A energia é fundamental no nosso quotidiano, permitindo o funcionamento da sociedade e da economia. Mas o acesso à energia não é algo garantido.
A Europa tem reduzido a sua dependência dos combustíveis fósseis russos desde a invasão em grande escala da Rússia na Ucrânia em 2022, estando agora a tratar de a eliminar completamente. Outros desafios incluem a transição progressiva para as fontes de energia renovável e a necessidade de conectar e proteger as infraestruturas energéticas.
Reduzir a dependência energética, principalmente da Rússia
Em 2025, a UE ainda importa 60% da sua energia, incluindo 90% do seu gás e 97% do seu petróleo, bem como combustível nuclear. Uma situação que pode vir a implicar riscos de interrupções no abastecimento e pressão externa, especialmente por parte da Rússia.
É por isso que a UE está a esforçar-se para retirar os combustíveis fósseis russos do seu cabaz energético. Uma nova lei aprovada pelo Parlamento em dezembro de 2025 proíbe as compras de gás natural liquefeito russo para entrega imediata na UE e será diretamente aplicável assim que o regulamento entrar em vigor no início de 2026, enquanto as importações de gás por dutos deverão ser progressivamente eliminadas até 30 de setembro de 2027.
Durante as negociações com o Conselho, o Parlamento também garantiu um compromisso da Comissão Europeia de apresentar legislação no início de 2026 para proibir todas as importações de petróleo russo, de modo a que uma proibição efetiva possa entrar em vigor antes do final de 2027.
As importações de gás da Rússia (gás canalizado e gás natural liquefeito combinados) diminuíram de mais de 40% do total das importações da UE em 2021 para menos de 19% em 2024. Estas importações foram substituídas por fornecimentos provenientes de fontes mais fiáveis, por energia produzida internamente, ou tornaram-se desnecessárias devido à redução do consumo. A quota das importações de petróleo russo também encolheu de 27% no início de 2022 para 3% em 2024.
Aumentar a energia renovável gerada na UE
Desde 2014, o uso da energia eólica quase duplicou e o da energia solar mais do que triplicou na UE. As renováveis forneceram 45% da eletricidade consumida no bloco em 2023.
No entanto, problemas na rede elétrica levaram ao desperdício de 12 terawatts-hora de energia renovável (o equivalente ao consumo médio de eletricidade de aproximadamente 3,3 milhões de famílias da UE durante um ano). É por isso que os eurodeputados insistem no aumento dos investimentos para expandir e modernizar as redes elétricas.
O Parlamento pede também apoio a tecnologias emergentes, como a energia geotérmica e o biometano.
A UE tem como objetivo atingir uma quota de energia renovável de pelo menos 42,5% no consumo total de energia até 2030. O Parlamento apelou a uma cooperação mais estreita e a uma implementação mais rápida dos projetos renováveis para cumprir estas metas.
Melhorar a eficiência energética
Poupar energia é uma das melhores formas de reduzir a dependência de abastecimentos energéticos externos. A resolução do Parlamento salientou que a procura de energia na UE caiu 20% entre 2006 e 2023, graças aos esforços de eficiência.
No entanto, o consumo energético proveniente de centros de dados e tecnologias digitais aumentou de forma acentuada. O Parlamento apelou a políticas mais claras e apoio para reduzir este crescimento. Também pediu melhores medidas de poupança de energia em casas e indústrias para diminuir a procura e evitar sobrecargas na rede.
Prevenir falhas no abastecimento de energia
A resolução alertou que, se não houver energia de reserva suficiente, picos súbitos na procura ou interrupções no fornecimento poderão causar grandes apagões e prejudicar a economia.
O Parlamento referiu que poderá ser necessária uma capacidade extra de 100 GW até 2035 para garantir fiabilidade, segurança energética e redução de custos, e ressaltou que esta capacidade deverá provir de fontes energéticas diversificadas.
Proteger a infraestrutura energética contra ataques
O Parlamento manifestou preocupação com o aumento dos ciberataques e dos incidentes de sabotagem física que ameaçam a infraestrutura energética, especialmente as linhas transfronteiriças, cabos submarinos e ligações a parques eólicos offshore.
Foi pedido um reforço da proteção e uma cooperação mais estreita entre os países da UE, a Comissão Europeia e as agências da UE. As autoridades devem também trabalhar em conjunto com as empresas privadas para garantir o fornecimento de eletricidade e apoiar a segurança nacional.
A resolução destacou a necessidade de controlos obrigatórios de cibersegurança em pequenos dispositivos energéticos ligados à internet, pois podem ser vulneráveis a ciberataques.
Reforçar a solidariedade entre os países da UE
O Parlamento sublinhou que a segurança energética exige solidariedade, pois ações nacionais unilaterais podem desestabilizar o sistema mais amplo. Com base nisso, apelou aos países da UE para coordenarem projetos de infraestruturas e respostas a emergências.
Armazenar gás suficiente para enfrentar interrupções
Em julho de 2025, o Parlamento aprovou também um regulamento sobre o armazenamento flexível de gás, que visa garantir que os países da UE armazenem gás a preços acessíveis para cobrir períodos frios ou interrupções no abastecimento.
A legislação foi inicialmente adotada em 2022, na sequência da invasão em grande escala da Rússia na Ucrânia, em meio a preocupações de que a Rússia poderia usar o fornecimento de gás como instrumento de pressão sobre a UE.
As alterações de 2025 na legislação introduzem maior flexibilidade na forma como os países da UE podem cumprir as regras. Em vez de terem que atingir uma meta de enchimento dos armazéns de gás de 90% até 1 de novembro de cada ano, os países podem atingir o mesmo objetivo de 90% em qualquer momento entre 1 de outubro e 1 de dezembro. Isto deverá resultar em menos especulação e preços mais baixos nos mercados do gás.
Para mais informaçõesRumo a um futuro sustentável: a reforma do mercado elétrico da UE

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