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domingo, 24 de julho de 2005

Fernando Buen Abad Domínguez- Declaração formal de guerra poética para tomar o céu por assalto




Tradução para Português feita por Pimenta Negra

O surrealismo está vivo e lança-se à acção.

Leia-se e multiplique-se

Considerando:

a) que cada dia que passa são cada vez mais as perversões esclavagistas dos Impérios e dos seus cúmplices

b) que a miséria cresce, o crime cresce, a injustiça cresce, as ameaças crescem

c) que está em marcha um ataque armado imperial para cancelar definitivamente a liberdade

d) que somos reféns das ditaduras financeiras, bancárias, clericais, massmediáticas, legalóides, politiqueiras e moralistas

e) que não temos descanso nem nos deixam respirar

f) que pretendem usurpar-nos a vida e a esperança

g) que semearam com mortos os nossos sonhos e vigílias

h) que o medo inunda as noites e dias com noticiários, embargos judiciais e moral policial

i) que o terror tem cotação nas bolsas

j) que estamos acorrentados aos fios da consciência

k) que a podridão e a pouca vergonha desfilam triunfalmente pelas avenidas da impunidade

l) que a democracia fica desfigurada com a mais despudorada campanha nacionalista, fascista e patrioteira

m) que converteram o trabalho numa carnificina

n) que arrastamos pelas ruas as nossas depressões e cansaços como alma escondidas nas sombras elípticas dos abutres

o) que a fome nos tira lascas 365 vezes por minuto

p) que a humilhação goza de perfeita saúde

q) que o desemprego é um grande negócio

r) que tudo é ainda passível de piorar

s) que isto já não é assunto de caciques

t) que somos o alvo

u) que eles fabricam cada dia mais e melhores armas

v) que se votarmos neles seremos então seus

w) que não há tempo a perder. Que a consciência do nosso atraso não é suficiente

x) que o nosso trabalho, tal como está, faz-nos cada vez mais escravos e mais miseráveis

y) que eles estão organizados e se preparam para nos dar o golpe final

z) que não basta unirmo-nos… é preciso organizarmo-nos revolucionariamente

PROMULGAMOS A…

Real Declaração Universal  Dos Direitos da Revolução Permanente (e as suas permanente obrigações)

I. Todos os seres humanos podem, devem e precisam de ser revolucionários. A partir de hoje será obrigação e direito de todos executar pelo menos três acções revolucionárias diárias contra qualquer sinal de escravidão física e mental.

II. Será reconhecida como revolucionária toda aquela acção organizada que contribua directa ou indirectamente, objectiva ou subjectivamente, para dar por terminado o modo esclavagista e de exploração criado pelo capitalismo imperial.

III. Esta declaração propõe o amor e a poesia como formas supremas da revolução. Toda a indiferença face à revolução será considerado como delito de lesa-majestade

IV. A mansidão, docilidade e inactividade complacentes para com o capitalismo serão consideradas indecentes e imorais

V. Está proibida qualquer revolução na solidão. ( salvo casos excepcionais ou extremos). É dever e direito de toda a pessoa, que se respeite, construir a revolução acompanhado. É mais produtivo, mais seguro e mais saboroso.

VI. Será propósito de cada acto de amor honesto e quotidiano converter-se em revolução que liberte corpos e espíritos para uma vida digna, dentro do possível, ainda que não pareça.

VII. É prerrogativa e obrigação da humanidade contribuir para a construção de uma grande frente única revolucionária (a Revolução Mundial) que será com a maior brevidade convertida num poema colectivo para a redistribuição equitativa da felicidade e justiça. Tudo isto está nas nossas mãos, isto é, de todos nós.

VIII. É certo que não basta ser rebelde, mas há que começar por alguma coisa. Quando começar a grande revolução mundial, o que só acontecerá quando toda a opressão, escravatura e exploração estejam desterradas, manter-nos-emos revolucionários para não nos transformarmos no seu contrário.

IX. É preciso que a revolução se expresse por todas as áreas da vida. Por isso, daqui para diante, será necessário sermos revolucionários nos sonhos e no descanso, nos jogos e nos trabalhos, pública e em privado. Será prerrogativa de todo o revolucionário produzir beijos revolucionários, abraços revolucionários, carícias revolucionárias. Ciência, artes, filosofias e ofícios revolucionários. Não há desculpas para não se amar em revolução crescente e postergar um minuto que seja os mandatos do desejo.

X. Esta declaração é uma declaração de guerra contra toda a hegemonia da razão sobre os instintos e vice-versa. É uma declaração contra a separação entre a consciência e o inconsciente. É uma declaração de guerra contra a separação entre o espírito e o corpo. É uma declaração de guerra contra a separação do trabalho intelectual e o trabalho manual. É uma declaração de guerra contra a separação entre a riqueza material e os povos que a produzam. Contra a propriedade privada.

XI. Esta declaração é uma declaração de guerra contra a apatia, a desorganização, a depressão, a mediocridade, a sujidade, a miséria, a corrupção, os saldos amargos, a austeridade para tantos, a abulia, as doenças, as deficiências, os atrasos, as desigualdades, os maus tratos, a intranquilidade, a insónia, a impotência, a frigidez, o bom comportamento, as atitudes burguesas, a desnutrição, o abandono, a solidão e a tristeza.

XII. A partir de agora é obrigatória a revolução que fecunde alegria para todos, o bem estar material e emocional, o sexo criativo, lúdico e amoroso, o trabalho não alienante, a paz entusiasta, a vontade de rir-se sem ser por motivos estúpidos, a amizade contundente, o amor louco e tudo quanto a nossa consciência exigir para satisfazer as necessidades, pessoais e colectivas, para aproximarmo-nos daquilo que todos sonhamos como um mundo melhor, que é um mundo sem exploração, feito por e para uma humanidade renovada. E isso não é impossível.

XIII. É inaceitável ser-se indiferente a esta declaração.

XIV. Não será o medo à loucura que nos obrigará a baixar as bandeiras da imaginação

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