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sábado, 28 de março de 2026

Albert Einstein sobre a nossa interconectividade ecológica e cósmica


"O ser humano é uma parte do todo a que chamamos 'Universo', uma parte limitada no tempo e no espaço. Ele experiencia-se a si próprio, aos seus pensamentos e sentimentos, como algo separado do resto — uma espécie de ilusão de ótica da sua consciência.

Esta ilusão é uma espécie de prisão para nós, que nos restringe aos nossos desejos pessoais e ao afeto por algumas pessoas mais próximas. A nossa tarefa deve ser libertarmo-nos dessa prisão, alargando o nosso círculo de compaixão de modo a abranger todas as criaturas vivas e a totalidade da natureza na sua beleza."

Esta passagem profunda pertence a uma carta de condolências escrita por Albert Einstein em 12 de fevereiro de 1950.

O destinatário era o Rabino Robert S. Marcus, na época Diretor Político do Congresso Judaico Mundial. O Dr. Marcus havia escrito a Einstein num momento de desespero absoluto, procurando conforto espiritual após a morte prematura do seu filho de 11 anos, vítima de poliomielite.

O Contexto da Carta
Marcus questionava Einstein sobre como conciliar a visão científica do mundo com a necessidade de acreditar na imortalidade da alma para suportar a dor da perda. Einstein respondeu com este texto, que se tornou uma das suas reflexões mais famosas sobre a espiritualidade secular e a interconexão da vida.

O Texto Original (Inglês)
"A human being is a part of the whole, called by us 'Universe,' a part limited in time and space. He experiences himself, his thoughts and feelings as something separated from the rest — a kind of optical delusion of his consciousness.

This delusion is a kind of prison for us, restricting us to our personal desires and to affection for a few persons nearest to us. Our task must be to free ourselves from this prison by widening our circle of compassion to embrace all living creatures and the whole of nature in its beauty."

Onde ler o original
Como Einstein escreveu esta carta de forma privada, ela não foi um artigo científico publicado originalmente, mas foi preservada nos Arquivos Albert Einstein. Pode encontrar o registo e transcrições em fontes arquivísticas e literárias de referência:

  1. Albert Einstein Archives: O documento está catalogado sob a referência 33-188.
  2. Livro: The New Quotable Einstein, editado por Alice Calaprice (Princeton University Press).
  3. Digital: O site The Marginalian possui um artigo detalhado que inclui a carta enviada pelo Rabino e a resposta de Einstein.
A carta completa também está no livro "The Quantum and the Lotus: A Journey to the Frontiers Where Science and Buddhism Meet", 2020

Matthieu Ricard formou-se em biologia molecular, trabalhou e concluiu um Doutoramento no Instituto Pasteur, em Paris, sob a supervisão do cientista francês François Jacob, um cientista vencedor do Prémio Nobel, mas quando leu sobre filosofia budista, sentiu-se atraído pelo budismo. Eventualmente, deixou a sua vida na ciência para estudar com mestres tibetanos e é agora monge budista e tradutor do Dalai Lama, vivendo no mosteiro de Shechen, perto de Katmandu, no Nepal. Trinh Thuan nasceu numa família budista no Vietname, mas ficou intrigado com a explosão de descobertas na astronomia durante a década de 1960. Foi para o prestigiado Instituto de Tecnologia da Califórnia para estudar com alguns dos maiores nomes da área e é agora um astrofísico aclamado e especialista em como as galáxias se formaram.
Quando Matthieu Ricard e Trinh Thuan se conheceram numa conferência académica, no verão de 1997, começaram a discutir as muitas ligações notáveis ​​entre os ensinamentos do Budismo e as descobertas da ciência recente. Esta conversa transformou-se numa correspondência surpreendente, explorando uma série de questões fascinantes. O universo teve um início? Ou será que o nosso universo é apenas um numa série de universos infinitos, sem fim nem princípio? Será que o conceito de um início do tempo é fundamentalmente falho? Será que a nossa perceção do tempo é, na verdade, uma ilusão, um fenómeno criado nos nossos cérebros que não possui uma realidade última? Será que o impressionante ajuste fino do universo, que produziu as condições ideais para a evolução da vida, é um sinal de que um "princípio da criação" está em ação no nosso mundo? Se tal princípio da criação sustenta o funcionamento do universo, o que nos diz isto sobre a existência ou não de um Criador divino? Como é que a interpretação radical da realidade oferecida pela física quântica se conforma e, ao mesmo tempo, difere da conceção budista da realidade? O que é a consciência e como evoluiu? Pode a consciência existir independentemente de um cérebro que a gere?
A estimulante viagem de descoberta percorrida pelos autores nas suas discussões é recriada de forma primorosa em "O Quântico e o Lótus", escrito ao estilo de um diálogo animado entre amigos. Tanto os ensinamentos fundamentais do Budismo como as descobertas da ciência contemporânea são apresentados com grande clareza, e o leitor ficará profundamente impressionado com as muitas correspondências entre as duas correntes de pensamento e de revelação. Ao longo do seu diálogo, os autores chegam a um notável encontro de mentes, oferecendo, em última análise, uma nova e vital compreensão das muitas formas como a ciência e o budismo se confirmam e se complementam, e das formas como, como escreve Matthieu Ricard, "o conhecimento dos nossos espíritos e o conhecimento do mundo são mutuamente esclarecedores e fortalecedores".
"O Quântico e o Lótus é uma exploração instigante e reveladora dos paralelos fascinantes entre o pensamento vanguardista na física e o Budismo - uma conversa brilhante que qualquer pessoa pensante teria prazer em ouvir." — Daniel Goleman, autor de "Inteligência Emocional"
"O Quântico e o Lótus é o resultado rico e inspirador de um diálogo profundamente interessante entre a ciência ocidental e a filosofia budista. Este livro notável contribuirá muito para uma melhor compreensão da verdadeira natureza do nosso mundo e da forma como vivemos as nossas vidas." —Sua Santidade o Dalai Lama

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