Parte 3 - última (ler parte 1 e parte 2) À falta de dinheiro e cheio/farto de contenções, estou a imaginar-me num concerto num bar pequenino, com amigos a ouvir um concerto com uma boa banda como os Radiohead.
Contudo enquanto ouço vezes sem conta esta música e letra, continuo indignado e revoltado. Sinto-me despido à força, sou dos Portugueses a quem lhes assaltaram também o salário, que já era parco e com o aumento do IVA se vêem quase despidos e já conheço alguns a passar fome. E começo a ficar com nojo, asco da minha nacionalidade, se as sondagens continuam a apontar PS como ganhador ??? Como é possível? Serão assim tantos os ingénuos, os gananciosos e carrascos da democracia que se atrevem a votar PS em 5 de Junho?? Também acuso o PSD e CDS que estiveram no Governo e deixaram-nos com um inflação gritante. A troika (PSD-PS-CDS) foi a que negou-nos Abril e colocaram-nos nesta falência. Não sei quanto tempo mais terei dinheiro para a banda larga. Triste, confesso e sem pejo digo-o. Tudo a nú! Sempre ouvi e li que Portugal pratica os preços mais altos de telecomunicações. Sempre li e ouvi que a nossa posição em relação à liberdade de imprensa é das mais baixas nos países europeus (consultar aqui o mapa da RWB) Estás à espera pelo amanhã, de braços cruzados? Vais votar nos mesmos que te colocaram nesta posição? Ou o rei vai nú? Imagem: Créditos
Um retrato de Portugal enquanto a vida de um menino estava terminando e a sua energia esvai-se... regressando para a atmosfera.
Parte 2- A LUTA CONTRA ESTE MODELO VAI ACENTUAR-SE NESTE TEMPO EM QUE SE DECIDE O FUTURO! ( LerParte 1)
Estão a silenciar-te e tu nem sabes o quanto! Segue-se mais logo à noite, a parte 3.
ADIAMENTO DA RESOLUÇÃO DO PROBLEMA CRIADO COM O ACTUAL MODELO DE AVALIAÇÃO PREJUDICA AS ESCOLAS NO MOMENTO MAIS SENSÍVEL DO ANO
A LUTA CONTRA ESTE MODELO VAI ACENTUAR-SE NESTE TEMPO EM QUE SE DECIDE O FUTURO!
A propósito do Acórdão hoje proferido pelo Tribunal Constitucional, que inviabilizou a suspensão da avaliação de desempenho dos docentes, obrigando as escolas a prosseguir até final do ano lectivo com procedimentos que dificultarão o seu normal funcionamento, à FENPROF cumpre afirmar:
1. Não pondo em causa a legitimidade, quiçá a obrigação de Cavaco Silva, de requerer a fiscalização da constitucionalidade da lei aprovada pela Assembleia da República, é, no mínimo estranho, que o Presidente da República não tenha requerido a mesma fiscalização preventiva quando, sem negociar com os Sindicatos, tal como é obrigatório, foram aprovadas leis que determinaram roubos nos salários dos trabalhadores da Administração Pública e o congelamento das carreiras, incluindo as docentes;
2. É estranho (e curioso!) que o acórdão do Tribunal Constitucional considere que houve intromissão da Assembleia da República nos poderes do Governo e, simultaneamente, considere existir o “primado legislativo da Assembleia da República e os seus poderes de fiscalização dos actos do Governo e da Administração”.
3. Fica claro que, só por razões estritamente formais, não é suspensa a avaliação de desempenho, pois no que concerne aos conteúdos, o TC não declarou inconstitucional a norma constante no artigo 2.º do decreto da Assembleia da República (aplicação de um regime transitório e simplificado até final do ano em curso), cuja aplicação, contudo, fica desta forma comprometida por força da inconstitucionalidade dos outros artigos, não podendo, por si só, sobreviver às restantes inconstitucionalidades;
4. Isto significa que seria justíssima a suspensão da avaliação de desempenho e sua substituição pelo regime de “apreciação intercalar”, tal como foi decidido por todos os grupos parlamentares, com excepção do PS para quem a defesa do actual modelo de avaliação de desempenho dos professores já se situa na esfera da irracionalidade!
5. De facto, conscientes dos problemas que as escolas vivem com a aplicação desta avaliação e sensibilizados pelas centenas de posições que têm vindo a ser aprovadas pelos professores, CDS, PSD, PCP, PEV e BE uniram-se para votarem o que era justo e adequado: a suspensão, este ano, desta avaliação, aprovando um regime transitório e apontando para a aprovação de um novo modelo de avaliação. O PS, isolado, votou contra, satisfazendo, assim, a teimosia de José Sócrates; Cavaco Silva, que sempre revelou simpatia por este modelo criado por Lurdes Rodrigues, fez o que estava ao seu alcance para inviabilizar a sua aplicação;
6. Prosseguir, neste terceiro período, com a avaliação nas escolas, será criar-lhes problemas ainda maiores e focos acrescidos de confusão e conflitualidade que não contribuirão para a tranquilidade que estas e os alunos, neste momento, necessitam, pelo que poderiam e deveriam ser evitados. Compete ainda afirmar que o actual modelo de avaliação não tem aplicação, razão por que ele se desenvolve num quadro de ilegalidades que o ME, por circular ou simples informação às escolas, tem vindo a impor. Destas situações decorrem processos em tribunal e na Provedoria de Justiça;
A FENPROF com os professores continuará a combater este modelo de avaliação:
a) Durante o mês de Maio apresentará um modelo alternativo de avaliação, cuja matriz já aprovou e vai agora colocar à discussão dos professores;
b) Continuará a apoiar todos os professores, designadamente no plano jurídico, que se sintam vítimas das ilegalidades, arbitrariedades e abusos que, neste domínio, sobre si venham a ser cometidos;
c) Denunciará publicamente todas as situações de abuso que venham a ser cometidas nas escolas;
d) Exigirá conhecer as propostas que, sobre avaliação de desempenho, os partidos candidatos às eleições de 5 de Junho têm para apresentar aos professores e divulgá-las-á amplamente para que os docentes possam, de forma ainda mais consciente, fazer a sua opção de voto;
e) Lutando, em todos os momentos, contra um modelo execrável e desqualificado de avaliação que foi criado e prosseguido pelos governos do PS e José Sócrates. No próximo 1.º de Maio e demais acções e lutas que tiverem lugar, esta será matéria que a FENPROF colocará na primeira linha das suas reivindicações
A propósito do pedido de fiscalização preventiva, por Cavaco Silva, da lei que suspende o modelo de avaliação docente
"Cavaco Silva raramente tem dúvidas sobre a constitucionalidade das leis, daí que poucas vezes requeira a sua fiscalização ao Tribunal Constitucional. Por exemplo, quando os salários dos trabalhadores da Administração Pública foram reduzidos não encontrou razões que levassem a requerer essa fiscalização; também quando, sem negociação, as carreiras docentes foram congeladas, não revelou incomodidade ou dúvidas… Desta vez, não houve um artigo da Lei que escapasse… é obra!".
São palavras do Secretário Geral da FENPROF numa breve entrevista concedida à página electrónica da FENPROF, a propósito do pedido de fiscalização preventiva, pelo PR, da lei que suspende o modelo de avaliação docente.
Surpreende-te que o Presidente da República tivesse requerido a fiscalização?
MN – Surpreende. E surpreende na medida em que, tendo a Lei sido aprovada pelos votos de 5 grupos parlamentares – excepção do PS, como se sabe –, seria natural, havendo aspectos de constitucionalidade duvidosa, que a assessoria jurídica de algum deles tivesse para isso alertado. Tal não aconteceu, daí me parecer que esse não é um problema. Assim sendo, e sem pôr em causa a legitimidade da Presidência para este pedido de fiscalização, fica a ideia de estarmos perante uma postura mais do foro político, no fundo um procedimento dilatório que serve os que, teimosamente, insistem em perturbar escolas e professores com um modelo de avaliação inadequado e negativo.
Afirmaste à comunicação social haver coerência nesta decisão do PR, porquê?
MN – Sim, acho coerente a decisão de Cavaco Silva, pois, na verdade, sempre demonstrou simpatia pelo desqualificado modelo de avaliação imposto pela anterior ministra do qual este não se afasta significativamente. Nunca o questionou e, pelo contrário, sempre promulgou, e em tempo record, todos os diplomas que a ele respeitavam.
Mas também falaste em incoerência…
MN – Claro, há também uma enorme incoerência. É que Cavaco Silva raramente tem dúvidas sobre a constitucionalidade das leis, daí que poucas vezes requeira a sua fiscalização ao Tribunal Constitucional. Por exemplo, quando os salários dos trabalhadores da Administração Pública foram reduzidos não encontrou razões que levassem a requerer essa fiscalização; também quando, sem negociação, as carreiras docentes foram congeladas, não revelou incomodidade ou dúvidas… Desta vez, não houve um artigo da Lei que escapasse… é obra!
E as escolas, que deverão agora fazer?
MN – Em minha opinião, as escolas deverão esperar. Grande parte, e bem, adiou procedimentos avaliativos e como agora chega a última semana de aulas do segundo período e a interrupção lectiva, as coisas param naturalmente. Quando o terceiro período se iniciar é muito provável que esteja tudo esclarecido.
Mas, seja como for, esta situação cria confusão nas escolas, não achas?
MN – Sim, esta situação cria alguma confusão e desorientação nas escolas, além de, caso não seja publicada a lei, regressar às escolas toda a perturbação, a conflitualidade e a burocracia que tal modelo criou e, a manter-se, voltará a criar. É uma irresponsabilidade manter este modelo em vigor nas escolas no momento mais importante para os alunos: o último período e o final de ano.
Dizem alguns que foi mau interromper um ciclo que se desenvolve há dois anos e está a acabar. Não concordas com isso?
MN – Essa é conversa fiada. Os professores sabem que no biénio 2009/2011, este modelo não se aplicou em 2009/2010 e apenas a partir de Janeiro deste ano a generalidade das escolas o pôs em funcionamento. Há legislação que só há poucos dias saiu. Pelo contrário, o que acontece é que, a não ser suspenso, os professores serão avaliados por um período em que, ¾ da sua duração não foi, de facto, avaliado. Isso é injusto e é até motivo que reforça a necessidade de ser suspensa a avaliação.
E os professores, estão de acordo com a suspensão ou preferiam que se mantivesse?
MN – A maioria dos docentes concorda com a suspensão. Desde logo, mais de metade não aderiu à chamada avaliação completa e dos que aderiram, boa parte a isso estava obrigado. Em centenas de escolas foram tomadas posições defendendo a sua suspensão. No Porto, mais de 250 dirigentes escolares exigiram a sua suspensão. Mas, se restassem dúvidas, bastava ter participado na Conferência promovida no dia 30 de Março pela Comissão Parlamentar de Educação e Ciência para perceber qual a posição das escolas e dos professores. A FENPROF soube ser porta-voz de todas essas posições, tanto junto do governo como da Assembleia da República, e isso foi muito importante.
Sobre as conquências do cavaquistão na memória do 25 de Abril
Desculpem mas contrariamente ao que a nomenklatura e a propaganda faz crer os
professores já eram avaliados. Muito anos antes da avaliação à la
american way chegar aos privados! Este modelo que já se perdeu o número de versões, 3 está a destruir a "alma" de ser professor.
Quando chegou a avaliação individual de desempenho nos contratos de trabalho e por indivíduo trouxe e traz a morte lenta e silenciosa e por detrás estão as grandes corporações, os especuladores, o Banco Mundial e o FMI.Comparo o FMI ao sistema Inquisitório, quando os países mesmo sem culpa são considerados "hereges" da doutrina capitalista e são perseguidos até ao resgate e capitulação final.
A avaliação, que tanto foi reclamada como positiva para a sociedade em termos gerais, da forma como está e é executada por cabeça e por pessoa é apenas um dos vértices deste poliedro que rouba o tempo ao lazer, à partilha, ao crescimento livre e partilha gratuitos do tempo, acelera a depressão, aumenta a vergonha e eleva as doses de medo.
É imperativo acabar com os paraísos fiscais, é imperativo democratizar mais. É imperativo mais transparência (ver link) e menos corrupção (ver postagem) . É imperativo um investimento com responsabilidade social.É imperativo respeitar fins-de-semana, feriados e período de férias escolares. Porque é que muitas consultas públicas são no Verão ou decorrem em períodos de interrupção lectivas? Como foi e é possível enviar despachos e diplomas aos fins-de-semana? Como é possível aceitar que a abertura de um concurso dos professores contratados seja anunciado em férias da Páscoa?
A nossa (re)acção enquanto trabalhador /cidadão começa também por aqui, por pedido de transparência http://www.despesapublica.com/ (a agência Lusa informa que o serviço ficou suspenso ontem, mas ao testar o novo serviço, a Lusa fez algumas pesquisas directamente nos sites do Governo que servem de fonte ao Despesa Pública - www.base.gov.pt e http://publicacoes.mj.pt - e verificou que são iguais, pelo que, a haver engano, será de alguma das bases de dados oficiais)e aclarar as dificuldades de acesso à informação nas autarquias locais http://www.cada.pt/uploads/autarquias_locais.pdf
Muito bem, em relação ao 25 de Abril políticos e o povo fazem crer que passou à História...e onde estavam os precários, os bolseiros, os desempregados deste País, avós, pais e mães de 12 de Março no dia da Liberdade? Afinal foram movimentos amorfos e não querem a identificação com Abril e porquê? Será que esses mesmos precários também vão aproveitar a praia e os dias de Sol e mais umas passeatas no shopping no dia 1 de Maio?
A procuradora Maria José Morgado e o especialista em corrupção Luís de Sousa alertaram hoje em Mafra que a corrupção pode agravar-se caso as medidas de redução do défice impostas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) penalizem a investigação judiciária.
Questionada pela agência Lusa sobre se a situação do país pode agravar a corrupção em Portugal, a directora do Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa, Maria José Morgado, disse que «o cenário é pessimista», defendendo que «estamos no caminho da fraude e da pobreza». Acrescentou também que «a corrupção gera sempre corrupção, fraude e pobreza quando não é controlada».
Luís de Sousa, especialista em corrupção e presidente da Transparência e Integridade Associação Cívica e autor de várias propostas de combate à corrupção na Assembleia da República, alertou por seu lado que «dos cortes orçamentais que o Estado vai ter devem ser feitos sem prejudicar o funcionamento da justiça e das inspecções do Estado». Se não for assim, defendeu, o eventual desinvestimento na investigação judiciária, «que é carente e precisa de ser desenvolvida», pode agravar a corrupção no país.
Contudo, afirmou, «há medidas que vêm por bem porque vão cortar certas condições propícias à corrupção». E sublinhou que, além dos cortes impostos, o FMI deverá exigir «mais rigor e mais fiscalização», por estar convicto de que este «não quer que se repita os erros da despesa descontrolada».
Os dois especialistas falavam na Ericeira, concelho de Mafra, à margem de um ciclo de conferência de homenagem ao falecido fiscalista Saldanha Sanches. Para Maria José Morgado(viúva de Saldanha Sanches) a corrupção «está na origem do desastre económico português» e do aumento do défice do Estado. «A crise internacional foi a gripe no corpo canceroso da corrupção, que tem a marca da economia paralela, da fraude e evasão fiscais, do desperdício dos dinheiros públicos e da derrapagem nas obras públicas», sustentou a directora do DIAP.
Pelo mesmo diapasão, Luís de Sousa considerou que a forma de funcionar da administração pública, caracterizada pela «corrupção, pela excessiva burocracia, pelo desvio de dinheiros, pelas leis pouco claras e pela justiça lenta», não atrai investidores que querem regras claras. Para o especialista, a situação justifica a queda da economia portuguesa nos índices internacionais de competitividade da 28ª posição em 2000 para a 46ª uma década depois.
Nessa despedida
Não há nenhum sangue
Não há nenhum álibi
Porque eu trouxe arrependimento
Da verdade
De mil mentiras
Então deixe a compaixão vir
E limpar
O que eu fiz
Vou me encarar
Para riscar
O que eu me tornei
Me apagar
E deixar sair
O que eu fiz
Ponha para descançar
O que você pensou de mim
Enquanto eu recomeço
Com as mãos
Da incerteza
Então deixe a compaixão vir
E limpar
Pelo que eu fiz
Eu começarei novamente
E qualquer dor que
Possa vir
Hoje isso acaba
Estou perdoando
As operações de salvamento de bancos, especuladores e industriais cumpriram o seu verdadeiro objectivo: os milionários passaram a multimilionários e estes ficaram ainda mais ricos. Segundo o relatório anual da revista de negócios Forbes, há 1210 indivíduos – e em muitos casos clãs familiares – com um valor líquido de mil milhões de dólares (ou mais). O seu valor líquido total é de 4,5 milhões de milhões de dólares, maior do que o valor total de 4 mil milhões de pessoas em todo o mundo. A actual concentração de riqueza ultrapassa qualquer período anterior da história; desde o Rei Midas, os Marajás, e os Barões Ladrões [1] até aos magnates de Silicon Valley [2] e Wall Street na actual década. Uma análise da origem da riqueza dos super-ricos, a sua distribuição na economia mundial e os métodos de acumulação esclarece diversas diferenças importantes com profundas consequências políticas. Vamos identificar essas características especiais dos super-ricos, a começar pelos Estados Unidos e faremos depois uma análise ao resto do mundo. Os super-ricos nos Estados Unidos: os maiores parasitas vivos
Os EUA têm a maior parte dos multimilionários do mundo (413), mais de um terço do total, a maior proporção entre os grandes países do mundo. Um olhar mais de perto também revela que, entre os 200 multimilionários do topo (os que têm 5,2 mil milhões de dólares ou mais), 57 são dos EUA (29%). Mais de um terço fez fortuna através da actividade especulativa, da predação da economia produtiva e da exploração do mercado imobiliário e de acções. Esta é a percentagem mais alta de qualquer dos principais países na Europa ou na Ásia (com a excepção da Inglaterra). A enorme concentração de riqueza nas mãos desta pequena classe dirigente parasita é uma das razões por que os EUA têm as piores desigualdades de qualquer economia avançada e se situa entre as piores em todo o mundo. Os especuladores não empregam trabalhadores, servem-se de expedientes fiscais e de operações de salvamento e depois pressionam cortes no orçamento social, dado que não precisam de uma força de trabalho saudável e instruída (excepto no que se refere a uma pequena elite). Em 1976, 1% da população mundial detinha 20% da riqueza; em 2007 dominava 35% da riqueza total. Oitenta por cento dos americanos possuem apenas 15% da riqueza. As recentes crises económicas, que inicialmente reduziram a riqueza total do país, fizeram-no de modo desigual – atingindo de modo mais grave a maioria dos operários e empregados. A operação de salvamento Bush-Obama levou à recuperação económica, não da "economia em geral", mas restringiu-se a reforçar ainda mais a riqueza dos multimilionários – o que explica porque é que a taxa de desemprego e subemprego ficou praticamente na mesma, porque é que a dívida fiscal e o défice comercial aumentam e o estado baixa os impostos às grandes empresas e reduz os orçamentos municipais, estatais e federais. O sector "dinâmico" formado por capitalistas parasitas emprega menos trabalhadores, não exporta produtos, paga impostos mais baixos e impõem maiores cortes nas despesas sociais para os trabalhadores produtivos. No caso dos multimilionários dos EUA, a sua riqueza é fortemente acrescida através da pilhagem do erário público e da economia produtiva e através da especulação no sector das tecnologias de informação que alberga um quinto dos multimilionários do topo. BRIC: Os novos multimilionários: A explorar o trabalho da natureza
Os principais países capitalistas emergentes, Brasil, Rússia, Índia e China (BRIC), elogiados pelos meios de comunicação pelo seu rápido crescimento na última década, estão a produzir multimilionários a um ritmo mais rápido do que qualquer bloco de países do mundo. Segundo os últimos dados no Forbes (Março de 2011), o número de multimilionários no BRIC aumentou mais de 56% de 193 em 2010 para 301 em 2011, ultrapassando os da Europa. O forte crescimento do BRIC levou à concentração e centralização de capital, em todos os casos promovidos pelas políticas de estado que proporcionam empréstimos a juros baixos, subsídios, incentivos fiscais, exploração ilimitada de recursos naturais e mão-de-obra, expropriação dos pequenos proprietários e privatização de empresas públicas. O crescimento dinâmico de multimilionários no BRIC levou às desigualdades mais flagrantes em todo o mundo. Nos países do BRIC, a China lidera o caminho com o maior número de multimilionários (115) e as piores desigualdades em toda a Ásia, em profundo contraste com o seu passado comunista quando era o país mais igualitário do mundo. Um exame da origem da riqueza dos super ricos na China revela que provém da exploração da força de trabalho no sector da manufactura, da especulação no imobiliário e da construção e comércio. EM 2011, A China ultrapassou os EUA enquanto maior fabricante do mundo, em consequência da super-exploração da mão-de-obra na China e do crescimento de capital financeiro parasitário nos EUA. Em contraste com os EUA, a classe trabalhadora da China está a fazer incursões significativas nas receitas da sua elite de manufacturas e de imobiliário. Em consequência da luta da classe trabalhadora, os salários têm vindo a aumentar entre 10% a 20% nos últimos 5 anos; os protestos dos agricultores e das famílias urbanas contra as expropriações feitas pelos especuladores imobiliários e sancionadas pelo estado ultrapassaram os 100 mil por ano. A riqueza dos multimilionários russos, por outro lado, resultou do violento roubo dos recursos públicos (petróleo, gás, alumínio, ferro, aço, etc.), explorados pelo anterior regime. A grande maioria dos multimilionários russos depende da exportação de bens, da pilhagem e da devastação do ambiente natural sob um regime corrupto e sem regulamentação. O contraste entre as condições de vida e de trabalho entre os multimilionários virados para o ocidente e a classe trabalhadora russa é sobretudo o resultado do escoamento da riqueza para contas ultramarinas, investimentos offshore e luxos pessoais extraordinários, incluindo propriedades de muitos milhões de dólares. Em contraste com a elite industrial da China, os multimilionários da Rússia parecem-se com os 'senhorios' parasitas que se encontram entre os especuladores de Wall Street e os xeiques do Golfo Pérsico. Os multimilionários da Índia são uma mistura de ricos antigos e novos ricos que amontoam a sua riqueza através da exploração dos trabalhadores industriais de salários baixos, das populações de bairros pobres expropriados e dos povos tribais, assim como da posse diversificada de imobiliário, tecnologia informática e software. Os multimilionários da Índia acumularam a sua riqueza através das suas ligações familiares com os escalões mais altos, muito corruptos, da classe política, assegurando monopólios através de contratos com o estado. O forte crescimento da Índia na última década (7% em média) e a explosão de multimilionários de 55 para 2011, estão ambos ligados às políticas neo-liberais de desregulamentação, privatização e globalização, que concentraram a riqueza no topo, corroeram os produtores em pequena escala e espoliaram dezenas de milhões. A classe multimilionária do Brasil aumentou rapidamente, em particular sob a direcção do Partido dos Trabalhadores, para 29, acima do número de um só dígito uma década antes. Hoje, mais de dois terços dos multimilionários da América Latina são brasileiros. A peça central da riqueza dos super ricos do Brasil é o sector finanças-banca que beneficiou fortemente das políticas monetária, fiscal e neo-liberal do regime de Lula da Silva. Os banqueiros multimilionários têm sido os principais beneficiários da economia de exportação agro-mineral que floresceu na última década, à custa do sector de manufacturas. Apesar das afirmações dos líderes do Partido dos Trabalhadores, as desigualdades de classe entre a massa dos trabalhadores de salário mínimo (380 dólares por mês em Março de 2011) e os super-ricos continuam a ser as piores da América Latina. Uma análise da origem da riqueza entre os multimilionários brasileiros revela que 60% aumentaram a sua riqueza no sector finanças, imobiliário e seguros (FIRE) e só um deles (3%) no sector de capital ou manufactura intermédia. A explosão do Brasil em crescimento económico e em multimilionários encaixa no perfil de uma 'economia colonial': com grande peso no consumo excessivo, na exportação de bens e presidido por um sector financeiro dominante que promove políticas neoliberais. No decurso da última década, apesar do teatro político populista e dos programas de pobreza paternalistas patrocinados pelo Partido dos Trabalhadores "centro-esquerda", o principal resultado sócio-económico foi o crescimento duma classe de multimilionários "super-ricos" concentrados na banca com poderosas ligações aos sectores do agro-mineral. A classe financeira-agro-mineral, de forte crescimento via mercado livre, degradou o sector de manufactura, principalmente os têxteis e os sapatos, assim como os produtores de bens de capital e intermédios. Os países BRIC estão a produzir mais, e a crescer mais depressa do que as potências imperialistas estabelecidas na Europa e nos EUA, mas também estão a produzir desigualdades e concentrações monstruosas de riqueza. As consequências sócio-económicas já se manifestaram no aumento do conflito de classes, principalmente na China e na Índia, onde a exploração intensiva e a expropriação provocaram a acção das massas. A elite política chinesa parece estar mais consciente da ameaça política colocada pela concentração crescente da riqueza e encontra-se em vias de promover aumentos substanciais de salários e um maior consumo local que parece estar a reduzir as margens de lucro nalguns sectores da elite de manufacturas. Talvez que a 'memória histórica' da 'revolução cultural' e a herança maoista desempenhe o seu papel no alerta da elite política para os perigos políticos resultantes dos "excessos capitalistas" associados aos altos níveis de exploração e ao rápido crescimento duma classe de clãs politicamente relacionados, baseados em multimilionários. Médio Oriente
Na última década, o país mais dinâmico no Médio Oriente foi a Turquia. Dirigido por um regime democrático liberal de inspiração islâmica, a Turquia tem liderado a região no crescimento do PIB e na produção de multimilionários. O desempenho económico turco tem sido apresentado pelo Banco Mundial e pelo FMI como um modelo para os regimes pós ditatoriais no mundo árabe – de 'alto crescimento', uma economia diversificada baseada na crescente concentração de riqueza. A Turquia tem mais 35% de multimilionários (37) do que os estados do Golfo e do Norte de África em conjunto (24). O 'segredo' do crescimento turco é as altas taxas de investimento em diversas indústrias e a exploração intensiva da força de trabalho. Muitos multimilionários turcos (14) obtêm a sua riqueza através de 'conglomerados', investimentos em diversos sectores de manufactura, finança e construção. Para além dos multimilionários de 'conglomerados', há 'multimilionários especialistas' que acumularam a sua riqueza a partir da banca, da construção e do processamento de alimentos. Uma das razões de a Turquia ter censurado e desafiado o poder de Israel no Médio Oriente é porque os seus capitalistas estão ansiosos por projectar investimentos e penetrar nos mercados do mundo árabe. Com excepção do sistema político americano, fortemente sionizado, as elites governantes e o público na Europa e na Ásia encararam favoravelmente a oposição da Turquia aos massacres israelenses em Gaza e à violação da lei internacional em águas marítimas. Se um moderno regime islâmico liberal pode crescer rapidamente através da rápida expansão duma classe diversificada de super-ricos, o mesmo acontece com Israel, um moderno estado judaico-neoliberal baseado no rápido crescimento duma classe de multimilionários altamente diferenciada. Israel, com 16 multimilionários é um país em que as desigualdades de classe crescem mais rapidamente na região – com o mais alto número de multimilionários per capita do mundo… Os "sectores de crescimento" de Israel, software, indústrias militares, finança, seguros e diamantes e investimentos ultramarinos em metais e minas, são liderados por multimilionários e multi-multimilionários que beneficiaram das dádivas financeiras induzidas pelos sionistas, provenientes da pilhagem de recursos feita pelos EUA nos países da ex-URSS e da transferência de fundos pelas oligarquias russas-israelenses e também de empreendimentos conjuntos com multimilionários judaico-americanos em empresas de software, principalmente no sector de "segurança". A alta percentagem de multimilionários em Israel, numa época de profundos cortes nas despesas sociais, desmente a sua afirmação de ser uma 'social-democracia' no meio dos 'xeicados'. A propósito, Israel tem o dobro de multimilionários (16) da Arábia Saudita (8) e mais super-ricos do que todos os países do Golfo juntos (13). O facto de Israel ter mais multimilionários per capita do que qualquer outro país não impediu os seus apoiantes sionistas nos EUA de pressionarem por uma ajuda adicional de 20 mil milhões de dólares na década passada. Contrariamente ao passado, a actual concentração de riqueza de Israel tem menos a ver com o facto de ser o maior recebedor de ajuda estrangeira… as doações a Israel são uma questão política: o poder sionista sobre a bolsa do Congresso. Dada a riqueza total dos multimilionários de Israel, um imposto de cinco por cento seria mais que compensador de qualquer corte da ajuda externa dos EUA. Mas isso não vai acontecer apenas porque o poder sionista na América impõe que os contribuintes americanos subsidiem os plutocratas de Israel, pagando-lhes o seu armamento ofensivo. Conclusão
As "crises económicas" de 2008-2009 infligiram apenas perdas temporárias a alguns multimilionários (EUA-UE) e a outros não (asiáticos). Graças às operações de salvamento de milhões de milhões de dólares/euros/ienes, a classe multimilionária recuperou e alargou-se, apesar de os salários nos EUA e na Europa terem estagnado e os 'padrões de vida' terem sido atingidos por cortes maciços na saúde, na educação, no emprego e nos serviços públicos. O que é chocante quanto à recuperação, crescimento e expansão dos multimilionários mundiais é como a sua acumulação de riqueza depende e está baseada na pilhagem de recursos do estado; como a maior parte das suas fortunas se basearam nas políticas neoliberais que levaram à apropriação a preços de saldos de empresas públicas privatizadas; como a desregulamentação estatal permite a pilhagem do ambiente para a extracção de recursos com a mais alta taxa de retorno; como o estado promoveu a expansão da actividade especulativa no imobiliário, na finança e nos fundos de pensões, enquanto encorajava o crescimento de monopólios, oligopólios e conglomerados que captaram "super lucros" – taxas acima do "nível histórico". Os multimilionários no BRIC e nos antigos centros imperialistas (Europa, EUA e Japão) foram os principais beneficiários das reduções fiscais e da eliminação de programas sociais e de direitos laborais. O que é perfeitamente claro é que é o estado, e não o mercado, quem desempenha um papel essencial em facilitar a maior concentração e centralização de riqueza na história mundial, quer facilitando a pilhagem do erário publico e do ambiente, quer aumentando a exploração da força de trabalho, directa e indirectamente. As variantes nos caminhos para o estatuto de 'multimilionário' são chocantes: nos EUA e no Reino Unido, predomina o sector parasita-especulativo sobre o produtivo; entre o BRIC – com excepção da Rússia – predominam diversos sectores que incorporam multimilionários da manufactura, do software, da finança e do sector agro-mineral. Na China, o abissal fosso económico entre os multimilionários e a classe trabalhadora, entre os especuladores imobiliários e as famílias expropriadas levou ao aumento do conflito de classes e a desafios, forçando a aumentos significativos de salários (mais de 20% nos últimos três anos) e à exigência de maiores gastos públicos na educação, saúde e habitação. Nada de comparável está a acontecer nos EUA, na UE ou noutros países do BRIC. As origens da riqueza dos multimilionários são, quando muito, devidas apenas em parte a 'inovações empresariais'. A sua riqueza pode ter começado, numa fase inicial, a partir da produção de bens ou serviços úteis; mas, à medida que as economias capitalistas 'amadurecem' e se viram para a finança, para os mercados ultramarinos e para a procura de lucros mais altos, impondo políticas neoliberais, o perfil económico da classe multimilionários muda para o modelo parasita dos centros imperialistas instituídos. Os multimilionários nos BRIC, a Turquia e Israel contrastam fortemente com os multimilionários do petróleo do Médio Oriente que são rentistas que vivem das 'rendas' da exploração do petróleo, do gás e dos investimentos ultramarinos, em especial do sector FIRE. Entre os países BRIC, só a oligarquia multimilionária russa se parece com os rentistas do Golfo. O resto, em especial os multimilionários chineses, indianos, brasileiros e turcos, tiraram partido das políticas industriais promovidas pelo estado para concentrar a riqueza sob a retórica de 'paladinos nacionais', que promovem os seus próprios 'interesses' em nome duma 'economia emergente de sucesso'. Mas mantêm-se as questões básicas de classe: "crescimento para quem? e a quem é que beneficia?" Até agora, o registo histórico mostra que o crescimento de multimilionários tem-se baseado numa economia altamente polarizada em que o estado serve a nova classe de multimilionários, sejam especuladores parasitas como nos EUA, rentistas saqueadores do estado e do ambiente, como na Rússia e nos estados do Golfo, ou exploradores da força de trabalho como nos países BRIC. Post Scriptum
A revolta árabe pode ser vista em parte como uma tentativa de derrubar os 'clãs capitalistas de rentistas. A intervenção ocidental nas revoltas e o apoio das elites militares e políticas da "oposição" é um esforço para substituir uma classe governante capitalista 'neoliberal'. Essa "nova classe" será baseada na exploração da mão-de-obra e na expropriação dos actuais possuidores dos recursos clã-família-amigos. As principais empresas serão transferidas para multinacionais e capitalistas locais. Muito mais promissoras são as lutas internas dos trabalhadores na China e, em menor grau, no Brasil e no campesinato rural maoista e movimentos tribais na Índia, que se opõem à exploração e à expropriação de rentistas e capitalistas. NT [1] Barão ladrão – termo pejorativo usado para um poderoso homem de negócios e banqueiro americano do século XIX. [2] Sillicon Valley – situa-se a Sul da área da baía de S. Francisco, na Califórnia. Esta região alberga muitas das maiores companhias de tecnologia electrónica do mundo. O original encontra-se em http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=23907 . Tradução de Margarida Ferreira. Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
Desenvolvido em 2010 no âmbito da tese de doutoramento da docente do Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP) Maria Alexandre Costa, este estudo visou estudar uma população que vivesse elevados níveis de stress e de que forma as actividades desenvolvidas nos tempos livres têm impacto no seu trabalho.
A docente escolheu um grupo de cem professores do ensino pré-universitário para tentar perceber qual a influência do tempo livre na produtividade destes profissionais.
“A maioria dos professores revela uma grande dificuldade em distanciar-se do trabalho”, disse, acrescentando que estes profissionais “levam muitas vezes trabalho para casa”, como correcção de testes e preparação de aulas, “mas também muitas preocupações”, como mau comportamento dos alunos.
Na sua opinião, os professores são incapazes de recarregar totalmente as baterias e, por estarem sujeitos a níveis elevados de stress, “o desgaste é tal que pode já não ser possível algum dia recuperá-las”, podendo-se comparar a “uma bateria viciada”.
Maria Alexandre Costa acrescenta que os professores “têm maior dificuldade em se envolver em actividades de recuperação" (relaxamento), porque muitas vezes “são confrontados em casa com situações similares às vividas durante o dia de trabalho”, como, por exemplo, explicações/orientações aos filhos.
Na sua opinião, o segredo “é encontrar formas de relaxamento que são próprias para cada pessoa”, porque “quanto maior é o desgaste de um dia de trabalho, mais difícil é relaxar, embora haja uma maior necessidade de o fazer”.
O estudo conclui também que a segunda-feira é o dia mais difícil para os professores, porque é quando “os profissionais se sentem menos relaxados”.
Para a docente, esta é uma conclusão “curiosa”, uma vez que, apesar de ser o dia seguinte ao maior período da semana destinado aos tempos livres, apresenta-se como aquele em que “os professores mais rapidamente perdem esse relaxamento”.
O estudo permitiu também concluir que “à sexta-feira há recuperação de relaxamento” (distanciamento psicológico da actividade profissional), referiu a docente, que interpreta este dado como “o efeito de contaminação do fim-de-semana”.
Para realizar este estudo, Maria Alexandre Costa acompanhou os professores durante duas semanas, colocando-lhes questões antes do início do trabalho, “logo pelas 08h00”, e ao final da jornada “para avaliar como correu o dia de trabalho”.
A democracia exige democratas e não uma "União Nacional" à moda pidesca. Salgueiro Maia, muito obrigado, devemos-te muito e cresci com as tuas palavras, o teu OLHAR. Obrigado por ter havido 25 de Abril.
Ler a excelente resenha biográfica feita por Carlos Loures
As notícias de uma FMIzação do Globo que não passam nas nossas TVs
Fomos de metro. Chegados à Avenida dos Aliados, a malta foi "chutada" para lá ao fundo, longe da Câmara Municipal do Porto, ai, nós a peste negra não fôssemos infeccionar o Rui Rio. Já não me lembro bem quando foi a última vez que vi o PSD na arruada do 25 de Abril no Porto...salvo erro há uns bons 10 anos para cá. CDS há muitos mais anos, mesmo. PS de certeza que há uns 5 anos. O PCP e o BE sempre presentes. Mas este ano tão poucos os sindicatos, tão pouca adesão...o cortejo era magrinho e com fome como muitos milhares já estarão a passar em Portugal...Com o meu filho compramos 2 cravos de Abril nas ruas como é tradição. Depois fui ao Norteshopping pois o meu filho merecia uma prendinha extra e lá fomos. Era quase o inverso da Av. dos Aliados: cheio! E foi com muito orgulho que exibi o cravo de Abril na lapela e o meu filho com outro na mão, entre olhares (muitos) envergonhados e (alguns) de medo e pensei: Raios os parta! Merecem tudo e mais alguma coisa. Uma era do faz de conta, de uma democracia faz de conta. Sem muito por fugir. Os sinais preocupantes da extrema-direita estão a alastrar...Leiam o relatório do presidente do FMI (de boas intenções está o Inferno cheio)
O FMI é uma estrutura de coordenação financeira do grande capital transnacional. O seu objectivo declarado é uma quadratura do círculo: o capitalismo pretenderia, com a sua criação, estabilizar o seu sistema monetário e preservá-lo das crises cíclicas do capitalismo.
Os países membros têm direito a voto na proporção da sua contribuição para o Fundo. Os 10 maiores contribuintes – EUA, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália, Arábia Saudita, R. P. China, Canadá, Rússia – representam 55,3% da capacidade total de votos. De todos os países membros do seu conselho executivo, apenas um tem direito de veto – os EUA.
Na história do FMI destaca-se a simpatia por ditaduras fascistas e tiranias militares. Certamente porque regimes desse tipo facilitam a aplicação das suas «receitas de estabilização financeira», cujo padrão comum são os cortes nos serviços públicos e nos direitos dos trabalhadores, as privatizações, as «medidas de austeridade» para o povo. Os resultados conseguidos são, em todos os casos, muito semelhantes: o apoio do FMI ao Chile de Pinochet traduziu-se num aumento da dívida de 47%; ao Haiti de Jean-Claude Duvalier, de 78%; à Indonésia de Suharto, de 98%; ao Paraguai de Stroessner, de 96%1.
O actual presidente do FMI é um «socialista» francês, Dominique Strauss-Kahn. Entre o seu vasto currículo, tem o nome associado a um relatório que documenta o carácter radicalmente antidemocrático do projecto de «construção europeia» do grande capital. Datado de 2004, as suas «50 propostas»2 traçam o caminho da união política de uma UE federal, imperialista, comandada pelas grandes potências europeias, construída segundo um programa verdadeiramente totalitário em que os pequenos países seriam inteiramente esmagados. A primeira etapa desse processo já está concretizada com a aprovação, com outro nome, da «constituição europeia» que esse relatório preconizava.
A saída da crise não passa pelo FMI, por esta UE, pelo grande capital europeu. Passa pelo combate contra a sua ingerência e pela recusa das suas receitas.
25 de Abril. Participarei no Porto, como sempre! No interior da Assembleia da República não reina a democracia, pois TODOS os deputados de um partido levantam-se em uníssono! Nos congressos partidários não se vê debate/confronto de ideias...é tudo encenação e culto do líder.Nos fóruns e assembleias pratica-se a liberdade, mas em que é difícil o consenso: há sempre muita faladura, egos exaltados e muito conformismo. Vou fazer campanha para que haja mais democracia directa e/ou democracia participativa, sempre empenhando o lema LIBERDADE, SEMPRE!
Não vamos ficar em casa...usem as ruas...falem..troquem olhares...democratizar é estar bem com O OUTRO...cabe a todos nós...descolonizamos, democratizamos e falta desenvolver...desenvolvemos pouco o País...cabe a si estar COM Portugal e não constantemente a DEFENDER-SE de Portugal! Assuma mea culpa e passe a uma acção mais PRO-ACTIVA...
1 - "Hodie nobis", Pedro de Cristo91550-16180
2 - "Alma Redemptoris Mater", Aires Fernandes (data desconhecida)
Pedro de Cristo é um compositor Português da Renascença. Ele é um dos mais importantes polifonistas Português dos séculos XVI e XVII. 1571 - Mosteiro de Santa Cruz (Coimbra).
Entre os outros compositores Português cujas obras estão preservadas em manuscritos de Santa Cruz, um dos melhores é Aires Fernandes. Infelizmente, nada se sabe ainda por sua vida. embora seja provável que ele trabalhou em Coimbra, eventualmente, os pedaços da catedral e relativamente poucas peças completas.
AS ICELAND'S GREAT REBELLION!: PORTUGAL,THEN IRELAND & GREECE PEOPLE WILL NOT PAY SOVEREIGN DEBT!
Banco de Portugal emprestou em 2009 1.000 milhões de Euros ao FMI [ notícia no Económico]
E vejam como a Euronews fez propaganda contra Portugal e a favor do sistema financeiro corrupto que nos “empresta” o nosso próprio dinheiro, resgatado de fundos nos quais a República Portuguesa fez antecipadamente depósitos. [vídeo aqui]
O mundo tem destas coisas e a vida dá muitas voltas. Há 70 anos Portugal ajudou a Finlândia «com víveres e agasalhos», o país vivia dias difíceis durante a «Guerra do Inverno com a Rússia». E foi essa «ironia do destino traçada pela História» que levou o jornalista português, Hélder Fernandes a escrever uma carta ao povo, explicou ao tvi24.pt. Para lhes relembrar o passado. [Notícia completa]
Kyrie é o vocativo da palavra grega κύριος (transl. kyrios, "Senhor"), traduzido livremente como "ó, Senhor", enquanto eleison (ελεησον) é o imperativo aoristo do verbo eleéo (ελεεω; "ter piedade", "compadecer-se"). É originário do salmo penitencial 51 (50 na versão LXX), usado como começo de uma antiga oração cristã repetida nas liturgias de denominações católicas, luteranas, ortodoxas e anglicanas.
Κύριε ἐλέησον, Χριστὲ ἐλέησον, Κύριε ἐλέησον.
Kyrie eleison; Christe eleison; Kyrie eleison.
"Senhor, tende piedade (de nós); Cristo, tende piedade (de nós); Senhor, tende piedade (de nós)".
Embora não desempenhem cargos de gestão, administradores são bem pagos.
Por cada reunião do conselho de administração das cotadas do PSI--20, os administradores não executivos- ou seja, sem funções de gestão - receberam 7427 euros. Segundo contas feitas pelo DN, tendo em conta os responsáveis que ocupam mais cargos deste tipo, esta foi a média de salário obtido em 2009. Daniel Proença de Carvalho, António Nogueira Leite, José Pedro Aguiar-Branco, António Lobo Xavier e João Vieira Castro são os "campeões" deste tipo de funções nas cotadas, sendo que o salário varia conforme as empresas em que trabalham.
Proença de Carvalho é o responsável com mais cargos entre os administradores não executivos das companhias do PSI-20, e também o mais bem pago. O advogado é presidente do conselho de administração da Zon, é membro da comissão de remunerações do BES, vice-presidente da mesa da assembleia geral da CGD e presidente da mesa na Galp Energia. E estes são apenas os cargos em empresas cotadas, já que Proença de Carvalho desempenha funções semelhantes em mais de 30 empresas. Considerando apenas estas quatro empresas (já que só é possível saber a remuneração em empresas cotadas em bolsa), o advogado recebeu 252 mil euros. Tendo em conta que esteve presente em 16 reuniões, Proença de Carvalho recebeu, em média e em 2009, 15,8 mil euros por reunião.
O segundo mais bem pago por reunião é João Vieira Castro (na infografia, a ordem é pelo total de salário). O advogado recebeu, em 2009, 45 mil euros por apenas quatro reuniões, já que é presidente da mesa da assembleia geral do BPI, da Jerónimo Martins, da Sonaecom e da Sonae Indústria. Segue- -se António Nogueira Leite, que é administrador não executivo na Brisa, EDP Renováveis e Reditus, entre outros cargos. O economista recebeu 193 mil euros, estando presente em 36 encontros destas companhias. O que corresponde a mais de 5300 euros por reunião.
O ex-vice presidente do PSD José Pedro Aguiar-Branco é outro dos "campeões" dos cargos nas cotadas nacionais. O advogado é presidente da mesa da Semapa (que não divulga o salário do advogado), da Portucel e da Impresa, entre vários outros cargos. Por duas AG em 2009, Aguiar--Branco recebeu 8080 euros, ou seja, 4040 por reunião.
Administrador não executivo da Sonaecom, da Mota-Engil e do BPI, António Lobo Xavier auferiu 83 mil euros no ano passado (não está contemplado o salário na operadora de telecomunicações, já que não consta do relatório da empresa). Tendo estado presente em 22 encontros dos conselhos de administração destas empresas, o advogado ganhou, por reunião, mais de 3700 euros.
Apesar de desempenhar apenas dois cargos como administrador não executivo, o vice-reitor da Universidade Técnica de Lisboa, Vítor Gonçalves, recebeu mais de 200 mil euros no ano passado. Membro do conselho geral de supervisão da EDP e presidente da comissão para as matérias financeiras da mesma empresa, o responsável é ainda administrador não executivo da Zon, tendo um rácio de quase 5700 euros por reunião.
I am standing on hallow ground
But I wont stay, maybe
Im leaving tonight
And Im giving some warming to
To the thought of being through
But still I feel
This storm inside
On the brink of the night and morning
I go out not to think but to walk into the depths of dawn
And I hear the sounds from all the way down
Ringing through my mind round and round
And all it feel is this yearning inside
I guess its gonna be, a question of my sanity
I guess its gonna be, against the heart of liberty
And again the thought is pleasing
To hang out in a city lounge
And walk in brilliant weather
But still it wont calm me down
Since I hear
This voice inside
I want you, need you, all the time
I want you, need you, all the time
I guess its gonna be, a question of my sanity
I guess its gonna be, against the heart of liberty
I guess its gonna be, a question of my liberty
I guess its gonna be, against the choice of gravity
Num momento dramático como o que vivemos, a sociedade portuguesa precisa de debate e de convergências democráticas. Precisa também de reconhecer que a crise do liberalismo económico, de que a acção dos programas patrocinados pelo FMI tem sido uma expressão, obriga a reavaliar opiniões e prioridades e a construir soluções novas, assentes em ideias e escolhas claras e num programa explícito, sabendo que na democracia nunca há a inevitabilidade de uma escolha única, porque a democracia procura as melhores soluções da forma mais exigente.
É indiscutível que o estado das finanças públicas, que é em grande medida o resultado da profunda crise económica, exige um conhecimento e avaliação exigentes de todos os compromissos públicos. E que se torna urgente identificar a despesa pública desnecessária, supérflua e geradora de injustiças sociais, distinguindo-a da que é indispensável, colmata problemas sociais graves e qualifica o país.É também útil que se reconheça a importância do trabalho, dos salários e dos apoios sociais na sociedade portuguesa, se admita a presença de carências profundas, sob a forma de pobreza e de desigualdades crescentes, e se considere que os progressos alcançados na nossa sociedade são o resultado da presença de mecanismos de negociação colectiva e de solidariedade cujo desmantelamento pode significar uma regressão socioeconómica que debilitará o país por muito tempo.
Qualquer solução para os nossos problemas tem de partir de uma constatação realista: até agora as intervenções externas foram a expressão de uma União Europeia incapaz de perceber que a alternativa à solidariedade, traduzida em cooperação económica e integração sem condicionalidade recessiva, é o enfraquecimento das periferias sob pressão da especulação e de cúmplices agências de notação. A zona euro paga o preço de não ter mecanismos decentes para travar a especulação em torno da dívida soberana e para promover políticas de investimento produtivo que permitam superar a crise. As periferias pagam o preço da sua desunião política, única forma de colocar o centro europeu, principal responsável por este arranjo, perante as suas responsabilidades.
No momento em que se vão iniciar negociações entre o Governo e a troika FMI-BCE-CE, sabe-se que a austeridade provoca recessão económica e gera fracturas profundas, de que o desemprego elevado é a melhor expressão. As experiências grega e irlandesa exigem uma revisão das condições associadas aos mecanismos de financiamento em vigor. De facto, devido à austeridade intensa dos últimos dois anos, a economia irlandesa contraiu-se mais de 11% e a recessão grega atingiu 6,5% só entre o último trimestre de 2009 e o último de 2010. O desemprego ultrapassa já os 13% nestes dois países. A este ritmo, e apesar dos cortes orçamentais intensos, nenhum deles conseguirá reduzir a sua dívida. Isso só acontecerá com crescimento económico e com uma noção clara de que não é nos salários e no trabalho, mas antes na escassa inovação e na fraqueza organizacional de grande parte das empresas portuguesas, que residem os problemas de competitividade. Portugal não pode ser um laboratório para repetir as mesmas experiências fracassadas, e corremos o risco de uma recessão ainda mais prolongada, se tomarmos em consideração as previsões do próprio FMI.
Por tudo isto, considera-se necessário um apelo a um compromisso sob a forma de um programa de salvaguarda da coesão social em Portugal, de manutenção e reforço das capacidades produtivas do país para gerar emprego, com atenção às pessoas, evitando sacrifícios desnecessários. Os pontos essenciais de tal compromisso são os seguintes:
1. Garantir que em todas as decisões económicas e financeiras se coloca o objectivo de promoção exigente do crescimento e do emprego, reconhecendo que a sociedade portuguesa não comporta níveis de desemprego que outras sociedades registam, dada a fragilidade da estrutura de rendimentos e a insuficiência dos mecanismos de protecção social. A presença, já sugerida, da OIT nas negociações entre o Governo e a troika FMI-BCE-CE seria um sinal construtivo muito importante, colocando a questão do trabalho digno.
2. Desencadear um escrutínio rigoroso da despesa pública, auditando a dívida do país, sobretudo a externa, identificando com rigor as necessidades reais e os desperdícios da administração pública e salientando a necessidade de concentrar os recursos na esfera essencial das políticas públicas que combatem a exclusão social e a desigualdade, qualificam as pessoas e promovem a actividade produtiva, a competitividade e o crescimento da economia.
3. Afirmar que a educação, a saúde e a segurança social, bem como outros bens públicos essenciais como os correios, não podem ser objecto de privatização, fazendo da lógica lucrativa um mecanismo de regulação nestes domínios, visto que tal solução seria cara e insustentável financeiramente, levaria à exclusão de muitos e generalizaria injustiças sociais e regionais.
4. Recusar qualquer diminuição do papel do Estado no sector financeiro, sublinhando que a Caixa Geral de Depósitos deve permanecer integralmente pública e com uma missão renovada e que a regulação do sector terá mesmo de ser reforçada para evitar novos abusos.
Os signatários entendem que um compromisso deste tipo viabiliza as acções necessárias ao momento presente, capacita a sociedade para enfrentar positivamente as dificuldades e tem como objectivo tornar claro que, em circunstâncias graves, há direitos associados à dignidade do trabalho, ao respeito pelas pessoas e à garantia da coesão social que não podem ser postos em causa, sob pena de fragilizar gravemente o país e de eliminar qualquer capacidade própria de superar a situação dramática em que nos encontramos.
16 de Abril de 2011
Albano da Silva Pereira, Fotógrafo, Director do Centro de Artes Visuais de Coimbra; Alexandre Alves Costa, Arquitecto; Anália Torres, Socióloga, Professora do ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa; António Arnaut, Advogado; António Chora, Coordenador da Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa; António Manuel Hespanha, Professor da Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa; António Pinho Vargas, Compositor; António Romão, Economista, Professor do Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa; Augusto M. Seabra, Crítico de cinema, literatura e música; Boaventura de Sousa Santos, Sociólogo, Professor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, Director do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra; Carlos Fortuna, Sociólogo, Professor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra; Cristina Andrade, Activista do FERVE - Fartos/as d'Estes Recibos Verdes; Daniel Oliveira, Jornalista; Eduardo Paz Ferreira, Advogado, Professor da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa; Elísio Estanque, Sociólogo, Professor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra; Eugénio Fonseca, Presidente da Caritas Portuguesa; Fernanda Rollo, Historiadora, Professora da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa; Fernando Catroga, Historiador, Professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra; Fernando Roque de Oliveira, Economista, Presidente do Observatório sobre a Produção, o Comércio e a Proliferação de Armas Ligeiras; Helena Roseta, Arquitecta; Isabel Allegro, Professora da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa; João Abel Freitas, Economista; João Cravinho, Militante socialista; João Ferrão, Geógrafo, Investigador do Instituto de Ciência Sociais da Universidade de Lisboa; João Ferreira de Almeida, Sociólogo, Professor do ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa; João Ferreira do Amaral, Economista, Professor do Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa; João Proença, Sindicalista; João de Deus, Sindicalista; João Rodrigues, Economista, Investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra; Jorge Vala, Psicólogo Social, Investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa; José de Faria Costa, Professor da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra; José Luís Pio Abreu, Médico Psiquiatra; José Maria Brandão de Brito, Economista, Professor do Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa; José Maria Castro Caldas, Economista, Investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra; José Reis, Economista, Professor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra; Luís Moita, Professor da Universidade Autónoma de Lisboa; Manuel Alegre, Escritor, militante socialista; Manuel Carlos Silva, Sociólogo, Professor da Universidade do Minho; Manuel Carvalho da Silva, Sindicalista; Manuela Silva, Economista, Professora do Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa; Manuel Brandão Alves, Economista, Professor do Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa; Maria Eduarda Gonçalves, Jurista, Professora do ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa; Mário Murteira, Economista, Professor do ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa; Mário Ruivo, Biólogo, Oceanógrafo; Miguel Henriques, Músico; Octávio Teixeira, Economista; Paula Gil, Activista da Geração à Rasca; Paulo Areosa Feio, Geógrafo, IGOT - Universidade de Lisboa; Pedro Hespanha, Sociólogo, Professor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra; Ricardo Paes Mamede, Economista, Professor do ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa; Rui Namorado, Professor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra; Rui Tavares, Historiador e Eurodeputado; Sandra Monteiro, Directora do Le Monde diplomatique - edição portuguesa; Sandro Mendonça, Economista, Professor do ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa; Sérgio Azevedo, Compositor; Tiago Gillot, Activista dos Precários Inflexíveis; Vasco Lourenço, Associação 25 de Abril.
Torres Couto, negociador sindical nas conversas com o Fundo Monetário Internacional (FMI) em 1983, disse ontem em Coimbra que Portugal pode esperar o corte de salários, pensões e benefícios sociais com o regresso desta organização internacional ao país.
«Não se deixem iludir, não há fundos de ajuda, há o fundo de resgate pago a preço brutal e pago sempre pelos mais fracos, porque o que está em jogo é salvaguardar os direitos de quem investiu em Portugal, recuperar [o investimento] no espaço de tempo mais curto. E a melhor forma de conseguir isso é cortar despesa», declarou no auditório da Reitoria, ao participar no Encontro Fé e Cultura, promovido pelo Centro Universitário Manuel da Nóbrega (CUMN).
O antigo secretário-geral da União Geral de Trabalhadores (UGT) lembrou os meses passados no Ministério das Finanças, «a negociar com uma equipa sinistra de tecnocratas do FMI». O Fundo regressa a Portugal já amanhã, na sequência da grave crise financeira e política que o país atravessa, e Torres Couto considera que a culpa é «colectiva». «Por incúria, porque abdicámos das nossas responsabilidades, não estamos dispostos a participar na denúncia, desde o nível associativo ao político», referiu.
Numa mesa em que se questionava o “Mundo a construir”, o ex-sindicalista frisou que para o corte de despesa ser relevante, «a receita que temos pela frente» inclui «corte de salários, corte de pensões, de regalias sociais, agravamento de impostos de consumo e de IRS».
Confessando-se «decepcionado e desiludido», Torres Couto, que foi deputado socialista no Parlamento Europeu, disse ter entrado na política com «entusiasmo», pensando que se «mudaria as coisas com o exercício da transparência e verdade», mas acabaria por constatar que «o dirigente político que fala a verdade à população perde as eleições».
«Isto só é possível porque não há sentido crítico, há um estado de letargia total das pessoas em relação à polis e à política», sustentou, considerando este conformismo «inaceitável perante a magnitude dos problemas e a urgência da crise que estamos a atravessar».
Participação cívica
Torres Couto entende que há uma «profunda crise de valores» e que o mundo «tem de passar por um sobressalto cívico e ético, em que todos têm de participar mais e que não pode compactuar com o poder instituído, da forma como está instituído e é exercido».
O ex-dirigente sindical apelou ao reforço da ética e da verdade, à participação cívica dos jovens e ao reforço da intervenção crítica das elites e dos intelectuais portugueses. «Inconformismo não significa contestar por contestar, agir de forma irresponsável, mas saber questionar, exigir que nos expliquem – Porque surge determinada lei em determinado momento? Com que objectivo? É justa? – e ter a determinação para denunciar injustiças», explicou.
Elizabeta Necker, romena a residir em Portugal desde 2000, vencedora do Prémio Imigrante Empreendedor do Ano”, da Fundação Calouste Gulbenkian, foi outras das intervenientes no painel da tarde do encontro subordinado ao tema “No centro ou nas margens?”. A Fundadora da Doina – Associação de Imigrantes Romenos e Moldavos no Algarve deixou um apelo à iniciativa, ao voluntariado e uma mensagem de esperança. «E se amanhã perder tudo, o que me resta? Não julgar, acreditar, não desistir, pedir ajuda, agradecer, amar», resumiu.
Vivemos mais, temos mais tempo livre e emigramos mais
A longevidade e a mobilidade são factores que já influenciam e vão influenciar cada vez mais o nosso mundo. Fernando Nogueira, outro dos convidados no painel de ontem, lembrou que vivemos mais, temos mais tempo livre e deslocamo-nos mais facilmente de país para país e até de continente para continente.
Os avanços da medicina e, sobretudo, uma alimentação mais correcta do ponto de vista nutricional, fizeram duplicar a esperança média de vida no século XX. Aumentámos a capacidade física e a resistência a doenças, mas também a criatividade e inteligência, reflectiu o ex--líder social-democrata. Para o antigo ministro, «os negócios vão crescer na indústria ligada à cultura e ao lazer», porque as pessoas vivem mais e «trabalham praticamente metade das horas que trabalhavam há 150 anos».
Os países do hemisfério Norte vão, no entanto, debater-se com o problema do envelhecimento da população, vendo reduzir-se brutalmente a percentagem de população activa. «Países em recessão demográfica que rejeitem imigrantes estão condenados», referiu, notando que daqui a 20 anos, na União Europeia, «as pessoas vindas de África e os seus descendentes poderão representar já 20 por cento da população».
Fernando Nogueira referiu ainda que o «nomadismo» aumentará, com as viagens, a procura de emprego, a deslocalização de empresas, e de uma maneira mais fácil do que até hoje. A população do hemisfério Norte passará a emigrar mais para o Sul, onde estarão, daqui a 10 anos, a maior parte das cidades mais populosas do mundo.
"All And Everyone"
Death was everywhere, in the air and in the sounds coming off the mounds of Bolton's Ridge. Death's anchorage. When you rolled a smoke or told a joke, it was in the laughter and drinking water it approached the beach as strings of cutters, dropped into the sea and lay around us.
Death was in the ancient fortress, shelled by a million bullets from gunners, waiting in the copses with hearts that threatened to pop their boxes, as we advanced into the sun death was all and everyone.
Death hung in the smoke and clung to 400 acres of useless beachfront. A bank of red earth, dripping down death now, and now, and now in the air and in the sounds coming off the mounds of Bolton's Ridge. Death's anchorage. Death was in the staring sun, fixing its eyes on everyone. It rattled the bones of the Light Horsemen still lying out there in the open
as we, advancing in the sun sing "Death to all and everyone."