sábado, 31 de maio de 2014

Encontros Improváveis- Miguel Torga e Julianna Barwick

Andam pela Terra os Poetas

Aos Poetas

Somos nós
As humanas cigarras!
Nós,
Desde os tempos de Esopo conhecidos.
Nós,
Preguiçosos insectos perseguidos.
Somos nós os ridículos comparsas
Da fábula burguesa da formiga.
Nós, a tribo faminta de ciganos
Que se abriga
Ao luar.
Nós, que nunca passamos
A passar!...

Somos nós, e só nós podemos ter
Asas sonoras,
Asas que em certas horas
Palpitam,
Asas que morrem, mas que ressuscitam
Da sepultura!
E que da planura
Da seara
Erguem a um campo de maior altura
A mão que só altura semeara.

Por isso a vós, Poetas, eu levanto
A taça fraternal deste meu canto,
E bebo em vossa honra o doce vinho
Da amizade e da paz!
Vinho que não é meu,
mas sim do mosto que a beleza traz!

E vos digo e conjuro que canteis!
Que sejais menestreis
De uma gesta de amor universal!
Duma epopeia que não tenha reis,
Mas homens de tamanho natural!
Homens de toda a terra sem fronteiras!
De todos os feitios e maneiras,
Da cor que o sol lhes deu à flor da pele!
Crias de Adão e Eva verdadeiras!
Homens da torre de Babel!

Homens do dia a dia
Que levantem paredes de ilusão!
Homens de pés no chão,
Que se calcem de sonho e de poesia
Pela graça infantil da vossa mão!

Miguel Torga, Odes

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Redes Sociais na Educação: miragem ou realidade?

“A bem dizer, mal começamos a habitar esta casa nova que nem sequer acabámos de construir. Muito embora as palavras continuem a ser as mesmas, as noções de separação, de ausência, de distância, de retorno, já não contêm as mesmas realidades. Para a compreensão do mundo de hoje, usamos uma linguagem criada para o mundo de ontem. (...) Cada progresso nos empurrou um pouco mais para fora de hábitos que mal acabáramos de adquirir, e em boa verdade somos emigrantes que ainda não fundaram a sua pátria. Somos todos bárbaros jovens a quem novos brinquedos ainda deslumbram” . 

Adaptado de “A Terra dos Homens” (1995:39-40), Antoine de Saint–Exupéry

quinta-feira, 29 de maio de 2014

10 plantas que parecem inofensivas, mas são super venenosas

Elas parecem bonitas e inofensivas, mas carregam venenos poderosos e muito perigosos tanto para nós como para animais. Conheça agora tipos de 10 plantas perigosas.

1) ACÁCIA.

Assassina profissional, a acácia desenvolveu uma técnica primorosa para assassinar seus predadores. Quando é atacada, as folhas liberam etileno gasoso. O gás é facilmente detectado por outras acácias na região, que começam a produzir tanino em quantidade suficiente para matar os antílopes que delas se alimentam.
2) ANTÚRIO .
Exótica e exuberante, essa planta é também altamente tóxica. Quando ingerida por humanos, pode causar lesões na boca, faringe e laringe, vômito, dificuldade de engolir e asfixia. São especialmente perigosas para crianças e animais de estimação.

3) CRISÂNTEMOS .
Perigosas para cães e gatos, essas flores bonitinhas também podem causar intoxicação em seres humanos. Na maior parte das vezes, os sintomas são coceira e dermatite.

4) DEDALEIRA.
As folhas da dedaleira-roxa podem ser mortais para crianças e animais pequenos devido à alta concentração de digitalina. Por outro lado, pequenas quantidades dessa substância são usadas no tratamento de alguns problemas cardíacos.

5) HORTÊNSIAS .
O veneno da hortênsia pode causar convulsões, dores de barriga, vômitos e, em casos mais graves, coma. Essa não é a planta mais indicada para criar em lugares com animais e crianças pequenas.

6) LÍRIO DO CAMPO .
Um pouquinho dessas plantas provavelmente não faz mal a ninguém, mas, dependendo da quantidade ingerida, o lírio do campo pode causar náuseas, vômito, diarreia e cãibras. Mais assustador ainda é o fato de que elas também podem tornar os seus batimentos cardíacos mais lentos e irregulares.
7) NARCISOS .
Os bulbos dos narcisos, se ingeridos em grandes quantidades, também podem causar náuseas, cólicas e diarreia.

8) OLEANDRO .
Considerada por muitos a planta mais venenosa do mundo, o oleandro pode provocar um efeito devastador no coração de quem ingere, além de provocar dores abdominais, pulsação acelerada, diarreia,irritação da boca, náusea e vômitos. Uma única folha pode matar uma pessoa.

9) RODODENDRO.

O gênero Rododendro, que inclui as azaleias, também entram na lista das plantas bonitinhas, mas ordinárias. A ingestão pode causar distúrbios digestivos, hiper ou hipotensão cardíaca, acarretando consequentemente bradicardia e arritimias.

10) WISTERIA.

Essa trepadeira com belas flores é muito usada em decoração pois dá um ar romântico ao ambiente. No entanto, todas as partes dessa planta são tóxicas e podem causar náuseas, diarreia, vômito e cólicas.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Ted Talk- A utopia da imortalidade: Stevens Rehen


Promovendo o encontro entre a Arte e a Ciência, Stevens coordena o projecto DNA Brasil onde, junto com uma designer, transforma o material genético das pessoas em quadros incríveis. Essa foi a forma que ele encontrou para trazer mais recursos ao Laboratório Nacional de Células-Tronco Embrionárias (LaNCE-UFRJ). Stevens é Professor titular do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ, membro afiliado da Academia Brasileira de Ciências, da Academia de Ciências do Mundo em Desenvolvimento e Fellow do Pew Latin American Program em Ciências Biomédicas dos Estados Unidos. Especialista em células-tronco pluripotentes, trabalhou na Universidade da Califórnia e no Instituto Scripps dos Estados Unidos. É autor do livro "Células-tronco: o que são? Para que servem?", da Editora Vieira e Lent. Vencedor do Prémio Faz Diferença de 2011, na categoria:"Ciência/História", pelo jornal O Globo e por duas vezes na lista das 100 pessoas mais influentes do país da revista época (2009 e 2011).

terça-feira, 27 de maio de 2014

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Comida - Saiba o que de mais estranho anda a ingerir desde que nasceu

Pense na quantidade de comida processada que come ao longo da sua vida. Pois bem, o melhor é mesmo não saber como é que tais alimentos são feitos.
Fonte: Notícias ao Minuto

O Huffington Post desvenda alguns dos mistérios por detrás de alimentos que são considerados inofensivos, mas que se tornarão intrigantes após ler o que se segue.
  1. Secreções anais de castor surgem em alimentos como substitutos de aroma de baunilha, sob o nome castóreo.
  2. Já nos Bagels (tipo de pão) e alguns bolos pode ser encontrado L-Cysteine, uma substância feita à base de cabelos humanos e penas de pato.
  3. Os corantes alimentares contêm, por sua vez, alcatrão à base de carvão, que pode ser alternado com petróleo.
  4. Nos molhos para saladas encontra-se, por incrível que pareça, antidescongelante usado em radiadores, também designado Propileno Glicol.
  5. Sabia que alguns dos óleos vegetais que vê na lista de ingredientes de sumos de citrinos são, em vez de óleos alimentares, retardadores de chamas?
  6. E que os nuggets de frango contêm aditivos de biodiesel sob o nome de Tertiary butylhydroquinone, também usado em vernizes, pastilhas elásticas e biscoitos de queijo?
  7. Para controlar a humidade no sal, é frequentemente usada areia.
  8. Já nos cereais, é possível encontrar aditivo de combustível de aviões, com funções antioxidantes.
  9. Por fim, saiba que quando come caviar pode estar a consumir bórax, conhecido como detergente de limpeza, sob o nome E285.   

sábado, 24 de maio de 2014

Caixão da Razão

Mundo Cão- "Caixão da Razão"
Gente lacaia
Presa no luxo
Meu Himalaia
É ser gaúcho

Quero ser animal
Velho cão sem bordão
A lamber triunfal
O caixão da razão

Cuidado com essa
Sereia
Cuidado que morde
Sem peia

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Usando o facebook na Educação


[Fonte: Integrar Tecnologia na Educação] Todo professor que busca maneiras para diversificar a aprendizagem dos alunos pensa em usar as tecnologias como aliadas. Mas antes de lançar mão de aplicativos inéditos de educação, vale conferir os recursos oferecidos por ferramentas já conhecidas e amplamente disseminadas entre alunos e professores. É o caso do Facebook, que lançou, há alguns meses, o Facebook for Educators (com versão em português), com dicas sobre como professores podem se apropriar das redes para melhorar os processos de ensino e aprendizagem.

Hoje, praticamente todos os alunos estão conectados. Segundo dados da pesquisa TIC Kids Brasil Online, 70% dos jovens brasileiros com idades entre 9 e 16 anos que têm acesso à internet participam ativamente de alguma rede social. Com este cenário, de crescimento dos acessos em todo o mundo, o Facebook mapeou algumas práticas para deixar os professores ligados na segurança, na importância de uma comunicação clara nas redes e na utilização da ferramenta para desenvolvimento profissional e de boas práticas sociais no mundo digital.

7 pilares do Facebook na educação

♣Ajudar a desenvolver e seguir o projeto político-pedagógico da escola sobre o Facebook;
♣Incentivar os alunos a seguir as diretrizes do Facebook;
♣Permanecer atualizado sobre as configurações de segurança e privacidade no Facebook;
♣Promover a boa cidadania no mundo digital;
♣Usar as páginas e os recursos de grupos do Facebook para se comunicar com alunos e pais;
♣Adotar os estilos de aprendizagem digital, social, móvel e “sempre ligado” dos alunos do século 21;
♣Usar o Facebook como recurso de desenvolvimento profissional.

Uma das principais indicações para as escolas é a inclusão de uma política de uso da rede social pela instituição - o que pode estar estipulado, inclusive, no projeto político-pedagógico da escola. O objetivo é que o uso das redes contribua, de verdade, para o dia-a-dia de educadores e alunos, com a criação de grupos, a realização de atividades em rede e o compartilhamento de informações relevantes para a formação.

O documento desenvolvido pelo Facebook explica todas as ferramentas disponíveis dentro da rede social e indica como elas podem ser utilizadas no cotidiano na escola. Ela também recomenda sites e outras páginas para te ajudar nesta missão. Não deixe de ler, na íntegra, o Facebook for Educators

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Uma cosmologia medieval reformulada pela matemática moderna

Modelo geocêntrico do Universo, numa ilustração de 1568 pelo cosmógrafo e cartógrafo português Bartolomeu Velho BARTOLOMEU VELHO/BIBLIOTECA NACIONAL DE FRANÇA
“E assim, a luz (…), pela sua natureza mesmo, multiplicou-se infinitas vezes e espalhou-se uniformemente em todas as direcções. Foi desta forma que, no início do tempo, ela estendeu a matéria, que não podia deixar atrás, arrastando-a com ela e formando uma massa do tamanho do Universo material.” Esta descrição do início do cosmos, muito evocadora da moderna teoria do Big Bang, foi escrita… em latim, por um bispo e cientista medieval inglês, Robert Grosseteste (c.1175-1253). 

Agora, foi revisitada por uma equipa internacional de físicos, cosmólogos, historiadores, filósofos, latinistas, no âmbito de um projecto (The Ordered Universe Project) apoiado pelo Conselho britânico de Investigação nas Artes e Humanidades. “Este projecto representa uma maravilhosa e única fusão entre especialistas medievais e cientistas modernos”, disse ao PÚBLICO Giles Gasper, medievalista da Universidade de Durham (Reino Unido) e um dos principais autores do trabalho. O estudo revelou que os problemas teóricos com que se defrontam os cosmólogos modernos já existiam há 800 anos (apesar de ser muito improvável que Grosseteste tivesse consciência deles). Os resultados vão ser publicados em breve na revista Proceedings of the Royal Society A (mas já estão disponíveis no site arxiv.org). 

Em 1225, no seu curto tratado Da luz ou o início das formas, Grosseteste expunha a primeira explicação científica de sempre da origem do Universo. Claro que, na altura, pensava-se que a Terra, imóvel, era o centro de tudo e que as estrelas e os planetas giravam em torno dela. Claro que Grosseteste não dispunha de ferramentas matemáticas para traduzir as suas palavras em fórmulas. E claro que não inventou a teoria do Big Bang, que deriva das equações da Teoria de Relatividade de Einstein e descreve uma realidade física totalmente diferente. 

Mas, mesmo assim, o texto (disponível desde 1942 numa tradução em inglês, a partir da qual traduzimos o excerto acima) não deixa de ser impressionante pela modernidade das ideias que expõe. Foi por isso que Gasper e Richard Bower, físico da mesma universidade, juntamente com outros colegas, quiseram reinterpretá-las à luz da linguagem matemática de hoje – e a seguir, simulá-las num computador para ver se produziriam um Universo tal como Grosseteste o concebia no século XIII. 

“O trabalho que Grosseteste fez no seu De Luce é nada menos do que revolucionário”, disse-nos Bower. “A sua explicação do Universo vai para além de todas as anteriores. Aristóteles concluíra que o Universo não tinha início nem fim, mas Grosseteste diz exactamente o contrário, começando por propor uma nova teoria da matéria e desenvolvendo-a numa explicação da criação do Universo. Ou seja, trabalha como um cosmólogo moderno, propondo leis físicas e seguindo-as até ao fim. Acho isso espantoso.” 

Texto completo no Público de 18/03/14