Blogue de Educação Ambiental, iniciado em 01.04.2004
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sexta-feira, 11 de setembro de 2015
Killing Joke - I Am The Virus
O poema lírico de "I Am The Virus", escrito por Jaz Coleman, é um manifesto visceral que se ancora em várias etiquetas, correntes e conceitos da filosofia política contemporânea. Embora o líder dos Killing Joke recuse frequentemente rótulos partidários tradicionais, a sua escrita nesta canção bebe diretamente de ideologias críticas do sistema global, misturando ceticismo radical com o ativismo antiglobalização.
No cerne do texto encontra-se o Antiestadismo e o Anarquismo Epistemológico, manifestados na desconfiança absoluta face às narrativas oficiais do Estado, exemplificada na contestação aos eventos do 11 de Setembro ("Steel frame buildings don’t fall in seconds") e na denúncia de operações secretas (black ops e false flags). Coleman baseia-se na premissa de que o Estado moderno opera através da manipulação do medo para justificar o controlo social, uma visão partilhada pelas teorias de biopolítica e controlo estatal.
A canção é também profundamente marcada pelo Anticapitalismo e pela Crítica ao Neoliberalismo, visíveis no ataque direto à "omnipotência dos bancos centrais" e ao corporativismo que dita a política externa. Há aqui uma clara filiação ao pensamento da Esquerda Antiglobalização (ou Altermundialismo), que denuncia o imperialismo económico e militar ocidental — personificado na crítica feroz a Tony Blair e à Guerra do Iraque —, onde o lucro do setor petrolífero e armamentista se sobrepõe à soberania dos povos e à vida humana.
Por outro lado, o refrão e a metáfora do "vírus" e do "verme impossível de apagar" revelam uma forte influência do Tecnocriticismo e do Ciberativismo. Coleman adota uma postura que se cruza com o Crypto-anarchism e com a filosofia dos hackers, onde o indivíduo consciente se transforma numa anomalia no sistema informático e tecnocrático global. O vírus não é uma força destrutiva sem sentido, mas sim o Contrapoder e a Resistência Popular — uma faísca de insurgência libertária que se recusa a ser assimilada pela máquina do capitalismo de vigilância. Em suma, o poema de Coleman é um mosaico político que funde o pacifismo militante anti-guerra, o anticapitalismo feroz e um libertarianismo cético que desafia o monopólio da verdade detido pelas elites globais.
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