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sexta-feira, 28 de junho de 2019

Rios do mundo inteiro estão contaminados por antibióticos, revela estudo global inédito

Notícia aqui

A cada ano, os humanos produzem, prescrevem e ingerem mais antibióticos do que no ano anterior. Esses medicamentos fazem maravilhas à saúde pública, salvando milhões de pessoas de infecções que poderiam matar se os remédios não existissem.

Mas os medicamentos continuam atuando no meio ambiente muito depois de terem cumprido seu papel no corpo humano. Eles acabam chegando ao mundo externo, onde podem permitir o desenvolvimento de cepas bacterianas "resistentes a antibióticos". Em um novo estudo que analisou 72 rios em todo o mundo, pesquisadores encontraram antibióticos nas águas de quase dois terços de todos os locais amostrados, do rio Tâmisa ao Mekong e ao Tigre.

Essa descoberta é séria, afirma Alistair Boxall, um dos cientistas que liderou o estudo e químico ambiental da Universidade de York, no Reino Unido. "São moléculas biologicamente ativas, e nós, como sociedade, estamos descartando toneladas delas no meio ambiente", afirma ele.

Isso pode ter grandes efeitos na ecologia dos rios, bem como na saúde humana.
A resistência cresce

Os antibióticos impedem o desenvolvimento de infecções, salvando milhões de vidas todos os anos. Mas as populações de bactérias conseguem evoluir como resposta à ameaça de um medicamento, modificando-se para escapar dos efeitos dos medicamentos criados para eliminá-las. Isso significa que uma infecção causada por uma dessas cepas bacterianas "resistentes" é mais difícil e, às vezes, impossível de tratar. A diretora médica do governo do Reino Unido, a professora Dame Sally Davies, afirma que o problema piora a cada ano, "ameaçando de forma catastrófica" a capacidade dos médicos de tratarem infecções simples no futuro.

Um relatório de 2016 descobriu que a cada ano cerca de 700 mil pessoas morrem em todo o mundo de infecções resistentes aos antibióticos que temos hoje. Cientistas, médicos especialistas e oficiais de saúde pública temem que esse número aumente exponencialmente conforme aumenta a resistência aos medicamentos normalmente utilizados. Em 2014, um estudo solicitado pelo Reino Unido alertou que até 2050 infecções resistentes a antimicrobianos podem ser a principal causa de morte em todo o mundo.

E a "poluição" de antibióticos ajuda a acelerar o desenvolvimento de cepas resistentes, pois antibióticos em excesso atingem os sistemas naturais e influenciam as bactérias que lá habitam. Essa poluição também rompe o delicado equilíbrio ecológico de rios e córregos, alterando a composição das comunidades bacterianas.

Isso pode afetar todos os tipos de processos ecológicos, afirma Emma Rosi, ecologista aquática do Instituto Cary de Estudos do Ecossistema, em Millbrook, Nova York, porque muitas bactérias desempenham papéis essenciais no ecossistema dos rios, por exemplo, ajudando a reciclar nutrientes como carbono ou nitrogênio.

Um grande problema para os cientistas é que ninguém sabe exatamente como, onde e quando os antibióticos vão parar no meio ambiente. Muitos países possuem poucos ou nenhum dado sobre a concentração de antibióticos em seus rios. Então Boxall e colegas decidiram começar a mapear o tamanho do problema.
Pesca de antibióticos

A equipe, que apresentou seus resultados na segunda-feira na Sociedade de Toxicologia e Química Ambiental em Helsinque, reuniu um grupo de colaboradores de todos os cantos do mundo e cada um coletou amostras dos rios de suas localidades: 72 no total, em todos os continentes, exceto na Antártida. Os cientistas acessavam uma ponte ou píer, jogavam um balde dentro do rio, coletavam um pouco de água como amostra, cuidadosamente filtravam a amostra, a congelavam e a enviavam por correio aéreo para o Reino Unido para análise.

As amostras foram analisadas quanto à presença de 14 tipos diferentes de antibióticos normalmente empregados. Nenhum continente está imune: eles encontraram traços de pelo menos um medicamento em 65% de todas as amostras estudadas.

"O problema realmente é global", afirma Boxall.

Não é surpreendente, diz Rosi, porque "em todos os lugares as pessoas usam medicamentos todos os dias, vemos as evidências correndo rio abaixo."

Nosso organismo não decompõe os medicamentos e o excesso é excretado na urina ou atinge o esgoto. Em muitos países desenvolvidos, o esgoto – e sua carga de antibióticos – passa por tratamento, mas nem mesmo as usinas de tratamento mais modernas conseguem limpar todos os medicamentos. Em locais onde o esgoto não é tratado, os antibióticos atingem rios e córregos de forma mais direta.

Isso foi demonstrado pelos dados encontrados. As concentrações de muitos desses antibióticos foram mais altas à jusante de usinas de tratamento, em rios próximos de aterros sanitários e em locais onde o esgoto ia direto para os rios.

Em um rio de Bangladesh, as concentrações de metronidazol, um medicamento normalmente prescrito para infeções cutâneas e orais, estavam 300 vezes acima do limite recentemente determinado e considerado "seguro" para o meio ambiente. No Danúbio, o segundo rio mais longo da Europa, os pesquisadores detectaram sete tipos diferentes de antibióticos. Eles encontraram claritromicina, utilizado para tratar infecções do trato respiratório como bronquite, em concentrações quatro vezes acima dos níveis "seguros".

"De certa forma, é como o problema da poluição do plástico", explica Boxall. "A questão é que não pensamos sobre o destino daquilo que descartamos e tudo o que jogamos fora continua influenciando o meio ambiente."

Até mesmo discretos traços de antibióticos podem ter efeitos drásticos no desenvolvimento da resistência, afirma William Gaze, ecologista microbiano da Universidade de Exeter. As bactérias são especialmente boas em substituir seus genes, conseguindo evoluir rapidamente em resposta a uma ameaça, como um antibiótico. Essa evolução pode acontecer na presença até mesmo de baixas concentrações do medicamento, concentrações como as encontradas pelos pesquisadores nos rios de todas as partes do mundo.

Gaze explica que ainda precisam ser realizadas mais pesquisas para que os cientistas compreendam exatamente como a evolução da resistência aos antibióticos funciona. Mas, afirma ele, agora é o momento de as comunidades encontrarem soluções que impeçam que os antibióticos atinjam os rios, pois os possíveis efeitos à saúde humana são extremamente sérios.

"Há uma tendência em dizer que devemos adotar uma abordagem de precaução", afirma ele. "Mas quando finalmente conseguirmos obter todas as evidências científicas, pode ser tarde demais. É possível que cheguemos a uma era pós-antibiótico, com pessoas morrendo porque arranharam o dedo em uma rosa plantada no jardim e contraíram infecções intratáveis."

terça-feira, 25 de junho de 2019

Há relação entre a exposição a pesticidas na gravidez e a redução do QI em crianças

Fonte aqui

O pediatra Leonardo Trasande mora com a esposa e os dois filhos em uma casa em que não entram latas de conservas nem alimentos ultraprocessados. Os tapetes mal cobrem o chão, feito de madeira, e há poucos plásticos. Os hábitos da família nova-iorquina respondem ao trabalho do pai sobre os produtos químicos que interferem em nossos hormônios para nos tornar “mais doentes, mais obesos e mais pobres”. Sicker, Fatter, Poorer é o nome do livro que acabou de publicar, no qual explica o que pode ser feito para evitá-los. Aos 46 anos, é um renomado pesquisador que assinou mais de uma centena de artigos científicos sobre os chamados disruptores hormonais, já chamados de “ameaça global” pela OMS em 2013. O Parlamento Europeu pediu há dois meses à Comissão que sejam proibidos para equipará-los aos produtos cancerígenos, mutagênicos ou tóxicos.

A conversa com Trasande acontece em espanhol (ele é filho de imigrantes galegos), horas antes de tomar um avião para os Estados Unidos, onde dirige o Departamento de Pediatria Ambiental da Faculdade de Medicina da Universidade de Nova York. Ele participou do Congresso da Associação Espanhola de Pediatria, onde foi dito em alto e bom som que mais de 95% das crianças espanholas têm em sua urina essas moléculas que hackeiam o metabolismo.

“Existem 1.000 ou mais substâncias químicas sintéticas que podem interagir com os nossos hormônios”, diz, “mas a evidência é mais forte em quatro categorias: os pesticidas, os bisfenóis, que são usados em papel térmico [o dos tickets de máquinas de cartão e caixas registradoras] e enlatados; os ftalatos que estão em cosméticos e em vários tipos de recipientes para alimentos, e os retardantes de chama bromados em tapetes, talvez em móveis como este (toca a poltrona estofada em que está sentado) e nas casas [também em produtos eletrônicos]. Pensava-se que só eram nocivos em altas doses, mas não é assim”.

O impacto das substâncias químicas que suplantam ou competem com os hormônios que ordenam nossa vida é especialmente grave em gestantes e crianças, diz o especialista, porque consomem mais alimentos e líquidos por quilo de peso, seus órgãos (e as glândulas que produzem os hormônios) estão em formação, e também permanecem expostos por mais anos. “Há três estudos que documentaram que existe uma relação entre a exposição a pesticidas organofosforados durante a gravidez e a diminuição do QI em crianças. Além disso, nos exames de imagem, se viam partes do cérebro menos desenvolvidas”, diz. O mesmo acontece com os retardantes, que inibem o funcionamento da tiroxina, o hormônio da tireoide que regula o metabolismo. Depois da exposição durante a gravidez “foram constatados não apenas comprometimentos cognitivos, mas também transtornos de autismo e atenção e hiperatividade”.

Os disruptores hormonais foram associados a alterações da saúde reprodutiva, cânceres, diabetes e obesidade. Neste último caso porque favorecem a criação de células adiposas ou retardam o metabolismo, diz o pesquisador. Ninguém está a salvo. “Esses produtos químicos afetam todos nós. E o benefício de reduzir a exposição é a curto, médio e longo prazo. Estamos falando de câncer de próstata, de mama, de efeitos cardiovasculares nos homens. Por exemplo, os ftalatos inibem a testosterona. E a testosterona baixa está relacionada com problemas cardíacos e AVC. Cerca de 10.000 homens morrem a cada ano nos Estados Unidos devido a baixos níveis desse hormônio ocasionados pelos ftalatos. Estamos falando de vida ou morte: estamos cercados por produtos químicos com os quais arriscamos nossas vidas. Não quero ser alarmista. Mas existe uma urgência e com custos financeiros de 163 bilhões de euros (cerca de 712 bilhões de reais) por ano na Europa”, afirma o pediatra.

Trasande é mais conhecido por transformar os efeitos desses produtos químicos em números com seis publicações no The Lancet Diabetes and Endocrinology e no Journal of Clinical Endocrinology e Metabolism. “Se uma criança tem um ponto de QI a menos, a mãe não percebe, nem a pediatra, nem a professora. Mas se há 100.000 crianças com um ponto a menos de QI, a economia percebe. Cada ponto a menos é avaliado em 2% da produção de toda a sua vida, que será de um milhão de euros. São 20.000 euros. Multiplicado pelos três milhões de crianças nascidas a cada ano na Europa, é responsável por 60 bilhões de euros por ano. E esses custos estimados são muito baixos, considerando que estudamos apenas 5% dos disruptores endócrinos”.

A boa notícia é que, com medidas simples e baratas, diz, muito pode ser feito: “Não comer alimentos enlatados. Rapidamente baixam os níveis de bisfenol A na urina. Também diminuir os alimentos embalados em plástico e ultraprocessados. Em dois ou três dias, os ftalatos diminuem”. O mesmo acontece ao eliminar certos cosméticos e ao mudar para alimentos orgânicos. Outras precauções incluem não colocar plásticos no microondas ou na máquina de lavar louça, porque “a altas temperaturas se transformam de polímeros em monômeros que passam para o alimento e, finalmente, para o corpo”. E ventilar 15 minutos ao dia para eliminar a poeira química de tapetes e componentes eletrônicos.

E os plásticos, tão vilipendiados e poluentes? Substitua-os por vidro e tetrabriks e, se usados, verifique que dentro do triângulo com o qual estão marcados não figure o 3 (PVC), o 6 (poliestireno) e o 7 (policarbonatos que podem ter bisfenóis). E substitua as panelas antiaderentes pelas de aço inoxidável ou ferro, “aquelas de sempre”.

Estamos cercados por esses produtos químicos – “no metrô, na escola, nos centros de trabalho”, embora possamos controlar nossas casas, essas oito ou dez horas por dia que passamos nela, nos finais de semana, “mas não controlamos outros ambientes”. Mas a coisa boa, insiste, é que “você pode perguntar: isso é comida orgânica? Esse odor é sintético ou natural?” Pouco podemos fazer fora de casa além de não pegar o ticket do supermercado – “no contato com a pele os produtos químicos vão para o sangue”. Durante a conversa dá vontade de sair correndo olhar o fundo das embalagens de alimentos, tirar o peixe embrulhado em plástico em uma bandeja e se livrar de todos os cremes. “Não é preciso ter doutorado em química. Sugiro usar um aplicativo que indique a segurança do cosmético”.

Os benefícios de evitar a exposição são palpáveis desde o início, como ocorre quando se para de fumar. “Por exemplo, se reduzirmos a exposição aos ftalatos em cosméticos, há um efeito sobre os seios da face que pode ser notado imediatamente. Em uma semana se notam alterações hormonais e em meses ou anos o risco de doenças crônicas é reduzido”.

O especialista acredita que os consumidores têm muito poder com a capacidade de comprar determinados produtos ou não. E existe, em sua opinião, um lugar também para as políticas públicas de prevenção. E nisso a Europa está em geral na dianteira em relação aos Estados Unidos. “Na Europa, mais de 1.300 produtos foram eliminados; nos Estados Unidos, 11. Nisso, não me sinto orgulhoso do meu país”. Aqui, diz ele, um produto químico é vetado se houver um estudo que o relacione com um dano, seja ele qual for a dose. Isso não acontece nos Estados Unidos.

E na Espanha? “Existe uma oportunidade para promover a agricultura orgânica a partir das autoridades e liderar esse campo para aumentar a produção desses alimentos livres de pesticidas”, conclui.

segunda-feira, 24 de junho de 2019

Tremoços e Política Ambiental

Fonte aqui 

O especialista em nutrição Pedro Graça explica porque os tremoços - sementes de uma "planta maldita" devem fazer parte de uma alimentação equilibrada

Há uns meses atrás ouvi um importante responsável da área da agricultura afirmar que a defesa do meio ambiente necessitava de uma estratégia global e sensata e não devia ser confundida com pequenas ações radicais. Estas pequenas ações assemelhavam-se a aperitivos, como um prato de tremoços, que nunca resolveriam situações mais gerais como as que vivemos atualmente. Pois permita-me discordar. Não apenas porque as “estratégias globais sensatas” significam habitualmente manter tudo na mesma, mas porque o consumo de tremoços e outros pequenas ações são a chave para o cidadão agir e para tornar melhor a saúde do nosso planeta. Vamos por partes.

Nos dias que correm acumula-se a evidência de que as nossas escolhas alimentares influenciam de forma decisiva a saúde humana e a do planeta. Recentemente, uma das mais prestigiadas revistas científicas a nível mundial, a Lancet, publicou o relatório EAT-Lancet, reunindo dezenas de cientistas de referência internacional de 16 países, em áreas tão diversas como a saúde, agricultura, ciência política e sustentabilidade ambiental. Uma das conclusões deste relatório é a de que um planeta saudável “vai exigir mudanças substanciais na alimentação dos seres humanos. O consumo médio de fruta, hortícolas e frutos gordos terá de duplicar e o consumo de alimentos como carne vermelha e açúcar terá de ser reduzido em mais de 50%. O diagnóstico aponta no sentido de uma dieta à base de vegetais e com menos alimentos de origem animal. Uma revolução para a nossa forma de comer ocidental, que não será necessariamente vegetariana, mais muito próxima da nossa dieta mediterrânica feita de produtos vegetais, sazonais e locais na maior parte das refeições.

Mas para se evitar a retórica e inação habitual, necessitamos de ações simples, que possamos realizar no nosso dia a dia. Precisamos de saber o que fazer e agora. No caso da alimentação, necessitamos de saber o que comprar e o que rejeitar. Na alimentação, todos podemos fazer política alimentar porque a maioria de nós pode fazer a diferença quando decide comprar um determinado alimento no supermercado e não outro. Decisões simples como comer mais tremoços de origem nacional, de preferência com pouco sal, no início de uma refeição ou durante a refeição, são opções que podem fazer uma enorme diferença ponto de vista ambiental e nutricional.

Os tremoços são as sementes das plantas fabáceas conhecidas como tremoceiro (especialmente o "tremoceiro-comum" - Lupinus albus), pertencentes ao género Lupinus. Esta planta revela uma extraordinária história de sobrevivência ao longo dos últimos 3000 anos no mediterrânico que merece ser contada. O tremoceiro-comum ou Lupinus que em latim significa “parecido com o lobo”, pois segundo o senso comum estas plantas cresciam onde as outras plantas não se davam e aparentemente espoliavam a terra dos seus nutrientes como um predador, foi sempre uma planta maldita e ao mesmo tempo abençoada. Maldita pela enorme quantidade de alcaloides presentes nas suas sementes que a tornavam venenosa sem os cuidados culinários adequados e abençoada pela capacidade de fixar o nitrogénio do ar promovendo a melhoria da fertilidade do solo e a diversificação dos sistemas de cultivo. A grande quantidade de proteína, presente nestas sementes era também fundamental para alimentação do gado e humana. Por tudo isto, torna-se uma planta de culto no mediterrâneo, no Vale do Nilo e na alimentação de Gregos e Romanos. Por exemplo, o escritor e historiador romano, Plínio o Velho, na sua História Natural, já reparava que o tremoço “tanto é consumida por animais como por humanos” há mais de 2000 anos.


Contudo, o tremoço em natureza contém alcaloides neurotóxicos. Se consumidos de imediato podem originar náuseas, vómitos, tonturas, dores abdominais, mucosas secas, hipotensão, retenção urinária e taquicardia. Estas substâncias são eliminadas quando os tremoços são cozidos e cobertos com água que deve ser mudada com frequência durante vários dias até perderem o seu amargo original, com a eliminação dos alcaloides. Só a partir desse momento tornam-se no excelente alimento que todos apreciamos. Este conhecimento apurou-se na bacia do mediterrâneo ao longo de gerações. Primeiro, escolhendo as variedades com menos alcaloides (aquelas que os animais toleravam) e mais tarde, tentando identificar as plantas mais resistentes a parasitas, cujas vagens fossem mais resistentes, a par dos processos de cozedura e lavagens sucessivas que permitem reduzir substancialmente a presença de substâncias tóxicas. Com estas dificuldades ultrapassadas, o tremoço tinha todas as condições para se tornar um alimento importante na dieta mediterrânica. O que é natural que acontecesse. O tremoço, à semelhança de outras leguminosas, como o grão, o feijão, a lentilha, a fava ou a ervilha apresenta inúmeras propriedades nutricionais muito interessantes para a saúde. Em particular para as comunidades do mediterrâneo onde a proteína animal era escassa. Na sua composição, encontramos uns extraordinários 16g de proteína por 100g, com uma boa qualidade e digestibilidade e 5% de fibra. Caracteriza-se por ser pobre em gordura (cerca de 2% da sua composição) sendo esta, maioritariamente, mono e polinsaturada. Contêm diversas vitaminas, destacando-se os folatos em quantidades substanciais e sais minerais, como o cálcio, o potássio, o manganésio, o ferro e o zinco. O tremoço pode assim ser utilizado como substituto de proteína animal e em particular nas dietas vegetarianas, sendo isento de glúten. Segundo alguns trabalhos científicos, a elevada presença de fibra permite ainda ao tremoço ter um papel ativo na regulação do colesterol e glicemia e também na regulação e proteção da flora intestinal, muito provavelmente devido à elevada presença de fitoquímicos contidos nestas sementes.

Este alimento extraordinário, tanto do ponto de vista ambiental como do ponto de vista nutricional, é hoje um infeliz esquecido na nossa cultura alimentar (o que é natural pois ao contrário de outros alimentos altamente processados, gera pouco lucro à indústria alimentar) reduzindo-se a mero aperitivo de verão antes de se beber uma cerveja. A produção nacional desta leguminosa tem vindo a sofrer reduções significativas ao longo dos últimos anos, estimando-se que entre 1961 e 2005, a média anual de produção tenha descido 4180 toneladas.

Em vez dos discursos “globais e sensatos” sobre a defesa do ambiente, podíamos dar pequenos mas decisivos passos no caminho de uma estratégia pragmática para a defesa do planeta, colocando as leguminosas (tremoço, chícharo, feijoca, lentilha, grão, feijão…) nos nossos pratos ao longo da semana, incentivando a sua produção nacional, tornando-as presença obrigatória nos cadernos de encargos da restauração de locais públicos, substituindo uma vez por semana (ou mais) as refeições de carne ou peixe por estas fontes de proteína vegetal nas nossas escolas ou, pura e simplesmente, promovendo e publicitando estes alimentos como obrigação do Estado. É que os tremoços, tal como o grão ou o feijão, não têm marca nem padrinhos que lhes valham.

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Por semana, podemos ingerir 5 g de plástico, o equivalente a um cartão de crédito

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A WWF estima que uma pessoa possa ingerir, em média, até cinco gramas de plástico numa semana, o peso de um cartão de crédito, de acordo com um relatório publicado no dia 11 de junho.

Segundo os resultados da investigação, cada pessoa ingere cerca de 2000 micropartículas de plástico todas as semanas, ou seja, cerca de 250 gramas por ano.
A investigação contempla 50 estudos realizados sobre a ingestão humana de plásticos. 

A principal fonte de microplásticos é a água, especialmente se for engarrafada. Os frutos do mar, a cerveja e o sal são outros dos produtos analisados que apresentam a taxa mais elevada de microplásticos.

Este estudo "ajuda a identificar os potenciais riscos toxicológicos para os seres humanos", disse Thava Palanisami investigadora da Universidade de Newscastle, na Austrália. 

"É um alerta para os governos: os plásticos não só poluem os nossos rios e oceanos, não matam apenas a vida marinha, mas estão em todos nós", declarou Marco Lambertini, diretor da WWF, em comunicado. "A investigação reflete os potenciais efeitos negativos do plástico na saúde humana, mas este é um problema global que só pode ser resolvido abordando as raízes da poluição: se não queremos plástico nos nossos corpos, temos de travar os milhões de toneladas que são depositadas na natureza todos os anos."

sábado, 15 de junho de 2019

O que fazer com dez mil milhões de beatas? Tijolos, papel e pranchas de surf

Fonte e notícia aqui

A cada minuto, sete mil beatas são deitadas para o chão em Portugal. Isto quer dizer que, anualmente, cerca de 3,7 mil milhões de filtros de cigarros são descartados de qualquer maneira pelos portugueses, aproximadamente 35% do total de cigarros consumidos por ano no país. De acordo com os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), os fumadores portugueses representam 20% da população e consomem, em média, 10,5 mil milhões de cigarros por ano.

Focado no impacto ambiental das pontas dos cigarros, que se estima que contenham mais de 4000 substâncias químicas no seu interior, o PAN (Pessoas-Animais-Natureza) quer acabar com as beatas na rua, através de medidas como ações de sensibilização e sanções para fumadores. Ao mesmo tempo, surgem cada vez mais organizações nacionais e internacionais que querem dar-lhes uma segunda vida, com projetos que vão desde a construção ao surf.

A estimativa apresentada no início do texto é das organizações Beata no Chão Gera Poluição e Portugal sem Beatas e é citada pelo PAN no projeto de lei que será votado nesta quarta-feira na generalidade. "É um número bastante otimista. Acredito que o número de beatas atiradas para o chão até será superior", assume Diogo Raposo, fundador da Beata no Chão Gera Poluição, que desde 2016 se dedica a ações de recolha de beatas e sensibilização. Fala-nos de um "problema de poluição brutal" para o qual é preciso alertar os portugueses. "Temos de pôr as pessoas a par do problema e do efeito que este tem nelas próprias."

quarta-feira, 15 de maio de 2019

Estas escolas aproveitam as 'sobras' para crianças levarem para casa


Um distrito escolar do estado norte-americano de Indiana associou-se a uma organização sem fins lucrativos para dar aos seus alunos a comida que sobra das refeições diárias, por forma a levarem comida para o fim de semana.

A ideia partiu dos professores do distrito escolar de Elkhart, que estavam atentos à quantidade de comida que se desperdiçava face à quantidade de alunos que, muitas vezes, não têm o que comer em casa.

Assim sendo, associaram-se à associação de solidariedade Cultivate, cuja missão é recolher as sobras de empresas de catering ou grandes distribuidores de refeições para as transformar em comida congelada em doses individuais, onde acrescentam outros alimentos e depois dão a quem mais precisa.

No caso das escolas, a ideia é quase a mesma. É preparada muita comida que não chega a ser servida. Estas sobras são reservadas e entregues três vezes por semana à Cultivate, que depois as congela e acondiciona em embalagens individuais, para voltar a entregar às crianças antes de irem de fim de semana.

Cada sexta-feira é entregue uma mochila com várias refeições a crianças que precisem© Reprodução

Conforme escreve a CBS News, uma escola primária daquele distrito entrega uma mochila cheia de comida a 20 crianças todas as sextas-feiras. Cada mochila leva oito doses individuais de comida preparada congelada, o suficiente para o fim de semana de cada família.


“Está a ter um grande impacto. Era devastador ouvir que algumas crianças vão para casa nos fins de semana e não têm nada para comer”, explicou à CBS Melissa Ramey, uma responsável camarária.

sexta-feira, 5 de abril de 2019

Portugal com elevados níveis de resistência a antibióticos nas águas residuais



Já há uns anos que se tem vindo a verificar que os níveis de resistência clínica a antibióticos são mais elevados nos países do Sul da Europa do que nos do Norte. Será que o mesmo acontece nas águas residuais? Esta foi a pergunta de uma equipa internacional de cientistas liderados por Célia Manaia, investigadora da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica, no Porto. Para obter uma resposta, o grupo analisou amostras em estações de tratamento de águas residuais (ETAR) de sete países europeus. Concluiu que os níveis de resistência a antibióticos nos esgotos também são superiores nos países do Sul, onde se inclui Portugal. Publicado esta quarta-feira na revista científica Science Advances, este é o primeiro estudo europeu de vigilância a antibióticos em ETAR.​

Célia Manaia especifica ao PÚBLICO que já há 12 anos que o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) tem vindo a monitorizar a ocorrência de resistência a antibióticos em ambiente clínico. “Tem-se verificado consistentemente que há um gradiente de resistência dos países do Norte da Europa para os do Sul.”
A equipa quis então perceber se o mesmo ocorria em águas residuais. Para isso, ao longo de dois anos, recolheu amostras antes e depois do tratamento de 12 ETAR de sete países: Portugal, Espanha, Chipre, Irlanda, Finlândia, Noruega e Alemanha. Em Portugal, obtiveram-se amostras de três ETAR, as quais Célia Manaia não revela a localização: “Um dos compromissos que fazemos neste tipo de estudos é não dizer qual o local da amostragem.”

As amostras eram todas retiradas nos mesmos dias (terça, quarta e quinta-feira) e era extraído ADN para análise dos genes de resistência a antibióticos – fragmento de informação genética que quando é adquirido por uma bactéria a torna insensível a um antibiótico. 

Para perceberem qual o nível de resistência a antibióticos (abundância relativa de genes de resistência), a equipa analisou o ADN total e quantificou 229 genes de resistência. O que se concluiu? “Verificámos que os níveis de resistência nos esgotos nos países do Sul da Europa são superiores aos dos do Norte”, responde Célia Manaia. Ou seja, há uma maior abundância relativa de genes de resistência nos países do Sul.

Contudo, ao contrário do que acontece a nível clínico, a cientista refere que não é possível fazer cálculos em percentagens. Porquê? Se a nível clínico se quantifica o número de bactérias com resistência a antibióticos face a todas as que estão a causar infecção, a nível das águas residuais analisam-se genes e uma bactéria pode ter múltiplos genes, não sendo assim possível fazer uma relação directa como se faz no contexto clínico.

Por exemplo, a nível clínico, concluiu-se num outro estudo que em doentes infectados com a bactéria Escherichia coli a resistência a antibióticos foi de 7,8% em Portugal, 11,4% em Chipre, 5,7% em Espanha e 5,1% na Irlanda. Já na Noruega essa percentagem foi de 1,9%, na Finlândia de 2,4% e na Alemanha de 3,2%.

Mas Célia Manaia avisa que há variáveis que devem ser consideradas: “Os países do Sul da Europa são países com uma temperatura mais alta e, em geral, as estações de tratamento de águas que analisámos no Sul eram mais pequenas do que as do Norte.”

Quanto aos resultados em Portugal, salientam-se duas situações. No efluente final, em situações esporádicas, obteve-se uma quantificação de genes de resistência mais elevada do que nos restantes países mesmo dentro do Sul da Europa. Estes resultados foram verificados em duas ETAR e podem estar relacionadas com factores como descargas ilegais e chuva. Contudo, Célia Manaia adianta que, apesar de se terem verificado níveis de resistência mais elevados nessas situações, no geral a quantificação de genes não “é significativamente diferente” da de outros países do Sul da Europa.

Já num comunicado da Universidade de Helsínquia (Finlândia), destaca-se que o tratamento nas ETAR analisadas diminuiu o nível de resistência aos antibióticos na maior parte dos casos. A excepção verificou-se numa ETAR em Portugal.

Mas Célia Manaia salienta que isto só aconteceu uma vez. “Provavelmente, o motivo pelo qual isso aconteceu teve a ver com um problema operacional com a ETAR”, reforça, dizendo que essa ETAR parou a sua actividade e foi restaurada. Esta situação também pode ter ocorrido devido a factores como a chuva ou a recirculação de lamas. “É importante sublinhar que este estudo não foi feito para avaliar a qualidade do tratamento [das ETAR]. Se quiséssemos fazer um estudo para avaliar a qualidade do tratamento tínhamos de ter outras variáveis que não analisámos.”
Novas soluções para o problema

E que consequências podem ter os resultados obtidos? “Se temos níveis de resistência mais elevados, isso deve fazer acender algumas campainhas e há ilações que devem ser tiradas”, responde a investigadora. Como tal, é importante fazer uma vigilância regular nas ETAR, assim como uma avaliação para se encontrar soluções para este problema.

Contudo, Célia Manaia refere que este tipo de estudos não nos permite avaliar os riscos para a saúde humana. “Para fazermos uma avaliação a esses riscos, este estudo teria de ser feito de outra forma”, avisa. E faz questão de sublinhar que as ETAR têm sido “indispensáveis” e estão a fazer um trabalho “excelente”. “Estão dimensionadas de uma forma que não estão preparadas para este novo desafio.”

Nos últimos tempos, já têm sido “desafiadas” novas soluções. Em Portugal tem-se estudado processos de desinfecção de águas, tem-se explorado tratamentos combinados como nanossensores com membranas, assim como evitar descargas directas para os rios. Mas nestas soluções há limitações como custos elevados e exequibilidade, segundo Célia Manaia.

Fonte: Público

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Melhorar a saúde e salvar o planeta: é assim que deve comer

37 especialistas de 16 países trabalharam durante três anos para elaborar um modelo de dieta sustentável para o ser humano e para o planeta. A conceituada revista Lancet publicou as conclusões.
Foto e notícia aqui

O diagnóstico faz parte de um relatório de uma comissão de especialistas da revista científica Lancet, segundo o qual o planeta não terá capacidade de alimentar tantas pessoas sem uma transformação dos hábitos alimentares, uma melhoria na produção e uma redução do desperdício.

E essa mudança, para o consumo de alimentos mais saudáveis, também vai evitar a morte prematura de 11 milhões de pessoas em cada ano, reduzindo a morte de adultos entre 19% e 23,6%.

Segundo os especialistas, uma dieta-padrão saudável e planetária consistirá em aproximadamente 35% das calorias provenientes de grãos integrais e tubérculos, em ter nas plantas a principal origem da proteína (incluindo-se apenas cerca de 14 gramas de carne vermelha por dia), e no consumo de 500 gramas de vegetais e frutas por dia.

É esta mudança nos hábitos alimentares que levará à diminuição em 50% do consumo de carne vermelha e açúcar e a um aumento de 50% de consumo de frutos secos, verduras, legumes e fruta.

Esta mudança, diz-se no relatório, garante um sistema alimentar mundial e não põe em causa os limites do planeta na produção de alimentos, tendo em conta por exemplo as alterações climáticas, a perda de biodiversidade, o uso da terra e da água e o ciclo dos nutrientes.
E essa mudança, segundo o documento, é "urgentemente necessária", já que mais de três mil milhões de pessoas sofrem de desnutrição e a produção de alimentos está a exceder a capacidade do planeta, impulsionando as alterações climáticas, a perda de biodiversidade e o aumento da poluição pelo uso excessivo de fertilizantes.

O relatório da Comissão EAT, da Lancet, propõe uma dieta baseada em alimentos à base de plantas e com pouca quantidade de alimentos de origem animal, de grãos refinados, comida altamente processada e açucares.

"As dietas atuais estão a levar a Terra além dos seus limites ao mesmo tempo que causam problemas de saúde. Tal coloca ambos, pessoas e planeta, em risco", diz o documento.
Tim Lang, da Universidade de Londres, um dos membros da comissão, diz que "os alimentos que comemos e a forma como os produzimos determinam a saúde das pessoas e do planeta, e atualmente estamos a fazer isto de forma muito errada".

A Comissão EAT é um projeto a três anos que reúne 37 especialistas de 16 países, com experiência em saúde, nutrição, sustentabilidade ambiental, sistemas alimentares, economia e governança política.

No relatório, os responsáveis salientam que o aumento da produção alimentar nos últimos 50 anos contribuiu para o aumento da esperança de vida, e para a redução da fome, da mortalidade infantil e da pobreza global, mas notam que esses benefícios estão agora a desviar-se para dietas pouco saudáveis, altas em calorias, açucares, amidos refinados e excesso de carne, e baixo teor de frutas, legumes, grãos integrais, frutos secos, sementes e peixe.

Atualmente, diz-se no documento, os países da América do Norte comem quase 6,5 vezes mais carne do que o recomendado, enquanto no sul da Ásia se come metade do que era suposto. Todos os países estão a comer mais vegetais ricos em amido, como a batata e a mandioca, do que o recomendado, 1,5 vezes mais no sul da Ásia ou 7,5 vezes mais na África subsaariana.

No modelo proposto aumenta-se o consumo de ácidos polinsaturados saudáveis e reduz-se o consumo de gorduras saturadas, e aumenta-se também a ingestão de micronutrientes essenciais como o ferro, o zinco, o ácido fólico, a vitamina A e o cálcio. A falta de vitamina B12 (muito presente em alimentos de origem animal) poderá ter de ser compensada.

Os autores notam ainda que é necessário descarbonizar mais rápido do que o previsto o sistema energético, para permitir alimentar 10 mil milhões de pessoas em 2050 sem produzir mais gases com efeito de estufa. E que é preciso reduzir a perda de biodiversidade e o uso de fósforo (fertilizantes) e não aumentar o uso de azoto (em fertilizantes também).

E propõem que sejam criadas políticas para encorajar as pessoas a escolher dietas saudáveis, restrições de publicidade e campanhas de educação. Depois os preços dos alimentos devem refletir os custos de produção, mas também os custos ambientais, pelo que pode haver aumento dos custos para consumidores, podendo ser necessárias políticas de proteção social.

E o desperdício alimentar deve ser reduzido pelo menos a metade. Notam os responsáveis que esse desperdício acontece em países pobres durante a produção, devido a mau planeamento, falta de acesso a mercados e falta de estruturas de armazenamento e processamento.

Nos países ricos o desperdício é causado sobretudo pelos consumidores e pode ser resolvido com campanhas que melhorem hábitos de compra, o entendimento dos rótulos, e o armazenamento, preparação, proporções e uso de sobras.

A Lancet lançará este ano vários relatórios, o próximo, no final do mês, será sobre obesidade, desnutrição e alterações climáticas.

domingo, 13 de janeiro de 2019

Fernando Paiva, o produtor de 74 anos que trocou os sulfitos por flores de castanheiro

Foto e notícia aqui


Fernando Paiva é um produtor de Amarante que nunca entra nas cogitações para os prémios de melhor viticultor, melhor enólogo ou personalidade do vinho que as revistas da especialidade atribuem todos os anos. A sua produção é pequena (este ano, para a sua marca Quinta da Palmirinha, só vinificou 7 mil litros), não pertence a nenhuma “família vintage” (não me lembro de designação mais elitista do que esta criada pela SIC), anda apenas no circuito mais alternativo do sector e não tem nem dimensão, nem margem financeira para investir em publicidade e eventos sociais. Na verdade, é um ilustre desconhecido. No entanto, há poucos produtores em Portugal com a sua ética de trabalho e a sua determinação em fazer vinhos bons, puros e saudáveis, por filosofia e não por mimetismo. Um verdadeiro “senhor do vinho” e um exemplo tanto para quem começa a dar os primeiros passos neste ramo como para quem já é veterano.

Aos 74 anos, continua a ser o único produtor biodinâmico certificado em Portugal. E por estes dias foi notícia por ter sido o primeiro a usar flor de castanheiro nos vinhos em substituição de sulfitos, o conservante mais usado na indústria vinícola. Com idade para se reformar, parece um jovem sempre disposto a dar um novo passo em frente, na ânsia apenas de fazer vinhos ainda melhores e mais puros.

Já vamos à flor de castanheiro, mas antes vale a pena recordar a sua “história”. Fernando Paiva é um produtor tardio. Tinha 56 anos quando decidiu olhar com mais interesse para os cerca de 3,5 hectares de vinhas que havia herdado dos pais. Acabara de se reformar como professor de História e de Português em Amarante e, após ter participado numa formação, em Celorico de Basto, com um dos gurus da agricultura biodinâmica, o francês Pierre Masson, ficou sensibilizado para a possibilidade de passar a produzir uvas e vinhos num ambiente mais natural, holístico e saudável. No início, teve dúvidas. Questionava-se sobre se a agricultura biodinâmica poderia ser generalizada ao ponto de poder assegurar a alimentação da humanidade. Mas acabou convencido.



Em 2007, depois de alguns anos de aprendizagem, começou a fazer biodinâmica a sério, respeitando todos os preceitos filosóficos e agrários desta corrente. Desde o uso dos famosos preparados 500 (um punhado de bosta que é usado no solo para aumentar a vida microbiana e facilitar a absorção dos minerais por parte das videiras) e 501 (uma mão cheia de cristais de quartzo moídos que são enterrados num corno de vaca desde a Páscoa até ao Outono e que, pulverizado sobre a vinha, depois de ser agitado numa grande quantidade de água durante uma hora, ajuda à frutificação e à maturação dos cachos), à aplicação de macerações hidroalcoólicas de folhas de consolda, urtiga, cavalinha e eucalipto para aumentar a resistência das videiras a certas doenças. Também povoou a quinta de galinhas, para irem oxigenando a terra e comendo as ervas infestantes, e instalou colmeias, para tirar partido do efeito polinizador das abelhas. E passou a respeitar o calendário desenvolvido por Maria Thun com as actividades que devem ou não devem ser realizadas em cada dia do ano, de acordo com as energias cósmicas que chegam à Terra.

A agricultura biodinâmica não se consegue explicar e justificar com o rigor da ciência. É algo mais do domínio da filosofia e da religião: acredita-se ou não. Apesar de ser agnóstico, Fernando Paiva acredita. Uma coisa é certa: todas as experiências conhecidas mostram de forma inequívoca que as vinhas tratadas de forma biodinâmica se tornam mais saudáveis.

Por consequência, os vinhos tendem a ficar também mais puros. Acontece que o caderno de encargos dos vinhos biodinâmicos permite, por exemplo, a aplicação até 120 mg de sulfitos em cada litro de vinho. É um valor muito alto. Num vinho normal, metade desta dose pode ser suficiente. 

Fernando Paiva sempre usou menos. Mas só o facto de ter de usar sulfitos (dióxido de enxofre) colidia de algum modo com o seu afã de fazer vinhos cada vez mais puros e saudáveis. Quando, há três anos, ouviu na rádio que o Instituto Politécnico de Bragança estava a testar em queijos um produto natural feito a partir da flor de castanheiro que conseguia os mesmos efeitos antioxidantes e antimicrobianos dos sulfitos, ligou logo à investigadora responsável, Isabel Ferreira, a propor-lhe experimentar o produto também nos vinhos. O desafio foi aceite e nesse ano Fernando Paiva fez 100 litros com flor de castanheiro. Gostou do resultado e em 2016 experimentou em 600 litros. Em 2017 passou para três mil e na última vindima usou flor de castanheiro no vinho todo.

É num castanheiro situado junto a uma das suas vinhas que, pelo mês de Julho, Fernando Paiva recolhe as flores. Seca-as e depois transforma-as em pó. Na vindima, após desengaçar as uvas, adiciona ao mosto 40 gramas desse pó por cada hectolitro de vinho e não volta a aplicar mais nada (este valor foi estabelecido com base na investigação liderada por Isabel Ferreira). Recentemente, lançou as primeiras 4 mil garrafas de um branco de Loureiro em que só usou flor de castanheiro e garante que o vinho está melhor do que os outros em que usou sulfuroso. As análises realizadas afastaram também quaisquer desvios nos parâmetros físico-químicos e sensoriais do vinho.

Apesar do sulfuroso, ou dióxido de enxofre, já ser utilizado na produção de vinho há milhares de anos e, até agora, não haver melhor, não deixa de ser um conservante sintético. Não é tóxico, se usado nas doses recomendadas, mas também não é totalmente inócuo, podendo causar alergias - daí ser obrigatório colocar nos rótulos dos vinhos a informação "contém sulfitos". Pelo contrário, a flor de castanheiro não é tóxica, nem tem efeitos alergénicos. O que faltava comprovar era o seu efeito antioxidante e antimicrobiano. Os bons resultados alcançados até agora são muito promissores. O único senão de tudo isto teria a ver com os castanheiros: para bem do vinho, seria preciso sacrificar muita castanha. Mas esse é um problema que não se coloca, porque a recolha das flores só é feita após a fecundação.

Resta, então, saber qual será a durabilidade dos vinhos. Se for boa, a descoberta do Instituto Politécnico de Bragança pode ter repercussões extraordinárias na indústria do vinho, uma vez que o mercado valoriza cada vez mais o uso de conservantes naturais. E, se isso acontecer, Fernando Paiva pode finalmente ter o reconhecimento público que merece.

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Milho transgénico e glifosato - há alternativas eficazes?

Este evento realizou-se no dia 29 de Setembro 2018 na Herdade Tapada da Tojeira, Vila Velha de Ródão. A sessão foi dinamizada por Margarida Silva, bióloga e especialista em desenvolvimento sustentável e foi organizada pela Plataforma Transgénicos Fora! e Herdade Tapada da Tojeira (com apoio da Confederacão agricultores Portugal - CAP de Castelo Branco).

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Documentário excelente e completo (disponível apenas em Inglês): Genetically Modified Children



Can Monsanto chemicals permanently alter your child’s genes? Low-income tobacco farmers face skyrocketing cancer rates with more devastating repercussions affecting their children: severe physical deformities and mental disabilities. Choosing between poverty or poison, Latin American growers have no choice but to use harmful chemicals such as glyphosate (in Monsanto’s Roundup) and Bayer’s Confidor, if they want to certify and sell their crops to Big Tobacco. As patent and regulatory laws continue to favor the profits of Monsanto and chemical companies, the tobacco makes its way into the hands and mouths of consumers worldwide in Philip Morris tobacco products, while the poisons used to harvest the crops contaminate the farmers’ blood and are modifying the human genome, creating genetically modified children.

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Os serviços da floresta nos Açores


Cada floresta pristina organiza-se e adopta uma sociedade de seres que dela dependem mas com ela interconectam-se em redes de energia e de matéria impensáveis e de uma liquidez económica incriveis. 
Exemplo, os Açores: 

- A faia-da-terra é usada em sebes e dela chegou a produzir-se um carvão medicinal utilizado como “absorvente de gases do estômago e intestinos”. Também era utilizada em tinturaria para a preparação de uma coloração amarela.

- O cedro-do-mato foi utilizado pelos antigos na construção de igrejas, conventos e barcos, era empregue em tinturaria para a obtenção do cinzento-escuro e avermelhado. Trata-se da mais nobre essência dos bosques do arquipélago. 

- O óleo da baga de louro para além de ser usado na iluminação era excelente remédio para a cura das feridas do gado e, com a sua madeira, leve e resistente, faziam-se charruas e cangas para as juntas de bois.

- A urze era usada em tinturaria para a obtenção do verde e no fabrico das vassouras.

- A madeira do folhado era usada no fabrico de alfaias agrícolas e a do pau- branco era muito procurada para a construção de carros.

- A madeira de azevinho, sanguinho e gingeira-do-mato era muito utilizada em obras de marcenaria.

- O fruto da camarinha era utilizado no Pico e os da uveira-da-serra (romania) são muito agradáveis sobretudo em compota.

- A murta planta apreciada pela fragrância das suas flores era utilizada para fins medicinais e de perfumaria. Chegou a ser exportada da Inglaterra onde as suas folhas eram usadas no curtimento de peles.

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Descubra o primeiro mercado municipal biológico de Lisboa

Foto: Time Out Lisboa

Lisboa tem, a partir de agora, um mercado municipal focado na comercialização de produtos biológicos.

A iniciativa faz a ligação entre o Plano Municipal dos Mercados de Lisboa 2016-2020, que tem como objectivo reforçar o papel dos mercados na vida de bairro e a Estratégia Nacional para a Agricultura Biológica, aprovada há cerca de um ano e que visa promover a produção e o consumo de produtos de qualidade certificada.

Além de mercearias bio, padaria bio, restaurante bio, o espaço conta ainda com um mercado grossista de produtos biológicos nacionais que poderão entre outros clientes, fornecer as cantinas escolares da Freguesia do Lumiar, como já acontece com o projeto-piloto de alimentação biológica nas escolas da Freguesia dos Olivais.

Uma estratégia integrada de qualidade e sustentabilidade que importa multiplicar por todo o país!

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Numa cidade brasileira, em Campo Grande, um autocarro itinerante vende alimentos orgânicos de produtores familiares por um preço acessível

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Comer alimentos saudáveis não é barato e viver deles também não é uma tarefa fácil. Produtores orgânicos enfrentam muitas dificuldades no cultivo, colheita e distribuição dos alimentos que produzem para garantir a qualidade que, muitas vezes, é trocada pelos preços mais em conta dos alimentos convencionais.

Para distribuir produtos orgânicos a um custo mais acessível, a Cooperativa de Produtores Orgânicos da Agricultura Familiar de Campo Grande criou um ônibus itinerante que leva frutas, legumes e verduras pelo valor único de R$ 3. Toda quarta-feira, perto da igreja do Perpétuo Socorro, em Campo Grande, é possível encontrar o veículo.

A feira possui mais de 1,2 mil vegetais por edição e aproveita o movimento da novena da igreja para garantir o fluxo de caixa. Segundo Vanderlei Fernandes, presidente da entidade, quando a feira acaba, às 11h, já não há mais nada no ônibus.

A iniciativa reúne profissionais como nutricionistas, agrônomos e agroecológicos que garantem a qualidade, variedade e procedência dos alimentos. “Nosso objetivo é que a população tenha o hábito de consumir produtos saudáveis”, explica Vanderlei.

quarta-feira, 25 de julho de 2018

Conheça o plogging, a atividade desportiva que faz bem à saúde e ao meio ambiente ao mesmo tempo

Criada a partir da combinação das palavras em inglês jogging (corrida) e plocka upp (apanhar), em sueco, o plogging é a nova tendência de fitness. E traz benefícios também ao ambiente e à sociedade.


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Um saco de plástico, roupas confortáveis e um par de ténis de corrida é tudo o que é preciso para melhorar a sua condição física e... fazer do mundo um lugar mais limpo. O plogging combina a atividade física com a recolha de lixo durante o trajeto e, segundo a aplicação sueca de saúde Lifesum, um utilizador comum gasta em 30 minutos uma média de 288 calorias a praticar este exercício.

Além de correr, os adeptos ao plogging realizam outros movimentos como a flexão das pernas ao recolher o lixo que foi atirado para o chão. Nada fica de fora: utensílios descartáveis, garrafas de plástico e embalagens vão para o saco e são, posteriormente, reciclados. A ideia sustentável de reaproveitar o lixo apanhado durante a prática desportiva é uma iniciativa da Lifesum com a organização sem fins lucrativos Keep America Beautiful, que fornece no seu site informações sobre os postos de reciclagem mais próximos.


"O lixo afeta a nossa qualidade de vida, o desenvolvimento económico e, muitas vezes, acaba por poluir os rios e oceanos prejudicando a vida dos animais que ali vivem. O plogging é brilhante porque é simples, divertido e ao mesmo tempo que o pratica ajuda a criar comunidades mais limpas, mais ecológicas e mais bonitas", sublinha Mike Rosen, vice-presidente sénior da Keep America Beautiful.

Embora a atividade tenha nascido na Suécia, a moda espalhou-se pela Europa principalmente através das redes sociais. Ao utilizar a hashtag #plogging, os utilizadores do Instagram partilham as conquistas da nova prática desportiva.

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Procuram-se voluntários para testar contaminação por glifosato

A Plataforma Transgénicos Fora está a promover, até dia 21, a recolha de amostras de urina para testar o nível de contaminação por glifosato, um herbicida considerado potencialmente cancerígeno e utilizado em Portugal.
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Análises realizadas em 2016, noutra ação daquela plataforma, revelaram "níveis de contaminação 20 vezes superiores à média de outros países da União Europeia (UE)", refere Margarida Silva, uma das coordenadoras do grupo.

As análises serão enviadas para um laboratório em Bremen, na Alemanha, e os resultados deverão ser conhecidos até final de setembro. Cada análise custa 73,20 euros, a que acrescem cinco euros para custos de envio. "É caro, mas a Plataforma não tem como suportar os custos", por isso, apela a que as pessoas façam um esforço ou se juntem em grupos, associações, bairros e comunidades, para suportar as despesas de mandar testar uma amostra de cada região. Para já estão inscritas 23 pessoas, mas a Plataforma Transgénicos Fora gostaria de chegar às 50, tocando todas as regiões do continente e arquipélagos.

A intenção é conseguir "um grupo alargado e o mais representativo possível do país, para termos uma espécie de mapa da contaminação em Portugal" e, dessa forma, a comprovarem-se elevados valores de contaminação, "exigir junto de autarquias e governo que o uso de glifosato seja drasticamente reduzido e progressivamente substituído por alternativas que não prejudiquem a saúde e o ambiente", explica Margarida Silva. Este será, diz, "o primeiro estudo científico sobre um problema invisível e silencioso de saúde pública".

Em 2016, a Plataforma Transgénicos Fora conseguiu reunir donativos para pagar as análises. Na ocasião foram analisados 26 voluntários (22 da região do Porto e quatro de Tomar). Os resultados acusaram uma contaminação 20 vezes superior à média de outros países da UE, mas não se encontraram explicações para os valores. "Ninguém sabe porque estamos tão contaminados, pode ser dos alimentos, da água ou outra coisa. Mas também não parece haver pressa e interesse em saber", estranha Margarida Silva.

Os interessados em participar devem preencher o formulário online. O resultado de cada análise será comunicado individualmente, juntamente com uma explicação e sugestões de descontaminação.

Pesticida para agricultura é legal

O glifosato é um pesticida que pode ser utilizado legalmente na agricultura e também para pulverizar passeios e arruamentos, se outras ações se revelarem infrutíferas para eliminar as ervas. Já foi, no entanto, proibido junto a escolas e outros espaços considerados sensíveis.

Em 2015 foi classificado como "carcinogéneo provável para o ser humano e carcinogéneo provado para animais de laboratório" pela International Agency for Research on Cancer, entidade que integra a Organização Mundial de Saúde. No entanto, há quem questione o estudo.

A discussão sobre o seu uso é longa. Em novembro de 2017, a licença do uso do glifosato foi renovada por mais cinco anos na União Europeia. Portugal absteve-se na discussão.

A Plataforma Transgénicos Fora e outros ambientalistas dizem que Portugal é o país europeu que mais utiliza glifosato. Um estudo realizado há poucos anos e publicado na revista académica "Science of the Total Environment" encontrou níveis elevados de glifosato em amostras de solos agrícolas em Portugal. 53% das 17 amostras tinham o herbicida, valores que ultrapassam largamente o segundo país mais contaminado (a França).

segunda-feira, 16 de julho de 2018

O mar cura gratuitamente pelo menos 16 doenças!

Texto e imagem aqui

Férias na praia podem ser uma verdadeira cura para muitas doenças. São incríveis os benefícios da água, do sol, e do sal no corpo.

Faça uma pausa nos seus medicamentos e trate-se com um feriado ou um final de semana na praia. Sim, o mar, com a sua salinidade, o iodo, o seu ar saloio dico pode ser uma verdadeira cura para muitas doenças. Eles contaram: são pelo menos 16.

A massagem com água ativa a circulação, a água salgada libera o trato respiratório e reduz as formas alérgicas.

Eles beneficiam as vias aéreas:
alergias respiratórias
sinusite
asma
convalescença de constipações e outras doenças respiratórias
problemas causados ​​pelo tabagismo
intoxicação por agentes químicos

O dano dos ossos é reparado e as dores de:
deslocamentos
distorções
fraturas
artrose
dores nas articulações
osteoporose
espondilose
doenças reumáticas

Com o mar, as alergias cutâneas são reduzidas:
psoríase
eczema
dermatite
acne seborreica

Graças ao mar, as condições anémicas, as doenças ginecológicas, o hipotiroidismo e o linfatismo melhoram. Muito importante, o mar também ajuda a combater estados depressivos.

Que doenças são tratadas com o mar
Um benefício de uma estadia no mar são alergias respiratórias (especialmente pólen), anemia, artrite, convalescença depois de doenças do trato respiratório, depressão, entorses, fracturas, hipotiroidismo, luxações, doenças alérgicas da pele, doenças ginecológicas, doenças reumática, osteoporose, psoríase, raquitismo.

O importante é saber como se comportar para aproveitar ao máximo todos os benefícios que podem ser extraídos da água do mar e do sol. Os benefícios da água do mar

Aqui estão alguns dos principais benefícios dos tratamentos de maré, ou seja, talassoterapia.

Melhora a respiração
Mas por que o mar é um amigo tão precioso? O que o torna tão especial é o chamado aerossol marinho. O ar, perto da costa, contém uma quantidade maior de sais normais do que minerais: cloreto de sódio e magnésio, iodo, cálcio, potássio, bromo e silício. Eles vêm das ondas quebrando a costa e dos salpicos de água do mar levantada pelo vento. Os primeiros a se beneficiar são os pulmões: a respiração melhorou significativamente desde os primeiros dias. Mas o aerossol marinho também estimula o metabolismo, revigora a circulação sanguínea e melhora o sistema imunológico.

A água do mar tem muitos componentes que trazem relaxamento ao corpo, tiram dores e reenergizam. Não é à toa a crença de que um banho de mar pode “descarregar” energias negativas. Além das propriedades da água, a quebra das ondas no corpo promove uma drenagem linfática e ainda estimula a pele e a circulação.

A água marinha é composta por mais de 80 elementos químicos. Alivia principalmente as tensões musculares, graças à presença de sódio em sua composição — por isso é considerada energizante. A massagem que as ondas fazem no corpo estimula a circulação sanguínea periférica, e isso provoca aumento da oxigenação das células.

Graças à presença de cálcio, zinco, silício e magnésio, a água do mar é usada para tratar doenças como artrite, osteoporose e reumatismo. Já o sal marinho, rico em cloreto de sódio, potássio e magnésio, tem propriedades cicatrizantes e antissépticas.

Combate a retenção de água
Muitas pessoas sofrem de retenção de água durante a estação quente. Na água do mar, de fato, existe uma concentração considerável de sais minerais. E isso, devido a um mecanismo físico chamado osmose, favorece a eliminação, através da pele, dos líquidos que haviam acumulado nos tecidos. Com grandes vantagens para a circulação das pernas.

Luta contra os quilos extras
Os quilos extras são perdidos com mais facilidade. O sal estimula as terminações nervosas da epiderme, como conseqüência acelera o metabolismo: o corpo, na prática, queima alimentos e gordura mais rápido.

Fortalece o sistema circulatório
Graças à pressão que a água exerce enquanto você está imerso, sua temperatura, que nesta temporada é de cerca de 20 graus e movimento ondulatório, que pratica uma massagem suave em todo o corpo.

Fortalece a musculatura
A natação relaxa os músculos, rapidamente dissolve contraturas e dá mobilidade às articulações bloqueadas pela artrite e artrose. E então ajuda intestinos e rins, purificando todo o corpo

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Bactéria perigosa para árvores de fruto vai ser detetada por drones

A Xylella fastidiosa é uma bactéria muito perigosa para as plantas. Ainda não chegou a Portugal, mas todo o cuidado é pouco. Detetar a doença precocemente é importante para controlar a sua expansão.
"A Xylella fastidiosa pode infetar mais de 350 espécies de plantas em todo o mundo”, escrevem os autores do artigo.

Foto e texto de Observador, 25.06.18
E se fosse possível detetar uma infeção antes mesmo dela provocar sintomas no hospedeiro? Provavelmente isso não salvaria o ser vivo infetado, mas poderia ajudar a que os que se encontravam por perto fossem poupados. Neste caso falamos de oliveiras e da mais perigosa bactéria para as espécies vegetais — a Xylella fastidiosa. A proposta é de uma equipa internacional e foi publicada esta segunda-feira na Nature Plants.

É certo que a forma mais precisa de determinar se uma árvore está infetada com a bactéria é recolhendo amostras da própria árvore e analisando essas amostras, mas o tempo que demora, os custos e os requisitos de pessoal qualificado tornam o método incomportável. Especialmente se a ideia for detetar precocemente a infeção.

Existe um método que permite avaliar várias árvores ao mesmo, mapeando vastas áreas com sensores de infravermelhos em satélite, mas neste caso só é possível detetar a infeção numa fase avançado da doença, quando as folhas já perderam a clorofila (que dá a cor verde), estão murchas e a cair. A bactéria infeta o xilema — os vasos por onde circula a água e os sais minerais — espalhando-se pelas paredes dos vasos até bloquearem a circulação da seiva bruta. Como a água e os nutrientes não chegam às folhas, estas vão secando, perdendo a capacidade de desempenhar as suas funções e morrendo.

A proposta da equipa liderada por Pablo Zarco-Tejada, investigador no Centro Comum de Investigação da Comissão Europeia, é usar pequenos aviões ou drones para detetar as árvores infetadas ainda antes de estas mostrarem os primeiros sintomas da doença. Para isso analisaram imagens dos olivais usando todo o espetro eletromagnético (logo, todo o espetro de luz e não apenas o infravermelho) e o espetro de temperaturas e conseguiram determinar com bastante precisão quais as árvores infetadas. Algo que confirmaram depois com análises às próprias árvores.

Uma vez identificada a infeção a árvore tem de ser abatida e incinerada, o que tem significado enormes perdas económicas no setor. Logo, quando mais cedo se identificar a infeção, maior a probabilidade de se conter a sua disseminação — as árvores infetadas são perdidas, mas conseguem salvar-se as restantes.

É que a bactéria Xylella fastidiosa tem uma agravante, não infeta apenas oliveiras. Também infeta vinhas, amendoeiras, citrinos e outras árvores de fruto, assim como carvalhos, ulmeiros e árvores ornamentais, ou até gramíneas. E a bactéria é facilmente transmitida pelos insetos que picam as árvores para se alimentarem da seiva bruta porque não precisam de um vetor específico (veículo de transmissão, como um inseto).

A bactéria foi detetada pela primeira vez em Itália, em 2013. Neste país afeta sobretudo as oliveiras. Deste então já se espalhou para França, onde as árvores ornamentais têm sido o principal alvo, e Espanha, que tem visto as amendoeiras serem mais atingidas. Em Portugal ainda não foi detetada a bactéria, mas há uma equipa liderada pelo INIAV que está atento à expansão da doença.

Enquanto se tentam detetar precocemente as plantas doentes e se tenta controlar a doença, existem alguns conselhos para prevenir o seu aparecimento: não transportar plantas de um país para o outro; comprar apenas plantas com Certificado Fitossanitário; e combater os insetos que sugam a seiva das árvores e que podem transmitir a bactéria.

terça-feira, 5 de junho de 2018

Documentário da Semana - Sobrevivendo ao Progresso / Surviving Progress (2011) Legenda PT


 

A ascensão da Humanidade é geralmente medida pela velocidade do progresso. Mas e se o atual progresso estiver-nos prejudicando, em direção ao colapso? Ronald Wright, autor do best-seller "A Short History Of Progress" (A Breve História do Progresso), que inspirou este documentário, mostra como as civilizações do passado foram destruídas pelas "armadilhas do progresso" - tecnologias fascinantes e sistemas de crença que atendem a necessidades imediatas, mas comprometem o futuro.
Com a pressão sobre os recursos mundiais aumentando e as elites financeiras levando nações ao fundo do poço, poderá nossa civilização globalizada escapar da catástrofe - a "armadilha do progresso" final?
Através de imagens marcantes e insights iluminadores, de pensadores que investigaram nossos genes, cérebros e comportamento social, este réquiem do modelo de progresso usual também propõe um desafio: provar que tornar macacos mais inteligentes não é um beco sem saída evolucionário.

Ler ainda a crónica de Maria Luísa Monteiro Franco, 10 Dezembro, 2014

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Plantar árvores nas cidades devia ser visto como uma medida de saúde pública, diz cientista

Benefícios das árvores urbanas

E se as cidades conseguissem, com uma só medida, reduzir a obesidade e a depressão, aumentar a produtividade e o bem-estar e diminuir a incidência de asma e doenças cardíacas nos seus habitantes? As árvores urbanas oferecem todos estes benefícios e muito mais: filtram o ar, ajudando a remover as partículas finas emitidas pelos carros e fábricas, retêm a água da chuva e diminuem as despesas com o aquecimento.

Num novo relatório, realizado pela organização The Nature Conservancy, os cientistas defendem que as árvores urbanas são uma importante estratégia para a melhoria da saúde pública nas cidades, devendo ser financiadas como tal. 

“Há muito tempo que vemos as árvores e os parques como artigos de luxo; contudo, trazer a natureza de volta para as cidades é uma estratégia crítica para se melhorar a saúde pública”, disse Robert McDonald, cientista da The Nature Conservancy e coautor do relatório. 
Todos os anos, entre três e quatro milhões de pessoas morrem, em todo o mundo, devido à poluição atmosférica e aos seus impactos na saúde humana. A poluição do ar aumenta o risco de doenças respiratórias crónicas, havendo estudos que a associam ainda às doenças cardiovasculares e ao cancro. As ondas de calor nas zonas urbanas também fazem milhares de vítimas, por ano. Vários estudos têm demonstrado que o arvoredo urbano pode ser uma solução eficaz em termos de custos para ambos estes problemas.
Apesar de todos os estudos que documentam os benefícios dos espaços verdes, muitas cidades ainda não veem a ligação entre a saúde dos moradores e a presença de árvores no ambiente urbano.
Robert McDonald defende a necessidade da cooperação entre diferentes departamentos e a inclusão da natureza nos debates sobre ordenamento urbano.

“Não é suficiente falar-se apenas das razões que tornam as árvores tão importantes para a saúde. Temos de começar a discutir as razões sistemáticas por que é tão difícil para estes sectores interagirem – como o sector florestal pode começar a cooperar com o de saúde pública e como podemos criar ligações financeiras entre os dois”, disse o investigador.

“A comunicação e a coordenação entre os departamentos de parques, florestas e saúde pública de uma cidade são raras. Quebrar estas barreiras pode revelar novas fontes de financiamento para a plantação e gestão de árvores.”

O cientista dá como exemplo a cidade de Toronto, onde o departamento de saúde pública trabalhou em conjunto com o florestal para fazer frente à ilha de calor urbano. Como muitos edifícios em Toronto não possuem ar condicionado, os dois departamentos colaboraram de forma a colocarem, estrategicamente, árvores nos bairros onde as pessoas estão particularmente vulneráveis ao calor, devido ao seu estatuto socioeconómico ou idade.

O relatório diz ainda que o investimento na plantação de novas árvores – ou até na manutenção das existentes – está perpetuamente subfinanciado, mostrando que as cidades norte-americanas estão a gastar menos, em média, no arvoredo do que nas décadas anteriores. Os investigadores estimaram que despender apenas $8 (7€) por pessoa, por ano, numa cidade dos EUA, poderia cobrir o défice de financiamento e travar a perda de árvores urbanas e dos seus potenciais benefícios.

Outros trabalhos também têm mostrado que o arvoredo urbano tem um valor monetário significativo. Segundo um estudo do Serviço Florestal dos EUA, cada $1 gasto na plantação de árvores tem um retorno de cerca de $5,82 em benefícios públicos.

Num outro estudo, uma equipa de investigadores da Faculdade de Estudos Ambientais da Universidade do Estado de Nova Iorque concluiu que os benefícios das árvores para as megacidades tinham um valor médio anual de 430 milhões de euros (505 milhões de dólares), o equivalente a um milhão por km2 de árvores. Isto deve-se à prestação de serviços como a redução da poluição atmosférica, dos custos associados ao aquecimento e arrefecimento dos edifícios, das emissões de carbono e a retenção da água da chuva.

Com demasiada frequência, a presença ou ausência de natureza urbana, assim como os seus inúmeros benefícios, é ditada pelo nível de rendimentos de um bairro, o que resulta em desigualdades dramáticas em termos de saúde. De acordo com um estudo da Universidade de Glasgow, a taxa de mortalidade entre os homens de meia-idade que moram em zonas desfavorecidas com espaços verdes é inferior em 16% à dos que vivem em zonas desfavorecidas mais urbanizadas.

Para Robert McDonald, a chave é fazer-se a ligação entre as árvores urbanas e os seus efeitos positivos na saúde mental e física. “Um dos grandes objetivos deste relatório é fazer com que diversos serviços de saúde vejam que deviam estar a participar na discussão para tornar as cidades mais verdes”, declarou. “As árvores urbanas não podem ser consideradas um luxo, dado que constituem um elemento essencial para uma comunidade saudável e habitável e uma estratégia fundamental para a melhoria da saúde pública.”