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sábado, 31 de outubro de 2020

Dia Mundial das Cidades


A 31 de outubro assinala-se o Dia Mundial das Cidades. Esta iniciativa tem origem na resolução 68/239. O seu objetivo é sensibilizar a comunidade internacional para a urbanização global e fomentar a cooperação entre estados para enfrentar os desafios da urbanização, bem como incentivar o desenvolvimento urbano sustentável.

O tema deste ano é "Valorizar as nossas comunidades e cidades", pelo que se pretende evidenciar o papel importante que as comunidades locais têm em manter a segurança, contribuir para a economia e na defesa da igualdade e justiça através dos seus movimentos organizados.

Imagem: Organização das Nações Unidas/Rick Bajornas

Documentos
Resolução da AG da ONU 68/239 sobre Implementação das Decisões da Conferência das NU sobre Estabelecimentos Humanos (Habitats)
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"Covid19 - Está a acontecer. Vai doer, se não levarmos a sério" por Gustavo Carona

Para quem não sabe, o Doutor Gustavo Carona é um médico especialista em anestesia e cuidados intensivos no Hospital Pedro Hispano. Fez várias missões em países como o Paquistão, Congo, Afeganistão, República Centro Africana, Síria, Yémen, Burundi, Iraque e também esteve na Faixa de Gaza. Fica aqui a opinião de quem já viu o melhor e o pior do que o mundo tem para mostrar.
 

sexta-feira, 30 de outubro de 2020

Humanos modernos chegaram ao que hoje é Portugal antes do pensado

Fonte: aqui

Os humanos modernos chegaram à zona mais Ocidental da Europa, no que hoje é Portugal, 5.000 anos antes do que até aqui se pensava, segundo um estudo divulgado hoje, que se baseia em achados na Lapa do Picareiro.

© Lusa Os humanos modernos chegaram à zona mais Ocidental da Europa, no que hoje é Portugal, 5.000 anos antes do que até aqui se pensava, segundo um estudo divulgado hoje, que se baseia em achados na Lapa do Picareiro.

As descobertas, reveladas por uma equipa internacional que envolve arqueólogos da Universidade do Algarve (UAlg) e da Universidade Autónoma de Lisboa (UAL), mostram indícios da presença do homem moderno na Costa Atlântica da Península Ibérica num período a uma distância de entre 41 e 38 mil anos, cerca de 5.000 anos antes do que se conhecia até aqui.

Num artigo publicado esta semana na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, os investigadores concluem que as ferramentas agora encontradas na Lapa do Picareiro, em Minde, no distrito de Santarém, "ligam este local a descobertas semelhantes pela Eurásia até à planície russa".

"A descoberta sustenta uma dispersão rápida em direção a oeste dos humanos modernos pela Eurásia dentro de alguns milhares de anos após a sua primeira aparição no sudeste europeu. As ferramentas documentam a presença de humanos modernos na zona mais ocidental da Europa numa altura em que se pensava que os Neandertais estariam presentes na região. A descoberta tem ramificações importantes para compreender a interação possível entre os dois grupos e o derradeiro desaparecimento dos Neandertais", pode ler-se no comunicado sobre o artigo.

Em declarações à Lusa, o arqueólogo Nuno Bicho, da UAlg, afirmou que a descoberta permite constatar que "a entrada da nossa espécie no sul da Península Ibérica é muito anterior, ou seja, 5.000 anos, antes daquilo que se pensava".

"A descoberta tem dois níveis de importância: do ponto de vista absoluto, os homens modernos chegaram à Costa Atlântica muito antes do que se pensava e foi criada uma oportunidade de coexistência entre as duas espécies", disse o professor da UAlg, que integrou a equipa internacional com João Cascalheira (também da UAlg) e Telmo Pereira, da UAL.

No comunicado, o investigador Jonathan Haws, da Universidade de Louisville, nos Estados Unidos, salienta que ainda não é sabido como os humanos modernos chegaram à região, lembrando que "provavelmente migraram ao longo dos rios provenientes do Este no interior", antes de reconhecer que uma rota costeira é também uma possibilidade.

Nuno Bicho realça que a Lapa do Picareiro está muito próxima da Gruta do Almonda, em Torres Novas, sabendo-se que um dos locais apresenta indícios da presença de Neandertais e o outro de humanos modernos, embora não haja evidências de relações culturais entre os dois grupos.

O que significa que se está perante "um problema cientifico bastante complexo, que é perceber como é que se deu a relação entre os dois grupos", disse o arqueólogo português, estimando que os próximos trabalhos abordem esta questão.

Nuno Bicho disse que, apesar do impacto causado pelo novo coronavírus, os trabalhos de análise laboratorial prosseguiram, estimando-se que no próximo mês de julho possam retomar o trabalho de campo.

"A dispersão de humanos anatomicamente modernos pela Europa há muitos milhares de anos é central para a nossa compreensão de onde viemos como uma espécie agora global. Esta descoberta oferece novas evidências significativas que vão ajudar a moldar futuras investigações sobre como e quando os humanos anatomicamente modernos chegaram à Europa e que interações podem ter tido com os Neandertais", disse o diretor do programa de Arqueologia da Fundação Nacional de Ciências, dos Estados Unidos, John Yellen.

Nuno Bicho lembrou que "durante muito tempo se pensava que os Neandertais e os homens modernos eram dois grupos completamente diferentes, sem qualquer relação cultural ou genealógica", sabendo-se agora que "a maior parte dos europeus tem uma parte do seu código genético que é Neandertal", o que significa que a dada altura houve uma troca genética entre os dois grupos.

"Até há pouco tempo pensava que a Península Ibérica não seria local dessa troca", disse o investigador.

Haws salienta que já trabalha na Lapa do Picareiro há 25 anos: "Quando começas a pensar que já te deu todos os segredos que podia, uma nova surpresa emerge".

O projeto é liderado por Haws, por Michael Benedetti da Universidade da Nova Carolina Wilmington e por Lukas Friedl, da Universidade da Boémia Ocidental, na República Checa, em parceria com Nuno Bicho e João Cascalheira, da UAlg, e com Telmo Pereira, da UAL. A equipa contou ainda com o trabalho de Sahra Talamo, da Universidade de Bolonha, em Itália, e do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, em Leipzig, na Alemanha.

André Dias, o Messias…Análise Retrospetiva das Previsões Messiânicas sobre o COVID-19

André Dias é um dos primeiros “destabilizadores” das redes sociais criando uma narrativa alternativa à COVID-19. A habitual narrativa “isto é só uma gripe banal” e todos os argumentos irrealistas a ela associada para validar a crença. Podemos mesmo considerar que foi o “formador” informal de algumas das vedetas que dão a cara pelos “Médicos pela Irresponsabilidade” e terá ajudado a lançar esse antro de desinformação.

O nosso amigo Engenheiro Informático apresenta-se como tendo tirado um doutoramento em “modelação de doenças pulmonares” quando, o que fez, na realidade, foi tirar um doutoramento na “modelação de gasto energético” em pessoas com DPOC e Fibrose Cística recorrendo a acelerómetros. Nada a ver com doenças infeciosas. Nada a ver com modelações de doenças infeciosas. Nada a ver com epidemiologia, virologia, COVID-19 nem coisa semelhante. Para que não haja dúvidas, isto é tirado diretamente do Linkedin do visado: “modelação de doenças pulmonares [DPOC e Fibrose Cística] usando informação de atividade física”. E sim, dei-me ao trabalho de ler o próprio doutoramento. Agora é ir ver a quantidade de vezes que engana as pessoas apresentando-se como “Doutorado em Modelação de Doenças Pulmonares”, como se tivesse alguma coisa a ver com a pandemia que vivemos.


Apesar disso continua a dizer constantemente que tem formação na área, a vender-se como a autoridade sobre um assunto do qual nada percebe…diz-se “o único com formação em epidemiologia” num grupo de 7.000 pessoas com centenas de médicos…o engenheiro informático que modelou gasto energético em doenças não infeciosas é o “único” iluminado sobre doenças infeciosas.


Aliás, atreve-se a dizer que há ZERO epidemiologistas em Portugal, este país de agricultores e cabras que só teve capacidade para importar um engenheiro informático “formado em epidemiologia”…


Por isso, não admira que o Messias do COVID-19 nos diga coisas deste género…A 14 de Março de 2020, o Messias referia que 70% da população da China já estava imune ao vírus. Neste momento nem sequer 5% dos chineses têm anticorpos em Wuhan, o epicentro do COVID-19. E mesmo considerando imunidade células T, nem sequer 10% no epicentro quanto mais no resto da China.


A 17 de Março de 2020, fazia a previsão de 12.000 mortes em Itália e 1000 mortes em Portugal. Em Itália vamos para as 37.000 mortes e em Portugal ultrapassamos as 2.000. E teve muita sorte, já que os números são bastante baixos graças à brutalidade de medidas de confinamento adotadas. E quando o Messias referia que a curva de Itália tinha invertido, ainda ia na fase ascendente.


Depois a desvalorização dos mortos…porque os que morrem já são velhinhos. Os que morrem já não passariam do próximo Inverno ou onda de calor. Os que morrem já iriam morrer. Espero que, quando for velho, tenham mais consideração por ele. Mas fora isso, a realidade é que o vírus leva a uma perda, em média, de 10 anos de vida. Não são meses…é uma década.


O Messias chega mesmo a dizer que a mortalidade por COVID-19 é inferior à mortalidade por gripe. Sem considerar as sequelas a longo prazo da COVID-19, que ainda desconhecemos integralmente, olhemos para os Estados Unidos onde as medidas para contenção do vírus foram as mais “ligeiras”, com os políticos a lutarem permanentemente contra as indicações de saúde pública. Considerando que as mortes por COVID-19 atingirão os 300.000 no final do ano, apenas a mais grave pandemia de que há registo, que ocorreu em 1918-19, foi mais mortal que a COVID-19. De resto, não há nenhuma época de gripe nos Estados Unidos (que mata 12.000 a 61.000 pessoas/ano), que tenha atingido esses valores. Acrescentando que vivemos num mundo com uma resposta sanitária muito superior do que há 100 anos atrás. Imaginem o COVID-19 em 1920 sem ventiladores, sem oxigénio, sem corticoides, sem perspetiva de vacina.


Mesmo perante a demonstração do óbvio, com picos de mortalidade nunca antes vistos neste milénio, o caro Messias consegue negar a realidade, tapar os ouvidos e fazer “nanananana”.


Depois de falhar redondamente as previsões para Itália, refugia-se nos “maus anos” de mortalidade pela gripe, para insistir no discurso da “gripe banal”. Mais uma vez, repito…sem medidas de contenção (que a Itália tomou de forma brutal), a mortalidade por este vírus seria 5-10x superior a uma época de gripe banal. E suponho que este Inverno vamos ter más notícias. Mas quando se está em negação, bola para a frente.


Mas porque é que os serviços em Itália colapsaram? Por aumento da procura? não…foi mesmo por medo. Os médicos têm aquela tendência chata de meter os doentes todos entubados, a oxigénio, porque têm “medo” que eles morram. E porque morrem as pessoas? Por medo…óbvio…é a pandemia do medo, todos sabemos isso. O vírus existe, sequer?


Além disso os médicos, esses malandros, internam pessoas assintomáticas! Obviamente, para manter a narrativa do histerismo Covidiano. Os médicos estão todos comprados por forças ocultas e andam a entubar doentes assintomáticos porque precisam de doentes senão vão para o desemprego. Faz sentido!


Aliás, mortes por COVID-19? O pessoal anda a fechar tudo por ZERO mortes! Insano…tudo uma cabala, só pode.


E o que se passou em Itália e Espanha? Nada…nadica…nickles. A “pandemia do medo”.


E claro…as medidas de contenção do vírus são perfeitamente inúteis…lavar as mãos, distanciamento físico, utilização de máscara, testagem e quarentena de infetados, lockdown…nada funciona…tudo gaussianas perfeitas…Mais uma vez recorro à evolução dos casos de COVID-19 num país que, por recusa de aceitar a ciência, seguiu as indicações do nosso Messias, parcialmente. Se não serve, têm a Cochrane sobre o assunto.


E claro….os EUA estão em queda, como também podem ver no gráfico acima…suponho que algures no tempo esta mensagem será verdadeira…não sabemos é quando.


Com o gráfico acima também podemos perceber a “teoria da semana 19”, conforme o nosso amigo André Dias escreveu no ECO, dizendo que “quase de certeza terá esse comportamento”. Completamente ao lado.


Aliás, as medidas aconselhadas são tão ineficazes que a curva entrou em fase descendente em todos os países, mais ou menos na mesma altura. Supostamente dia 15 de Abril…se 15 de Abril for quando um homem quiser.


Depois havia a preocupação (legítima), com as alterações mentais da população, relacionadas com o isolamento. Perfeitamente compreensível e assunto a ser intensamente estudado…por outro lado, o Messias extrapola ao absurdo, assemelhando-se bastante aos “promotores do medo” que tanto ataca. Pelos vistos este ano vão morrer mais pessoas de suicídio do que do vírus…tenham medo!


E os meses que andou a insistir que não ia haver segunda vaga? Bons tempos…quem me dera que ele tivesse razão, mas mais uma vez a realidade é lixada para os negacionistas do COVID-19. Neste caso uso a curva de Espanha, país que declarou estado de emergência novamente por causa de uma “gripe banal”, que causou uma segunda vaga que “não existe”. E França vai para o segundo Lockdown.


E com toda a evidência avassaladora a favor das máscaras, que levou a que eu próprio mudasse de opinião, o nosso Messias faz ciência Facebookiana, pega numa seta e pimbas…assim se destrói a utilidade das máscaras. É impossível desmentir comentário tão brilhante, com uma seta tão bem colocada. Interessam lá os estudos científicos…isto sim, meus senhores, é C.I.Ê.N.C.I.A. Aliás, pelo padrão abaixo atrevo-me a dizer que as máscaras causam pandemias. A coisa até estava controlada até introduzirem a obrigação de utilização de máscara!


E claro…tudo o que aconteceu e está a acontecer no hemisfério sul é produto da nossa imaginação. O Brasil fica no Pólo Norte, como todos sabemos. Só já vai nas 150.000 mortes, dezenas de vezes superior às “gripes banais” que costumam assolar o país.


Nestes entretantos ainda conseguiu introduzir a narrativa da “pandemia de falsos-positivos”, dizendo que os testes PCR tinha uma especificidade que num cenário de baixa prevalência levaria a que muitos casos registados fossem, na realidade, falsos-positivos. Isto é mentira, já que a especificidade do teste é praticamente 100% (1, 2, 3, 4, 5) e o problema parecem ser mesmo os falsos-negativos. Mas mais estranho é que recentemente, mesmo com uma subida brutal em toda a Europa de Internamentos e doentes nos Cuidados Intensivos, não largou o osso. Diz-nos que 50 a 90% das pessoas com teste positivo não têm a doença.


Várias vezes referiu que a mortalidade associada ao COVID-19 na zona de Bergamo e Wuhan se devia exclusivamente à má qualidade do ar, insistindo na narrativa da “gripe banal”. Refere inclusive a questão da qualidade do ar no artigo que publicou no ECO. Para depois nos vir dizer que afinal a qualidade do ar tem pouco interesse.

Conclusão

Isto é apenas uma amostra, mas permite concluir o seguinte…Temos um engenheiro informático que diz ter formação em epidemiologia, sem nunca ter mostrado efetivamente ter tido tal formação. Que dizia que não iria haver segunda vaga. Que tudo acabaria na semana 19. Que usa o paradoxo da prevenção para distorcer o problema que representa a COVID-19, comparando desonestamente os dados de mortalidade entre a gripe e a COVID-19. Que continua a dizer que isto é uma “gripe banal”. Que acha que os médicos internam doentes por medo. Que acha que os testes PCR dão 50-90% de falsos-positivos apesar do aumento brutal de internamentos e doentes nos cuidados intensivos. Que achava que a China já tinha 70% de infetados em Março. Que rejeita as evidências avassaladoras sobre a eficácia das máscaras. Que nos falava de curvas de propagação gaussianas sem qualquer impacto das medidas, tendo sido categoricamente desmentido pela realidade. Que afirma que as curvas estão a descer quando elas escalam de forma galopante. Que a culpa era da poluição e afinal já não era.

E depois temos quem segue esta vedeta cegamente. É preciso uma grande capacidade de ignorar a realidade…dou-vos os parabéns por isso e a vós, dedico esta segunda vaga.

quinta-feira, 29 de outubro de 2020

Cartaz da Semana- [Auto-conhecimento]

O auto-conhecimento é uma prenda oferecida pela vida. Quais são as suas fontes de inspiração para o auto-conhecimento?



O Futuro da Terra - Diálogos Com o Papa Francisco sobre Ecologia Integral


Foram três encontros. Francisco conta ao gastrónomo-escritor Carlo Petrini a sua “conversão ecológica”: do ‘cansaço’ como cardeal em Aparecida em 2007 pela insistência dos bispos brasileiros em defesa da Amazônia até a preparação da encíclica Laudato si’. E explica: “É preciso mudar rapidamente nossos paradigmas se quisermos ter um futuro”

Um Papa, como Francisco, que como cardeal argentino sentiu "cansaço" pela "insistência com que os bispos brasileiros falavam dos grandes problemas da Amazônia" na conferência de Aparecida e como bispo não entendia qual era o seu papel em relação à "saúde do pulmão verde do mundo". E um agnóstico, ex-comunista e gastrónomo, como Carlo Petrini, fundador do "Slow food", a quem o Pontífice chama de "piedoso" porque "tem piedade da natureza, uma atitude nobre" e "coerente consigo mesmo". Unidos pelas raízes piemontesas comuns".

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As raízes piemontesas e a amizade do bispo Pompilli
Do encontro, ou melhor, dos três encontros em dois anos, de maio de 2018 a julho de 2020, nasceu "Futuro da Terra: Diálogos com Papa Francisco sobre ecologia integral", livro a ser publicado em 9 de setembro que Petrini, também promotor da rede internacional de ecologistas "Terra Madre", publica com a Editora Giunti-Slow Food. O Papa de 83 anos, com antepassados da região de Asti e o gastrónomo de 71 anos e escritor de Cuneo, da região Piemonte. O primeiro encontro foi realizado com a presença do Bispo de Rieti Domenico Pompili, com quem Petrini tem grande amizade por terem criado juntos as Comunidades "Laudato si'" para "dar vida" ao que Francisco propôs em sua encíclica.

Petrini impressionado pela primeira viagem em Lampedusa
O Bispo, que escreveu o prefácio, lembra que Francisco e Carlin, como ele é mais conhecido, nos diálogos identificam-se por "F" e "C", "e são dedicados à Terra e ao seu futuro" e que deste confronto surgem caminhos "para uma ecologia que deixe de ser uma bandeira e se torne uma escolha". O ponto de partida é o pensamento do Papa Francisco, que impressiona o agnóstico Petrini desde a escolha de fazer a primeira viagem como Pontífice a Lampedusa, "como sinal de solidariedade com os migrantes", que investiga, e escreve na "Laudato si", "o que está acontecendo com a nossa casa".

O primeiro diálogo: a génese da Laudato si’
No primeiro diálogo, em 30 de maio de 2018, três anos após a publicação da encíclica, que Carlo Petrini define como "poder extraordinário", que "mudou o cenário do discurso ecológico e social", Francisco fala da génese da ‘Laudato si’". Recorda que é fruto do trabalho de muitas pessoas, cientistas, teólogos e filósofos, que "me ajudaram muito a esclarecer", e com o material deles, trabalhou "na composição final do texto".

O interesse da ministra francesa Ségolené pela encíclica
E explica que a primeira vez que se deu conta da “centralidade" do documento e "sua importância pelas questões abordadas", foi no final de novembro de 2014, ao se encontrar com a então Ministra francesa do Meio Ambiente Ségòlene Royal em sua visita ao Parlamento Europeu em Estrasburgo. A Ministra, relata o Papa, mostrava "muito interesse" pelo texto, do qual se conhecia apenas a referência "aos temas da casa comum e da justiça social". "É muito importante", disse a Ministra ao Pontífice, e previu que seria "de grande impacto, estamos todos aguardando".

Esperava-se uma voz forte, hoje penso que tenha sido aceite
Até então, confessa o Papa Francisco a Petrini, “não sabia que teria causado tanto clamor”

“Lá percebi que a expectativa crescia e que se esperava uma voz forte nesta direção. Depois, correu tudo bem: após seu lançamento, vi que a maioria das pessoas, os que se preocupam com o bem da humanidade, leram e apreciaram, usaram-na, comentaram-na, citaram-na. Acho que foi quase universalmente aceita”

O percurso: de Aparecida a Laudato si’
Ao responder a Petrini que lhe pede a confirmação de que sua atenção às questões ambientais "amadureceram com o tempo", Francisco confidencia que "foi um longo percurso", iniciado em 2007 em Aparecida, no Brasil, onde como cardeal arcebispo de Buenos Aires foi presidente da Comissão para a elaboração do documento final da Quinta Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe. Recorda bem "de ter sentido cansaço" com a atitude dos bispos brasileiros que em todas as ocasiões "falavam dos grandes problemas da Amazônia", de suas "implicações ambientais e sociais", e "não entendia esta urgência e insistência". E também havia solicitações incessantes de colombianos e equatorianos, para incluir estas questões no documento final.

A “conversão ecológica” de Jorge Mario Bergoglio
Desde então, comenta o Pontífice, "passou muito tempo e eu mudei completamente a percepção do problema ambiental".

“No início eu também não entendia estes temas. Depois, quando comecei a estudar, tomei consciência, abriu-me um mundo. Creio que seja correto dar tempo a todos para entenderem. Porém, ao mesmo tempo, devemos nos apressar para mudar nossos paradigmas se quisermos ter um futuro”

Uma encíclica para todos, não só para os crentes
Se Petrini aponta que ainda acha difícil construir pontes de diálogo entre o mundo "crente" e o mundo "secular", o Papa Francisco enfatiza que "a Laudato si' é um ponto comum de ambos os lados, porque foi escrita para todos". O diálogo, diz o gastrónomo-escritor, "não é uma opção moral", mas "um método real". E o Papa acrescenta que "é um método acima de tudo humano". Não se trata, reitera, "de aplanar as diferenças e os conflitos, mas ao contrário de exaltá-los e ao mesmo tempo superá-los para o bem maior".

A mudança começa por nós, basta de despesas mundanas
Ao ler a encíclica, o fundador do "Slow Food" ficou fascinado com o valor dado às "boas práticas individuais" na "geração de mudanças virtuosas". A mudança começa por nós, confirma Francisco, lembrando que "o dever do pároco é apagar a luz, sempre", porque ele deve "guardar as ofertas para usá-las para a caridade". Enquanto isso, observa, o terceiro item de despesa das famílias no mundo, depois dos alimentos e vestiário, é o cuidado do corpo, da beleza e a cirurgia estética, e o quarto é o animal de estimação. "A educação não aparece", lamenta, e assim "é difícil falar de uma nova abordagem ecológica e de uma nova harmonia com o meio ambiente".

Não ao egoísmo de pedir demais à Terra
A fim de encorajar as pessoas a agirem pessoalmente para a mudança, o Pontífice procura as palavras certas:

“O egoísmo deve ser combatido, o pensamento de que eu exploro a Mãe Terra porque a Mãe Terra é grande e deve me dar o que eu quero, deve acabar. É um pensamento completamente doentio, só pode nos levar ao colapso”

Não é uma encíclica ambientalista, mas social
Neste ponto o Papa Francisco retorna ao conceito de ecologia integral, para explicar que a "Laudato si’" não é uma encíclica verde, não é um texto ambientalista. É antes de tudo uma encíclica social". Porque nós, homens, "somos os primeiros a fazer parte da ecologia", o homem e o meio ambiente não são separáveis.

Biodiversidade é rezar a Deus com a própria cultura
Carlo Petrini lembra também do grande valor que a encíclica dá à biodiversidade, e o Papa esclarece que "é a herança que nos permite viver neste planeta", uma riqueza inestimável, "mas nós, com nosso modelo produtivo e económico, a destruímos como se não nos interessasse". A Amazónia é um depósito de biodiversidade: a Petrini que lhe recordou do discurso feito em Puerto Maldonado e do reconhecimento do valor da espiritualidade e da cultura dos povos indígenas, Francisco fala de "inculturação".

“Todos podemos rezar da mesma maneira, mas isso destrói a biodiversidade humana, que é principalmente cultural. Não! Todos rezam de acordo com sua própria cultura! E celebram os sacramentos de acordo com sua própria cultura: na Igreja existem mais de vinte e cinco ritos litúrgicos diferentes, que nasceram em diferentes culturas”

Levar o Evangelho no mundo significa inculturá-lo
O Pontífice recorda das críticas recebidas pela sua declaração "precisamos de uma Igreja Amazónica" recordando também as críticas escandalizadas dos teólogos romanos a Matteo Ricci, o missionário jesuíta que queria "inculturar" o Evangelho na China, "aceitando também alguns rituais chineses". "A Igreja não o entendeu – explica Francisco com decepção – fechando de fato as portas para o Evangelho na China".

“Bento XVI, um revolucionário”
O primeiro diálogo se conclui com Carlo Petrini que elogia os missionários da Consolata e seu testemunho do Evangelho através de um hospital para os índios Yanomani, na Amazónia brasileira, sem proselitismo. Enquanto que o Papa Francisco recorda que foi Bento XVI, em Aparecida, que afirmou que "a Igreja cresce não pelo proselitismo, mas pela atração, ou seja, pelo testemunho", condenando assim o proselitismo.

“Por isso me irrito quando dizem que Bento é um conservador, Bento foi um revolucionário! Em tantas coisas que ele fez, em tantas coisas que ele disse, ele foi um revolucionário”

O segundo diálogo: rumo ao Sínodo Pan-amazónico
O segundo encontro ocorreu em 2 de julho de 2019, três meses antes do Sínodo dos Bispos para a Amazónia. O gastrónomo fundador do "Slow food", que nessa ocasião receberia um convite para participar da assembleia como auditor, pergunta ao Papa o que ele espera do Sínodo, e Francisco responde: "que tenha um impacto clamoroso". Porque "há necessidade de criar discussões férteis e profícuas", "para colocar energias e ideias em circulação". Ele nega que seja organizado o consentimento que "permitiria aos padres amazônicos se casarem".

Não ao celibato, mas os grandes temas de hoje
O Papa explica que Bispos e especialistas do mundo inteiro, e representantes da Amazónia discutirão sobre "os grandes temas de nossos dias": "meio ambiente, biodiversidade, inculturação, relações sociais, migração, equidade e igualdade". O Pontífice revela que também quis "convidar alguns padres e bispos um pouco conservadores" porque "se não houver opiniões diferentes o debate é estéril e há o risco de não dar nenhum passo adiante". Há necessidade, explica ele, "do pensamento e dos recursos de todos".

Só o ambientalismo não é suficiente, é preciso justiça social
Os grandes temas a serem discutidos, lembra o Papa Francisco, são todos abordados no "Laudato si’".

“Não se trata de ambientalismo, que por mais nobre que seja, não é suficiente. Aqui estamos falando de qual modelo de convivência e futuro temos e como construí-lo: está em jogo a enorme questão da justiça social que, ainda hoje, no mundo interligado e aparentemente próspero em que vivemos, está longe de ser alcançada”

Greta e a mobilização dos jovens “também pelo presente”
Petrini, promotor do "Terra Madre", uma rede ecológica "de agricultores, pescadores, artesãos, cozinheiros, pesquisadores, nativos, pastores", pergunta ao Papa como ele vê o movimento dos jovens nascido da menina sueca Greta Thunberg. Francisco aprova, e cita os slogans dos jovens, pois "o futuro é nosso e não seu". Ele não se interessa em saber se Greta é "empurrada por outros": se seu ativismo permite que milhões de jovens se mobilizem "só se deve se alegrar". "Estou interessado na reação dos jovens - esclarece – além do futuro, eles devem tomar o presente para si".

“Os jovens estão cientes de que esta civilização e este modelo estão deixando apenas as migalhas e que se não agirem agora pessoalmente, correm o risco de se encontrar em dificuldades”

Não ao populismo, que usa os instintos dos que estão em dificuldade
O diálogo se transfere para acusações de "bonomia excessiva" feitas contra o Papa Francisco pelo seu compromisso com a acolhida e a integração dos migrantes. O Papa cita Dom Quixote de Cervantes e explica que "não se deve responder nem ser intimidado, porque os ataques são o sinal de que está sendo feita a coisa certa". Aos que dizem que "estou perdendo minha rota porque recebi os ciganos no Vaticano", pergunta: "mas aonde este fechamento nos leva, o que nos espera? Vivemos numa Europa que não tem mais filhos, que se fecha violentamente à imigração e esquece sua história de séculos de migração".

“Nestes tempos o populismo está recebendo muita atenção, que é a forma mais conveniente de evitar o surgimento do popularismo, a verdadeira alma do povo. O populismo não tem nada a ver com o povo, ao contrário, oprime sua alma, enjaula seu espírito mais positivo e nobre. (...) O populismo trabalha sobre o povo, mas sem o povo, usa os instintos das pessoas em dificuldades para indicar um inimigo a ser combatido exclusivamente pelo poder”

O egoísmo anti-migrante rejeitado com caridade e gentileza
Então de onde vem, pergunta Petrini, esta nova onda de racismo também em relação aos jovens atletas, filhos de migrantes, com insultos e desconfiança. Não somos mais capazes de empatia e proximidade? Para o Papa Bergoglio é uma tendência temporária, mas de qualquer modo preocupante...

“Uma corrente de egoísmo que dói e deve ser rejeitada com caridade e gentileza. (...) Hoje as prioridades mudaram. Primeiro queremos viajar, queremos comprar uma casa, temos que fazer outras coisas que na cultura de hoje são mais importantes e têm precedência. (...) O que nos espera no futuro? Sem filhos e migrações, o que nos espera?”

A boa globalização é multifacetada e salva as identidades
No entanto, continua o Pontífice, na Itália muitas vezes são as mulheres estrangeiras, babás e cuidadoras, "as que transmitem a fé e a mantêm viva" com o exemplo. Uma diversidade que deve ser mantida. O Papa Francisco reitera sua oposição ao que ele chama de "globalização esférica".

“A globalização é boa se for multifacetada, ou seja, se cada povo for único e mantiver sua própria identidade. Aplanar as diferenças só faz mal e é inútil, é uma perda gigantesca para todos”

A comida, construtor de pontes e amizades
O gastrónomo Carlo desloca a atenção para os alimentos "um instrumento para construir pontes", e Francesco lembra que para criar uma relação de amizade "é preciso comer juntos muitas vezes", porque comer, sem espetacularizar o ato e sem colocar no centro a comida em si, mas a relação entre as pessoas, "atua como um meio de valores e culturas". Segue uma saborosa troca de comentários sobre a união entre a cozinha piemontesa e argentina na família Bergoglio nos anos 40 e 50, com o adolescente Jorge Mario, que misturava “cappelletti” e “asado”, e depois “bagna cauda” e muita polenta.

Igreja e prazer: um bem que vem de Deus
Em favor do prazer da comida que "não é abundância, mas sobriedade", o convidado agnóstico provoca o Pontífice, afirmando que "a Igreja Católica sempre mortificou um pouco o prazer, como se fosse algo a ser evitado". O Papa Francisco não concorda e lembra que a Igreja condenou o "prazer desumano, vulgar", mas aceitou o prazer "humano, sóbrio".

“O prazer vem diretamente de Deus, não é católico ou cristão ou qualquer outra coisa, é simplesmente divino. O prazer de comer serve para nos manter saudáveis através da alimentação, assim como o prazer sexual é feito para tornar o amor mais belo e garantir a continuidade da espécie”

Da comida ao cinema: A festa de Babette
Da comida ao cinema, o "trait d’union" é "A festa de Babette", um filme que ambos adoram. "É um dos mais belos que já vi" confirma o Papa, "um hino à caridade cristã, ao amor", que "consegue fazer com que se perceba aquele prazer divino por muito tempo foi sufocado erroneamente". "Sou apaixonado pelo cinema", confessa, e lembra que quando criança cresceu com o neorealismo italiano, três filmes de cada vez vistos com sua família.

O terceiro diálogo: reflexões sobre a pandemia
O último encontro na Casa Santa Marta entre o Papa Francisco e Carlo Petrini foi no dia 9 de julho de 2020, e do Sínodo Pan-amazónico passamos à pandemia da Covid-19. O gastrónomo fala de sua participação na assembleia dos bispos como "uma experiência extraordinária". "Vi uma Igreja diferente do que imaginei: uma Igreja com os pés no chão, muito viva". Mas uma humanidade prostrada por esta emergência sanitária, acrescentou ele, precisa agora de palavras de esperança. E o Papa lembra que a humanidade é "pisoteada por este vírus e por tantos vírus que fizemos crescer", "vírus injustos: uma economia de mercado selvagem, uma injustiça social violenta".

Uma nova economia, novo protagonismo dos povos
Para encontrar esperança, para sair melhor desta crise, olhemos para as periferias, é o seu convite, "onde o futuro está em jogo". Descentralizando. Para Francisco agora precisa:

“Uma política que diga jamais a uma economia de mercado selvagem, jamais à mística das finanças às quais não se pode apegar porque são virtuais. Uma nova forma de entender a economia, um novo protagonismo do povo”

Aumentou a consciência da Laudato si’
Volta-se a falar do "Laudato si’", com Petrini convencido de que com este "tumulto" a encíclica "é mais atual do que nunca". Sim, confirma o Pontífice, "a consciência da Laudato si’ aumentou". Os pescadores de San Benedetto del Tronto que no ano passado "me disseram" que haviam recolhido "seis toneladas de plástico em um único barco", recorda, "tomaram consciência e entenderam que deveriam limpar o mar". E aos petroleiros recebidos em 2019 que lhe explicaram que se o petróleo for deixado de lado agora "haverá uma segunda crise" como nos anos Trinta, ele responde que é verdade, mas "é preciso sabedoria para fazer as coisas devagar, sem tirar o trabalho. Porque o trabalho é como o ar em nossa cultura, sem trabalho, o homem é reduzido...”.

Tempo de mudar com a descentralização
Petrini recorda que se todos "desejam uma mudança", após a pandemia, infelizmente, há também uma tendência a retornar "aos mesmos valores de antes".

“É verdade que algumas pessoas estão trabalhando para este retorno. Mas nós devemos preparar algo a mais! A alternativa! E vencer com esta alternativa. (...) Sim, porque muitas pessoas estão se preparando com algumas pinceladas de tinta para depois dizer "Ah, tudo mudou!", mas, ao contrário, nada mudou. Deve-se mudar com a descentralização”

O Concílio a ser aceito e a Teologia da Prosperidade
O fundador do "Slow food" muda a atenção para os grandes profetas italianos do século passado, de Don Milani para Don Mazzolari, de Don Tonino Bello a Arturo Paoli, que "agora, felizmente - comenta o Papa Francisco - estão recuperados", também graças ao Concílio Vaticano II. E o Papa lamenta, “um Concílio que ainda não foi aceito, depois de cinquenta anos, por muitas pessoas que tentam voltar atrás". Estamos a meio caminho, as reações mais fortes, explica, vêm "de uma concepção do liberalismo econômico", semelhante à "do Cristianismo da Teologia da Prosperidade". Este não é o caminho certo. Na verdade, o caminho certo é o da Teologia da Pobreza"!

Populismos que semeiam medo no povo
O Papa, portanto, volta a criticar os populismos, que "agarram-se ao povo usando uma ideia, semeando medo", por exemplo a dos migrantes, e "alguns discursos de certos líderes políticos" realmente vão "na direção de um populismo perigoso", próximo ao de 1932-33 na Alemanha.

Querida Amazônia e os índios assediados e descartados
O diálogo termina com uma referência ao Sínodo, ao documento "Querida Amazônia" e aos índios "molestados pela tecnologia e pelas multinacionais". Descartados porque são povos "que não nos dão algo, que não produzem". Descartados como "os idosos que são a sabedoria de um povo

Idosos com jovens, os pais de hoje são fracos
Francisco justifica sua insistência no "diálogo entre idosos e jovens" com o fato de que "a geração atual de pais", "com esta cultura de bem-estar, perdeu a memória de suas raízes, mas os idosos ainda a têm". Se esses pais estão enfraquecidos pelo "bem-estar e consumismo", a escola e a universidade têm a tarefa de "retomar as três linguagens humanas: a da mente, a do coração e a das mãos". Mas em harmonia!". Caso contrário "formará técnicos que talvez com o desenvolvimento serão substituídos pela inteligência artificial que não tem coração e não pode acariciar".

O homem maduro é o que brinca com seus filhos
A conclusão ainda é dedicada à educação. O Pontífice lembra de um "grande professor de filosofia" que dizia "se um homem não sabe brincar com as crianças, ainda não está maduro". E que ele, como confessor, sempre perguntava aos pais: "Mas o senhor brinca com seus filhos?".

“Essa é a verdadeira poesia! Se um pai não é um poeta, ele não poderá educar bem seu filho, mas com esta poesia de gratuidade, sim”

A segunda parte: cinco temas da Laudato si’
Na segunda parte do livro, Carlo Petrini desenvolve e comenta os cinco grandes temas que ele distinguiu na "Laudato si'", integrando-os com discursos e documentos do Papa Francisco. Da biodiversidade, com os capítulos II e IV de "Querida Amazónia", passa à economia, com um trecho de "Evangelii Gaudium" e a carta do Papa aos movimentos populares de abril de 2020. Depois fala sobre migrações, com a mensagem de Francisco para o Dia do Migrante de 2019, de educação, com dois discursos do Pontífice, um dirigido em 2017 aos estudantes e ao mundo académico, o outro a mensagem de 2019 para o lançamento do Pacto Educacional, e por fim, de comunidade, com o discurso à Comece em 2017 e a mensagem para as Comunidades Laudato si’ de 2019.

Ainda sobre Carlos Petrini
Em 2004, a revista TIME nomeou-o «Herói Europeu dos Nossos Tempos» na categoria Inovação. Em janeiro de 2008, foi o único italiano incluído na lista das «50 Pessoas que Provavelmente Salvarão  o Mundo», publicada pelo jornal The Guardian. Em 18 de Setembro de 2013, Carlo Petrini recebeu o Prémio Campeão da Terra, outorgado pelo Programa Ambiental das Nações Unidas, a maior homenagem na área ambiental atribuída pelas Nações Unidas. Criou a Universidade de Ciência Gastronómica, publicou vários livros e fundou a editora Slow Food

O Slow Food defende, de forma resoluta, um futuro sem agrotóxicos e OGMs, uma perspectiva cujo cerne é o valor dos alimentos e a dignidade dos produtores.

Teses de Mestrado sobre a Laudato Si

quarta-feira, 28 de outubro de 2020

Amazónia: Fundos norte-americanos financiam violações dos direitos indígenas

Um relatório da APIB e da Amazon Watch aponta as ligações a empresas no Brasil associadas a ataques e violações de direitos em territórios indígenas. Quase metade dos 18 mil milhões de dólares aplicados nessas empresas têm origem no megafundo de investimento BlackRock.

Um relatório da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) e a Amazon Watch revela que existe uma rede internacional diretamente ligada a empresas implicadas em violações de direitos indígenas e conflitos nos seus territórios, no Brasil.

O relatório, intitulado “Cumplicidade na Destruição III- Como corporações globais contribuem para violações de direitos dos povos indígenas da Amazónia Brasileira”, mostra que seis instituições financeiras norte-americanas (BlackRock, Citigroup, JP Morgan Chase, Vanguard, Bank of América e Dimensional Fund Advisors) investiram mais de 18 mil milhões de dólares, entre 2017 e 2020, em empresas cujo objetivo é o envolvimento em invasões, desmatamento e violações dos direitos dos indígenas da Amazónia.


A estratégia foca-se em três setores estratégicos: a mineração, o agronegócio e a energia. Alguns das situações de conflito são as que envolveram as empresas de mineração Vale, Anglo American e Belo Sun; empresas do agronegócio como a Cargill, JBS e a Cosan/Raízen; ou empresas da área energética como a Energisa Mato Grosso, Equatorial Energia Maranhão e Eletronorte. Os estados abrangidos foram o Pará, Maranhão, Mato Grosso, Amazonas e Roraima.

O advogado da APIB, Eloy Terena, refere que “o fluxo de investimentos estrangeiros para empresas que atuam no Brasil se expandiu em uma intrincada rede internacional. Na cadeia desses projetos, os povos indígenas são tratados muitas vezes como um «entrave para o desenvolvimento», e as suas terras são invadidas, ocupadas, saqueadas e destruídas”.

Para Eloy Terena, “esses conflitos materializam-se na pressão pela abertura de novas frentes de exploração nos territórios indígenas, levando a ataques diretos de grileiros e outros invasores, junto com o sistemático desrespeito à legislação que protege as terras e direitos indígenas”.


Segundo dados da APIB e da Amazon Watch, a maior gestora de ativos do mundo, a BlackRock, possui investimentos em 9 das 11 empresas identificadas no relatório. Só a BlackRock detém 8,2 mil milhões de dólares em ações e títulos de empresas como a Vale, Cargill, JBS ou Energisa.

Mesmo com as medidas adotadas no início do ano para evitar investimentos que ataquem o ambiente e o clima, a BlackRock não tem aplicado estas diretrizes e continua a atacar os povos indígenas do Brasil. A empresa norte-americana também não se tem comprometido a pressionar as empresas brasileiras para acabar com o desmatamento da Amazónia.

A segunda maior gestora de ativos, a Vanguard, detém ações e títulos em 8 das 11 empresas do relatório, num total de 2,7 mil milhões de dólares. Inclusive, o investimento da JP Morgan Chase tem um Marco de Política Socioambiental que inclui um compromisso específico com a proteção dos direitos dos indígenas, mas não é cumprido.

Christian Poirier, diretor de programas da Amazon Watch, refere que “as investigações realizadas apontam que grandes empresas do setor financeiro como a BlackRock, Vanguard ou JP Morgan Chase estão usando o dinheiro dos seus clientes para permitir ações hediondas de empresas ligadas a violações de direitos indígenas e à devastação da floresta amazónica” e acrescenta que “esta cumplicidade do setor financeiro com a destruição contradiz os compromissos com o clima e os direitos humanos apregoados por algumas dessas empresas”.

Em 2019, a Enersiga Mato Grosso foi indiciada pelo Ministério Público Federal por fornecer eletrificação rural a posseiros ilegais que vêm promovendo invasões em território indígena Urubu Branco, desde 1998.

Por sua vez, a empresa de mineração Belo Sun tem 11 processos de pesquisa em análise na Agência Nacional de Mineração que ameaçam diretamente as terras indígenas Arara da Volta Grande do Xingu e Trincheira Bacajá, no Pará. Também a Vale tem centenas de requerimentos para explorar dentro de terras indígenas, como por exemplo no Rio Pindaré, Mãe Maria, Xikrin e Arariboia.

Acha que já sabe tudo sobre inteligência artificial? Pense melhor...

A Inteligência Artificial já faz parte do dia a dia de muitas pessoas e empresas. Mas os perigos podem ultrapassar os benefícios, revelando um lado perverso e alarmante.

Fonte: Observador

Imagine que está a chegar a casa, depois de mais um dia no escritório que terminou com uma ida ao dentista. Estaciona longe de casa, chove a cântaros, mas recebe a notificação urgente para uma reunião de última hora, via Zoom, com o diretor-geral que está em Boston. Tem de correr.

Chega à porta da moradia e diz a senha à assistente virtual que controla o sistema de domótica. A porta não se abre. Repete a senha. E a assistente continua a dizer: “Repita, por favor.” Mas, o que se passa aqui? O efeito da anestesia que levou no dentista não o deixa articular a senha corretamente e você continua à chuva.

Este episódio, baseado em fatos reais, ilustra bem um dos perigos da nossa interação com máquinas autónomas. A tecnologia de reconhecimento vocal é, de facto, uma das mais importantes na área da inteligência artificial, e vai conhecer enormes desenvolvimentos nos próximos anos, permitindo-nos controlar muitas funcionalidades do nosso dia a dia.

Desde as , como a Alexa ou a Echo, aos sistemas de domótica inteligente, da agricultura até a exploração espacial, os sistemas de Inteligência Artificial aumentam as capacidades humanas através do poder da computação para níveis nunca vistos. Além disso, esta tecnologia tem sido fundamental nos avanços da ciência em geral, na medicina e biologia em particular, ajudando a desenhar soluções para alguns dos maiores desafios globais.

É importante sublinhar que o conceito de Inteligência Artificial surgiu muito, muito antes do primeiro computador. Crê-se que Aristóteles terá sido o primeiro filósofo a questionar sobre a possibilidade de atribuir inteligência a objetos. Estaria a pensar numa vassoura?

Numa das obras mais antigas da literatura, a Epopéia de Gilgamesh, um dos personagens é um humano artificial, criado pelos deuses para rivalizar com o protagonista. Esta ideia também ocorre na cultura judaica, através do Golem, um ser com forma humana, mas sem alma.

A inteligência artificial corresponde a um ramo da ciência da computação que se dedica à investigação sobre formas de replicar a inteligência do ser humano em máquinas, tornando-as capazes de realizar tarefas que, normalmente, exigem competências humanas. As funções programáveis mais comuns ​​de sistemas de Inteligência Artificial incluem aprendizagem, raciocínio, planeamento, solução de problemas e tomada de decisão.

O tema foi muito explorado durante todo o século XX, a partir das pesquisas conduzidas por cientistas e matemáticos na década de 1950. O mais influente e notável foi Alan Turing, considerado um dos pais da ciência da computação e da inteligência artificial. Ele criou um teste para avaliar a capacidade de uma máquina exibir comportamento inteligente equivalente ao de um ser humano, tornando impossível distinguir um do outro.

Para explicar o teste de Turing num tweet, diria que se uma pessoa conversar com uma máquina durante cinco minutos sem perceber que ela não é humana, o computador passa no teste. Basicamente, trata-se de saber se uma inteligência artificial pode ser tão inteligente ao ponto de enganar um ser humano.

É precisamente nesta perda de controlo que se baseia o novo thriller da FOX, tão assustador quanto realista, sobre o poder maléfico da Inteligência Artificial. Chama-se NEXT  e tem estreia marcada para dia 2 de novembro, em episódio duplo, às 22h15, na FOX. No centro da ação, Paul LeBlanc (John Slattery), um pioneiro de Silicon Valley, e Shea Salazar (Fernanda Andrade), uma agente especial do FBI na luta contra o cibercrime, vão envolver-se numa trama intensa e cheia de suspense, criada por Manny Coto, argumentista premiado da série “24”.

A partir das preocupações levantadas por Stephen Hawking e Elon Musk acerca dos riscos da Inteligência Artificial, a série conta a história da primeira crise mundial de Inteligência Artificial, provocada por uma Assistente Virtual, rebelde e desonesta, com capacidade para se aperfeiçoar continuamente. Além das cenas de cortar a respiração e da análise concreta sobre o modo como deixamos a tecnologia invadir as nossas vidas, introduz um novo tipo de vilão cibernético que tem nas próprias pessoas a sua maior arma.

O enredo de NEXT promete encontrar formas inteligentes de ilustrar toda a amplitude de capacidades da Inteligência Artificial, no seu lado mais negro, com pessoas a correr, assustadas, sempre a olhar pelo canto do olho à procura das câmaras de segurança com leds vermelhos a piscar. A não perder, em novembro, na FOX.

Saiba por que devemos pensar duas vezes antes apostar no hidrogénio em Portugal


Neste video procurei avaliar ponto por ponto a eficácia do Plano Nacional de Hidrogénio no objetivo de descarbonização. Cheguei à conclusão que tem bastantes fragilidades, existindo mesmo uma mediatização injustificada do plano por parte do governo, que não está em consonância com os reais resultados que pode atingir a nível de descarbonização.
Links Uteis:
Plano Nacional de Hidrogénio: https://dre.pt/application/conteudo/1...
Manifesto anti-hidrogénio: https://tertuliaenergia.pt/
Portada: Consumo de energia primaria por fonte: https://www.pordata.pt/Portugal/Consu...
Publicação da Transportes & Environment comparando a viabilidade económica de camiões elétricos a baterias vs hidrogénio: https://www.transportenvironment.org/...
Video do Canal Youtube “Real Engineering” sobre a eficácia dos veículos elétricos a hidrogénio:
Video do canal Youtube “Just Have a Think” sobre um projeto em Inglaterra de armazenamento de energia recorrendo a liquidificação de ar:
Video do canal Youtube “TomoNews Sci & Tech ” sobre um projeto na Alemanha de armazenamento de energia recorrendo a baterias de fluxo:
Videos do canal Youtube “CNBC ” sobre a armazenamento de energia com origem em fontes renováveis.

terça-feira, 27 de outubro de 2020

El dinero te vigila

Cada vez que usamos Internet cedemos inconscientemente parte de nuestra soberanía personal a un poder opaco, sin límites ni fronteras. La socióloga Shoshana Zuboff ha puesto nombre a ese fenómeno en un libro llamado a marcar época: 'La era del capitalismo de la vigilancia'


Facebook llegará a conocer todos los libros, todas las películas, todas las canciones que usted, lector de estas líneas, haya consumido en su vida, larga o corta. La información de la que dispone la empresa informática servirá para deducir a qué bar irá usted cuando llegue a una ciudad extraña, un bar en el que el camarero ya tendrá preparada su bebida favorita. Ello lo pronostica el creador y director ejecutivo de Facebook, Mark Zuckerberg, una de las personas más ricas del mundo, que la fundó en 2004. El presidente ejecutivo de Google, Eric Schmidt, no se queda atrás: “Si nos dais más información de vosotros mismos, de vuestros amigos, podemos mejorar la calidad de nuestras búsquedas. No nos hace falta que tecleéis nada. Sabemos dónde estáis, sabemos dónde habéis estado. Podemos saber más o menos qué estáis pensando”.

Ha nacido el capitalismo de la vigilancia. El 1984 de Orwell se queda antiguo.

Es como si un tiburón hubiera estado nadando silenciosamente en círculos bajo el agua del mar, justo debajo de la superficie en la que se estaba desarrollando la aburrida vida cotidiana, y hubiese saltado de repente con su piel reluciente, por fin a la vista de todos, para hacerse con un buen bocado de carne fresca. Con el tiempo ese tiburón ha revelado ser una nueva variante del capitalismo, desconocida hasta hace muy poco, una variante que se multiplica con extraordinaria rapidez y que se ha fijado el dominio como meta, la hegemonía respecto a otros capitalismos (comercial, industrial, financiero…), a través del conocimiento y monetización de nuestra pequeña existencia. Una forma de capitalismo sin precedentes se ha abierto paso a codazos, casi sin previo aviso, para entrar en la historia.
El dinero te vigila


El capitalismo de la vigilancia es, según lo define Shoshana Zuboff, profesora emérita de la Harvard Business School y autora del monumental libro La era del capitalismo de la vigilancia, la reivindicación unilateral, por parte de un selecto grupo de empresas provenientes de Silicon Valley, de la experiencia humana privada como materia prima para su traducción en datos. Estos datos son computados y empaquetados (del mismo modo que las célebres hipotecas subprime, origen de la Gran Recesión del año 2008) como productos de predicción y vendidos en los mercados de futuros de los comportamientos de la gente. Los servicios online gratuitos, las app que no cuestan nada, solo son un cebo, no un regalo que hacen media docena de empresas magnánimas creadas por jóvenes emprendedores, casi todos estadounidenses, divertidos y simpáticos, en nada parecidos a los grandes magnates encorbatados del pasado que posaban fumando un habano.



MÁS INFORMACIÓN


Lee un fragmento de 'La era del capitalismo de la vigilancia'

Capitalismo de plataformas: tres libros y un documental

A través de estos servicios digitales básicos comienza la extracción de datos de la vida de cada uno de los ciudadanos que utilizan Internet, la acumulación de sus comportamientos (cómo se visten, qué películas ven, qué comida engullen, los libros que leen, el deporte que practican, si son activos o jubilados…), que serán horneados para poner en bandeja un festín de predicciones listas para ser transformadas en dólares. Muchos de esos ciudadanos, desconocedores de esta realidad escondida, felices con la innovación tecnológica que hace sus vidas más cómodas, han abierto sin darse cuenta las puertas de sus casas y sus refugios más íntimos a estos monopolios que succionan nuestra información y con ella moldean nuestro futuro. El filósofo alemán de origen coreano Byung-Chul Han lo resume en esta certera frase: “Pienso que estoy leyendo un ebook, pero en realidad es el ebook el que me lee a mí”.

¿Le dice usted a su cónyuge que hoy le apetece comer paquetitos de pato crujiente con salsa hoisin y poco después, casi instantáneamente, aparecen en su teléfono móvil diversos mensajes de restaurantes chinos que se los pueden proporcionar?, ¿organiza el viaje familiar anual a San Petersburgo y Moscú, y le llueven las ofertas sobre el viaje, alojamiento y compras que puede hacer?, ¿mira en el ordenador, en la tableta o en el móvil un anuncio de camisas vaqueras que le gustan y la publicidad de las páginas web que visita habitualmente se llena de pantalones, parkas, gorras, zapatillas del mismo estilo? Este es el resultado del capitalismo de la vigilancia. Evgeny Morozov, un ensayista bielorruso experto en tecnología, que ha escrito una larguísima (y a veces despiadada) crítica al libro de Zuboff que a su vez es casi otro libro (Los nuevos ropajes del capitalismo), dice en ella: se nos está engañando por partida doble; en primer lugar, cuando hacemos entrega de nuestros datos a cambio de unos servicios relativamente triviales y, en segundo lugar, cuando esos datos después son utilizados para personalizar y estructurar nuestro mundo de una manera que no es transparente ni deseable. Se pierde cualquier atisbo de soberanía personal.

La nueva tiranía no necesita golpes de Estado. Se basa en nuestra gran dependencia de la tecnología

La experiencia humana como materia prima gratuita para una serie de prácticas comerciales la mayoría de las veces ocultas de extracción, predicción y ventas. Este es el nuevo y creciente capitalismo de la vigilancia, que plantea enormes contradicciones a la “democracia de mercado” en la que estábamos instalados. ¿Qué supondrá este cambio fundamental para nosotros, para nuestros descendientes, para nuestras imperfectas democracias, para “la posibilidad misma de que exista un futuro humano en un mundo digital”? (Zuboff). Para desarrollar esas antinomias, la autora se apoya en el concepto de “tiranía” utilizado por Hannah Arendt; la tiranía como perversión del igualitarismo, porque trata a todos los demás como seres igualmente insignificantes: “El tirano manda según su voluntad e interés propio (…) como uno contra todos, y los todos a los que oprime son todos iguales, es decir, carecen de poder”. La tiranía del capitalismo de la vigilancia no requiere de golpes de Estado clásicos, ni del látigo del déspota, ni de los campos de exterminio nazis, ni de los desaparecidos, ni de los gulags del totalitarismo. Es una especie de golpe incruento, aparentemente indoloro y parasitario, pero que llega al fondo de lo que pretende, la dependencia masiva de las obsesiones que nos inyecta.

Este es un libro importante. La era del capitalismo de la vigilancia es un texto multifacético. Es de economía conductista, pero también de psicología, de tecnología o —esencialmente— de pensamiento político. Tiene que encontrar sus lectores en los intersticios de esas profesiones y no ser marginado por los científicos sociales acostumbrados a las disciplinas unipolares. Es una intensa llamada de atención a la posibilidad de un golpe de Estado desde arriba y permanente, no como un derrocamiento puntual del Estado, sino más bien como un sumidero de la soberanía personal (y por acumulación, del conjunto de la ciudadanía) y como una fuerza muy poderosa en la peligrosa deriva hacia la “desconsolidación” y la falta de calidad de la democracia, que actualmente amenaza a los sistemas políticos liberales. Sus actividades representan un desafío al elemental derecho al tiempo que tenemos por delante, que comprende la capacidad del ciudadano de imaginar, pretender, prometer y construir un futuro.

La era del capitalismo de la vigilancia. Shoshana Zuboff. Traducción de Albino Santos. Paidós, 2020. 910 páginas. 38 euros. Se publica el 29 de septiembre.