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quinta-feira, 28 de junho de 2018

Opinião- A Dívida Europeia, por Luís Alves de Fraga




Vamos lá ver se nos entendemos.
A Revolução Industrial, no século XIX, exigia, aos países desenvolvidos da Europa, a ampliação dos mercados de venda dos produtos fabricados e de compra das matérias-primas necessárias ao seu fabrico. Isso, entre outros efeitos, levou à corrida ao continente africano com a não desmentida nem disfarçada intenção de vender e comprar pelos melhores preços, ou seja, vender ao mais alto preço e comprar ao mais baixo preço. Assim nasceram as colónias britânicas, francesas, alemãs e belgas em África.
Mais de cem anos foi o tempo de exploração colonial. Um tempo em que se obteve o melhor lucro e se possibilitou o desenvolvimento industrial e técnico, em geral, da Europa, fazendo da Grã-Bretanha a grande potência mundial, até 1945. Mas, também, fazendo da França e da Bélgica, grandes Estados super desenvolvidos. Todos os Europeus beneficiaram, directa ou indirectamente, desse desenvolvimento.

O que aconteceu às colónias foi que aumentaram exponencialmente o seu atraso tecnológico, a sua dependência das respectivas metrópoles. Por lá só têm, e continuam a ter, matérias-primas para vender às potências industriais do Mundo. E esse comércio faz-se sempre, ou quase sempre, através de intermediários altamente corruptos, que enriquecem sem terem em conta a miséria que geram à sua volta.
Nós, aqueles que orgulhosamente gostamos de proclamar a importância da Europa e, em especial, da União Europeia, beneficiamos, continuamos a beneficiar, desse comércio desigual.

A consequência era previsível há muito tempo: a invasão dos Africanos desgraçados, miseráveis, à procura da Europa da abundância e das oportunidades. Eles, sem saber, só estão à procura do pagamento da "dívida", que a Europa tem para com África!

E a solução encontrada é, ainda, mais uma pulhice: aliciar os Governos dos Estados do Norte de África, onde o desenvolvimento europeu fez chegar umas migalhas, para deportarem para o deserto os milhares de migrantes que demandam a Europa.

Não temos responsabilidades? Claro que temos... uns mais do que outros, mas temos.
Luís Alves de Fraga

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