A canção "REMEMBER ME" do duo TORTURETWINN condensa a essência de uma cena alternativa em ascensão que reinterpreta nostalgias passadas sob uma lente profundamente digital e contemporânea. O projeto musical formou-se em Richmond, Virgínia (EUA) no ano de 2020, durante o período da pandemia. TORTURETWINN move-se no cruzamento entre o Darkwave, o Post-Punk Revival e o Synthpop. A sua sonoridade assenta em linhas de baixo pulsantes e repetitivas, sintetizadores retro-futuristas frios e vocais repletos de reverberação, criando um ambiente dançante porém soturno.
O projeto insere-se na vaga de renovação da subcultura goth e post-punk que emergiu na transição dos anos 1990 para a década de 2000, marcada pelo universo do Mall Goth e pela cultura de internet da era Y2K. Esta estética recupera a obsessão pela tecnologia de início do milénio - como ecrãs de tubos catódicos, estética de videojogos antigos e plataformas digitais primitivas -, a moda industrial misturada com o minimalismo cyberpunk e o isolamento urbano transformado em expressão artística através do espírito independente do Do It Yourself.
O videoclipe de "REMEMBER ME" funciona como uma meditação visual sobre o esquecimento, a obsessão e a mortalidade na era digital. A repetição do mantra do título contrasta com cenários estáticos e iluminação de néon em forte claroscuro, simbolizando o medo de desaparecer da memória do outro num mundo saturado de informação. O constante jogo de espelhos e enquadramentos simétricos entre os dois membros reforça o conceito de "gémeos" implícito no nome da banda, opondo o eu real à sua própria projeção fantasmagórica.
Os membros pertencem à Geração Z, uma geração que cresceu imersa no ambiente digital e carrega uma ansiedade existencial característica de quem vivencia as relações humanas mediadas por ecrãs. Em termos filosóficos, a obra bebe do Existencialismo de Albert Camus e do Niiilismo, refletindo o desapego e a procura de significado num mundo frio, além de tocar na Hauntologia teorizada por Mark Fisher - a sensação de que vivemos assombrados por estéticas do passado. Na literatura, o lirismo conecta-se ao Romantismo Obscuro de Edgar Allan Poe pela fascinação com o declínio e a morte, cruzando-se com a literatura Cyberpunk de William Gibson, onde a alta tecnologia coexiste com a solidão humana.
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