A nível de significado, a música descreve o que parece ser o fim do mundo, mas abordado sob uma ótica entorpecida, estética e surpreendentemente pacífica. Em vez do pânico que normalmente acompanha um cenário apocalíptico, há uma aceitação resignada da destruição. Robert Smith canta sobre estar numa praia de seixos enquanto o céu explode e o mar sobe para o engolir, transformando o colapso espiritual e literal num transe belo e definitivo. Nos primeiros anos da década de 1980, o medo de um holocausto nuclear devido à Guerra Fria era um sentimento generalizado entre os jovens britânicos, e a letra canaliza esse pavor existencial transmutando-o numa espécie de libertação.
Esta envolvência lírica bebe diretamente de várias obsessões literárias e filosóficas de Robert Smith, um leitor voraz que sempre moldou o universo do grupo através dos livros. O existencialismo e a filosofia do absurdo de Albert Camus são as referências mais evidentes. A imagem de alguém que caminha por uma praia, observando o mar sob um sol sufocante enquanto o mundo desaba, ecoa fortemente o clássico O Estrangeiro. A apatia do protagonista Meursault diante da vida e da morte reflete-se no eu lírico de A Strange Day, que chega a rir enquanto flutua no vento, demonstrando o mesmo desapego e riso absurdo perante o fim inevitável.
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