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sábado, 12 de agosto de 2017

Em cada ano produzimos em plástico o equivalente ao peso de toda a humanidade

O aviso é da Fundação Oceano Azul, que arranca hoje, dia 12 de Agosto, com a campanha "O que não acaba no lixo acaba no mar". Anualmente, perto de oito milhões de toneladas de plásticos invadem os oceanos.


Um milhão de aves e 100 mil mamíferos marinhos morrem todos os anos devido à poluição por plástico. Os números são da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) e não são os únicos que a Fundação Oceano Azul considera alarmantes.

Emanuel Gonçalves, um dos membros da comissão executiva da fundação que é responsável por gerir o Oceanário de Lisboa, chama a atenção para os muitos milhões que estão na origem do lixo oceânico.
"Por ano são produzidos 300 milhões de toneladas de plástico à escala global, que é o equivalente ao peso de toda a humanidade. E, destes 300 milhões, estima-se que cerca de 8 milhões vão parar ao oceano", diz, em declarações à TSF, Emanuel Gonçalves, da comissão executiva da Fundação Oceano Azul.

Milhões de toneladas de plástico que chegam aos oceanos, com origem numa indústria com um ritmo de produção cada vez mais relevante e com impacto nos ecossistemas marinhos: "De 2014 a 2017 produziram-se tantos plásticos no mundo como desde que inventámos o plástico até 2014", sublinha Emanuel Gonçalves".

Segundo dados fornecidos pela Fundação Oceano Azul, o plástico constitui perto de 80 por cento do lixo marinho e representa 90 por cento do lixo encontrado no fundo oceânico.

Uma realidade que, defende Emanuel Gonçalves, deve ser invertida, tal como a forma como os cidadãos encaram o problema. "Temos de ter formas de combater o mau uso dos produtos plásticos do nosso dia-a-dia, como, por exemplo, através do cuidado em colocá-los nos recipientes próprios. É importante que as pessoas percebam que estamos a transformar o fundo do oceano num caixote do lixo", diz.

Um apelo que surge na campanha "O que não acaba no lixo acaba no mar", da Fundação Oceano Azul, que pretende sensibilizar e mudar mentalidades. "Estas campanhas têm como objetivo que as pessoas mudem comportamentos, apercebendo-se daquilo que é o seu impacto no ambiente e, neste caso, nos oceanos", afirma Emanuel Gonçalves, que defende que as mudanças podem começar com pequenos gestos.
"As beatas dos cigarros, que são um dos principais produtos que encontramos a poluir as praias, têm microelementos que são feitos de plásticos e que acabam por perdurar nos ecossistemas marinhos. Se as colocarmos nos recipientes próprios estamos a contribuir para combater esse problema", lembra.
Ainda assim, entende o membro da comissão executiva da fundação, estamos hoje "muito mais atentos" a este tipo de questões do há uma ou duas décadas, em particular os jovens: "Estão muito mais atentos e pretendem ser uma voz ativa na mudança destes comportamentos".

Os projetos da fundação, que detém a concessão do Oceanário de Lisboa, passa por áreas como a promoção da literacia marítima, o financiamento de programas científicos para a preservação de espécies marinhas, o estabelecimento de áreas protegidas ou a criação de redes de pesca sustentáveis. Para isso, conta com um orçamento anual de 5,5 milhões de euros.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Os nossos oceanos, o nosso futuro

Marine Debris. Fonte: The Conservation
Até hoje, dia 9 de Junho, a Ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, participa na Conferência dos Oceanos, organizada pelas Nações Unidas, em Nova Iorque. O tema da conferência é «Nossos Oceanos, Nosso Futuro: Parcerias para a Implementação do Desenvolvimento Sustentável 14». O objectivo 14 da agenda consiste na «Conservação e uso sustentável dos oceanos, dos mares e dos recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável», num conjunto de 17, a serem implementados até 2030.

Ana Paula Vitorino participa ainda, à margem da ordem de trabalhos da conferência, em vários encontros bilaterais com os seus homólogos e com o sector empresarial, nomeadamente com a Câmara de Comércio Americana, com a AICEP/Portugal, e com a CLIA – Cruise Lines International Association.

A delegação portuguesa participante na conferência inclui a Responsável pela Estrutura de Missão da Extensão da Plataforma Continental, Isabel Botelho Leal, o Director-Geral das Politicas do Mar, Fausto Brito e Abreu, a presidente da Associação dos Portos de Portugal, Lídia Sequeira, e o Director Regional para os Assuntos do Mar dos Açores, Filipe Porteiro.

A Comissão Europeia enviou João Aguiar Machado, Director-General, Directorate General for Maritime Affairs and Fisheries, que já teve oportunidade de intervir nesta conferência, conforme mostra esta foto. (na foto, com o microfone).

Mais participantes cuja presença e intervenção não tem sido referida pelos nossos media de referência incluem: a Santa Sé, o WWF, o príncipe do Mónaco, o Banco Europeu de Investimento, a Agência Internacional de Energia Atómica, e a Universidade de Victoria (Canadá).

Curiosidade: na cerimónia de abertura, Guterres citou Vergílio Ferreira. E Ana Paula Vitorino recebeu um certificado do Ocean 8 pela cooperação internacional no Ocean Science.

Refira-se que, no âmbito deste objetivo 14, Portugal está empenhado em 11 iniciativas: 
  1. Interações atlânticas: uma agenda estratégica de investigação integrando espaço, energia-clima, oceanos e ciências de dados através da cooperação Norte-Sul / Sul-Norte
  2. Criar um sistema de avaliação e acompanhamento do Fundo Azul que está alinhado com o objetivo 14.
  3. Promover e apoiar a criação de uma rede forte de investigação e inovação marinha e marítima, através da criação de um cluster de tecnologia portuária em Lisboa e do Observatório Atlântico, nos Açores, com um foco no Norte e do Sul
  4. Promover e aumentar o investimento público em projetos voltados parta a conservação da biodiversidade marinha em 2 milhões de euros.
  5. Reduzir a captura excessiva e devoluções de peixe ao mar
  6. Trabalhar a nível regional, no âmbito da Convenção OSPAR, com vista a reduzir o lixo marinho no Atlântico
  7. Reduzir a poluição marinha através do desenvolvimento de plataformas tecnológicas e ferramentas que promovam a economia circular do mar
  8. Promover políticas públicas e aumentar a consciência internacional sobre a importância do oceano e da Saúde Humana
  9. Desenvolver Planos de Ordenamento do Espaço Marítimo que cobrem a toda área sob jurisdição nacional, usando abordagens baseadas nos ecossistemas
  10. Proteger pelo menos 14% das zonas costeiras e marinhas sob jurisdição nacional
  11. Expandir o projeto «A Pesca por um mar sem lixo» a todos os portos de pesca no continente português
Fonte: Ondas

sexta-feira, 19 de maio de 2017

320 Bandeiras Azuis nas Praias Portuguesas em 2017


320. É este o número de bandeiras azuis que vão ser içadas nas praias, neste ano de 2017.

A Associação Bandeira Azul da Europa, entidade que gere o processo de atribuição do galardão, refere que o número corresponde a 55% do total das praias portuguesas, tendo ainda sido atribuída a certificação de qualidade a 14 portos de recreio/marinas e, pela primeira vez, a 5 embarcações ecoturísticas.

Mapa completo disponibilizado gratuitamente em formato pdf aqui

quinta-feira, 23 de março de 2017

Breathelife - uma base de dados para acedermos níveis de contaminação atmosférica de 3 mil cidades.

REIVINDICA JUNTO do PRESIDENTE da TUA  CIDADE  para LIMPAR o AR da CIDADE.




A poluição do ar pode ser um problema ambiental que estamos todos familiarizados, mas os níveis continuam a subir,pelo que  agora é uma crise de saúde pública que requer uma acção urgente. A poluição do ar ceifa 6,5 milhões de vidas por ano e contribui significativamente para as alterações climáticas. As cidades podem rapidamente reduzir a poluição do ar através de medidas já comprovadas como a regulamentação das emissões dos veículos e a implantação de redes de soluções de trânsito rápido, mas os líderes só vão agir se eles sabem que esta questão é de vital importância para os seus cidadãos. Faz um apelo aos teus líderes para que a tua cidade se integre na rede Respira Vida (Breathe Life) e apoie soluções que limpem o nosso ar, protejam a nossa saúde e reduzam os efeitos do aquecimento global.

quinta-feira, 16 de março de 2017

Dois mil livros gratuitos sobre bioconstrução e permacultura


Fonte: Eco Casa Portuguesa

A plataforma virtual Ideas Verdes disponibilizou uma biblioteca com mais de dois mil livros, artigos e documentos gratuitos sobre bioconstrução, permacultura, agroecologia e sustentabilidade. Assuntos que desde os anos 1990 vêm sendo discutidos na agenda global e que na última década ganharam ainda mais peso devido aos efeitos já sensíveis da mudança climática em diversas partes do mundo, a biblioteca gratuita, com títulos em espanhol e inglês, pode ser uma fonte bastante útil para arquitetos, planejadores e paisagistas.
Em sua página oficial, a plataforma compilou uma lista resumida de títulos voltados ao estudo da permacultura, agroecologia e bioconstrução. Veja as sugestões a seguir: 

PERMACULTURA E AGROECOLOGIA
John Seymour – El Agricultor Autosuficiente
John Seymour – La Vida En El Campo
Fukuoka – La Revolucion De Una Brizna De Paja
Fukuoka – La Senda Del Cultivo Natural
Bill Mollison – Introduccion A La Permacultura
Bill Mollison – La Parabola Del Pollo
Bill Mollison – El Momento Mas Terrible Del Dia
David Holmgren – La escencia de la permacultura
David Holmgren – Dinero Vs Energía fósil
Emilia Hazelip – Coleccion De Agricultura Sinergica
Jairo Restrepo – ABC agricultura organica y harina de rocas
Jairo Restrepo – Abonos Organicos Fermentados
G.E. Xoriguer – Manual Practico para Construir Cajas Nidos
Mariano Bueno – Como Hacer Un Buen Compost
Josep Rosello – Como Obtener Tus Propias Semillas
Jerome Goust – El Placer De Obtener Tus Semillas
J. Fernandez-Pola – Cultivo De Plantas Medicinales Y Aromaticas

BIOCONSTRUÇÃO
Predes – Construccion De Vivienda En Adobe
Gernot Minke – Manual De Construcción Con Paja
Gernot Minke – Manual De Construccion En Tierra
Gernot Minke – Techos Verdes
Johan Van Lengen – Cantos Del Arquitecto Descalzo
Johnny Salazar – Construyendo Con COB
Elias Rosales Escalante – Manual De Tratamiento De Aguas Grises
Bill Steen – La Casa De Fardos De Paja
Lourdes Castillo Castillo – Sanitario Ecológico Seco
Gustavo San Juan – Manual De Construccion De Calentador Solar De Agua
Pedro M. Molina – Como Hacer Hornos De Barro
Para acessar os mais de dois mil livros gratuitos para download clique aqui e navegue na biblioteca digital do Ideas Verdes.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Ai, Nuclear, Nuclear


Um caso grave de surdez política
Por Susana Fonseca, 17 de Fevereiro

Sem praticamente se dar por isso em Portugal, o Parlamento Europeu (PE) deu esta semana o seu consentimento a que o acordo de comércio e investimento entre a União Europeia e o Canadá (o CETA) siga em frente, o que terá, desde já, duas implicações muito relevantes.
Uma primeira é a aplicação provisional do acordo. Do âmbito desta aplicação pouco ficará de fora, pelo que as ameaças identificadas por mais de três milhões e quinhentos mil europeus e milhares de organizações dos mais diversos quadrantes da sociedade (ONG de ambiente, de defesa dos consumidores, sindicatos, organizações de produtores agrícolas, PME, municípios e regiões, organizações profissionais da área da saúde ou do direito e da justiça)  irão agora tornar-se realidade, com a conivência da maioria dos nossos representantes no PE.

Em relação aos representantes portugueses, a direita fez o que faz habitualmente, defender os interesses das grandes empresas e do comércio livre, mesmo que num modelo contrário aos objetivos do desenvolvimento sustentável. A posição mais surpreendente  deste grupo acaba por ser a de José Inácio Faria, eleito pelo Partido da Terra, mas que aparentemente se terá perdido do caminho que por cá defendeu.
Os deputados socialistas portugueses, com a honrosa exceção da deputada Ana Gomes, alinharam com a direita, ao contrário do que fizeram vários outros colegas de outros países. No discurso estão muito preocupados, mas na prática são incapazes de romper com o status quo. Os nossos representantes mais à esquerda votaram contra o acordo, como esperado.

A segunda implicação é que o CETA só poderá entrar em vigor na sua plenitude, nomeadamente nas provisões que atribuem às multinacionais o direito de processar os Estados quando estes regulam contra os seus interesses, mesmo que essa regulação seja em prol da saúde humana e do ambiente, após a aprovação pelos Parlamentos de cada país (nacionais e regionais – 38 no total).

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Um milhão de assinaturas para banir glifosato da União Europeia

Começou ontem, dia 8 de Fevereiro a recolha de assinaturas para proibir o uso de um dos principais componentes dos pesticidas ao nível mundial. O objectivo é recolher um milhão de assinaturas para levar problemática à Comissão Europeia.

Assinar e obter impressos aqui

O glifosato é o principal componente dos pesticidas ao nível mundial, sendo amplamente usado em agricultura e nas áreas urbanas. Nos últimos anos, tem gerado crescente discussão acerca da sua utilização. A partir desta quarta-feira, dezenas de organizações não governamentais (ONG) de toda a União Europeia (UE) iniciaram a mobilização de cidadãos para banir o glifosato. Em Portugal, as ONG envolvidas agregaram-se na Plataforma Transgénicos Fora.

A recolha de assinaturas foi criada enquanto iniciativa de cidadania europeia (ICE). A ICE é um instrumento de participação cívica introduzido pelo Tratado de Lisboa, que define a apresentação de propostas legislativas à Comissão Europeia mediante a recolha de um milhão de assinaturas. O objetivo desta iniciativa é travar a renovação da autorização de uso do glifosato.

“Existe alguma falta de dados concretos em relação ao seu impacto epidemiológico, ou seja, em relação ao impacto em pessoas expostas. No entanto, sabe-se que em animais de laboratório causa cancro. Sabe-se também que é o herbicida mais usado em Portugal e no mundo e que os portugueses estão particularmente contaminados”, afirma Mariana Silva, uma das coordenadoras da Plataforma Transgénicos Fora.

Com efeito, a substância foi classificada em março de 2015 pela Agência Internacional para a Investigação do Cancro da Organização Mundial da Saúde como “carcinogénica para animais de laboratório” e “provavelmente carcinogénica para o ser humano” .
O papel da Comissão Europeia

Todas as substâncias ativas utilizadas em pesticidas têm de ser aprovadas pela UE. O glifosato, em utilização desde os anos 70, está em processo de renovação da autorização. A Comissão Europeia estendeu o prazo da decisão de forma a aguardar a publicação de um parecer por parte da Agência Europeia dos Produtos Químicos (ECHA), que estará pronto, no máximo, até ao final deste ano.

Entretanto, a Comissão Europeia fez recomendações aos Estados-membros, entre elas a minimização do uso da substância em parques e jardins de infância públicos. A Plataforma Transgénicos Fora considera-as “medidas positivas, mas que ficam ainda muito aquém do necessário para garantir a segurança dos portugueses”.

Mariana Silva considera que a ação da Comissão Europeia relativamente à problemática tem sido insuficiente. “A renovação da autorização do glifosato tem tido tantas falhas, tantas quebras de credibilidade, têm havido tantas notícias a expor a falta de transparência e de independência das sucessivas decisões, que as pessoas estão particularmente irritadas no que toca ao comportamento da Comissão Europeia e de outras estruturas europeias”, afirma a bióloga.

Por sua vez, a Comissão Europeia, em comunicação em junho de 2016, responsabilizava os Estados-membros pela inação face ao assunto. A instituição europeia chamou a atenção para o facto de não ter havido maioria qualificada nem no Comité Permanente nem no Comité de Recurso aquando da discussão do assunto.

Mariana Silva concorda que a responsabilidade também passa pelos Estados-membros, mas indica que “a Comissão Europeia tem, do ponto de vista político, a indicação clara de que a população europeia não quer a renovação do glifosato.” A bióloga remata: “O problema é que a Comissão Europeia não quer seguir essa indicação política e tem estado a fechar os olhos às indicações científicas”.
Portugal é o mais contaminado mas não faz análises

Análises a 26 voluntários portugueses demonstraram os níveis de contaminação mais altos de que há registo. A única exceção diz respeito a análises feitas nos Estados Unidos a agricultores que tinham acabado de aplicar glifosato nas colheitas. “Os voluntários [do estudo] não estavam a aplicar glifosato, portanto, para pessoas que não são agricultores nem têm exposição profissional, estes são os valores mais elevados alguma vez detetados no mundo”, explica Mariana Silva.

O estudo foi conduzido no ano passado pela Plataforma Transgénicos Fora em colaboração com o Detox Project. Esta foi a primeira análise feita no país em mais de uma década. As análises aos pesticidas estão regulamentadas em legislação europeia e incluem o glifosato. No entanto, em Portugal as análises a esta substância não têm sido realizadas, situação que Mariana Silva considera “completamente anómala”. A bióloga aponta o dedo aos “sucessivos governos que andaram a fechar os olhos”.
Falta de transparência e prazos a cumprir

Para além de querer banir o uso do herbicida, esta iniciativa tem como objetivos adicionais garantir a transparência e independência nos processos de autorização de pesticidas, bem como impor prazos obrigatórios para a redução progressiva do uso de todos os pesticidas.

“Neste momento, não há transparência. Os pesticidas e outros químicos são avaliados com base em estudos que não são publicados, secretos, que o público e cientistas independentes não podem avaliar, não podem criticar e não podem validar”, o que abre a porta “à corrupção e ao conflito de interesses”, afirma Mariana Silva.

Relativamente à redução progressiva do uso dos pesticidas, a bióloga explica que já existe legislação para conseguir essa redução, mas que a “Comissão ainda não avaliou se essa Diretiva está ou não está a cumprir essa função”.
Atingir um milhão em meio ano

A Comissão Europeia irá emitir uma decisão quando receber o parecer da Agência Europeia dos Produtos Químicos (ECHA), esperado até ao final de 2017. Isto significa que a iniciativa terá de recolher um milhão de assinaturas “até ao verão”, indica Mariana Silva.

“Esta iniciativa só faz sentido antes da Comissão Europeia comunicar a sua decisão. A partir do momento em que renove o glifosato por 10 ou 15 anos, a iniciativa perde o seu peso porque será muito mais difícil reverter. O Tratado de Lisboa prevê um ano para estas iniciativas, mas na verdade temos poucos meses”, explica a coordenadora da Plataforma Transgénicos Fora.

A bióloga acredita que já há muitas pessoas em alerta para o assunto, o que irá possibilitar a recolha do total de assinaturas. “Já há uma preocupação latente que agora esta iniciativa vai permitir trazer ao de cima”, explica.

“O sucesso desta iniciativa em Portugal vai depender exclusivamente da importância que as pessoas lhe derem”, afirma. Mariana Silva acredita, no entanto, que o facto da própria iniciativa existir já é sinal de mobilização e de preocupação pública.

Para que a iniciativa seja levada à Comissão Europeia, é preciso que sejam recolhidas, até dia 25 de janeiro de 2018, um milhão de assinaturas e que, pelo menos, sete Estados-membros atinjam um número mínimo de subscritores, que varia consoante o país.

Artigo editado por Filipa Silva

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Está a nascer uma “cidade de árvores” na área metropolitana de Manchester


Foto: City of Trees
Nos próximos 25 anos, um movimento urbano vai plantar três milhões de árvores na área metropolitana de Manchester, uma por cada homem, mulher e criança. Em pouco mais de um ano, o projecto “City of Trees” plantou mais de 94.000.
 Os promotores do movimento querem ainda recuperar 2.000 hectares de espaços verdes abandonados e aproximar as pessoas das árvores e bosques da sua cidade.
“Queremos envolver as pessoas com o seu ambiente natural, plantando árvores, gerindo áreas, compreendendo mais sobre os benefícios que as árvores e os bosques trazem à nossa sociedade”, explicou Tony Hothersall, director do movimento, à BBC News.
Segundo o “City of Trees”, as cidades precisam de árvores para melhorar a qualidade do ar, arrefecer temperaturas, reduzir o risco de inundações, armazenar carbono ou ainda para criar habitats para a vida selvagem. Por exemplo, um carvalho maduro pode albergar até 423 espécies diferentes de invertebrados. Além disso, as árvores são uma porta de entrada das crianças para a natureza e melhoram o bem-estar geral das comunidades.
Por exemplo, os responsáveis do movimento estão a trabalhar com investigadores da Universidade de Manchester numa experiência para descobrir como podem as árvores reduzir as inundações e o impacto das cheias.
O projecto é uma iniciativa do Oglesby Charitable Trust e do Community Forest Trust que foi lançada em Novembro de 2015. Até agora já estão plantadas 94.380 árvores e 30 pomares e estão a ser recuperados 223 hectares de bosques urbanos. A iniciativa já envolveu um total de 7.279 pessoas.
Segundo Tony Hothersall, o projecto quer levar árvores a vários locais, desde bosques abandonados, a corredores entre áreas verdes, a zonas desarborizadas e ainda a ruas e jardins privados. “Trata-se mesmo de plantar árvores onde quer que seja apropriado plantá-las”, resumiu. “O que é verdadeiramente importante é escolher a árvore certa para o lugar certo.”
Na base do movimento está a vontade de “aumentar a sensibilização dos cidadãos e decisores políticos sobre o papel das árvores na melhoria das cidades”. De momento, “a área metropolitana de Manchester regista um desenvolvimento urbanístico fantástico, mas o ambiente natural precisa acompanhar isso”, acrescentou.
Em Portugal há algumas cidades com projectos de reflorestação de árvores autóctones, como por exemplo a Área Metropolitana do Porto e o FUTURO – Projecto das 100.000 árvores. Nos cinco anos que leva o projecto foram plantadas 81.369 árvores e arbustos em 190 hectares de 15 municípios, como Arouca, Gondomar, Valongo, Trofa e Porto. Para o ano de 2016/2017, o projecto definiu como meta a plantação de mais 15.000 árvores e arbustos.
Também a Câmara Municipal de Lousada se comprometeu com esta missão e lançou o projecto Plantar Lousada, iniciativa que visa plantar, até ao final do Inverno de 2017, pelo menos, 10.000 árvores de espécies autóctones.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Ciclovia- sítio das ciclovias, ecovias e ecopistas nacionais

Consulte aqui o sítio CicloVia.pt

Para quem já faz passeios de bicicleta ou para quem está a pensar, nos próximos tempos, comprar uma bicicleta para os fazer, fica aqui a ligação para o site das ciclovias, ecovias e ecopistas. Sabia que, segundo a ONU, a bicicleta é o veículo mais rápido e prático para percursos de até seis quilómetros de distância? Bons passeios em 2017!

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Climáximo

Há um colectivo credível e que se chama Climáximo. Com ele podes encontrar várias iniciativas em Portugal, relacionadas à justiça climática. Para nós, a justiça climática tem (pelo menos) duas dimensões. Uma, sectorial, é sobre o clima. Outra, social, é sobre a justiça.

1ª dimensão: Clima
- Energia (e.g. renováveis, democracia energética, extração de petróleo e gás, nuclear, carvão)...
- Transportes (e.g. transportes públicos, bicicletas)
- Agricultura (e.g. sementes livres, agro-ecologia, indústria pecuária, transgénicos)
- Florestação (e.g. monoculturas)
- Indústria (e.g. multinacionais, lobbying, indústrias poluidores)


2ª dimensão: Justiça
- Soberania (e.g. transição justa, tratados de comércio livre)
- Democracia (e.g. cidadania, relações de poder)
- Dívida ecológica (e.g. impactos da crise ambiental, refugiados, Sul Global vs. Norte Global)
- Desigualdades (e.g. patriarcado, racismo)
Estas dimensões servem para /incluir/ várias lutas, e não para excluir quem luta para justiça social e ambiental.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Plataformas mapeiam árvores frutíferas nas ruas do Brasil e do mundo


Abacateiro, goiabeira, mangueira, amoreira, pitangueira. Pensar nesse conjunto de árvores frutíferas nos remete diretamente a um ambiente rural em algum lugar no interior do Brasil. Essas cinco espécies e outras 15, porém, estão espalhadas pelas ruas, vielas e avenidas de São Paulo, a maior metrópole da América do Sul.
Isso significa que as quase 12 milhões de pessoas que habitam a capital paulista têm a oportunidade de, ao caminhar pelas ruas, observar a imensidão de uma jaqueira, chupar uma manga caída ou colher amoras.

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Árvores mapeadas na cidade de São Paulo

Desde 2009, o mapa virtual e colaborativo Inventário das Árvores cataloga as principais árvores existentes em São Paulo – frutíferas, exóticas, de tempero, entre outras. As centenas de espécies encontradas certamente são um alento para aqueles que prezam por uma relação mais estreita e saudável com a natureza que nos cerca, mas o levantamento também evidencia que as regiões periféricas da cidade contam com uma presença muito menor dessas árvores.
O mapa, que também chegou à cidades como Brasília e Rio de Janeiro, mostra ainda detalhes sobre a quantidade e a qualidade das frutas, a condição das árvores e o tamanho das copas. O “Inventário”, aliás, aceita novas colaborações. Contribua!

Na Europa
Ideia semelhante já acontece na Europa. Além da plataforma Fruit City em Londres, na Alemanha o site Mundraub conta com a participação da população berlinense para mapear as árvores frutíferas da capital alemã. A plataforma já identificou mais de 1600 árvores frutíferas na região. Em toda a Europa, o Mundraub já catalogou mais de 20 mil espécies.

A presença de árvores frutíferas em ambientes urbanos, para muito além de embelezá-los, aumenta a biodiversidade, já que, de acordo com texto de Ricardo Cardim no site Árvores de São Paulo, “atraem pássaros e outros animais de ambientes naturais, ajudando a reequilibrar o meio ambiente urbano através do controle de pragas e o plantio de novas árvores trazidas de suas refeições nas matas”.
Cardim prossegue: “outro aspecto importante é a humanização das cidades. Árvores frutíferas reconectam a população com prazeres simples como colher frutas silvestres no pé e a descoberta de novos sabores, incentivam o uso de espaços públicos e estimulam as crianças a subirem e brincarem com as árvores.”

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Cabras ainda não foram para o mato prevenir os incêndios porque falta dinheiro

Fonte: Publico/Fábio Monteiro Foto: Rui Gaudêncio

Passados dois anos, o “Self-Prevention”, um projecto ibérico de introdução de cabras nos matos para prevenir os incêndios, orçado em 48 milhões de euros, ainda não arrancou em Portugal por falta de verbas. Prometia-se criar 558 postos de trabalho, reintroduzir 150 mil cabeças de gado caprino nas zonas raianas dos distritos da Guarda, Bragança, Zamora e Salamanca (Espanha), como "limpadores naturais" dos campos.
“Ainda não conseguimos financiamento em Portugal. Temos o projecto em alguns concursos europeus, mas não é fácil arranjar fundos dada a especificidade” da iniciativa, disse ao PÚBLICO uma das responsáveis da delegação portuguesa no “Self-Prevention”, Teresa Pêra.

Mas não falta só dinheiro. “Não existe a área mínima necessária. É necessário no mínimo uma área de 200 hectares [de terrenos públicos] para este tipo de projecto e o município não tem esta área disponível”, afirmou Vítor Proença, responsável pela comunicação na Câmara do Sabugal, o único município português que chegou a reunir-se com os parceiros espanhóis. O porta-voz admitiu que o projecto não deverá avançar naquele concelho.

Em Espanha, porém, a falta de espaço não foi um obstáculo. Robleda, em Salamanca, é o único local na Peninsula Ibérica onde o projecto chegou a avançar, no ano passado, com a introdução de 200 cabras em 53 hectares.

Pastoreio orientado avança no planalto de Jales

Apesar do fracasso do “Self-Prevention”, a Aguiarfloresta - Associação Florestal e Ambiental de Vila Pouca de Aguiar decidiu apostar na ideia e tentar concretizá-la. Através do projecto "Economountain, economia da biodiversidade nas serras de Vila Pouca de Aguiar", Duarte Marques, presidente da Aguiarfloresta, introduziu já 50 cabras no planalto de Jales, em Trás-os-Montes. Este vai funcionar em parceria com a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, cujos investigadores vão analisar o impacto da presença do gado na fauna e na flora. E neste caso, o financiamento é garantido pelo Fundo EDP para a Biodiversidade, com 160 mil euros.

Um rebanho de 50 cabras – que poderá aumentar no futuro - vai pastorear uma área de 90 hectares. “Vamos fazer um tipo de pastoreio orientado, em que instalamos os animais em locais estrategicamente identificados como favoráveis à redução do número de ocorrências e também à limitação da expressão do fogo”, explica Duarte Marques.

O pastoreio orientado consiste na colocação de um grande número de cabras por hectare durante um curto período, no máximo até cinco dias. “Esta técnica é útil quando se trabalham faixas de redução de combustíveis, pois os custos são mínimos quando comparados com os 750 euros que os bombeiros sapadores cobram por hectare”, afirma Henrique Pereira dos Santos, consultor independente na área da gestão da biodiversidade.

Este tipo de intervenção faz ainda mais sentido no noroeste do país, onde “existe um crescimento da cobertura vegetal acelerado devido à grande concentração de humidade”, tornando os gastos ainda maiores. “Este método pode ser um investimento a longo prazo e de baixo custo”, sublinha.

A opção pelas cabras deve-se ao facto de serem animais robustos, que se adaptam a territórios montanhosos, por vezes agrestes, e que ingerem tipos de vegetação que a maioria dos outros animais não consome.

A Aguiarfloresta está ainda a trabalhar com os pastores daquela região, de forma a integrá-los também na gestão do território e defesa da floresta e, ao mesmo tempo, valorizar a pastorícia. A ideia é incentivar a aposta nos produtos associados à actividade, como a carne, leite ou o queijo, com vista à dinamização da economia local. Vão ser criadas plataformas virtuais para a venda destes produtos, para aproximar os produtores dos consumidores. "Espera-se obter uma solução mais barata e de maior valor ambiental do que as que habitualmente são usadas", salientou Duarte Marques.

Método mais eficaz se for complementar

O recurso ao gado caprino para prevenir os incêndios não é uma novidade em Portugal. Há projectos já no terreno em Castelo Branco e no Piódão, por exemplo, mas os resultados estão aquém do esperado, mais uma vez devido à falta de apoios financeiros e ao desinteresse da população local, queixam-se as associações responsáveis por estes projectos.

A verdade é que os investigadores ainda não têm certezas quanto à eficácia deste método. “Ainda não está comprovado cientificamente que o uso de cabras no controlo da vegetação possa ajudar na prevenção de incêndios, mas já existem registos que o pastoreio de cabras em zonas previamente ardidas diminui a probabilidade da reincidência de incêndios”, afirma Paulo Fernandes, investigador e membro do Grupo de Fogos da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.

A intervenção é mais eficaz para manter áreas que foram tratadas com outras técnicas, como a limpeza de matos através das equipas de sapadores florestais ou o uso do fogo controlado. “Este tipo de intervenção só funciona nos primeiros anos de crescimento do coberto vegetal, pois, após um certo ponto do crescimento da vegetação, as cabras já não o conseguem digerir” acrescenta.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Michael Marmot e Saúde Pública: a relação entre a geografia e o nível de instrução do cidadão (actualizado)




Michael Marmot é uma referência mundial sobre saúde pública e contesta fortemente os cortes nos esquemas de protecção social que estão a verificar-se na União Europeia, devido à crise. Além de ser injustos, acabarão por sair caros, porque piorarão a saúde da população. Durante a sua presença em Lisboa, afirmou que além da geografia, o estado de saúde melhora com o nível de instrução. De facto as estatísticas do Institute of Health Equity que M. Marmot preside não deixa margens para dúvidas.
(adaptado Visão, 1de Março 2012)

Actualizações demonstrando as preocupações de M. Marmot:
1. O NY Times de hoje recolheu estudos de peritos norte-americanos demonstrando que nos States aumentou para o dobro o fosso de sucesso escolar entre ricos e pobres, em menos de duas décadas.

2. Efeitos dos baixos salários dos professores e más políticas de educação em todo o mundo, em particular nos EUA (estudo de caso no Texas- via blogue do Paul Krugman).


3.Finalmente, outro estudo mostra porque é que o destino dos lucros não é visível nas descidas dos preços dos combustíveis, no alívio da carga fiscal dos cidadãos, sobretudo os contribuintes e na melhoria da qualidade vida generalizada. Esta ditadura do capitalismo, cobardia dos governantes e mentiras são denunciadas nesta notícia, em que as plataformas  Citizens for Tax Justice (CTJ) and the Institute on Taxation and Economic Policy denunciam aqui que existem 26 corporações que nada pagam ao estado, apesar de obterem lucros bilionários![Freak Nation]

quinta-feira, 17 de março de 2011

Dia Mundial do Sono




O Dia Mundial do Sono observa-se a 17 de março.

O Dia Mundial do Sono é uma iniciativa da Associação Mundial de Medicina do Sono (World Association of Sleep Medicine) que se comemora anualmente em cerca de 75 países do mundo e que chama a atenção para a importância do sono regular diário. O seu objetivo é celebrar o sono e diminuir os problemas relacionados com a privação do sono existentes na sociedade.

Em Portugal realizam-se colóquios e campanhas de divulgação sobre a importância do sono.

Privação do sono

A privação do sono tem impacto na saúde e bem-estar da pessoa. Quem dorme mal tem mais propensão a desenvolver doenças cardiovasculares, obesidade, hipertensão, diabetes, cancro, Alzheimer ou doenças psiquiátricas.

Não dormir o necessário afeta o raciocínio, a concentração e a memorização da pessoa, que está mais suscetível a cometer lapsos como esquecimentos ou distrações, ou a sofrer acidentes de viação. Irritabilidade e mudanças de humor bruscas são também observáveis em pessoas que dormem mal.

45% da população mundial é afetada por distúrbios de sono. De acordo com a Associação Mundial de Medicina do Sono, 21% dos adultos dorme menos de seis horas por dia. Estima-se que 25% dos portugueses sofre de insónia crónica, com especial incidência nas mulheres e idosos.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Energia com Vida, escolas solidárias

Promovido pela EDP Gás, desenvolvido e implementado pela dmp+aso, nasceu do compromisso que Portugal fez com o Mundo. No ano 2000 os portugueses assinaram a Declaração do Milénio da ONU, que estabelece 8 Objectivos para o Desenvolvimento Humano a atingir a.é 2015. Porque para saber ajudar longe, há que saber ajudar por perto. O energia com vida, desafia a comunidade escolar e familiar a abraçar este compromisso de agir, com uma metodologia de intervenção que se adapta a cada realidade local. "Através dos jovens, pelas escolas, com a comunidade". Concretamente, as escolas dos 2º e 3º ciclos do ensino básico, públicas e privadas (nesta 1ª edição nos distritos do Porto, Braga e Viana do Castelo), serão guiadas a fazer um levantamento da situação na área envolvente e a implementar soluções em complementaridade com a comunidade local através da captação dos recursos necessários ao projecto planeado. Criando-se plataformas vivas de intercâmbio de conhecimento e intervenção local. No final do ano serão anunciadas as “Escolas Solidárias do ano”! 
Ler mais em: Energia Com Vida

domingo, 9 de maio de 2010

Base de Dados Biodiversity4All tem crescido em registos e parcerias.







ComentáriosUma iniciativa com aspectos muito positivos. Em menos de 5 meses tem 10.000 registos. Já é possível ver mapas de observações registadas por espécie e o número de adesões e as parcerias estão a crescer intensamente.

Explorar a base de dados

O projecto BioDiversity4All - Biodiversidade para todos está a criar uma base de dados online sobre a Biodiversidade em Portugal, fundamentada na participação activa da sociedade civil e da comunidade científica.

O BioDiversity4All cria a possibilidade de todos contribuírem com registos de observações de plantas, animais e fungos e de usufruírem dessa informação, segundo o conceito Web 2.0, através de um site fácil e divertido de utilizar e explorar.

O projecto BioDiversity4All tem por missão unir o maior número de pessoas na promoção do conhecimento sobre a Biodiversidade. Queremos tornar-nos na mais completa, acessível e conhecida base de informação sobre a distribuição de espécies a nível nacional.

O projecto BioDiversity4All - Biodiversidade para todos constituiu-se como Associação Sem Fins Lucrativos em Janeiro de 2010.




Uma ligação entre o público e a comunidade científica

O BioDiversity4All permite criar diversos benefícios para a sociedade, assumindo-se como uma plataforma aberta de ligação entre o público e a comunidade científica.

Tem três formas de navegar pela base de dados:
  1. Navegar por Área (Concelho, Freguesia, Parque Natural, Região de interesse,...)
  2. Navegar pela lista de espécies já registadas em Portugal (nota: apenas são apresentadas as espécies com registo de observações em Portugal)
  3. Navegar pela lista completa de espécies
  4. Navegar na lista geral de fotografias
  5. Navegar na lista geral de observações

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Portal LANIC - Latin American Network Information Center


O Latin American Network Information Center (LANIC) é afiliado ao LLILAS (Teresa Lozano Long Institute of Latin American Studies) na Universidade do Texas no campus de Austin. O LANIC tem recebido fundos da Fundação Andrew W. Mellon, da Fundação Ford e da Faculdade de Humanidades da Universidade do Texas, campus de Austin. O LANIC é um elemento essencial dos International Information Systems, também sediados na UT de Austin.

Os directórios do LANIC contêm,segundo informações obtidas, mais de 12.000 URLs. O LANIC é um dos maiores guias de conteúdo sobre a América Latina na Internet.
O servidor Gopher, lançado em 1992, foi o primeiro serviço de informações para a América Latina na Internet, assim como foi o caso do LANIC, que tem funcionado continuamente desde 1994. Durante cinco anos, o LANIC tem sido a autoridade oficial de registo para os Estudos Latino-Americanos da biblioteca virtual Virtual Library do World Wide Web Consortium (W3C), como o primeiro índice por assunto de ampla escala da Web, sendo um precursor do Yahoo!
Bastante interessantes além dos sítios relacionados com Ciências Naturais, Oceanos, Geografia, etc. são alguns projectos ou base de dados:

SDRP (Sustainable Development Reporting Project)

Farmacos

Latin American Studies (atente na recolha sobre a cultura indígena)

Diáspora Africana

Diáspora Medio Oriente

Diáspora Judaica

Povos Indígenas

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Portal Biológica (Portugal) e Portal Agricultura Biológica (União Europeia)


Porquê o Portal Biológica (Portugal)
Pretende promover e divulgar a agricultura biológica, suas vantagens em termos de preservação da biodiversidade, isenção de pesticidas, melhor saúde e turismo mais sustentável. Possui ainda um conjunto de recursos bibliográficos e multimedia (a maioria já traduzidos para português).

Porquê o Portal Agricultura Biológica (União Europeia)?

As pessoas interessam-se pela agricultura biológica.Interessam-se pelas muitas qualidades especiais dos alimentos biológicos. Interessam-se pela enfâse que a agricultura biológica dá à produção com baixa utilização de elementos sintéticos, à protecção dos recursos naturais e da biodiversidade e ao bem-estar animal. Interessam-se também pela contribuicao da agricultura biológica para o desenvolvimento económico das comunidades rurais.

Estes foram os portais que dei a conhecer e expliquei aos meus Alunos, nesta semana do Dia da Alimentação.


quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Stanislas Dehaene: "A neurociência deve ir para a sala de aula"



ÉPOCA – De que forma suas descobertas podem auxiliar no processo de educação?
Dehaene – Verificamos, por meio de várias experiências, que o método mais eficaz de alfabetização é o que cha-mamos fônico. Ele parte do ensino das letras e da correspondência fonética de cada uma delas. Nossos estudos mostraram que a criança alfabetizada por esse método aprende a ler de forma mais rápida e eficiente. Os métodos de ensino que seguem o conceito de educação global, por outro lado, mostraram-se ineficazes. (No método global, a criança deve, primeiro, aprender o significado da palavra e, numa próxima etapa, os símbolos que a compõem.)
Jogos simples de leitura, de rimas e de troca de sons podem ajudar crianças com dislexia a ler

ÉPOCA – No Brasil, o construtivismo, que segue as premissas do método global para a alfabetização, é amplamente disseminado. Por que os sistemas que seguem o método global são ineficazes?
Dehaene – Verificamos em pesquisa com pessoas de diferentes idiomas que o aprendizado da linguagem se dá a partir da identificação da letra e do som correspondente. No português, a criança aprende primeiro a combinação de consoantes e vogais. A próxima etapa é entender a combinação entre duas consoantes e uma vogal, como o “vra” de palavra. Essa composição de formas, do menor para o maior, é feita no lado esquerdo do cérebro. Quando se usam metodologias para a alfabetização que seguem o método global, no qual a criança primeiro aprende o sentido da palavra, sem necessariamente conhecer os símbolos, o lado direito é ativado. Mas a deco-dificação dos símbolos terá de chegar ao lado esquerdo para que a leitura seja concluída. É um processo mais demorado, que segue na via contrária ao funcionamento do cérebro. Num certo sentido, podemos dizer que esse método ensina o lado errado primeiro. As crianças que aprendem a ler processando primeiro o lado esquerdo do cérebro estabelecem relações imediatas entre letras e seus sons, leem com mais facilidade e entendem mais rapidamente o significado do que estão lendo. Crianças com dislexia que começam a treinar o lado esquerdo do cérebro têm muito mais chances de superar a dificuldade no aprendizado da leitura.

ÉPOCA – É possível quantificar esse atraso de leitura que o senhor menciona?
Dehaene – Quanto mais próxima for a correspondência da letra com o som, mais fácil para um indivíduo automatizar a ação de ler. Português e italiano são idiomas muito transparentes, pois cada letra corresponde a um som. Inglês e francês são línguas em que a correspondência de sons pode variar bastante. Pesquisas mostram que, ao ter aulas regulares, todos os dias, na escola, a criança leva dois anos a mais para dominar o inglês que para dominar o italiano.

ÉPOCA – É possível identificar diferenças no cérebro de quem consegue ler palavras e frases, mas tem dificuldade na interpretação de textos (no Brasil, eles são conhecidos como analfabetos funcionais) em relação a alguém que lê e interpreta o conteúdo com fluência?
Dehaene – Não identificamos isso em pesquisa de imagens. Mas a dificuldade que algumas pessoas têm de interpre-tar o que leem ocorre basicamente porque elas ainda não automatizaram a decodificação das palavras. Decodificar pede esforço para quem não tem essa função bem desenvolvida. Isso mobiliza completamente a atenção e os es-forços de quem está lendo, a ponto de não conseguir se concentrar na mensagem. A solução para melhorar a in-terpretação de texto é automatizar a leitura. Por isso, é importante que crianças pequenas leiam de forma regular até que isso se torne uma rotina. As crianças começam a interpretar textos com eficiência depois que a leitura se torna um processo automatizado.

ÉPOCA – Aprender a ler partituras tem o mesmo efeito para o cérebro que ler palavras?
Dehaene – As áreas do cérebro usadas para ler letras não são exatamente as mesmas usadas para decodificar mú-sica. Não há muitos estudos sobre a parte cerebral usada no aprendizado de música. Mas há diversas pesquisas sobre o efeito da música na vida das crianças. Crianças que aprendem música desenvolvem habilidades escolares avançadas, especialmente no domínio da leitura. Elas têm mais facilidade para se concentrar. Aprender música aumenta os níveis de inteligência (Q.I.). Aprender música é uma forma excelente de desenvolver o cérebro, espe-cialmente o de crianças.

ÉPOCA – Pessoas com dislexia leem de forma diferente ou apenas mais devagar?
Dehaene – Pessoas com dislexia tendem a ter problemas com a conexão entre letra e som. É muito difícil para elas entender essa ligação. Em parte, porque não podem distinguir muito bem as diferenças dos sons da língua. Elas têm problemas com fonologia. Não com o som de letras como a, b, c e d. Mas com o som da linguagem, como dã, bã e pã. Há diferentes tipos de dislexia. Há pessoas que têm dificuldade em enxergar as letras em determinados lugares da palavra ou em visualizar símbolos específicos. O que os disléxicos têm em comum é a dificuldade em criar o mapa dos símbolos e dos sons.

ÉPOCA – Sua pesquisa pode ajudá-los de alguma forma?
Dehaene – Antes não era óbvio que a maioria dos disléxicos tinha problemas com os sons da linguagem. Agora que sabemos disso, começamos a trabalhar com jogos de reabilitação com ótimos resultados. É possível ajudar as crianças com dislexia com jogos de leitura, de rimas ou brincadeiras de mudar sílabas. Pode-se brincar de trocar o som de “bra” de Brasil por “dra” ou “pra”. Vimos que brincadeiras orais fáceis têm facilitado o aprendizado.

ÉPOCA – Que resultados esse tipo de exercício já produziu?
Dehaene – Constatamos com exames de imagem que partes do cérebro não usadas em pessoas com dislexia passam a ser exercitadas com esse tipo de atividade. Isso as ajuda a perceber os sons da linguagem, o que é muito importante para o aprendizado da leitura. Para surtir resultados, é importante aplicar esses jogos todos os dias, de forma intensiva.

ÉPOCA – Se o cérebro dos disléxicos é organizado de forma diferente, isso sugere que eles possam ter outras habilidades que alguém sem a dislexia não tem?
Dehaene – Essa é uma questão interessante. Assim como há a possibilidade de perdermos algumas habilidades quando aprendemos a ler, existe a possibilidade de o cérebro disléxico ter facilidade com algumas áreas. Ainda faltam pesquisas para podermos constatar isso. Mas estudos sugerem que o senso de simetria do disléxico pode ser mais desenvolvido, e isso ajuda em matemática. Sabemos que há muitos disléxicos que podem ser bons em matemática. Estudos sugerem que eles podem enxergar padrões sofisticados com mais facilidade.

ÉPOCA – Pode haver gênios em matemática que não sabem ler?
Dehaene – Isso é algo muito, muito raro. Pode haver pessoas iletradas muito boas em cálculos. Mas elas não serão gênios em matemática sem ler. Para avançar em matemática, a pessoa precisa entender diferenças sutis num nível muito sofisticado. É justamente a percepção dessas diferenças sutis que a leitura ativa no cérebro. Ler é uma habilidade extraordinária que pode transformar o cérebro e prepará-lo para outros níveis de aprendizado. Não dá para ir muito longe sem leitura.