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terça-feira, 30 de novembro de 2021

Polvos, caranguejos e lagostas são seres sencientes, e não devem ser cozidos vivos, pois são capazes de sentir dor

Fonte: aqui

Até aqui, estes animais não eram vistos como capazes de sentir dor, por serem invertebrados. Mas agora são considerados seres sencientes, e cientistas ingleses pedem o fim de práticas dolorosas para os animais

De acordo com o relatório, estes animais são capazes de sentir dor e sofrimento. A descoberta levou o Governo do Reino Unido a adicionar estas espécies animais à categoria de ‘seres sencientes’, protegidos por um diploma legal que está em vias de ser aprovado no país.

O âmbito do Projeto de Lei do Bem-Estar Animal foi assim alargado para reconhecer os crustáceos decápodes e moluscos cefalópodes como seres sencientes, abrangidos pela proteção deste diploma legal, anunciou o Governo britânico. O Projeto de Lei do Bem-Estar Animal já reconhecia previamente como seres sencientes todos os animais vertebrados.

Fundamental para a inclusão destes animais na categoria de seres sencientes foi a descoberta de que têm sistemas nervosos centrais complexos. O relatório utilizou oito critérios diferentes relacionados com a função neurológica e comportamento dos animais, para medir a sua senciência. Aferiram, por exemplo, da capacidade de aprendizagem, presença de recetores de dor, ligações entre os recetores de dor e certas partes do cérebro, resposta a analgésicos e anestésicos, e ainda comportamentos como o equilíbrio entre ameaça e oportunidade de recompensa, ou proteção contra lesões ou ameaças.

Os animais que preencheram mais requisitos foram os polvos. Os cientistas encontraram provas “muito fortes” de senciência em polvos, e provas “fortes” em relação à maioria das espécies de caranguejos. Para os restantes animais destes grupos, como lulas, chocos, lagostas, etc. foram encontradas provas “substanciais”.

No entanto, os investigadores admitem que esta diferenciação entre as provas encontradas se prende com algumas limitações dos estudos efetuados. “A atenção científica tem vindo a ser dirigida a alguns animais em vez de outros por razões de conveniência prática (por exemplo, que animais podem ser mantidos em laboratórios) e geografia (por exemplo, que espécies estão disponíveis perto dos laboratórios). Devido a esta situação, pensamos que seria inadequado limitar a protecção a ordens específicas de cefalópodes e de decápodes”, pode ler-se no relatório.

A iniciativa já vinha sendo discutida, na sequência de um relatório publicado pela ONG Conservative Animal Welfare Foundation (CAWF), que reúne evidência científica de que estes animais são capazes de sentir tanto dor como prazer, bem como de analisar opções para para evitar predadores, conseguir alimento e evitar ambientes indesejáveis. A organização argue que a definição do que é um ser senciente deve ser revista – antes, o argumento para não classificar os decápodes e cefalópodes como sencientes prendia-se com o facto de estes não serem vertebrados – algo que a ONG vê como uma visão demasiado “antropocêntrica”, que “não capta o que significa para um animal ser senciente”.

“Acreditamos que as provas são suficientes para mostrar que estes animais experimentam de facto prazer e dor”, pode ler-se. “Dada a força das provas e o vasto número de animais envolvidos, é importante que ultrapassemos a questão de saber se estes animais podem sofrer, para a exploração de como podemos aliviar o seu sofrimento”.

O documentário da Netflix intitulado “A Sabedoria do Polvo” também contribuiu largamente para trazer para o centro do debate a questão da senciência e sensibilidade destes animais, que são capazes de atos tão ‘humanos’ como sonhar ou resolver puzzles.

O relatório agora publicado enuncia ainda recomendações em relação a algumas práticas comerciais, como a remoção das pinças, no caso dos caranguejos, lagostas e lagostins, transporte e abate dos animais, entre outras. É mencionado, por exemplo, que o atordoamento dos animais através de “descargas elétricas segundo parâmetros adequados para a espécie pode induzir um estado semelhante a convulsões em decápodes relativamente grandes, o que diminui, sem abolir totalmente, a resposta do sistema nervoso à água a ferver”. Os cientistas recomendam que sejam realizados mais estudos sobre a adequação desta medida no abate destes animais.

Recomenda-se ainda que certos métodos de abate sejam abandonados, como a imersão em água a ferver ou a separação da cabeça ou abdómen do tórax (no caso dos decápodes), e são indicados métodos mais humanos que devem ser usados em alternativa – preferencialmente, precedidos do atordoamento com recurso a descargas elétricas.

No entanto, trata-se apenas de recomendações: o projeto de lei não ambiciona implementar mudanças obrigatórias nas práticas de pesca e captura destes animais, nem na indústria da restauração. O projeto de lei tem antes o objetivo de “assegurar que o bem-estar animal é considerado em decisões futuras”, segundo o Governo britânico.

De acordo com Zac Goldsmith, Ministro do Ambiente e Clima, do Bem-Estar Animal e Florestas do Reino Unido, “a Lei do Bem-Estar Animal fornece uma garantia crucial de que o bem-estar animal é adequadamente considerado ao desenvolver novas leis. A ciência é agora clara, e diz que os decápodes e cefalópodes podem sentir dor e por isso é justo que sejam abrangidos por esta peça vital de legislação”.

Austria ready to sue EU over nuclear’s inclusion in green finance taxonomy


Austria’s energy and climate minister Leonore Gewessler told EURACTIV in an exclusive interview that her country was ready to go to court if the EU decides to include nuclear power into the bloc’s taxonomy on sustainable finance.

In October, European Commission President Ursula von der Leyen announced that the EU executive would soon table proposals on gas and nuclear as part of the bloc’s sustainable finance taxonomy, a set of rules designed to provide investors with a common definition of what is green and what is not.

A group of twelve EU countries, led by France and Finland, want nuclear energy included, arguing it is a low-carbon energy source and that radioactive waste can be handled safely if appropriate measures are taken.

But Austria would be ready to challenge that decision in front of the European Court of Justice said Leonore Gewessler, the Austrian minister for climate protection and energy.

“There is no legal basis for including nuclear power in the EU taxonomy,” Gewessler said adding that, “Yes, if the EU taxonomy includes nuclear energy, we are ready to challenge that in court.”

Austria is at the centre of a five-country alliance bringing together Denmark, Germany, Luxembourg and Portugal, which seeks to prevent the inclusion of nuclear energy in the EU’s green finance rules. The alliance was launched during the COP26 climate summit in Glasgow.

In face of a French-led push to revive nuclear power in Europe, a group of five EU countries led by Germany have banded together to urge the European Commission to keep nuclear out of the EU’s green finance taxonomy.

Legal analysis

For Gewessler, “the credibility of the taxonomy is at stake” when deciding how to classify nuclear under the EU’s green finance rules.

The Austrian energy and climate ministry commissioned a legal analysis earlier this year, which found that “that the inclusion of nuclear energy is not compatible with the legal basis of Article 10 of the Taxonomy Regulation,” she said.

“We have a great responsibility here, in terms of taxonomy, to remain consistent and coherent” with the ambitions of the European Green Deal and maintain trust in the financial markets, she argued.

“The considerable damage caused by nuclear energy is well documented historically,” she explained, citing “the dangers of nuclear power itself” as evidenced by the Chernobyl and Fukushima disasters.

The safe disposal of spent radioactive fuel is also a matter of concern. “We have not yet found a global solution for…the question of final storage,” she said.

Besides, nuclear power “is much too expensive and much too slow to make a contribution” to the bloc’s climate goals, Gewessler continued.

The next-generation French reactor currently being built at Flamanville, whose construction started in 2007, has been massively delayed, with completion now scheduled in 2023 while costs have increased fivefold, she remarked.

Earlier this month, leading French EU lawmaker Pascal Canfin proposed letting nuclear energy and gas in the taxonomy as “transition” energy sources while the bloc pursues its long-term switch to renewable energy sources.

Canfin’s suggestion is to label gas a “transition” investment when it replaces coal and provided strict emission thresholds are met.

But Gewessler rejected that proposal too. “Just because something is less bad than coal doesn’t make it good or sustainable. It is still fossil energy,” she said.


With proper safeguards in place, both gas and nuclear power can be included in the “transition” category of the EU’s green finance taxonomy, says Pascal Canfin, a leading lawmaker in the European Parliament.

According to Gewessler, Austria will be able to count on the support of Germany and Spain in case it goes to court over the matter.

“Spain shares Austria’s position one-to-one. Spain sees neither nuclear energy nor fossil gas in the taxonomy and has made this very clear before,” she said.

While Spain has been absent from the five-country alliance announced at COP26, it “sent a joint letter [with Austria and others] on nuclear energy to the Commission months ago. There is no room between us,” explained Gewessler.

And Austria’s neighbour Germany can always be counted on in the fight against nuclear power.

“Nuclear power cannot be a solution in the climate crisis, it is too risky, it is too slow, it is too expensive,” explained her German counterpart Svenja Schulze, caretaker minister of the environment, on 11 November.

“No climate activist should rely on nuclear power,” she added.
A proposal to bring both nuclear power and natural gas into the bloc’s green finance taxonomy is circulating in Brussels. The paper has been branded as a “scientific disgrace” by campaigners who warned it would damage the EU’s credibility on green finance.

segunda-feira, 29 de novembro de 2021

Fact check: Is nuclear energy good for the climate?

Supporters of nuclear energy say it can help us wean our economies off polluting fossil fuels. No surprise, it's a heated issue. But what about the facts? Can nuclear power really help save the climate?



The latest figures on global carbon dioxide emissions call into question the world's efforts to tackle the climate crisis. CO2 emissions are set to soar 4.9% in 2021, compared with the previous year, according to a study published earlier this month by the Global Carbon Project (GCP), a group of scientists that track emissions.

In 2020, emissions dropped 5.4% due to the COVID-19 pandemic and associated lockdowns. Most observers expected a rebound this year — but not to such an extent. The energy sector continues to be the largest emitter of greenhouse gases, with a share of 40% — and rising.

But what about nuclear? Supporters of the controversial energy source say it's a climate-friendly way to generate electricity. At the very least, it's something we could use until we're able to develop comprehensive alternatives. In recent weeks, particularly during the COP26 climate summit, advocates have been creating a stir online with statements like "if you're against nuclear energy, you're against climate protection" and "nuclear energy is about to make a comeback." But is there anything to it?

Is nuclear power a zero-emissions energy source?

No. Nuclear energy is also responsible for greenhouse gas emissions. In fact, no energy source is completely free of emissions, but more on that later.

When it comes to nuclear, uranium extraction, transport and processing produces emissions. The long and complex construction process of nuclear power plants also releases CO2, as does the demolition of decommissioned sites. And, last but not least, nuclear waste also has to be transported and stored under strict conditions — here, too, emissions must be taken into account.

And yet, interest groups claim nuclear energy is emission-free. Among them is Austrian consulting firm ENCO. In late 2020, it released a study prepared for the Dutch Ministry of Economic Affairs and Climate Policy that looked favorably at the possible future role of nuclear in the Netherlands.

"The main factors for its choice were reliability and security of supply, with no CO2 emission," it read. ENCO was founded by experts from the International Atomic Energy Agency, and it regularly works with stakeholders in the nuclear sector, so it's not entirely free of vested interests.

At COP26, environmental initiative Scientists for Future (S4F) presented a paper on nuclear energy and the climate. The group came to a very different conclusion. "Taking into account the current overall energy system, nuclear energy is by no means CO2 neutral," they said.

Ben Wealer of the Technical University of Berlin, one of the report's authors, told DW that proponents of nuclear energy "fail to take into account many factors," including those sources of emissions outlined above. All the studies reviewed by DW said the same thing: Nuclear power is not emissions-free.

How much CO2 does nuclear power produce?

Results vary significantly, depending on whether we only consider the process of electricity generation, or take into account the entire life cycle of a nuclear power plant. A report released in 2014 by the UN's Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC), for example, estimated a range of 3.7 to 110 grams of CO2 equivalent per kilowatt-hour (kWh).

It's long been assumed that nuclear plants generate an average of 66 grams of CO2/kWh — though Wealer believes the actual figure is much higher. New power plants, for example, generate more CO2 during construction than those built in previous decades, due to stricter safety regulations.

Studies that include the entire life cycle of nuclear power plants, from uranium extraction to nuclear waste storage, are rare, with some researchers pointing out that data is still lacking. In one life cycle study, the Netherlands-based World Information Service on Energy (WISE) calculated that nuclear plants produce 117 grams of CO2 emissions per kilowatt-hour. It should be noted, however, that WISE is an anti-nuclear group, so is not entirely unbiased.

Emissions Balance Energy Sources 2020

However, other studies have come up with similar results when considering entire life cycles. Mark Z. Jacobson, director of the Atmosphere / Energy Program at California's Stanford University, calculated a climate cost of 68 to 180 grams of CO2/kWh, depending on the electricity mix used in uranium production and other variables.

How climate-friendly is nuclear compared to other energies?

If the entire life cycle of a nuclear plant is included in the calculation, nuclear energy certainly comes out ahead of fossil fuels like coal or natural gas. But the picture is drastically different when compared with renewable energy.

According to new but still unpublished data from the state-run German Environment Agency (UBA) as well as the WISE figures, nuclear power releases 3.5 times more CO2 per kilowatt-hour than photovoltaic solar panel systems. Compared with onshore wind power, that figure jumps to 13 times more CO2. When up against electricity from hydropower installations, nuclear generates 29 times more carbon.

Could we rely on nuclear energy to help stop global warming?

Around the world, nuclear energy representatives, as well as some politicians, have called for the expansion of atomic power. In Germany, for example, the right-wing populist AfD party has backed nuclear power plants, calling them "modern and clean." The AfD has called for a return to the energy source, which Germany has pledged to phase out completely by the end of 2022.

Other countries have also supported plans to build new nuclear plants, arguing that the energy sector will be even more damaging for the climate without it. But Wealer from Berlin's Technical University, along with numerous other energy experts, sees takes a different view.

"The contribution of nuclear energy is viewed too optimistically," he said. "In reality, [power plant] construction times are too long and the costs too high to have a noticeable effect on climate change. It takes too long for nuclear energy to become available."

Mycle Schneider, author of the World Nuclear Industry Status Report, agrees.

"Nuclear power plants are about four times as expensive as wind or solar, and take five times as long to build," he said. "When you factor it all in, you're looking at 15-to-20 years of lead time for a new nuclear plant."

He pointed out that the world needed to get greenhouse gases under control within a decade. "And in the next 10 years, nuclear power won't be able to make a significant contribution," added Schneider.

"Nuclear power is not being considered at the current time as one of the key global solutions to climate change," said Antony Froggatt, deputy director of the environment and society program at the international affairs think tank Chatham House in London.

He said a combination of excessive costs, environmental consequences and lack of public support were all arguments against nuclear power.

A graphic comparing the cost of various energy sources, along with environmental and health costs

Nuclear funding could go toward renewables

Due to the high costs associated with nuclear energy, it also blocks important financial resources that could instead be used to develop renewable energy, said Jan Haverkamp, a nuclear expert and activist with environment NGO Greenpeace in the Netherlands. Those renewables would provide more energy that is both faster and cheaper than nuclear, he said.

"Every dollar invested in nuclear energy is therefore a dollar diverted from true urgent climate action. In that sense, nuclear power is not climate-friendly," he said.

In addition, nuclear energy itself has been affected by climate change. During the world's increasingly hot summers, several nuclear power plants have already had to be temporarily shut down or taken off the grid. Power plants depend on nearby water sources to cool their reactors, and with many rivers drying up, those sources of water are no longer guaranteed.

The much vaunted "renaissance of nuclear power" is anything but when all the facts are taken into consideration, Mycle Schneider told DW. He said the nuclear industry has been shrinking for years.

"In the last 20 years, 95 nuclear power plants have gone online and 98 have been shut down. If you take China out of the equation, the number of nuclear power plants has shrunk by 50 reactors in the last two decades," Schneider added. "The nuclear industry is not thriving."

Fonte: DW

Proposta em estudo na China: asas para acelerar comboios de alta velocidade

Os comboios tradicionais de alta velocidade chineses atingem atualmente 350 quilómetros por hora.

Um estudo científico chinês propôs adicionar cinco pares de asas a cada vagão dos comboios de alta velocidade do país para reduzir o seu peso e aumentar a velocidade em 28,6%, segundo um jornal de Hong Kong.

De acordo com o South China Morning Post, o estudo, parte do projeto oficial CR450, que visa aumentar a velocidade dos comboios atuais, constatou que o acrescento de pequenas asas pode gerar sustentação suficiente para reduzir o seu peso em um terço, aumentando a velocidade para 450 quilómetros por hora.

Os comboios tradicionais de alta velocidade chineses atingem atualmente 350 quilómetros por hora.

Engenheiros japoneses tiveram uma ideia semelhante na década de 1980, mas esta foi descartada porque as asas eram muito grandes e tornavam impossível que os comboios circulassem nas linhas ferroviárias e túneis existentes.

No entanto, os cientistas chineses optaram por colocar asas menores no teto dos comboios, em vez de nas laterais, segundo o South China Morning Post.

De acordo com os cientistas, que publicaram o seu estudo na revista científica Acta Aerodynamica Sinica, a ideia é um "avanço no campo da aerodinâmica dos comboios de alta velocidade que reduzirá custos e energia", embora eles alertem que velocidades maiores podem reduzir "a vida útil das rodas e que as asas teriam que ser instaladas e cuidadosamente projetadas".

Com 37,9 mil quilómetros de extensão, a malha ferroviária de alta velocidade da China compõe mais de dois terços do total do mundo.

A primeira linha chinesa de alta velocidade - um troço de 117 quilómetros entre Pequim e Tianjin - começou a funcionar em 2008, quando a capital chinesa organizou os Jogos Olímpicos, 28 anos depois do nascimento do TGV francês.

sábado, 27 de novembro de 2021

Subida da temperatura do planeta pode exceder o previsto

O alerta consta de um estudo publicado na revista Nature Climate Change, divulgada na segunda-feira.


As projeções de subida da temperatura média global elaboradas pela Organização das Nações Unidas (ONU), a partir dos compromissos e das políticas de redução dos gases com efeito de estufa, são mais incertas do que se admite.

Segundo as estimativas mais recentes da ONU, apesar dos novos compromissos para 2030 anunciados antes e durante a recente Conferência das Partes da Convenção-Quadro da ONU para as Alterações Climáticas, a COP26, o planeta dirige-se para um aumento "catastrófico" de 2,7 graus centígrados (ºC) até ao final do século, longe dos objetivos do Acordo de Paris, de limitar bem abaixo de 2ºC, se possível 1,5ºC, em relação à era pré-industrial.

Mas a precisão aparente destas previsões induz em erro, segundo o estudo, do qual vários autores participaram também na elaboração da avaliação da ONU, que agora questionam.

Por causa da "precisão enganadora" dos anúncios feitos durante a COP26 em Glasgow, "os países podem ser levados a acreditar que estão a fazer progressos, quando se pode estar a passar o contrário", comentou a autoria principal do estudo, Ida Sognnaes, do centro de investigação CICERO, em Oslo.

A maior parte das projeções climáticas baseiam-se em modelos que partem da temperatura final desejada em 2100 -- um aumento de 1,5ºC ou 2ºC, por exemplo -- e procuram determinar a forma de aí chegar, ajustando variáveis como a utilização do carvão ou o desenvolvimento das renováveis

Ao contrário, este estudo "é uma previsão", reforçou Glen Peters, outro cientista do CICERO. "Nós modelizamos onde as políticas existentes nos conduzem e vemos para onde vamos", insistiu.

Sete grupos de modelização climática usaram este método para avaliar os compromissos assumidos para 2030 pelos cerca de 200 países signatários do Acordo de Paris.

Os resultados foram aumentos estimados entre 2,2ºC e 2,9ºC.

Mesmo que estes números não estejam muito afastados dos da ONU, os investigadores salientam a sua falta de certeza.


"Se olharmos para a parte inferior do intervalo, isso pode levar a pensar que estamos verdadeiramente próximos dos objetivos do Acordo de Paris (...). Mas também é provável que o aquecimento seja em torno dos 3ºC, o que implicaria políticas bem mais fortes", declarou Glen Peters, à AFP.

sexta-feira, 26 de novembro de 2021

Rostos de indígenas brasileiros foram projetados em árvores da Floresta Amazônica, e o resultado é belíssimo.


Rostos de indígenas brasileiros foram projetados em árvores da Floresta Amazônica, e o resultado é belíssimo. A intervenção, de autoria do fotógrafo e artista francês Philippe Echaroux, tem como objetivo chamar a atenção para o desmatamento que devasta a floresta.

As projeções demonstram a conexão profunda entre a natureza e seus habitantes, ressaltando a necessidade da preservação ambiental.
O francês, que se considera um artista ativista, faz o que chama de “Street Art 2.0”: arte de rua sem tintas, apenas luz. E muito menos ruas, no caso deste projeto.

Philippe Echaroux fotografou retratos de membros da tribo Suruí, grupo indígena brasileiro dos estados de Rondônia e Mato Grosso. O líder da tribo, Almir Narayamoga Suruí, foi convidado pelo governo brasileiro para ajudar na preservação da floresta. Ele, por sua vez, convidou o francês para utilizar a arte como um apelo contra o desmatamento e destruição da floresta.

Vítima da exploração madeireira ilegal e de mineradores que não hesitam em violar o território Suruí, o grupo indígena quer a conscientização sobre essa horrível e gananciosa exploração que põe em risco todo um território e seu povo.

Descrevendo a inspiração por trás do projeto, Echaroux diz que “Quando você corta uma árvore, é como se derrubasse um homem”.

A série fotográfica compôs a exposição “The Crying Forest” (“A Floresta que Chora”), da Galerie Taglialatella, em Paris, no ano de 2016.

Philippe Echaroux é muito conhecido em todo mundo por seu trabalho fotográfico junto a celebridades e publicidades. Philippe também gosta muito de produzir projetos pessoais com significados que fazem as pessoas refletirem sobre determinado assunto.

O resultado final é realmente incrível e tocante! Confira no vídeo abaixo (em francês) o making-of do projeto:

Veja todas as imagens e video aqui

Você pode conhecer mais do trabalho de Philippe Echaroux em seu site, Instagram e Facebook

Reflections from Johan Rockstrom | The Future of Sustainability: Looking Back to Go Forward


O mais recente Fórum da série Future of Sustainability vê o fundador do Forum, ativista ambiental e autor, Jonathon Porritt, conversando com Johan Rockstrom, diretor do Potsdam Institute for Climate Impact Research e ex-diretor do Stockholm Environment Institute e do Stockholm Resilience Centre.

Rockstrom liderou a equipa de cientistas internacionais que desenvolveu a imensamente influente estrutura de Limites Planetários, publicada pela primeira vez em 2009, é consultor da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Conferências sobre Mudanças Climáticas (UNFCC – as 'COPs') e é amplamente considerado como um dos cientistas climáticos mais experientes e autorizados. Em 2021, ele fez um documentário com David Attenborough em Breaking Boundaries: The Science of our Planet, da Netflix.

Sociedade civil mobilizada pelo Direito ao Lugar: um processo de influência política em 5 etapas



A publicação final do LigAções, que pode ser consultada aqui, parte da nossa prática e experiência no projeto. No seu corpo, revisitamos o processo coletivo que vivenciámos e destacamos alguns elementos que consideramos terem sido fundamentais no seu desenvolvimento, com esperança de que possam ser recuperados e adaptados, com ganho, em futuros processos colaborativos desenvolvidos por organizações da sociedade civil, movimentos cívicos e outros coletivos que, como nós, queiram empreender esforços no sentido de influenciar decisões políticas.

O que é biorremediação e como a técnica pode ajudar a descontaminar solos e águas de forma natural


São diversos os tipos de resíduos que podem ser utilizados pela técnica de biorremediação para solos e corpos d’água contaminados: esterco de animais, resíduos de feira, lodos de tratamento e água e esgoto, resíduo orgânico doméstico… e a lista segue. “Nós temos algumas técnicas de biorremediação: tanto estimular os microorganismos que já estão no meio como adicionar microorganismos no ambiente contaminado”, explica Camila Guimarães, bacharel em Gestão Ambiental pela Universidade de São Paulo e mestre em Ciência Ambiental pelo Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo.

Foi assim que nasceu o projeto que utiliza esterco de aves poedeiras (destinadas à produção de ovos) na remediação de solos contaminados por hidrocarbonetos de petróleo em que Camila está trabalhando. “Os postos de combustíveis representam 70% do total das áreas contaminadas identificadas no Estado de São Paulo. Além disso, os hidrocarbonetos de petróleo podem ser também encontrados em áreas contaminadas por atividades industriais. Em conjunto, as atividades industriais e de postos de serviço representam 90% das áreas contaminadas cadastradas pela Cetesb em São Paulo”, explica. O manejo dos dejetos nestes setores é uma parte importante dentro do processo produtivo, podendo se transformar em um passivo ambiental do empreendimento, caso negligenciado.

O esterco de aves é bastante usado como adubo para produções agrícolas, mas a sua aplicação no processo de remediação de áreas contaminadas é ainda pouco explorada no Brasil. Está sendo avaliada a aplicação do esterco no processo de biorremediação de solos contaminados – nele, os microrganismos são responsáveis por transformar os poluentes em compostos não tóxicos, por meio de processos biológicos de degradação. No caso da adição de esterco ao solo, este pode atuar como fonte de nutrientes para os microrganismos do solo contaminado e, ainda, como provedor de novos microrganismos para favorecer o processo de degradação no meio.

No projeto, estão sendo desenvolvidos testes de bancada em modelo híbrido de landfarming e biopilhas, para avaliar os efeitos da adição de esterco em diferentes proporções ao solo contaminado, sendo acompanhada a evolução de parâmetros químicos, físico-químicos e microbiológicos ao longo do tempo, para determinar parâmetros de eficiência do processo.

Nós conversamos com a Camila e ela nos explicou o que é biorremediação e como é o cenário atual de pesquisas no Brasil e exterior. Assista ao vídeo abaixo!


Referências:
AMBIENTE BRASIL. Biorremediação
ANDRADE, J. A.; AUGUSTO, F.; JARDIM, I. C. S. F. Biorremediação de solos contaminados por petróleo e seus derivados. Eclética Química, v. 35, n. 3, p. 17-43, 2010 . Disponível em: from . Acesso em: 19 mar. 2019.
DOBLE, M.; KUMAR, A. Biotreatment of Industrial Effluents. Elsevier Butterworth–Heinemann, 2005.
EVANS, G. M.; FURLONG, J. C. Environmental Biotechnology. England: John Wiley & Sons Ltd, 2003.

Talk on activism and design with Greenpeace founder Rex Weyler, Michael Green and Nina-Marie Lister


Para coincidir com o 50º aniversário do Greenpeace, Dezeen uniu-se a Michael Green Architecture e Greenpeace para realizar uma palestra ao vivo para discutir o papel dos designers no ativismo ambiental.

A conversa explorará onde os designers se encaixam na conversa mais ampla sobre justiça ambiental e se o suficiente está sendo feito para abordar preocupações ambientais prementes, como mudanças climáticas, desigualdade social e democracia ameaçada.

O fundador e editor-chefe da Dezeen, Marcus Fairs, moderará a palestra, que contará com perspectivas do arquiteto canadense e diretor Michael Green da Michael Green Architecture, escritor, ecologista e cofundador do Greenpeace Rex Weyler e Nina-Marie Lister, professor e pós-graduado diretor de Planeamento Urbano e Regional da Ryerson University.

quinta-feira, 25 de novembro de 2021

Europa: Apenas 8% das viagens são feitas por caminho-de-ferro


Apenas 8% das viagens na Europa são feitas por caminho-de-ferro. 90% de um sistema de sinalização uniformizado ainda não está concluído. 6.000 km de linha férrea foram desactivados nos últimos 20 anos. Os Estados da UE ainda investem significativamente mais dinheiro na estrada do que no caminho-de-ferro. Como chegámos a esta situação e porquê? Os estados da UE adoptaram várias diretivas para criar um mercado comum de transporte ferroviário, o que deveria tornar os sistemas ferroviários europeus interoperáveis. Mas na realidade, as empresas ferroviárias nacionais selam os seus mercados umas contra as outras, em vez de oferecerem ligações transfronteiriças. As empresas nacionais encomendam comboios que só podem ser utilizados em redes nacionais. Os Estados estão mesmo a promulgar regras para proteger os seus mercados. Por exemplo, os maquinistas de locomotivas em vários países da UE têm agora de falar a língua local para que lhes seja permitida a condução. Então, quem deve ser considerado responsável por este desenvolvimento? Os governos? A Comissão? As grandes empresas nacionais? É impossível verificar os tempos de viagem e comprar bilhetes para uma viagem através da Europa numa única plataforma digital. Para viagens de avião, há muitas opções e os clientes adoram a conveniência. Assim, houve uma iniciativa legislativa da UE para alterar as regras para a emissão de bilhetes de comboio, mas os governos alemão e francês bloquearam-no sistematicamente no Conselho da UE. Esta desarticulação produziu resultados absurdos: para cobrir a distância de 600 km entre Lisboa e Madrid, tem que se mudar de comboio três vezes e viajar durante cerca de 11 horas. 

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quarta-feira, 24 de novembro de 2021

Parlamento rejeita transportes públicos gratuitos para pessoas com deficiência e desempregados

O diploma dos Verdes alargava também esta gratuitidade a todos os estudantes do ensino obrigatório e jovens "com idade igual ou inferior a 18 anos". A proposta foi chumbada com os votos contra de PS e PSD, a abstenção de CDS-PP, Chega e Iniciativa Liberal e os votos favoráveis de PEV, BE, PCP, PAN e das deputadas não inscritas Joacine Katar Moreira e Cristina Rodrigues



A Assembleia da República rejeitou esta quarta-feira um projeto de lei do PEV para que a utilização de
transportes públicos fosse gratuita para pessoas com deficiência, desempregados, menores de 18 anos e estudantes do ensino obrigatório.

O projeto mereceu os votos contra de PS e PSD, a abstenção de CDS-PP, Chega e Iniciativa Liberal e os votos favoráveis de PEV, BE, PCP, PAN e das deputadas não inscritas Joacine Katar Moreira e Cristina Rodrigues.

De acordo com o diploma, o Partido Ecologista "Os Verdes" queria estabelecer uma "modalidade tarifária" que conferisse o direito "à gratuitidade na utilização dos serviços de transporte público coletivo de passageiros" para pessoas com deficiência "com um grau de incapacidade igual ou superior a 60%" e cidadãos desempregados inscritos no Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP).

O partido queria também alargar esta gratuitidade a todos os estudantes do ensino obrigatório, "independente da idade", e jovens "com idade igual ou inferior a 18 anos".

Na sustentação do diploma, o PEV referia que, a propósito do esforço de "mitigação das alterações climáticas", os transportes são uma das fontes "que mais contribui para as emissões de gases com efeito de estufa".

Com o propósito de diminuir a utilização de automóveis pessoais, "Os Verdes" tinham como objetivo incentivar o recurso ao transporte público, tornando-o mais acessível para vários segmentos da população.

"Às pessoas com deficiência que tantas vezes vivem isoladas e 'aprisionadas' sobre os seus próprios condicionalismos ou limitações de deslocação, devem ser-lhes garantidas todas as condições para uma mobilidade adequada e desejada", defendia o partido no texto do projeto de lei, no qual era referido ainda que os cidadãos desempregados, "sem rendimentos ou com parcos subsídios, precisam de se deslocar para procurar trabalho, sendo os transportes públicos determinantes para a sua capacidade de deslocação".

Dicionário de Agroecologia e Educação


É com grande satisfação que a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio da Fundação Oswaldo Cruz (EPSJV-Fiocruz) entrega aos leitores o Dicionário de Agroecologia e Educação, uma obra de produção coletiva, coordenada com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e em parceira com a Editora Expressão Popular.

O dicionário vem ao encontro das necessidades e expectativas dos educadores e educadoras das escolas do campo, inseridos(as) em processos de lutas junto aos movimentos populares, de articular a Agroecologia com o projeto político pedagógico das escolas e desenvolver seus fundamentos junto aos conteúdos escolares. O público a quem se destina esse dicionário é bastante diverso, e almejamos alcançar os/as educadores/as das escolas do campo, das florestas, das águas e das cidades envolvidos nos mais diferentes processos de educação e formação; estudantes e trabalhadores de áreas como saúde, meio ambiente e agrárias; e militantes nos processos formativos e de organização da classe trabalhadora.

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ORGANIZADORES:

Alexandre Pessoa Dias
Anakeila de Barros Stauffer
Luiz Henrique Gomes de Moura
Maria Cristina Vargas

Estudo alemão liga alta taxa de contágios a apoiantes da extrema-direita

As circunscrições eleitorais em que o partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) obteve mais votos em 2017 são as que tiveram maior número de casos de covid-19 em 2020, indica um estudo divulgado hoje.




Segundo o estudo conjunto do Instituto de Investigação para a Coesão Social e do Centro Helmholtz de Munique, os especialistas excluíram outros fatores, como o número de escolas e de funcionários em teletrabalho, de qualquer influência nos resultados.

"Nos bairros onde a AfD obteve mais um ponto percentual, a incidência durante a fase inicial da primeira onda foi, em média, 2,2 pontos maior", destacou o sociólogo Christoph Richter, um dos autores do estudo, citado pelo semanário Der Spiegel.

A investigação partiu da premissa de que, nas regiões em que a extrema-direita alemã conta com maior apoio, a população é mais cética em relação às instituições democráticas e cumpre menos as medidas restritivas para combater a covid-19.

Os investigadores analisaram 411 circunscrições eleitorais, tendo em conta uma variedade de fatores demográficos e sanitários, tendo chegado à conclusão de que nas que a AfD recolheu mais votos registaram-se mais contágios com o novo coronavírus nas duas ondas da pandemia em 2020.

Nos estados federados da Saxónia e da Turíngia (leste), onde a AfD costuma obter resultados acima de 20%, a incidência nessa época foi particularmente elevada e a taxa de vacinação inferior à do resto do país.

"A suposição às vezes argumentada de que esta ligação é um fenómeno limitado à Alemanha Oriental não é confirmada", indicaram, porém, os autores do estudo, que não encontraram correlação semelhante com qualquer outro partido político.

Embora a investigação não tenha utilizado dados atuais, tendo em vista a atual situação epidémica, é de se supor que o fenómeno se manifeste ainda com mais força, sublinhou Richter, citado pelo canal de televisão alemão NTV.

"Isso é demonstrado pelo debate sobre a vontade de ser vacinado em regiões que atualmente têm incidências particularmente altas", explicou.

Uma sondagem do instituto de opinião Forsa, com base numa amostra de 3.000 pessoas e publicada em 11 deste mês, apontou que dois terços dos não vacinados votam na AfD ou no partido negacionista A Base.

Segundo a sondagem, a percentagem de votos dos extremistas entre os não vacinados é cinco vezes mais elevada do que na generalidade da população.

Hoje, na Alemanha, a incidência de casos de covid-19 registou um novo máximo em 12 dias consecutivos, numa altura em que o país se prepara para aumentar a pressão sobre os não vacinados.

A incidência acumulada a sete dias, que tem registado números recorde há 12 dias, atingiu um novo pico, com 340,7 novas infeções de coronavírus por 100.000 habitantes, perante 336,9 na quinta-feira e 263,7 há uma semana. Há um mês, o valor não ultrapassava os 75,1.

A covid-19 provocou pelo menos 5.130.627 mortes em todo o mundo, entre mais de 255,49 milhões infeções pelo novo coronavírus registadas desde o início da pandemia, segundo o mais recente balanço da agência France-Presse.

A doença respiratória é provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2, detetado no final de 2019 em Wuhan, cidade do centro da China, e atualmente com variantes identificadas em vários países.

Dia Nacional da Cultura Científica


Este Dia Nacional da Cultura Científica foi criado em 1996 em Portugal. Foi escolhido o dia 24 de novembro para a sua celebração pois foi neste dia (em 1906) que nasceu Rómulo de Carvalho, o professor de Física e Química responsável pela promoção do ensino de ciência e da cultura científica em solo nacional. Rómulo de Carvalho foi também poeta, sob o pseudónimo de António Gedeão.

Este dia deverá ser «momento privilegiado, todos os anos, de balanço, de reflexão e de acção sobre o papel do conhecimento no nosso futuro» Mariano Gago, Público, 24 de Novembro de 1996.

A ciência e a investigação científica entusiasmam crianças, jovens e adultos. A curiosidade e a ambição do conhecimento, a procura de soluções para os problemas, o confronto de ideias, a audácia do pensamento, são alguns dos alicerces de um encantamento único. Não surpreende a forma extraordinária como tem crescido a comunidade de jovens portugueses que se deixam seduzir pela ciência.

2- Livros Top: Ciência e Literatura - Teresa Firmino à conversa com Teresa Calçada e Rui Agostinho sobre a relação entre Ciência e Literatura: a sua importância para a compreensão do mundo e de como o conhecimento científico pode inspirar a criação literária.

terça-feira, 23 de novembro de 2021

Professor da UMinho premiado pelo edifício “Casa Rotativa”



Pedro Bandeira, arquiteto e professor da Universidade do Minho (UMinho) acaba de ser distinguido com o Prémio Arquitetura, Inovação e Sustentabilidade 2021, na categoria Obra, pelo seu edifício “Casa Rotativa”.

A cerimónia de entrega do prémio vai decorrer está quinta-feira, no Museu da Água, em Lisboa, e contará com a presença do Ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Matos Fernandes, e do presidente da Ordem dos Arquitectos (OA), Gonçalo Byrne.

A Casa Rotativa é uma habitação unifamiliar situada na região de Coimbra que, tal como o nome sugere, gira em função do sol. O edifício gira até 300 graus em seis minutos, gastando quatro cêntimos de eletricidade.

O projeto surgiu quando o dono , Filipe Bandeira, engenheiro de estruturas especiais sensível a questões energéticas, desafiou o irmão Pedro Bandeira a contribuir no projeto experimental.

Para os promotores do prémio, o Ministério do Ambiente e da Ação Climática e a OA, o edifício “evoca os faróis, os moinhos de vento e os engenhos solares de há um século; além disso, a sua invulgar motricidade abre territórios na arquitetura ao nível da legislação e da ligação ao contexto (solo, céu, pessoas), reinventando questões de sustentabilidade, ecologia, ambiente construído e quotidiano”.

Pedro Bandeira é natural da Figueira da Foz, e é atualmente presidente e professor da Escola de Arquitetura, Arte e Design da UMinho, bem como investigador do Laboratório de Paisagens, Património e Território (Lab2PT)​. Além do prémio que recebe hoje, já foi distinguido com o Prémio SIM da Samsung, o Prémio de Crítica de Arquitetura da AICA/Fundação Carmona e Costa, e foi finalista do Prémio Europeu Mies van der Rohe. Teve ainda a oportunidade de representar Portugal na Bienal de Arquitetura de Veneza (2004) e de São Paulo (2005).


segunda-feira, 22 de novembro de 2021

Libertados cavalos-marinhos na Ria Formosa para travar queda de população



Faro, 16 nov 2021 (Lusa) -- Um grupo de 60 cavalos-marinhos, a maioria nascidos em cativeiro, foi hoje libertado na Ria Formosa durante a primeira ação de repovoamento no local onde há 20 anos se concentrava a maior comunidade de cavalos-marinhos do mundo.

No ano 2000, a comunidade destes peixes na Ria Formosa, no Algarve, era considerada a maior do mundo, mas em 20 anos "houve uma redução de 96% dos efetivos", disse aos jornalistas Jorge Palma, investigador do Centro de Ciências do Mar (CCMAR) da Universidade do Algarve (UAlg).

Os animais foram libertados numa das duas zonas de santuário recentemente criadas na ria, entre Faro e Olhão, onde foram colocadas estruturas artificiais que recriam o seu habitat natural, para que ali se possam fixar, explicou Rui Santos, investigador do mesmo centro e professor na UAlg.

A maior parte destes cavalos-marinhos nasceu nos tanques da Estação Marinha do Ramalhete, em Faro, mas os seus progenitores são espécimes que viviam em ambiente selvagem e que foram para ali levados com o intuito de se reproduzirem, contribuindo, assim, para a conservação da espécie.

A iniciativa, realizada ao abrigo do projeto 'Seaghorse', "só faz sentido pelo facto de a introdução ser feita numa área protegida, caso contrário ficariam expostos a efeitos negativos que possam ainda existir na ria", sublinhou Jorge Palma, notando que o objetivo é que os animais fiquem concentrados no santuário.

Os cavalos-marinhos foram transportados de barco em dois tanques para uma área protegida, a cerca de meia milha da costa, onde é proibido navegar tendo sido depois cuidadosamente colocados em pequenas jaulas para serem levados para dentro de água pelos mergulhadores.

A equipa de mergulhadores levou as jaulas para o fundo, a cerca de quatro metros de profundidade, para depois libertar os animais junto aos recifes artificiais que vão passar a servir-lhes de habitat.

Segundo Jorge Palma, estes peixes são "completamente diferentes de todos os outros" e também "fracos nadadores", o que os torna "muito vulneráveis", sendo que "têm de estar sempre agarrados a alguma coisa", com a sua causa preênsil.

Apesar de a maioria dos animais hoje libertados terem apenas entre sete meses e um ano são já adultos e durante a sua curta vida em cativeiro foi preservada a capacidade de poderem sobreviver em meio natural, acrescentou.

"Aquilo que lhes demos em cativeiro não é ração, são presas naturais que eles têm de caçar nos tanques, por isso, quando são libertados, vão manter essa aptidão para sobreviver no meio natural", notou o investigador.

Daqui a um mês a equipa vai voltar ao local para monitorizar a evolução da nova população, tarefa facilitada pelo facto de estes peixes terem, consoante a espécie, características físicas que os distinguem entre si, permitindo também diferenciá-los dos que já estavam na natureza.

"Antes de libertá-los tirámos fotos a cada um e eles têm uma marcação natural que nos permite distingui-los", observou Jorge Palma, explicando que os "hippocampus hippocampus" (espécie de focinho curto) têm uma marcação no topo da cabeça e os "hippocampus guttulatus" (espécie de focinho comprido) um padrão de pintas no corpo.

A população de cavalos-marinhos na Ria Formosa tem sofrido uma redução drástica nas últimas décadas, tendo quase desaparecido devido a fatores como as alterações ambientais, a destruição de pradarias de ervas marinhas, o seu habitat, a pesca ilegal, ou o excesso de tráfego de embarcações.

A iniciativa de repovoamento de cavalos-marinhos na Ria Formosa foi realizada pelo CCMAR ao abrigo do projeto 'Seaghorse', com financiamento da Fundação Belmiro de Azevedo.

O projeto vai também investigar a dinâmica das populações de cavalos-marinhos e tentar compreender o papel das ervas marinhas como habitats de apoio e fornecedores de alimentos.

Outro dos seus objetivos é averiguar se este papel das ervas marinhas poderá estar a ser afetado pela recente invasão da Ria Formosa pela alga "Caulerpa prolifera".

O projeto envolve também as autoridades marítimas, o Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), o Parque Natural da Ria Formosa e a Agência Portuguesa do Ambiente (APA).

domingo, 21 de novembro de 2021

Portugal deixou definitivamente de usar carvão para produzir eletricidade



Portugal deixou definitivamente de usar carvão na produção de eletricidade, desde sexta-feira, graças ao fim dessa atividade pela Central Termoelétrica do Pego, anunciou hoje a associação ambientalista ZERO, que espera que o futuro não passe agora por queimar biomassa.

“O futuro da central do Pego não deve passar por queimar biomassa, opção ineficiente que põe em causa objetivos mais ambiciosos de mitigação das alterações climáticas”, considerou a organização, em comunicado.

Sábado foi o primeiro dia de produção de eletricidade sem recurso à queima de carvão, depois de a Central do Pego ter esgotado o stock de carvão que tinha, apesar de estar licenciada para funcionar até 30 de novembro.

Para a ZERO, “esta data histórica em que se deixa de utilizar em Portugal o combustível mais poluidor em termos de emissões de gases com efeito de estufa causadoras das alterações climáticas, antecipando um objetivo que estava inicialmente traçado para 2030, não deixa de ser um alerta para a necessidade de planear antecipadamente e assegurar uma transição energética justa para o país rumo à neutralidade carbónica em 2050 ou desejavelmente antes”.

Para os ambientalistas, é fundamental garantir o enquadramento dos trabalhadores direta e indiretamente afetados e promover soluções que não ponham em causa os ganhos ambientais conseguidos.

Deixar de usar carvão na produção de eletricidade é um elemento crucial da descarbonização, tema que ganhou destaque e causou polémica na conferência do clima (COP26), que terminou no passado fim de semana, com alguns países a recusarem-se a acabar com o uso deste combustível.

A central a carvão do Pego, que era responsável por 4% das emissões do país, foi a instalação com o segundo maior peso nas emissões de dióxido de carbono em Portugal na última década, a seguir à Central Termoelétrica de Sines, cujo encerramento ocorreu em janeiro deste ano.

Em termos absolutos, a média anual de emissões de gases com efeito de estufa (GEE) pela central do Pego entre 2008 e 2019 foi de 4,7 milhões de toneladas de dióxido de carbono.

Com a retirada agora consumada das duas centrais a carvão, “Portugal deverá registar uma enorme quebra de emissões de carbono, dado que o recurso a centrais de ciclo combinado a gás natural, caminho temporário para uma solução 100% baseada em fontes renováveis, se traduz em emissões de pouco mais de um terço por cada unidade de eletricidade produzida em comparação com o carvão”, assinala a ZERO.

Apesar dos equipamentos de despoluição instalados, a central a carvão do Pego era também uma fonte significativa de emissão de diversos poluentes, como os óxidos de azoto, dióxido de enxofre, partículas e metais pesados, cujas quantidades lançadas para a atmosfera em Portugal sofrerão uma redução importante.

O fim da atividade desta central suscita agora a questão das alternativas, sendo o recurso à queima de biomassa uma das soluções preconizadas, mas que a ZERO alerta não ser “sustentável”.

“Trata-se de uma solução ineficiente e contraditória com os objetivos de retenção do carbono na floresta e no solo e não se traduz numa significativa mais-valia face a outras soluções de mitigação climática”, afirma.

A associação defende que a concessão do ponto de ligação da Central do Pego deverá ter em consideração apenas projetos que resultem da “utilização de fontes de energia verdadeiramente renováveis e que de forma alguma se coloque a possibilidade de recurso a biomassa, tendo em consideração que esta não é, nem será de forma alguma renovável”.

Os ambientalistas alertam ainda para a escassez de biomassa residual florestal em território nacional, atendendo a que num raio de intervenção de 80 quilómetros são já inúmeras as centrais de biomassa e indústrias florestais que competem pela matéria florestal residual.

Acresce ainda que o espírito da proposta recente da Comissão Europeia, de julho de 2021, que faz parte do pacote “Preparados para os 55”, é de que “a partir de 31 de dezembro de 2026, (…) os Estados-membros não podem conceder apoio à produção de eletricidade a partir de biomassa florestal em instalações exclusivamente elétricas”.

Nessa medida, a ZERO questiona como está e como vai ser aplicado o Fundo para a Transição Justa nas centrais de Sines e Pego e na refinaria de Matosinhos, e defende um plano que fortaleça a vitalidade económica e social das regiões afetadas, promovido pelas empresas envolvidas em colaboração com trabalhadores, autarquias locais, organizações não-governamentais e outras entidades competentes.

“Sem diálogo, concertação social e criação de soluções alternativas atempadas, não estamos de forma alguma a fazer uma transição energética justa”, considera a associação, alertando desconhecer, no caso da central de Sines, “o uso de qualquer verba do Fundo para a Transição Justa até agora”.

Journée des fatigues : "La fatigue est un signal qui vous veut du bien"



Chaque année, au 21 novembre, se tiendra une « Journée des Fatigues », un événement grand public organisé par un regroupement d'associations de malades. Cette nouvelle journée nationale a pour but de militer pour le droit à la fatigue et sa reconnaissance médicale et sociétale pour tous.
"Par définition, la fatigue est devenue quelque chose d’exogène", explique sur franceinfo Léonard Anthony, spécialiste de la fatigue.

Compléments

Música do BioTerra: Julian Cope- An Elegant Chaos


Busy at home
I was happy for a while
But the joke is over
Looking down
At the carefully laid out infamy
Take a scythe, take a scythe,
To the rotting core
Of man-vegetaton
Now I sigh
At the cool cool attitude to ignorance
The look in your eye
When you gave this to me
Just put me on my guard
In this elegant chaos
I stand to one side
Shouting "ha"
Was I forced into this?
Or was it given to me?
It's a nice idea -
As a gift
Or as something to try for a while
70 years?
It's neither one thing nor the other
My big fear
Is to dig it at last
And have it taken away
The look in your eyes
When you gave this to me
Just put me on my guard
In this elegant chaos
I stand to one side
It's not a problem of secrecy
I take it in my stride
Did I learn to breathe to be killed like this?
Faces to the glass
I see them televise my death
Oh, and here comes the part
Where I break down and cry.
People I see
Just remind me of mooing
Like a cow on the grass
And that's not to say
That there's anything wrong
With being a cow anyway
But people are people
With the added advantage
Of the spoken word
We're getting on fine
But I feel more of a man
When I get with the herd.

sábado, 20 de novembro de 2021

Planeta vai ter falta de 14 matérias-primas até 2050. Consumo mundial vai provocar escassez



O aumento exponencial do consumo de muitas matérias-primas tem sido um dos fatores mais apontados para a escassez global de produtos e materiais que a economia mundial está a sofrer, segundo um artigo publicado no jornal espanhol ‘El Confidencial’, que enumerou catorze materiais essenciais no avanço tecnológico que não haverá em 2050, isto porque a Terra não tem reservas suficientes para eles.

Ao longo do século 20, a extração mineral cresceu de forma exponencial o que, num planeta limitado, continuar em tal ritmo faria com que os depósitos existentes esgotassem-se em algumas décadas. Agora, no século 21, consumimos na mesma quantidade e, mesmo que sejam encontradas novas jazidas, e com tecnologia mais avançada e eficiente, o pico de produção por parte dos recursos pode ser alcançado antes do final do século 21. A procura por pelo menos 14 materiais essenciais pode ultrapassar as reservas antes de 2050.

Entre eles estão elementos químicos comuns na indústria, como o cobre ou o níquel. Mas também materiais essenciais para a transição energética como o lítio, usado nas baterias dos carros elétricos, o gálio, usado nas lâmpadas LED, ou o cádmio, para os painéis fotovoltaicos. Alumínio, cobalto, estanho, germânio, ferro, índio, prata, selénio, manganésio, magnésio, lantânio, platina ou nióbio são algum dos elementos mais destacados na lista.

“Se analisarmos as matérias-primas essenciais para a transição ecológica e digital e compará-las com as reservas disponíveis, vemos que a procura acumulada supera em várias vezes a oferta das jazidas. Isso significa que nos próximos anos enfrentaremos problemas em toda a cadeia produtiva industrial ”, explicou Alicia Valero, professora de Engenharia da Universidade de Zaragoza e pesquisadora do Circe, o Centro de Pesquisa em Recursos e Consumo Energético.

A escassez de matéria-prima tem desencadeado a procura de novas jazidas e a reabertura de antigas minas (também na Europa). No entanto, a dificuldade intrínseca de exploração de depósitos mais distantes e diluídos é agravada por conflitos com as populações locais. Uma importante fonte alternativa de produtos químicos essenciais pode vir do lixo eletrónico. O volume de produtos de tecnologia descartados quase duplicou nos últimos 10 anos e está a encher aterros no Leste Europeu, África, México, Brasil ou China. No entanto, recuperar minerais de um telemóvel antigo é praticamente impossível. “No design desses produtos, as questões estéticas prevalecem sobre os aparelhos muito leves e compactos, mas os materiais são tão misturados, às vezes em quantidades de poucos gramas, que são muito difíceis de reciclar”, garantiu Valero. As tecnologias mais eficientes (e menos energia que consomem) são as menos sustentáveis ​​do ponto de vista dos materiais.

sexta-feira, 19 de novembro de 2021

Territórios da rede Natura 2000 fortemente afectados pela expansão dos eucaliptos

Investigação levada a cabo por investigadores das universidades de Munique e Zurique usou imagens multi-espectrais para monitorizar populações de eucaliptos fora do perímetro das áreas de plantações regulares. As conclusões surgem em tom de alerta.
20 de Agosto de 2020

Os primeiros registos da espécie Eucalyptus em território europeu remontam ao final século XVIII, quando, primeiramente por razões ornamentais, as árvores foram exportadas da Austrália para o resto do globo. Não foi necessário, ainda assim, muito tempo para que o carácter adaptativo da espécie se destacasse, aliado a um crescimento rápido, despertando o interesse de inúmeras indústrias – tanto que no século XX o eucalyptus globulus (mais utilizado para aplicações industriais) já estava fortemente presente no continente europeu. À medida que a expansão ocorria (incentivada por governos nacionais e organizações internacionais, que promoviam as propriedades da espécie enquanto fonte renovável de energia de rápido crescimento), muitos ignoravam as desvantagens da cultura, a começar pelo seu carácter invasivo.

Foi precisamente com o objectivo de mapear a existência dos eucaliptos na Península Ibérica que Andreas Forstmaier se juntou a Jia Chen (ambos do departamento de engenharia electrónica e informática da Universidade Técnica de Munique) e ao engenheiro agro-alimentar Ankit Shekhar (da Universidade de Zurique). Fazendo uso de imagens multi-espectrais, de resolução média, provenientes dos satélites usados nas missões Sentinel 2, o trio examinou as áreas pertencentes à rede Natura 2000 – zonas ao abrigo das directivas europeias de protecção de aves e habitats –, de forma a identificar “pequenas e incipientes populações, assim como “plantações ‘mistas’, fora do perímetro das áreas de plantações regulares”.


Na apresentação dos resultados do artigo, intitulado Mapping of Eucalyptus in Natura 2000 Areas Using Sentinel 2 Imagery and Artificial Neural Network, os investigadores realçam que, só no território português, já há 15 territórios (pertencentes à rede Natura 2000) afectados pela presença de eucaliptos, dos quais nove estão “fortemente afectados”.

Em declarações ao PÚBLICO, Andreas Forstmaier justificou a opção pelos territórios pertencentes à Rede 2000 por estarem em causa “zonas protegidas e que, como tal, devem ser monitorizadas com mais detalhe, para que os seus ecossistemas mais sensíveis sejam preservados”. Daí que encare “a substituição gradual das espécies autóctones por população invasiva” como uma das maiores ameaças ambientais às espécies que ali habitam. “Como estes ecossistemas são únicos e albergam várias espécies ameaçadas que dependem de um ambiente intacto, é crucial que façamos um esforço para os proteger”, resumiu.

Quanto às tecnologias usadas no estudo, muitas representam uma novidade nas investigações desenvolvidas neste campo. Se, por um lado, este é o primeiro estudo a oferecer um mapa de resolução espacial de 10 metros das ocorrências de eucalipto, mesmo para as áreas externas às plantações regulares da Península Ibérica ocidental, a utilização de imagens provenientes dos satélites usados nas missões Sentinel 2 para a detecção de espécies invasoras, a nível nacional, na rede Natura 2000 é também uma novidade.

Segundo Andreas Forstmaier, as imagens multi-espectrais utilizadas, que facultam mais informações do que as imagens de cor, contêm “partes do espectro da luz que não são visíveis ao olho humano, por exemplo, infravermelhos, daí que sejam normalmente usadas para a monitorização de culturas ou florestas, inclusive com informações sobre a actividade fotossintética das plantas”. A aposta deve-se ainda à componente automatizada do método e à disponibilidade no acesso às imagens, que podem ser consultadas por qualquer cidadão que tenha acesso a um computador.

Questionado sobre o uso dos métodos para outros fins, ainda que no âmbito da gestão florestal, o investigador é rápido a enumerá-los. Desde “forçar o cumprimento de leis e as limitações às plantações de eucaliptos”, à detecção dos esforços dos proprietários em demarcar a incontrolável propagação dos eucaliptos em redor e fora das propriedades, passando ainda pela localização de propriedades não registadas. No que diz respeito à prevenção de fogo, as imagens podem ser usadas para “identificar as áreas que estão densamente cobertas por monoculturas de eucaliptos”.
Incêndios, causa e efeito
Numa análise mais geral, o investigador defende que o efeito mais visível das plantações de eucaliptos em larga escala, com especial destaque para os territórios ibéricos, são mesmo os “incêndios florestais” e a rapidez com que a espécie renasce depois da ocorrência destes, em comparação com as “árvores nativas”. Por outras palavras, “os eucaliptos substituem a vegetação existente e actuam como combustível para potenciais incêndios florestais futuros”. Um “ciclo” que, na opinião de Forstmaier, “continuará e, face à previsão de subida de temperaturas médias em Portugal nas próximas décadas, será cada vez mais recorrente”.

Para fazer frente a (ou até mesmo reverter) esta realidade, Forstmaier considera que uma “acção rápida é necessária”, principalmente nos ecossistemas onde os eucaliptos se podem espalhar “rapidamente”. Nestes casos, “pequenas populações têm de ser removidas e substituídas por espécies autóctones”, visto que uma acção tardia pode representar “um controlo ainda mais difícil no futuro”.

A acção deverá passar igualmente por “um controlo contínuo e mais rigoroso por parte das autoridades”, com o foco na “prevenção e na gestão da sustentabilidade das florestas”. “Necessário é trazer de volta práticas de gestão florestal sustentáveis e subsidiar empresas e agricultores que trabalham de forma sustentável.” Paralelamente, defende ainda o reforço do corpo de guardas florestais que “controlam regularmente as florestas (tanto públicas como privadas)”, algo que considera vital. Estas medidas, reconhece, exigirão um “grande esforço para reconstruir a indústria florestal em Portugal”, no entanto, serão “a única forma de prevenir incêndios no futuro”.

O investigador lança um desafio àqueles que duvidam do impacto da presença cada vez mais dominante de eucaliptos nas florestas portuguesas. “Entre numa floresta, sente-se durante cinco minutos e não faça mais nada senão ouvir. Primeiro faça-o numa plantação de eucaliptos e depois numa floresta virgem e tente descobrir as diferenças.”