quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Memórias de um futuro possível

É difícil, para não dizer impossível, sermos otimistas nos tempos que vivemos. As bombas caem em tantas partes que não se pode ter qualquer certeza relativamente à segurança do nosso teto. E acima de tudo, a gratuitidade e a facilidade com que se mobilizam recursos para romper o acordo tácito de muitas décadas relativamente ao imperativo de se manter a paz e respeitar os direitos humanos é inquietante. Esta situação está em óbvia contradição com a estabilidade necessária para respondermos aos verdadeiros desafios do nosso tempo: o combate às causas e a mitigação e adaptação às consequências das alterações climáticas, que já assolam milhões de seres humanos e tem causado um extinção em massa de espécies; a necessidade de desencadear medidas para aplainar as desigualdades sociais de modo a estabelecer um espírito coletivo de justiça e solidariedade; o imperativo ético estender os benefícios do conhecimento científico para melhorar a vida e a saúde de todos os povos e garantir um desenvolvimento socioeconómico justo e harmonioso a nível internacional.
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