domingo, 10 de maio de 2020

A visão futurista de um ‘Comunismo Automatizado de Luxo’


A chamada “economia pós-escassez” é um cenário hipotético da teoria económica em que há abundância de recursos a serem produzidos por uma quantidade mínima de mão-de-obra humana, o que possibilita a sua comercialização a preços baixos ou, em última instância, a disponibilização gratuita.

Esta situação especulativa teve os seus primeiros esboços feitos por Karl Marx, num trecho do seu livro “Grundrisse” (1858) intitulado “Fragmento sobre as Máquinas”, no qual fala sobre a transição para uma sociedade pós-capitalista na qual os avanços na automação possibilitariam este cenário de redução de trabalho humano, abundância de recursos e maior tempo livre para o lazer e para os estudos.

Este discurso talvez não pareça novidade àqueles que vêm acompanhando conteúdos produzidos por futuristas como o americano Peter Diamandis, um dos fundadores da Singularity University. Coautor do livro “Abundância”, Diamandis afirma que a humanidade está a entrar num período de transformação radical, no qual a tecnologia carrega o potencial de elevar os padrões de vida básicos de todas as pessoas no planeta. Eles defendem que essa cena aconteceria por volta de 2040, quando serviços outrora restritos à minoria rica serão disponibilizados a todos os que precisarem e desejarem.

Em tempos de Covid-19, crise económica e política, fica difícil acreditar num tal desdobramento para o nosso futuro interrompido por uma pandemia. Mas, para futuristas como Diamandis, mais do que exercitar o otimismo é preciso ver como, apesar de tudo, o mundo industrializado nunca esteve tão seguro e nunca vivemos por tantos anos. A expectativa de vida das pessoas, em 2000, já era 60% maior do que em 1900 e, além disso, cada vez mais somos surpreendidos por inovações tecnológicas que prometem revolucionar todos os aspetos das nossas vidas: da penicilina às chamadas tecnologias exponenciais, assim intituladas devido à exponencialidade do seu desenvolvimento.

Tecnologias como a realidade virtual, blockchain, inteligência artificial, fontes de energia sustentável, internet das coisas, big data, robótica, bioengenharia ou mesmo a mineração espacial prometem mudar o mundo e levar-nos a uma possível Quarta Revolução Industrial ou Terceira Disrupção, como nomeia Aaron Bastani, autor do livro “Fully Automated Luxury Communism”, de 2019.

Apesar de o título lembrar algum meme ou uma página de humor irónico no Facebook, o termo traduzido como “Comunismo Automatizado de Luxo” e encurtado a partir da sigla FALC, em inglês, traz em si a ideia de uma futura economia que supera a lógica da escassez, tanto no sentido da disponibilidade de recursos quanto da criação artificial de escassez na lógica de mercado capitalista. Bastani usa as quase 300 páginas do livro para dar contexto e ponderação à proposta que, de facto, suscita dúvida e ceticismo. Apesar de ser visto como um pensador utópico, Bastani procura manter as suas proposições o mais objetivas e racionais possíveis. Para isso, boa parte da obra dedica-se a elencar exemplos de tecnologias e empresas que estão a trabalhar em ferramentas e produtos que possibilitem a automação e a conquista de um futuro pós-escassez.

Antes de iniciar um longo relatório tecnológico, Bastani primeiro faz a provocação sobre como o senso comum tende a pensar que o capitalismo é inevitável e insubstituível. Provavelmente já ouviu alguém dizer algo parecido com esse tuíte de Olavo de Carvalho, mas o que o autor britânico procura defender é que esse é apenas mais um sintoma do que Mark Fisher chama de realismo capitalista, resumido na sugestão de que “é mais fácil imaginar o fim do mundo do que o fim do capitalismo”. Por outras palavras, a perceção geral é de que o capitalismo não apenas é o único sistema económico viável, como também é “impossível de se imaginar uma alternativa coerente”, afinal, como escreve Bastani, “como contribuir com uma alternativa à própria realidade?”. Já nas palavras do filósofo francês Alain Badiou, citado por Bastani:

“Nós vivemos numa contradição … na qual toda a existência … nos é apresentada como ideal. Para justificar o conservadorismo, os partidários da ordem estabelecida não podem realmente chamar (ao modelo) de ideal ou maravilhoso. Então, em vez disso, decidiram dizer que tudo o resto é horrível … a nossa democracia não é perfeita. Mas é melhor do que as malditas ditaduras. O capitalismo é injusto. Mas não é criminoso como o estalinismo. Nós deixamos milhares de africanos morrerem de Sida, mas nós não fazemos declarações nacionalistas e racistas como Milosevic”.

Se, depois de ler esta citação, pensou numa campanha publicitária protagonizada por representantes de comunidades marginalizadas e em como essas mesmas pessoas não são empregadas pela própria marca, percebeu a ideia. No mundo do realismo capitalista, nada muda; porém, como diagnostica Bastani, sofremos uma grande crise em 2008 e hoje vislumbramos novamente um sinal de alerta: no Reino Unido, o suicídio é a principal causa de morte de homens com menos de 50 anos e a depressão pode tomar a liderança nos gastos de saúde por volta de 2030. Além disso, há ainda a crise migratória na Europa, o Brexit, a ascensão da extrema-direita e de líderes opressivos, as alterações climáticas e os seus negacionistas e, finalmente, la pandemia que já soma mais de 190 mil mortes e a perspetiva de uma nova crise económica — que, aliás, vai sair muito mais cara para alguns.

Bastani cita Francis Fukuyama no seu livro porque o escritor, no início dos anos 1990, declarou que o fim da União Soviética também instaurava o fim da história. Contudo, Bastani reforça não apenas o absurdo dessa constatação como também afirma que a ideia apenas provou a instauração do chamado realismo capitalista. Com o insucesso do socialismo na União Soviética, ficou mais óbvio que apenas o capitalismo pode funcionar. Mas o que o FALC quer argumentar é justamente o contrário: é possível pensar em alternativas e esta é uma delas.

O que estamos prestes a assistir é ao fim do capitalismo pelas suas próprias mãos. Aliás, esta é a perspetiva que Slavoj Zizek vislumbra face à crise do novo coronavírus (apesar de Byung-Chul Han defender justamente o oposto). Mesmo que não enfrentássemos esta pandemia, Bastani já diagnosticava que o próprio imperativo do capitalismo é a competição em encontrar sempre a forma mais barata e eficiente de produzir commodities (mesmo que isso signifique substituir humanos por máquinas). Por outras palavras, o próprio modus operandi do capitalismo pode ser responsável por criar aquilo que o vai tornar obsoleto.

A começar pela crise energética e a sua respetiva escassez de recursos naturais, os seus fatores políticos e económicos, bem como os seus efeitos colaterais no ambiente. Bastani, então, comenta como a eletrificação e o uso da energia solar já estão a ser consideradas mais relevantes e cada vez mais disseminadas ao redor do mundo. No Reino Unido, por exemplo, há a perspetiva de usar apenas fontes de energia renovável até 2040. Na China, durante os últimos cinco anos, grandes cidades têm feito o processo de eletrificação nos seus transportes públicos como uma forma de reduzir o problema da poluição do ar, mas também sonora.

Já no caso de outros recursos naturais, matérias-primas como o ferro não precisarão de ser mais extraídas do nosso planeta. Levando em consideração a perspetiva de crescimento da população para até 9,8 mil milhões de pessoas até 2050, fica impossível manter a mesma lógica de consumo atual e acreditar que a Terra poderá dar conta da procura. Na realidade, um estudo de 2015 já demonstrou que se todos no planeta tivessem os mesmos hábitos de consumo dos norte-americanos, seriam necessários quatro planetas Terra para sustentar o mercado em termos de recursos naturais. Só que o que Bastani argumenta não tem a ver apenas com uma mudança no consumo ou mesmo com uma intensificação dos processos de reciclagem e criação de produtos biodegradáveis, por exemplo. O investigador britânico entende que a mineração espacial é o caminho para a aquisição de recursos minerais virtualmente infinitos e que, portanto, atingirão um custo muito baixo devido à sua abundância.

E parece que muitos empresários estão de olho neste setor industrial: Jeff Bezos, fundador da Amazon, por exemplo, já se mostrou interessado no mercado. O futurista Peter Diamandis é um dos fundadores da Planetary Resources, uma empresa de mineração de asteroides. No caso da PR, o interesse está especialmente focado nos NEAs, ou asteroides mais próximos da Terra. Além da vantagem de proximidade com o planeta, também há o facto de que as suas riquezas minerais são tão grandes que chegam a ultrapassar a nossa compreensão. Bastani afirma no seu livro que uma das estimativas sobre a cintura de asteroides é algo como 825 quintiliões de toneladas de ferro, com 63kg de níquel para cada tonelada de ferro, o que possibilitaria a geração de uma riqueza capaz de prover 100 mil milhões de dólares para cada pessoa no mundo inteiro. Para investigar isso, os japoneses colocaram em órbita a sonda Hayabusa2 em junho de 2018. Ela deve voltar à Terra no final de 2020.

Por enquanto, os gastos necessários para a exploração, desenvolvimento e implementação de um sistema robusto de mineração espacial ainda são muito altos (tanto que Bastani menciona como mesmo as iniciativas privadas na área aeroespacial ainda assim contam com recursos governamentais). Contudo, assim como acontece com qualquer tecnologia (pense no computador e em como foi barateado e miniaturizado no telemóvel, seguindo a chamada Lei de Moore), haverá um momento em que a mineração espacial será mais barata ao ponto de as commodities por si só passarem a ter preços tão irrisórios devido à própria abundância. E isso vale para todas as outras tecnologias exponenciais: a inteligência artificial, a robótica, a bioengenharia, tudo ficaria mais barato e acessível, bem como mais eficiente. Vale lembrar, também, que tudo isto aconteceria num cenário em que as pessoas envelhecem cada vez mais, a taxa de natalidade diminui e alcançamos um pico de crescimento populacional que Bastani prevê por volta do fim deste século.

Claro, parece estranho pensar que chegaremos a um ponto em que a população irá parar de crescer quando se conquistam novas tecnologias que facilitam a vida e quando se tem acesso a recursos virtualmente infinitos. Já foi observado durante as revoluções industriais como as taxas de natalidade aumentaram, as de mortalidade diminuíram e a longevidade se estende cada vez mais. Com exceção de um evento catastrófico, como uma guerra ou uma epidemia, fica difícil imaginar que desaceleraremos o crescimento populacional. Contudo, para este e outros problemas de solução ainda difícil de ser vislumbrada, Bastani traz como exemplo a grande crise do estrume de cavalo na Londres de 1894.

Naquela época, o crescimento da cidade levou à multiplicação de cavalos nas ruas e à concentração de dejetos que não conseguiam ser removidos, ao ponto de publicações como o The Times acreditarem que “em 50 anos, cada rua de Londres estaria coberta por três metros de esterco”. Esta passagem histórica que transformou os dejetos equinos de recursos a serem vendidos num problema de limpeza acabou por se tornar uma analogia para momentos que parecem insuperáveis, até que uma nova tecnologia (como foi o caso dos carros, nesse contexto) muda completamente o cenário. É aí onde entram as tecnologias exponenciais.

Mas mesmo que Bastani gaste páginas e páginas a elencar como a eletrificação eliminará os combustíveis fósseis da equação, como a mineração espacial trará recursos infinitos e como a biotecnologia pode curar doenças e criar carne em laboratório capaz de tornar a pecuária uma indústria obsoleta, fica difícil acreditar que chegaremos a um ponto em que, de facto, todos terão acesso a isso – afinal, não é isso que o comunismo propõe? O autor sabe-o e, por isso, traz como exemplo o filme de ficção científica “Elysium”, no qual, apesar de existirem tecnologias de ponta, elas só são acessíveis a uma classe mais privilegiada. Isto porque, como o britânico explica, essa sociedade futurista ainda vive sob um regime capitalista, o qual mesmo diante da abundância cria escassez artificial para manter a concorrência e a lucratividade.

É por isso que, por mais que as tecnologias continuem a evoluir, elas nunca serão acedidas por todos se não houver uma mudança política acima da inovação tecnológica. Nas palavras de Bastani:

“… na ausência de uma política apropriada, isso só será uma nova forma de gerar lucro. Marx expressou isso perfeitamente quando escreveu que ‘a mais avançada máquina então força o trabalhador a trabalhar por mais horas do que um selvagem, ou do que ele próprio trabalhava quando usava as ferramentas mais simples e rudimentares.’ Em resposta a essa admissão, uma afirmação: qualquer política de sucesso que procure direcionar as possibilidades da Terceira Disrupção às necessidades das pessoas em vez da lucratividade deve ser populista. Senão, é certo que irá falhar. O realismo capitalista é simplesmente muito adaptável para as políticas radicais de administração e tecnocracia, o que significa que qualquer rutura precisa de ser compreensível para a maioria das pessoas, numa linguagem capaz de ser rapidamente entendida.”

Ou seja, o que Bastani argumenta é que não adianta manter estas ideias num nível académico e elitista. Quando o autor fala de populismo, sugere uma abordagem de retórica política que seja simples e atraente para que não afaste ou confunda as pessoas. Acontece que, no nosso caso latino-americano, fica difícil ler esta palavra e não trazer à mente as memórias de políticos populistas que não se apropriaram de uma comunicação acessível para beneficiar as pessoas, mas sim para se fazerem eleger e depois tomarem decisões em benefício próprio.

Além disso, quando Bastani sugere a implementação do comunismo, não traz em si a perspetiva do que foi o comunismo no século XX, até porque o que o mundo vivenciou até então foi um socialismo ainda definido pela escassez e pela existência de empregos. Na Terceira Disrupção, não só haverá abundância de recursos e riquezas como o trabalho também deixará de existir como necessidade de sobrevivência para se tornar um lazer — afinal, “produtividade é para robôs”, como já disse o futurista Kevin Kelly. E é nesse ponto que entra o luxo proposto pelo investigador.

No futuro, os robôs trabalharão por nós para que possamos ter lazer e trabalhar com aquilo que nos dê prazer, não para sobreviver.

Ao aproximar-se dos partidos verdes com as suas preocupações em relação ao ambiente e ao bem-estar animal, o FALC também se aproxima dos partidos de esquerda até divergir das suas narrativas que glorificam a simplicidade ou até mesmo uma perspetiva idílica de fuga da cidade e da modernidade. O FALC não só é contra esse chamado de volta à natureza como também contra os hábitos de consumo sob o capitalismo pautado por combustíveis fósseis, com a sua lógica de comutação, publicidade omnipresente, trabalhos sem sentido e obsolescência programada. Para viver uma boa vida num cenário de abundância de recursos, é possível que vivamos uma vida parecida com a dos multimilionários de hoje, caso queiramos. “O luxo estará em tudo conforme a sociedade baseada em trabalho assalariado se tornar uma relíquia histórica do mesmo modo que o camponês feudal e o cavaleiro medieval”, escreve Bastani.

Não se trata, portanto, de emular os costumes niilistas dos multimilionários da contemporaneidade, até porque as suas práticas se baseiam, justamente, na lógica da escassez. Enviar um carro da Tesla para o espaço não faz sentido nenhum a não ser demonstrar que Elon Musk o pode fazer porque tem dinheiro. Do mesmo modo, também não significa que o FALC defenda discursos de “consumo ético” ou mesmo a narrativa de que “o local” é mais virtuoso. Num cenário no qual tudo é acessível, barato e possível, narrativas que ainda mantêm contrastes não fazem sentido. E isso só pode ser conquistado não através de uma renda básica universal, como muitas vezes ouvimos dizer, mas sim através de um sistema básico de serviços públicos.

No Brasil, já desfrutam de um sistema de saúde público, bem como de instituições de ensino públicas. O que Bastani propõe é estender isso a todos os países do mundo, tornando educação, habitação, transporte, saúde e informação direitos garantidos e gratuitos para todos. Diferente de distribuir um rendimento mínimo para as pessoas, o qual poderia gerar inflação aos governos e manter a lógica desses serviços como se fossem commodities capazes de terem os seus preços manipulados pelo mercado, possibilitar o acesso generalizado e gratuito garante uma maior conquista de bem-estar social e de independência dos cidadãos — afinal, como escreve Bastani, “pessoas necessitadas não são pessoas livres e um sistema de serviços básicos universais acaba com essa necessidade.”

Agora, se o seu problema está no facto de Bastani se inspirar em Marx ou mesmo propor o comunismo como o sistema político-económico a ser seguido com a chegada da Terceira Disrupção, saiba que também os economistas Keynes e Drucker pensaram algo semelhante, uma sociedade na qual a inovação tecnológica nos pode levar à abundância e na qual a informação se tornaria a nova moeda. Contudo, o capitalismo não tem como funcionar nesse cenário de automação e abundância de recursos. Bastani comenta que os níveis de automação diminuíram nos últimos anos, o que poderia significar um maior pessimismo para a chegada da Terceira Disrupção, mas o motivo não está na tecnologia, mas sim no facto de os salários estarem cada vez mais baixos, tanto que substituir trabalhadores por máquinas não é lucrativo. Além disso, o autor ainda conta uma anedota na qual Ford teria dito que não poderia automatizar completamente a sua linha de montagem ou baixar demais os salários dos seus funcionários porque, no fim de contas, eles próprios seriam os compradores dos seus produtos.

Afinal, muitas das tecnologias que prometem vir com a Terceira Disrupção, na verdade, não são novas: elas apenas se moveram das “margens” da sociedade para tomarem o seu centro (como explora a futurista Amy Webb no seu livro “The Signals Are Talking”). Se elas já estavam entre nós e não se desenvolveram tão rapidamente quanto poderiam é porque o motivo pelo qual vivemos no mundo de hoje não é tecnológico, mas político. O mesmo vale para este novo mundo para o qual nos podemos dirigir. Para Bastani, de facto, não há nenhum motivo real pelo qual as empresas e os mais ricos desejem libertar as pessoas ou manter os ecossistemas do nosso planeta — na verdade, faz mais sentido continuar a intensificar a desigualdade económica e o colapso generalizado para que algum novo algoritmo preditivo ou uma startup unicórnio venham com a solução. Pelo contrário, a mudança não virá através destes, mas sim da política a ser feita coletivamente.

Apesar de promover algo tão marcante, Bastani provoca, afirmando que “Fully Automated Luxury Communism” não é um livro sobre o futuro, mas sim sobre um presente que não está visível (colocado à vista) pelas pessoas. É uma isca que nos possibilita fugir da caverna de Platão do realismo capitalista e, no mínimo, questionar se, de facto, faz sentido acreditar que é mais fácil o mundo acabar do que o capitalismo deixar de existir. Mesmo que não adotemos o FALC, mesmo que sequer adotemos o comunismo, tem de haver algo além dos espetros do capitalismo que habitam a nossa caverna.

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