quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Nikolai Vavilov: o primeiro guardião da biodiversidade vegetal

É pouco conhecido do grande público. Mas foi o primeiro cientista a perceber que, para salvar a humanidade da fome, era imperativo conservar a biodiversidade genética das plantas cultiváveis do mundo inteiro em “bancos de sementes”. Ironicamente, morreu de fome na prisão durante o estalinismo.

Todos (ou quase) terão ouvido falar, nos media, do grande Cofre-Forte de Sementes Global de Svalbard, uma espécie de congelador gigante, de aspecto futurista, construído numa zona montanhosa do Árctico. Inaugurado em 2008, tem como objectivo proteger o maior número de espécies cultiváveis úteis do mundo – como feijões, arroz ou trigo –, contra as piores calamidades que possam acontecer, de forma a preservar o sustento alimentar da humanidade. Mas o que quase ninguém sabe é que essa ideia de preservação da biodiversidade agrícola nasceu há um século na cabeça de um cientista russo.

Foi precisamente em 1916 que Nikolai Vavilov, biólogo, geneticista, geógrafo, agrónomo e especialista do melhoramento das espécies vegetais partiu para a Pérsia (actual Irão) na sua primeira expedição, para recolher sementes cultivadas em regiões mais e menos “exóticas”. Essa sua actividade intensa de exploração dos quatro cantos do globo continuaria ao longo da sua vida e conduziria à criação, já em 1924 em São Petersburgo (então Leningrado), do primeiro banco de sementes do mundo.

“O sonho de Vavilov era acabar com a fome no mundo e o plano que tinha para o conseguir consistia em utilizar a ciência emergente da genética para gerar ‘super-plantas’, capazes de crescer em todos os locais e em todos climas – dos desertos de areia às gélidas tundras, durante secas ou inundações”, lê-se no site da cadeia global de televisão Russia Today. E para o poder fazer, o cientista precisava de trazer para o seu laboratório a diversidade genética global.

Coleccionador de plantas
Nikolai Vavilov nasceu em Moscovo a 25 de Novembro de 1887. O seu pai era um “próspero homem de negócios tornado milionário”, lê-se numa recensão de 1994, na revista Nature, da primeira da tradução em inglês (publicada em 1992) dos mais importantes trabalhos de Vavilov, coligidos sob o título de Origin and Geography of Cultivated Plants. Depois de acabar o curso no Instituto de Agricultura de Moscovo, Vavilov passou quase um ano, entre 1913 e 1914, no Reino Unido, no laboratório de William Bateson, pioneiro da genética moderna – e que cunhara aliás a palavra “genética” em 1901.

Quando estalou a Primeira Guerra Mundial, Vavilov regressou a Moscovo e, na Universidade de Saratov, (cidade situada a uns 700 quilómetros a sudeste de Moscovo, nas margens do rio Volga) começou a fazer investigações sobre a resistência das plantas às doenças, lê-se ainda na Nature, “virando-se depois para o estudo dos parentes selvagens das plantas cultivadas e formulando a ideia de que todas as plantas domesticadas tinham surgido em áreas de actividade humana na pré-história”. E foi para demonstrar esta hipótese que Vavilov organizou expedições “para sítios onde supostamente tinham assentado as povoações humanas mais antigas”. Identificou assim, primeiro cinco “centros de origem” das plantas cultiváveis. Mais tarde, esse número aumentou para sete ou oito (segundo as fontes).

A paixão de Vavilov pelas plantas vinha de longe. “Vavilov começou a coleccionar plantas durante a infância: tinha um pequeno herbário em casa”, escrevia em 1991 Barry Mendel Cohen (que fizera a sua tese de doutoramento sobre o cientista) num texto publicado na revista Economic Botany.

“Contudo”, prossegue Cohen, “a primeira verdadeira expedição destinada à recolha de plantas foi a sua viagem à Pérsia em 1916” – em plena Primeira Guerra Mundial. Vavilov não fora recrutado pelo exército por razões de saúde e o Ministério da Agricultura decidira então enviá-lo em missão à Pérsia.

Aquela expedição, que durou de Maio a Agosto, foi certamente uma aventura, salienta Cohen. “Primeiro, Vavilov ficou detido na fronteira durante três dias pelas autoridades russas, porque transportava com ele alguns manuais em alemão e mantinha um diário escrito em inglês” – um hábito que tinha adquirido durante a sua estadia no Reino Unido. Vavilov “foi acusado de ser um espião alemão e só foi libertado quando chegou a confirmação oficial da autenticidade dos seus documentos”, acrescenta Cohen.

Mas as peripécias não se ficaram por aí. “A sua caravana percorreu áreas de deserto onde a temperatura ultrapassava os 40 graus Celsius à sombra e chegou a estar a entre 40 e 50 quilómetros da frente de guerra da fronteira russo-turca”, diz ainda Cohen.

A julgar pela lista dos destinos que visitou até ao início dos anos 1930, Vavilov não tinha medo das situações perigosas (fossem elas devidas à topografia, ao clima, aos conflitos ou simplesmente à vulgar criminalidade local) em que por vezes se via envolvido.

Visitou mais de 64 países e aprendeu 15 línguas para conseguir falar directamente com os agricultores. “Foi um dos primeiros cientistas a ouvir realmente os agricultores tradicionais, a gente do campo de todo o mundo, para saber por que é que achavam que a diversidade das sementes era importante nos seus campos ”, declarou em 2010, numa entrevista à rádio pública norte-americana, o ecologista e botânico Gary Paul Nabham, autor de uma biografia de Vavilov.

Depois da Pérsia, sempre a recolher espécies locais, Vavilov fez várias viagens aos Montes Pamir da Ásia Central; atravessou territórios nunca antes explorados do Afeganistão; percorreu países da zona mediterrânica, europeus (incluindo Portugal) e não só. No Sul da Síria, contraiu malária. Esteve na Palestina e, em África, foi até à Abissínia (na actual Etiópia), onde apanhou tifo. Também organizou expedições à China, Japão, Coreia, Taiwan, América do Norte, Central e do Sul.

Diga-se ainda que, em 1921, foi convidado a assistir, com outro colega russo, ao Congresso Americano de Patologista dos Cereais – “um convite de histórica importância”, diz Cohen, “na medida em que foi o primeiro exemplo de cooperação científica entre os Estados Unidos e a recém-criada União Soviética”. O convite também mostra que o trabalho de Vavilov já era, naquela altura, reconhecido fora da Rússia.
Lisenko, inimigo mortal

A partir de 1920 e durante 20 anos, Vavilov dirigiu a Academia Lenine de Ciências Agrícolas da União (mais tarde rebaptizada Instituto Vavilov da Indústria Vegetal da União em sua honra), com sede em Leningrado. Criou 400 estações experimentais, espalhadas por toda a União Soviética e onde trabalhavam cerca de 20.000 pessoas. Publicou centenas de artigos de genética, biologia, geografia e selecção vegetal.

Ao longo de 16 anos de périplos, Vavilov e os seus alunos recolheram umas 200.000 amostras de sementes oriundas da União Soviética e do resto do mundo, que a seguir foram organizadas e estudadas nas diversas estações. “Foi assim que nasceu o primeiro banco mundial de genes de plantas do mundo”, lê-se ainda na já referida recensão da Nature, da autoria do norte-americano Valery Soyfer, da Universidade George Mason.

Mas a partir de 1935, aquele que seria o maior inimigo de Vavilov – e aliás da genética e das ciências da vida soviéticas – começou a ensombrar a vida pessoal e profissional de Vavilov: Trofim Lisenko (1898-1976).

Ao contrário de Vavilov, que era de família burguesa e portanto suspeito – Lisenko era de origem camponesa e tinha conseguido fazer um curso de agronomia. De facto, o próprio Vavilov começou por louvar e promover o trabalho de Lisenko por achar que ele era um digno “filho” da revolução bolchevique.

Em poucos anos, Lisenko tornou-se o “cientista” favorito de Estaline e o promotor de uma “genética soviética” que negava a própria existência dos genes e do ADN. Lisenko também fazia pouco da selecção natural, o processo basilar da teoria da evolução emitida por Darwin em meados do século XIX.

Como explicava Soyfer em 1989, num outro artigo na Nature, hoje ninguém duvida que as actividades de Lisenko tenham contribuído para a destruição das ciências agrícolas, biológicas e até médicas na União Soviética.

Porém, no início da sua ascensão, Lisenko conseguiu uma aparente vitória contra a fome que alastrava na URSS devido à colectivização forçada da terra. E em 1929, anunciou que uma técnica da sua invenção, dita de “invernalização”, iria permitir fazer florescer em pleno inverno o trigo que normalmente só desabrochava na Primavera. O método não foi validado e acabou por não cumprir as promessas de Lisenko de aumento da produção. Mas ele não estava disposto a arcar com a responsabilidade do falhanço e o culpado escolhido seria Vavilov, o homem que tanto contribuíra para o celebrizar. Lisenko tinha-se tornado o seu inimigo mortal.

Assim, após o seu regresso do México, em 1933, Vavilov foi proibido de empreender novas viagens. E a partir de 1934, Lisenko fez dele “o bode expiatório pelas desastrosas políticas agrícolas de Estaline”, lia-se na revistaScience em 2008.

Quando Vavilov percebeu o que estava a acontecer, começou a criticar a “ciência” de Lisenko, numa controvérsia que culminaria com a “vitória” do pseudo-cientista Lisenko – e com uma tragédia: a detenção de Vavilov a 6 de Agosto de 1940 pela polícia secreta soviética.

“Vavilov estava a recolher amostras de plantas na Ucrânia” quando foi detido, escrevia em 2008 na Nature Jan Witkowski, geneticista do Laboratório de Cold Spring Harbor (EUA), a propósito da publicação de um livro sobre o assassínio de Vavilov. Transferido para Moscovo, foi submetido a um terrorífico interrogatório durante 11 meses. Em Julho de 1941, Vavilov e dois dos seus colegas foram condenados à morte. Os colegas foram fuzilados, mas a sentença de Vavilov acabou por ser comutada em 20 anos de prisão… na cadeia de Saratov, aquela mesma cidade onde tinha iniciado a sua carreira 26 anos mais cedo. Sobreviveu dois anos numa cela subterrânea e sem janelas, em condições tais que contraiu escorbuto.

Vavilov morreu de fome em Saratov a 26 de Janeiro de 1943, aos 55 anos de idade. Nem a própria mulher, que voltara a residir em Saratov, sabia que o marido estava ali tão perto.

Vavilov só seria parcialmente reabilitado – e Lisenko definitivamente desacreditado – em 1965 pelo então presidente da URSS Leonid Brejnev, sob a pressão de dissidentes russos como o físico Andrei Sakharov e o escritor Alexandre Soljenitsyne, explica ainda Barry Mendel Cohen.

A ausência de Vavilov não passou despercebida a nível internacional. O próprio Winston Churchill fez vários apelos a Estaline para saber o que tinha acontecido a Vavilov. E, numa carta publicada na revista Science a 21 de Dezembro de 1945, Karl Sax, da Universidade de Harvard (EUA), perguntava: “Onde está Vavilov, um dos maiores cientistas da Rússia e um dos maiores geneticistas do mundo? Vavilov fora eleito presidente do Congresso Internacional de Genética, que decorreu em Edimburgo em 1939, mas não apareceu e desde então não temos tido notícias dele. Recebemos agora a informação da nossa Academia Nacional das Ciências de que Vavilov morreu. Como morreu e porquê?”

Alguns colegas de Vavilov já tinham tido o mesmo destino trágico do que ele – não na prisão, mas no cerco de Leningrado pelas tropas nazis, de 1941 e 1944, que matou à fome dezenas de milhares de cidadãos.

Numa outra carta publicada na Science em 2003, apelando a Vladimir Putin para salvar a preciosa colecção do Instituto de Leningrado (que esteve à beira de ser demolido por promotores imobiliários), três antropólogos norte-americanos resumiam o que acontecera àqueles cientistas: “Apesar de sofrerem eles próprios de subnutrição grave e apesar de trabalharem a poucos metros de uma vasta reserva de alimentos [sementes, tubérculos e fruta], os cientistas preferiram morrer a empobrecer a herança genética do país”, que “percebiam ser indispensável para o futuro da agricultura” soviética. Oito morreram em 1942 e “pelo menos um deles (…), um especialista em amendoins, morreu sentado à sua secretária”, escrevem os autores.

Mas foi o seu gesto, mais do que heróico, que permitiu que o banco de genes do Instituto Vavilov seja, ainda hoje, um dos maiores do mundo.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Cartoonista da semana : Biratan Porto


Nascido em Belém do Pará, Biratan é formado em Publicidade e Propaganda pela Universidade Federal do Pará, cartunista profissional e bandolinista nas horas vagas. Ele já conquistou vários prémios no Brasil e no exterior, publicou sete livros e trabalha como free-lancer na área do humor e artes gráficas.

Biratan publica seus cartoons em países como França, Itália, Bélgica, Holanda, EUA e México.




segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Fotógrafo do dia: Dinis Cortes

O Céu na Terra

Zerynthia rumina sobre Aristolochia longa

Melro-de-água

O  trabalho e olhar do meu amigo Dinis Cortes é perfeito, de uma angular e luz que respeita o espaço e corpo e diria comportamento da ave, da borboleta, do réptil...além das fotos cinematográficas !

Manuel Dinis Gaspar Cardoso Cortes nasceu em Vila Real em 1955. Licenciado em Medicina pela Faculdade de Medicina de Coimbra em 1980, é Assistente Graduado Senior de Clínica Geral/Medicina Familiar (Chefe de Serviço), e do Instituto da Droga e da Toxicodependência ( I.D.T.) da Delegação Regional do Alentejo. É ainda Terapeuta Familiar pela Sociedade Portuguesa de Terapia Familiar e Subdelegado Regional e Responsável Clínico Regional do I.D.T. Alentejo.

Onde encontrar mais trabalhos fotográficos:
Flickr
Olhares

domingo, 30 de janeiro de 2011

Llorenç Vidal e o Dia Escolar da Não Violência e da Paz


Mais Leituras:

Dia Escolar da Não Violência Escolar

Lorenzo Vidal, uma vida dedicada à poesia, à Educação para a Não-violência e a Paz
Mais bio aqui e aqui






A un cazador que pomposamente se autocalificaba de amante de la naturaleza

Amante de la natura te dices tú, cazador...
No sé donde está el amor de cazar
en la espesura la viviente criatura
que, herida, siente dolor e, impotente,
en su estertor grita toda la amargura
que concentra en su agonía a la hora de expirar.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Pink Floyd vs Depeche Mode : Another brick in the wall * I feel loved & Mahatma Gandhi




Oração que Mahatma Gandhi ensinou aos seus discípulos


Senhor,
Ajuda-me a dizer a verdade diante dos fortes e a não dizer mentiras para ganhar o aplauso dos fracos.
Se me dás fortuna, não me tires a razão.
Se me dás o sucesso, não me tires a humildade.
Se me dás humildade, não me tires a dignidade.
Ajuda-me a enxergar o outro lado da moeda, não me deixes acusar o outro por traição aos demais, apenas por não pensar igual a mim.
Ensina-me a amar aos outros como a mim mesmo.
Não deixes que me torne orgulhoso se triunfo, nem cair em desespero se fracasso.
Mas recorda-me que o fracasso é a experiência que precede ao triunfo.
Ensina-me que perdoar é um sinal de grandeza e que a vingança é um sinal de baixeza.
Se não me deres o êxito, dá-me forças para aprender com o fracasso.
Se eu ofender ás pessoas, dá-me coragem para desculpar-me e se as pessoas me ofenderem, dá- me grandeza para perdoá-las.
Senhor, se eu me esquecer de ti, nunca te esqueças de mim.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Lista nacional de 'blogues de cidades'



Meus caros

Aproveitando o facto de 2011 ser o ‘ano Europeu do Voluntariado para promover mais cidadania activa’ (http://europa.eu/volunteering/), o ‘Cidades pela Retoma’ (http://www.facebook.com/CidadespelaRetoma ) entendeu lançar o desafio de criar uma lista nacional de ‘blogues [ou sites] de ruas, bairros, vilas ou cidades’.

Esta lista não pretende ser mais do que uma sistematização dos vários espaços virtuais (blogues ou sites) promovidos por cidadãos e grupos de cidadãos que gostam de pensar de forma colectiva sobre o futuro das suas cidades.

A lista provisória pode ser consultada aqui: http://noeconomicrecoverywithoutcities.blogs.sapo.pt/30748.html. Os contributos e sugestões de blogues/sites podem ser enviados para cidadespelaretoma@gmail.com.
Agradecemos a colaboração.

Cumprimentos
José Carlos Mota
site/blogue http://noeconomicrecoverywithoutcities.blogs.sapo.pt/
facebook http://www.facebook.com/CidadespelaRetoma
mailing-list http://groups.google.pt/group/cidadespelaretoma

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Documentário da semana: "A história secreta da obsolescência programada"



Ver también:  Especial  Comprar, tirar, comprar en RTVE.es

Baterías que se 'mueren' a los 18 meses de ser estrenadas, impresoras que se bloquean al llegar a un número determinado de impresiones, bombillas que se funden a las mil horas... ¿Por qué, pese a los avances tecnológicos, los productos de consumo duran cada vez menos?
La 2 de Televisión Española y RTVE.es emiten  "Comprar, tirar, comprar" un documental que nos revela el secreto: obsolescencia programada, el motor de la economía moderna.

Rodado en España, Francia, Alemania, Estados Unidos y Ghana, Comprar, tirar, comprar, hace un recorrido por la historia de una práctica empresarial que consiste en la reducción deliberada de la vida de un producto para incrementar su consumo porque, como ya publicaba en 1928 una influyente revista de publicidad norteamericana, "un artículo que no se desgasta es una tragedia para los negocios".
El documental, dirigido por Cosima Dannoritzer y coproducido por Televisión Española, es el resultado de tres años de investigación, hace uso de imágenes de archivo poco conocidas; aporta pruebas documentales y muestra las desastrosas consecuencias medioambientales que se derivan de esta práctica. También presenta diversos ejemplos del espíritu de resistencia que está creciendo entre los consumidores y recoge el análisis y la opinión de economistas, diseñadores e intelectuales que proponen vías alternativas para salvar economía y medio ambiente

Una bombilla en el origen de la obsolescencia programada
Edison puso a la venta su primera bombilla en 1881. Duraba 1500 horas. En 1911 un anuncio en prensa española destacaba las bondades de una marca de bombillas con una duración certificada de 2500 horas. Pero, tal y como se revela en el documental, en 1924 un cártel que agrupaba a los principales fabricantes de Europa y Estados Unidos pactó limitar la vida útil de las bombillas eléctricas a 1000 horas. Este cártel se llamó Phoebus y oficialmente nunca existió pero en Comprar, tirar, comprar se nos muestra el documento que supone el punto de partida de la obsolescencia programada, que se aplica hoy a productos electrónicos de última generación como impresoras o iPods y que se aplicó también en la industria textil con la consiguiente desaparición de las medias a prueba de carreras.

Consumidores rebeldes en la era de Internet
A través de la historia de la caducidad programada, el documental pinta también un fresco de la historia de la Economía de los últimos cien años y aporta un dato interesante: el cambio de actitud en los consumidores gracias al uso de las redes sociales e Internet. El caso de los hermanos Neistat, el del programador informático Vitaly Kiselev o el catalán Marcos López, dan buena cuenta de ello.

África, vertedero electrónico del primer mundo
Este usar y tirar constante tiene graves consecuencias ambientales. Tal y como vemos en este trabajo de investigación, países como Ghana se están convirtiendo en el basurero electrónico del primer mundo. Hasta allí llegan periódicamente cientos de contenedores cargados de residuos bajo la etiqueta de 'material de segunda mano' y el paraguas de una aportación para reducir la brecha digital y acaban ocupando el espacio de los ríos o los campos de juego de los niños.
Más allá de la denuncia, el documental trata de dar visibilidad a emprendedores que ponen en práctica nuevos modelos de negocio y escucha las alternativas propuestas por intelectuales como Serge Latouche, que habla emprender la revolución del 'decrecimiento', la de la reducción del consumo y la producción para liberar tiempo y desarrollar otras forma de riqueza, como la amistad o el conocimiento, que no se agotan al usarlas.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Filmes sobre resíduos - Love Canal




"Love Canal" é um documentário acerca de uma urbanização construída sobre um aterro de resíduos industriais, nos EUA dos finais da década de 70 do sec.XX, que se tornou um símbolo do falhanço do sentido de consideração pelas gerações futuras.

*Love Canal* is a neighborhood in Niagara Falls, New York which became the subject of national and international attention, controversy, and eventual environmental notoriety following the discovery of 21,000 tons of toxic waste that had been buried beneath the neighborhood by Hooker Chemical.
Love Canal officially covers 36 square blocks in the far southeastern corner of the city, along 99th Street and Read Avenue. Two bodies of water define the northern and southern boundaries of the neighborhood: Bergholtz Creek to the north and the Niagara River, one-quarter mile (400 m) to the south. In this area, Grand Island is situated on the south shore of the Niagara River.
Hooker Chemical sold this site to the Niagara Falls School Board with a deed explicitly detailing the danger contained within the site, and including a liability limitation clause about the contamination. The construction efforts of housing development, combined with particularly heavy rainstorms, released the , leading to a public health emergency and an urban planning scandal. Hooker Chemical was found to be negligent in their disposal of waste, though not reckless in the sale of the land, in what became a test case for liability clauses. The dumpsite was discovered and investigated by the local newspaper, the Niagara Gazette, from 1976 through the evacuation in 1978.
Potential health problems were first raised by reporter Michael H. Brown in July 1978.Ten years after the incident, New York State Health Department Commissioner
David Axelrod stated that Love Canal would long be remembered as a "national symbol of a failure to exercise a sense of concern for future generations."
The Love Canal incident was especially significant as a situation where the inhabitants "overflowed into the wastes instead of the other way around."

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Objectivo 2015: Combater o VIH/SIDA, a malária e outras doenças graves


A falta de saúde reduz a produtividade e o rendimento, o que por sua vez agrava os problemas de saúde, porque as pessoas não têm rendimentos para uma alimentação, habitação e tratamento adequados. A SIDA em particular tem um impacto de grande alcance, modificando o tecido social e económico da sociedade africana, dado que as suas vítimas se encontram frequentemente nos seus anos mais produtivos.

Tanto os países ricos como os países pobres estão mais seguros e são mais saudáveis quando previnem as doenças transmissíveis de fácil propagação transfronteiriça. Embora lutar contra estes fenómenos de saúde globais seja um desafio tremendo, o esforço concertado dos doadores e beneficiários de Ajuda Pública para o Desenvolvimento (APD) mostrou-se eficaz no passado: a varíola foi erradicada e a poliomielite já não assola a América Latina e as Caraíbas.

Situação actual
Todos os dias, cerca de 7.500 novas pessoas são infectadas pelo vírus VIH e 5.500 morrem de SIDA, sobretudo devido à falta de tratamentos para a doença. Estima-se que no final de 2007, 33.2 milhões de pessoas estavam infectadas pelo VIH, o que demonstra uma redução de 16% comparada com a estimativa de 2006: 39.5 milhões; deram-se 2.7 milhões de novas infecções e observaram-se 2 milhões de mortes relacionadas com a SIDA, sendo que 96% dos novos casos ocorreram nos países em desenvolvimento. Apenas uma em cada cinco pessoas é abrangida por programas de prevenção e, embora a terapêutica anti-retroviral dê esperança aos infectados, cinco a seis milhões de pessoas em países de baixo ou médio rendimento ainda necessitam de tratamento. A epidemia está a aumentar em certas zonas da Ásia.

Em 2006 observaram-se 247 milhões de casos de malária em todo o mundo, a maioria dos quais em África, contabilizando 86% de todos os casos mundiais ( no restante, 9% no Sudeste Asiático e 3% no Leste Europeu mediterrânico). Estima-se cerca de 881 mil mortes devido à malária em 2006, das quais 90% foram em território africano e 4% no Sudeste Asiático e outros 4% nas regiões do leste mediterrânico. Há mais progressos na prevenção da malária do que no seu tratamento. Estima-se que 85% das mortes vitimou crianças com menos de cinco anos de idade. Numa análise a 22 países da África Subsariana, contabilizando-se quase metade da população da região, verificou-se que a proporção de crianças que receberam tratamentos anti-malária caiu de 41% em 2000 para 34% em 2005.

Em 2006, a tuberculose causou a morte a 1,7 milhões de pessoas e as taxas de infecção estão a aumentar quase 1% por ano. No mesmo ano, 14.4 milhões de pessoas estavam infectadas, incluindo 9.2 milhões de novos casos. Estes aumentos são justificados, em parte, pelo aumento da população mundial. Nas regiões em desenvolvimento, o número de novos casos de tuberculose por 100 mil habitantes aumentou em 2004, e depois caiu 0.7% entre 2005 e 2006. Se esta tendência se mostrar constante globalmente, a incidência da tuberculose pode ser parada e invertida antes de 2015.

O que falta fazer
A melhoria da saúde mundial requer a cooperação de todos. Os países pobres devem combater o estigma, melhorar o rigor dos dados relativos a taxas de infecção e ainda conceber estratégias agressivas de prevenção e de tratamento. Falta ainda:

1. implementar uma abordagem multissectorial a longo prazo e que assente em planos nacionais contra a SIDA;
2. reforçar as ligações entre as intervenções relacionadas com o VIH/SIDA e os cuidados de saúde sexual e reprodutiva, a fim de reduzir os comportamentos de risco e as infecções sexualmente transmissíveis;
3. aumentar o acesso aos preservativos, tanto masculinos como femininos;
4. garantir um financiamento previsível e sustentável;
5. executar programas de prevenção do VIH em grande escala e garantir o acesso universal ao tratamento do VIH/SIDA por parte dos homens e das mulheres;
6. criar sistemas de saúde nacionais viáveis, que garantam uma cobertura universal dos cuidados básicos, que prestem serviços de qualidade e que retenham pessoal de qualidade;
7. aumentar substancialmente os fundos destinados à investigação e ao desenvolvimento de medicamentos;
8. aumentar o financiamento aos programas da OMS para combater a tuberculose e a novas actividades de investigação sobre uma vacina;
9. assegurar um financiamento de intervenções fundamentais no contexto da parceria “Fazer Recuar a Malária”, a fim de pôr termo à mortalidade imputável a esta doença até 2010, em África;
10. atribuir fundos suplementares à parceria mundial a favor de medicamentos essenciais a custos acessíveis.

domingo, 23 de janeiro de 2011

ACADEMIA OPENSOURCE: Acesso gratuito aos periódicos da Palgrave Macmillan

A Palgrave Macmillan publica periódicos académicos de grande qualidade em todas as disciplinas das ciências sociais e humanas, comércio e administração.

Para mais informações poderá consultar o sítio: www.palgrave-journals.com

Aqui fica um livro de excepcional qualidade: Global Warring, editado pela referida editora académica, em que a autora publica textos e revisões no blogue homónimo Global Warring  

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Donald Brown - An Ethical Analysis of the Cancun Climate Negotiations Outcome

The Cancun Agreements of the 2010 UN Climate Summit do not represent a success for multilateralism; neither do they put the world on a safe climate pathway that science demands, and far less to a just and equitable transition towards a sustainable model of development. They represent a victory for big polluters and Northern elites that wish to continue with business-as-usual. (IBON, 2010)
Climate change is an ethical problem because: (a) it is a problem caused by some people in one part of the world that puts people and the natural resources on which they depend in other parts of the world at great risk, (b) the harms to these other people are not mere inconveniences but in some cases catastrophic losses of life or the ability to sustain life, and (c) those who are vulnerable to climate change cant petition their government to act to protect themselves but must rely upon a sense of justice and responsibility of those causing the problem. Because climate change raises civilization challenging ethical questions, any proposed climate change regime must be examined through an ethical lens.
This post reviews the Cancun outcome through an ethical lens in light of the overall responsibility of those nations who are exceeding their fair share of safe global emissions in regard to their duties: (a) to reduce greenhouse gas emissions to levels necessary to prevent harm to others, (b) to reduce greenhouse gas emission to levels consistent with what is each nation's fair share of total global emissions, and (c) to provide financing for adaptation measures and other necessary responses to climate change harms by those who are most vulnerable and least responsible for climate change.
To understand the significance of what happened in Cancun, it is necessary to briefly review the history of international negotiations leading up to Cancun. That is, it is not sufficient to simply examine what happened in Cancun without seeing Cancun in the context of twenty-year negotiating history that had as its goal the prevention of dangerous climate change and the harms that each year of delay in agreeing to a global deal exacerbate.

II. The Path To The Cancun Agreement
The Cancun conference took place from November 29 to December 10, 2010. The Cancun goals were modest in light of the failure of COP-15 in Copenhagen the year before to achieve an expected global solution to climate change. Copenhagen was expected to produce a global solution to climate change pursuant to a two-year negotiating process that was agreed to in Bali, Indonesia, two years before Copenhagen in December 2007.
To understand the ethical significance of the Cancun, it is necessary to review the twenty-year history of climate change negotiations that led to Copenhagen and Cancun. This history constitutes a mostly failed attempt over two decades to adopt a global solution to climate change.
Negotiations on a global climate change deal began in 1990 that led in 1992 to the United Nations Framework Convention on Climate Change (UNFCCC). (Bodansky,2001) The negotiation process began in December 1990, when the UN General Assembly established the Intergovernmental Negotiating Committee for a Framework Convention on Climate Change, to negotiate a convention containing "appropriate commitments" in time for signature in June 1992 at the United Nations Conference on Environment and Development in Rio de Janeiro. This treaty itself did not contain binding greenhouse gas (ghg) emissions limitations for countries but nevertheless included numerous other binding national obligations. Among other things, for instance, the parties to the UNFCCC agreed that:
(a) They would adopt policies and measures to prevent dangerous anthropogenic interference with the climate system; (b) Developed countries should take the first steps to do this; (c) Nations have common but differentiated responsibilities to prevent climate change; (d) Nations may not use scientific uncertainty as an excuse for not taking action; and, (e) Nations should reduce their ghg emissions based upon "equity." (UN, 1992)
In the early UNFCCC negotiations, the European Union and Association of Small Island States (AOSIS) advocated establishing a target and timetable to limit emissions by developed countries in the UNFCCC, while the United States and the oil-producing states opposed this idea. (Bodanksy, 2001). Other developing states generally supported targets and timetables, as long as it was clearly understood that these targets and timetables would apply only to developed states. (Bodanksy, 2001)
The UNFCCC has 192 parties, a number that includes almost all countries in the world including the United States which ratified the UNFCCC in 1993.
The UNFCC is a "framework" convention because it has always been expected that additional requirements would be added to the initial framework in updates that are known as "protocols" or in annual decisions of the conferences of the parties (COPs).
Each year as the parties to the UNFCCC meet in COPs , decisions were made that affect the responsibilities of the parties. The UNFCCC COPs were as follows:
• 1995 - COP 1, The Berlin Mandate
• 1996 - COP 2, Geneva, Switzerland
• 1997 - COP 3, The Kyoto Protocol on Climate Change
• 1998 - COP 4, Buenos Aires, Argentina
• 1999 - COP 5, Bonn, Germany
• 2000 - COP 6, The Hague, Netherlands
• 2001 - COP 6 (Continued), Bonn, Germany
• 2001 - COP 7, Marrakech, Morocco
• 2002 - COP 8, New Delhi, India
• 2003 - COP 9, Milan, Italy
• 2004 - COP 10, Buenos Aires, Argentina
• 2005 - COP 11 Montreal, Canada
• 2006 - COP 12, Nairobi, Kenya
• 2007 - COP 13 Bali, Indonesia
• 2008 - COP 14, Poznań, Poland
• 2009 - COP 15, Copenhagen, Denmark
• 2010 - COP-16, Cancun.
Each year nations have meet in COPs to achieve a global solution to climate change and each COP for the most part continued to add small steps toward the goals of the UNFCCC. Yet in all COPs some nations have resisted calls from some of the most vulnerable nations to adopt a solution to climate change that would prevent dangerous climate change.
As the international community approached Cancun, no comprehensive global solution had been agreed to despite the fact that the original negotiations on the UNFCCC began in 1990 with a goal of achieving a global climate change solution. For this reason, Cancun must be understood as the latest attempt in a twenty year history of mostly failed attempts to structure a global solution to climate change.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

BBC + Burial



Uma perfeita neo-etnobotânica...o homem sonha e a obra nasce!

Continue a divulgar e assinar a petição Defendam os rios da Amazónia! 

Já somos 320.000! Mil flores tão lindas como estas para todos os signatários. 

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Design sustentável na habitação: mais um apartamento flex



design sustentável

O arquiteto Guto Requena testa na prática um jeito contemporâneo de morar. Seu apartamento, próximo à avenida Paulista, em São Paulo, perdeu paredes para ganhar flexibilidade e inaugurar uma vocação mutante que é a cara das metrópoles, onde o espaço é disputado. Ali, com um simples arrastar de móveis, ele prepara a casa para trabalhar durante o dia ou receber os amigos à noite

Mayra Navarro e Silvia Gomez
Especial Casa Sustentável – 09/2010

O apartamento de Guto Requena tem nome e sobrenome: atende por Bohemian Cyborg, um viés de sua pesquisa sobre modos de morar, desenvolvida no Núcleo de Estudos de Habitares Interativos (Nomads), da Universidade de São Paulo. "Ele é fruto de meu mestrado, uma chance de aplicar o conceito de flexibilidade nos espaços contemporâneos", diz. Na prática, Guto derrubou as paredes internas do imóvel de 79 m2, o que permitiu aproveitar a área ao máximo. As vigas de concreto no teto denunciam os cômodos existentes antes da reforma. "São cicatrizes que contam a história da obra", nota o arquiteto. Assim, ele criou uma espécie de loft reconfigurável, ou seja, os ambientes se definem pela disposição dos móveis e pelo uso do momento. "Organizei a parte mutável em U em torno de um cubo central que concentra banheiro, cozinha e lavanderia."

Nas metrópoles, onde deslocamentos exigem tempo, paciência e combustível, só reduzir as saídas de casa já evita poluição e gasto de energia. Ao acordar, Guto arruma o loft para um dia de trabalho e para receber os sócios, Maurício Arruda e Tatiana Sakurai, e a arquiteta Fabiana Silveira. "A cama vira sofá, e a mesa de jantar, local de reunião", diz Guto, sentado na cadeira preta. Assinado por ele, o mobiliário compõe nove tipos de planta, da distribuição convencional ao modelo festa. Rodízios facilitam a movimentação da cama e das mesas com desenho interativo, o que possibilita vários encaixes. A placa na parede, comprada de um mecânico da região, é mais uma prova da originalidade do arquiteto.

Veja mais fotos do projeto aqui.