Bioterra
Blogue de Educação Ambiental, iniciado em 01.04.2004
terça-feira, 3 de fevereiro de 2026
The Wolfgang Press - I'm Coming Home (Mama)
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026
Brigade Internationale - Remember My Death
O nome Brigade Internationale (Brigada Internacional) é uma referência direta às unidades militares compostas por voluntários estrangeiros que viajaram para a Espanha para lutar ao lado da Segunda República Espanhola contra as forças fascistas de Francisco Franco durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939).
Ao escolherem este nome, a banda evoca uma estética de resistência antifascista, idealismo político e melancolia histórica, temas comuns na subcultura coldwave da época.
Regard Extrême é uma das músicas mais conhecidas da banda, presente no álbum/cassete Regard Extrême lançado em 1984 pela gravadora Wallenberg Produktion.
A canção: Mantém a sonoridade característica do género, com sintetizadores sombrios, linhas de baixo marcantes e uma atmosfera minimalista e melancólica.
Significado da Letra: O título "Remember My Death" (Lembre-se da minha morte) reforça a temática existencialista e fúnebre do grupo, possivelmente ligando-se ao sacrifício dos voluntários das brigadas originais
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Dia Mundial das Zonas Húmidas: Expansão agrícola e urbana, alterações climáticas e invasoras continuam a pressionar estes ecossistemas vitais
Ambientes aquáticos costeiros ou interiores que albergam uma grande diversidade de formas de vida, que fornecem uma série de serviços críticos para o bom funcionamento dos ecossistemas e para a sobrevivência de humanos e não-humanos. Contudo, estão gravemente ameaçados, sobretudo devido à forma como temos lidado com eles, e a sua degradação custar-nos-á caro.
Para quem ainda não percebeu, falamos de zonas húmidas, pois esta segunda-feira, dia 2 de fevereiro, assinala-se o Dia Mundial das Zonas Húmidas. Esta efeméride foi estabelecida com a adoção da Convenção de Ramsar, em vigor desde 1975, e que tem como missão basilar a conservação desses habitats, vitais para humanos e não-humanos, para a diversidade biológica e sociocultural, e também eles muito diversos.
As zonas húmidas podem ser pântanos, charcos, ou turfeiras, naturais ou artificiais, de água estagnada ou corrente, de água doce, salobra ou salgada, incluindo áreas de água do mar cuja profundidade não seja superior a seis metros. Além disso, podem incluir zonas ribeirinhas ou costeiras que a elas sejam adjacentes, como “ilhéus ou massas de água marinha com profundidade superior a seis metros durante a maré baixa”, especialmente de forem importantes como habitats para aves marinhas.
Apesar de apenas cobrirem 6% da superfície da Terra, estimativas apontam para que cerca de 40% de todas as espécies de animais e de plantas dependem das zonas húmidas, para viverem, para se alimentarem e para se reproduzirem.
Um estudo publicado em 2023 na ‘Nature’ revelava que, entre 1700 e 2020, o mundo perdera cerca de 21% das suas zonas húmidas devido às atividades humanas, uma extensão perto dos 3,4 milhões de quilómetros quadrados. Essas perdas foram sobretudo causadas pela conversão das zonas húmidas em áreas agrícolas, mas também pela poluição, pela expansão urbana e industrial e pelo turismo insustentável.Stanford-led study finds global wetlands losses overestimated despite high losses in many regions
À Green Savers, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) explica que, quando a essas ameaças juntamos os efeitos das alterações climáticas, “o cenário torna-se, de facto, mais preocupante”.
Por provocarem secas cada vez mais frequentes e intensas, as alterações climáticas são apontadas como umas das principais ameaças às zonas húmidas. Quando esses habitats, como as turfeiras, perdem a água que lhes dá vida, o carbono aí armazenado ao longo de muitos anos no solo e na biomassa pode acabar por libertar-se na atmosfera, “contribuindo de forma significativa para um aumento das emissões globais de dióxido de carbono” e também para a crise climática.
Atualmente, aproximadamente 25% das espécies que dependem das zonas húmidas (para se reproduzirem, para se alimentarem, como pontos de paragem importantes durante migrações) estão ameaçadas de extinção, diz o ICNF. E se a destruição desses habitats não for travada e se não se recuperar dos danos causados, essas espécies enfrentarão um risco ainda maior.
As zonas húmidas em Portugal
Em Portugal, as zonas húmidas estão também a sofrer uma série de pressões, à semelhança do que se passa no resto do mundo.
Diz-nos o ICNF que, de acordo com dados comunicado pelo país à Comissão Europeia no ano passado relativos ao período entre 2019 e 2024, 58,7% dos habitas de zonas húmidas de Portugal continental e regiões autónomas estão em bom estado de conservação. Em sentido inverso, 31,7% estão avaliados como em mau estado de conservação.
Por cá, as principais ameaças às zonas húmidas são a fragmentação, degradação e destruição, especialmente devido à intensificação da agricultura e da silvicultura, à expansão urbana e à “crescente pressão turística”, explica o instituto. A agravar esses fatores está a introdução de espécies exóticas invasoras “que afeta a estrutura das comunidades biológicas nativas destes ecossistemas”, e, claro, as alterações climáticas são mais um prego no caixão.
Portugal tem 32 zonas húmidas protegidas ao abrigo da Convenção de Ramsar, com uma área total combinada de perto de 134.000 hectares. A Lagoa de Óbidos foi a mais recente adição à lista portuguesa de Sítios Ramsar, com cerca de 6,9 quilómetros quadrados e fazendo fronteira com os concelhos de Caldas da Rainha e de Óbidos.
O ICNF assegura que quase todas as zonas húmidas listadas da Convenção de Ramsar estão sujeitas a algum tipo de proteção legal, seja por serem parte da Rede Nacional de Áreas Protegidas, por serem Zonas de Proteção Especial no âmbito da Diretiva Aves da União Europeia ou Zonas Especiais de Conservação da Diretiva Habitats, por estarem sujeitas aos Planos Diretores Municipais ou ainda por estarem incluídas nas reservas agrícola ou ecológica nacionais.
No relatório nacional submetido em fevereiro do ano passado à 15.ª Conferência das Partes (COP15) da Convenção de Ramsar, que aconteceu em Victoria Falls, no Zimbabué, Portugal diz que entre a COP15 e a COP14, de 2022, conseguiu-se aumentar a consciência das populações e das autoridades locais para o valor das zonas húmidas e para a sua importância na adaptação e mitigação das alterações climáticas.
O documento aponta ainda como conquistas nesse período de três anos o aumento do número de eventos e atividades realizados todos os anos no país para celebrar o Dia Mundial das Zonas Húmidas, o “aumento significativo” do número de projetos implementados de restauro de zonas húmidas, a crescente valorização da dimensão sociocultural e histórica desses habitats e o maior número de ações para gerir e controlar espécies invasoras que ameaçam esses ecossistemas.
Entre as principais dificuldades na implementação da convenção entre 2022 e 2025 Portugal indicou a falta de planos de gestão para a maioria dos Sítios Ramsar no país, a falta de um inventário nacional das zonas húmidas, o aumento dos impactos das alterações climáticas, o aumento da agricultura intensiva em algumas zonas do país e a “rápida expansão” das espécies invasoras.
Para o biénio 2026-2028, Portugal elencou como prioridades a continuação da gestão das invasoras, o desenvolvimento do inventário nacional, a criação de um órgão equivalente a uma comissão nacional das zonas húmidas e o reforço do envolvimento da população na conservação desses ecossistemas.
As pessoas e as zonas húmidas
O tema do Dia Mundial das Zonas Húmidas deste ano pretende destacar a íntima e longeva ligação entre as culturas humanas e esses habitats aquáticos, especialmente salientando os serviços culturais por eles prestados aos humanos.
“As pessoas coexistem com as zonas húmidas desde a pré-História, aproveitando os serviços que elas prestam, e desenvolvendo um valioso conhecimento tradicional”, diz-nos fonte do ICNF. Durante milénios, essa coexistência permitiu à nossa espécie desenvolver um amplo conhecimento tradicional, transmitido de uma geração para a seguinte, que sobre os aspetos mais científicos das zonas húmidas, mas também sobre as dimensões éticas e espirituais.
Esse saber alicerçado na convivência e interligação com esses habitats, e com a vida que neles se encontra, permitiu “uma gestão sustentável dos recursos naturais fornecidos pelas zonas húmidas ao longo de milhares de anos”, afirma o instituto, que considera que devemos olhar para o passado, aprender com aqueles que vieram antes de nós, para tentar solucionar os problemas com os quais nos deparamos no presente.
“A integração destas práticas e tradições ancestrais nas estratégias de conservação atuais é essencial para obter soluções eficazes, inclusivas e duradouras”, argumenta o ICNF, destacando como fundamental o envolvimento das comunidades locais e a valorização e aproveitamento do seu conhecimento e experiência para proteger, conservar e restaurar as zonas húmidas.
“Os conhecimentos locais, bem como a ciência cidadã, já são recursos inestimáveis para se conhecer o estado das zonas húmidas.”
Por tudo isso, a continuação da perda de zonas húmidas ameaça a sobrevivência de muitas espécies de plantas e de animais que delas dependem, põe em risco a subsistência de diversas comunidades humanas que nelas encontram a sua principal fonte de sustento, como pescadores e mariscadores, e podem fazer desaparecer tradições e costumes de séculos ou de milénios de existência, como festas e romarias, que ainda hoje são celebradas e que têm as zonas húmidas no seu cerne.
“A perda e degradação das zonas húmidas agrava o problema da perda da biodiversidade e coloca em risco as espécies dependentes destes habitats”, diz-nos o ICNF, e “ameaça não só a subsistência das suas comunidades locais, como também a sua identidade cultural”.
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domingo, 1 de fevereiro de 2026
Nick Cave And The Bad Seeds - All Tomorrow's Parties
Adeus Spotify
Por Luís Sobral
O Spotify é a plataforma de streaming que menos paga aos artistas, com pagamentos que não excedem 0,003 cêntimos por reprodução . Além disso, como consequência da sua nova política, só remunera os artistas com pelo menos 1000 streams por faixa.
Em 2005, 88% da música do Spotify ficou sem monetização. O Spotify também investe e colabora com grandes editoras discográficas para criar música feita com inteligência artificial, que há muito tempo inunda de forma oculta as playlists de descoberta semanal e acumula milhões de streams. Reproduções que geram lucros enormes para a empresa, que não beneficiam os artistas e que desumanizam e banalizam a música de uma forma inaceitável.
Além disso, nos Estados Unidos o Spotify emitiu , ao longo do outono de 2025 , anúncios para uma campanha de recrutamento da ICE ( agência de controlo de imigração ) que nos últimos meses, agindo sob ordens da administração Trump, tem realizado sequestros, deportações em massa de imigrantes e violência contínua contra a população dos EUA.
Daniel Ek , fundador , ex CEO e actual chairman do Spotify investiu aproximadamente 700 milhões de euros na Helsing, uma startup armamentista alemã que fabrica tecnologia militar com inteligência artificial . Esta empresa colabora com agentes relacionados com o genocídio na Palestina : desde que o fundador do Spotify começou a investir nesta empresa e se juntou ao seu conselho de administração, a Helsing assinou contratos de cooperação tecnológica com a Airbus e a Rheinmetall, empresas que fabricam armas directamente utilizadas pelas forças de ocupação de Israel.
Que mais é preciso acontecer para abandonarmos esta plataforma ???
Dito isto e para acabar com uma nota de esperança e otimismo , deixo-vos a minha recomendação de uma plataforma de música que é justa e ética - Qobuz. É a que eu uso e estou muito satisfeito!
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Matt and Kim - Lessons Learned
A Letra: A música fala sobre a sensação de liberdade ao "deixar-se ir" e como as experiências (mesmo as mais caóticas ou embaraçosas) se tornam "lições aprendidas". Há uma celebração da juventude e da falta de inibição.
O Vídeo Icónico: É impossível falar desta música sem mencionar o videoclipe. Nele, o duo caminha por Times Square, em Nova Iorque, enquanto se despe completamente até ficarem nus em público.
O conceito do vídeo: Reforça a mensagem da letra — a vulnerabilidade total e a ideia de que, independentemente do "escândalo" ou da reação dos outros, o que importa é a experiência vivida e a liberdade pessoal.
Curiosidade: O vídeo foi gravado num dia de muito frio e foi filmado de forma "guerrilha" (sem autorizações completas para nudez em público), o que resultou na detenção (encenada) dos artistas no final.
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sábado, 31 de janeiro de 2026
A Shoreline Dream - The Chain
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José Lemos e Brio - Las estreyas
Porque caem tantas árvores durante as tempestades?
Nos últimos anos Portugal tem assistido a um aumento significativo da queda de árvores durante tempestades intensas. Embora estes episódios sejam muitas vezes percecionados como acontecimentos súbitos ou inevitáveis, a ciência mostra que não se trata de fenómenos aleatórios. Pelo contrário, a queda de árvores resulta da combinação previsível entre condições do solo, características das próprias árvores, contextos urbanos e florestais, e eventos meteorológicos cada vez mais extremos.
Um dos fatores críticos é o estado do solo. Durante períodos de chuva intensa ou cheias, os solos ficam saturados de água e perdem grande parte da sua resistência. A água acumulada nos poros do solo reduz o atrito e a coesão que mantêm as raízes firmemente ancoradas. Nessas circunstâncias, árvores que permaneceriam estáveis em solos secos podem tombar mesmo sob ventos moderados. Este mecanismo é uma das explicações mais bem documentadas para a queda de árvores associada a tempestades.
A idade das árvores e o tipo de povoamento também desempenham um papel decisivo. Árvores jovens, comuns em plantações recentes, ainda não desenvolveram sistemas radiculares profundos e extensos. Em florestas mais maduras, as raízes entrelaçam-se e criam uma estabilidade coletiva que ajuda a dissipar a força do vento. Em contraste, povoamentos jovens e homogéneos – muitas vezes compostos por árvores da mesma idade e espécie – são estruturalmente mais frágeis, o que explica porque grandes áreas podem ser afetadas de forma simultânea durante eventos extremos.
Nas cidades, o problema tende a ser ainda mais grave. As árvores urbanas vivem sob múltiplos fatores de stress: solos compactados, pouco espaço para enraizar, impermeabilização do terreno, poluição, temperaturas elevadas e podas excessivas ou mal executadas. Ao longo do tempo, estas condições enfraquecem as árvores, favorecem o desenvolvimento de podridões internas e reduzem a sua capacidade de resistir ao vento. Como resultado, as árvores urbanas têm maior probabilidade de falhar, seja pelo arranque da raiz, seja pela quebra do tronco ou dos ramos.
As próprias tempestades amplificam estes riscos. A força exercida pelo vento aumenta rapidamente com a sua velocidade, e as copas molhadas pela chuva tornam-se mais pesadas e oferecem maior resistência ao ar. As rajadas provocam movimentos repetidos que “cansam” o tronco e o sistema radicular, acelerando a falha estrutural, sobretudo quando o solo já se encontra saturado.
Este cenário é agravado pelo contexto das alterações climáticas. Em Portugal, é cada vez mais comum a sucessão de longos períodos de seca – que debilitam as árvores – seguidos de episódios de chuva intensa e tempestades severas. Estes eventos combinados aumentam significativamente o risco de queda, uma vez que as árvores não têm tempo suficiente para recuperar nem para adaptar a sua estrutura às novas condições.
Em suma, a queda de árvores durante tempestades é um fenómeno explicável e, até certo ponto, previsível. Resulta da interação entre solos encharcados, sistemas radiculares pouco desenvolvidos, stress fisiológico (particularmente em ambientes urbanos) e eventos meteorológicos extremos cada vez mais frequentes.
Se queremos continuar a viver com árvores, e a beneficiar dos múltiplos serviços ecológicos, climáticos e sociais que prestam, é imperativo preparar não apenas as infraestruturas físicas, mas também as infraestruturas naturais. Isso implica reconhecer que árvores não são elementos decorativos nem obstáculos urbanos, mas organismos vivos que dependem de solos funcionais, espaço para enraizar, diversidade estrutural e tempo para se adaptarem. A gestão do risco associado às tempestades futuras passa, portanto, por investir na qualidade dos solos, no desenho ecológico das cidades e das florestas, e numa abordagem preventiva baseada no conhecimento científico. Sem esta preparação sistémica, a coexistência com árvores tornar-se-á cada vez mais frágil num clima em rápida mudança.
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sexta-feira, 30 de janeiro de 2026
EUA na dianteira de aumento exponencial de uso de gás na produção de eletricidade para centros de dados de IA
Os Estados Unidos da América (EUA) estão a fazer disparar a quantidade global de eletricidade produzida com recurso a gás para alimentar centros de dados que servirão para dar resposta à expansão da Inteligência Artificial (IA).
A conclusão é de um relatório publicado esta semana pela organização Global Energy Monitor, no qual é revelado que o país quase triplicou em 2025 o desenvolvimento da sua capacidade de produção elétrica com base no gás. Isso inclui projetos anunciados, em pré-construção e em construção, que aumentarão a capacidade para um total de 252 gigawatts, que ultrapassa a China e representa cerca de um quarto do total global.
Se todas as centrais elétricas a gás que estão em desenvolvimento forem construídas, quase aumentará em 50% a atual infraestrutura de produção elétrica a gás já existente no país.
De acordo com as estimativas da Global Energy Monitor, os projetos de gás agora em desenvolvimento têm o potencial para emitir cerca de 12,1 mil milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) ao longo das suas vidas. Atualmente as emissões de CO2 dos EUA, provenientes de todas as fontes, rondam os seis mil milhões de toneladas, pelo que estaríamos perante uma duplicação das emissões impulsionada por apenas uma fonte.
“Os EUA estão a duplicar a eletricidade gerada por gás à custa da transição energética”, lamenta Jenny Martos, gestora de projetos da organização que produziu este relatório. E avisa que há o risco de essas novas instalações elétricas que agravam o efeito de estufa do planeta poderem vir a ser nada mais do que “ativos irrecuperáveis” se a procura esperada de eletricidade pela IA nunca chegar a concretizar-se.
Em 2025, a capacidade elétrica a gás em desenvolvimento aumentou 31% a nível global, chegando a um total de 1.047 gigawatts.
O problema com Stephen Miller é que ele não sente vergonha. O arquiteto da política de imigração de Trump cometeu um erro em Minneapolis
Depois da morte do enfermeiro norte-americano Alex Pretti às mãos do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) dos EUA, as atenções começam a virar-se para Stephen Miller, o principal conselheiro de Donald Trump, responsável por redesenhar a política de imigração do país.
Nas redes sociais, Miller não demorou a classificar a vítima como um “aspirante a assassino”, que tentou matar agentes federais”, apenas algumas horas depois do confronto fatal entre as forças do ICE e o homem de 37 anos. Mas nem Donald Trump parece concordar com a afirmação, tendo assegurado esta terça-feira que “não” acredita que Pretti fosse um assassino.
No mesmo dia, em declarações à CNN, Stephen Miller admitiu que os agentes “podem não ter seguido” o protocolo adequado antes do tiroteio que tirou a vida a Pretti - uma posição insólita vinda de alguém conhecido por reforçar as suas convicções, de acordo com o The Guardian.
Antes de ser contrariado pelo próprio presidente, já se levantavam dúvidas sobre a ausência do conselheiro na reunião de duas horas que Donald Trump realizou com a secretária da Segurança Interna, Kristi Noem, esta segunda-feira, de onde saiu um novo anúncio: foi destacado para Minneapolis o “czar da fronteira” da Casa Branca, Tom Homan, para “recalibrar as táticas” e melhorar a cooperação com as autoridades estatais e locais.
Além de Homan ser conhecido por criticar a abordagem de Stephen Miller, Donald Trump manteve ainda telefonemas cordiais com o governador do Minnesota, Tim Walz, e com o presidente da Câmara de Minneapolis, Jacob Frey.
“O problema com Stephen Miller é que o mal é resiliente. Ele não sente vergonha, não acha que isto seja algo mau. Está convencido de que outras pessoas o envergonharam, mas não acredita que ele esteja a conduzir um ataque às liberdades constitucionais dos americanos”, afirmou Rick Wilson, co-fundador do Lincoln Project (um grupo anti-Trump), citado pelo mesmo jornal.
Em maio do ano passado, o conselheiro de Trump encomendou ao serviço de imigração três mil detenções diárias, um aumento de quase dez vezes relativamente ao ano anterior. Segundo, Larry Jacobs, diretor do Centro para o Estudo da Política e Governação da Universidade do Minnesota, o abuso de poder de Miller foi um dos principais fatores a desacreditar a política de deportação de Donald Trump.
“O facto de ele ter sido afastado da reunião na Casa Branca é uma mensagem forte para Washington de que o presidente não aprova este processo e de que tem de haver uma mudança”, reforça o responsável, afastando, ainda assim, a possibilidade de Miller vir a ser despedido. “Não espero que Stephen Miller seja despedido, porque Donald Trump apoia a política, só não apoia a forma como foi executada”, sublinhou Larry Jacobs.
Apesar de os democratas terem avançado com uma iniciativa para destituir Kristi Noem, os especialistas não têm dúvidas de que o verdadeiro culpado da tragédia de Minneapolis é Miller, que ocupa ainda o cargo de vice-chefe de gabinete da Casa Branca.
Larry Jacobs destaca Stephen Miller como o verdadeiro “arquiteto” que “tem pressionado o ICE para endurecer e apresentar mais números, trazer pessoas e só depois ver se são as pessoas certas”.
“A imprudência, a brutalidade, a falta de processo legal. Tudo isso tem raízes em Stephen Miller”, frisou o especialista.
Depois do erro de Minneapolis, o principal conselheiro de Donald Trump “terá um papel público muito menor no futuro previsível”, afirmou Henry Olsen, investigador no Ethics and Public Policy Center, em Washington.
“É claro que Trump pessoalmente não gosta, do ponto de vista das relações-públicas, do que tem estado a acontecer, e é sensível a isso, sempre foi. Ele sabe, tanto pelo seu instinto como pelo que os dados lhe dizem, que Miller e Noem não se favoreceram com a forma como abordaram imediatamente a morte” de Pretti.
Mesmo assim, corrobora a opinião dos investigadores que não acreditam numa demissão de Miller: “Ele está com Trump há bastante tempo e o presidente não tem problemas em livrar-se de subordinados que não rendem, mas suspeita-se que Miller, em muitos aspetos, está a render e, por isso, Trump não o vai atirar borda fora precipitadamente.”
“Stephen Miller é demasiado dominante no esquema mental de Trump sobre o que a base MAGA quer, para ser verdadeiramente afastado do seu círculo. Não acho que exista um mundo em que Miller não mantenha a sua autoridade e o seu poder junto de Trump”, corrobora Rick Wilson.
Henry Olsen sublinha que é do interesse de Donald Trump manter Miller por perto, já que o vice-chefe de gabinete da Casa Branca, rende onde interessa ao presidente: na televisão. É um defensor combativo de Trump, que caracteriza os democratas como uma “organização extremista doméstica” e a América como líder de um mundo “governado pela força, governado pela violência, governado pelo poder”.
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quinta-feira, 29 de janeiro de 2026
Robert Reich - Trump cumpriu as suas promessas?
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Discombobulator: a arma secreta usada pelos EUA para capturar Nicolás Maduro
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A arma “Descombobulador” utilizada recentemente na Venezuela é provavelmente um sistema de micro-ondas de alta potência modulado por impulsos (HPM). Funciona fritando simultaneamente componentes eletrónicos e induzindo o “Efeito Frey” (sons fantasmas e náuseas) em alvos humanos, um mecanismo estatisticamente semelhante aos incidentes da “Síndrome de Havana”. Embora a tecnologia ofereça uma vantagem táctica, a sua divulgação pública pode ter sido um erro estratégico, acelerando o desenvolvimento de contra-medidas por parte dos adversários e levantando questões éticas complexas sobre a sua potencial utilização para o controlo de multidões em território nacional.
Resumo
As notícias vindas de Caracas a 3 de janeiro foram, no mínimo, um acontecimento atípico. A captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro já era suficientemente surpreendente, mas os detalhes que rodearam a operação pareciam saídos de um romance de ficção científica. Ouvimos relatos de guardas experientes a cair de joelhos, a vomitar e a agarrar a cabeça em agonia por causa de um “som” inexistente. Ouvimos falar de foguetes que simplesmente se recusavam a disparar, botões pressionados sem efeito, ecrãs congelados e tecnologia tornada inerte. Depois veio a explicação do Presidente Trump: uma arma secreta a que chamou "Descombobulador".
Como estatístico, passo a vida à procura de padrões no meio do ruído. Quando se retira a retórica política e o apelido pitoresco, os "dados" fornecidos pelos relatos das testemunhas oculares apontam para uma tecnologia muito específica e muito real. Não estamos a lidar com magia. Estamos provavelmente perante a estreia operacional de uma Arma de Energia Direcionada de Micro-ondas de Alta Potência Modulada por Pulso (HPM).
Para ser claro, como estatístico, devo sempre ter em conta as variáveis de confusão. A forma mais eficiente de capturar um líder estrangeiro é, normalmente, com uma mala cheia de dinheiro ou um informador bem posicionado; a Navalha de Occam favorece frequentemente o suborno em vez dos armamentos de ficção científica. Os críticos podem também argumentar que os agentes químicos (gás) poderiam explicar os sintomas físicos.
No entanto, a minha análise testa estritamente a hipótese fornecida pela própria descrição do Presidente. Os subornos e o gás podem neutralizar os guardas, mas não explicam a falha eletrónica simultânea, a recusa de lançamento de rockets e o congelamento de ecrãs, caso os relatos sejam verdadeiros. Apenas uma gama restrita de fenómenos pode afetar instantaneamente tanto a biologia como o silício. Se levarmos a sério a descrição do "Descombobulador" feita pelo presidente, estamos a lidar com electromagnetismo, não com subornos.
O Mecanismo: Uma História de Duas Frequências
A genialidade e o terror desta arma teórica residem no facto de atacar dois sistemas completamente diferentes (electrónica e biologia) utilizando a mesma força fundamental: a energia de radiofrequência (RF) pulsada.
1. A "Eliminação Suave" (Neutralização Electrónica)
Os relatos de foguetões venezuelanos que falharam o lançamento correspondem aos efeitos conhecidos das armas HPM em semicondutores. Quando um feixe de micro-ondas de alta intensidade atinge um dispositivo, não tem de o destruir fisicamente.
a. Acoplamento pela Porta dos Fundos: A energia de micro-ondas entra através de antenas, sensores ou até mesmo por fendas na carcaça. A própria cablagem interna do dispositivo atua como uma antena, captando o sinal e convertendo-o num pico de tensão massivo.
b. Bloqueio e Queima: Conforme detalhado nos estudos da NATO sobre tecnologias anti-drones, este pico causa “bloqueio”, um estado em que as portas lógicas digitais congelam e requerem uma reinicialização completa. Em níveis de potência mais elevados, provoca “queima”, derretendo fisicamente as junções microscópicas dentro dos chips [1].
2. O Som “Fantasma” (Efeito Frey)
Os relatos mais arrepiantes da operação envolveram o colapso físico dos guardas. Descreveram uma “onda sonora intensa”, mas nenhum altifalante foi visto. Esta é quase certamente uma aplicação do Efeito Auditivo de Micro-ondas, identificado pela primeira vez pelo neurocientista Allan H. Frey em 1961 [2].
a. Expansão Termoelástica: Quando a energia de radiofrequência pulsada atinge a cabeça humana, provoca um aquecimento minúsculo, mas rápido, do tecido cerebral (na ordem dos milionésimos de grau).
b. Onda de Choque Interna: Este aquecimento rápido faz com que o tecido se expanda, gerando uma onda de pressão no interior do crânio. Esta onda viaja até à cóclea (ouvido interno), onde é processada como som.
c. Sobrecarga Vestibular: Conforme descrito na revisão abrangente de James C. Lin de 2021, "Efeitos Auditivos da Radiação de Micro-ondas", este efeito pode ser ajustado. Uma taxa de repetição de impulsos específica pode não só criar ruído fantasma, como também sobre-estimular o sistema vestibular. Isto causa as náuseas extremas, vertigens e sensação de "explosão da cabeça" relatadas pelos guardas venezuelanos [3].
Será que foi isso que aconteceu em Cuba?
Qualitativamente, este perfil de dados, ou seja, sons fantasmas, náuseas e vertigens, alinha-se notavelmente bem com o conjunto de sintomas clínicos relatados por diplomatas americanos em Cuba e na China, vulgarmente conhecido como “Síndrome de Havana”.
Durante anos, houve debate sobre a causa destas lesões. No entanto, um relatório crucial de 2020 das Academias Nacionais de Ciências, Engenharia e Medicina concluiu que a “energia de radiofrequência pulsada e direcionada” era o mecanismo mais plausível [4][5]. Parece altamente provável que o "Descombobulador" seja a resposta americana à tecnologia utilizada contra o próprio povo, talvez uma versão de engenharia inversa ou desenvolvida em paralelo da arma que atingiu as nossas embaixadas.
A Variável Mais Sombria: Supressão Doméstica
Embora a tecnologia seja fascinante, a sua existência levanta uma questão complexa que vai para além do campo de batalha: pode ser utilizada contra o próprio povo de um governo?
Tecnicamente falando, a física sugere que sim, o que suscita um debate ético necessário.
Vejamos como
a. Controlo Invisível de Multidões: Se um governo conseguir dirigir um feixe de energia que cause náuseas e vertigens incapacitantes para uma área específica, poderá dispersar um protesto sem disparar uma única bomba de gás lacrimogéneo ou bala de borracha.
b. A Repressão "Limpa": O perigo reside na falta de provas. Um feixe não deixa cápsulas de balas, hematomas ou hemorragias. Torna a dissidência fisicamente impossível, atacando o próprio sistema vestibular dos manifestantes. Transforma uma reunião política num evento médico de vómitos e tonturas, permitindo que as autoridades simplesmente prendam os participantes incapacitados.
c. A Derrapagem: Num clima político polarizado, a existência de um "botão da dor" que possa ser invisivelmente acionado representa um desafio significativo às liberdades civis, o que justifica o escrutínio público.
A Troca Estratégica: Dissuasão vs. Sigilo
Isto leva-me de volta a uma observação fundamental sobre a divulgação feita pelo Presidente. Em estatística, sabemos que, uma vez identificado um erro sistemático, este é corrigido. Uma lógica semelhante se aplica à estratégia de guerra.
A eficácia de uma arma como esta depende muito do elemento surpresa. Se o inimigo não sabe porque é que os seus foguetes estão a falhar ou porque é que os seus soldados estão a vomitar, não consegue adaptar-se. O pânico instala-se.
No entanto, ao mencionar explicitamente a arma e os seus efeitos, o Presidente sinalizou aos nossos adversários (especificamente a China, a Rússia, a Coreia do Norte e o Irão) exactamente o que temos. Isto cria uma dicotomia estratégica.
a. O Benefício: Atua como um poderoso fator dissuasor. Demonstra ao mundo que os EUA possuem tecnologia superior capaz de neutralizar as ameaças sem disparar um único tiro.
b. O Custo: Podemos ter revelado as nossas cartas em relação às especificações técnicas. Os adversários sabem agora que possuímos tecnologia HPM miniaturizada, capaz de ser implantada no terreno, e os efeitos biológicos específicos indicam as frequências que estamos a utilizar. É provável que estas nações acelerem a sua própria investigação em medidas de reforço e blindagem biológica.
O Escudo: Como Detê-lo?
Como a existência da tecnologia é agora pública, devemos presumir que as contramedidas já estão a ser desenvolvidas.
1. A Solução da Gaiola de Faraday
Para proteger os componentes eletrónicos, é necessário envolvê-los num escudo contínuo de material condutor, como cobre, alumínio ou aço. O conceito é tão simples que o aplico na minha própria garagem; guardo o comando da chave do meu carro numa pequena bolsa de Faraday para impedir que os infratores locais intercetem o sinal e roubem o meu veículo. No campo de batalha, os riscos são maiores, mas a física é idêntica. O escudo precisa de ser perfeito, pois até uma fenda do tamanho de uma moeda pode deixar passar a onda.
2. A Defesa “Galáctica”
A contramedida definitiva é a redundância mecânica. Os motores a diesel antigos com injeção mecânica de combustível, as miras óticas em vez de ecrãs digitais e os controlos hidráulicos sem computadores eletrónicos são imunes. Não se pode piratear uma alavanca de velocidades.
3. Proteção Pessoal
Os protetores auriculares comuns são inúteis porque o som é gerado dentro da cabeça. Os soldados necessitariam de capacetes feitos de materiais condutores com uma viseira de película dourada ou uma malha de arame fina sobre o rosto (semelhante à porta de um forno de micro-ondas) para bloquear a energia.
Reconhecendo a dificuldade de engenharia
De notar que estas armas não são varinhas mágicas. Como alguns observadores salientaram, as micro-ondas de alta frequência enfrentam problemas de “linha de visão”; folhagem, paredes espessas e humidade atmosférica podem dispersar o feixe. Isto implica que, se tal arma fosse utilizada, seria provavelmente lançada a curta distância ou com um sistema de mira altamente sofisticado, capaz de superar variáveis ambientais. Mas quem sabe?!
Conclusão
O “Descombobulador” representa uma mudança de paradigma. Estamos a passar da era da guerra cinética (balas e bombas) para a era da guerra espectral. É uma forma mais limpa, silenciosa e talvez mais perturbadora de lutar. Embora ofereça uma vantagem única para os Estados Unidos hoje, a confirmação da sua existência inicia uma nova contagem decrescente. Os nossos adversários correrão para o neutralizar, e a discussão global deve agora incluir as implicações de armas invisíveis que podem silenciar tanto os soldados como os civis.
Referências
- NATO Science & Technology Organization. (2024). From Disruption to Destruction: Assessing the Impact of High-Power Microwaves on Unmanned Aerial Vehicles. Link
- Frey, A. H. (1962). Human auditory system response to modulated electromagnetic energy. Journal of Applied Physiology, 17(4), 689–692. Link
- Lin, J. C. (2021). Auditory Effects of Microwave Radiation. Springer International Publishing. Link
- National Academies of Sciences, Engineering, and Medicine. (2020). An Assessment of Illness in U.S. Government Employees and Their Families at Overseas Embassies. The National Academies Press. Link
- Timmer, J. (2020, Dec 5). Covert microwave weapon “most plausible” cause of Cuba health attacks. Ars Technica. Link
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quarta-feira, 28 de janeiro de 2026
Mapeado: Como variam os preços das rendas nas principais cidades do mundo (valores em dólares)
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Este mapa compara os preços mensais de arrendamento de um apartamento de três quartos no centro das grandes cidades globais em 2025. Os dados para esta visualização são da Numbeo, via Deutsche Bank. O conjunto de dados da Numbeo é maioritariamente colaborativo, baseado em informações sobre o custo de vida enviadas por utilizadores de cidades de todo o mundo.
Análise
A nível global, a crise habitacional em 2026 não é um fenómeno isolado de Portugal, mas sim uma tendência que afeta grandes metrópoles e economias desenvolvidas. Embora as causas locais variem, existem macrotendências mundiais que explicam por que comprar ou arrendar casa se tornou um desafio global.
Aqui estão as principais causas a nível mundial:
1. Financeirização da Habitação
Este é um dos conceitos mais importantes em 2026. A habitação deixou de ser vista apenas como um direito social para se tornar um ativo financeiro.
Capital Global: grandes fundos de investimento internacionais compram milhares de imóveis para gerir carteiras de arrendamento, o que aumenta a competição com as famílias e inflaciona os preços.
Imóveis como Reserva de Valor: em tempos de instabilidade económica, investidores preferem "guardar" o dinheiro em imobiliário em cidades seguras (como Nova Iorque, Londres, Berlim ou Lisboa), muitas vezes mantendo as casas vazias apenas para valorização de capital.
2. Mudanças Demográficas e Urbanização
Urbanização Acelerada: a ONU estima que, até 2050, 70% da população mundial viverá em cidades. A procura concentra-se em centros urbanos com melhores empregos, enquanto as zonas rurais se desertificam.
Agregados Familiares Menores: há uma tendência mundial de as pessoas viverem sozinhas ou em famílias mais pequenas. Isto significa que são precisas mais casas para o mesmo número de pessoas em comparação com décadas anteriores.
Envelhecimento da População: em 2026, com os primeiros baby boomers a atingirem os 80 anos, há uma retenção de stock imobiliário por gerações mais velhas, dificultando a rotatividade para os mais jovens.
3. Choques nas Cadeias de Abastecimento e Custos
Materiais de Construção: os efeitos das crises geopolíticas globais e da pandemia elevaram o custo de materiais como o aço e o alumínio a níveis históricos. Construir uma casa nova custa hoje significativamente mais do que há 10 anos em qualquer parte do mundo.
Escassez de Mão de Obra: existe um défice global de trabalhadores qualificados na construção civil, o que atrasa projetos e encarece o produto final.
4. Políticas de "Zonamento" e Regulação
Restrições de Planeamento: em muitos países (especialmente nos EUA, Reino Unido e Canadá), leis de urbanismo restritivas impedem a construção de prédios altos ou de maior densidade, favorecendo moradias unifamiliares que ocupam muito espaço para pouca oferta.
Exigências Ambientais: embora necessárias, as novas normas de eficiência energética (edifícios de balanço nulo) aumentam o custo inicial da construção, que é invariavelmente passado para o consumidor.
5. Fenómeno dos "Nómadas Digitais"
A tecnologia permitiu que trabalhadores de países com salários altos (como EUA ou Alemanha) se mudassem para países com custo de vida mais baixo.
Gentrificação Transnacional: isto cria uma pressão de preços em cidades de "acolhimento" (como Cidade do México, Banguecoque ou Madrid), onde os residentes locais, com salários nacionais, não conseguem competir com o poder de compra estrangeiro.
O Ciclo Imobiliário de 18 Anos
Alguns economistas apontam que estamos a chegar ao pico do Ciclo de Kuznets (um ciclo imobiliário que dura cerca de 18 anos). Segundo esta teoria, 2026 seria um ano de tensão máxima antes de uma potencial correção ou estagnação global, devido ao desajuste extremo entre os preços e os rendimentos reais.
terça-feira, 27 de janeiro de 2026
Belle and Sebastian - We Rule the School
O mesmo tema muito adequado ao filme de François Truffaut "Os Quatrocentos Golpes", ou também conhecido por "os Incompreendidos", 1959: cena final
Letra
On a beech tree rudely carved
NC loved me
Why did she do it?
Was she scared?
Was she bored?
On a beech tree rudely carved
NC loved me
Why did she do it?
Was she scared?
Was she pushed?
Do something pretty while you can
Don't fall asleep
Skating a pirouette on ice is cool
Do something pretty while you can
Don't be a fool
Reading the gospel to yourself is fine
On a bus stop in the town
We rule the school
Written for everyone to read and see
On a bus stop in the town
We rule the school
Written for everyone with eies in their head
Do something pretty while you can
Don't fall asleep
Driving from California to New York
Call me a prophet if you like
It's no secret
You know the world is made for men
Not us
We Rule the School é uma das faixas mais delicadas e introspectivas do álbum de estreia da banda, Tiger Milk (1996).
A música 'We Rule The School' da banda Belle and Sebastian é uma reflexão poética sobre a juventude, a rebeldia e a busca por significado em um mundo que muitas vezes parece indiferente. A letra começa com a imagem de uma árvore de faia onde alguém esculpiu 'NC loved me'. Essa ação, aparentemente impulsiva e talvez sem sentido, levanta questões sobre as motivações por trás dela: medo, tédio ou pressão. Essa metáfora inicial já estabelece um tom de introspecção e questionamento que permeia toda a música.
A repetição da frase 'Do something pretty while you can' sugere uma urgência em aproveitar a beleza e a criatividade enquanto se é jovem. A juventude é retratada como um período efémero, onde há uma janela de oportunidade para fazer algo significativo antes que a rotina e as responsabilidades da vida adulta tomem conta. A menção a atividades como patinar no gelo e ler o Evangelho para si mesmo reforça a ideia de encontrar beleza e propósito em ações simples e pessoais.
O refrão 'We Rule The School' escrita num ponto de ónibus na cidade simboliza a rebeldia e a afirmação de identidade dos jovens. (Nós mandamos na escola) é irónico. Refere-se àqueles estudantes que não fazem parte do grupo "popular", que ficam nos cantos, observando tudo. Na mente deles e no seu pequeno círculo de amizades, eles possuem um mundo próprio que é superior à futilidade ao redor.
É um grito de autonomia e poder num mundo que, como a música sugere, é feito para os homens e não para 'nós', possivelmente referindo-se a jovens, mulheres ou qualquer grupo marginalizado. A repetição da linha 'You know the world is made for men' enfatiza a crítica social e a sensação de exclusão. No entanto, a música também carrega uma mensagem de esperança e resistência, incentivando os jovens a fazerem algo bonito e significativo enquanto podem.
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