O documentário "The Secret of Oz" (2010), dirigido por Bill Still, é uma obra que mistura história económica, política e simbolismo literário para analisar o sistema financeiro global.
Aqui estão os pontos principais abordados pelo filme:
1. A Metáfora do "Mágico de Oz"
O cerne do documentário é a tese de que o livro O Maravilhoso Mágico de Oz (1900), de L. Frank Baum, é, na verdade, uma alegoria política sobre a reforma monetária nos Estados Unidos do final do século XIX. Segundo o filme:
A Estrada de Tijolos Amarelos: Representa o Padrão-Ouro, que Still critica por limitar a oferta de dinheiro.
Os Sapatinhos de Prata (no livro original são de prata, não rubi): Simbolizam o movimento pela "Prata Livre" (Bimetalismo), que visava aumentar a circulação de moeda.
O Espantalho e o Homem de Lata: Representam, respectivamente, o agricultor e o operário industrial, vítimas da deflação da época.
A Cidade Esmeralda: Representa o dinheiro fiduciário (o "Greenback" ou papel-moeda), cujo valor é determinado por lei, não por lastro em metal.
2. Crítica ao Sistema Bancário
Bill Still utiliza essa metáfora para explicar problemas modernos, focando na reserva fracionária e no sistema de moeda baseada em dívida. Ele argumenta que:
A maioria do dinheiro em circulação é criada pelos bancos comerciais através de empréstimos, o que gera uma dívida perpétua e impagável.
O controle da quantidade de dinheiro em uma nação não deveria estar nas mãos de bancos privados (como ele descreve o Federal Reserve), mas sim do governo, de forma soberana e sem juros.
3. Soluções Propostas
Diferente de outros documentários que apenas apontam o problema, "The Secret of Oz" foca numa solução específica:
A transição para um sistema de dinheiro soberano, onde o próprio Estado emite a moeda necessária para a economia sem precisar "pegá-la emprestada" de bancos centrais privados.
Ele cita exemplos históricos, como os "Greenbacks" de Abraham Lincoln durante a Guerra Civil Americana e as "Tally Sticks" na Inglaterra medieval, como modelos de sucesso de moedas emitidas pelo Estado.
Em resumo
O filme é uma sequência espiritual do trabalho anterior de Still, "The Money Masters", mas com uma abordagem mais didática e focada no populismo econômico. Ele defende que a verdadeira liberdade de uma nação depende de quem controla a quantidade de dinheiro em circulação, e não do que o dinheiro é feito (ouro, prata ou papel).
Saber mais: Exclusive Interview With Bill Still
Para entender por que a Islândia é a "peça-chave" no argumento de Bill Still, precisamos primeiro olhar para as soluções que ele propõe e como o país se tornou um laboratório real para essas ideias após a crise de 2008.
Aqui está a explicação sobre os sistemas e a conexão islandesa:1. Padrão-Ouro vs. Dinheiro Soberano (A briga técnica)
O documentário defende que o problema não é o "papel-moeda" em si, mas quem o controla.
| Sistema | O que é? | Visão de Bill Still |
| Padrão-Ouro | A moeda é limitada pela quantidade de ouro físico que o país possui. | Crítica: É perigoso porque permite que quem tem o ouro (grandes bancos) controle a economia. Se o ouro acaba, a economia trava (deflação). |
| Dinheiro Soberano | O governo emite o dinheiro diretamente, sem dívida e sem juros, para servir à economia. | Elogio: É a solução ideal. O governo decide a quantidade de moeda com base na necessidade da população, não na ganância dos bancos. |
A Islândia aparece no contexto de Bill Still (especialmente em atualizações e discussões pós-2010 relacionadas ao filme) como o exemplo de coragem contra o sistema financeiro.
A Queda e a Resposta Única
Em 2008, os três maiores bancos da Islândia colapsaram. Enquanto o resto do mundo (EUA e Europa) usou dinheiro público para salvar os bancos (bailout), a Islândia fez o oposto:
- Deixou os bancos falirem: O governo não assumiu as dívidas impagáveis dos bancos privados.
- Protegeu os cidadãos: Focou em garantir os depósitos internos e manter os serviços sociais.
- Prendeu banqueiros: Foi um dos poucos países a processar e encarcerar executivos financeiros por fraude.
O Relatório de 2015 (A conexão direta)
Embora o filme seja de 2010, Still e outros reformadores monetários citam a Islândia porque, em 2015, o governo islandês encomendou um relatório oficial para estudar a proibição de os bancos comerciais criarem dinheiro.
A proposta islandesa era exatamente o que Still defende: o Banco Central teria o poder exclusivo de criar dinheiro, e os bancos privados seriam apenas intermediários de dinheiro já existente. Isso acabaria com a "reserva fracionária" que o documentário tanto critica.
3. A Islândia como "A Nova Oz"
No documentário e em sua filosofia, a Islândia representa a possibilidade de quebra do "feitiço" do Mágico. Para Still, o país provou que:
- Uma nação pode sobreviver dizendo "não" aos credores internacionais.
- É possível retomar a Soberania Monetária.
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