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Filme - "Viagem ao Princípio do Mundo" de Manoel de Oliveira, 1997


O filme gira em torno de um realizador (Marcello Mastroianni), “duplo” de Manoel de Oliveira, numa autobiografia da obra do cineasta português. É um reencontro com as raízes (em duplo sentido literal e metafórico), onde uma velha camponesa (Isabel de Castro) é incapaz de entender a língua francesa falada pelo seu neto criado em França. 
Grande parte do filme é rodado em Melgaço, sobretudo no Peso e em Castro Laboreiro...

Ricardo Rocha: “Atormenta-me o rápido declínio de muitas espécies que consideramos ‘comuns’”

Fonte: Wilder


Ricardo Rocha é investigador de pós-doutoramento do CIBIO-InBIO – Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos, associado à Universidade do Porto e ao Instituto Superior de Agronomia da Universidade de Lisboa.

WILDER: O que espera de 2021 para a Conservação da Natureza em Portugal e no mundo?

Ricardo Rocha: Espero que se faça mais e melhor. No meu ver, o ano anterior acabou por trazer ao de cima – de forma bem dolorosa – três coisas extremamente importantes: i) que a saúde humana e a saúde dos ecossistemas e das espécies selvagens estão interligadas; ii) enfatizou a importância da ciência, tanto fundamental como aplicada, na resolução de problemas locais e globais; e, iii) mostrou-nos a importância de assentarmos as nossas decisões em dados viáveis e de revermos as nossas ações com base em informação rigorosa e actualizada. Em 2021, espero que os decisores políticos tenham a capacidade de incorporar estes ensinamentos numa estratégia concertada de conservação da natureza, que esteja assente em dados científicos sólidos, de acordo com prioridades bem delineadas e em colaboração próxima com investigadores sérios. Estou ciente que dito desta forma, parece um pouco abstrato, mas na prática o que espero para 2021 é que as políticas de conservação de natureza se assentem na filosofia de conservação com base na evidência (do inglês “Evidence-based Conservation”), na qual – com base em ciência – fazemos mais do que funciona, e menos do que não funciona. Aconselho os leitores a explorarem este site https://www.conservationevidence.com/, caso queiram conhecer mais sobre esta forma de fazer conservação. 

W: No seu entender, quais devem ser as prioridades para este ano em prol da natureza em Portugal? E mais concretamente, para a presidência portuguesa da União Europeia?

Ricardo Rocha: A Organização das Nações Unidas designou 2021-2030 como a década do restauro de ecossistemas. Em Portugal temos excelentes exemplos de projectos de restauro de ecossistemas, em particular no que toca ao restauro de sistemas insulares. Veja-se, por exemplo, o trabalho pela SPEA e pelas autoridades açorianas na recuperação da floresta laurissilva da Ilha de São Miguel, lar do Priolo (Pyrrhula murina) ou, mais recentemente, o projecto LIFE Berlengas, finalistas do Prémio Europeu Natura 2000 no ano anterior, na categoria “Conservação”. Eu acho que as prioridades em Portugal devem seguir o mote da década do restauro de ecossistemas, nomeadamente “prevenir, abrandar e reverter a degradação dos ecossistemas” e, mesmo que se usem espécies bandeira – espécies apelativas e capazes de mobilizar um maior apoio para ações de conservação – a estratégia deverá passar por uma visão de ecossistema, que vise repor funções ecológicas importantes (ex. controle de pragas florestais/agrícolas por vertebrados insectívoros) e conservar processos naturais (ex. reciclagem de nutrientes).

No último ano tivemos o anúncio do Pacto Ecológico Europeu que mostra um compromisso grande da União Europeia (UE) com políticas de conservação da natureza. Com a liderança da UE Portugal tem uma oportunidade única para assumir um papel de líder na transição para um mundo mais verde, menos poluído e no qual a nossa espécie vive em maior harmonia com as demais. Espero que Portugal lidere pelo exemplo, começando por projectos e políticas nacionais em linha com o Pacto Ecológico, e ações a nível internacional que desincentivem a destruição de ecossistemas naturais e promovam actividades sustentáveis do ponto de vista ambiental e social. Relativamente ao último ponto, é fundamental que a UE use o seu poderio económico e diplomático, de forma a pressionar os seus parceiros a optarem por políticas que se alinhem com os princípios europeus de defesa ambiental e dos direitos humanos. Em 2019 fiz parte de um grupo de mais de 600 investigadores e ambientalistas que escreveu uma carta na revista Science, na qual apresentavamos um exemplo concreto do que a UE pode fazer neste sentido, na sua relação com o Brasil. Tendo em conta os números assombrosos relativos à desflorestação na Amazónia em 2019 e 2020 (nos últimos dois anos perdeu-se uma área de Amazónia 20 vezes superior à área da Ilha da Madeira), o que escrevemos nessa carta é hoje particularmente relevante. 

W: Quais as espécies ameaçadas que, na sua opinião, precisam de ajuda premente em 2021?

Ricardo Rocha: Infelizmente há toda uma imensidão de espécies em perigo crítico de desaparecer do planeta e que precisam de auxílio urgente – veja-se por exemplo a situação da vaquita Phocoena sinus, um pequeno golfinho endémico do Golfo da Califórnia cujo efectivo populacional poderá ser inferior a uma dezena de indivíduos. No entanto, algo que me atormenta e que recebe menos atenção é o rápido declínio – em termos de abundância e área de distribuição – de muitas espécies que consideramos “comuns”. Por exemplo, a população de rola-brava Streptopelia turtur teve um declínio de 80% nos últimos 15 anos em Portugal. Embora não esteja em perigo crítico de desaparecer, os sinais de alarme estão a tocar e a hora de actuar é agora. O problema é ainda maior para espécies e subespécies que apenas ocorrem num determinado território e para as quais não temos dados populacionais. Veja-se, por exemplo, a situação do Pardal da terra da Madeira Petronia petronia madeirensis, uma subespécie endémica do arquipélago. Qual o seu tamanho populacional? Qual a sua área de distribuição? Está em declínio? É extremamente importante que tenhamos respostas para estas perguntas, antes que estas espécies/subespécies desapareçam debaixo da cortina de fumo de serem comuns. A situação é ainda pior para muitas espécies de plantas e invertebrados.

W: Se coubesse a si decidir, qual seria a principal medida que tomaria este ano para tentar travar a extinção das espécies?

Ricardo Rocha: Promover uma dieta com menos carne. O consumo excessivo de carne é, directa e indirectamente, uma das maiores ameaças à biodiversidade. Isto materializa-se através da destruição de habitats naturais para pasto e produção de rações que são utilizadas para alimentar animais que acabamos por consumir, ou através de um agravamento do aquecimento global através da libertação de gases produzida pelas atividades pecuárias. 

W: Qual, ou quais, os projectos na área da Biodiversidade em que estará a trabalhar em 2021 que mais o entusiasmam?

Ricardo Rocha: Ao longo dos últimos anos tenho estado a trabalhar principalmente em ecossistemas tropicais. No entanto, agora estou a centrar os meus projectos um pouco mais perto de casa, na Macaronésia, com um ênfase particular na Madeira, de onde sou natural. Durante a maior parte de 2021 estarei a fazer trabalho de campo no arquipélago da Madeira, principalmente com morcegos, com vista a conhecer mais sobre a sua ecologia, potenciais contributos ao nível de serviços de ecossistema e necessidades de conservação. Em paralelo conto também trabalhar com outros grupos de vertebrados terrestres do arquipélago, nomeadamente com aves e répteis, sobre os quais sabemos muito pouco.   

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

The truth about nuclear power — neither clean nor green


An enormous amount of fossil fuel is used to mine and mill uranium, to enrich and fashion the nuclear fuel rods, to build the enormous concrete reactor, let alone decommission the radioactive mausoleum at the end of its active life of 40-60 years. Finally, but not least, to transport millions of tons of intensely radioactive waste to some as-yet-to-be-constructed storage site in the U.S. to be kept isolated from the ecosphere for one million years according to the U.S. Environmental Protection Agency.

We all know to our detriment that the combustion of oil, gas and coal creates CO2, the main global warming gas.

According to a definitive study by Jan Willem Storm van Leeuwen and Philip Smith titled ‘Nuclear Power: the Energy Balance’, the use of nuclear power causes, at the end of the road, approximately one third as much CO2 as gas-fired electricity production. The rich uranium ores required for this reduction are limited and the remaining poorer ores in reactors would produce more CO2 than burning fossil fuels directly. Nuclear reactors are best understood as complicated expensive and inefficient gas burners.

They write:

Setting aside the above energetic costs and accepting the nuclear industry’s claim that it is clean and green, and assuming a 2% growth in global demand, all present-day reactors – 440 – would have to be replaced by new ones. Half the electricity growth would be provided by nuclear power and half the world’s coal fire plants replaced by nuclear plants requiring the construction over 50 years of 2,000 to 3,000 1,000-megawatt reactors — one per week for 50 years.

The International Atomic Energy Agency estimates already there are 370,000 tons of high-level radioactive waste in the world awaiting disposal, containing over 100 radioactive elements such as:
  • iodine-129, half-life 16 million years and a thyroid carcinogen;
  • plutonium-239, half-life 24,400 years, a potent alpha mutagen that induces bone carcinogen, lung cancer, leukemia, foetal abnormalities and genetic diseases;
  • strontium-90, half-life 29 years, which causes bone cancer and leukemia; and
  • caesium-137, half-life 30 years, causing muscle sarcomas and cancers of many other organs because it is a potassium analogue and resides in many cells of the body.

Dr John Gofman MD, the discoverer of uranium-233, estimated that if 400 reactors operated for 25 years at 99 per cent perfect containment, caesium loss would be equivalent to 16 Chernobyls. A half-life is multiplied by ten or 20 to give the total dangerous radiological life.

There is no containment that lasts 100 years let alone one million. As these radioactive elements inevitably escape and leak into the environment, they will concentrate at each step of the food chain tens to hundreds of times, for instance through algae, then crustaceans, then small fish, then big fish, then us. They are tasteless, invisible and odourless. Once deposited in human or animal organs, they irradiate a small volume of cells over many years inducing mutation of regulatory genes which control the rate of cell division, thus inducing uncontrolled cell division which is cancer.

Leukemia takes five to ten years to appear post contamination, solid cancers 15 to 80 years. Genetic abnormalities will take generations to manifest.

Animals and plants are similarly affected.

In effect, by creating more and more nuclear waste, we humans will be inducing random compulsory genetic engineering for the rest of time.

That’s what clean, green nuclear power means.


Pressão mineira no Parque Natural de Montesinho


"Vou falar-lhes dum Reino Maravilhoso. Embora muitas pessoas digam que não,
sempre houve e haverá reinos maravilhosos neste mundo.
O que é preciso, para os ver, é que os olhos não percam a virgindade original
diante da realidade, e o coração, depois, não hesite…
Começa logo porque fica no cimo de Portugal,
como os ninhos ficam no cimo das árvores
para que a distância os torne mais impossíveis e apetecidos.”
(Miguel Torga)
Fonte: 7 Margens

O projeto Valtreixal da empresa canadiana Almonthy pretende abrir uma mina a céu aberto numa área de 247 hectares (cerca de 500 campos de futebol), em território espanhol, mas a 5 km da fronteira com o Parque Natural de Montesinho, para explorar volfrâmio e estanho. A exploração situa-se na Reserva da Biosfera Transfronteiriça Meseta Ibérica, que abrange territórios de Trás-os-Montes e de Castela Leão, numa área total de 1.132.606 hectares. Esta região de montanha abriga espécies selvagens, ameaçadas, e de rara beleza, tais como o lobo ibérico, a cegonha preta, o veado e o corso.

“Este tipo de explorações mineiras a céu aberto é uma enorme agressão à paisagem. A perturbação do meio vai muito para além da enorme ferida que se abrirá naquelas encostas forradas a urzes, giestas e carquejas. As explosões ouvir-se-ão a quilómetros e afastarão a fauna” diz António Sá, fotógrafo da natureza e empresário turístico, habitante do Parque Natural de Montesinho.

O projeto prevê fazer explodir 1,7 mil toneladas de dinamite durante 19 anos para extrair o minério, criando uma cratera estéril de quase 2 quilómetros de comprimento e centenas de metros de profundidade. A legislação atual obriga o promotor a fazer um plano de recuperação da paisagem, de plantação de árvores e a realizar o enchimento parcial da zona explorada com os resíduos inertes provenientes da extração. Contudo, o ruído proveniente das explosões continuadas, da utilização de maquinaria pesada na extração e do tráfego de várias dezenas de camiões por dia é inevitável. Mais de 23 milhões de metros cúbicos de resíduos mineiros serão gerados, alguns dos quais perigosos para a saúde e que serão aterrados in situ.

A paisagem descrita por António Sá perderá definitivamente o seu encanto e valor, pois no fim de vida da mina ficará uma escombreira visível de Bragança, apesar de a cidade se situar a quase 20 quilómetros de distância. “Para mim, é como se apagássemos aquela zona do mapa”, conclui António Sá.

O ZASNET, entidade gestora desta área, obteve a classificação de reserva da biosfera da UNESCO, selo que lhe tem valido o reconhecimento mundial e uma nova capacidade para atrair turistas da natureza, bem como novos moradores. “O reconhecimento emitido pela UNESCO serve para destacar e recompensar” os esforços locais “e para ajudar a atrair fundos. São territórios destinados a promover o desenvolvimento sustentável, a conservação da natureza, ao mesmo tempo que promovem o desenvolvimento social e apoiam a educação e a investigação científica” – refere a exposição do ZASNET em que este contesta a instalação da mina, exposição também assinada pelo presidente da Câmara de Bragança.

Conflito entre indústria e património natural

A estratégia de desenvolvimento da região assenta na qualidade de vida e no património natural. O combate à desertificação humana aposta fortemente na qualidade do ambiente, e em produtos endógenos, tais como o mel e as castanhas de Montesinho, o cabrito e os cogumelos. Desvalorizar este património terá consequências diretas para a economia local, nomeadamente ao nível do alojamento e da restauração e também na produção e consumo destes produtos.

“Tudo aqui anda à volta da qualidade do ambiente. Os lameiros são tão importantes para as ovelhas como para as espécies silvestres, como o corço. Estes prados seminaturais abrigam uma flora quase exclusiva. É um tipo de paisagem onde a ação do homem é crucial. As bolotas dos bosques de carvalho e de azinheira alimentam javalis e corços (presas naturais do lobo) e também os rebanhos” – sintetiza o fotógrafo António Sá, sem disfarçar a sua paixão por esta paisagem viva.

Porém, o conflito entre as possíveis utilizações do solo não tem vencedor à partida. A União Europeia mantém, por um lado, uma política de ordenamento territorial que cria zonas protegidas. Mas por outro lado, quando nessas zonas jazem minérios necessários para alimentar a indústria e promover a autonomia da União, a proteção é frágil.

A iniciativa “Matérias-Primas” (novembro de 2008) da Comissão Europeia refere: “O bom funcionamento da economia da UE depende fortemente do acesso a preços módicos às matérias-primas minerais…uma concorrência crescente, devida à utilização dos solos para outros fins, e um ambiente altamente regulado…são necessárias estratégias para proteger o acesso a estes depósitos para utilização futura.”

Tais estratégias passam, como se pode ler na mesma comunicação, por colocar os interesses da indústria acima de que quaisquer outros: “A indústria suscitou preocupações quanto aos objetivos por vezes contraditórios de proteção das zonas de Natura 2000 e de desenvolvimento das atividades extrativas na Europa. A Comissão sublinha que não está prevista qualquer exclusão absoluta de operações extrativas no quadro jurídico de Natura 2000”.

Perante esta ameaça o ZASNET não percebe como poderá compatibilizar a atividade do projeto Valtreixal com a estratégia de desenvolvimento que tem seguido, baseada na conservação da natureza, na qual tem investido e que começa a dar frutos. No documento em que contesta a instalação do projeto Valtreixal argumenta: “São amplamente conhecidas as consequências bem como os impactos negativos resultantes da exploração de uma Mina de Volfrâmio e Estanho (…) afeta gravemente a população residente (…), os ecossistemas (…) dado que põe em causa os princípios e fundamentos de uma Reserva da Biosfera, com todos os seus preceitos, aprovada e reconhecida pela UNESCO, em 2015.”

Vários grupos de cidadãos, como o Uivo – Por uma Reserva da Biosfera Meseta Ibérica Livre de Minas e o Stop Mina Sanabria, têm surgido nos últimos meses para organizar iniciativas de contestação à instalação da mina.

'PIB cresce, mas destrói biodiversidade': Joan Martinez-Alier propõe mudar forma como medimos nossa produção de riqueza

Fumaça saindo de chaminés
Existem muitos economistas no mundo, mas são raros os economistas ecológicos — e o espanhol Joan Martínez Alier é um deles.

Um dos fundadores da Sociedade Internacional de Economia Ecológica e seu ex-presidente, ele é um dos mais conceituados especialistas da área. Dedicou toda sua vida acadêmica ao estudo da relação entre os desafios ambientais e a economia, contribuindo ativamente para a promoção do conceito de justiça ambiental.


Professor emérito e pesquisador do Instituto de Ciência e Tecnologia Ambiental da Universidade Autônoma de Barcelona (ICTA-UAB) desde 2010, Martínez Alier teve seu trabalho aclamado recentemente ao conquistar o Prêmio Balzan.

A honraria, concedida desde 1961, é considerada por muitos como o primeiro passo para obter na sequência o reconhecimento da Academia Sueca. A prova disso é que vários vencedores do Prêmio Balzan posteriormente ganharam o Nobel.

Martínez Alier conquistou o Balzan pela "excepcional qualidade das suas contribuições para a criação da economia ecológica", entre outras razões.

Leia a seguir a entrevista realizada pela BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC, feita com ele.

Colaboração campanha sobre Aquecimento Global - Twinkl


Dia Internacional do Urso Polar 2021: saiba mais sobre estes animais e por que eles são tão afetados pelas mudanças climáticas




Para comemorar o Dia Internacional do Urso Polar, decidimos trazer alguns fatos e números sobre esses animais fascinantes e sobre como as mudanças climáticas estão afetando seu modo de vida. Também conversamos com pessoas envolvidas em ações pró-meio ambiente para falar da importância da sustentabilidade e saber como você pode dar o primeiro passo na diminuição do seu impacto ambiental.



O que é o Dia Internacional do Urso Polar e por que ele é importante?

O aquecimento do Ártico e o efeito devastador que isso tem sobre o gelo marinho são uma grande ameaça para os ursos polares. Com o objetivo de aumentar a conscientização sobre os problemas que os ursos estão enfrentando, o Dia Internacional do Urso Polar é comemorado em 27 de fevereiro de cada ano, uma data que coincide com a época do ano em que as mães ursas protegem seus ​​filhotes recém-nascidos em uma toca construída na neve. Algumas semanas após esta data, os filhotes (que normalmente são gêmeos, aumentando a chance de sobrevivência até a idade adulta) sairão de sua toca com a mãe.
Fatos sobre os ursos polares

Os ursos polares são encontrados em cinco países do Ártico: Canadá, Groenlândia, Noruega, Rússia e os EUA, no Alasca. No entanto, eles são classificados internacionalmente como vulneráveis ​​na escala de risco de extinção e seus números estão em declínio em pelo menos quatro das 19 subpopulações em que são divididos.

Como o maior carnívoro terrestre do mundo, esses enormes animais dependem da comida de alto teor calórico que obtêm da caça de focas barbadas e aneladas. Os ursos polares podem caminhar longas distâncias em busca de focas, mas como isso requer uma grande quantidade de energia, eles normalmente praticam a caça de emboscada. Sua técnica mais bem-sucedida envolve localizar o orifício de respiração de uma foca no gelo (eles conseguem cheirar suas presas a até um quilômetro de distância) e esperar que a foca venha à superfície. No entanto, não é uma caça rápida, pois as focas aneladas podem permanecer submersas por até 45 minutos e às vezes sopram bolhas pelo orifício de respiração para ver se há algum urso polar por perto - por isso, esse estilo de caça de emboscada pode envolver várias horas de espera e observação.

Esses animais são a única espécie de urso considerada um mamífero marinho. Apesar de passarem a maior parte do tempo fora da água, eles são totalmente adaptados para a natação e podem nadar por várias horas (ou até mesmo dias). Eles usam suas patas dianteiras como remos para tomar impulso, e mantêm as patas traseiras planas para que funcionem como um leme. Nadar longas distâncias consome muita energia, e pode ser difícil repô-la se o gelo não for adequado para a caça. Além disso, os ursos polares dependem do mar (e do gelo dele) não só para sua alimentação, mas também para viajar, acasalar, descansar e abrigar seus filhotes.


10 curiosidades sobre os ursos polares
São a única espécie de urso considerada um mamífero marinho
Sua pele é preta e seus pelos são transparentes - eles parecem brancos porque os fios refletem a luz visível
Eles chegam a nadar a aproximadamente 10 quilômetros por hora - é uma velocidade parecida com a do nadador Michael Phelps, três vezes mais rápido do que um humano não-atleta
Menos de 2% das suas caças são bem-sucedidas
Existem cerca de 26.000 ursos polares na natureza, e eles são divididos em 19 subpopulações
Dessas 19 subpopulações, 4 estão em declínio, 5 estão estáveis e 2 estão aumentando. Ainda não há dados suficientes sobre as 8 restantes
Ursos polares machos têm o dobro do peso das fêmeas e podem pesar 600 quilos - ou o equivalente a 8 humanos adultos
Somado a seu peso, o fato de chegarem a ter até 3 metros de comprimento os torna os maiores carnívoros terrestres do mundo
Eles podem sentir o cheiro de focas a até um quilômetro de distância e sob uma camada de um metro de neve compactada
A maior ameaça à sua sobrevivência é a mudança climática, seguida pela extração de óleo e gás e por conflitos diretos com seres humanos

 

 Com a palavra...

Todo mundo concorda que esses animais são muito fofos, certo? Então, que tal começar a a contribuir para um planeta mais sustentável? Conversamos com quem entende do assunto e pedimos dicas para fazermos a nossa parte. Veja o que eles disseram:

Suzana Camargo

Jornalista que aborda mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Editora do portal Conexão Planeta, assina com Mônica Nunes o blog Inspiração para a Ação

Suzana Camargo

 

O que podemos fazer para diminuir nosso impacto ambiental?

Precisamos diminuir nossa pegada de carbono e para isso, é necessário rever a maneira como agimos e consumimos. Como sociedade, precisamos estar mais atentos a pequenas ações do dia a dia, como a redução a ingestão de carnes, dar preferência ao uso de transporte público ou modais menos poluentes (a bicicleta, por exemplo), diminuir o consumo de água e energia e ainda, implementar a prática da reciclagem e mesmo da compostagem, como norma. Já no caso de empresas e grandes corporações, elas têm obrigação de cumprirem seu papel social e ambiental e mostrarem suas ações de maneira completamente transparente. Não dá mais para aceitar que companhias vendam seus produtos comprados em áreas de desmatamento ilegal. É uma prática vergonhosa e deve ser denunciada.

Como podemos reagir diante de opiniões negacionistas sobre as mudanças climáticas?

Com evidências científicas, informações de fontes confiáveis e a verdade. E sempre com uma linguagem que possa ser compreendida por todos os setores da sociedade. A ignorância precisa ser combatida com clareza e jamais, com ataques.

Tasso Azevedo

Coordenador do Sistema de Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Observatório do Clima (SEEG) e do Projeto de Mapeamento Anual da Cobertura e Uso do Solo no Brasil (MapBiomas), é engenheiro florestal e colunista de O Globo e de Revista Época Negócios. Assina o Blog do Tasso Azevedo.

Tasso Azevedo

 

Que atitudes podem ser tomadas coletivamente para evitar o aquecimento global?

Zerar as emissões líquidas de gases de efeito estufa no planeta até meados do século. Isso inclui minimizar e eventualmente eliminar o uso de combustíveis fósseis, acabar com o desmatamento, eletrificar a economia com fontes renováveis de energia e reflorestar o planeta.

O que podemos fazer enquanto indivíduos para diminuir nosso impacto ambiental?

Andar mais, usar produtos e serviço que conhece a origem, evitar toda forma de desperdício, cuidar de todas as formas de vida, manter contato com a natureza e deixar sempre os ambientes por anda passa melhores do que encontrou.

João Soares

Biólogo, mestre em Ecologia e pesquisador do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR) da Universidade do Porto. Formador de opinião, mantém o blog BioTerra

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O que é sustentabilidade e por que ela é tão importante?

Para mim respeitar os 17 objetivos do Milénio, descritos pela ONU. No entanto, sustentabilidade será sempre tudo o que possamos fazer para garantir o mesmo património da Natureza que recebemos e legá-lo às gerações vindouras.

O que podemos fazer para diminuir nosso impacto ambiental?

Muita coisa. Especialmente o plástico. Substituir no nosso quotidiano tudo o que seja de plástico em materiais naturais e biodegradáveis. Outra preocupação é apoiar os produtores biológicos. Um mundo sem pesticidas nem OGM. Finalmente as nossas casas: aumentar a eficiência energética.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

Gil e o premiado fotógrafo Sebastião Salgado unem-se para plantar 1 milhão de árvores

O cantor e compositor Gilberto Gil, em parceria com o fotógrafo Sebastião Salgado e Lélia Deluiz Wanick Salgado, estão reunidos com a incrível missão para plantação de 1 milhão de árvores por ano no país. Tudo isso por meio do Instituto Terra.


O cantor e compositor Gilberto Gil, em parceria com o fotógrafo Sebastião Salgado e Lélia Deluiz Wanick Salgado, estão reunidos com a incrível missão para plantação de 1 milhão de árvores por ano no país. Tudo isso por meio do Instituto Terra.

Com o objetivo de incentivar a luta pelo meia ambiente, Gil também lançou o videoclipe da música “Refloresta”, a sua nova composição criada exclusivamente para a campanha de reflorestação do instituto.

A ideia da entidade é expandir o reflorestamento no Brasil e produzir 1 milhão de mudas de espécies nativas da Mata Atlântica, contando com o auxílio do grupo segurador Zurich, na Fazenda Bulcão, que já possui 120 espécies.

A ação busca falar sobre a importância da recuperação de áreas de floresta degradadas pelo homem e foi oficialmente lançada na noite do último domingo, dia 21.

A sede do instituto de Sebastião Salgado, um dos fotógrafo mais renomeados do mundo, acompanha a situação ambiental do país há tempos, sendo um exemplo vivo de iniciativa de recuperação de áreas desmatadas em nosso território.

De acordo com o instituto, 100 mil mudas já estão sendo plantadas desde novembro do ano passado.

E entre novembro de 2021 e fevereiro de 2022, o plano é plantar 140 mil árvores de 69 espécies.

A Década da Restauração de Ecossistemas como chama a ONU, que ocorre entre 2021 e 2030 é fundamental para o nosso futuro em todo o planeta.

E como diz a música de Gil, “manter em pé o que resta não basta”, seguido pelo verso “o jeito é convencer quem devasta a respeitar a floresta”.

Veja o clipe da canção abaixo:


Manter em pé o que resta não basta
Que alguém vira derrubar o que resta
O jeito é convencer quem devasta
A respeitar a floresta

Manter em pé o que resta não basta
Que a motosserra voraz faz a festa
O jeito é compreender que já basta
E replantar a floresta

Milhões de espécies, plantas e animais
Zumbidos, berros, latidos, tudo mais
Uivos, murmúrios, lamentos ancestrais
Por que não deixamos nosso mundo em paz?

Além do morro, o deserto se alastra
Toda terra, da serra aos confins
O toco oco, casco de Canastra
Onde enterramos saguis

Manter em pé o que resta não basta
Já quase todo o verde se foi
Agora é hora de ser refloresta
Que o coração não destrói

Milhões de espécies, plantas e animais
Zumbidos, berros, latidos, tudo mais
Uivos, murmúrios, lamentos ancestrais
Por que não deixamos nosso mundo em paz?

Manter em pé o que resta não basta
Que alguém vira derrubar o que resta
O jeito é convencer quem devasta
A respeitar a floresta

Manter em pé o que resta não basta
Já quase todo o verde se foi
Agora é hora de ser refloresta
Que o coração não destrói

Que o coração não destrói
Respeitar a floresta
Respeitar a floresta
Replantar a floresta
Que o coração não destrói
E respeitar a floresta
Replantar a floresta
Que o coração não destrói
Que o coração não destrói


Biografia

Página Oficial

Miguel Altieri: Agroecology and the reconstruction of a post Covid-19 agriculture


A crise do COVID-19 criou um momento em que os apelos existentes para a agroecologia adquirem nova relevância. A agroecologia fornece um caminho para reconstruir uma agricultura pós-COVID-19, capaz de evitar interrupções generalizadas no abastecimento de alimentos no futuro, territorializando a produção e o consumo de alimentos. Existem cinco áreas principais em que a agroecologia pode apontar o caminho para uma nova agricultura pós-COVID-19: superação da esteira de agrotóxicos, enriquecimento da matriz da natureza, revitalização de pequenas propriedades, criação de sistemas alternativos de produção animal e aprimoramento da agricultura urbana.

Artigo Científico aqui

Paper without the microplastics

A paper cup coated with the new MSU material on the left holds liquid without leaking, unlike its uncoated counterpart on the right. Credit: Muhammad Rabnawaz/Sustainable Materials Group

New MSU packaging technology protects paper products used in food service from oil and water without adding harmful pollutants to the environment

Michigan State University’s Muhammad Rabnawaz has created a new coating for paper packaging that’s both economical and ecofriendly.

MSU Assistant Professor Muhammad Rabnawaz

The coating, developed by Rabnawaz’s Sustainable Materials Group, protects paper packaging from oil and water — making it useful for things like paper plates and juice boxes — using environmentally friendly ingredients.

“If it enters the water, if it enters the ocean, it will decompose,” said Rabnawaz, an assistant professor in the School of Packaging, who shared the coating’s latest formulation online on Jan. 18 in the Journal of Applied Polymer Science.

This is an upgrade over many existing paper products that rely on resilient polymers called thermoplastics to keep the underlying paper dry and sturdy when holding food or beverages.

“Uncoated paper will leak,” Rabnawaz said, which is a shortcoming that has likely crossed the mind of anyone who has trusted a paper cup to hold their hot tea or coffee. “So the solution has been to laminate it with plastic.”

The plastic, however, is too good at its job. It keeps protecting the paper, even after it’s thrown out. This has two major drawbacks.

For one, the paper can’t be recycled with the plastic clinging to it. Secondly, these paper packaging products can easily end up in bodies of water, adding litter to lakes, oceans and streams.

“There’s waves. There’s tides. There’s UV light from the sun,” said Rabnawaz. “It’s the perfect recipe to turn the material from the paper into microplastics.”

Microplastics are tiny plastic fragments that pollute aquatic ecosystems and make their way into the water and seafood that people consume, carrying unknown health consequences.

Manufacturers have explored alternatives to plastic coatings, but they usually come with other problems. One of the more popular options involves coatings that belong to the PFAS family of “forever chemicals.” PFAS is the abbreviation for perfluoroalkyl and polyfluoroalkyl substances, which pose their own health concerns.

“The question we asked was can we get rid of the plastics that become microplastics without using PFAS,” Rabnawaz said.

To answer this, he enlisted the help of his Spartan team: graduate students Aditya Nair and Dhwani Kansal; research assistant Ruoqi Ping; and recent Ph.D. recipient Li Zhao.

The group formulated a coating based on biocompatible and biodegradable components. The coating contains an oil used in contact lenses, a water-soluble polymer called polyvinyl alcohol and a natural starch-like polymer derived from shellfish (which is different from the shellfish proteins that trigger allergic reactions).

Although this composition uses polymers, none are resilient as the thermoplastics currently used in paper products, Rabnawaz said.

“All plastics are polymers, but not all polymers are plastic,” he said. The new coating breaks down into water, carbon dioxide and other inert molecules instead of lingering in the environment as microplastics.

“Another good thing is, once the paper is repulped, you can remove the coating,” he added, which means that the paper can be recycled. “The paper becomes just like pristine paper and you can use it over and over again.”

Although the coating was motivated by environmental and public health concerns, Rabnawaz’s team also developed it with an eye toward economics.

For example, chitosan is naturally abundant, but the United States doesn’t prepare a lot of it for manufacturing. So the Spartans figured out how to incorporate polyvinyl alcohol, which is more readily available and less expensive. It’s what laundry pods use to encapsulate their detergent. This addition reduces the amount of chitosan required to make the coating, resulting in a more commercially viable product.

The team’s approach explains the diversity of funding supporting the work, which comes from the U.S. Environmental Protection Agency, an MSU ADVANCE Grant and the Michigan Economic Development Corporation’s Michigan Translational Research and Commercialization, or MTRAC, program.

Rabnawaz has already filed two patents related to the coating — adding to his multiple filings since joining MSU in 2016 — and started sharing samples with interested companies.

“We are definitely working on commercialization,” Rabnawaz said.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

Poluentes Orgânicos Persistentes: eles estão entre nós


O que são POPs – Poluentes Orgânicos Persistentes?
Os POPs – Poluentes Orgânicos Persistentes são substâncias químicas sintéticas pertencentes a grupos químicos diversificados. Possuem difícil degradação (persistente), são altamente tóxicas e se acumulam ao longo da cadeia alimentar (bioacumulativos), isto é, acumulam-se nos microorganismos, plantas, animais e no homem, não sendo eliminados pelos organismos com o tempo.

Os POPs possuem uma grande capacidade de se espalhar pelo meio ambiente. Por isso, mesmo que você não viva perto de grandes polos industriais, pode sofrer com os efeitos negativos destes poluentes. Quando são liberados na natureza, podem viajar, através do ar ou da água para regiões distantes de suas fontes de origem (sua presença já foi detectada em locais ermos, como nos Polos e no alto de montanhas isoladas do Canadá), sem perder seu poder de contaminação. Sem falar do solo, que se contaminado, pode afetar a produção de alimentos, que, com o processo de distribuição e venda, acaba atingindo consumidores em diferentes localidades.

De onde vêm os POPs e como são liberados na natureza?
Os POPs são gerados durante a fabricação dos mais diferentes produtos, inclusive os que empregam cloro e derivados do petróleo. Abaixo, alguns exemplos de processos que geram POPs:
  • Produção do PVC: plástico utilizado em brinquedos, utensílios domésticos, tubos e conexões, embalagens de alimentos etc;
  • Produção de papel: durante o processo de branqueamento com cloro;
  • Geração e composição de produtos agrícolas: um grande número de herbicidas, inseticidas e fungicidas;
  • Incineração de lixo: doméstico, industrial e hospitalar;
Os POPs são liberados na natureza em forma de resíduos destes processos industriais, através do uso de agrotóxicos e, também, ao utilizarmos substâncias químicas presentes em uma infinidade de produtos de uso quotidiano. Por isso podemos afirmar que os POPs estão em todo lugar e sendo repassados, geração após geração, acumulando-se no meio ambiente e no organismo dos seres vivos.

Quais os efeitos dos POPs para a saúde e para o Meio Ambiente?
Os efeitos negativos dos POPs sobre a nossa saúde e sobre Meio Ambiente são os mais variados, mesmo sob baixas concentrações:

Na saúde humana: Aumento no número de incidência de Câncer; Alterações da função endócrina; Reduções na contagem e qualidade de esperma; Aumento da incidência de ovários policísticos nas mulheres; Alterações do desenvolvimento físico e mental das crianças, dentre outras. Alguns tipos de POPs afetam, também, os neurotransmissores (substâncias químicas do sistema nervoso), assim como as células do nosso sistema imunológico.
No meio ambiente: Pesquisas têm demonstrado uma relação entre os POPs e o declínio de populações da fauna selvagem, aumento de deformidades e mortes de embriões, a feminilização de machos, infertilidade e comportamento anormal no cuidado das crias.

Quais os POPs considerados mais perigosos?
Os POPs mais perigosos – até em função de sua grande disponibilidade no mercado – são os derivados da família dos ORGANOCLORADOS – compostos orgânicos que contém na sua molécula pelo menos uma átomo de carbono e outro de cloro acompanhados ou não de átomos de hidrogénio e oxigénio.

Durante muito tempo, alguns destes compostos, como o DDT, foram utilizados como inseticidas, causando graves impactos aos ecossistemas e ao homem. No Brasil, há uma significativa produção de organoclorados, em especial na indústria do plástico.

Um exemplo disto é a produção de PVC – polímero organoclorado que tem como insumos outros compostos organoclorados, como o 1,2-dicloretano e o cloreto de vinila.

Felizmente, devido aos seus graves efeitos prejudiciais sobre a saúde e Meio Ambiente, inúmeros destes compostos, especialmente os que eram utilizados como defensivos agrícolas, foram banidos de vários países (inclusive do Brasil), enquanto outros tiveram suas estruturas modificadas.

A Convenção de Estocolmo e os POPs
Em maio de 2001, 151 países assinaram um acordo que ficou mundialmente conhecido como Convenção de Estocolmo, em que admitem a real necessidade de que determinados compostos químicos devam ser manufaturados, importados, exportados, processados, transportados, comercializados, utilizados e descartados de forma a não afetar nem o ambiente nem a saúde humana, proporcionando meios para proibir e/ou limitar a produção e uso dos POPs e – se possível, eliminar sua liberação no ambiente.

Inicialmente, a ONU havia divulgado uma lista com 12 POPs com recomendação de banimento em todo o mundo. Em 2010 foram acrescentadas outras nove substâncias à lista original. Recentemente, o pesticida conhecido como endosulfan também entrou para a lista, tornando-se o 22º POP de que trata a Convenção de Estocolmo e cuja eliminação foi recomendada, até 2013, pelos representantes de 127 governos que se reuniram em Genebra, em 2011, durante a 5ª Conferência das Partes (COP 5), da Convenção de Estocolmo. No Brasil, o uso do agrotóxico endosulfan já havia sido proibido pela Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa), do Ministério da Saúde, em agosto de 2010, depois de dois anos de análises.

Lista dos POPs “non gratos”
  • Aldrin;
  • Chlordane;
  • Dieldrin;
  • DDT;
  • Dioxinas;
  • Furannos;
  • Endrin;
  • Eptachloro;
  • Hexachlorobenzeno;
  • Mirex;
  • PCBs;
  • Toxapheno;
  • alpha hexachlorocyclohexane;
  • beta hexachlorocyclohexane;
  • chlordecone;
  • hexabromobiphenyl;
  • hexabromobiphenyl ether;
  • lindane;
  • pentachlorobenzene;
  • perfluorooctane sulfonic;
  • tetrabromodiphenyl ether;
  • endulsofan.
Alternativas
Até o momento, ainda não se conhece uma forma eficaz de interferência no processo de degradação dos POPs ou de retirar da cadeia alimentar o que já foi absorvido. Entretanto, avanços importantes na química analítica têm permitido a detecção e quantificação destes compostos, podendo contribuir para redirecionar a indústria rumo à alternativas mais sustentáveis.

Uma destas alternativas é a Produção Limpa, um conceito de produção que inclui a reflexão a respeito da real necessidade do uso de determinados produtos e, até, sobre a proibição de tecnologias e compostos tóxicos, dando prioridade à implantação de métodos e materiais de produção limpos e seguros.

A agricultura orgânica é outra opção para fugir do uso dos POPs na forma de agrotóxicos e fertilizantes sintéticos, uma vez que o sistema de cultivo baseia-se na observação das leis da natureza e todo o manejo agrícola fundamenta-se no respeito ao meio ambiente e na preservação dos recursos naturais.

Conheça, abaixo, algumas medidas defendidas pela organização Greenpeace para o problema dos POPs:
  1. O banimento da produção e do uso de substâncias químicas tóxicas por parte de indústrias e consequentemente a oferta de produtos que não contenham tais substâncias;
  2. A responsabilização das indústrias produtoras pela descontaminação de áreas contaminadas com POPs como a fábrica da Union Carbide em Bhopal, Índia, e o depósito de cal contaminada com dioxinas da Solvay em Santo André, São Paulo;
  3. O banimento do uso do plástico PVC em brinquedos e quaisquer outros produtos;
  4. A implementação da Convenção de Estolcomo , acordo promovido pela ONU, que visa banir a lista inicial dos doze sujos (doze POPs) e abre caminho para a incorporação e a exclusão de uma lista maior de substâncias tóxicas;
  5. A promulgação em todos os países de leis de direito à informação, que obriguem as empresas a fazerem e divulgarem um inventário de todos os seus problemas ambientais. Desta forma, estas empresas devem relatar seus estoques de substâncias tóxicas e como é feito o lançamento destas no ambiente. O objetivo desta medida é que estas informações sirvam como instrumento de controle e luta por melhores condições de vida para as comunidades do entorno empresarial e também a todos os seres humanos.

Celebrando o 20º Aniversário da Convenção de Estocolmo

The Stockholm Convention was adopted on 22 May 2001 in Stockholm, Sweden, and entered into force on 17 May 2004.

As of its 20th anniversary in 2021 the Convention has 184 Parties, making it near universal in its geographical coverage.

To celebrate this milestone, the Secretariat is producing the a video series “Twenty Voices for Twenty Years” in order to gather, document and share stories, experiences, successes from the Convention’s first 20 years.

This video series is made possible thanks to the funding generously provided by the Government of Sweden.


Rolph Payet, Executive Secretary of the Basel, Rotterdam and Stockholm Conventions


John Buccini, Chair of the Intergovernmental Negotiating Committee


Bo Walstromm, Former Senior Scientific Advisor of the Stockholm Convention


Jim Willis, Former Head of UNEP Chemicals and Executive Secretary of the Stockholm Convention

Convenção de Estocolmo


Portugal aprovou através do Decreto nº 15/2004 de 3 de Junho, a Convenção sobre Poluentes Orgânicos Persistentes (POP), adoptada em Estocolmo em 22 de Maio de 2001.
Os poluentes orgânicos persistentes designados por “POP”(persistent organic pollulants), são substâncias químicas que resistem à degradação sob condições naturais e que, dispersas no ambiente, se propagam através dos elementos (vento, chuva e água) ou de vectores animais, a distâncias consideráveis das suas fontes. Estas substâncias são bio-acumuláveis através da rede alimentar e podem pôr em risco a saúde humana e o ambiente.

São dois os instrumentos definidos pela comunidade internacional como ponto de referência para a resolução da questão dos poluentes orgânicos persistentes :

O Protocolo UNECE, aberto à adesão de todas as partes da Convenção das Nações Unidas sobre a Poluição Atmosférica Transfronteiras a Longa Distância (CLRTAP). Foi assinado pela Comunidade Europeia e por todos os Estados- Membros em 24 de Junho de 1998. Centra-se numa lista de 16 substâncias
(onze pesticidas, dois produtos químicos industriais e três subprodutos de produção não deliberada). O protocolo entrou em vigor em 23 de Outubro de 2003;

A Convenção de Estocolmo, adoptada em Maio de 2001, com a participação activa e a assinatura da Comunidade Europeia e de todos os Estados-Membros em 22 de Maio de 2001. Esta regulamenta uma acção a nível mundial relativamente a um agregado inicial de doze POP, com referência específica à aplicação do princípio da precaução e estabelece as regras para o alargamento progressivo da convenção a outras substâncias com características de persistência que requerem uma acção global.
Já em 1995, e integrado no programa ambiental das Nações Unidas, reuniram-se vários peritos da UNEP ( United Nations Environment Program), para que fosse negociado o controlo do uso, produção e libertação de Poluentes Orgânicos Persistentes e tendo esse grupo de peritos identificado de acordo com critérios científicos, os doze poluentes que deveriam ser objecto da Convenção:

oito pesticidas : aldrina e dieldrina, endrina, clordano, heptacloro, DDT, toxafeno e mirex;
dois químicos de aplicação industrial: hexaclorobenzeno e PCBs;
dois resíduos (sub-produtos não intencionais): dioxinas e furanos.

As negociações decorreram durante um longo período e culminaram com a Convenção de Estocolmo sobre Poluentes Orgânicos Persistentes, que defende:

O princípio da precaução: onde existam ameaças de riscos sérios ou irreversíveis não será utilizada a falta de certeza científica como razão para o adiamento de medidas eficazes em termos de custo para evitar a degradação ambiental;
obrigações de financiamento: consagra o Fundo Global para o Ambiente (GEF) como o mecanismo de financiamento principal, e obriga os países desenvolvidos a prestar auxílio financeiro aos países em desenvolvimento;

A eliminação dos POPs produzidos intencionalmente, existentes e futuros: dos oito pesticidas mencionados, a maior parte é banida do mercado com a entrada em vigor da Convenção. Para os PCBs prevê-se uma eliminação gradual, assim como para o DDT, embora se admita o seu uso para controlo de vectores (fundamentalmente, o mosquito transmissor da malária). As Partes ficam ainda obrigadas a “tomar medidas reguladoras com o objectivo de prevenir” a produção e uso de quaisquer novos POPs;

A eliminação, como objectivo último, dos sub-produtos orgânicos persistentes: para as dioxinas, furanos e hexaclorobenzeno, as Partes deverão reduzir as emissões totais “com o objectivo de as minimizar continuamente e, sempre que praticável, as eliminar”. Para tal devem recorrer a processos, materiais e produtos alternativos – prevenindo, na fonte, a produção dos poluentes – em detrimento de tecnologias fim-de-linha;

A gestão e deposição sustentáveis de POPs

Limites estritos e interdições ao comércio de POPs: o comércio de POPs passa a ser permitido apenas para assegurar a sua correcta deposição ou em circunstâncias muito limitadas em que o Estado importador garante o seu empenho na protecção da saúde e do ambiente e o cumprimento de todos os requisitos consagrados na Convenção;

Reservas limitadas e transparentes: a maior parte das reservas à Convenção – ou seja, excepções à sua aplicação – são específicas para certos países ou certos químicos. Excepções mais genéricas incluem o uso de POPs para fins científicos, a sua ocorrência vestigial como contaminante e a posse de pequenas quantidades por um utilizador final.




terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

Is the World poor, or unjust?


"Poor countries are not 'under-developed', they are over-exploited." —Michael Parenti

By Jason Hickel

Social media has been ablaze with this question recently. We know we face a crisis of mass poverty: the global economy is organized in such a way that nearly 60% of humanity is left unable to meet basic needs. But the question at stake this time is different. A couple of economists on Twitter have claimed that the world average income is $16 per day (PPP). This, they say, is proof that the world is poor in a much more general sense: there is not enough for everyone to live well, and the only way to solve this problem is to press on the accelerator of aggregate economic growth.

This narrative is, however, hobbled by several empirical problems.

1. $16 per day is not accurate
First, let me address the $16/day claim on its own terms. This is a significant underestimate of world average income. The main problem is that it relies on household surveys, mostly from Povcal. These surveys are indispensable for telling us about the income and consumption of poor and ordinary households, but they do not capture top incomes, and are not designed to do so. In fact, Povcal surveys are not even really legitimate for capturing the income of “normal” high-income households. Using this method gives us a total world household income of about $43 trillion (PPP). But we know that total world GDP is $137 trillion (PPP). So, about two-thirds of global income is unaccounted for.

What explains this discrepancy? Some of the “missing” income is the income of the global rich. Some of it is consumption that’s related to housing, NGOs, care homes, boarding schools, etc, which are also not captured by these surveys (but which are counted as household consumption in national accounts). The rest of it is various forms of public expenditure and public provisioning.

This final point raises a problem that’s worth addressing. The survey-based method mixes income- and consumption-based data. Specifically, it counts non-income consumption in poor countries (including from commons and certain kinds of public provisioning), but does not count non-income consumption or public provisioning in richer countries. This is not a small thing. Consider people in Finland who are able to access world-class healthcare and higher education for free, or Singaporeans who live in high-end public housing that’s heavily subsidized by the government. The income equivalent of this consumption is very high (consider that in the US, for instance, people would have to pay out of pocket for it), and yet it is not captured by these surveys. It just vanishes.

Of course, not all government expenditure ends up as beneficial public provisioning. A lot of it goes to wars, arms, fossil fuel subsidies and so on. But that can be changed. There’s no reason that GDP spent on wars could not be spent on healthcare, education, wages and housing instead.

For these reasons, when assessing the question of whether the world is poor in terms of income, it makes more sense to use world average GDP, which is $17,800 per capita (PPP). Note that this is roughly consistent with the World Bank’s definition of a “high-income” country. It is also well in excess of what is required for high levels of human development. According to the UNDP, some nations score “very high” (0.8 or above) on the life expectancy index with as little as $3,300 per capita, and “very high” on the education index with as little as $8,700 per capita. In other words, the world is not poor, in aggregate. Rather, income is badly maldistributed.

To get a sense for just how badly it is maldistributed, consider that the richest 1% alone capture nearly 25% of world GDP, according to the World Inequality Database. That’s more than the GDP of 169 countries combined, including Norway, Argentina, all of the Middle East and the entire continent of Africa. If income was shared more fairly (i.e., if more of it went to the workers who actually produce it), and invested in universal public goods, we could end global poverty many times over and close the health and education gap permanently.

2. GDP accounting does not reflect economic value
But even GDP accounting is not adequate to the task of determining whether or not the world is poor. The reason is because GDP is not an accurate reflection of value; rather, it is a reflection of prices, and prices are an artefact of power relations in political economy. We know this from feminist economists, who point out that labour and resources mobilized for domestic reproduction, primarily by women, is priced at zero, and therefore “valued” at zero in national accounts, even though it is in reality essential to our civilization. We also know this from literature on unequal exchange, which points out that capital leverages geopolitical and commercial monopolies to artificially depress or “cheapen” the prices of labour in the global South to below the level of subsistence.

Let me illustrate this latter point with an example. Beginning in the 1980s, the World Bank and IMF (which are controlled primarily by the US and G7), imposed structural adjustment programmes across the global South, which significantly depressed wages and commodity prices (cutting them in half) and reorganized Southern economies around exports to the North. The goal was to restore Northern access to the cheap labour and resources they had enjoyed during the colonial era. It worked: during the 1980s the quantity of commodities that the South exported to the North increased, and yet their total revenues on this trade (i.e., the GDP they received for it) declined. In other words, by depressing the costs of Southern labour and commodities, the North is able to appropriate a significant quantity effectively for free.

The economist Samir Amin described this as “hidden value”. David Clelland calls it “dark value” – in other words, value that is not visible at all in national or corporate accounts. Just as the value of female domestic labour is “hidden” from view, so too are the labour and commodities that are net appropriated from the global South. In both cases, prices do not reflect value. Clelland estimates that the real value of an iPad, for example, is many times higher than its market price, because so much of the Southern labour that goes into producing it is underpaid or even entirely unpaid. John Smith points out that, as a result, GDP is an illusion that systematically underestimates real value.

There is a broader fact worth pointing to here. The whole purpose of capitalism is to appropriate surplus value, which by its very nature requires depressing the prices of inputs to a level below the value that capital actually derives from them. We can see this clearly in the way that nature is priced at zero, or close to zero (consider deforestation, strip mining, or emissions), despite the fact that all production ultimately derives from nature. So the question is, why should we use prices as a reflection of global value when we know that, under capitalism, prices by their very definition do not reflect value?

We can take this observation a step further. To the extent that capitalism relies on cheapening the prices of labour and other inputs, and to the extent that GDP represents these artificially low prices, GDP growth will never eradicate scarcity because in the process of growth scarcity is constantly imposed anew.

So, if GDP is not an accurate measure of the value of the global economy, how can we get around this problem? One way is to try to calculate the value of hidden labour and resources. There have been many such attempts. In 1995, the UN estimated that unpaid household labour, if compensated, would earn $16 trillion in that year. More recent estimates have put it at many times higher than that. Similar attempts have been made to value “ecosystem services”, and they arrive at numbers that exceed world GDP. These exercises are useful in illustrating the scale of hidden value, but they bump up against a problem. Capitalism works precisely because it does not pay for domestic labour and ecosystem services (it takes these things for free). So imagining a system in which these things are paid requires us to imagine a totally different kind of economy (with a significant increase in the money supply and a significant increase in the price of labour and resources), and in such an economy money would have a radically different value. These figures, while revealing, compare apples and oranges.

3. What matters is resources and provisioning
There is another approach we can use, which is to look at the scale of the useful resources that are mobilized by the global economy. This is preferable, because resources are real and tangible and can be accurately counted. Right now, the world economy uses 100 billion tons of resources per year (i.e., materials processed into tangible goods, buildings and infrastructure). That’s about 13 tons per person on average, but it is highly unequal: in low and lower-middle income countries it’s about 2 tons, and in high-income countries it’s a staggering 28 tons. Research in industrial ecology indicates that high standards of well-being can be achieved with about 6-8 tons per per person. In other words, the global economy presently uses twice as much resources as would be required to deliver good lives for all.

We see the same thing when it comes to energy. The world economy presently uses 400 EJ of energy per year, or 53 GJ per person on average (again, highly unequal between North and South). Recent research shows that we could deliver high standards of welfare for all, with universal healthcare, education, housing, transportation, computing etc, with as little as 15 GJ per capita. Even if we raise that figure by 75% to be generous it still amounts to a global total of only 26 GJ. In other words, we presently use more than double the energy that is required to deliver good lives for everyone.

When we look at the world in terms of real resources and energy (i.e., the stuff of provisioning), it becomes clear that there is no scarcity at all. The problem isn’t that there’s not enough, the problem, again, is that it is maldistributed. A huge chunk of global commodity production is totally irrelevant to human needs and well-being. Consider all the resources and energy that are mobilized for the sake of fast fashion, throwaway gadgets, single-use stadiums, SUVs, bottled water, cruise ships and the military-industrial complex. Consider the scale of needless consumption that is stimulated by manipulative advertising schemes, or enforced by planned obsolescence. Consider the quantity of private cars that people have been forced to buy because the fossil fuel industry and automobile manufactures have lobbied so aggressively against public transportation. Consider that the beef industry alone uses nearly 60% of the world’s agricultural land, to produce only 2% of global calories.

There is no scarcity. Rather, the world’s resources and energy are appropriated (disproportionately from the global South) in order to service the interests of capital and affluent consumers (disproportionately in the global North). We can state it more clearly: our economic system is not designed to meet human needs; it is designed to facilitate capital accumulation. And in order to do so, it imposes brutal scarcity on the majority of people, and cheapens human and nonhuman life. It is irrational to believe that simply “growing” such an economy, in aggregate, will somehow magically achieve the social outcomes we want.

We can think of this in terms of labour, too. Consider the labour that is rendered by young women in Bangladeshi sweatshops to produce fast fashion for Northern consumption; and consider the labour rendered by Congolese miners to dig up coltan for smartphones that are designed to be tossed every two years. This is an extraordinary waste of human lives. Why? So that Zara and Apple can post extraordinary profits.

Now imagine what the world would be like if all that labour, resources and energy was mobilized instead around meeting human needs and improving well-being (i.e., use-value rather than exchange-value). What if instead of appropriating labour and resources for fast fashion and Alexa devices it was mobilized around providing universal healthcare, education, public transportation, social housing, organic food, water, energy, internet and computing for all? We could live in a highly educated, technologically advanced society with zero poverty and zero hunger, all with significantly less resources and energy than we presently use. In other words we could not only achieve our social goals, but we could meet our ecological goals too, reducing excess resource use in rich countries to bring them back within planetary boundaries, while increasing resource use in the South to meet human needs.

There is no reason we cannot build such a society (and it is achievable, with concrete policy, as I describe here, here and here), except for the fact that those who benefit so prodigiously from the status quo do everything in their power to prevent it.

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