernando Bessa são os autores seleccionados. Apenas um viajante estrangeiro foi antologiado. Trata-se do francês Léon Manchon, cujo relato de uma caminhada ao Rabaçal foi traduzido para português, pela primeira vez.

Os discursos sobre as levadas figuram dispostos sob nove temáticas que dão origem a igual número de capítulos. Assim: Os construtores de levadas; Águas passadas, Disputa de água; O silêncio das levadas; O prazer da água (de rega); Ao sabor da levada; A levada que corre dentro de mim; A fonte de lendas, Tornadoiro de poemas. No final, são apresentadas notas bibliográficas dos autores escolhidos, seguindo-se um glossário e um breve posfácio com o enquadramento histórico das levadas madeirenses.

As fotografias de Francisco Correia, que acompanham os textos, não assumem o papel de mera ilustração, sem menosprezo dessa importante função da representação do real. Neste livro, as bonitas imagens captadas são uma espécie de texto visual que anuncia, rodeia ou prolonga o texto literário, envolvendo o leitor no amplo processo de fruição da levada, enquanto obra insular e produto da Natureza. Trata-se, portanto, de uma antologia literária e fotográfica, mas um objecto com unidade, criado com palavras e registos da paisagem.

No processo em curso sobre a candidatura das levadas da Madeira a Património da Humanidade, junto da UNESCO, esta edição constitui mais uma importante achega para valorização de um legado cultural, que remonta aos tempos do povoamento da ilha.

Nesta antologia, narrativas, poemas e fotografias fixam imagens bem diversas das levadas e da sua paisagem, da rega e dos levadeiros, do quotidiano agrícola, de superstições e crendices, quando na noite não existia luz elétrica para iluminar as encostas, dos recorrentes e indómitos conflitos em torno da água de rega, de relatos de caminhadas e de visões inspiradas.

Com a chancela da Imprensa Académica, da Associação Académica da Universidade da Madeira, disponibiliza-se um novo e diferente instrumento para a compreensão das levadas como obra da cultura madeirense.


Funchal Notícias. 17 Maio 2017

sábado, 19 de agosto de 2017

Encontros Improváveis- José Saramago e Graciela Magnoni

Hoje celebra-se a Fotografia e é, também, o Dia Mundial da Ajuda Humanitária.

Para assinalar estas efemérides, escolhi um texto de José Saramago e uma fotografia de Graciela Magnoni, Uruguai, 2014, homenageando assim todos os que registam e partilham olhares únicos do nosso quotidiano, mas também as pessoas e as organizações que fazem da sua vida ajudar a vida dos outros.


"Produzimos uma cultura de devastação baseada muitas vezes no engano da superioridade das raças, dos deuses, e sustentada pela desumanidade do poder económico. Sempre me pareceu incrível que uma sociedade tão pragmática como a ocidental tenha deificado coisas abstractas como esse papel chamado dinheiro e uma cadeia de imagens efémeras. Devemos fortalecer, como tantas vezes disse, a tribo da sensibilidade..."~ José Saramago

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Efeitos directos dos incêndios na saúde

Para Lá da Cortina de Fumo- os efeitos na saúde

O que importa dar destaque! Como temos feito destacar, os negócios silvícolas não ocorrem apenas entre duas partes. Por isso, o Estado tem de estar presente e com posição reforçada, seja na investigação, seja na fiscalização, seja em extensão, seja na regulação.

Já assinou a Petição- "Nem mais um hectare de eucalipto plantado em Portugal", queremos esta promessa cumprida?


Por  1 e Diogo Pestana 2, Público, 16 de Agosto de 2017

Portugal encara, atualmente, uma situação de emergência para dar resposta à crescente problemática dos incêndios florestais. Os incêndios são eventos adversos com custos tangíveis ambientais (área ardida em 2017 mais de dez vezes superior ao mesmo período de 2016), socioeconómicos (como a desertificação, a erosão do solo, a falta de abastecimento de água, e outros prejuízos económicos estimados em cerca de 250 milhões de euros por ano com incêndios) e para a vida humana. A quantificação dos custos imediatos e diretos dos incêndios permite estabelecer a métrica do impacto socioeconómico; porém, os incêndios têm outras consequências adversas menos imediatas e evidentes sobre o ambiente e, por consequência, sobre as populações. É por isso surpreendente a escassez de literatura e comunicação relativa aos seus efeitos diretos na saúde.

Efetivamente, a relação do ambiente com o binómio saúde-doença é reconhecida desde Hipócrates, no seu mais famoso tratado Dos ares, Águas e Lugares. Numa interessante e rica descrição dos efeitos ambientais na saúde de indivíduos e populações, correlaciona o ambiente aos diferentes quadros nosológicos e características populacionais. O modelo ainda hoje é válido, mas a multifatorialidade de muitas doenças dificulta a avaliação da contribuição relativa dos diferentes fatores ambientais, tornando-se assim premente o aumento do conhecimento integrativo em domínios como a água, o ar, os solos, a nutrição, procurando clarificar um olhar da toxicologia para a saúde.

O impacto dos incêndios nas populações depende de vários fatores, nomeadamente a duração e o tipo de exposição, os meios de transmissão para o meio ambiente e a suscetibilidade do indivíduo. Uma distinção importante na definição dos impactos é a diferenciação entre curto e longo prazo. Os efeitos para a saúde decorrentes de uma exposição aguda são os mais explorados, nomeadamente relacionados com o fumo produzido pelos incêndios (problemas respiratórios, cardiovasculares e oculares), com o excesso de calor (queimaduras, desidratação e golpes de calor) e com falhas do abastecimento de água (ver em Riscos para a saúde resultante da ocorrência de incêndios, DGS).

Em matéria de alimentação e com o objetivo de mitigar estes efeitos, principalmente nas populações vulneráveis e em risco (como os bombeiros), o Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável (PNPAS), da Direção-Geral da Saúde, tem vindo a definir algumas linhas orientadoras sobre alimentação em tempo de incêndios (ver em Recomendações gerais para a alimentação de bombeiros, Nutrimento).

Mas, atrás da cortina de fumo dos incêndios florestais, não podemos menosprezar os efeitos a longo prazo da contaminação do ambiente (solo, água e subsequentemente da cadeia alimentar) e da exposição crónica das populações a outros poluentes provenientes do fumo, como metais pesados, PAH, PCB e dioxinas. Talvez por este impacto não ser imediatamente observado e reconhecido, e muitas vezes decorrente da exposição a baixas concentrações (disruptores endócrinos), escasseia o conhecimento dos seus verdadeiros efeitos (cardiovasculares, respiratórios e carcinogénicos) nas populações afetadas.

Já assinou a Petição- "Nem mais um hectare de eucalipto plantado em Portugal", queremos esta promessa cumprida?

1- Investigadora do grupo ProNutri, Cintesis; Faculdade de Ciência Médicas Universidade Nova de Lisboa
2- Investigador do grupo ProNutri, Cintesis; Faculdade de Ciência Médicas Universidade Nova de Lisboa; Membro da COST Action – Industrially Contaminated Sites and Health Network (ICSHNet)

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Bertrand Russell- Uma mensagem para as gerações futuras


Num programa de televisão, Face-to-Face da BBC em 1959, foi perguntado a Bertrand Russell, que mensagem deixaria para as gerações vindouras. A resposta dele foi que diria duas coisas: uma intelectual e outra moral.
Se querem saber quais são vejam o vídeo.
É um espantoso testemunho, pela inteligência e pela simplicidade. Palavras imperdíveis e, verdadeiramente, inspiradoras.


Para saber mais sobre Bertrand Russell consultar e ler esta postagem.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

A relevância da floresta nativa na Madeira

Cada floresta pristina organiza-se e adopta uma sociedade de seres que dela dependem mas com ela interconectam-se em redes de energia e de matéria impensáveis e de uma liquidez económica incríveis.
Início da Levada dos Moínhos, Porto Moniz, Madeira (Foto de autor)
A actual floresta indígena da Madeira, «na sua maioria, representada por árvores da família das lauráceas, no dragoeiro e nos fetos», existiu outrora no sul da Europa e bacia do Mediterrâneo, onde foram encontrados fósseis de espécies da floresta madeirense, tendo-se aí extinguido naturalmente. Interroga-se então, o porquê da extinção desta floresta nesse continente, e como terá podido sobreviver nestes arquipélagos atlânticos? E como vieram lá parar? Relativamente à primeira resposta, sabemos que, no final do Terciário verificou-se uma descomunal modificação no clima europeu, caracterizado por um gradual arrefecimento. Este abaixamento da temperatura surgiu na sequência da expansão em direcção ao sul da calote de gelo polar. Quase em simultâneo, começou a processar-se uma alteração climática na zona do norte de África, tornando-se aí o clima mais seco. Desta forma, a floresta subtropical do sul da Europa deixou de encontrar as condições climáticas ideais ao seu desenvolvimento sustentado, devido ao frio crescente vindo de norte e à aridez proveniente do sul, dando-se assim, início ao seu processo de recuo e consequente extinção. Quanto à segunda resposta julga-se que os arquipélagos atlânticos protegidos que estavam destas mudanças climáticas, devido à sua localização oceânica, serviram de “poiso” a determinadas aves que aqui “semearam” sementes originárias dessa mesma floresta do sul da Europa, também de África, e talvez de outros continentes.
De referir que, as aves que habitam a floresta da Madeira (Laurissilva), como por exemplo o pombo trocaz, são na sua maioria “comedores de sementes”.

Trocaz  (Columba trocaz - foto via web)

Uma das características principais da floresta indígena madeirense, nas suas espécies, que na sua maioria são de expressão sexual dióica, (necessitando de uma planta de sexo masculino para se reproduzirem), são produtoras de sementes, e por sua vez, esta interdependência “aves-versus-floresta”, também ajudou à consolidação da mesma. Por essa razão, o pombo trocaz é actualmente protegido, pois o mesmo se tornou, o grande “semeador” da floresta autóctone insular, designadamente a Laurissilva. Quanto às outras espécies de plantas, se chegam por cá poeiras do Deserto do Saara, arrastados pelos ventos de leste, também chegam outras sementes! Assim, a “floresta terciária” sobreviveu, persistindo até hoje! Esta, é considerada por muitos especialistas como uma floresta “fóssil vivo”, que acompanhou a história geológica das ilhas do Arquipélago da Madeira, ao longo de milhões de anos. A testemunhá-lo, foi o “achado” de fósseis de toros, “que se julga ser de barbusano”, entre camadas de tufo vulcânico e de alcatrão, por ocasião da perfuração do túnel para passagem da Levada do Norte na Encumeada de São Vicente, em 1947. Alguns destes exemplares, encontram-se actualmente no Museu Municipal do Funchal e no Museu da Electricidade "Casa da Luz".

A floresta da Madeira, particularmente a Laurissilva, é actualmente a mais extensa e a mais bem conservada dos arquipélagos atlânticos (Açores, Madeira, Canárias e Cabo Verde), que constituem a Macaronésia (regiões com características fitográficas e biológicas comuns), e por conseguinte pode-se afirmar que, a Madeira possui a melhor e mais extensa mancha de floresta Laurissilva do Mundo. A totalidade da área desta floresta, e dada a sua importância, foi recentemente classificada como Reserva Biogenética e incluída na rede europeia de Reservas Biogenéticas, sob a égide do Conselho da Europa. As Reservas Biogenéticas constituem áreas protegidas europeias onde ocorrem ecossistemas, biótipos e espécies únicos, raros ou ameaçados e característicos de uma dada região.

A floresta Laurissilva, é uma floresta “produtora” de água (pdf), que no caso da ilha da Madeira, e face à sua localização geográfica, com a cordilheira central perpendicular (oeste - leste) aos ventos predominantes de nordeste (os alíseos), carregados de vapor de água do oceano, impulsionados por correntes de ar ascendentes, chocam com as montanhas, e ao passar pela floresta, provocam a chamada precipitação oculta, e se for nos planaltos ou nos píncaros “assume” a designação de “horizontal”, onde predomina o Urzal de Altitude.


Na Madeira, existe mais água na vertente norte do que na vertente sul. Por esta razão se construíram canais de transporte de água, as levadas, que na sua maioria também "nascem" a norte, captando as nascentes aí existentes.

Uma visita imperdível é o Jardim Botânico do Funchal. Existem no Jardim duas áreas dedicadas à flora da Madeira; uma localizada na zona do arboreto, e outra, na secção sul do jardim, junto ao anfiteatro e à coleção de palmeiras e cicas.

Na coleção localizada no arboreto destacam-se as espécies arbóreas da Laurissilva da Madeira, tais como a Faia (Myrica faya), o Folhado (Clethra arborea), o Vinhático (Persea indica), o Til (Ocotea foetens) e o Loureiro (Laurus novocanariensis) e ainda outras espécies endémicas da Madeira e Macaronésia raras ou ameaçadas de extinção, nomeadamente o Mocano (Pittosporum coriaceum), o Dragoeiro (Dracena draco), o Jasmineiro (Jasminum azoricum), o Gerânio da Madeira (Geranium maderense) e Cheirolophus massonianus entre várias outras.

A coleção de espécies endémicas da Madeira visa dar a conhecer a flora do Arquipélago da Madeira. A coleção inclui exemplares de vários taxa endémicos, alguns dos quais raros e ameaçados de extinção. Destaca-se por exemplo Jasminum azoricum, Cheirolophus massonianus, Chamaemeles coriacea, Pittosporum coriaceum e Prunus lusitanica subsp. hixa). tem as espécies organizadas de forma a representar os vários níveis de vegetação da Madeira, desde a zona litoral até às altas montanhas da ilha. Nesta zona salienta-se as espécies raras Berberis maderensis e Pittosporum coriaceum.
Destaca-se ainda nesta coleção uma área de conservação ex situ de Aichryson dumosum, espécie endémica da Madeira e extremamente rara na Natureza. Neste espaço foi recriado o peculiar habitat desta espécie, que vive por entre amontoados de rochas basálticas em apenas uma localidade da ilha da Madeira.

Bibliografia e Sites Consultados

Diário da República, 1.ª série - N.º 179 - 15 de Setembro de 2006 (pdf), foi aprovada a “Estratégia Nacional para as Florestas”, inserida na “Estratégia Florestal da União Europeia”.
NEVES, Henrique Costa et al. (1996). Laurissilva da Madeira - Caracterização Quantitativa e Qualitativa. Secretaria Regional de Agricultura, Florestas e Pescas - Parque Natural da Madeira. Funchal.
OLIVEIRA, Paulo (1999). A Conservação e Gestão das Aves do Arquipélago da Madeira. Secretaria Regional de Agricultura, Florestas e Pescas - Serviço do Parque Natural. Funchal. Funchal.
PRADA, Susana- O Potencial do Nevoeiro como Recurso Hidrológico.
QUINTAL, Raimundo (2007)- Quintas, Parques e Jardins do Funchal, Estudo Fitogeográfico

Jardim Botânico da Madeira
José Lemos Silva Madeira-Gentes e lugares

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Odeceixe e Portugal disse ao Mundo - Não ao Furo! Sim ao Futuro

Odeceixe beach shouts Portugal’s message to the world -> No to oil drilling 12 August 2017
Odeceixe beach shouts Portugal’s message to the world

Não ao Furo! Sim ao Futuro – Não à exploração de petróleo em Portugal!
PT
Cerca de 1.000 pessoas de 40 países diferentes formaram uma enorme mensagem humana na praia de Odeceixe para impedir a exploração de petróleo na costa Portuguesa. O evento integrou-se no "Defend the Sacred: Envision a Global Alternative", realizado em Tamera, ao qual se juntaram líderes de Standing Rock e movimentos ambientalistas Portugueses.

A imagem humana aérea foi desenhada por John Quigley da Spectral Q, filmada por Ludwig Schramm e uma equipa de Tamera.
À medida que as empresas petrolíferas pressionam para iniciar a exploração de petróleo em Abril de 2018, juntámo-nos para honrar a água como fonte de vida, a água como sagrada, a vida como sagrada, e a necessidade de defender o que é sagrado.
#defendthesacred
#waterislife
Assina a petição: SALVAR O ALGARVE DA EXPLORAÇÃO DE GÁS E PETRÓLEO
http://bit.ly/2vCaFGI

Intervenientes- Speakers:
John Quigley
Martin Winiecki
Sabine Lichtenfels
LaDonna Brave Bull

EN

Nearly 1000 people from 40 countries form a large-scale human message on Odeceixe beach to stop plans for off-shore oil drilling in Portugal. The event was part of "Defend the Sacred: Envision a Global Alternative" hosted by Tamera, joined by Standing Rock leaders and supported by environmental movements in Portugal. The aerial human image was designed by John Quigley of Spectral Q and produced by Ludwig Schramm and team from Tamera.
As the oil companies push to drill for oil off this coast as early as April 2018, we came together to honor that water is life, water is sacred, life is sacred, and that we must defend the sacred.

Sign the petition: SAVE THE ALGARVE FROM OIL AND GAS EXPLORATION
http://bit.ly/2vCaFGI

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Petição- "Nem mais um hectare de eucalipto plantado em Portugal", queremos esta promessa cumprida

Santa Valha, Valpaços (Foto de autor)
Para: Senhor Presidente da República Portuguesa, Senhor Presidente da Assembleia da República, Senhores Deputados; Senhor Primeiro-Ministro, Senhores membros do Governo

Excelências,

Cidadãos vêm por meio desta petição pedir-lhes que revejam a Primeira alteração ao Decreto-Lei n.º 96/2013, de 19 de Julho, que estabelece o regime jurídico aplicável às acções de arborização e rearborização (Decreto n.º 165/XIII) da Reforma Florestal aprovada na Assembleia da República a 19 de Julho de 2017, e promulgada a 8 de Agosto de 2017 pelo Senhor Presidente da República, por forma a que garanta que não seja autorizada a plantação de sequer mais um hectare de eucalipto no nosso país.

900 mil hectares de monocultura constituem um desequilíbrio incomensurável, temos a maior proporção territorial coberta com eucalipto do mundo. Portugal é o 5º maior produtor mundial, atrás do Brasil, China, India e Austrália, mas não tem uma extensão comparável. Esta conjuntura tem custos inegáveis.

Consideramos que a lei, tal como foi aprovada e promulgada, não acaba com novas plantações de eucalipto nem reduz a área do território ocupada por monocultura de eucalipto, pois ela:

- permite a permuta de uma área de monocultura de eucalipto com solos esgotados de nutrientes e com baixa produtividade para uma nova área de floresta produtiva com solos férteis, com a desistência de 10% de plantação ao ano com o máximo de redução de 50% ao fim de 5 anos.

Ora reduzir 10% ao ano não é o mesmo que reduzir 50% ao fim de 5 anos. Reduzindo 10% durante 5 anos uma área de 500 mil hectares ficam 295 mil e não 250 mil hectares.

- permitindo essas permutas, constitui uma importante ameaça à floresta existente onde temos já várias espécies em vias de extinção. A monocultura de uma árvore exótica, oriunda de um ecossistema longínquo, não tem valor de suporte da fauna e flora nativas, não assegura a preservação da biodiversidade. Monocultura não é floresta. Floresta é todo um ecossistema interdependente, espécies não importadas e adaptadas ao nosso ecossistema, ao nosso clima, que albergam diversidade, conservam os solos, a humidade e amenizam a temperatura ambiente.

- não prevê que, na permuta por áreas novas, as áreas onde se deixe de cultivar eucalipto sejam arborizadas com espécies autóctones. Se não se retirarem os cepos os eucaliptos voltam a crescer. Retirá-los tem custos elevados. Esses eucaliptos já não interessarão para a indústria da celulose. Ao continuarem a crescer lá eucaliptos onde está a redução do eucaliptal em Portugal?

- mantém, na prática, o deferimento tácito por parte do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas dos pedidos de arborização com eucalipto que lhe sejam dirigidos:

Para propriedades inferiores a 10 hectares, o ICNF, aleatoriamente, seleccionará 20% dos pedidos de arborização e terá um máximo de 45 dias para responder. O deferimento será tácito nos restantes 80% (autorizados automaticamente por falta de resposta do ICNF). Para propriedades superiores a 10 hectares há deferimento tácito após 60 dias. A lei anterior previa 45 dias para propriedades superiores a 2 hectares... não vemos grande mudança.

O ICNF com efectivos reduzidos nos últimos 10 anos fica responsável por gerir e fiscalizar os 900 mil hectares de eucaliptal que temos no país. Perguntamo-nos como e com que inspectores?
Falamos do mesmo ICNF que permitiu o abate de 200 sobreiros na Azambuja para plantar um olival de cultivo intensivo? Ou o abate de carvalhos na Quinta das Nogueiras pela Santa Casa da Misericórdia do Fundão em plena estação da nidificação das cegonhas que por lei deveria proteger?
Duvidamos que este ICNF consiga travar a exploração de monoculturas de árvores com vista exclusiva ao lucro rápido e cumprir a sua função de proteger os ecossistemas.

- não apoia claramente o lucro superior, inclusivamente ambiental e turístico, que retiramos de florestas de uso múltiplo constituídas por espécies autóctones.

Na criação de valor acrescentado com base em produtos certificados da floresta, como farinha de avelã, de noz, de castanha, de bolota, de pinhão (farinhas sem gluten) e concomitantes actividades em que ainda temos tradição e elevada qualidade, como mel, azeite, medronho, resina, pastorícia, cinegética (safari fotográfico) acrescentando o valor da prática de desporto e ocupações de lazer num ambiente saudável, explorando o valor paisagístico com guias da natureza e/ou guardas florestais que pudessem também dar a conhecer a fauna e flora locais a visitantes... por que não considerar a hipótese de existir potencial para uma maior contribuição para o PIB e para a dinamização do interior do país do que com o eucalipto?

- não possibilita que os municípios possam vetar o uso das terras para eucaliptal. Não obriga a consulta pública.

A lei não põe em causa a necessidade de reduzir a área de eucaliptal e aparenta propor-se fazê-lo, mas não cumpre a expectativa que criou. Confiamos que os nossos governantes e legisladores, independentemente de partidos políticos, no superior interesse da nação, queiram ver aplicada uma lei que cumpra o propósito para o qual foi criada.

Foi prometido aos Portugueses que não seria permitido aumentar a área dedicada à monocultura de eucalipto no nosso território. Cremos, pelas razões expostas, que esta lei defraude as expectativas de ver essa promessa cumprida.

Em consciência, esgotando todas as diligências ao nosso alcance para evitar que tragédias como a de Pedrógão Grande se voltem a repetir ainda no Vosso mandato, acreditamos que juntarão a Vossa voz à nossa para que possamos marcar juntos o momento a partir do qual optámos pelo futuro da nossa floresta, de forma inequívoca.

A maior homenagem é aquela que faz com que a perda de vidas não tenha sido em vão, e é com esperança de nos podermos sentir serenos com o cumprimento desse dever que assinamos 

(11 de Agosto de 2017)
Assinar e divulgar a Petição aqui

domingo, 13 de agosto de 2017

A fileira do eucalipto em Portugal: mitos e realidades

Lisboa, 9 de Agosto de 2017 - A QUERCUS e a ACRÉSCIMO confrontaram as informações difundidas pela CELPA, Associação da Indústria Papeleira sobre as florestas, a atividade silvoindustrial e a fileira da pasta e papel em Portugal, com as estatísticas oficiais disponíveis e chegaram a conclusões.
Fonte: Quercus
Eis os 12 itens essenciais:

1. Em Portugal, 98% da área florestal é detida por famílias?

Não! Em Portugal, o Estado dispõe apenas de 1,6% da área florestal nacional. A indústria papeleira detém cerca de 6,5%, muito embora, entre 2001 e 2010, a mesma tenha registado uma contração, apenas em plantações de eucalipto, superior a 33,8 mil hectares, Da área restante, as áreas comunitárias, os baldios, representam cerca de 12%.
Assim, as famílias serão detentoras de cerca de 80% da área florestal nacional

2. Existem 400.000 proprietários com plantações de eucalipto em Portugal?

Não existem estatísticas fiáveis, pela ausência de cadastro rústico em parte significativa do país, quanto ao número de proprietários rústicos detentores de superfícies florestais. O número de 400.000 proprietários é um valor desactualizado relativo ao total de proprietários florestais que detêm várias espécies e não apenas dos produtores de eucalipto. Através das Finanças, em dados de 2006, sabe-se que o número total de prédios rústicos em Portugal ascende a quase 11 milhões, sendo que, em 14 dos 18 distritos do continente, a área média dos prédios é de 0,57 hectares.

3. As plantações de eucalipto representam apenas 13% da área ardida em Portugal?
Não! Nos últimos 20 anos, a área de plantações de eucalipto em Portugal registou um acréscimo superior a 100 mil hectares. O seu envolvimento na área ardida tem crescido substancialmente. Em 1996 as plantações de eucalipto representavam 3% da área ardida total e 13%, da área ardida em floresta. Em 2015 a área ardida de eucaliptal representou 17% do total e 45% da área de povoamentos florestais ardidos.

4. A área de plantações de eucalipto em Portugal é objeto de uma adequada gestão?

Não! A par do que acontece com outras ocupações florestais, também a área de plantações de eucalipto evidencia enormes debilidades no que respeita à sua gestão. Uma grande parte dos eucaliptais em minifúndio do centro e norte do país, não tem qualquer gestão de silvicultura preventiva durante a década até ao corte. Assim, de acordo com os últimos dados disponíveis do Inventário Florestal Nacional (IFN5), da área nacional ocupada por eucalipto, em cerca de 11% trata-se de povoamentos mistos com pinheiro-bravo, em cerca de 9% o coberto é inferior a 50%, em cerca de 49% a densidade é inferior a 600 árvores por hectare, e em cerca de 12% a idade das plantações ultrapassa os 12 anos. Todos estes são indicadores de deficiente e má gestão.

5. A área de plantações de eucalipto está 100% certificada?
Não! A área ide plantações de eucalipto dos grupos industriais associados na CELPA, cerca de 19% da área total de eucalipto a nível nacional (segundo dados provisório do 2010, IFN6), estão certificadas pelos sistemas FSC e PEFC. As áreas totais das empresas associadas na Celpa representam 56% da área certificada pelo FSC e 78% da área certificada pelo PEFC.


6. A produção de rolaria de eucalipto é um negócio rentável?

Se avaliado o negócio da produção de rolaria de eucalipto conforme os dados apresentados no simulador “Análise Financeira para o Eucalipto”, desenvolvido pela própria indústria papeleira, os resultados positivos tendem a aparecer. Importa, contudo, ter em consideração as limitações de tal simulador. O mesmo tem uma fortíssima limitação para 14 dos 18 distritos do continente, onde a área média dos prédios é de 0,57 hectares, ou seja, onde o minifúndio acarreta custos específicos não considerados. Por exemplo, o encargo considerado de 1.350 euros/hectare de instalação de um eucaliptal, em minifúndio, pode atingir os 3.000 hectares/hectare. É de realçar ainda o facto de os valores de custos apresentados no simulador estarem aquém dos valores de referência, para as operações em causa, definidos por comissão de acompanhamento sediada no Ministério da Agricultura. Por último, as simulações ocorrem a 24 anos (2 cortes a cada 12 anos), não incluindo valores relativos a cortes posteriores, com produtividades decrescentes, bem como o encargo final de replantação ou reconversão do uso do solo para outras produções. Este último, em minifúndio, pode atingir os 2.000 euros/hectare.

 7. A fileira do eucalipto combate o despovoamento? Não! A expansão de plantações de eucalipto em regiões despovoadas do interior em nada contribuiu para contrariar o êxodo rural. A cultura do eucalipto baseia-se em praticas culturais simples e numa procura que se centra, sobretudo, no litoral, longe de regiões de baixa densidade populacional. A principal exceção ocorre em Vila Velha de Ródão, onde a atividade industrial se tem caracterizado por um elevadíssimo custo ambiental.


8. O sector florestal representa 100 mil postos de trabalho?

Não! No seu conjunto, a silvicultura e as indústrias florestais sustentam, de acordo com dados de 2013, cerca de 66 mil postos de trabalho. A silvicultura é responsável por cerca de 5 mil postos de trabalho e as indústrias florestais, nas suas diferentes fileiras, por cerca de 61 mil empregos.


9. O sector florestal em Portugal representa 5% do PIB?

Não! De acordo com os dados do INE, em 2013 o Valor Acrescentado Bruto do sector florestal representava 1,2% do PIB. A indústria papeleira tinha um peso de 0,5% do PIB.


10. As importações de eucalipto para a indústria papeleira têm aumentado?

Não! No que respeita às importações de rolaria de eucalipto, tem-se assistido a uma redução desde 2013, isto, apesar do aumento nas aquisições.


11. As plantações de eucalipto têm tido um impacto relevante no sequestro de carbono em Portugal?

Não! No curto prazo o sequestro de carbono é mais rápido pelo eucalipto, contudo, em termos de cenários das alterações climáticas é mais relevante que o carbono fique armazenado no máximo período de tempo, o que se anula com o corte e transformação industrial do eucalipto. Há que ter ainda em conta o desempenho crescente das plantações de eucalipto na área ardida, pelo que importa avaliar o saldo entre os ganhos e as perdas decorrentes das emissões libertadas pelos incêndios.


12. Para tornar rentável a operação industrial de produção de pasta e de papel o país carece de maior área de plantações de eucalipto?

Não! Quanto muito será oportuna a aposta em qualidade e na produtividade por área. Ora, o que a CELPA agora defende são novas plantações de eucalipto, aumentando as monoculturas com os riscos associados.

A informação difundida pela indústria papeleira em Portugal está demasiado fundamentada em mitos, pouco na realidade.

sábado, 12 de agosto de 2017

Corrida ao eucalipto antes da lei que proíbe novas plantações


Foto de Ricardo Graça

Denuncia o Jornal de Leiria, dia 10 de Agosto de 2017

Embora o Presidente da República tenha promulgado a reforma da floresta esta terça-feira, a lei, que entre outras medidas proíbe novas áreas de eucalipto, poderá entrar em vigor só em Fevereiro.

Até lá, explica Domingos Patacho, ambientalista da Quercus, são muitos os que estão a plantar esta espécie, nalguns casos sem a devida autorização, procurando antecipar-se à implementação de uma lei que se prevê mais dura com os prevaricadores.

O Jornal de Leiria teve conhecimento de três zonas onde foram recentemente plantados eucaliptos: junto à Estrada Atlântica, próximo da Praia da Légua e do Vale Furado, no concelho de Alcobaça, e também na Quinta da Várzea, no concelho da Batalha.
 

Em cada ano produzimos em plástico o equivalente ao peso de toda a humanidade

O aviso é da Fundação Oceano Azul, que arranca hoje, dia 12 de Agosto, com a campanha "O que não acaba no lixo acaba no mar". Anualmente, perto de oito milhões de toneladas de plásticos invadem os oceanos.


Um milhão de aves e 100 mil mamíferos marinhos morrem todos os anos devido à poluição por plástico. Os números são da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) e não são os únicos que a Fundação Oceano Azul considera alarmantes.

Emanuel Gonçalves, um dos membros da comissão executiva da fundação que é responsável por gerir o Oceanário de Lisboa, chama a atenção para os muitos milhões que estão na origem do lixo oceânico.
"Por ano são produzidos 300 milhões de toneladas de plástico à escala global, que é o equivalente ao peso de toda a humanidade. E, destes 300 milhões, estima-se que cerca de 8 milhões vão parar ao oceano", diz, em declarações à TSF, Emanuel Gonçalves, da comissão executiva da Fundação Oceano Azul.

Milhões de toneladas de plástico que chegam aos oceanos, com origem numa indústria com um ritmo de produção cada vez mais relevante e com impacto nos ecossistemas marinhos: "De 2014 a 2017 produziram-se tantos plásticos no mundo como desde que inventámos o plástico até 2014", sublinha Emanuel Gonçalves".

Segundo dados fornecidos pela Fundação Oceano Azul, o plástico constitui perto de 80 por cento do lixo marinho e representa 90 por cento do lixo encontrado no fundo oceânico.

Uma realidade que, defende Emanuel Gonçalves, deve ser invertida, tal como a forma como os cidadãos encaram o problema. "Temos de ter formas de combater o mau uso dos produtos plásticos do nosso dia-a-dia, como, por exemplo, através do cuidado em colocá-los nos recipientes próprios. É importante que as pessoas percebam que estamos a transformar o fundo do oceano num caixote do lixo", diz.

Um apelo que surge na campanha "O que não acaba no lixo acaba no mar", da Fundação Oceano Azul, que pretende sensibilizar e mudar mentalidades. "Estas campanhas têm como objetivo que as pessoas mudem comportamentos, apercebendo-se daquilo que é o seu impacto no ambiente e, neste caso, nos oceanos", afirma Emanuel Gonçalves, que defende que as mudanças podem começar com pequenos gestos.
"As beatas dos cigarros, que são um dos principais produtos que encontramos a poluir as praias, têm microelementos que são feitos de plásticos e que acabam por perdurar nos ecossistemas marinhos. Se as colocarmos nos recipientes próprios estamos a contribuir para combater esse problema", lembra.
Ainda assim, entende o membro da comissão executiva da fundação, estamos hoje "muito mais atentos" a este tipo de questões do há uma ou duas décadas, em particular os jovens: "Estão muito mais atentos e pretendem ser uma voz ativa na mudança destes comportamentos".

Os projetos da fundação, que detém a concessão do Oceanário de Lisboa, passa por áreas como a promoção da literacia marítima, o financiamento de programas científicos para a preservação de espécies marinhas, o estabelecimento de áreas protegidas ou a criação de redes de pesca sustentáveis. Para isso, conta com um orçamento anual de 5,5 milhões de euros.

Saiba como esta campanha o vai ajudar a plantar árvores autóctones

Vale do Rio Bestança, por João Soares

Por Helena Geraldes, , 1 de Agosto de 2017

Até 30 de Novembro os portugueses terão a oportunidade de ajudar a plantar carvalhos, castanheiros, freixos e outras árvores autóctones em Portugal, incluindo nas áreas ardidas de Castanheira de Pera. Conheça melhor o que vai acontecer na 4ª edição da campanha “Uma Árvore pela Floresta”, acabada de lançar.

Em três anos, o projecto que junta a Quercus – Associação nacional de conservação de natureza e os CTT plantou cerca de 11.000 árvores de 28 espécies um pouco por todo o país. Amieiros, medronheiros, castanheiros, freixos, azevinhos, carvalhos-alvarinhos, sobreiros e sabugueiros são algumas das espécies da flora original portuguesa que agora crescem nas serras do Gerês, Alvão, Marão, Montemuro, Estrela e no Tejo Internacional.

A novidade para este ano é a extensão destas plantações ao concelho de Castanheira de Pera, “um dos concelhos mais afectados pelos incêndios de Julho”, explica a Quercus, em comunicado divulgado ontem.

As árvores a plantar são doadas pelos cidadãos portugueses. Para participar basta que qualquer pessoa se dirija a uma das 291 lojas CTT aderentes entre 31 de Julho e 30 de Novembro, ou então que aceda a http://umaarvorepelafloresta.quercus.pt ou à loja online dos CTT e adquira por 3 euros o kit “Uma Árvore pela Floresta”, que corresponde à plantação de uma árvore pela Quercus até à Primavera de 2018.

As áreas de intervenção situam-se no Norte e Centro de Portugal, “por ser aí que a floresta autóctone apresenta um nível de degradação maior e ainda porque nessas regiões o problema dos incêndios florestais tem maior expressão no contexto nacional”.

No ano passado, os portugueses adquiriram 5.300 árvores nativas em 320 balcões dos CTT. Estas foram plantadas no Funchal, em Fevereiro, e na serra do Alvão, em Março.

O kit é composto por uma “árvore” em cartão reciclado, reproduzindo uma espécie que muda todos os anos (este ano é uma azinheira) e um código. Este serve para registar a árvore que a Quercus irá plantar, para identificar a espécie e o local de plantação e permite-lhe consultar a evolução durante 5 anos do bosque onde foi instalada.

“Com este projeto pretende-se promover a criação de bosques autóctones, os quais oferecem uma maior resistência à propagação dos incêndios e são os que mais amenizam o clima, promovem a biodiversidade e protegem a nossa paisagem, a água e os solos”, explica a Quercus.

Os CTT disponibilizam gratuitamente a sua rede de lojas, bem como os sistemas de informação necessários para a oferta online e para o acompanhamento das árvores plantadas pelos seus padrinhos, e a Quercus coordena e operacionaliza a seleção das áreas, a escolha das espécies e a plantação.

A campanha “Uma Árvore pela Floresta” insere-se no âmbito de um projecto mais vasto, o projecto Criar Bosques, o qual, de 2008 a 2015, já plantou cerca de 370.000 árvores e arbustos com o apoio de empresas e de cidadãos. Este projecto da Quercus visa “criar e cuidar de bosques de espécies autóctones, árvores e arbustos originais da flora portuguesa”.

Saiba mais.
Descubra tudo sobre esta campanha aqui.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Poema da Semana - Canção do Exílio de Gonçalves Dias

Lisa Larson


As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores

 De Primeiros cantos (1847)

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Num só ano, desapareceu uma área de floresta equivalente ao Nebraska (em 2015)

In nature nothing exists alone” ~ Rachel Carson
"Come with me" por Ellie Davies

Cerca de 20 milhões de hectares de florestas desapareceram em todo o mundo em 2015, principalmente na América do Norte e nos trópicos, refere um relatório da Global Forest Watch, publicado em 17 de Julho de 2017 (aqui, aqui e mapa aqui). As causas principais estão relacionadas com incêndios e expansão desmesuarada das plantações de óleo de palma

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Árvores urbanas diminuem as despesas com o aquecimento e abrandam o vento nos bairros

As árvores não têm férias. Estão sempre no seu posto. *
The trees do not have holidays. They are always in their place.
Imagem da Página ArcFly

Uma única árvore urbana pode ajudar a moderar as velocidades do vento e a manter as pessoas confortáveis enquanto caminham na rua, diz um novo estudo da Universidade da Colúmbia Britânica, segundo o qual a perda de uma só árvore pode aumentar a pressão do vento nos edifícios vizinhos e as despesas com o aquecimento.

Os investigadores criaram um modelo informático extremamente detalhado de um bairro de Vancouver, incluindo todas as árvores, plantas e edifícios. Em seguida, analisaram, com recurso a simulações em computador, a forma como diferentes cenários – sem árvores, com árvores de folha caduca ou persistente – afetariam a circulação do ar e os padrões de calor nas imediações de algumas ruas e casas.

Descobrimos que remover todas as árvores pode aumentar para o dobro a velocidade do vento, o que faria uma diferença percetível para quem estivesse a andar na rua. Por exemplo, uma velocidade de 15 km/h é agradável, ao passo que andar com um vento de 30 km/h é mais difícil, disse Marco Giometto, autor do estudo.


Este vídeo mostra a forma como o vento se move através de um bairro em Vancouver, no Canadá.

As árvores também moderam o impacto da pressão do vento sobre os edifícios, particularmente quando este passa pelos intervalos entre os prédios.

A pressão do vento pode ser responsável por até um terço do consumo de energia de um edifício. Utilizando o nosso modelo, descobrimos que remover todas as árvores à volta dos edifícios faz subir o consumo de energia dos mesmos em até 10% no Inverno e 15% no Verão, afirmou o investigador.

A equipa de investigação descobriu ainda que mesmo as árvores sem folhas nos meses de Inverno podem moderar o fluxo de ar e a pressão do vento, contribuindo para um ambiente mais confortável.

Até mesmo os ramos nus desempenham um papel. As árvores de folha caduca, que perdem as suas folhas todos os anos, reduzem a pressão do vento nos edifícios ao longo do ano – não são só as espécies perenes que são importantes para a cidade, disse Marc Parlange, que supervisionou o trabalho.

Segundo Andreas Christen, coautor do estudo e professor de geografia, o modelo usado no trabalho é o primeiro a simular um bairro urbano real em extremo detalhe.

As informações obtidas com estes modelos podem melhorar as previsões meteorológicas de forma a predizer os efeitos de uma tempestade num edifício e ao nível pedonal, disse o professor. Também poderiam ajudar os planificadores urbanos a projetar edifícios, ruas e quarteirões para maximizar o conforto das pessoas e limitar a velocidade do vento de forma a reduzir a perda de energia.”

Fonte: Uniplanet
* Adaptado por mim a partir do livro "A árvore em Portugal" de Francisco Caldeira Cabral e Gonçalo Ribeiro Telles

domingo, 6 de agosto de 2017

Musica do BioTerra - Né Ladeiras: "Oh Pastor que Choras"

"Oh pastor que choras" belíssimo arranjo musical, distinto do original de Fausto, e uma canção em que a voz, tonalidades e vibratos de Né Ladeiras dão muito significado ao poema.


"Todo este céu" (1997) é o seu quarto álbum e integralmente dedicado à música de Fausto (um sonho antigo). Produzido por Eduardo Paes Mamede e pela primeira vez, pela própria Né Ladeiras, com a particularidade de se debruçar sobre o lado mais místico e mitológico do compositor.


Oh pastor que choras
o teu rebanho onde está?
Deita as mágoas fora,
carneiros é o que mais há
uns de finos modos
outros vis por desprazer...
Mas carneiros todos
com carne de obedecer.
Quem te pôs na orelha
essas cerejas, pastor?
São de cor vermelha,
vai pintá-las de outra cor.
Vai pintar os frutos,
as amoras, os rosais...
Vai pintar de luto,
as papoilas dos trigais.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Figos e vespas sobrevivem juntos- fruto e insecto dependem juntos há 100 milhões de anos (com animação)

Os figos contêm um ou mais insectos mortos, machos, uma vespa, todas da família Agaonidae.


Mas sobrevivem juntos e apesar da história biológica e é fascinante conhecer o interior desta história e profundidade esta relação vital para as figueiras, as vespas, seres humanos e para os seres que delas dependem .
As figueiras nativas são muito importantes nas florestas. 

De acordo com uma investigação Rodolfo Antônio de Figueiredo, publicada depois no artigo Ciência Hoje, 1995 os figos são importantes para um grande número de espécies de animais, além das vespas polinizadoras. Outras espécies de vespas não polinizam as figueiras, mas também utilizam os figos para pôr seus ovos e criar suas larvas. Alguns artrópodes predadores, como besouros, libélulas e aranhas, alimentam-se das vespas que saem dos figos. Algumas espécies de formigas invadem o figo, após a saída das vespas fêmeas, para se alimentarem dos machos mortos. Ainda verdes, os figos são comidos pelos chamados predadores de sementes, como o periquito ruim e o macaco bugio (várias espécies do género Alouatta).
Os figos maduros são consumidos por várias espécies de aves, como tucanos, sabiás, sanhaços e bem-te-vis. Entre os mamíferos, os consumidores mais importantes são várias espécies de morcegos, o bugio e o macaco-prego (várias espécies do género Cebus). 

Chamam-lhe por isso muitos botânicos as árvores raínha (aqui podem assistir ao filme completo.The Queen of the Trees )

No Brasil, há cerca de 90 espécies de figueiras, porém cerca de 30% estão em riscos de extinção. Para complicar ainda mais cada espécie de figueira é polinizada por uma determinada espécie de vespa.
E tudo começou numa coevolução que agora é um fenómeno de  mutualismo obrigatório  entre uma vespa e o figo.  Vamos saber porquê pela leitura de uma Jovem Repórter para o Ambiente e concluo a postagem com uma animação muito educativa pelos Alunos de Ecologia da Universidade de British Columbia.
Aqui um extracto do filme The Queen of Trees (sinopse no IMDb)


Inside the fruit of the sycomore fig, a complex drama plays out in miniature. Male fig wasps cut down the flowers that have budded inside. Then, the females pack the pollen from the flowers into special pockets on their breast. As the females work, the males tunnel outward to the surface of the fig, creating an escape route for the females who will carry the pollen to other trees. Without this help from the wasps, the sycomore fig would not survive.

Texto completo da Jovem Repórter para o Ambiente, Susana Silva 12ºA AEDAH, em 2016
"Lembra-se daquele último figo delicioso que saboreou? Pois bem, debaixo da doçura desse e muitos outros figos há um ciclo de vida algo temível para quem aprecia estes frutos. Uma pista? Envolve vespas. Muitas vespas!
Este conhecido fruto, que na verdade é um pseudofruto (não se forma a partir do ovário, mas de diferentes partes de uma ou mais flores), é bastante consumido, no entanto, o que muita gente não sabe, é que para ficarem com aquela cor tão viva e sabor inigualável passam por um processo de polinização com vespas. Sendo que estas acabam por ficar dentro do pseudofruto. Sim! Existem vespas mortas que ficam dentro dos figos durante a polinização! Figos comestíveis têm pelo menos uma vespa morta dentro deles. Porém, não é possível ver o corpo do inseto inteiro dentro do fruto porque, quando ele morre, uma enzima especial transforma a carcaça em proteína. Por outras palavras, o figo “come” a vespa e transforma-a numa parte de si. Inclusive, alguns agricultores compram sacos do inseto para controlar a quantidade de insetos que cada planta “come”.
A relação figo-vespa apenas existe porque ambos não são bons reprodutores. Como já foi referido antes, o figo é um pseudofruto formado por inflorescência, ou seja, é uma flor invertida. Por esta mesma razão, os insetos polinizadores não conseguem alcançar o pólen. Sem os polinizadores seria impossível a polinização e, como tal, a figueira estaria incapacitada de dar frutos ou sementes. No entanto, e felizmente, existem as vespas. Sem este processo de polinização, tanto as figueiras como as vespas, não se poderiam reproduzir.
Mas afinal o que é isso de polinização?
De um modo geral, a polinização das flores é consequência da busca de alimento pelos animais. Neste caso, a relação figo-vespa é algo mais complexa. Sendo que, o figo é o único substrato em que as vespas põe os seus ovos. Uma vez dentro do figo, os descendentes da vespa “fundadora” colocam o ferrão debaixo do estilete para depositar o ovo. Enquanto isto, a “fundadora” espalha o pólen que trouxe do figo onde nasceu, fecundando as flores femininas e garantindo a produção de frutos e sementes e, consequentemente, a sobrevivência das figueiras. Tendo terminado a polinização, o figo começa a amadurecer e a mudar de cor.
Uma vez alcançada a maturidade, as vespas fêmeas deixam o fruto do figo no qual elas se criaram, e saem à procura de figueiras para polinizar. Devido à sua curta expetativa de vida e a longa jornada para encontrar uma árvore, apenas algumas vespas conseguem polinizar uma figueira. As fêmeas reconhecem uma figueira pronta para a polinização pelo sinal químico que as árvores libertam. Para alcançar a flor, a vespa precisa de entrar pelo poro do fruto e alcançar a sua cavidade. Estas vespas são chamadas de “vespas do figo” por serem as únicas capazes de polinizarem o fruto. São da família dos agaonídeos.
Para terminar, não se deixe afetar caso tenha feito esta pequena descoberta. Apesar de puder considerar esta relação de simbiose algo repugnante e talvez soturna, lembre-se que ela é necessária para a sobrevivência de ambas as espécies e para que este ciclo da cadeia alimentar não termine."

ANIMAÇÃO- Mutualism- A Fig and Wasp Story

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

O bárbaro hoje está por toda a parte, dentro e fora das fronteiras, por Agostinho da Silva

Sabine Weiss- L´Homme qui court, Paris 1953

"O bárbaro hoje está por toda a parte, dentro e fora das fronteiras, é branco, preto, amarelo e de todas as cores intermédias, se infiltra em todos os agrupamentos políticos e pertence a todas as religiões; pode aparecer defendendo qualquer forma de economia; a barbárie, hoje, não se caracteriza nem por uma raça nem por um credo: é uma forma generalizada de comportamento humano. E todas as circunstâncias são de molde a favorecer a sua vitória: uma vitória temporária, mas que pode durar séculos.


Os progressos técnicos, que toda a gente está confundindo cada vez mais com progresso humano, vão criar cada vez mais também um suplemento de ócio que, excelente em si próprio, porque nos aproxima exactamente daquele contemplar dos lírios e das aves que deve ser nosso ideal, vai criar, olhado à nossa escala, uma força de ataque e de triunfo; mais gente vai ter cada vez mais tempo para ouvir rádio e para ir ao cinema, para frequentar museus, para ler revistas ou para discutir política, e sem que preparo algum lhe possa ter sido dado para utilizar tais meios de cultura: a consequência vai ser a de que a qualidade do que for fornecido vai descer cada vez mais e a de que tudo o que não for compreendido será destruído; raros novos beneditinos salvarão da pilhagem geral a sempre reduzida antologia que em tais coisas é possível salvar-se.

O choque mais violento vai dar-se exactamente, como era natural, nos países em que existir uma liberdade maior; nos outros, as formas autoritárias de regime de certo modo poderão canalizar mais facilmente a Humanidade para a utilização desse ócio; sucederá, porém, o seguinte: nos países não-livres, porque nenhum há livre, mas enfim mais livres, algumas consciências se erguerão dos destroços e pacientemente, com todas as modificações que houver a fazer, converterão o bárbaro ao antigo e sempre eterno ideal de “vida conversável”; nos outros, a não sobrevir uma revolução causada pelo tédio ou pelo próprio desabar da outra metade do mundo, o trabalho será mais difícil porque se terá de arrancar os homens, no seu conjunto, à ideia de que o que vale é a segurança material, o conforto técnico e, se for possível, nenhum rumor de pensamento dialogado"
~ Agostinho da Silva, “Bárbaros à Porta”, As Aproximações [1960], in Textos e Ensaios Filosóficos II, pp.64-67.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Olhão Livre- um diário bem duro, de um grupo de cidadãos que defendem a protecção ambiental e o melhor para a sua cidade

Transcrevo, na íntegra, a denúncia sobre a destruição da vegetação marinha da Ria Formosa.
Imagem e texto retirado aqui

Praia dos Cavacos ou de Marim, integra o Parque Natural da Ria Formosa, estando sob jurisdição do ICNF e protegido pelos Dec-Lei nº 373/87 e 45/78. o que não impede que se assista à destruição da vegetação marinha com uma protecção superior à dos camaleões, o de duas e o de quatro patas.
Durante anos, a Sociedade Polis da Ria Formosa, com operações de charme para melhor enganar as pessoas, apelava a que elas se constituíssem madrinhas das pradarias marinhas, mas agora é essa mesma sociedade que vem destruindo a vegetação protegida, vá-se lá saber porquê. Ou será que se sabe?
A primeira observação que temos a fazer, é a de que as entidades publicas habitualmente usam de dualidade de critérios no que respeita aos interesses. Assim, enquanto na Barra de Olhão ou na da Fuzeta dizem não poder intervir durante o período balnear, aqui já podem, dragando na Ilha da Armona, transportando para Olhão e depois por via terrestre para Marim.
Uma segunda questão, tem a ver com o facto do IPMA ter desclassificado aquela área em Classe C por contaminação microbiológica ou seja por excesso de coliformes fecais, não se percebendo como depois vai ser permitido o banho naquelas aguas. Afinal está ou não contaminada?
Uma terceira questão tem a ver com o facto de não existir qualquer cartaz da intervenção, como mandam as regras. Não admira, porque este Estado já nos habitou a fazer obras à margem da Lei, que essa chatice só se aplica ao cidadão anónimo, sem amigos e sem cartão partidário.
Observando a intervenção constatamos que a subida da cota da areia, vai criar uma barreira tampão, impedindo o acesso à vegetação, acabando por destruí-la. Não nos restam duvidas que a protecção da natureza está bem entregue nas mãos dos imbecis que têm a responsabilidade de fiscalizar mas que assobiam para o lado quando se trata de uma intervenção do Estado. Falar na protecção da vegetação marinha, no concelho de Olhão, que tem um presidente que defendeu o camaleão, mas que aqui defende o combate a uma espécie ainda mais protegida, é o mesmo que falar aos ventos. Quem nos acode?
As pessoas já se esqueceram que esta, era uma das praias urbanas do presidente da câmara, que com quase toda a certeza nunca lá se banhará. Mas que o leva a fazer tanta questão no andamento desta intervenção?
Na recente Feira Internacional de Imobiliário, em que o presidente da câmara fez questão de representar o concelho, foi promovido um projecto urbanístico na Aldeia de Marim, aprovado pela Câmara Municipal de Olhão mas de muito duvidosa legalidade.
A proximidade daquele empreendimento com a Praia de Marim faz dele um optimo investimento, para quem desconhece os meandros da Lei, ou das habilidades de certos autarcas, ávidos de dinheiro.
Estamos muito perto das eleições para as autarquias, onde vão ser gastos muitos milhares de euros e para isso precisam-se de financiadores. Sabendo nós que ninguém dá nada a ninguém, qual o verdadeiro significado disto, o que realmente se esconde por detrás desta intervenção?
Se a areia é mais ou menos clara, esse é um aspecto insignificante, já que daqui a mais alguns dias já ela se apresentará mais branca.
O que se apresenta cada vez mais escuro, é o trafico de influências.
Queiram pois os nossos leitores ajuizar o que entenderem por mais esta obra de arte dos nossos políticos, locais!

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Encontros Improváveis- Álvaro de Campos e Débussy

Debussy- Valsa Romântica, interpretada por François-Joël Thiollier


"Tenho pela vida um interesse ávido
Que busca compreendê-la sentindo-a muito.
Amo tudo, animo tudo, empresto humanidade a tudo,
Aos homens e às pedras, às almas e às máquinas,
Para aumentar com isso a minha personalidade"

Álvaro Campos in "Acordar"