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sexta-feira, 29 de abril de 2016

Sementes Livres no Biosfera



Sou agricultor e jardineiro, há mais de 15 anos que produzo as minhas próprias sementes, tal como os meus antepassados. Tenho em produção centenas de espécies de plantas, algumas das quais fomos melhorando através de selecção massal, ou seja, escolhendo ao longo do tempo os indivíduos mais fortes e mais aptos. Estas sementes são regularmente trocadas com inúmeras pessoas e instituições. Aquilo que sou hoje seria impossível sem que esta troca existisse. 

Os problemas de fome e miséria nunca se resolverão homogeneizando as sementes, afunilando a biodiversidade alimentar, há outros caminhos, que talvez por não valerem dinheiro, optámos por não seguir. Combater o desperdício alimentar tem que ser uma prioridade para os seres humanos, produzir alimentos localmente e de forma sustentável também. E já agora, falar menos de sustentabilidade e praticar mais sustentabilidade é urgente. E aqui refiro-me, está claro, a todos nós.

Saber mais:

Música do BioTerra: COMA feat. Sunetele Padurilor - Cel mai frumos loc de pe pamant


Norii se repetau de ceva timp
Când deodată-ai apărut
Iar mâna ta m-a prins mai altfel ca oricând..

Mii de metafore se-nfruntă
Mii de cuvinte stau la rând..
Pentru că azi nu eşti decât cel mai frumos loc de pe Pământ!.

E aceeaşi poveste de mult
Cu-acelaşi vechi vas de lut
Şi-acelaşi fluture surd ce nu vrea să moară….

Pe-acelaşi curs adormit
De sub acel pietroi-neferit
De-acelaşi ac otrăvit ce nu vrea sa doară….

Plecam să nu mai aud
De viitoruri sau de trecut,
Când mâna ta m-a prins..

Iar ochii tăi m-au privit
Ca niciun alt "Bun venit!"
Din lumi de ieri.

Iar gura ta mi-a vorbit
Ca nicio alta venind
În urma ei,
De lacrimi şi scântei..

Emoţii, ură, suspin,
Şi dor şi drag şi vestitul "toate-or să treacă".

Aceleaşi clipe din care respir
Şi clipe de care mă mir
Şi-aceleaşi clipe-ntregi ce nu stau deloc laolaltă.

Plecam să nu mai aud

De viitoruri sau de trecut,
Când mana ta m-a prins..

Iar ochii tăi m-au privit
Ca niciun alt "Bun venit!"
Din lumi de ieri.

Iar gura ta mi-a vorbit
Ca nicio alta venind
În urma ei.

Şi atunci cu tot ce-aveam pus la zid
Spre nori m-am repezit
Şi-am dat în ei!.

Şi spre oriunde s-au năpustit
În urma ne mai privind
Purtând pe ei.

Urme de lacrimi şi scântei
Suntem şi lacrimi şi scântei
Suntem şi lacrimi şi scântei.

Norii se-nclină când din lacrimi ies scântei.

Norii se repetau de ceva timp
Când deodată-ai apărut
Iar mâna ta m-a prins mai altfel ca oricând..

Mii de metafore se-nfruntă
Mii de cuvinte stau la rând..
Pentru că azi nu eşti decât cel mai frumos loc de pe Pământ!

Biografia e Discografia
Coma (banda)

Página Oficial

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quarta-feira, 27 de abril de 2016

Zygmunt Bauman: pensamentos profundos num mundo líquido


"Houve muitas crises na história da humanidade, muitos períodos de interregno, nos quais as pessoas não sabiam o que fazer, mas elas sempre acharam um caminho. A minha única preocupação é o tempo que levarão para achar o caminho agora. Quantas pessoas se tornarão vítimas até que a solução seja encontrada?" - Zygmunt Bauman

Houve um tempo em que conceitos eram sólidos. Ideias, ideologias, relações, blocos de pensamento moldando a realidade e a interação entre as pessoas. O século 20, com suas conquistas tecnológicas, embates políticos e guerras viu o apogeu e o declínio desse mundo sólido. A pós-modernidade trouxe com ela a fluidez do líquido, ignorando divisões e barreiras, assumindo formas, ocupando espaços diluindo certezas, crenças e práticas.

A oposição entre o mundo sólido e o mundo líquido é a base do pensamento de Zygmunt Bauman, sociólogo, professor da London School of Economics e um dos mais respeitados intelectuais da atualidade. 

Em passagem pelo Brasil, em 2016, Bauman conversou com o programa Milênio. Leia abaixo a entrevista concedida ao jornalista Marcelo Lins ou assista no site da GloboNews:

O senhor viveu tempos difíceis no século 20, como a Segunda Guerra Mundial e a ascensão e a queda do comunismo, para mencionar dois exemplos. Qual acha que é a principal característica deste início de século 21?
Zygmunt Bauman: Este século é muito diferente do século 20. Se compararmos o que eu vivenciei quando jovem, cheio de esperanças e expectativas, com o que vivencio agora, em retrospecto, comparando, revisando expectativas e esperanças, eu diria que estamos num estado de interregno. Esse é o termo que gosto de usar.

No “interregno", não somos uma coisa nem outra. No estado de interregno, as formas como aprendemos a lidar com os desafios da realidade não funcionam mais. As instituições de ação coletiva, nosso sistema político, nosso sistema partidário, a forma de organizar a própria vida, as relações com as outras pessoas, todas essas formas aprendidas de sobrevivência no mundo não funcionam direito mais. Mas as novas formas, que substituiriam as antigas, ainda estão engatinhando.

Não temos ainda uma visão de longo prazo, e nossas ações consistem principalmente em reagir às crises mais recentes, mas as crises também estão mudando. Elas também são líquidas, vêm e vão, uma é substituída por outra, as manchetes de hoje amanhã já caducam, e as próximas manchetes apagam as antigas da memória, portanto, desordem, desordem.

Acha correto dizer que hoje recebemos informação demais, que não somos capazes de absorver todas elas? Temos acesso mas não sabemos o que fazer com ela?
Zygmunt Bauman: Você tem toda a razão. Colocou o dedo na parte mais dolorosa de nossa ferida. Como E. O. Wilson, o grande biólogo, expressou de forma muito sucinta e correta: “Estamos nos afogando em informações e famintos por sabedoria."

Não temos tempo de transformar e reciclar fragmentos de informações variadas numa visão, em algo que podemos chamar de sabedoria. A sabedoria nos mostra como prosseguir. Como o grande filósofo Ludwig Wittgenstein dizia: “Compreender é saber como seguir adiante." E é isso que estamos perdendo. Não sabemos como prosseguir.

O senhor mencionou o fracasso de nossas instituições políticas: os partidos, a representatividade, que é falha no mundo todo. O senhor testemunhou o fracasso do sonho comunista na Polónia e na União Soviética. Qual foi o maior erro do comunismo?
Zygmunt Bauman: O comunismo se encaixava nas medidas do século 19. O século 19 foi um período de grande otimismo. Em primeiro lugar, as pessoas estavam convencidas — e tinham orgulho disso — de que, com o desenvolvimento da ciência e da tecnologia, seria possível refazer o mundo, virá-lo de cabeça para baixo. Era uma relação leve e despreocupada com a realidade. A realidade existia para ser reciclada, modificada, aperfeiçoada etc. Essa era uma coisa. A outra era a visão do caminho futuro, da estrada para a sociedade perfeita. Todos estariam trabalhando. Foi o período da revolução industrial. No final, todos se tornariam trabalhadores. Uma boa sociedade na grande fábrica com funcionários satisfeitos. Era o período da modernidade sólida e da sociedade industrial.

Hoje, vivemos na modernidade líquida e na sociedade pós-industrial do consumismo, e a passagem da sociedade de produção para a sociedade de consumo foi uma coisa muito poderosa e importante. Mudamos o foco da construção das bases do poder da sociedade sobre a natureza para o contrário: para a cultura do imediatismo, do prazer, da individualização, de identificar a visão da felicidade com o aumento do consumo. Todos esses fenómenos novos pegaram o comunismo totalmente despreparado.

Se existe um consenso, e acho que podemos dizer que existe o consenso de que o comunismo perdeu essa guerra específica e o capitalismo venceu, sabemos que essa vitória trouxe, de certa forma, alguns fracassos. Faltam soluções para vários problemas. Quais são os maiores problemas da sociedade de mercado na sua opinião?
Zygmunt Bauman: As pretensões do comunismo fora da Cortina de Ferro forçou o capitalismo a limitar suas próprias propensões destrutivas, mantendo a desigualdade social dentro de limites aceitáveis, sem perder o controle sobre ela, e criando leis para garantir direitos aos empregados, não só aos empregadores. A ideia da desregulamentação do mercado de trabalho, por exemplo, seria impensável, simplesmente porque havia um concorrente, que não era cuidadoso e fazia propaganda. Não era fácil. Aí, de repente, tudo passa a ser possível. Ninguém o vigia. Você pode fazer o que quiser, pode usar todos os recursos que possui para promover seus interesses, e isso é potencialmente catastrófico.

A falta de autolimitação é o que está acontecendo agora. Além disso, a primeira reação após a introdução do ideal neoliberal de sociedade por Margaret Thatcher e Ronald Reagan foi que tivemos 30 anos do que chamo de orgia consumista: gastamos um dinheiro que não tínhamos, tínhamos esperança de que o futuro reembolsaria o que estávamos pegando emprestado, e isso terminou, como você bem sabe, em 2007/2008, com a crise de crédito. Agora estamos novamente no ponto de partida.

Um dos maiores problemas desse novo ponto de partida é a desigualdade. O senhor escreveu muito sobre isso, e o Brasil é um dos países mais desiguais do mundo, apesar de ser um país rico. Aparentemente, está claro que a riqueza de poucos não beneficia a todos. Como equilibrar melhor essa equação numa democracia?
Zygmunt Bauman: A desigualdade não está apenas aumentando, ela muda sua natureza, sua estrutura e está ligada a esses limites que o capitalismo se impõe para manter as coisas em ordem, digestíveis, toleráveis, aceitáveis. Eles desapareceram e, como resultado, a desigualdade mudou sua natureza porque as vítimas da desigualdade da sociedade eram, antigamente, as pessoas que viviam na pobreza, na base da sociedade, os párias da sociedade. Hoje não é mais assim, porque estamos testemunhando o processo que Guy Standing, um sociólogo muito ativo, chamou de “precariado".

O que chamamos de classe média, que era a parte da sociedade mais bem sucedida e confiante, está se transformando muito rapidamente no precariado, que é uma espécie de equivalente ao antigo proletariado: pessoas que estão inseguras em relação à sua posição.

De acordo com as últimas teses dos economistas — pessoas que estudam o assunto melhor do que eu e calculam as estatísticas —, não é mais uma questão dos 25% mais ricos da população e dos 25% mais pobres, mas do conflito entre o 1% que está no topo e os 99% do resto da sociedade. Não sei se você notou que a riqueza dos Estados Unidos após a crise de crédito. Houve alguma recuperação e o valor agregado da riqueza dos EUA aumentou depois da crise, mas 94% desse valor agregado ficou com 1% da população. Todo o resto teve que dividir os outros 6%.

Vamos falar sobre conflitos, sobre a crise e a reação à crise. Estamos vivendo a crise dos refugiados. Ela começou como a crise dos imigrantes ilegais, como se chamava no início, mas logo percebemos que se trata de uma crise de refugiados. Como analisa a reação das potências mundiais a essa crise?

Zygmunt Bauman: Não se trata de um evento único, nem é novidade. A novidade é a atenção dedicada ao assunto, porque ele foi dramatizado, em parte com a ajuda da cobertura televisiva, quando vimos a criança morta na praia e aquilo que aconteceu em Lampedusa, quando centenas de pessoas se afogaram em embarcações sucateadas. Mas a migração em massa acompanha a era moderna desde o início.

O Brasil, por exemplo, é produto da migração em massa. Pessoas vieram da Itália, da Espanha e de Portugal para cá para criar uma vida própria. Por que vieram? Porque procuravam trabalho, água potável, condições decentes de vida, coisas que não tinham em seus países.

A reação da Europa tem um impacto duplo. Por um lado, as empresas têm interesse em assimilar essas pessoas. Sua força de trabalho. Elas lucrariam mais, para resumir. Por outro lado, existe a reação esperada do medo de estranhos. “Eles estão chegando para tumultuar. Vamos nos afogar, eles vão inundar nossas cidades." Os empregados, e não os empregadores, os enxergam como concorrentes que provocarão o arrocho de seus salários. Eles serão usados pelos patrões para rejeitar as demandas dos empregados atuais, que podem ficar sem emprego. São duas pressões diferentes novamente.

Mudando de assunto, já que nossa conversa está chegando ao fim. Neste mundo hiperconectado, no qual qualquer tipo de informação está a um clique no seu computador, qual é o papel da educação tradicional nas escolas e nas universidades? E também do jornalismo tradicional, se podemos chamar assim?
Zygmunt Bauman: Novamente, você mencionou um dos problemas mais importantes e dolorosos de nossos dias. Acho que a educação tem um papel tremendamente importante. Na situação atual, gosto de me referir a um ditado chinês da época de Confúcio. Ele diz que se você planeja para um ano, semeie milho. Se planeja para dez anos, plante uma árvore. Se planeja para 100 anos, eduque as pessoas. É disso que estamos nos esquecendo hoje.

Nosso sistema educacional atual é uma das vítimas da cultura do imediatismo. Educação e imediatismo são termos contraditórios. Não se pode ter os dois. Ou se tem uma educação de qualidade ou se tem o imediatismo. Não dá para ter os dois ao mesmo tempo. E este é um problema terrível.

Na história da sociedade humana, assim que os gregos antigos inventaram o conceito de paideia, a educação viveu constantemente algum tipo de crise, porque as circunstâncias mudavam e ela tinha que se ajudar às novas informações. Mas essa crise é muito básica e essencial. Você mencionou o contexto da tecnologia da informação, que é uma biblioteca de fragmentos, de pedacinhos, sem algo que os reúna e os transforme em sabedoria, em conhecimento.

E o fluxo é enorme.
Zygmunt Bauman: E isso destrói certas capacidades psicológicas, como atenção, concentração, consistência e o chamado pensamento linear, quando você estuda um assunto de forma consistente e o esgota, vai até o fim. Há mudanças na psique humana, é uma situação completamente nova, que põe os educadores numa posição muito difícil. Eles precisam repensar muitas coisas.

Numa tentativa de não terminar nossa conversa de forma triste, o que lhe traz esperança quando olha em volta? Que iniciativas, projetos e coisas estão sendo feitas que lhe dão esperança no futuro da humanidade?
Zygmunt Bauman: Quanto mais envelheço, mais amplio a perspectiva na qual baseio minha avaliação da situação. Primeiro eu me concentrei em alguns excessos da modernidade, depois passei a analisar a lógica ou a falta de lógica da modernidade líquida. Foram estudos limitados pela perspectiva histórica, mas sou pessimista em relação ao curto prazo e otimista em relação ao longo prazo.

Quando analisamos a história da humanidade, apesar da nossa tendência de esquecer a história, da crise da memória histórica, apesar disso, a história da humanidade é animadora. Ela era muito mais cruel e sórdida antes.

É muito menos cruel e sórdida agora, apesar de tudo de terrível e ultrajante que acontece. Houve muitas crises na história da humanidade, muitos períodos de interregno, nos quais as pessoas não sabiam o que fazer, mas elas sempre acharam um caminho.

A minha única preocupação é o tempo que levarão para achar o caminho agora. Quantas pessoas se tornarão vítimas até que a solução seja encontrada?

Hokusai Says, read by Mark Williams for the Mindfulness Summit


Conheça o The Global Consciousness Project, (also called the EGG Project), is an international, multidisciplinary collaboration of scientists, engineers, artists and others.

Prof. Mark Williams  is Emeritus Professor of Clinical Psychology and Honorary Senior Research Fellow in the Department of Psychiatry, University of Oxford. He is a Fellow of the British Academy and the UK Academy of Medical Sciences.

The main focus of his research and clinical work has been to understand how best to prevent serious clinical depression and suicide. With colleagues John Teasdale (Cambridge) and Zindel Segal (Toronto), he developed Mindfulness-based Cognitive Therapy (MBCT) for prevention of relapse and recurrence in depression. Research has shown MBCT to markedly reduce the rate of future depression in those who have suffered the most serious and persistent forms of major depression.

Interested in the Mindfulness-based Cognitive Therapy (MBCT)? 

terça-feira, 26 de abril de 2016

Documentário- "Nascidas em 1948" (Born in 48) - versão original, com legendas em Inglês


The creation of the state of Israel in May 1948 is referred to by Palestinians as Al Nakba, the Catastrophe.

The five characters in this film, two Israeli and three Palestinian women, were all born in 1948. But few events in history have determined such sharply contrasting outcomes for people who might otherwise have much in common as the founding of Israel has.

For Rena Rejev, an Israeli of Ukrainian origin, who lives in Rishon LeZion there’s the joy of being born on 14th May, Independence Day. “At school, for friends and relatives, I was the one and only ‘Independence Girl’,” she says, and feels that the day’s celebratory flags and fireworks also mark her birthday. “Independence Day has become a part of me,” she says. By contrast, Latifa Yousef, a Palestinian living in Cairo, finds difficulty expressing how she feels on her birthday in August, which reminds her that her country was “violated”. “The occupation is closely linked to my life and it just increases my pain,” she says.

Madlen Abergel Vanunu, an Israeli of Moroccan origin, has a strong conviction that God only brought her into the world once the state of Israel had been founded. But Fayrouz Arafa, who was born in Gaza on the 8th October 1948, recalls: “I was a refugee. We were poor, hungry and lived in a tent. It haunts me.” Equally, for Khadija Zoraiqi, a Palestinian living in the Occupied West Bank, her birthday just makes her sons’ imprisonment in Israeli jails harder to bear and signifies that, for her, the Nakba continues today. “Every birthday I feel this catastrophe twice over,” she says.

These are the dramatic human stories of life after 1948, made all the more powerful through the inter-cutting of the intimate interviews with these five women. Born in ’48 explores how 67 years on, starkly contrasting narratives persist, with very little, if any, common ground between them.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Dia da Liberdade - 25 de Abril sempre.



O Dia da Liberdade é comemorado em Portugal a 25 de abril.

Este é um dos 13 feriados nacionais obrigatórios.

A data celebra a revolta dos militares portugueses que a 25 de abril de 1974 levaram a cabo um golpe de Estado militar, pondo fim ao regime ditatorial do Estado Novo. Este havia sido liderado por António de Oliveira Salazar, que governou Portugal desde 1933 até 1968.

O Movimento das Forças Armadas, composto por militares que haviam participado na Guerra Colonial e por estudantes universitários, teve o apoio da população portuguesa. O exército depôs o presidente Marcello Caetano sem violência e este se exilou no Brasil, onde faleceu em 1980.

Vitoriosos, os revolucionários conseguiram a implantação do regime democrático e a instauração da nova Constituição Portuguesa, a 25 de abril de 1976 de forma pacífica.

O símbolo do dia 25 de abril é o cravo, a flor que a população colocou nas armas dos militares neste dia.

Após a revolução foi criada a Junta de Salvação Nacional que nomeou António de Spínola como Presidente da República e Adelino da Palma Carlos como Primeiro-Ministro.

Os dois anos seguintes foram de grande agitação social, período que ficou conhecido por PREC (Processo Revolucionário em Curso).

Desta forma o dia 25 de abril é conhecido como o Dia da Liberdade em Portugal e o dia da Revolução dos Cravos, sendo um feriado nacional onde se recorda a importância da liberdade no país.

sábado, 23 de abril de 2016

Documentário: "Fractured Country - An Unconventional Invasion"


"Fractured Country: an Unconventional Invasion" is a new film from Lock the Gate Alliance (Australia) about the risks to communities from invasive gasfields. This is the full version of the documentary.

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Cidades Cicláveis, Cidades Inteligentes

A Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta (FPCUB) organiza nos dias 29 e 30 de Abril e 1 de Maio, em Vila Nova de Gaia, o XIII Congresso Ibérico “A Bicicleta e a Cidade”.

A bicicleta como instrumento para a mobilidade sustentável é e continua a ser cada vez mais um contributo para sistemas de transportes que se querem seguros, eficientes e competitivos e que tenham em conta os interesses sociais e o respeito pelo ambiente. A FPCUB tem ao longo dos anos estado envolvida em diversas iniciativas de sensibilização da opinião pública, das administrações central e autárquica e dos operadores de transportes colectivos para a necessidade de se dotarem as zonas urbanas de condições que permitam a utilização da bicicleta. Estas iniciativas têm tido resultados muito positivos na promoção da venda e utilização de bicicletas em Portugal bem como na criação de condições para a sua utilização em múltiplas vertentes. Muitas autarquias têm hoje planos de mobilidade que contemplam a bicicleta e as empresas de transportes colectivas (CP, FERTAGUS, Transtejo, Soflusa, Carris, Metropolitano de Lisboa e metro do Porto) favoreceram nos últimos anos o transporte de bicicletas por influência da FPCUB e dos seus associados.

As políticas de transportes devem ter em conta os efeitos no ambiente e é nesta perspectiva que damos importância à criação de sistemas de transportes sustentáveis onde a bicicleta se inclua.

O interesse da FPCUB em realizar este ano o congresso em Vila Nova de Gaia é o de poder mostrar às suas congéneres do estado espanhol os projectos de mobilidade sustentável que estão a ser desenvolvidos na cidade de Vila Nova de Gaia, na região Norte e no resto do país. Os temas deste XIII Congresso Ibérico serão apresentados e debatidos por técnicos de Portugal e Espanha, das áreas dos transportes, ambiente e turismo e membros da ConBici e da FPCUB. Contará ainda com a participação de responsáveis políticos e autarcas.

Estes congressos que já se organizam há 20 anos são uma referência nas políticas de promoção da utilização da bicicleta em Portugal e Espanha.

Existirá permanentemente uma exposição fotográfica do blogue “Diário de Lisboa – The Lisbon Diary” sob o tema “Uma Cidade Ciclista”.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Documentário- "Laboratórios de Natureza"


A atividade desempenhada por alguns dos muitos grupos de investigação do Departamento de Biologia (DBIO) da Universidade de Aveiro (UA) ilustra o programa “Laboratórios de Natureza”, exibido pela SIC em 30/08/2015, no espaço da BBC Vida Selvagem. Desde a biodiversidade animal e vegetal, passando pelo mar profundo, das nanopartículas até à resistência microbiana aos antiobióticos, iniciando com exemplos do trabalho de reabilitação dos mamíferos marinhos, este programa apresenta 5 exemplos do trabalho desempenhado no Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro.

terça-feira, 19 de abril de 2016

Agostinho da Silva, Pensador Universal do Tempo Presente

"[…] uma boa definição de homem, para além de suas limitações físicas, seria a de que é um ser de embrionária liberdade, cujo dever, cujo destino e cuja justificação é o da liberdade plena; plena para ele, plena para os outros, plena para os animais, plena para ervas, plena talvez até para seixo e montanha"
- Agostinho da Silva, “Nota a Cinco Fascículos” [1970], in Textos e Ensaios Filosóficos II, pp. 262-263.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

História da tua escravidão: liberta-te da Matrix


A História da tua escravidão! Governos sempre acabam escravizando a Humanidade! Em tempos tribais, seres humanos produziam o que consumiam. E só! Não havia excesso de produção, logo, não fazia sentido possuir escravos, pois o escravo não podia produzir excedente que pudesse ser roubado pelo seu senhor. Quando vacas começaram a produzir excedentes de leite e carne, possuir vacas passou a valer a pena. Devido a melhoramentos tecnológicos, escravos humanos produziam mais excedentes. Enorme excedente agrário foi base do CAPITAL que moveu a REVOLUÇÃO INDUSTRIAL. A classe dominante percebeu que poderia tornar seu "gado" (humano) mais produtivo.

domingo, 17 de abril de 2016

Curta-metragem: "Got Oil in Your Pension?" from Leo Murray

 
Got Oil in Your Pension? from Leo Murray on Vimeo.


September 2010 commission for Greenpeace UK's Go Beyond Oil campaign, following the Deepwater Horizon tragedy in the Gulf Coast.
Mais leituras
How you can divest your life

Consultar também o Dossier Bioterra sobre Energia

sábado, 16 de abril de 2016

The Hidden Math in Art

Art and mathematics. For many, this would appear to be synonymous with chalk and cheese. One is the domain of emotional expression, passion and aesthetics. The other, a world of steely logic, precision and truth. And yet scratch the surface of these stereotypes and one discovers that the two worlds have much more in common than one might expect.

Any creative artist will tell you that the emotional resonance of a piece emerges out of the construction of the work and is rarely an ingredient fed in at the beginning of a composition. The composer Philip Glass admits that he never deliberately programs any emotional content in his work. He believes it’s generated spontaneously as a result of all the processes that he employs. “I find that the music almost always has some emotional quality in it; it seems independent of my intentions.” The structure and internal logic of a piece is what drives its composition.

Saidakova and Marinov. (Credit: Sueddeutsche Zeitung Photo/Alamy Stock Photo)
Nadja Saidakova and Vladislav Marinov dance to music by Philip Glass at the Ballet Gala of the Berlin State Ballet in 2011. (Credit: Sueddeutsche Zeitung Photo/Alamy Stock Photo)

I have spent many years as a mathematician working alongside artists and what has struck me is how similar our practices are. I have so often found artists drawn to structures that are the same ones I am interested in from a mathematical perspective. We may have different languages to navigate these structures but we both seem excited by the same patterns and frameworks. Often, we are both responding to structures that are already embedded in the natural world. As humans we have developed multiple languages to help us navigate our environment.Perhaps more surprising is the role that emotions and passion play in the mathematics that we humans create. Mathematics is far from being just a list of all the true statements we can discover about number. Mathematicians are storytellers. Our characters are numbers and geometries. Our narratives are the proofs we create about these characters. Not every story that it’s possible to tell is worth telling.

A different beat

“Music is the pleasure the human mind experiences from counting without being aware that it is counting.” – Leibniz

Music is probably the artistic discipline that traditionally has resonated most closely with the world of mathematics. As the German philosopher Gottfried Wilhelm Leibniz once declared: “Music is the pleasure the human mind experiences from counting without being aware that it is counting.” But this connection goes much deeper than that. The very notes that we respond to as harmonic have a mathematical underpinning, as Pythagoras famously discovered. And mathematical structures also inform the architecture of composition.
The Sheikh Zayed Bridge in Abu Dhabi by Zaha Hadid. (Credit: Urbanmyth/Alamy Stock Photo)


The Sheikh Zayed Bridge in Abu Dhabi by Zaha Hadid. (Credit: Urbanmyth/Alamy Stock Photo)


For me, one of the most exciting revelations has been that even the art of the written word has mathematics hidden inside it. Poets, playwrights and novelists have all played around with exciting forms and patterns and frameworks that have mathematical shapes to them.

In my radio series The Secret Mathematicians, I have explored the artistic practices of a whole range of composers, writers, architects and artists. Through their work I look at the range of mathematical ideas they have been drawn to, sometimes consciously but often quite unconsciously.

Philip Glass is fascinated by the power of number to create rhythms that draw the listener into his meditative world, rhythms that nature beats to. The Argentinian writer Jorge Luis Borges strove to find an explanation for the shape our finite universe by writing The Library of Babel; and Zaha Hadid’s parametricism movement is helping to seed our urban environment with forms that are both mathematical and natural at heart.

In my programme on visual art, I investigate how Renaissance artists helped mathematicians of the period rediscover shapes first found by the ancient Greek mathematician Archimedes – their descriptions had been lost over time, but they were uncovered through developments in drawing.

I find a hyper-dimensional solid in one of Salvador Dalí’s most famous works, Crucifixion (Corpus Hypercubus), and discover how Jackson Pollock was unconsciously tapping into geometric structures called fractals – shapes that mathematicians only discovered in the 20th Century. The US artist was a secret mathematician by virtue of his lack of balance and penchant for alcohol, using what mathematicians call a ‘chaotic pendulum’ when staggering around to create his drip paintings.

Anish Kapoor originally wanted to be an engineer but gave up after finding the maths too challenging. Yet his works reveal an extraordinary sensitivity to mathematical structures, shapes that are universal and not bound by cultural reference. His 2009 tower of spherical balls, called The Tall Tree and the Eye, created reflections that are fractal in nature, while his hyperbolic mirrors distort our environment to create a strange new perspective on the world. Kapoor’s curved mirrors provide a lens to see the universe as it really is: curved, bent, where light is warped on its way through space and our intuition is turned inside out.

Marcus du Sautoy is the Simonyi Professor for the Public Understanding of Science and a Professor of  Mathematics at the University of Oxford. He is author of The Number Mysteries (HarperPerennial)

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Encontros improváveis: Maria Gabriela Llansol e 2 Cellos - "The Book of Love" (from Peter Gabriel)


"O encontro inesperado do diverso é assistir ao belo a comunicar com o silêncio; a fraccionar a imagem nas suas diversas formas; ajudá-las a levantar o véu para que se mostrem mutuamente na beleza própria, e fechar os olhos para que se não rompa a delicada tela desta vida, ou então falar." ~ Maria Gabriela Llansol

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Falta de água pode tornar o mundo vegetariano


Diariamente, um bilião de mulheres, homens e crianças vão dormir com fome, enquanto 10 milhões morrem por desnutrição a cada ano. Se ainda hoje o mundo não conseguiu sanar esse mal, que afeta um em cada sete de seus habitantes, como é que vamos alcançar a segurança alimentar para uma população que em 2050 chegará a 9 biliões de pessoas?

Um novo estudo mostra que a solução para evitar uma catástrofe alimentar passará por uma mudança quase completa de uma dieta a base de carne para uma mais centrada em vegetais. E isso deverá acontecer por um único motivo: a escassez de água. É o que aponta o relatório “Alimentando um mundo sedento: Desafios e Oportunidades para a segurança hídrica e alimentar”, divulgado em 26/08/12 na Suécia, por ocasião da Semana Mundial da Água.

A análise mostra que não haverá água suficiente para alcançar a produção esperada em 2050 se seguirmos com a dieta característica dos países ocidentais em que a proteína animal responde por pelo menos 20% das calorias diárias consumidas por um indivíduo.

Na ponta do lápis, de acordo com os cientistas, a adoção de uma dieta vegetariana é atualmente uma opção para aumentar a quantidade de água disponível para produzir mais alimentos e reduzir os riscos de desabastecimento em um mundo que sofre com extremos do clima, como a seca histórica que afeta os Estados Unidos. O motivo é que a dieta vegetariana consome de cinco a dez vezes menos água que a de proteína animal – que hoje demanda um terço das terras aráveis do mundo só para o cultivo de colheitas para alimentar os animais.

“A capacidade de um país de produzir alimentos é limitada pela quantidade de água disponível em suas áreas de cultivo”, ressalta um trecho do relatório, que alerta sobre a pressão atual e crescente sobre esse recurso natural usado de forma cada vez mais insustentável. Segundo previsões da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, da sigla em inglês), será necessário aumentar a produção de alimentos em 70% nos próximos 40 anos para atender à demanda. Isto colocará uma pressão adicional sobre os nossos hídricos, num momento em que precisaremos também alocar mais água para satisfazer a demanda global de energia, que deverá crescer 60% em três décadas, salientam os cientistas.

Estresse hídrico

Um outro estudo divulgado em maio de 2012 pela consultoria britânica Maplecroft mostrou que o mundo já vive um “estresse hídrico” e que a falta de acesso à água potável vem pesando sobre os países mais pobres ou marcados por histórico de conflitos militares, instabilidades políticas e sociais. Segundo o levantamento, os países do Oriente Médio e África são os mais vulneráveis à falta de água. Nessas regiões, cada gota pode emergir como uma nova fonte de instabilidade.

Em alguns dos maiores produtores de petróleo do mundo, como Kwait e Arábia Saudita, a escassez de água vem se tornando crítica há gerações. Primeiro colocado na lista de 10 países em “risco extremo” de falta d´água, Bahrein, no Golfo Pérsico, usa águas subterrâneas para a prática da horticultura, porém, em quantidade insuficiente para atender toda a população. A deterioração dos lençóis subterrâneos de água já é uma das principais preocupações nacionais (Brasileiras).
Fonte: Exame

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Documentário- Seeding Fear

 

Seeding Fear is a short documentary Executive Produced by Neil Young that tells the story of Michael White, a fourth generation farmer, who went toe to toe with Monsanto

Neil Young took on the corporation Monsanto, which manufactures genetically engineered seeds for agriculture, on his recent record The Monsanto Years. Now he has released a 10-minute short, Seeding Fear, which tells the story of a farmer named Michael White, who with his father Wayne, took on the corporation in court. The film was released by Shakey Pictures and co-executive-produced by “Bernard Shakey,” Young’s pseudonym.

“The film I would like you to see tells the story of a farming family in America, but the same thing is happening around the world,” Young wrote, under his own name, in a statement. “It is a story that takes 10 minutes of your time to see. It is a simple human one, telling the heartbreaking story of one man who fought the corporate behemoth Monsanto, and it illustrates why I was moved to write The Monsanto Years. The film presents a rare opportunity to hear from the source as Mr. White is one of only four farmers who is still legally allowed to speak about his case as all the others have been effectively silenced.”

Monsanto sued the Whites for patent infringement, accusing Wayne decades after he stopped farming. “It destroyed his life,” Michael says of his father in the film. “He went to his grave – this grave – still afraid of [Monsanto].” The farmer later adds, “It’s pretty hard to take your 80-something-year-old father to federal court on a walker when he’s falsely accused by a big corporation.” The clip closes with Young’s song “Monsanto Years.”

Following the publication of this article, a rep for Monsanto told Rolling Stone, “Mr. White is not transparent in describing his actions or the situation. He actually admitted to knowingly planting, producing, saving, cleaning and selling Roundup Ready soybeans illegally. All of this information is available in court documents.” Read the company’s full statement here.

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Directed/Produced by Craig Jackson
Executive Produced by Bernard Shakey and Elliot Rabinowitz
Edited by Justin Weinstein and Craig Jackson
Music by Daniel Lanois
Cinematography by Craig Jackson

Saiba por que dinheiro não traz felicidade, segundo o economista Richard Easterlin



For centuries, happiness was exclusively a concern of the humanities; a matter for philosophers, novelists and artists. In the past five decades, however, it has moved into the domain of science and given us a substantial body of research. This wellspring of knowledge now offers us an enticing opportunity: to consider happiness as the leading measure of wellbeing, supplanting the current favourite, real gross domestic product per capita, or GDP.

In the social sciences, data on individuals’ happiness are obtained from nationally representative surveys in which a question such as the following is asked:

Taken all together, how would you say things are these days, would you say that you are very happy, pretty happy, or not too happy?

There are many variants of this question. Instead of happiness, the question may be about your overall satisfaction with life, you might be asked to place yourself on a “ladder of life”, running from the best possible to the worst. The common objective is to deliver an evaluation of the respondent’s life at the time of the survey. We can use the term “happiness” as a convenient proxy for this set of measures.

Meaning
In measuring happiness each respondent is free to conceive happiness as he or she sees it. You might think, then, that combining responses to obtain an average value would be pointless. In fact, there is now a substantial consensus that such averages are meaningful. A major reason for this is that most people respond quite similarly when asked about things important for their happiness.

In countries worldwide – rich or poor, democratic or autocratic – happiness for most is success in doing the things of everyday life. That might be making a living, raising a family, maintaining good health, and working in an interesting and secure job. These are the things that dominate daily lives everywhere; the things that people care about and which they think they have some ability to control. It means that comparisons among groups of people are possible.

Psychologists have investigated the reliability and validity of the measures and economists have studied the nature and robustness of the results. This is not the place for a detailed discussion, but we can say that the data have withstood a thorough vetting. More support comes from the fact that many countries now officially collect happiness data. The same relationships are found between happiness and a variety of life circumstances in country after country. Those who are significantly less happy are typically the unemployed, those not living with a partner, people in poor health, members of a minority, and the less-educated.

A personal paradox
I have to hold my hands up for one empirical relationship that, for some, has raised doubts about the data’s meaningfulness. My work on happiness and income, published in an article more than 40 years ago, looked at the links between happiness and income. It found that surveys conducted at a point in time (so-called cross-section studies) discover the expected positive relation – happiness increasing with income. However, studies of happiness and income over time (the time series relationship) yield a nil relationship.

This might seem contradictory, but the difference in the cross-section and time-series results turn out to be explicable once we recognise that there are psychological mechanisms which significantly affect feelings of wellbeing. This might be social comparison or the tendency for people to adapt, at least partially, to major positive or negative events.

Some recent critics of this so-called Easterlin Paradox report a longer-term relationship between happiness and income that is positive. These results, however are based on data spanning a relatively small number of years, usually a decade or less, and pick up the short-term relationship – the ups and downs of happiness (and indeed GDP) that accompany economic booms and busts.

Preferences
So we can see that happiness and GDP can give quite different pictures of the trend in societal wellbeing. But why prefer happiness to GDP? There are several reasons.

1. Happiness is a more comprehensive measure of wellbeing. It takes into account of a range of concerns while GDP is limited to one aspect of the economic side of life, the output of good and services. Perhaps the most vivid illustration of this can be seen in China where, in the two decades from 1990, GDP per capita doubled and then redoubled. Happiness, however, followed a U-shaped trajectory, declining to around the year 2002 before recovering to a mean value somewhat less than that in 1990. Economic restructuring had led to a collapse of the labour market and dissolution of the social safety net, prompting urgent concerns about jobs, income security, family, and health – concerns not captured in GDP, but which significantly affect wellbeing.

2. The evaluation of happiness is made by the people whose wellbeing is being assessed. For GDP, the judgement on wellbeing is made by outsiders, so-called “experts”. There are some who think of GDP as an objective measure of the economy’s output. In fact the numerous judgements involved in measuring GDP have long been recognised. Should the unpaid services of homemakers be included? What about revenues from drug trade or prostitution? Should the scope of GDP be the same for the US and Afghanistan? For the US in 1815 and 2015? In short, GDP is not a simple or “objective” measure of well-being.

3. Happiness is a measure with which people can personally identify. GDP is an abstraction that has little personal meaning for individuals.

4. Happiness is a measure in which each person has a vote, but only one vote, whether rich or poor, sick or well, old or young. Everyone in the adult population counts equally in the measure of society’s wellbeing.

Happiness tells us how well a society satisfies the major concerns of people’s everyday life. GDP is a measure limited to one aspect of economic life, the production of material goods. The aphorism that money isn’t everything in life, applies here. If happiness were to supplant GDP as a leading measure of societal wellbeing, public policy might perhaps be moved in a direction more meaningful to people’s lives.

terça-feira, 12 de abril de 2016

Flight over Ireland

Flight over Ireland from leprechaun on Vimeo.


An aerial drone showreel highlighting the stunning beauty of Ireland, particularly the west coast Wild Atlantic Way.

A pirate poet could become Iceland’s next prime minister—but she says she doesn’t want the job



Since Iceland’s prime minister was forced out of office last week, after the Panama Papers revealed his offshore assets, the anti-establishment Pirate Party has emerged as a serious contender in the Icelandic political landscape—and that means newfound fame and scrutiny for party leader Birgitta Jonsdottir.

Even though the Pirates only have three seats in parliament, 43% of Iceland’s voters now support them, which could make them a force when the country holds elections this autumn.

In an attempt to contain the crisis last week, the government installed agriculture minister Sigurour Ingi Johannsson as interim prime minister. Jonsdottir and opposition parties demanded immediate elections but lost the no confidence motion in a parliamentary vote on Friday (April 8).

“It is not enough just to move heads in the cabinet and have the former PM carry on as the leader of the Progressive party and as shadow minister,” she said.

Before co-founding the Pirate Party in 2012, Jonsdottir worked for WikiLeaks, creating a legislative framework to protect investigative journalists and whistleblowers. She was instrumental in releasing a classified video showing a US military helicopter attack in Baghdad that killed 12 people, including two Reuters journalists.

If Jonsdottir were she to become prime minister, the 48-year-old lawmaker said her first job in office would be to push through a new Icelandic constitution. But she is deeply conflicted about whether she wants the job at all.

“Actually I had a nightmare about that a long time ago that I wrote down into a poem,” she told Reuters. Her party has campaigned on transparency and internet freedom, and also introduced a bill that would give Icelandic citizenship to US whistleblower Edward Snowden.

In another interview she said that being prime minister wasn’t her ideal job, but the if “nobody else can do it or wants to do it” she would take it on.

“She’d be very good for it,” Smári McCarthy, chairman of the European Pirate Party, told Quartz. “She’s the one with longest amount of experience, but she might be more interested in having a defining role in the adoption of the new constitution that has been delayed by this government.”

The Pirate Party’s rotating leadership structure means there’s also a possibility that MPs Helgi Hrafn Gunnarsson or Asta Helgadottir could be up for the position.

The pirates are realistic about the amount of work ahead if they end up running the country. “The Icelandic Pirate Party will not be able to solve all of the ingrown problems in Iceland but it will certainly be able to offer new hardware, complete with a new set of rules based on how we operate as a collective community,” the group said in a statement.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

2016- Ano Internacional da Misericórdia (discurso ecuménico do Papa Francisco)



A maioria dos habitantes do planeta declara-se crente.
Isto deveria ser motivo para o diálogo entre as religiões.
Não devemos deixar de rezar por isso e colaborar com quem pensa de modo diferente.

Confio em Buda.
Creio em Deus.
Creio em Jesus Cristo.
Creio em Deus, Alá.

Muitos pensam de modo diferente, sentem de modo diferente,  procuram Deus ou encontram Deus de muitos modos.

Nesta multidão, nesta variedade de religiões, só há uma certeza que temos para todos: somos todos filhos de Deus.

Creio no amor.

domingo, 10 de abril de 2016

William Elliott Whitmore - Don't Need It (Curly Tonic & Franz S. Rework) - True Detective Follow Up



Hand me that hammer

hand me that saw
don't hand me down that walkin' cane
I don't need it at all

I'm gonna build me a home
gonna build it with my hands
gonna keep the rain off my head
gonna keep the mosquitos from getting fed

Don't need 'em at all

The river she's a giver
the river she takes away

gonna row my boat to the other shore
won't think about my troubles anymore

Don't need 'em at all

I should have been a steamboat man
push it on down to Louisiana
here I am working in the field
if the heat don't get you then the sunburn will

Don't need it at all

Panama Papers: É preciso acabar com os paraísos fiscais, começando pelos da UE


Por Elisa Ferreira- Público de 10/4/2016

As revelações dos Panama Papers voltam a lembrar-nos que só com o fim dos paraísos fiscais é que será possível acabar com os mecanismos e canais de fraude, evasão fiscal e lavagem de dinheiro que lhes estão associados. Também nos lembram, de novo, o enorme serviço prestado pelo jornalismo de investigação e pelos lançadores de alerta (whistleblowers), que assumem riscos consideráveis com as suas denúncias de interesse público. Depois dos LuxLeaks, SwissLeaks ou OffshoreLeaks, os Panamá Papers serão apenas mais um episódio num processo que se antecipa longo e com muitas mais revelações, dada a informação disponível. 
Seria importante que a democracia europeia clarificasse de uma vez por todas o tratamento que é devido a estes actores cívicos. As revelações sucessivas de fraude, evasão fiscal e lavagem de dinheiro em larga escala despertaram um importante reconhecimento público do papel destes lançadores de alerta em prol da cidadania e da transparência. 
Não podemos por isso esquecer que ainda este mês, Antoine Deltour, ex-auditor na PwC e responsável por muitas das revelações dos LuxLeaks, vai ser julgado sob acusação de roubo e violação da legislação luxemburguesa de protecção do segredo profissional e comercial, arriscando pena de prisão e multa.
Ao contrário dos Estados Unidos, onde os whistleblowers têm um estatuto claro de proteção e apoio judicial, e mesmo uma compensação monetária calculada em função do volume financeiro da fraude denunciada, nos países da União Europeia (UE) encontramos de tudo: penas de prisão, exclusão do mercado de trabalho e ruína financeira de alguns (provavelmente os mais sinceros), em contraponto com outros, que enriqueceram com a venda da informação. 
A clarificação do estatuto jurídico e do interesse público destas denúncias tem de ser urgentemente estabilizada. Os mecanismos agora revelados nos Panama Papers são largamente conhecidos, e não constituem por isso uma surpresa. O que nos pode surpreender é a escala astronómica deste negócio a par da identidade das personalidades públicas e com responsabilidades que estão envolvidas. Mas estas revelações, que se referem apenas a uma única empresa de um pequeno país, não são mais do que a ponta de um enorme iceberg. Quantos mais Panama Papers haverá? É inegável que, no seguimento da crise financeira, tem havido alguns progressos no combate à fraude e evasão fiscal. 
Os países do G20 (as economias mais desenvolvidas e as principais emergentes) encarregaram a OCDE de definir os princípios de transparência, incluindo para os paraísos fiscais, a aplicar à escala global. Este trabalho é importante e meritório, mesmo se as directrizes da OCDE, além de frouxas, são apenas recomendações não vinculativas. O argumento de que este problema requer uma resposta global tem indiscutivelmente alguma valia. 
Mas, nesse contexto, deverá a UE liderar, ou esperar ser liderada? Na verdade, a UE, tanto pelo seu grau de integração, como pelos valores que defende, não pode remeter-se a uma espera passiva de um hipotético consenso mundial. Para ser credível perante os seus próprios cidadãos, a União tem de consensualizar e implementar internamente os princípios pelos quais se rege. Cabe-lhe seguidamente assumir o papel - provavelmente com os Estados Unidos (e saúde-se a propósito as recentes declarações de Obama a respeito dos Panama Papers) - absolutamente fundamental de contribuir para a construção de uma "nova ordem mundial" em matéria de fiscalidade. A dificuldade na construção desta agenda europeia é evidente: em 2011-2012 os Socialistas no Parlamento Europeu (PE) desenvolveram uma campanha pedindo o "fim dos paraísos fiscais”. A maioria parlamentar de direita resistiu, com o eterno argumento de que se o combate aos circuitos de fraude e evasão fiscal não for assumido à escala global, as empresas europeias ficarão em desvantagem face às concorrentes. Não é estranho a esta atitude o facto de alguns paraísos fiscais estarem exatamente dentro da própria União. Mesmo assim, e graças à pressão da opinião pública, resultante em particular dos LuxLeaks, tem havido avanços.
O relatório de que fui co-autora na comissão especial do PE - TAXE - para investigar os acordos fiscais preferenciais (tax rulings) oferecidos por membros da UE às multinacionais para lhes permitir transferir rendimento tributável para países com menores taxas de imposto, e que foi aprovado por esmagadora maioria do PE, elenca com grande precisão as medidas que são necessárias ao nível europeu. Uma delas é, precisamente, tornar ilegais os paraísos fiscais - o que inclui antes de mais aqueles que existem no interior da UE - e aplicar sanções a quem os utiliza. A Comissão Europeia (CE), sob a liderança do comissário socialista francês Pierre Moscovici, tem-se mostrado bem mais voluntarista do que era habitual, apresentando propostas legislativas ambiciosas para introduzir maior transparência na fiscalidade das empresas e reduzir as possibilidades de recurso a paraísos fiscais: tributação de lucros onde a actividade económica é realizada, obrigação de reporte - público - das informações que permitam perceber em que países cada empresa realiza lucros e paga impostos, e harmonização da base tributável do imposto sobre os lucros para acabar com a actual concorrência fiscal agressiva entre países que partilham um mercado interno e uma moeda única. Estas e outras iniciativas esbarram no entanto contra fortes resistências no Conselho de Ministros da UE (onde os Governos estão representados). E como as decisões europeias em matéria de fiscalidade sobre as empresas estão sujeitas à regra da unanimidade, basta a objecção de um país para bloquear a decisão, o que é frequente da parte dos Estados que têm regimes especiais a defender. O que se espera, agora, na sequência das revelações dos Panama Papers? 
No essencial, que a pressão pública dos cidadãos e da imprensa sobre os respetivos Governos seja suficientemente forte para os convencer a aceitar um salto qualitativo na forma como abordam as questões fiscais. É preciso que os Governos não caiam na tentação de bloquear a legislação essencial em nome de uma interpretação egoísta do respetivo "interesse nacional" e, mais importante ainda, que não cedam à pressão indireta (ou direta) dos poderosos atores que beneficiam da actual opacidade. 
É preciso também que a CE continue o seu voluntarismo no combate à fraude e evasão fiscal, e que proceda, em paralelo, a uma análise detalhada da eficácia da legislação já existente na UE e da forma como está a ser aplicada pelos Estados membros e que avance com propostas para colmatar eventuais lacunas.Esperemos que as revelações dos Panama Papers sejam o catalisador de um sobressalto de consciência por parte dos Estados membros que os leve a aceitar um salto qualitativo da UE em matéria fiscal.Para isso, é preciso que a Comissão e o Parlamento consigam limitar os interesses nacionalistas no Conselho para que a UE possa desempenhar o papel na cena mundial a que está obrigada pela sua história e pelo esforço que está neste momento a ser pedido aos cidadãos e às PMEs, os principais geradores das receitas fiscais dos Estados.

sábado, 9 de abril de 2016

12 cidades brasileiras que plantam uma árvore para cada bébé que nasce

Fonte: Razões Para Acreditar
Qual a melhor forma de comemorar a chegada de um filho do que plantando uma árvore, algo que vai garantir um futuro melhor para todos?

E antes que achem que isso é coisa de estrangeiro, saiba que essa lista é bem brasileira. São 12 cidades espalhadas por território que adoptaram essa prática.

Cada município faz de uma forma, alguns doam a muda e os pais plantam, outros o governo faz tudo. Mas isso é detalhe, o importante mesmo é abraçar essa ideia.

Confira, a seguir, as cidades que aderiram ao projecto Uma Criança, Uma Árvore e incentivam o plantio de mudas para marcar o nascimento dos novos moradores.

1. SENHORA DOS REMÉDIOS (MG)
2. CLEVELÂNDIA (PR)
3. DIAMANTINA (MG)
4. GUARAPARI (ES)
5. ITAPERUNA (RJ)
6. ITUVERAVA (SP)
7. PASSOS (MG)
8. PENÁPOLIS (SP)
9. SÃO CAETANO DO SUL (SP)
10. SÃO JOSÉ DO RIO PRETO (SP)
11. SOROCABA (SP)
12. TRAMANDAÍ (RS)

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Encontros improvaveis: Albert Camus e Marc Shagall

Marc Shagall, A Wheatfield on a Summer's Afternoon,1942

“My dear,
In the midst of hate, I found there was, within me, an invincible love.
In the midst of tears, I found there was, within me, an invincible smile.
In the midst of chaos, I found there was, within me, an invincible calm.
I realized, through it all, that…
In the midst of winter, I found there was, within me, an invincible summer.
And that makes me happy. For it says that no matter how hard the world pushes against me, within me, there’s something stronger – something better, pushing right back.
Truly yours,
Albert Camus”

Súplica (Quase Enfática) do Mestre (que se Estreia), Dirigida às Musas da Pedagogia, por Carlos Malpique



1 - Eu sei que o magistério é honor, mas sei, outrossim, que também é - e principalmente - ónus, o que, dito em português de lei, se pode assim exprimir: eu sei que ensinar é uma honra, mas sei também que, a par disso, é um peso, e dos maiores.
A honra é o inefável da profissão. O peso é o trabalho extenuante de todos os dias, para abrir os espíritos à luz da verdade, às emoções do belo, aos sentimentos de uma doce humanidade.
Pois dai-me amor, tal e tanto, que eu possa, sem desfalecimentos, abrir esses espíritos para a luz da verdade, para as emoções do belo, para os sentimentos da doce humanidade. Fazei com que eu consiga o milagre - que o não há maior - de lapidar brutos diamantes, para que, de si, despeçam todo o fulgor possível; de fazer, da natureza humana, uma obra-prima de curiosidade alerta para todos os segredos do mundo, uma inteligência capaz de ler as relações que ligam as coisas entre si; uma vontade capaz de vencer todas as adversidades; um poder de iniciativa que meta todas as lanças na áfrica das dificuldades; um espírito critico que deite por terra
todas as superstições; uma fé que remova todos os obstáculos à realização de um mundo melhor.

2 - Fazei que eu consiga insinuar na alma dos meus alunos o formoso dito de Lessing: «Se Deus me desse, na sua mão direita, a verdade já acabadinha, e, na sua mão esquerda, a possibilidade de eu a descobrir pelo meu próprio esforço, não hesitaria: eu me decidiria pela segunda dádiva, contra a primeira».

3 - Dai-me discípulos que de mim precisem, só temporariamente. Sei, com um saber de experiências feito, que os discípulos que mais honram os mestres não são aqueles que os seguiram servilmente, mas antes os que, em tempo oportuno, souberam conquistar a sua carta de alforria. Nada melhor do que passar pelos mestres, com a condição, porém, de tudo fazerem, para deles se libertarem, com rumo à sua individualidade específica. Dos discípulos subservientes não reza a história, a não ser para lhes dar as zabumbadas da troça.
O educador, para merecer este título, deve ser, acima de tudo, um electrizador de espíritos, um catalisador de específicas originalidades. O seu papel não é substituir-se ao educando, mas, pelo contrário, propiciar que este se afirme, o mais possível, sui generis e sui juris. Criará nele o sentimento. da auto-desconfiança, a fobia de tutelas que lhe minimizem a personalidade. Despertará nele o gosto da resposta de conta própria, contra a resposta meramente psitacista.
(...)
in Malpique, Cruz (1976). O binómio mestre-discípulo : duas súplicas e um juramento / pelo Dr. Cruz Malpique – Conferência Porto: Imprensa Social

Foto retirada de Homenagem a Carlos Malpique

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Entrevista a Pepe Menéndez - "O problema do ensino é que é muito aborrecido. Nós mudámos o olhar"

A dificuldade essencial era o aborrecimento, a falta de ligação. "Isto não me interessa." A escola é uma obrigação, não é um sítio que me apaixone. Os adolescentes não têm de estar sempre a divertir-se, mas a escola estava a tornar-se uma prisão. Eu ainda fiz o serviço militar obrigatório e digo que a escola obrigatória é igual. Igual! Todos têm de ir porque os pais trabalham, porque a lei obriga, mas o direito à educação não é fechar os miúdos numa escola. É provocar as suas emoções, as suas paixões, potenciar os seus talentos tão diferentes... os talentos dos alunos são muito maiores do que o currículo. Um miúdo ou uma miúda podem pensar - "não presto". Costumo perguntar aos professores onde estão os cantores ou os cozinheiros que um dia vão ser ótimos. E alguns respondem - estão no corredor, foram expulsos.
Entrevista completa aqui

Mais informações
Blog de Pepe Menéndez
Conferência de Pepe Menéndez- Proyecto Horizonte 2020

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Documentário - O Cante é como eu


Documentário - O Cante é como eu
O Cante Alentejano em Ferreira do Alentejo


Video da própria UNESCO (legends in English)


Na região do Alentejo, este é um género musical composto por um grupo de amadores sem instrumentos, onde existem duas vozes a solo alternadas com o restante coro.

Antigamente, este estilo musical era feito de forma espontânea por um grupo de pessoas, na qual frequentemente se juntavam aquando os trabalhos do campo. A sua importância era marcada como estímulo, cantando ao ritmo do trabalho da ceifa ou como por exemplo na apanha da azeitona, através do manuseamento da vara. Com o passar dos anos, as formas de trabalhar foram-se alterando e isso fez com que o Cante Alentejano deixasse de ter a importância de outros dias. Passou assim a ser cantado em tabernas, sítio que na altura estava proibido às mulheres. Por esse motivo, o papel das mulheres desapareceu do Cante Alentejano, sendo que apenas depois do 25 de abril é que puderam voltar a constituir grupos femininos e a sua ingressão em grupos masculinos. Também antes do 25 de abril o cante não era bem visto, pois os seus temas eram e são usualmente tristes, dando a conhecer os sentimentos, as saudades, as recordações das suas raízes, amor, melancolia e ainda como cantos de intervenção, o que para o regime era uma afronta. Um grande impulso foi o Grândola Vila Morena de José Afonso que se eternizou na história de Portugal. Após 1974, os grupos de Cante Alentejano voltaram em força a dar voz às suas raízes, cantando sobre memórias passadas referentes às opressões do regime fascista.

Mas claro, também existem canções com humor e cheias de ironia que nos encantam e que as sabemos trautear de cor. Para mim a mais marcante é “Eu ouvi um passarinho”:

O passarinho cantou..." , música que o meu pai me cantava quando era pequenina e que me foi acompanhando na infância. Recordo ainda hoje com saudade esses momentos.

O Cante Alentejano é uma tradição que se ouve e que se entranha. É um estilo musical cheio de alma e carisma que nos remete a um intenso sentimento transportado por um povo através das suas puras vozes.

Todos nós sentimos que temos uma “costela” alentejana quando ouvimos os grupos a cantar de coração cheio. É parte da identidade portuguesa e, por este motivo, foi considerado no ano de 2014 Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO, tal como o nosso Fado.

Ao longo dos anos começaram a aparecer mais grupos e projetos de ensinos do Cante em várias zonas do Alentejo e até em Lisboa. Atualmente existem grupos formados por cerca de 15 a 30 elementos, sendo grupos mistos, femininos ou masculinos que continuam a eternizar a nossa cultura, cantando as nossas raízes e passando-as de geração em geração.