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sexta-feira, 7 de junho de 2013

125 anos que nasceu Pessoa- um tributo pouco conhecido

Pessoa- um tributo pouco conhecido, mas que comprova uma vez mais o universalismo pessoano


«Mar Português», Arthur Bliss 

A obra coral que aqui se selecciona é uma criação singular no percurso de Arthur Bliss. Ela não faz parte do reportório standard internacional. Apesar das afinidades, em Portugal, o Grupo Vocal IDEA terá sido um dos seus poucos intérpretes (nos anos 90, este grupo de câmara reunia alguns alunos, ou ex-alunos, da Escola de Música do Conservatório Nacional, sob a direcção de Paulo Brandão – foi aí que conheci esta página coral). Trata-se de uma obra para coro (SATB, a cappella) sobre um dos poemas mais conhecidos de Fernando Pessoa, numa «tradução livre» para língua inglesa, realizada por Alan Goodison.
A obra resultou de uma encomenda do Primeiro-Ministro do Reino Unido, Edward Richard George Heath, para um jantar oferecido em honra do seu homólogo português, Marcelo Caetano, realizado no Royal Naval College, no dia 16 de Julho de 1973. A estreia coube ao grupo vocal St. Margaret’s Singers, sob a direção de Martin Neary. Este acontecimento diplomático celebrava o 600º aniversário da aliança anglo-portuguesa.
Em 1950, a coroa inglesa tinha atribuído a Arthur Bliss o título de Master of the Queen’s Music. Esta fase da sua vida corresponde a uma mais evidente presença de criações para as cerimónias reais e outros acontecimentos diplomáticos – veio a falecer em 1975. Depois de um período marcado pelas vanguardas pós-stravinskianas, Bliss abraça a estética que prolonga a posteridade de Elgar na música britânica. As suas páginas mais conhecidas, resultam da sua criação para o cinema e para o teatro – o filme Things to Come (1943-45) será, talvez, o testemunho mais notável deste labor criativo. As influências coreográficas e cinematográficas trouxeram para a sua música uma grande intensidade dramática, que se exprime no uso colorístico das tensões harmónicas. Na obra que aqui se apresenta, esses recursos estão ao serviço da evocação de uma heroicidade nostálgica, que o compositor britânico descobre no poema de Pessoa. Na perícope poética «O sea» («Ó mar»), que abre e fecha a obra coral, ouve-se o anúncio de uma epopeia. por Alfredo Teixeira

Mais textos e crónicas sobre Fernando Pessoa no Bioterra.

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