Encontros Improváveis- Hans Werner Henze e Walt Whitman
Darest Thou Now O Soul
Darest thou now O soul,Walk out with me toward the unknown region,Where neither ground is for the feet nor any path to follow?
No map there, nor guide,Nor voice sounding, nor touch of human hand,Nor face with blooming flesh, nor lips, nor eyes, are in that land.
I know it not O soul,Nor dost thou, all is a blank before us,All waits undream'd of in that region, that inaccessible land.
Till when the ties loosen,All but the ties eternal, Time and Space,Nor darkness, gravitation, sense, nor any bounds bounding us.
Then we burst forth, we float,In Time and Space O soul, prepared for them,Equal, equipt at last, (O joy! O fruit of all!) them to fulfil Osoul.
Whispers of heavenly death
Whispers of heavenly death murmur'd I hear,Labial gossip of night, sibilant chorals,Footsteps gently ascending, mystical breezes wafted soft and low,Ripples of unseen rivers, tides of a current flowing, forever flowing,(Or is it the plashing of tears? the measureless waters of humantears?)
I see, just see skyward, great cloud-masses,Mournfully slowly they roll, silently swelling and mixing,With at times a half-dimm'd sadden'd far-off star,Appearing and disappearing.
(Some parturition rather, some solemn immortal birth;On the frontiers to eyes impenetrable,Some soul is passing over.)
Estes dois poemas de Walt Whitman, integrados na secção Whispers of Heavenly Death de "Folhas de Erva", representam uma das explorações mais sublimes e metafísicas da transição entre a vida e o que lhe sucede. Para Whitman, a morte não é um evento lúgubre ou um fim absoluto, mas sim uma expansão da consciência e uma libertação definitiva das amarras materiais.
No primeiro poema, "Darest Thou Now O Soul", o poeta estabelece um diálogo íntimo com a sua própria alma, desafiando-a a caminhar em direção ao "desconhecido". Esta região é descrita pela ausência de tudo o que nos é familiar: não há solo, nem guias, nem sentidos físicos como o toque ou a visão. Whitman utiliza a metáfora do "afrouxar dos laços" para descrever o momento em que as limitações humanas — a gravidade, o tempo linear e o espaço físico — deixam de exercer força sobre o indivíduo. O poema culmina numa nota de triunfo e alegria absoluta, sugerindo que, ao morrer, a alma atinge finalmente o seu estado pleno, tornando-se igual ao Universo e pronta para o preencher.
Já em "Whispers of Heavenly Death", o tom torna-se mais atmosférico e sensorial. O poeta escuta a morte como se fosse um murmúrio, uma "fofoca labial da noite" ou brisas místicas. Ele utiliza elementos da natureza, como rios invisíveis e massas de nuvens, para pintar o cenário desta fronteira espiritual. Há um momento de profunda humanidade quando ele questiona se o som que ouve é o fluxo da eternidade ou o "respingar de lágrimas humanas", reconhecendo o luto que acompanha a partida. No entanto, a conclusão é reveladora: Whitman descreve a morte como uma "parturition" (um parto). Para o autor, o que parece ser o fim de uma vida é, na verdade, um nascimento solene e imortal; a alma não está a desaparecer, mas sim a atravessar uma fronteira em direção a uma existência superior.
Em conjunto, estes textos refletem a crença transcendentalista de que a alma é eterna e que a morte é apenas a última grande aventura do ser humano — um passo necessário para que o "eu" se liberte da sua casca finita e se funda com o infinito.
Biografia: Hans Werner Henze
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