Blogue de Educação Ambiental, iniciado em 01.04.2004
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terça-feira, 16 de novembro de 2021
Discurso de Anne Teresa De Keersmaeker quando aceitou o prémio Helena Vaz da Silva
Introdução e Agradecimentos [00:06]
"Exma. Senhora Ministra, caros membros da direção da Europa Nostra, da Fundação Calouste Gulbenkian, do Centro Nacional de Cultura e do Clube Português de Imprensa. Caros membros do júri, senhoras e senhores. Deixem-me primeiro expressar o quão honrada e grata estou por estar aqui esta noite e receber o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural."
Sobre Helena Vaz da Silva [01:03]
"Gostaria muito de ter conhecido a inspiradora Helena Vaz da Silva. Compreendi que o seu nome, Helena, significa que ela é a mulher mais bela, e 'da Silva' significa que ela é da floresta. O que se pode querer mais? Além disso, Helena foi uma grande amiga da admirável Marguerite Yourcenar, que nasceu na minha cidade, Bruxelas."
A Definição de Coreografia [01:48]
"Em algum momento do seu caminho, qualquer artista se depara com a questão: o que é que faz e o que significa o seu meio para si? (...) A tentativa de expressar o que a coreografia significa para mim tem sido algo em movimento, em constante mudança. Dança comigo."
A artista descreve a evolução da sua visão sobre a coreografia em quatro fases:
Corporizar uma abstração: Uma obsessão com o numérico, o geométrico e o formalismo [04:11].
Organização do tempo e do espaço: Um regresso ao corpo humano e ao básico: caminhar, respirar, cair [04:31].
Desafiar a gravidade: Algo entre Isaac Newton e saltar como uma criança [04:43].
Uma forma de cura: Uma visão mais recente do seu trabalho [05:03].
O Impacto da Pandemia e a Crise Climática [05:29]
"Com a COVID-19, tudo o que pensávamos saber foi desestabilizado. Como coreógrafa, as perguntas tornaram-se incontornáveis: quando voltaremos a fazê-lo? Porquê dançar?"
Anne Teresa reflete sobre a etimologia da palavra: Core (coro/grupo) e Graphine (escrever). "Coreografia é escrever as pessoas, ou escrever o espaço entre as pessoas" [06:55]. Ela observa que a pandemia criou uma "coreografia peculiar" de distância, máscaras e desconfiança entre os corpos [07:22].
No entanto, alerta que problemas como as alterações climáticas, a educação e a desigualdade social são questões mais urgentes que devem estar no topo da lista [08:02]. "Destruímos o nosso ambiente, destruímo-nos a nós mesmos" [09:10].
A Dança como Reencontro e "Reset" [11:18]
"Acredito que a coreografia tem o potencial de oferecer mais do que apenas consolo. Podemos aprender com ela."
Ela discute dois eixos na dança:
Eixo Vertical: Liga o céu à terra, mantendo-nos enraizados mas elevando-nos [12:11].
Eixo Horizontal: O reino do social, onde alcançamos os vizinhos e nos apoiamos [12:40].
"O mundo precisa de se reescrever, não de retroceder, mas de fazer um reset para um futuro melhor" [14:26].
O Património da Dança e a Educação [19:05]
Refletindo sobre a Europa Nostra e a proteção do património, ela questiona como proteger a dança, que não é feita de objetos, mas passa de corpo em corpo.
Menciona a fundação da sua escola, PARTS, em Bruxelas em 1995, que já recebeu 556 alunos de 66 países [20:36]. "Proteger o património da dança é uma questão de cuidar da sua transmissão de geração em geração" [23:28].
Conclusão: Uma Celebração da Humanidade [28:16]
"No final do dia, a coreografia é uma celebração da nossa humanidade. É um meio para dançarmos juntos coletivamente. Mesmo quando dançamos a solo, nunca estamos verdadeiramente sozinhos."
O discurso termina com citações de T.S. Eliot e o Soneto 18 de Shakespeare, celebrando a vida e a imortalidade através da arte [29:59].
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