sexta-feira, 6 de março de 2026

EUA criticam “políticas agressivas” criadas para enfrentar alterações climáticas


O secretário de Energia norte-americano, Chris Wright, criticou ontem, nas Nações Unidas, aquilo que considerou “políticas agressivas” criadas para enfrentar as alterações climáticas, as quais classificou como “irrealistas e mal planeadas”.

“Precisamos de mais energia, não de menos, e precisamos dela agora. Sem energia acessível, fiável e segura, nada funciona. Energia é vida. A ausência de energia é pobreza, desespero e morte. É assim que fazemos crescer as nossas economias. É assim que inovamos, alimentamos o nosso dia-a-dia e garantimos a segurança das nossas nações”, defendeu Wright.

O secretário norte-americano presidia a uma reunião do Conselho de Segurança da ONU sobre “Energia, minerais críticos e segurança”, com uma intervenção que acabou por atacar as políticas de combate às alterações climáticas.

“Nos últimos anos, muitos Governos adotaram políticas climáticas agressivas. Estas políticas, criadas em nome das alterações climáticas, têm sido irrealistas e mal planeadas. As ilusões energéticas implícitas nas políticas climáticas representam ameaças reais e crescentes para as nações e povos de todo o mundo”, defendeu.

As declarações do secretário de Energia estão em linha com a posição do Presidente norte-americano, Donald Trump, que desde que regressou à Casa Branca, em janeiro de 2025, esforçou-se por reverter as políticas climáticas decretadas pelo seu antecessor, Joe Biden.

O passo mais recente nesse recuo foi dado no mês passado, quando Trump anunciou que rejeita a descoberta científica de que as mudanças climáticas colocam em risco a saúde humana e o meio ambiente, pondo fim à autoridade legal do Governo federal para controlar a poluição que está a aquecer o planeta de forma perigosa.

Em várias ocasiões, Trump referiu-se às mudanças climáticas como uma “farsa”.

Na reunião de hoje na ONU, e falando em nome dos Estados Unidos, Wright afirmou que “a segurança energética é segurança nacional” e alertou contra a excessiva dependência de um único fornecedor para recursos críticos.

Lembrando a crise energética europeia resultante da dependência do petróleo e do gás russos, realçou que “a energia é demasiado importante, demasiado essencial para a vida, para que erremos na sua gestão”.

O representante da administração Trump acrescentou que é do interesse da segurança dos Estados Unidos e dos seus aliados não depender de nenhum país para minerais críticos, destacando os esforços para manter as rotas comerciais globais abertas e reforçar a cooperação económica e de segurança.

De acordo com Chris Wright, os Estados Unidos e aliados “estão a trabalhar arduamente para manter os mares abertos e as principais rotas comerciais, do Canal do Panamá ao Mar Vermelho e ao Estreito de Ormuz, seguras e com fluxo contínuo”.

Já a subsecretária-geral da ONU para Assuntos Políticos e de Consolidação da Paz, Rosemary DiCarlo, destacou, na mesma reunião, que uma governação responsável dos minerais críticos é essencial para a paz e o desenvolvimento.

DiCarlo afirmou que os minerais críticos estão “entre os principais motores da economia do século XXI”, sustentando tecnologias que vão desde os ‘smartphones’ aos veículos elétricos.

Alertou, porém, que a crescente procura — que deverá triplicar até 2030 — eleva também o risco de intensificar a competição geopolítica e os conflitos nas regiões ricas em recursos.

A representante da ONU recordou que várias regiões e países afetados por conflitos são grandes produtores de minerais críticos, sublinhando que mais de 70% da extração global de cobalto, por exemplo, ocorre na República Democrática do Congo, sendo que a maioria das baterias que alimentam os dispositivos inteligentes depende desse mineral.

Já Myanmar (antiga Birmânia) é uma das maiores fontes mundiais de elementos de terras raras, essenciais para ímanes de alto desempenho utilizados em eletrónica avançada.

E a Ucrânia, por sua vez, possui reservas significativas de titânio e lítio, indispensáveis para tecnologias aeroespaciais e manufatura avançada.

A mineração ilegal pode “impulsionar economias ilícitas e financiar grupos criminosos e armados”, disse DiCarlo, apelando a uma governação mais forte, à transparência na cadeia de abastecimento e à diplomacia para garantir que os minerais apoiam o desenvolvimento sustentável e a paz.

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