Nem precisávamos deste estudo. E cada vez estou mais convicto que vivemos mesmo uma época de citizenhashing, merdificação e slacktivism. Mas aí estão os dados.
Portugal registou o pior resultado de sempre em Leitura no último relatório PISA, recuando a níveis inferiores aos do ano 2000. Segundo os dados oficiais que pode consultar diretamente no PISA 2025 Results Volume I da OCDE, os alunos portugueses obtiveram uma média de 462 pontos, o que representa uma quebra drástica de 30 pontos face ao pico alcançado em 2015 - o equivalente a perder quase ano e meio de aprendizagem.
Esta derrapagem na literacia e na interpretação de texto é um problema global, mas que em Portugal ganhou contornos mais graves devido a fatores internos específicos.
Além do impacto prolongado dos confinamentos da pandemia e da distração digital constante dos telemóveis, a comunidade educativa aponta o dedo às constantes alterações nas políticas curriculares e ao recente desmantelamento da estrutura independente do Plano Nacional de Leitura e da Rede de Bibliotecas Escolares.
Ao diluir estes projetos essenciais em megaestruturas burocráticas, o país perdeu foco e autonomia no combate ao desinteresse dos jovens pelos livros.
O cenário atual é um alerta vermelho que exige muito mais do que lamentações; exige devolver às escolas os meios e a estabilidade necessários para pôr os miúdos a ler outra vez.

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