Passaram mais de 150 anos desde que a palavra ecologia foi criada, para dar nome à ciência que estuda as relações entre os seres vivos e o ambiente. Hoje, esse conhecimento continua a ser essencial para compreendermos o mundo.
O Dia da Ecologia, que hoje se celebra, lembra-nos do impacto das nossas escolhas e de como tudo está interligado: da floresta ao oceano, do ar que respiramos à comida que nos chega ao prato.
É também a ecologia que nos dá as bases científicas para encontrar caminhos para viver em maior equilíbrio com o planeta.
O Dia europeu da ecologia, Ecology Day, reúne um conjunto de atividades e recursos pedagógicos que pretende sensibilizar o público para as mais diversas questões do campo da Ecologia.
A história da ecologia é marcada pela transição de uma observação naturalista e descritiva para uma ciência quantitativa, preditiva e interdisciplinar. Em 1866, o biólogo e naturalista alemão Ernst Haeckel formalizou o termo na sua obra Generelle Morphologie der Organismen, combinando as palavras gregas oikos (casa) e logos (estudo). Haeckel definiu a ecologia como o estudo das interações entre os organismos e o seu ambiente orgânico e inorgânico, focando-se essencialmente na adaptação individual das espécies ao seu habitat natural.
Ao longo das primeiras décadas do século XX, a disciplina ganhou rigor metodológico e abrangência concetual. Em 1935, o botânico britânico Arthur Tansley introduziu o conceito seminal de ecossistema, integrando os componentes biológicos e os fatores físicos e químicos num único sistema funcional. Na mesma época, cientistas como o matemático americano Alfred J. Lotka e o físico italiano Vito Volterra desenvolveram modelos matemáticos para descrever as dinâmicas de populações e as relações predador-presa, transformando a ecologia numa ciência com capacidade preditiva.
Na segunda metade do século XX, o foco desviou-se para a circulação de matéria e energia. Os irmãos Eugene Odum e Howard Odum, com a publicação do influente manual Fundamentals of Ecology em 1953, consolidaram a ecologia sistémica ao aplicar os princípios da termodinâmica ao estudo dos biomas. Pouco depois, em 1962, a bióloga marinha Rachel Carson publicou Primavera Silenciosa, uma obra marcante que expôs os perigos dos pesticidas e impulsionou o movimento ambientalista moderno, unindo o conhecimento científico rigoroso à consciência social e política.
Na viragem do século XXI, a disciplina expandiu-se para responder à crise global da biodiversidade. Investigadores como E. O. Wilson, pioneiro da sociobiologia e defensor da conservação da biodiversidade, e ecólogos contemporâneos como Robert Costanza, focado na valoração económica dos serviços dos ecossistemas, adaptaram a ecologia à era do Antropoceno.
Hoje, a ciência ecológica apoia-se em Big Data, sequenciamento genético ambiental (eDNA) e deteção remota por satélite para monitorizar as alterações climáticas e fundamentar decisões globais de sustentabilidade.
A SPECO – Sociedade Portuguesa de Ecologia, empenha-se na dinamização deste dia: uma iniciativa internacional que une, de forma única, a ecologia e a sociedade, rumo à construção de um desenvolvimento humano mais sustentável.
Em associação com a Federação Europeia de Ecologia (EEF), a SPECO dedica-se anualmente a este dia, com o Alto-Patrocínio da Comissão Nacional da UNESCO.
"Para mim, a ecologia não deve ser um dogma, deve ser integrada em uma grande pensamento político sobre a humanidade. O problema não é apenas preservar a Natureza, mas perceber que a nossa sobrevivência está ameaçada por dentro pela nossa forma de vida, pela consumição, pela circulação, pela nossa forma de ser submetida à ditadura do lucro, que é contrária à possibilidade de regenerar os recursos do planeta. Hoje, a minha preocupação é o destino da humanidade na Terra."
Edgar Morin

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