domingo, 12 de novembro de 2017

10 mil folhas


"Um nevoeiro de oxigénio toca-te
O suave Astro de milénios em ti interliga aromas matinais
num limpo chão de silêncio de urtigas e fetos e raposas e texugos
rochedos vergam-se e perto líquenes remotíssimos
Ao longe impérios de bitcoins e refugiados de clima
Nem percebes que será a praga
Não a praga que habitualmente pedias ajuda a um simples
chapim real que te livrava do insecto e ficavas boa de novo
Uma praga real
Não é um muro, já tem fundos encrustados de plásticos no fundo dos oceanos e metais pesados nos rios e chuvas ácidas que te pesam e intoxicam a água que corre nas seivas.
Resistirei, perguntas?, resistiremos?"
João Soares, 12.11.17

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Judith Butler - Caminhos divergentes




Criticar Israel não é ser antissemita. 53% dos judeus que afirmam sua judaicidade não dão apoio ao Estado de Israel e sobretudo ao Likud. Israel deveria ser um estado democrático e que dissolvesse a dominação colonial do povo palestino em Gaza e na Cisjordânia. Recomendo este livro.

Figura pop associada à teoria queer, Judith Butler contribui num campo de estudo muito mais amplo do que apenas o da identidade de género. Em Caminhos divergentes, a partir de uma urgência pessoal, Butler retoma e corrobora uma das últimas ideias de Edward Said - a ideia de que é possível forjar um novo éthos para uma solução uniestatal se considerarmos a despossessão palestina em relação às tradições diaspóricas judaicas. Butler usa as posições filosóficas judaicas para articular uma crítica do sionismo político e suas práticas de violência estatal ilegítima, nacionalismo e racismo patrocinado pelo Estado. Além de Said, reflete sobre o pensamento de Emmanuel Levinas, Hannah Arendt, Primo Levi, Martin Buber, Walter Benjamin e Mahmoud Darwish para articular uma nova ética política, que transcenda a judaicidade exclusiva e dê conta dos ideais de convivência democrática radical, considerando os direitos dos despossuídos e a necessidade de coabitação plural.

E-Livro aqui

Caminhos Divergentes: judaicidade e crítica ao Sionismo

Robin Wall Kimmerer - Reciprocity


O tema de conferência deste ano é “Ciência, História e Justiça”. Kimmerer falará como botânica e como uma mulher nativa que aprendeu sobre plantas através das histórias dos seus antepassados ​​e das explorações inquisitivas da infância. Os tópicos irão explorar a forma como a linguagem cria justiça e injustiça à medida que se desdobra em diversas formas de conhecimento — desde a análise científica às narrativas multiculturais.
Robin Kimmere é directora do Center for Native Peoples and the Environment

A conferência contará com visitas à região de Headwaters, interação com o público e debates, bem como oradores interessantes como Robin Wall Kimmerer, Devon Peña, Mistinguette Smith (do Black/Land Project), Aaron Abeyta, Michael Howard (do Eden Place Nature Center de Chicago) e Gavin Van Horn (todos os quais participam na nova antologia Wildness: Relations of People and Place).

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Al Gore: Nada Pode Deter a Revolução Verde


Com o seu documentário de 2006, Uma Verdade Inconveniente, Al Gore,  o antigo vice-presidente dos Estados Unidos, garantiu a atenção do público para a ameaça das alterações climáticas. Este julho, estreia nos cinemas An Inconvenient Sequel. Gore, 69 anos, diz que a fasquia está mais elevada, mas as soluções são mais claras.

Quais acha serem os mal-entendidos do público relativamente às alterações climáticas?
Penso que a grande maioria das pessoas entende que as alterações climáticas são um desafio extremamente importante, que os seres humanos são responsáveis por isso e que temos de agir rapidamente e de forma decisiva para conseguir resolver o assunto. Os argumentos mais persuasivos vieram da Mãe Natureza. Os eventos meteorológicos extremos são cada vez mais frequentes e severos, e é cada vez mais difícil ignorar o que está a acontecer. E mesmo aqueles que não querem utilizar as palavras “ aquecimento global” ou “crise climática” estão a encontrar maneiras de dizer, “sim, temos de mudar para energia solar, eólica, baterias, carros elétricos e por aí a diante”. Temos tanto em risco.

Porque surgiram divergências políticas tão acutilantes sobre as alterações climáticas?
Há um antigo ditado popular no Tennessee que diz: “se vires uma tartaruga no cimo do poste de uma vedação, podes ter a certeza de que não chegou ali sozinha”. Uma maioria determinada – com apoio financeiro ativo de alguns dos grandes poluidores de carbono – atrasou o progresso durante uns tempos. Utilizaram o poder dos lobbies e ameaças de financiar opositores, utilizaram as mesmas técnicas que já vimos utilizar no passado pelas grandes tabaqueiras para criar falsas dúvidas. Todos nós somos vulneráveis ao que os psicólogos chamam “negação”: se alguma coisa é desconfortável, é mais fácil afastá-la, é mais fácil não nos envolvermos. Mas a solução é ouvir e aproximarmo-nos das pessoas a partir de onde elas estão.

Disse publicamente que a saída do Acordo de Paris sobre as mudanças climáticas preconizada pela Administração Trump era uma “ação irresponsável e indefensável.” Qual é o caminho agora?
Mesmo que Trump consiga eliminar medidas que ajudem os EUA a reduzir as emissões, os desenvolvimentos no mercado — como a queda continuada do custo da eletricidade renovável — fazem com que os EUA possam atingir os objetivos definidos para os EUA no Acordo de Paris não obstante as ações de Trump. A Califórnia e Nova Iorque estão a progredir mais rapidamente do que o exigido pelo Plano de Energia Limpa. E há um número crescente de cidades que está a progredir ainda mais rapidamente. Além disso, a comunidade empresarial está muito à frente da comunidade política e muitas empresas orientadas para o consumo estão a prometer usar energia 100% renovável.

E o papel da China?
A China está a evoluir de forma bastante impressionante. Este é o quarto ano em que regista uma redução de emissões de dióxido de carbono e o terceiro em que apresenta uma queda no uso de carvão. No final deste ano, vai implementar um teto para as emissões e um plano de comércio. É líder mundial no fabrico de painéis solares e de turbinas eólicas, comboios rápidos e redes elétricas inteligentes. A China mostrou uma liderança forte neste tema.

O documentário Uma Verdade Inconveniente teve uma enorme ressonância em 2006 e ajudou a que se atingisse um momento de viragem no que respeita à sensibilização para as mudanças climáticas. Porque acha que isto aconteceu?
Dou grande parte do mérito a David Guggenheim, realizador do filme. Sinto-me envergonhado ao admitir que não achava que fazer o filme fosse boa ideia. Não acreditava que fosse possível transformar uma apresentação de diapositivos num filme. Mas ele convenceu-me e fez um trabalho fantástico.

O primeiro filme juntava partes de uma série de estudos científicos que mostravam que era preciso tomar medidas para parar o aquecimento global de responsabilidade humana, pelo que se tratou de uma feliz confluência de acontecimentos. Mas, depois, os grandes poluidores de carbono congregaram-se e começaram a aplicar muito mais dinheiro em campanhas de negação das mudanças climáticas e em argumentos pseudocientíficos falsos e, ajudados pelas contribuições e pelo dinheiro de grupos de pressão, conseguiram travar os progressos. Mais recentemente, voltamos a tomar as rédeas da iniciativa.

Qual é o seu objetivo neste novo filme, An Inconvenient Sequel?
O meu principal objetivo é contribuir para a dinâmica atual. Cem por cento dos proveitos do filme, e do livro, que estamos a fazer serão destinados à formação de mais ativistas do clima. Foi também o que aconteceu com o primeiro filme.

No novo filme, uma cena muito forte mostra o Al Gore a visitar a cidade conservadora de Georgetown, no Texas, onde o presidente da câmara republicano, Dale Ross, tem vindo a encetar esforços para que a cidade dependa de energia 100 por cento renovável. Parece que se deu muito bem com Ross. Como é que isso aconteceu?
A ligação foi estabelecida do ponto de vista humano, apesar de pertencermos a partidos diferentes. Ele é contabilista certificado, pelo que consegue perceber claramente o dinheiro que os cidadãos da cidade a que preside poderiam poupar se desse o arrojado passo de usar eletricidade 100% renovável. Esta oportunidade de poupar o dinheiro das pessoas e, ao mesmo tempo, reduzir a poluição está a ficar disponível em todo o mundo.

Qual é o segredo para trabalhar com pessoas que podem não concordar consigo em muitos aspetos?
Bem, é preciso ouvir as pessoas e falar com elas tendo em conta aquilo que pensam naquele momento. Acho que à medida que fui envelhecendo fui aprendendo a fazê-lo um pouco melhor. A Mãe Natureza é uma grande aliada quando tentamos convencer as pessoas sobre a seriedade de tudo isto, mas o mercado também o é.

No novo filme, diz que considera as recentes contrariedades na causa climática um fracasso pessoal. Pode explicar-nos porquê?
Houve momentos em que pensei que poderia ter feito mais. Se nos dedicamos a algo e não vemos o objetivo a concretizar-se, temos a tentação de pensar que talvez tenhamos falhado. Em alguns momentos mais sombrios da última década, não consegui deixar de pensar que estávamos a perder esta batalha. Não é o que penso neste momento. Acredito que vamos vencer esta luta.

Alguns ambientalistas dizem que é o mensageiro errado na causa do clima devido à sua filiação e história partidária, tal como Hillary Clinton pode ter sido a mensageira errada em novembro último. Dizem que o Al Gore afasta muitas pessoas. O que tem a dizer sobre isso?

A ciência social refuta esse argumento. O que fez crescer o negacionismo climático foi a grande recessão de 2008 e as despesas cada vez maiores dos partidários do negacionismo. Recentemente, verificou-se um regresso aos níveis de apoio público à ação sobre a crise climática que se registaram depois do lançamento de Uma Verdade Inconveniente.

O que é que o assusta mais no futuro?
Embora estejamos a vencer esta luta, não o estamos a fazer tão rapidamente quanto necessário. A acumulação continuada de poluição humana causadora de aquecimento global vem aumentar os danos que irão repercutir-se no futuro. Algumas das mudanças não são recuperáveis. Não podemos simplesmente ligar o interruptor e reverter o derretimento dos grandes mantos de gelo.

O que lhe dá esperança para o futuro?
Há muitas pessoas pelo mundo a trabalhar sobre esse assunto e isso deixa-me muito otimista. Seria uma grande ajuda ter políticas e leis que acelerassem a nossa resposta. Mas as forças dos mercados estão a trabalhar a nosso favor. A energia solar, a energia eólica e outras energias estão a ficar cada vez mais baratas e melhores. Mais cidades e empresas se estão a converter às energias 100% renováveis. Acredito que não há nada que possa deter a revolução da sustentabilidade.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

The model for recycling our old smartphones is actually causing massive pollution

Millions of new iPhones will be sold this month. What really happens to the millions that get thrown out?


This fall, iPhone 8s and Xs are hitting shelves across North America, setting in motion that most time-honored of rituals — the smartphone funeral.

Around 1.5 billion phones are sold a year, which means about as many get the heave-ho. With little ceremony, we shove them into drawers or pack them away into boxes.

Occasionally, we might just throw them away. We feel sheepish about it, and for good reason: Once trashed, they end up in landfills, leaching toxic chemicals into the soil. In fact, electronics account for up to 70 percent of landfills’ toxic waste.

To avoid this guilt, we try to take our phones — not to mention all those broken printers, dead Fitbits and cracked iPads — to recycling centers. Driving away after such a drop-off feels good: We did the responsible, eco-friendly thing.

But what happens to these devices after we leave? The answer is complicated and, in most cases, far from eco-friendly. Welcome to the murky world of e-waste “recycling,” a.k.a. the sordid afterlife of your smartphone.

The myth of e-waste “recycling”

If the recycler is a reputable organization, it first checks to see whether your electronics can be refurbished and reused. If so, they’ll be scrubbed of data (hopefully) and either donated or resold on the secondary market. Devices that won’t sell in the U.S. are typically shipped to distributors in South America or Asia. (Remember the Motorola Razr? Long after its popularity faded, there was a booming market for it in Latin America.)

Only when it’s cheaper for companies to reuse component parts — rather than manufacturing from scratch — will our old phones truly meet a better fate.

If the electronics are past the point of no return, they’re sent to recycling plants and put through powerful, all-purpose shredders. Metal components are then shipped to one of a handful of registered smelters, where they’re melted down. A few precious metals from the circuit boards, including gold and palladium, are recovered from the molten liquid, but the vast majority of materials are left to burn, releasing chloride, mercury and other vapors into the atmosphere.

But smelting is still a “good” option, if only because the alternatives are far worse. For nearly every above-board recycler, there’s a corresponding organization that makes money by collecting e-waste, packing it into shipping containers and selling it through a shadowy network of middlemen to scrapyards in countries such as China, India, Ghana and Pakistan.

The environmental cost of such a transaction is high — but the human cost is higher. Walk the streets of e-graveyards like Agbobloshie in West Africa or similar sites in Asia or another part of the developing world, and you’ll see hundreds, if not thousands, of microentrepreneurs, essentially cooking printed circuit boards to extract the metals within. From experience, I can say that the smell in the air is dizzying, and sticks in your nostrils and throat for days.

In the process, these workers are exposed to nickel, cadmium and mercury, among other toxic fumes, which leak into the surrounding air, ground and drinking water. This can lead to a wide variety of serious, sometimes life-threatening health problems, including cancers and birth defects.

Searching for a better afterlife for our smartphones

Environmental and human costs aside, there’s another glaring problem with how we currently treat end-of-life electronics. When we toss our gadgets in the trash, the gold in the circuit board goes with them. Though the amounts in any one phone are minute, the aggregate adds up: It’s estimated that the gold in the world’s e-waste equals as much as 11 percent of the total amount mined each year — literally millions of pounds of gold chucked in the garbage.

In response to these concerns, some manufacturers and retailers are starting to take steps in the right direction. Apple, Samsung, Best Buy and Amazon incentivize consumers to return old devices in exchange for cash or gift cards. (Hand over a non-cracked iPhone 6, for example, and you’ll get $145.) Yet one of the big obstacles remains technology. The trace amounts of minerals inside a typical phone simply don’t justify the enormous expense of extraction.

Our best hope lies in a much bigger shift in perspective: Having manufacturers design expressly with reusability in mind. This cradle-to-cradle approach to production is a cornerstone of the circular economy movement. Apple and other companies, for instance, have come under pressure to make screens, batteries and other components easier to replace and upgrade. “Fair trade phones,” with modular components, are still a novelty but gaining a foothold. A loftier goal: Smartphones that separate into component parts at the touch of a button, freeing up materials to reenter the supply chain.

The tipping point, as is often the case, will come down to economics. Only when it’s cheaper for companies to reuse component parts — rather than manufacturing from scratch—will our old phones truly meet a better fate. In the meantime, nearly 100 million pounds of toxic e-waste is generated each year. As a new wave of iPhones (not to mention Galaxies and Huaweis) floods the market, it’s time we found a way to let our old phones rest in peace, once and for all.

Peter Holgate is a circular-economy thought leader and the founder of Ronin8 Technologies. Reach him @peterjholgate

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Documentário: A Um Passo da Loucura


O Punk-Rock, frequentemente apontado como filho bastardo ou nota de rodapé do género musical Pop-Rock, nasceu de um intercâmbio (sub)cultural e informal estabelecido em finais da década de 70 do século XX por personagens sobejamente conhecidos que se movimentaram nos espaços de metrópoles como Londres, Nova Iorque, Brisbane ou Manchester.

Assim que o puto ranhoso Punk foi parido, foram muitos, incluindo alguns dos seus principais atores, os que se apressaram a declarar a sua morte. Só que este "morto-vivo sónico" rapidamente se espalhou pelos quatro cantos do mundo. Portugal não foi exceção, assim que explodiu lá fora na "estranja" - os seus fragmentos, qual satélite desgovernado fora de órbita, aterraram por cá. E passados mais de 30 anos teimam em não desaparecer.

O documentário da Antena 3, intitulado "A Um Passo da Loucura", explora as origens e o impacto da primeira vaga do punk em Portugal no final dos anos 70. O vídeo conta com os testemunhos de figuras centrais do movimento, com grande destaque para o lendário radialista António Sérgio, conhecido pela sua influência no programa Som da Frente e pela edição de discos fundamentais, e Paulo Gonzo, que muito antes da sua carreira na música pop foi o carismático vocalista dos Aqui d'el-Rock, a banda pioneira do punk rock português fundada em 1977. Juntam-se a eles membros de outras bandas históricas do circuito nacional, como Os Faíscas, os Minas & Armadilhas e os Raios e Coriscos.

Neste debate, os intervenientes recordam como o movimento nasceu num Portugal pós-25 de Abril, marcado por uma enorme ressaca política e sede de liberdade, mas onde o país ainda se encontrava culturalmente muito isolado. Eles discutem as dificuldades em obter informação na altura, relembrando como os primeiros discos de bandas como Sex Pistols e Ramones chegavam a conta-gotas, muitas vezes trazidos em viagens de amigos a Londres ou Paris, e como a rádio foi o motor crucial para espalhar essa nova sonoridade. Aborda-se também o choque visual e geracional que o punk provocou na sociedade conservadora da época, com relatos divertidos e nostálgicos sobre a reação dos pais e dos vizinhos às roupas rasgadas, aos alfinetes e aos cabelos curtos.

Um dos pontos mais debatidos é a filosofia do "faça você mesmo". Os músicos enfatizam que, no início, quase ninguém sabia tocar ou cantar, e que o verdadeiro foco era a descarga elétrica, a energia pura e a urgência de comunicar, relegando a técnica musical para segundo plano. Relembram os primeiros concertos caóticos em locais improvisados, como o Liceu Camões, onde o público não sabia bem o que esperar e onde a violência física e a destruição de material faziam parte da performance. Por fim, o painel reflete sobre a curta duração desta primeira vaga, explicando como muitas bandas rapidamente desapareceram ou transitaram para a New Wave e para o Rock em Portugal no início dos anos 80, transformando o espírito destrutivo inicial numa abordagem musical mais sofisticada e integrada na indústria.

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Rúnahild - Seidrúnar

Melhor som aqui
Rúnahild é uma artista francesa radicada nas florestas do oeste da Noruega, cuja ligação profunda com as paisagens e a cultura escandinava moldou toda a sua trajetória artística. O projeto solo Seidrúnar nasceu em 2014, sucedendo a sua antiga banda Eliwagar, marcando uma transição para uma sonoridade ainda mais íntima e espiritual. O estilo musical de Seidrúnar transita entre o Nordic Folk, o Ambient Folk e o Ritual Ambient, utilizando instrumentos tradicionais nórdicos, como a kraviklyra e tambores xamânicos, combinados com gravações de campo dos elementos da natureza.

Nos seus videoclipes, a estética visual carrega um significado puramente contemplativo e ritualístico. As imagens captadas nas florestas e fiordes noruegueses funcionam como uma extensão do som, simbolizando a reconexão com a ancestralidade, a solitude consciente e o respeito pelos ciclos da Terra. Vocalmente, a artista faz um uso marcante de melismas, desdobrando uma única sílaba em múltiplas notas para criar vocalizações hipnóticas. Inspirado em técnicas como o kulning (canto tradicional de pastoreio nórdico), esse recurso transcende a necessidade de letras convencionais, utilizando a voz como um instrumento de transe e encantamento.

Suas influências musicais bebem da música folclórica escandinava tradicional e do ecossistema do pagan folk moderno, além de guardar nuances da estética atmosférica do metal pagão. No campo filosófico, Seidrúnar é fortemente guiado pelo animismo, pelo neopaganismo nórdico e pela própria prática do Seiðr - a antiga magia xamânica nórdica. Essa visão de mundo reflete uma ecologia espiritual profunda, onde a criação musical surge como uma forma de meditação, cura e sintonia com os espíritos da natureza.

Página Oficial
Rúnahild

Dia Mundial da Poupança



O Dia Mundial da Poupança celebra-se anualmente a 31 de outubro.

Origem da data

O Dia Mundial da Poupança foi criado com o intuito de alertar os consumidores para a necessidade de disciplinar gastos e de amealhar alguma liquidez, de forma a evitar situações de sobre-endividamento.

A ideia de criar uma data especial para promover a noção de poupança surgiu em outubro de 1924, durante o primeiro Congresso Internacional de Economia, em Milão. Todos os anos são organizadas diferentes atividades neste dia. Os eventos deste dia podem ser conhecidos no site oficial da data.

Poupança em tempos de crise

Muitos portugueses alegam que não fazem qualquer tipo de poupança, diária, semanal, mensal ou anual. Em outubro de 2015 tinham chegado à DECO 26.035 pedidos de famílias sobre-endividadas.

Contudo, alguns estudos mostram que é em períodos de crise que se registam os maiores índices de poupança. Empresas e famílias portuguesas fazem esforços para reduzir custos e conseguir poupar.
Ferramentas de poupança

Para auxiliar e facilitar a poupança, existem cada vez mais ferramentas e técnicas de poupança, fornecidas por entidades bancárias, governos e economistas. Para ajudar à poupança existem várias aplicações financeiras gratuitas que podem ser instaladas no smartphone. Na internet encontra também vários sites destinados à poupança.

Monsanto and Co: From seven to four – growing by shrinking

Mergers galore: Bayer wants to buy Monsanto and become the world’s largest producer of seeds and agrochemicals. All top rivaling companies are pairing up. ➢ Download the Agrifood Atlas with facts and figures about the corporations that control what we eat.


Seven companies currently dominate the global production of pesticides and seeds, a key sector in agriculture. But this oligopoly will shrink if the EU and US competition authorities give their green light. The two US corporations DuPont and Dow Chemical have merged, ChemChina has bought the Swiss company Syngenta, and the German chemical giant Bayer is going to take over the US company Monsanto. Three newly-formed conglomerates would dominate more than 60 percent of the market for commercial seed and agricultural chemicals. They would manage the supply of almost all the genetically modified plants on this market. They would also own the majority of patent applications for intellectual property rights for plants at the European Patent Office.

Bayer and Monsanto planing a turnover of 120 billions
The new Bayer-Monsanto would be the world’s largest agricultural corporation, holding one-third of the global market for commercial seed and a quarter of the market for pesticides. Bayer has agreed to buy Monsanto for US$ 66 billion. Bayer-Monsanto and DuPont-Dow will remain on the stock market, and will continue to be accountable to their shareholders. The management of DuPont-Dow plans to split the new group into three listed companies, one of them an independently operating agrochemicals company. ChemChina, a state-owned firm that is China’s biggest chemicals producer, has also agreed to pay an eleven-digit figure, US$ 43 billion, for Syngenta. Along with Syngenta’s pesticide and seed production, ChemChina, already a producer of non-patented chemicals, will gain an enormous amount of knowledge on genetic engineering despite resistance by many Chinese about using this technology in farming, and doubts over whether the Chinese government will support the introduction of genetically modified plants. Whether Syngenta’s new owners will list parts of the company on the stock exchange is unclear.

Bayer is financing the takeover of Monsanto with US$ 57 billion of loans. Its board argues that the enormous potential of global agricultural markets justifies the price, and taking on so much debt. It expects the global turnover of seed and pesticides to increase from US$ 85 billion in 2015 to US$ 120 billion in 2025. For comparison: in 2015 Bayer and Monsanto had a turnover of US$ 25.5 billion and a profit of US$ 5 billion.

No other company has swallowed more competitors in the seed sector than Monsanto
Bayer AG, the world’s tenth largest chemicals manufacturer, has expanded into seeds by acquiring other companies. It has joined the league of large multinational seed corporations, following in the footsteps of other chemicals companies. Five of the world‘s seven largest seed producers come originally from the chemical industry: Monsanto, DuPont, Syngenta, Dow and Bayer.

No other company has swallowed more competitors in the seed sector than Monsanto. This corporation began buying up seed producers around the world in the 1990s and now dominates a quarter of the world’s commercial seed market. It owns rights to most of the genetically modified plants, but also sells many conventional seeds, in particular vegetables. Monsanto’s presence is difficult to detect because the companies it controls often keep their original name; Monsanto’s logo rarely appears on a seed package in Europe.

The narrowing of the oligopoly from six or seven to three members will bring Bayer-Monsanto, DuPont-Dow and ChemChina-Syngenta closer to their objective of dominating seed and pesticide markets and dictating products, prices and quality standards. All three groups are pursuing the strategy of ousting other suppliers and eliminating competitors, if necessary through acquisitions.
Bayer could soon become the world’s number one in the seed and pesticide sector

Thirty national antitrust authorities worldwide are analysing these mega mergers. The European Commission has ruled that DuPont must sell off some of its pesticides as well as its research and development branch. To squeeze past the regulators Bayer is forced to sell off its South African business in genetically modified cotton, as well as its Liberty Link crops and chemicals.

Other corporations want to benefit from the wave of mergers by buying up business segments that the merging companies have to sell off. US-based FMC, formerly known as Food Machinery and Chemicals Corporation, has benefited from the Dow-DuPont scraps, buying some of their pesticides and research departments, making them currently the 5th largest valued pesticide producer in the world. The German company BASF is also buying sell-offs from the mergers.

The bigger a multinational, the more power it has to lobby politicians and to influence legislation. Bayer could soon become the world’s number one in the seed and pesticide sector. The group is under pressure because of its high debt, but is certain of the support of Germany, Europe’s economic giant.

A risk is that the new German global player and its political allies could target the fundamental achievements of EU legislation. These include the principle that the safety of pesticides must be demonstrated before they can receive EU approval: i.e., they do not cause cancer, affect reproduction, damage embryos or the hormone system. Bayer is likely to try to alter the licensing and labelling requirements of genetically modified plants, portraying these rules as obstacles of growth and trade. Big tasks lie ahead: Whoever secures genetic material through patents will control the seed sector and will influence agriculture, food production – and ultimately world food security.

» You can download the entire Agrifood Atlas here.

Imagens e fonte da notícia aqui

terça-feira, 24 de outubro de 2017

A Semana do Desarmamento - Semana Mundial da Paz



A Semana do Desarmamento/Semana Mundial da Paz, criada pela Organização das Nações Unidas (ONU), é realizada em todo o mundo entre 24 e 30 de outubro, anualmente. No Brasil, projetos legislativos e propostas no Congresso tentam alterar o Estatuto do Desarmamento. Mas não é somente o brasileiro que debate a questão, os americanos também voltaram a discutir o assunto após a tragédia em Las Vegas, onde um atirador matou 59 pessoas.

Para a Organização das Nações Unidas (ONU), a necessidade de uma cultura de paz e de uma redução significativa de armas no mundo nunca foi tão grande “e ela se aplica a todos os tipos de armas”. Para conscientizar o mundo a respeito dessa necessidade, a Assembleia Geral da ONU proclamou a Semana do Desarmamento.

A ONU também ressalta que o custo humano e material das armas convencionais também é alto. “De pelo menos 640 milhões armas de fogo licenciadas em todo o mundo, aproximadamente dois terços estão nas mãos da sociedade civil. O comércio legal de armas de pequeno calibre excede quatro bilhões de dólares por ano. O comércio ilegal é estimado num bilhão de dólares. E essas armas convencionais, como as minas terrestres, causam destruição da vida e da integridade física, que continua por anos após os conflitos terem acabado”, afirma a organização internacional.

Para o ex-presidente dos Estados Unidos, Dwight D. Eisenhower, e comandante geral das Forças Aliadas durante a 2ª Guerra Mundial, “cada arma produzida, cada navio de guerra lançado ao mar, cada foguete disparado significa, em última instância, um roubo àqueles que têm fome e não são alimentados, àqueles que estão com frio e não têm o que vestir. O custo de um moderno bombardeiro pesado é este: a construção de uma moderna escola em mais de 30 cidades”.

Desde o nascimento das Nações Unidas, em 1945, as metas do desarmamento multilateral e da limitação de armas são consideradas fundamentais para a manutenção da paz e da segurança no mundo todo. Estas metas significam: redução e eventual eliminação das armas nucleares (recentemente, foi assinado um acordo na ONU entre 43 chefes de Estado proibindo armas nucleares); destruição de armas químicas; fortalecimento da proibição contra armas biológicas; suspensão da proliferação de minas terrestres e de armas leves e de pequeno calibre, entre outros objetivos.

A ONU aborda questões do desarmamento continuamente, além de trabalhar frequentemente para implementar acordos específicos de desarmamento entre partes em conflito. As missões de paz das Nações Unidas também utilizam a estratégia do desarmamento preventivo, que procura reduzir o número de armas de pequeno calibre em regiões de conflito.

A organização afirma que é plenamente consciente da relação direta entre desarmamento e desenvolvimento. “Podemos fazer progressos significativos em direção aos objetivos de desenvolvimento do milénio se alguns destes recursos (usados em gastos militares e seus armamentos) fossem redirecionados para esforços para o desenvolvimento económico e social. Num momento de elevação dos preços de alimentos e combustíveis e de incertezas na economia global, o mundo não pode ignorar o potencial de desenvolvimento do desarmamento e da não proliferação”, disse o secretário-geral Ban Ki-moon.

E-Livro: Primavera Silenciosa- Silent Spring, de Rachel Carson




domingo, 22 de outubro de 2017

Um dia, um minuto, nada mais

"Doença grave
Tudo muda 
a morte o adeus
Então?
Previne-se e alerta-se e adiamos 
e ajudamos os outros e ganhamos dias
somos melhores
a morte 
beija uma rosa em todos os lugares
o pardal do café é o pardal do Chateau do Loire
a avestruz é o patinho feio de todas as fábulas
visita o doente, calça os sapatos do outro, vive a vida da baleia
descansa o irritado e sorri sempre 
a vida é breve e dos simples e dos amigos e da Matemática e do Cosmos
a vida é da natureza
a natureza rebenta a nossos pés 
as cinzas dos incêndios
devolve-as nas nossas praias
como lágrimas das vítimas de todos os seres humanos e não humanos"

João Soares, 22.10.17

sábado, 21 de outubro de 2017

Novelas Gráficas em Ciências Naturais


Os alunos de hoje em dia, por nascerem rodeados por tecnologias são chamados “nativos digitais”. 
A integração dessas tecnologias no ensino tem sido um desafio para as escolas e professores. Integrar as mesmas nas atividades investigativas é uma das soluções. 
Estas permitem envolver os alunos no mundo que os rodeia, desenvolvendo nos mesmos um conjunto de competências ao nível do conhecimento, raciocínio, comunicação e atitudes. 
Estas competências são importantes para estimular a literacia científica dos alunos, tornando-os cidadãos críticos e conscientes das suas decisões. 
Para fortalecer a literacia científica dos alunos há que dotá-los de conhecimentos acerca de alguns aspetos da Natureza da Ciência, de forma a que percebam como se constrói o conhecimento científico. 
Tendo em conta este contexto realizou-se um estudo investigativo para compreender de que forma as novelas gráficas pedagógicas contribuem para a compreensão de alguns aspetos da Natureza da Ciência, no contexto da realização de atividades práticas, com alunos do 11.º ano de escolaridade. Neste estudo participaram 27 alunos de uma escola em Lisboa, com idades compreendidas entre os 15 e os 17 anos. 
A temática lecionada insere-se na componente de Geologia, intitulando-se «A preservação do registo da evolução biológica». 
De forma a dar resposta à componente investigativa do estudo, recorreu-se a uma metodologia de natureza qualitativa e interpretativa. Os dados foram recolhidos através da observação participante das aulas e da análise de documentos produzidos pelos alunos, de questionários e da entrevista à professora cooperante. A análise dos dados sugere que a maioria dos alunos, com a discussão em aula e a produção das novelas gráficas pedagógicas, compreendeu os aspetos da Natureza da Ciência abordados e desenvolveu competências ao nível do conhecimento processual e substantivo, raciocínio, comunicação e atitudes. 
Os dados indicam igualmente, que os alunos apresentaram maiores dificuldades ao nível da generalização dos aspetos da Natureza da Ciência, bem como na gestão do tempo para a realização do trabalho. Os alunos apreciaram as atividades que realizaram e demonstraram envolvimento, gosto e empenho na sua realização.

Saber mais:
  • Novelas gráficas pedagógicas na compreensão de aspetos da natureza da Ciência – um estudo com alunos do 11.º ano de escolaridade- descarregar
  • A Novela Gráfica: uma interessante ferramenta didáctica - descarregar

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Stefano Mancuso: Nunca mais duvidará da inteligência das plantas!

‘Armagedon ecológico’: grande declínio de insetos voadores coloca humanidade em risco


Que a população de insetos voadores na Terra – como a das borboletas, por exemplo – está em declínio, não é novidade para os pesquisadores, que acompanham passo a passo suas trajetórias. Mas estudo recente, realizado por pesquisadores em reservas naturais na Alemanha, revela que 1/4 desses insetos desapareceram num período de 25 anos, o que traz e trará implicações gravíssimas para a vida humana.

A pesquisa foi publicada na revista Plos One e baseia-se no trabalho de dezenas de entomologistas amadores da Alemanha que iniciaram o uso de formas padronizadas de coleta de insetos em 1989. São tendas especiais chamadas de “armadilhas de mal-estar”, usadas para capturar mais de 1.500 amostras de insetos em 63 reservas naturais diferentes: moscas, vespas, libélulas, borboletas, joaninhas, besouros, entre outros.

Sem eles, nossa sobrevivência está em risco! Afinal, eles são polinizadores, além de alimento para outros animais, mantendo a cadeia. Esta notícia, então, dispara um alerta para a humanidade, como se uma espécie de Armagedon Ecológico estivesse em curso. Armagedon, na Bíblia, é a batalha final de Deus contra os seres humanos. Sim, a questão é dramática assim!

“O número de insetos voadores está diminuindo a níveis acelerados e altos, em uma área tão grande e esta é uma descoberta alarmante, realmente”, disse Hans de Kroon, da Universidade de Radboud, na Holanda, que liderou a pesquisa.

O Prof. Dave Goulson, da Universidade Sussex, no Reino Unido, que integra a equipa de cientistas que realizou esse estudo, diz que “os insetos representam cerca de dois terços de toda a vida na Terra e, por isso, este declínio é terrível. Parece que estamos criando grandes extensões de terra inóspitas para a maioria das formas de vida, e seguimos o curso em direção a um Armagedon Ecológico. Se perdermos os insetos, tudo vai entrar em colapso“.

Mas quais seriam as causas do grande declínio da população de insetos? Não está claro, mas há que se levar em consideração principalmente a destruição de áreas selvagens e o uso generalizado de pesticidas. Neste último caso, ainda não há dados efetivos para comprovar, então, são conjecturas científicas. Mas e as mudanças climáticas? Deve ter seu papel nessa história, certamente, mas os cientistas descartaram essa possibilidade. Não acreditam que as alterações nas paisagens de reservas ambientais possam influenciar esse declínio.