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quarta-feira, 23 de março de 2005

CARTA ABERTA AOS REPRESENTANTES DA ESSON-MOBIL EM PORTUGAL

Uma iniciativa do Grupo Gaia Porto!! Depois de ler isto ainda vai comprar gasolina nos postos ESSO? 
Excelentíssimos Senhores, Num dos períodos mais conturbados que a humanidade enfrenta, cumprem-se 2 anos desde que as tropas norte-americanos deram início à invasão do território iraquiano desencadeando assim um processo que resultou, e continua a resultar, na morte de milhares de civis inocentes assim como a destruição de praticamente todas as infra-estruturas económicas do país. Nos Estados Unidos da América, potência hegemónica - ao nível militar, económico e ideológico -, são os interesses de determinadas entidades corporativas, com um elevado poder económico (a maior parte dessas corporações possui uma riqueza financeira em muitos casos superiores ao P.I.B. de diversos países), que acabam por determinar e configurar a orientação e agenda dos principais agentes políticos do país. Essa agenda, pelas suas características dominantes, acaba por ditar hoje a realidade de cerca de 6 mil milhões de indivíduos em todo o planeta .A base do fundamentalismo neo-conservador republicano radica no poder económico e político de determinadas empresas que estabelecem como princípio primordial de toda a sua acção o seu próprio lucro financeiro, indiferentes aos custos ecológicos e sociais, entre outros, que a obtenção desse lucro possa implicar. Entre elas adquire particular preponderância, destacando-se pelo seu peso económico e complexa rede de influências que possui ao nível da presente administração republicana, assim como o seu envolvimento na questão iraquiana, a empresa que representam: a EssoMobil. Naquilo que não é certamente uma coincidência, é também uma das corporações que mais activamente tem exercido uma enorme e eficaz pressão junto das instâncias governamentais republicanas no sentido de inviabilizar aquela que é uma das únicas e mais importantes iniciativas, o único tratado internacional, destinadas a estabelecer medidas práticas no sentido de enfrentar o problema do aquecimento global: O protocolo de Quioto. O que nos opõem, então, à conduta da EssoMobil? Desde 1997 a EssoMobil despendeu um valor semelhante a 47 milhões de dólares em actividades de “lobbying” junto de diversas instâncias governamentais. Nas eleições de 2000 destinou cerca de 89% do seu orçamento para financiamento eleitoral na eleição de candidatos republicanos. Obviamente que esse investimento, como ficou demonstrado por toda a linha política da administração Bush, terá tido o seu retorno em benefícios diversos. Através de uma forte e eficaz política de “lobbying” a Esso foi capaz de assegurar a retirada dos Estados Unidos do Protocolo de Quioto, garantindo assim que os E.U.A., ao invés de procederem a uma mudança de orientação alicerçada no desenvolvimento das energias renováveis, persistissem utilizando um velho e cada vez mais inviável modelo de desenvolvimento (mas altamente lucrativo para a Esso) baseado na dependência do país e de toda a economia mundial em relação aos combustíveis fósseis. Para além desse facto, a EssoMobil continua a negar qualquer responsabilidade pelas alterações climáticas, financiando de forma explícita estudos e cientistas detractores das evidências científicas que apontam para a gravidade das alterações climáticas, e a despender milhões de dólares em campanhas de desinformação. Tem também vindo a tentar, de forma persistente, desacreditar as evidências científicas mais inquestionáveis que demonstram uma óbvia correlação entre o aquecimento global e a utilização de energias fósseis. Em Abril de 2002, o Dr. Robert Watson, presidente do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (umas das mais importantes autoridades científicas sobre o assunto), foi destituído do seu cargo graças à pressão exercida pela delegação governamental norte-americana, isto alguns meses após o envio de uma carta por parte da Esso à administração Bush no sentido de pedir apoio no afastamento do Dr. Watson. Ao contrário de outras companhias petrolíferas, que dão os primeiros paços no sentido de investir em energias limpas, a EssoMobil continua a persistir na sua filosofia conservadora de não investir virtualmente nada em energias renováveis e obstar de forma activa e esses esforços. A Esso possui também um registo histórico que evidencia um confrangedor desrespeito pelos direitos humanos, nomeadamente no que diz respeito a uma gravíssima cumplicidade na violação de direitos humanos em Aceh, na Indonésia, tendo mesmo cedido as suas instalações para a realização de interrogatórios e prática de tortura. Ou pela brutal opressão sobre diversos movimentos de cidadãos organizados contra a construção de alguns oleodutos no Chade e nos Camarões. Entre outros casos. Em 1999, aquando da sua fusão com a Mobil, a Esso foi a primeira empresa norte-americana a rescindir com um acordo de não discriminação em função da orientação sexual dos trabalhadores. Ao nível da destruição de diversos ecossistemas naturais a conduta da Esso não é, também, de menor importância ou de natureza menos danosa: A construção de diversos oleodutos e poços de extracção em diversas áreas do planeta têm contribuído para a destruição irreversível de diversos habitates. Destacam-se, por exemplo, diversas áreas protegidas no Árctico, nas Ilhas Sakhalin - Rússia, diversas zonas de floresta tropical até então virgem no Chade e Camarões, entre outras áreas no Alaska e Canadá. Trinta anos depois da tragédia do Exxon Valdez, no Alasca, a factura da limpeza das costas do Alasca continua ainda, em larga medida, por ser paga pela Esso. É ainda de referir que as próprias refinarias da Esso são responsáveis pela deterioração das condições de vida de diversas comunidades, disseminando em seu redor substâncias químicas e gases poluentes em locais onde as pessoas vivem, trabalham e as crianças brincam. Na sequência da vaga de “despenalização” das autoridades americanas face às agressões ambientais por parte dos grandes agentes poluidores, as refinarias serão autorizadas a aumentar as suas emissões de forma dramática. A EssoMobil é a maior companhia petrolífera do mundo e, simultaneamente, através das instâncias de poder norte-americanas, uma das companhias mais influentes à escala global. Certamente podemos afirmar que se temos hoje uma mundo repleto de conflitos bélicos e invasões militares efectuadas em prol do acesso a bens geo-estratégicos como o petróleo ou toda uma sociedade baseada num paradigma energético insustentável, alicerçado nas energias fósseis, isso deve-se, sem esquecer também a (ir)responsabilidade política da actual administração, à capacidade que corporações como a EssoMobil, e muito particularmente a EssoMobil, têm de determinar a agenda política da maior potência mundial e os contornos de actuação da generalidade das entidades monetárias e políticas internacionais. Hoje, mais do que nunca, é importante sabe-lo e compreender as suas implicações. Dessa forma denunciamos também as responsabilidades que a EssoMobil tem no desencadear de uma das mais violentas invasões militares dos últimos tempos: A invasão do Iraque e a consequente morte (sem referir sequer os feridos) de cerca de 100 mil civis inocentes (números aproximados). Por todos estes motivos encontrámo-nos aqui hoje a desenvolver esta acção de protesto e sensibilização e, assim, o GAIA vem demonstrar o seu apoio à “Stop ExxonMobil Alliance” naquilo que constitui um esforço sem precedentes de diversas organizações ecológicas e grupos de defesa dos direitos humanos e pró-democracia no sentido de denunciar as “nublosas” práticas e sistemáticos abusos da EssoMobil, prometemos, ainda, tudo fazer no sentido de obstar à política ignominiosa e conduta de actuação que a entidade que representam tem vindo a desenvolver no nosso planeta. Atenciosamente, GAIA - Porto Mais informação disponível em: http://www.pacificenvironment.org/stopexxonmobil 

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