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terça-feira, 20 de junho de 2017

Tragédia de Pedrógão Grande: "Estás a ver no que dá terem acabado com os Serviços Florestais?"



Por
Nos momentos em que escrevo estas linhas está a desenrolar-se uma das maiores tragédias florestais em Portugal, senão mesmo a maior. E estas notas não terão a ver directamente com o caos dos incêndios que nesta altura atacam o centro do nosso país mas têm indirectamente. E a resposta está no telefonema que me foi feito, a meio da manhã, pelo Prof. Jorge Paiva da Universidade de Coimbra, que me dizia desesperado: “Estás a ver no que dá terem acabado com os Serviços Florestais?”

Numa primeira abordagem, esta tragédia de hoje deveu-se a um conjunto de situações atmosféricas que seriam imprevisíveis, e sobretudo porque, ao acontecerem perto da noite, inviabilizaram a intervenção dos meios aéreos de combate aos incêndios.

Mas alguém garante que na grande extensão e propagação do fogo não estavam como causa também as más condições de limpeza das matas? Alguém garante que não foi o barril de pólvora que está contido nas falta de limpeza do sub-bosque das matas? O Comandante Jaime Soares em poucas palavras, numa entrevista a Victor Gonçalves da RTP, disse o que muitos de nós andamos a dizer há décadas: a montante destas tragédias está a falta de uma politica florestal correcta, de ordenamento, limpeza e vigilância das matas.

Chamemos as coisas pelos seus nomes: foi num Governo PS que foi extinto o Corpo de Guardas Florestais que existia nos Serviços Florestais e os seus efectivos foram integrados na GNR. Erro crasso, naquela perspectiva neo-liberal de “menos Estado para melhor Estado”.

Está-se mesmo a ver, não está ?

Os guardas florestais não eram polícias, eram actores fundamentais da vigilância das matas, integrados numa cadeia de comando especializada que ia dos velhos Mestres Florestais aos Administradores Florestais e até aos Chefes de Circunscrição. Eles não têm que ser comandados por sargentos ou tenentes. têm de ser comandados por quem sabe dos problemas das florestas,

Depois desta asneira socialista, o Governo PSD/CDS pela mão do sábio e secretário de Estado do queijo limiano, e perante a apatia da ministra do CDS e dos sociais-democratas (que tinham obrigação, pelo seu historial , de serem mais competentes em matéria ambiental) acabou de vez com os serviços florestais e integrou-os no Instituto da Conservação da Natureza. Cereja em cima do bolo da asneira!!

É preciso ter bom senso e acabar de vez com esta situação anómala de sermos talvez o único país do mundo com tanta área florestal e não termos Serviços Florestais nem um Corpo de Guardas Florestais.

Perdeu-se a grande sabedoria do velhos Mestres Florestais, senhores das serras e das matas que eles conheciam como as suas próprias mãos; mas ainda há na GNR umas centenas de antigos guardas florestais que podem ser o embrião de um novo corpo especializado.

Tenham vergonha de dar a mão a palmatória e façam aquilo que desfizeram, reponham os Serviços Florestais no Ministério da Agricultura e Florestas (chamem-lhe Instituto, chamem-lhe o que quiserem), com a dignidade que eles nunca deviam ter perdido, reponham a funcionar a quadrícula de casas e postos florestais que são quem pode assegurar a vigilância permanente das serras do país, dêem a esses postos as novas tecnologias e os novos meios de comunicação e dêem de novo aos guardas florestais a capacidade legal de continuarem a vigiar as matas, de obrigarem os proprietários a limpar e a ordenar as matas.

Também acabaram com os guarda-rios e nunca mais as margens e leitos da maior parte das ribeiras foram limpas, como eram quando esses agentes obrigavam os proprietários marginais das linhas de água a limparem as margens dos seus terrenos.A terrível tragédia que nos aflige, que ao menos sirva de aviso para o que pode acontecer este Verão, com tanta área de pastos secos debaixo de temperaturas cada vez mais quentes, já que ninguém liga aos avisos dos cientistas, portugueses e internacionais, sobre as alterações climáticas graves que estão em curso e que afectarão muito em especial o Mediterrâneo e a nossa Península. Lá que o Trump não acredite nisso, é lamentável mas para quem é poucochinho não se pode exigir mais. Mas a governos responsáveis temos de exigir muito mais.

A minha voz não tem peso político nem público, mas tem a experiência de muitos anos embrenhados nestes problemas. Ouras vozes com maior ressonância certamente me darão razã

Ex-Administrador Florestal, fundador e 1º Presidente do SNPRPP

Mais Leituras
1. "O que é que falhou neste sábado?" Público, 18 de Junho de 2017
2. Estudo científico Grandes incêndios florestais em Portugal Continental. Da história recente à atualidade, por Flora Ferreira-Leite, António Bento-Gonçalves e Luciano Lourenço

sábado, 20 de maio de 2017

Quercus desafia os portugueses a apreciarem ervas daninhas

Fonte: Publico
O desafio é apreciar as ervas daninhas e passá-las para o papel. A Quercus e a Urban Sketchers, associação que promove o desenho em cadernos ou diários gráficos, juntaram-se com o objectivo de promover a apreciação das ervas espontâneas no espaço urbano, encontrar beleza nelas e recusar a utilização de herbicidas para as erradicar. "Estas ervas espontâneas passavam-me ao lado e com esta desafio passei a reparar na beleza que realmente têm", explica Henrique Vogado, da direcção dos Urban Sketchers Portugal.

A mudança de mentalidades é o primeiro passo para acabar com o uso de herbicidas químicos, nomeadamente o glifosato que é o mais vendido em Portugal, no controlo das plantas infestantes. “É necessário explorar o lado estético das ervas que surgem nas rotundas, bermas, à volta dos postes, nos corredores centrais e perceber que estas plantas não estão a fazer mal nenhum e que fazem parte da paisagem urbana”, refere Alexandra Azevedo, responsável pela Campanha Autarquia sem Glifosato da Quercus. "E nós já temos o hábito de desenhar todos os dias, mas agora estamos a fazê-lo por uma causa ambientalista", acrescenta Henrique Vogado, citado em comunicado

O desafio pode ser aceite por qualquer pessoa durante o mês de Maio, dada a sazonalidade das plantas. Os desenhos das plantas devem indicar a freguesia e/ou o concelho onde foram feitos e devem ser enviados para o email hvogado33@gmail.com, em resolução de imagem de 300 dpi. Dos desenhos enviados pelos participantes, alguns irão ser seleccionados para uma futura exposição itinerante da Quercus em parceria com a Urban Sketchers.

A Quercus tem procurado alertar as autarquias locais para darem espaço à natureza sem recorrer a herbicidas através da campanha “Autarquias sem Glifosato/Herbicidas”, lançada em 2014. E defende alternativas não químicas e viáveis para o controlo e manutenção das plantas espontâneas são, por exemplo, a monda mecânica (motorroçadora e destroçadores) ou a monda térmica (queimadores a gás de calor directo ou indirecto, jacto de água quente, vapor de água ou de espuma para fazerem a lavagem e deservagem). Os municípios de Braga, Lousada, Vila Real, Porto, Castelo de Paiva, São Vicente (Madeira), Cabeceiras de Basto, São Pedro do Sul, Castro Verde, Vila Nova de Paiva e Alcanena já aderiram.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Diga SIM à campanha Living Land!

O sistema agrícola europeu está obsoleto, é desvastador para o nosso clima e ambiente e está também a falhar para com as nossas comunidades rurais. Diga agora à Comissão Europeia para reformar radicalmente a Política Agrícola Comum europeia de modo a ajudar os agricultores, proteger a natureza e a nossa saúde. Levante a sua voz agora! Diga SIM à campanha Living Land

segunda-feira, 20 de março de 2017

A politica "não no meu quintal" continua

O Reino Unido exportou 67% dos resíduos de plástico que produziu em 2016.



O problema é ainda mais escandaloso pois esses resíduos de plástico poderão ter sido incinerados ou enterrados em vez de serem reciclados como diz a indústria. Greenpeace.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Um milhão de assinaturas para banir glifosato da União Europeia

Começou ontem, dia 8 de Fevereiro a recolha de assinaturas para proibir o uso de um dos principais componentes dos pesticidas ao nível mundial. O objectivo é recolher um milhão de assinaturas para levar problemática à Comissão Europeia.

Assinar e obter impressos aqui

O glifosato é o principal componente dos pesticidas ao nível mundial, sendo amplamente usado em agricultura e nas áreas urbanas. Nos últimos anos, tem gerado crescente discussão acerca da sua utilização. A partir desta quarta-feira, dezenas de organizações não governamentais (ONG) de toda a União Europeia (UE) iniciaram a mobilização de cidadãos para banir o glifosato. Em Portugal, as ONG envolvidas agregaram-se na Plataforma Transgénicos Fora.

A recolha de assinaturas foi criada enquanto iniciativa de cidadania europeia (ICE). A ICE é um instrumento de participação cívica introduzido pelo Tratado de Lisboa, que define a apresentação de propostas legislativas à Comissão Europeia mediante a recolha de um milhão de assinaturas. O objetivo desta iniciativa é travar a renovação da autorização de uso do glifosato.

“Existe alguma falta de dados concretos em relação ao seu impacto epidemiológico, ou seja, em relação ao impacto em pessoas expostas. No entanto, sabe-se que em animais de laboratório causa cancro. Sabe-se também que é o herbicida mais usado em Portugal e no mundo e que os portugueses estão particularmente contaminados”, afirma Mariana Silva, uma das coordenadoras da Plataforma Transgénicos Fora.

Com efeito, a substância foi classificada em março de 2015 pela Agência Internacional para a Investigação do Cancro da Organização Mundial da Saúde como “carcinogénica para animais de laboratório” e “provavelmente carcinogénica para o ser humano” .
O papel da Comissão Europeia

Todas as substâncias ativas utilizadas em pesticidas têm de ser aprovadas pela UE. O glifosato, em utilização desde os anos 70, está em processo de renovação da autorização. A Comissão Europeia estendeu o prazo da decisão de forma a aguardar a publicação de um parecer por parte da Agência Europeia dos Produtos Químicos (ECHA), que estará pronto, no máximo, até ao final deste ano.

Entretanto, a Comissão Europeia fez recomendações aos Estados-membros, entre elas a minimização do uso da substância em parques e jardins de infância públicos. A Plataforma Transgénicos Fora considera-as “medidas positivas, mas que ficam ainda muito aquém do necessário para garantir a segurança dos portugueses”.

Mariana Silva considera que a ação da Comissão Europeia relativamente à problemática tem sido insuficiente. “A renovação da autorização do glifosato tem tido tantas falhas, tantas quebras de credibilidade, têm havido tantas notícias a expor a falta de transparência e de independência das sucessivas decisões, que as pessoas estão particularmente irritadas no que toca ao comportamento da Comissão Europeia e de outras estruturas europeias”, afirma a bióloga.

Por sua vez, a Comissão Europeia, em comunicação em junho de 2016, responsabilizava os Estados-membros pela inação face ao assunto. A instituição europeia chamou a atenção para o facto de não ter havido maioria qualificada nem no Comité Permanente nem no Comité de Recurso aquando da discussão do assunto.

Mariana Silva concorda que a responsabilidade também passa pelos Estados-membros, mas indica que “a Comissão Europeia tem, do ponto de vista político, a indicação clara de que a população europeia não quer a renovação do glifosato.” A bióloga remata: “O problema é que a Comissão Europeia não quer seguir essa indicação política e tem estado a fechar os olhos às indicações científicas”.
Portugal é o mais contaminado mas não faz análises

Análises a 26 voluntários portugueses demonstraram os níveis de contaminação mais altos de que há registo. A única exceção diz respeito a análises feitas nos Estados Unidos a agricultores que tinham acabado de aplicar glifosato nas colheitas. “Os voluntários [do estudo] não estavam a aplicar glifosato, portanto, para pessoas que não são agricultores nem têm exposição profissional, estes são os valores mais elevados alguma vez detetados no mundo”, explica Mariana Silva.

O estudo foi conduzido no ano passado pela Plataforma Transgénicos Fora em colaboração com o Detox Project. Esta foi a primeira análise feita no país em mais de uma década. As análises aos pesticidas estão regulamentadas em legislação europeia e incluem o glifosato. No entanto, em Portugal as análises a esta substância não têm sido realizadas, situação que Mariana Silva considera “completamente anómala”. A bióloga aponta o dedo aos “sucessivos governos que andaram a fechar os olhos”.
Falta de transparência e prazos a cumprir

Para além de querer banir o uso do herbicida, esta iniciativa tem como objetivos adicionais garantir a transparência e independência nos processos de autorização de pesticidas, bem como impor prazos obrigatórios para a redução progressiva do uso de todos os pesticidas.

“Neste momento, não há transparência. Os pesticidas e outros químicos são avaliados com base em estudos que não são publicados, secretos, que o público e cientistas independentes não podem avaliar, não podem criticar e não podem validar”, o que abre a porta “à corrupção e ao conflito de interesses”, afirma Mariana Silva.

Relativamente à redução progressiva do uso dos pesticidas, a bióloga explica que já existe legislação para conseguir essa redução, mas que a “Comissão ainda não avaliou se essa Diretiva está ou não está a cumprir essa função”.
Atingir um milhão em meio ano

A Comissão Europeia irá emitir uma decisão quando receber o parecer da Agência Europeia dos Produtos Químicos (ECHA), esperado até ao final de 2017. Isto significa que a iniciativa terá de recolher um milhão de assinaturas “até ao verão”, indica Mariana Silva.

“Esta iniciativa só faz sentido antes da Comissão Europeia comunicar a sua decisão. A partir do momento em que renove o glifosato por 10 ou 15 anos, a iniciativa perde o seu peso porque será muito mais difícil reverter. O Tratado de Lisboa prevê um ano para estas iniciativas, mas na verdade temos poucos meses”, explica a coordenadora da Plataforma Transgénicos Fora.

A bióloga acredita que já há muitas pessoas em alerta para o assunto, o que irá possibilitar a recolha do total de assinaturas. “Já há uma preocupação latente que agora esta iniciativa vai permitir trazer ao de cima”, explica.

“O sucesso desta iniciativa em Portugal vai depender exclusivamente da importância que as pessoas lhe derem”, afirma. Mariana Silva acredita, no entanto, que o facto da própria iniciativa existir já é sinal de mobilização e de preocupação pública.

Para que a iniciativa seja levada à Comissão Europeia, é preciso que sejam recolhidas, até dia 25 de janeiro de 2018, um milhão de assinaturas e que, pelo menos, sete Estados-membros atinjam um número mínimo de subscritores, que varia consoante o país.

Artigo editado por Filipa Silva

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Sim o glifosato é potencialmente cancerígeno

A Organização Mundial de Saúde (OMS) mantém a sua posição de que o herbicida glifosato causa cancro em animais de laboratório, por muito que isso tenha desencadeado a ira da indústria. Na entrevista abaixo é apresentada resumidamente a forma como o processo foi conduzido e reforçada a validade da sua conclusão. Afinal, o glifosato é ou não perigoso?

Afinal, o glifosato é ou não perigoso? O Insiders convidou o investigador Kurt Straif, da Agência Internacional para a Investigação do Cancro em Lyon, que começou por nos falar das conclusões do estudo que conduziu recentemente.
Kurt Straif: A nossa avaliação consiste numa revisão de toda a literatura científica em torno do glifosato e foi levada a cabo pelos melhores especialistas nesse domínio. Nenhum deles tem um conflito de interesses que possa manchar a opinião dada. E a conclusão é, sim, o glifosato é potencialmente cancerígeno para os humanos. Há provas concretas nos testes efetuados em animais; no que diz respeito aos humanos, há evidências relativamente a uma população de agricultores, embora os resultados sejam mais limitados; e também existem provas sólidas nos estudos toxicológicos que revelam nocividade para os genes.
Sophie Claudet, euronews: Tendo em conta essas conclusões, porque é que não se interdita o glifosato?
KS: Esta revisão da literatura científica é completamente independente e conduz-nos a uma classificação que assenta nos elementos que conhecemos da substância e, sobretudo, os riscos em termos de cancro. Mas depois cabe às outras agências, sejam nacionais ou internacionais, como a Organização para a Alimentação e Agricultura da ONU, a avaliação dos riscos, a tomada de decisões quanto ao grau de exposição ao produto – no domínio agrícola, alimentar ou cosmético – e a apresentação de conclusões.
euronews: No passado mês de maio, a FAO e a Organização Mundial de Saúde vieram atestar a ausência de riscos no uso do glifosato. O que é que mudou?
KS: O nosso parecer em termos de risco de cancro mantém-se. Nós somos o organismo que classifica as substâncias cancerígenas para a Organização para a Alimentação e Agricultura. Outro painel de peritos avaliou os limites diários de exposição na comida e definiu quais são as margens de segurança.
euronews: Mas em quem é que os agricultores, os consumidores em geral, as pessoas que frequentam os jardins públicos tratados com glifosato, devem acreditar?
KS: É importante realçar uma vez mais que o nosso parecer sobre o risco de cancro nos humanos provocado pelo glifosato mantém-se. Mas depois há outros pareceres baseados noutros contextos específicos. E sobre eles não me posso pronunciar.
euronews: Em maio, surgiram suspeitas de que alguns dos investigadores envolvidos nestes pareceres científicos teriam recebido subornos do grupo Monsanto, o principal produtor mundial de glifosato. Enquanto cientista, como é que olha para esta situação?
KS: É uma questão importante que necessita de ser escrutinada.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Portugal na lista europeia de estaleiros de reciclagem de navios seguros para os trabalhadores e o ambiente


Texto: Ana Clara
A Comissão Europeia adoptou a primeira versão da lista europeia de estaleiros de reciclagem de navios, o que permitirá ajudar a garantir que os navios são reciclados em instalações seguras para os trabalhadores e para o ambiente.
Todos os navios que naveguem com um pavilhão da UE, ao abrigo do Regulamento relativo à reciclagem de navios, devem fazer uso de um estaleiro aprovado para a reciclagem de navios.
Em Portugal, o estaleiro Navalria, no Porto Comercial de Aveiro, apresenta estas condições, pelo que consta da lista.
Este estaleiro possui uma doca seca para desmontagem, descontaminação e desmantelamento com capacidade, num plano horizontal, de 700 toneladas e, num plano inclinado, com capacidade 900 toneladas.
A lista europeia pode ser consultada aqui.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Cidade de Minas Gerais produz e distribui remédios naturais de graça para população

Cidade de MG produz e distribui remédios naturais de graça para população
Por , 08 out 2015
Tosse? Dor de garganta? Gases? Cólica? Enjoo? O uso de remédios naturais, feitos à base de ervas, para tratar problemas de saúde tem se popularizado cada vez mais no Brasil. A novidade da vez é uma Farmácia Verde mantida pelo próprio governo.

A iniciativa foi implantada pela prefeitura da cidade de Ipatinga, em Minas Gerais. Por lá, desde 1995, a população tem acesso gratuito a remédios naturais, produzidos no próprio município.

A Farmácia Verde fica localizada dentro do Viveiro Municipal, no bairro Jardim Panorama. O cultivo das plantas fitoterápicas fica a cargo da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos e Meio Ambiente, que encaminha as espécies para a Secretaria Municipal de Saúde, responsável pela produção dos 22 remédios naturais distribuídos gratuitamente para a população, mediante receita médica.

O interesse dos cidadãos é grande! Apenas em 2014, 13 mil unidades de remédios fitoterápicos foram distribuídos de graça na Policlínica da cidade e, também, nas farmácias das Estações Municipais de Saúde.

E os benefícios da iniciativa não param por aí: a Farmácia Verde ainda doa 60 tipos diferentes de ervas frescas para a própria população poder produzir chás fitoterápicos em casa. Tem interesse no assunto? Confira 35 plantas medicinais para não tomar remédio toda hora.

A Farmácia Verde de Ipatinga já serve de modelo para outros municípios. Ia curtir ter uma iniciativa como essa na sua cidade?

Foto: Divulgação/Prefeitura de Ipatinga

sábado, 31 de dezembro de 2016

As novas realidades em que vamos viver

A frase-chave de 2017 tem que ver com as realidades paralelas criadas pela ciência e pela tecnologia – de ambientes de realidade virtual a criações de inteligência artificial, passando pela terraformação de outros planetas. É ler, para não sermos surpreendidos pelo futuro.

Marte recriado para receber os humanos, com atmosfera e água, será uma das tendências científicas mais discutidas em 2017 


O Future Today Institute lança há uma década o Relatório de Tendências Tecnológicas para o ano que se segue. O trabalho é feito a partir de um mecanismo científico que analisa em contínuo as práticas tecnológicas e científicas que irão ajudar a definir o futuro.


Se é verdade que o mundo é cada vez mais complexo e o futuro se parece cada vez mais com um filme de ficção científica, são relatórios como estes que nos ajudam a antecipar o que aí vem e a adaptar comportamentos para os incluir nas nossas vidas. Seguem-se seis tendências para 2017 e três produtos inovadores que já aplicam algumas dessas tendências.

Inteligência artificial
A inteligência artificial é uma escolha óbvia nesta lista, tão óbvia que está contida dentro de praticamente todas as outras áreas de destaque. Como explica este relatório, há dois tipos de inteligência artificial: uma fraca, outra forte. A primeira verifica-se nos sistemas de recomendação típicos da Internet (sejam os produtos da Amazon, as músicas do Spotify ou os textos para ler a seguir no PÚBLICO). A segunda é a que permite a um sistema computacional tomar decisões de forma integrada, por enquanto ainda no campo da ficção científica.

Alguns dos aspectos mais sedutores do próximo ano neste campo estarão na evolução da aprendizagem que os sistemas artificiais poderão fazer – os algoritmos que lhes dão origem irão induzir uma auto-aprendizagem a partir de uma enorme quantidade de dados disponíveis. Um dos bons exemplos com conclusão para o próximo ano é o Watson, da IBM, que está a aprender a ler e interpretar imagens radiológicas para inferir o historial clínico de pacientes. E, regressando ao relatório, a tendência será a de deixar de programar os computadores. No futuro os computadores “serão treinados como cães”.

Robótica
Várias evoluções no campo da robótica permitem antever novidades muito interessantes para o próximo ano. Uma área a merecer especial atenção é a dos robôs cooperativos, que juntam várias máquinas para executar funções de forma coordenada – de forma bem mais evoluída do que aquela que se vê numa linha de montagem.

Também os robôs de companhia apresentam uma lógica promissora, especialmente porque será uma forma de a robótica entrar no mercado de massas. Com o envelhecimento geracional que se verifica nos países ocidentais, a tendência para desenvolver robôs de companhia será crescente. Nesse sentido, o mercado líder para estas transições será o Japão, onde o envelhecimento é maior e o investimento tecnológico está mais canalizado para aí.

Realidade misturada
Este é um novo termo que junta todas as várias tendências que relacionam o mundo real e a experiência em ambientes virtuais: a realidade aumentada, que sobrepõe uma camada virtual ao ambiente que rodeia o utilizador; a realidade virtual, que coloca o utilizador num ambiente totalmente virtual, já usado em jogos e filmes pioneiros; as câmaras especiais de 360 graus que criam vídeo e imagem em rotação completa; os produtos que apresentam hologramas, que são imagens tridimensionais, a partir de ecrãs como smartphones.

Estas aplicações vão começar a ser frequentes na indústria de entretenimento (jogos, filmes de terror, pornografia, clips musicais, etc.), seguindo, aliás, a tendência deste ano. Mas também deverão começar a invadir o ambiente profissional, com apresentações tridimensionais que ultrapassam o PowerPoint normal e com câmaras de 360 graus para aplicações de segurança e transmissão desportiva, entre muitos outros exemplos. Também vale a pena estar atento a aplicações de realidade virtual para tratar doenças como depressões e stress pós-traumático, bem como mecanismos de marketing para levar produtos até potenciais clientes.

Segurança
Se há uma nota a reter no ano informático de 2016, ela tem que ver com os escândalos de segurança. Dos Panama Papers aos emails de campanha de Hillary Clinton, nunca se falou tanto de segurança e pirataria informática – incluindo ao nível diplomático, visto que a mais recente polémica envolve a interferência da Rússia no processo eleitoral norte-americano.

Ao mesmo tempo, a pressão por parte desses mesmos Estados para criar mecanismos de intrusão nos aparelhos dos cidadãos tem também consequências na segurança dos mesmos. E se em 2016 o FBI colocou a Apple em tribunal por esta se recusar a dar acesso a um iPhone específico, em 2017 é de esperar que se renove a exigência de produção de um mecanismo de acesso privilegiado a software ou hardware (de perfis de redes sociais a telemóveis, passando pelos computadores pessoais e pelas contas de email).

Com a informática no centro das discussões sobre defesa e segurança, é de esperar que se renovem as competências informáticas das entidades policiais e militares – criando novas formas de espionagem e protecção da lei, abrindo também caminho a um reforço dos mecanismos legais para defesa e acusação relacionados com actividades digitais e com implicações legislativas profundas. 

Privacidade
Em paralelo com as questões de segurança estão, por razões óbvias, as preocupações com a privacidade. O anonimato digital não existe, mas a percepção de que assim é está cada vez mais presente na mente de cada cidadão que abre um browser de Internet. Para evitar a invasão de privacidade ao nível do indivíduo, muitas empresas vão instalar esquemas de privacidade diferencial – um mecanismo em que os dados individuais continuam a ser recolhidos, mas são de tal forma alterados que não podem ser depois individualizados de forma a destacar uma única pessoa. A Apple já anunciou que está a trabalhar nisto e outras empresas, nomeadamente a Google e a Facebook, devem ir pelo mesmo caminho. Daqui decorrem outros problemas, como a gestão da encriptação, abrindo novos mercados para empresas com soluções inovadoras e integradas em todos os passos da vida digital dos cidadãos.

Outra área em que a manutenção da privacidade será essencial tem que ver com a evolução tecnológica que permite que o reconhecimento facial seja individualizado ao pormenor. Já é possível seguir alguém numa cidade através das câmaras de vigilância instaladas em serviços públicos (como as de trânsito) e as privadas (como as dos multibancos), graças a softwares de processamento facial muito poderosos. Se a isto adicionarmos mecanismos avançados de captação de imagem em tempo real como os drones e os vídeos de 360 graus, percebemos que os redutos de privacidade no espaço público são algo em vias extinção.

Terraformar planetas
Este é mais um conceito nascido na ficção científica, mas que parece estar prestes a ganhar dimensão real. Terraformar um planeta consiste basicamente em importar padrões ambientais da Terra de forma a criar condições para a vida humana. Elon Musk, o visionário da Tesla e da SpaceX, anunciou este ano que pretende chegar a Marte em menos de dez anos – e assim que lá chegar promete adaptar o planeta para receber humanos dispostos a iniciar a imigração espacial.

Esta é uma tendência muito nova e o trabalho feito até agora consiste no levantamento de espécies capazes de resistir em ambientes extremos, como micróbios que vivem em temperaturas extremas no deserto do Atacama ou bactérias que se reproduzem em ambientes sem oxigénio nas fontes hidrotermais do fundo do oceano Atlântico. A biologia sintética, outra área de saber em expansão, pode ajudar a manipular organismos artificiais que sejam úteis. Juntamente com os planos detalhados para exploração da Lua e de Marte, é de esperar que se desenvolvam ideias – e experiências – para construir do zero ambientes capazes de criar uma atmosfera com oxigénio, água e alimentos.


Produtos inovadores e surpreendentes
Pó inteligente
São microcomputadores que têm a dimensão de um grão de pó. Podem trabalhar de forma integrada, como uma nuvem de pó, captando e transmitindo informação sobre o meio ambiente (desde imagens a sensores térmicos), que depois é tratada por outras máquinas. Dada a dimensão destas partículas, pode ser até algo que se insere no organismo humano para o estudar sem perturbações de maior.

Cidadanias digitais
A Estónia foi pioneira ao permitir que estrangeiros possam aceder aos seus serviços de cidadania – e em consequência ao mercado europeu. O resultado do "Brexit" pode bem impulsionar uma solução semelhante para os empreendedores do Reino Unido, tal como o crescimento da economia asiática pode promover um esquema semelhante em Singapura para os países vizinhos.

Fio inteligente
Trata-se de um fio utilizado para suturas de feridas que informa remotamente sobre o estado clínico de um paciente, alertando para uma infecção ou antecipando uma situação de emergência como um ataque de coração. É algo que ainda está na mesa de laboratório de várias universidades americanas, mas cujos resultados são muito promissores.

Fonte: [Publico]

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Se encontrares uma fruta/vegetal com a etiqueta a começar com 8 NÃO COMPRES! O que isso significa…

fruta_1
É importante que saibas o significado do número 8 ao início, e depois disso de certeza que vais olhar mais para os rótulos nas frutas e vegetais, e evitar comprar os que começam com o número 8!

Algumas informações importantes podemos encontrar não só nas embalagens dos produtos confeccionados, mas também nas etiquetas daqueles frescos. As etiquetas não servem somente para colocar o logo da empresa, mas também para indicar o modo de cultivo das frutas ou verduras.
Veja como distinguir produtos cultivados com agrotóxicos, biológicos ou modificados geneticamente.
Nos adesivos têm um código chamado PLU que indica o modo de cultivo.

Se na etiqueta tem 4 números foi cultivado em maneira intensiva, com pesticidas e fertilizantes.

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Neste caso as bananas são de origem de agricultura mecanizada e que investe em pesticidas e fertilizantes

Se na etiqueta estão cinco números e o primeiro é 8, o produto é OGM

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Exemplo de uma maçã geneticamente modificada com o número 84131

Se a etiqueta tem cinco números e o primeiro é 9, o produto vem de cultura biológica

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Uma laranja cultivada biologicamente pois tem o código 94285.

Existem alguns alimentos que estão muito mais sujeitos a tratamentos químicos: Veja quais são a seguir.

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Morango
Maçã
Pêssego
Uva
Cereja
Espinafre
Tomate
Pimento

E outros que dificilmente são tratados quimicamente:
Abacate
Milho
Abacaxi
Ervilha
Cebola
Aspargo
Manga
Papaia (Mamão)
Kiwi
A partir de agora, fique de olho na etiqueta! É para o seu bem!

sábado, 12 de novembro de 2016

Documentário: As Sementes, por Beto Novaes. Mulheres e agroecologia.


Esta curta-metragem "As Sementes" (2015), do diretor Beto Novaes, retrata a história de mulheres que, de diversas maneiras, têm actuado em defesa da agroecologia no Brasil. Inspirado no livro "Mulheres e Agroecologia: transformando o campo, as florestas e as pessoas", de Emma Siliprandi [1], o documentário é um mergulho nas trajetórias de vida de quatro agricultoras que participam ativamente dos movimentos agroecológicos no Brasil e que se tornaram referências e/ou lideranças sociais e políticas em seus territórios.

Este filme mostra o quanto as práticas agroecológicas potencializam a participação das mulheres na unidade produtiva – desde o plantio até a comercialização – propondo relações de gênero igualitárias no campo. Um trabalho de coleta e manejo da natureza que contribui para a soberania alimentar, a preservação da biodiversidade e para o resgate das sementes crioulas!


Para saber mais

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Salmão de viveiro da Noruega – Alimento mais tóxico do mundo

Dois documentários sobre o Salmonopólio

E se alguém nos vier dizer que a posta de salmão grelhado que temos no prato, supostamente saudável, contém, para além de uma panóplia de medicamentos, pesticida da Monsanto... ?



1º -Documentário: Peixe, Criação em Águas Turbulentas
É uma questão de saúde pública

Documentário com legendas em Português

Uma ampla investigação a nível mundial mostra os segredos da indústria do peixe. Cientistas confirmam, por exemplo, que o salmão de viveiro é o alimento mais tóxico do mundo. Na Noruega, Vietname ou Suécia, o peixe tornou-se uma indústria com enormes fábricas de alta tecnologia, onde são usadas toneladas de produtos químicos para alimentar milhões de peixes. Por exemplo, cerca de 50% do bacalhau nasce com deficiências genéticas.

E não há regulador neste mundo com eles no sítio que actue em defesa do consumidor

À medida que muitas espécies se tornaram raras ou entraram em extinção, o homem resolveu “facilitar o processo de pesca” e a alternativa mais conveniente foi a criação de peixes em cativeiro. No entanto, essa não é a opção mais saudável.
A abordagem é bem crítica e revela como funciona a indústria de peixes com imagens exclusivas de cativeiros aquáticos espalhados por vários pontos do mundo.
O filme começa por apresentar a realidade em algumas aquiculturas na Noruega, onde há grande contaminação de produtos químicos. Kurt Oddekalv, um respeitado activista ambiental norueguês é o primeiro interlocutor de Nicholas Daniel e afirma que a criação de salmão é um desastre tanto para o ambiente como para nossa saúde.
É possível ver camadas de resíduos de pelo menos 15 metros de altura ao longos dos fiordes noruegueses – isso inclui excrementos, excreções, bactérias, drogas e pesticidas.

Mortalidade de salmão no cativeiro
Uma “fábrica” de salmão pode conter 2 milhões de peixes num espaço relativamente pequeno, o que resulta em doenças nos animais. Por isso, os criadores utilizam pesticidas perigosos, nomeadamente da Monsanto inicialmente produzido para actuar em plantas, para evitar as pragas causadoras de doenças e não perderem a mercadoria. Os pesticidas diminuem a imunidade do peixe que, doente, é tratado com mais drogas, incluindo vários antibióticos.
Ainda segundo Oddekalv, o salmão de cativeiro é um dos alimentos mais prejudiciais do mundo.

Uma pesquisa muito interessante foi realizada com ratos: os que consumiram salmão de cativeiro cresceram obesos, com grossas camadas de gordura em torno dos órgãos e desenvolveram diabetes. Outro problema dos pesticidas utilizados é que eles afetam o DNA do peixe, causando mutações genéticas.

O salmão apresenta mutações menos visíveis, mas igualmente preocupantes



O documentário apresenta alguns peixes deformados por este motivo, como o bacalhau. E para nos assustarmos ainda mais, ficamos a saber que mais da metade dos bacalhaus de cativeiro sofre deformações.
As fábricas de aquicultura do mar Báltico produzem os espécimes com níveis de toxicidade mais elevados. Para além de toda a mixórdia química (medicamentos e pesticida) utilizados noutros pontos do mundo, as águas do Báltico apresentam elevadíssimos índices de poluição incluindo lixos tóxicos.
O documentário apresenta alguns peixes deformados por este motivo, como o bacalhau. E para  nos assustarmos ainda mais, ficamos a saber que mais da metade dos bacalhaus de cativeiro sofre deformações.
As fábricas de aquicultura do mar Báltico produzem os espécimes com níveis de toxicidade mais elevados. Para além de toda a mixórdia química (medicamentos e pesticida) utilizados noutros pontos do mundo, as águas do Báltico apresentam elevadíssimos índices de poluição incluindo lixos tóxicos.

Polpa de peixes em vez de peixe

Veja o documentário até ao fim e veja como o resíduo de peixe se torna um alimento muito valorizado, mas péssimo para a saúde. Nomeadamente, o aproveitamento industrial de partes do peixe que antes iriam para o lixo; a cabeça, o rabo e mesmo a pele do peixe. Tudo é lavado e moído, resultando em uma “polpa” que serve de alimento para … humanos e outros animais.
As melhores opções de peixes são os selvagens, como salmão selvagem do Alasca, sardinhas e anchovas. Como é dito no documentário, por um médico oncologista, quanto mais pequeno for o peixe menor riscos corremos e o consumo deve reduzir-se a 2 refeições por semana.
Infelizmente, também não podemos confiar na qualidade de todos os peixes selvagens, pois a maioria das águas está contaminada com metais pesados (como mercúrio) e outros produtos químicos, como dioxinas.


2º Um outro documentário (apenas disponível em Inglês) muito esclarecedor é o Salmonopoly, realizado por Wilfried Huismann e Arno Schumann, leva-nos a outras paragens e a outros segredos do “negócio”.



Práticas da aquicultura industrial da empresa Marine Harvest

A Marine Harvest é a maior preocupação mundial no que diz respeito a aquicultura. Produz mais de 100 milhões de salmão de viveiro por ano e fornece os consumidores na Europa, EUA e Japão. Mas a que preço?
Este império global é dirigido por John Fredriksen, um self-made man e um dos mais ricos do mundo. Na sua casa norueguesa, autodenomina-se de “Big Wolf”; “verde”, “duradouro” e “transparente”. Mas a realidade contradiz a filosofia da empresa, especialmente no Chile, onde a Marine Harvest é de longe o maior produtor, com cerca de 70 viveiros de peixe. O Chile, com a sua legislação que deixa a desejar, é um paraíso para os investidores. Tudo o que é proibido aos produtores de salmão na Europa é permitido no Chile, tendo como resultado 18 meses depois, um salmão carregado de químicos.
Em Abril de 2008, para “melhorar a imagem” da aquicultura intensiva em larga escala, a Marine Harvest firmou uma parceria com a WWF – World Wide Fund for Nature (Fundo Mundial para a Natureza). A WWF é uma Organização não governamental (ONG) internacional que actua nas áreas da conservação, investigação e recuperação ambiental, anteriormente chamada World Wildlife Fund, nome oficial ainda em uso nos Estados Unidos e Canadá.
Por um donativo de 100.000 euros por ano, a Marine Harvest pode usar o panda do logótipo da WWF para fazer propaganda do seu salmão de viveiro produzido industrialmente. Totalmente suspeito ecologicamente, mas muito bem sucedido economicamente: após o colapso durante a crise financeira, as acções da companhia subiram 270 por cento no Verão de 2009.
John Fredriksen é o principal protagonista deste “eco-thriller” posicionado no mundo obscuro de um gigante alimentar global.

sábado, 22 de outubro de 2016

Do DDT ao Glifosato: Rachel Carson estamos a precisar de ti novamente


Os perigos do glifosato (Roundup) na nossa alimentação são claros e presentes (ver aqui uma compilação de 245 artigos científicos que descrevem os malefícios do glifosato sobre o ambiente, os animais e a saúde pública).
Porque razão a indústria e os governos não agem como deveriam? Assim como foi o caso nos anos 50 com o DDT e o tabaco, estamos à beira de danos desastrosos para a saúde em todo o mundo. Esta curta-metragem (num inglês muito acessível) começa a explicar porquê e o que ainda podemos fazer. (09:51)


Tudo sobre Rachel Carson no Bioterra


sábado, 15 de outubro de 2016

A Quarta Revolução dos semideuses, por Filipe Duarte Santos

A ler com muita atenção.


O anúncio de uma iminente Quarta Revolução Industrial atraiu a atenção dos media e Governos de todo o mundo como se se tratasse da revelação de uma profecia de um oráculo inelutável. A Quarta Revolução é apresentada como sendo imparável e incontornável. Segundo Klaus Schwab, fundador e diretor executivo do World Economic Forum, que reúne anualmente em Davos, e cujo tema este ano foi “Mastering the Fourth Industrial Revolution”, a nova Revolução irá modificar fundamentalmente o modo como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos uns com os outros. Ainda de acordo com Schwab, “as mudanças que irá trazer são tão profundas do ponto de vista da perspetiva da história humana que nunca houve um tempo com maior promessa ou perigo potencial”.

Não há alternativa à Quarta Revolução industrial. Ser uma promessa ou um perigo depende dos povos, dos eleitores e dos governantes de todo o mundo saberem ou não adaptar-se e beneficiar das forças de disrupção tecnológica que avançam inexoravelmente sobre todos nós. É como se a Quarta Revolução Industrial fosse uma profecia de semideuses que conhecem o melhor destino para os homens. Estes podem aceitá-lo ou correr o enorme perigo de o tentar rejeitar.

Mas afinal o que é a Quarta Revolução Industrial e quais as forças que a movem? A Primeira Revolução Industrial, que foi provavelmente a transição mais importante da história da humanidade e hoje consideramos ter surgido em meados do século XVIII, só foi identificada e nomeada em meados do século XIX. A expressão Revolução Industrial foi inicialmente utilizada em França cerca de 1820, para designar de forma algo escarnecedora, comparativamente à verdadeira revolução política de 1789, a mecanização da indústria têxtil na Normandia, Flandres Francesa e Picardia.
Na Grã-Bretanha, ao contrário da França e Alemanha, a expressão revolução industrial raramente se usava. Porém, o historiador da economia Arnold Toynbee (1852-1883), tio do conhecido historiador das civilizações Arnold Joseph Toynbee (1889-1975), ao analisar o desenvolvimento económico na Grã-Bretanha de 1760 a 1840, identificou e caracterizou uma transformação social, económica e tecnológica que marcou profundamente o país e serviu depois de modelo de desenvolvimento através do mundo, à qual deu o nome de Revolução Industrial. A expressão passou a ter um sentido específico bem definido e conheceu uma enorme divulgação, em parte com a publicação póstuma das Lectures on the Industrial Revolution in England de Arnold Toynbee. Segundo ele a essência da Revolução Industrial “foi a competição para substituir as regulamentações medievais que anteriormente controlavam a produção e distribuição da riqueza”.

Na Primeira Revolução Industrial a maior eficiência no aproveitamento da força motora da água e a invenção da máquina a vapor transformou profundamente a utilização da energia. A Segunda Revolução Industrial teve início na segunda metade do século XIX e apoiou-se no uso da eletricidade o que permitiu desenvolver as cadeias de produção nas fábricas. Foi nesse período que se fizeram invenções tecnológicas notáveis baseadas na ciência moderna, tais como o motor de combustão interna, telefone, fotografia, cinema, lâmpada elétrica, avião, televisão e antibióticos. A Terceira começou na década de 1960, baseou-se na chamada Revolução Digital, no contínuo e acelerado desenvolvimento das TIC (tecnologias da informação e computação), e permitiu aumentar a automatização da produção nos mais diversos domínios da atividade económica. Finalmente a Quarta Revolução Industrial é uma extensão da terceira mas distingue-se dela em termos de novos horizontes programáticos de automatização, robotização, interoperabilidade, uso de sistemas inteligentes de assistência técnica, decisão descentralizada e troca de informação nas tecnologias de produção de bens e serviços. Os principais domínios de atividade e tecnologias emergentes que irão suportar a Quarta Revolução estão as TIC, inteligência artificial, robótica, internet das coisas, big data, impressão 3D, blockchain, automatização dos veículos automóveis, agricultura de precisão, nanotecnologia, engenharia genética e a biologia sintética.

As ideias fundadoras da Quarta Revolução Industrial surgiram em 2011 na iniciativa de construção de um programa estratégico, com o horizonte temporal de 2020, liderado por empresários, políticos e académicos, designado Industry 4.0, destinado a aumentar a competitividade das indústrias alemãs por meio da crescente integração dos “sistemas ciber-físicos baseados na internet” nos processos fabris. Nos EUA há vários projetos análogos, como por exemplo a Industrial Internet Consortium fundada em 2014 e que reúne a General Electric, AT&T, IBM e Intel.

A grande divulgação da Quarta Revolução Industrial nos media e nos meios empresariais e governamentais de todo o mundo, em particular através do World Economic Forum, é uma iniciativa filantrópica de aviso urbi et orbi sobre a nova direção da competição industrial e económica promovida pelas elites económicas e financeiras dos países com as economias mais avançadas e competitivas do mundo. Na sua génese e evolução não cabe qualquer tipo de atenção sobre o seu impacto, nos próprios países e no resto do mundo, em termos de emprego, coesão social e desigualdades, mas apenas a ambição própria da natureza humana, de manter a liderança e a competitividade desses países. O encadeamento das inovações tecnológicas tem uma dinâmica própria imparável que, para além de criar e satisfazer a procura por novos produtos, serviços e mercados tem também, ao longo do tempo, efeitos sociais, políticos e económicos através de um mundo progressivamente globalizado.

Não é possível travar o progresso da tecnologia porque ela nos deslumbra, diverte, distrai, cativa, aliena e vicia. É ela que dá um sentido linear ao tempo e o acelera. Sem progresso tecnológico a grande maioria das pessoas acharia que o tempo teria parado e que regressaríamos inevitavelmente ao primitivismo do passado.

O avanço da Quarta Revolução Industrial irá tornar um número crescente dos atuais empregos inúteis ou redundantes, devido principalmente ao carater disruptivo das novas tecnologias, e ao avanço da automatização e robotização. Provavelmente haverá novas multidões de desempregados e o próprio conceito social, político e económico de emprego irá transformar-se profundamente. Será provavelmente necessário introduzir o rendimento de cidadania. A maior perda de emprego irá ter lugar nos setores da saúde, energia, bancos, serviços financeiros, logística, transportes e apoio administrativo nos escritórios. O trabalho que é repetitivo ou que envolve rotinas de atividade manual tem elevado risco de ser eventualmente automatizado. Em contrapartida o trabalho que depende do exercício de pensar, do espírito de curiosidade, da criatividade, da capacidade de reflexão e análise, da experiência e da empatia com o próximo tem um risco baixo de automatização. De um modo geral a automatização e a robotização atinge mais a produção e o trabalho técnico e menos o trabalho que requer reflexão e inovação. Em contrapartida haverá criação de emprego nas TIC, serviços profissionais, informação, entretenimento e marketing.

Um dos avanços tecnológicos futuros mais decisivos para promover a automatização e robotização em larga escala será os computadores compreenderem a comunicação entre pessoas, ou seja, tornarem-se virtualmente mais uma pessoa ativa no ambiente de trabalho ou nas nossas casas. A combinação da robótica com a inteligência artificial, que permite aos robots adaptarem-se e reagirem ao que se passa em seu redor, tem a potencialidade de substituir um grande número de empregos e eventualmente transformar a sociedade. Estimativas recentes de Carl Frey indicam que 47% do total dos empregos nos EUA têm um risco elevado de desaparecerem nas duas próximas décadas. Note-se que a rarefação de empregos nas áreas de penetração das tecnologias mais avançadas está já a observar-se. De acordo com o mesmo autor, na década de 1980, 8,2% da força de trabalho nos EUA estava empregada nas novas tecnologias introduzidas nessa década. Porém, na década de 1990 essa percentagem desceu para 4,4% e na década de 2000 é menor do que 0,5%, incluindo novas industrias, tais como os leilões online, vídeo e áudio streaming, e web design.

Os que vão beneficiar mais das aplicações dos robots e da inteligência artificial vão ser os que têm a capacidade de investir nas tecnologias emergentes, ou seja, os detentores de capital. Devido às suas características intrínsecas a Quarta Revolução Industrial promove a substituição do trabalho pelo capital agravando ainda mais a tendência das últimas décadas de aumento das desigualdades. Os empresários que descobrem um produto ou serviço de sucesso enriquecem rapidamente porque com as novas tecnologias os custos marginais por unidade de produção tendem para valores baixos ou próximos de zero e os rendimentos de escala são elevados. Atualmente as empresas procuram avidamente as novas tecnologias porque lhes permitem aumentar a produtividade e baixar os custos marginais de produção e distribuição de bens e serviços, conseguindo assim, reduzir os preços, conquistar mais consumidores e aumentar os lucros. O papel do emprego na distribuição da riqueza, que se consolidou no último século, pode ficar comprometido. As implicações socias e económicas da Quarta Revolução Industrial têm um alto risco de desestabilizar profundamente a sociedade contemporânea, tanto nos países com economias avançadas como no resto do mundo. A probabilidade de tal suceder é muito elevada porque as forças motoras da Quarta Revolução Industrial são as mesmas que dinamizam o atual sistema económico e financeiro. Será provavelmente necessário reformar os conceitos de trabalho, emprego e rendimento. Provavelmente estamos mesmo num tempo de grandes promessas e perigos que os semideuses controlam.

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Terra pode ficar intoleravelmente quente

Fonte: Jornal de Notícias
A Terra pode ficar intoleravelmente quente, mesmo se os gases com efeito de estufa (GEE) na atmosfera permanecerem nos níveis atuais, segundo a primeira reconstituição das temperaturas terrestres ao longo de dois milhões de anos, divulgada segunda-feira, 26 de Setembro.

"A estabilização dos níveis atuais dos gases com efeito de estufa pode colocar a Terra numa trajetória de aquecimento de cinco graus Celsius (5ºC) no próximo milénio", concluíram os autores do estudo publicado na revista científica Nature.
Este é o valor médio do previsto intervalo de aquecimento, situado entre 3ºC e 7ºC.

Mesmo um aquecimento global de 3ºC, no longo prazo, pode desencadear um turbilhão de impactos das alterações climáticas, incluindo tempestades marítimas, reforçadas pela subida do nível das águas, ondas de calor mortíferas e inundações severas, especificou-se no estudo.

O Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) já avançou que as atuais concentrações do principal gás com efeito de estufa, o dióxido de carbono (CO2), na atmosfera, que já supera as 400 partes por milhão (ppm), vão forçar um aquecimento global médio da temperatura média entre 2ºC e 2,4ºC em relação ao nível pré-industrial.
As ppm referem-se à representação dos gases por milhão de moléculas.
O valor de referência para esta subida da temperatura considerado um limite para permitir alguma segurança à humanidade em muitas regiões é os 2ºC.

Mas uma recente intensificação de eventos climáticos extremos forçou os líderes mundiais a inscreverem um objetivo ainda mais exigente, incluindo a expressão "bem abaixo dos 2ºC" no Acordo de Paris, alcançado por 195 Estados, em dezembro.
O planeta já aqueceu 1ºC acima da temperatura de referência, a do período pré-industrial, e pode chegar aos 1,5ºC dentro de uma década, afirmaram cientistas, numa conferência em Oxford na semana passada.
Este novo estudo, da paleoclimatóloga Carolyn Snyder, do Programa Interdisciplinar em Ambiente e Recursos da Universidade de Stanford, no Estado norte-americano da Califórnia, é o primeiro a juntar um registo contínuo de médias de temperaturas terrestres desde há dois milhões de anos.

domingo, 14 de agosto de 2016

Documentário: Gas Leak! (em Inglês)


"Coal, Bed, Methane"

A massive and important update on the situation in Australia. This documentary shows how the two biggest CSG projects in Australia’s history were rail-roaded past the environmental impact assessment process without any consideration of how they will deplete Australia’s limited ground water reserves or any determination of the amounts of gas released.

Outros Documentários já publicados no Bioterra:
  1. The Gas Rush
Mais sobre Gas Fracking / Fracturamento Hidráulico

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

A política e o fogo

Fonte: Pedro Bingre do Amaral
Os incêndios vieram de novo consumir os nossos matos, depois as nossas matas, e finalmente as nossas casas. Na maioria dos casos irrompem nos matorrais dos terrenos incultos; daqui alastram para as matas abandonadas e invadidas por arbustos; por fim estendem as suas chamas aos terrenos de quem ainda cuida das suas florestas, campos de cultivo e edifícios. Os presentes... pagam caro a incúria dos ausentes.

O sistema administrativo e fiscal português premeia o abandono e castiga o cultivo. Tal como nos tempos do Antigo Regime, uma percentagem muito significativa do território — entre vinte a trinta por cento — é riqueza morta em mãos mortas. Pela falta de cadastro, não se sabe quem são os proprietários; quando se sabe, não raras vezes são defuntos; contribuem com poucos ou nenhuns impostos, mas oneram os outros contribuintes com dezenas de milhões de euros anuais em despesas prevenção e combate a incêndios; não respondem perante os danos que o seu desleixo traz a terceiros; e não colocam os seus prédios nos mercados imobiliários de venda ou de arrendamento. São, de facto, uma imensa corporação de mão morta.
Na raiz deste problema encontra-se a falta de uma política de solos rústicos que resolva os problemas do cadastro da propriedade, da fiscalidade imobiliária rústica, do direito sucessório (quantas centenas de milhar de hectares permanecem na titularidade de defuntos?), do regime jurídico florestal, e da responsabilidade civil por danos ambientais.

Onde se encontra o estadista que fará a desamortização dos terrenos em mãos mortas? Onde está o governante que promulgará uma nova lei das sesmarias?

Outras leituras