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domingo, 22 de julho de 2018

Vamos falar dos copos de plástico do NOS Alive?

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A marca da cerveja patrocinadora do NOS Alive mudou, mas não mudaram os copos nos quais os festivaleiros a beberam. Ao contrário de outros festivais de Verão, o NOS Alive não adoptou copos reutilizáveis e manteve o plástico descartável das últimas edições. A opção foi inclusive comunicada numa campanha da marca, mas gerou alguma contestação nas redes sociais.


Foi em 2016 quando os principais festivais de Verão – do Super Bock Super Rock ao Vodafone Paredes de Coura – eliminaram os copos descartáveis de plástico e começaram a pedir aos festivaleiros uma caução de dois euros por um copo reutilizável que podia ser devolvido no final do evento (juntamente com o dinheiro). A “moda” chegou, entretanto, a outros espaços de concertos e eventos, como as Festas de Lisboa, e hoje já é normal uma política de copos reutilizáveis.

As promotoras e patrocinadoras justificam a medida com argumentos ecológicos e, apesar de não sabermos ao certo se os copos reutilizáveis – mais rígidos – poupam o ambiente ou se são uma forma camuflada de aumentar receitas/poupar custos de limpeza, o certo é que os recintos passaram a estar mais limpos. Contudo, os festivaleiros passaram a ser obrigados a guardar religiosamente consigo os copos para receberem no final do dia a caução que tinham pago. Andar com o copo atrás nem sempre é prático e, talvez, por isso, o NOS Alive e a Sagres tenham decidido manter os copos descartáveis.

Esses copos não são, todavia, uns copos quaisquer. Segundo a Sociedade Central de Cervejas, dona da Sagres, a marca de cerveja presenta no NOS Alive, os copos disponibilizados são fabricados em ácido poliláctico (PLA) e, além de a sua produção requerer baixo consumo energético, podem ser reciclados ou decompostos após serem utilizados. Essa decomposição demora entre 45 a 60 dias, enquanto que os copos de plástico genérico podem demorar mais de 300 anos a decompor-se.

Apesar de não ser a primeira vez que o NOS Alive aposta neste tipo de copos, os mesmos mereceram destaque numa campanha de comunicação da Sagres e do festival que circulou nas ruas antes do festival. “Nunca deixes de bater palmas” era a frase que se lia num dos outdoors, que mostrava uma rapariga a segurar um copo de cerveja com a boca. Os copos deixados pelos festivaleiros no chão do festival eram recolhidos por equipas de limpeza no final de cada noite.

O plástico é um problema ambiental mas não é um problema de festivais. Resolvê-lo deve ser entendido, mais que uma responsabilidade individual, como uma responsabilidade social, ao nível do Estado, que deve, por exemplo, taxar as empresas que produzam plástico e impor regras que limitem o uso deste material. É o que a Comissão Europeia quer fazer, querendo eliminar o plástico descartável no espaço europeu até 2030, substituindo-o por plástico reciclável ou outras alternativas – meta para a qual empresas como o Lidl já começaram a preparar-se.

Segundo dados revelados pela Comissão Europeia, a Europa faz 25 milhões de toneladas de resíduos de plástico todos os anos, dos quais apenas 30% é reciclado – 39% é incinerado e 31% acaba em aterros sanitários. Já noutras contas, 40% do plástico produzido na Europa todos os anos – 58 milhões de toneladas – destina-se a embalagens, acabando uma boa percentagens delas a ser lixo. O plástico como o conhecemos hoje não tem mais do que 60-70 anos e transformou diferentes indústrias, da alimentação ao mobiliário, passando pela roupa e engenharia, em muito mais áreas do nosso quotidiano do que os pontuais festivais. Muito do plástico já produzido ainda existe de alguma forma hoje em dia e uma boa parte dele acaba no mar – estima-se que 8 milhões de toneladas todos os anos. Uma atitude coerente face ao problema do plástico deve passar pela crítica quotidiana e pela promoção de hábitos de consumo conscientes nos 365 dias do ano e não apenas durante 3 dias de festa. Aqui deixámos algumas dicas.

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