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segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Uns bons argumentos contra a monocultura/ cultura de transgénicos

E Mail com as perguntas
Caros amigos
Quais os argumentos a contrapor quando referenciam que a cultura intensiva e mono cultura é importante para matar a fome. Sei que isto é falso e por instinto sei que é uma mentira, mas isto não chega.Espero que m e deem algumas dicas.
Igualmente quando falas com um pequeno agricultor que aderiu aos trangénicos,, caso do milho e outras culturas e que te diz que tem menos trabalho e melhores resultados, como contrapôr? É dificil mas não impossivel a abordagem.
As minhas melhores saudações
Fernanda Julia Garcia



Respostas por Irina Castro

A minha resposta iria neste sentido.

1º O mito da fome: a questão da fome no mundo é colocada sempre sobre o principio da escassez e nunca é vista como uma questão de má, e injusta redistribuição e alimentos.
Por exemplo: como podemos justificar que Tanzânia, sendo um dos países africanos onde mais se pesca, seja onde o consumo de peixe é menor, e onde existem altos indexes de fome? simples, os tratados bilaterais, bem como as imposições económicas por parte de outros países sobre a divida externa de Tanzânia obrigam a que o país exporte a maioria das suas pescas. O que depois significa também na Europa, que países como Portugal e Grécia, recebam incentivos para o abate das suas frotas pesqueiras.
Isto impõem não só pressões enormes sobre os países, mas também uma pressão ambiental sobre Tanzânia que tem de produzir peixe suficiente para cumprir as exportações, originando problemas ambientais como os que temos no lago Vitoria.

2º A fome não é só uma questão de ter ou não ter comida. Está associada à cultura e à historia dos povos. Existe uma relação psico-emocial-social com a alimentação, e descartar isso da discussão é ignorar por completo a complexidade do fenómeno da fome.
Podes explicar isto muito bem como culturas como a mexicana, cuja diversidade de milho está associada à sua alimentação. A textura, as cores, os sabores, e até mesmo as formas de produção.

Isto para dizer, para além da perda de agrodiversidade promovida pela monocultura, ela também destrói sistemas de produção integrada. A Milpa, sistema de produção de milho no México, engloba a produção do milho, com a da abobora e com o feijão, três dos principais elementos que compõem a alimentação do povo mexicano. Ora se substituis isso por milho em monocultura, na verdade estás a promover a fome, e não a alimentação.

3º A monocultura e o milho trangénico (o hibrido também) são desenhados de acordo com uma visão de ambiente e sociedade norte-americanas. E até é possivel que nas primeiras colheitas agricultures portugueses e indianos possam ter bons resultados, o problema está associado à continuação da produção, que a longo prazo tem demonstrado não apresentar uma analise de custo-benificio favoravel aos pequenos agricultures.
Por outro lado, a questão dos trangénicos implica que se percam as redes de troca de sementes, o que em termos de produção mais tarde o agricultor verá que as sementes que compra à empresa são por vezes 10 vezes mais caras que as que comprava anteriormente e podem custar até 40% do rendimento da produção.


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