Não é sempre que uma hashtag viraliza para além das redes sociais.
Mas um desafio online que estimula participantes a recolher lixo de locais públicos tem levado dezenas de milhares de pessoas a fazer exatamente isso.
No chamado "Trashtag Challenge" - algo como hashtag "Desafio do Lixo", em português - os participantes escolhem um lugar poluído, limpam esse local e postam fotos mostrando o antes e o depois.
A iniciativa tem ajudado a mudar o cenário em praias, parques e estradas e também a conscientizar sobre a quantidade de lixo plástico que produzimos.
Como surgiu o Trashtag Challenge
O Trashtag Challenge não é um desafio novo. Foi criado em 2015 pela fabricante de produtos de camping UCO Gear, como parte de uma campanha para proteger áreas silvestres.
Mas foi com um post publicado na semana passada no Facebook, voltado a "adolescentes entediados", que aparentemente a ideia ganhou novo fôlego e a hashtag acabou viralizando.
"Aqui está um novo #desafio para vocês, adolescentes entediados. Tire uma foto de uma área que precise de alguma limpeza ou manutenção, depois tire uma foto mostrando o que fez em relação a isso e poste a imagem. Aqui estão as pessoas fazendo isso #BasuraChallenge #trashtag Challenge, junte-se à causa. #BasuraChallengeAZ", diz a postagem.
Nas redes sociais, imagens de ações realizadas por participantes começaram então a se espalhar.
"Eu não tenho foto de antes e depois, mas aqui estão imagens com a minha família apanhando lixo na marginal da rodovia, sempre que paramos para descansar", postou uma usuária do Twitter, da Argélia, com a hashtag do desafio.
Na Índia, outros usuários usaram o Instagram para mostrar que também estão participando. Mais de 25 mil postagens apareceram na rede social com a hashtag #trashtag - variações incluíam #trashtagchallenge e #trashchallenge.
Em espanhol, ela foi traduzida como #BasuraChallenge.
"Aqui estamos.. Com uma pequena contribuição para o meio ambiente... Nós tentamos recolher parte do plástico que a população local jogou em Laldhori, Junagadh, uma das áreas mais bonitas de Girnar (na Índia)", disse um dos que aderiram.
"É nosso humilde dever manter o MEIO AMBIENTE LIMPO E VERDE e LIVRE do lixo de PLÁSTICO e de outros tipos de LIXO, para que a próxima geração possa desfrutar da beleza original de GIRNAR".
E este outro do México, que partiu para a ação: "Hoje completamos o primeiro dia em que nos propusemos a limpar um terreno baldio bem grande, em que colônias vizinhas se acostumaram a jogar lixo e entulho. Anexo o pequeno primeiro avanço. Aceita-se ajuda para os próximos dias de limpeza. #basurachallenge", postou ele.
"Tirar o plástico do meio ambiente é importante", disse Mark Butler, diretor de políticas do Centro Canadense de Ação Ecológica (EAC, da sigla em inglês), ao jornal Star de Halifax.
"Mas nós precisamos fazer mais do que apenas ir atrás de quem está jogando esse lixo e mais do que limpar essas áreas. Nós precisamos fechar a torneira do plástico", disse ele, se referindo à produção desse tipo de resíduo e acrescentando que espera que a campanha leve a mudanças fundamentais sobre plásticos descartáveis, por exemplo.
"Existe a hierarquia dos resíduos, que é recusar, reduzir, reutilizar, reciclar. Se nós não fizermos isso, tudo o que vai nos restar é ficar recolhendo o lixo sem parar."
Trata-se do fungo conhecido como Pestalotiopsis microspora, um cogumelo que pode se alimentar de plástico. Foi descoberta essa sua qualidade por um grupo de estudantes da Universidade de Yale, ao pesquisar a Amazónia equatoriana, com o professor de biologia molecular Scott Strobel.
E mais, o Pestalotiopsis comedor de plástico não precisa de oxigénio para sua alimentação. Quer dizer, a degradação e transformação promovida por este fungo pode se dar, inclusive, nas camadas mais profundas dos aterros sanitários, por inoculação dos seus micélios.
Realmente, o Pestalotiopsis microspora será uma mão na roda para nós, humanos, já que o tipo de plástico do qual pode se alimentar este fungo é justamente o mais difícil dos plásticos para ser reciclado - o poliuretano.
O poliuretano é um plástico termorrígido e sua reciclagem é muito complexa já que não pode ser derretido e misturado a outros plásticos.
Atualmente é possível seu reuso na fabricação de pistas de atletismo, ao misturá-lo com a resina de poliuretano, e também na feitura de sola para calçados. Para além do mais, o poliuretano é um POP - Poluente Orgânico Persistente - um dos flagelos do meio ambiente e promotor de profundos desequilíbrios ambientais já que são compostos altamente estáveis, que resistem à degradação química, fotolítica e biológica e podem também, entrar na cadeia alimentar pelo processo de bioacumulação em organismos vivos.
O trabalho em questão, Biodegradation of Polyester Polyurethane by Endophytic Fungi, pode ser lido na revista científica Applied and Environmental Microbiology (AEM), aqui mas, antecipe seu interesse lendo abaixo o resumo do mesmo, em livre tradução nossa:
“A biorremediação é uma importante abordagem à redução de resíduos que se baseia em processos biológicos para quebrar uma variedade de poluentes. Isto é tornado possível pela vasta diversidade metabólica do mundo microbiano. Para explorar essa diversidade para a degradação do plástico, nós analisamos várias dezenas de fungos endofíticos por sua capacidade de degradar o poliéster poliuretano polímero sintético (PUR). Vários organismos demonstraram a capacidade de degradar eficazmente o PUR em ambas as suspensões de sólidos e líquidos. Particularmente foi observada atividade robusta entre vários isolados do género Pestalotiopsis, embora não tenha sido uma característica universal do género. Dois isolados de Pestalotiopsis microspora eram capazes de desenvolver-se com uma alimentação do polímero unicamente, como a única fonte de carbono sob condições aeróbicas e anaeróbicas. A caracterização molecular desta atividade sugere que uma hidrolase serina é responsável pela degradação de PUR. A ampla distribuição da atividade observada e o caso sem precedentes de crescimento anaeróbio utilizando PUR como única fonte de carbono sugerem que endófitas são uma promissora fonte de biodiversidade de partida para o rastreio de propriedades metabólicas úteis para a biorremediação.”
Nosso mar de plástico na natureza precisa ser, urgentemente, degradado e, esta pesquisa é uma das alternativas interessantes que surgiram.
Veja no vídeo abaixo, um trabalho de estudantes da Universidade Autônoma de Puebla, no México, que também estão estudando a aplicação prática deste fungo.
A União Europeia vai proibir palhinhas, cotonetes e copos de plástico dentro de dois anos. Lisboa quer limpar a cidade de copos de plástico até 2020 e em escolas da cidade as refeições em cuvetes de plástico já são coisa do passado.
Sim, já demos conta: o plástico é sério candidato a inimigo número 1 do ambiente, num tempo em que a consciência ambiental é mais aguda. Há previsões catastróficas: se nada for feito, em 2050, haverá mais plástico nos mares do que peixes. Mais de oito milhões de toneladas de plástico acabam nos oceanos todos os anos.
A solução é mesmo evitar o uso de plásticos. Sandra Laville, editora de ambiente do jornal britânico The Guardian, apontou dez dicas para que possamos reduzir o uso de plástico. Mas, atenção, alguns dos produtos podem doer mais na sua carteira.
1. Comece por casa. Faça uma auditoria ao plástico que existe em sua casa: embalagens de gel de banho, desodorizantes, detergentes, frascos de champô. Dispense o gel de banho e troque-o por sabão ou sabonete; use cotonetes de bambu, por exemplo; procure embalagens de detergente líquido em garrafas plásticas recicladas e encontre uma recarga para as encher de novo. Também há papel higiénico em embalagens recicladas.
2. Nos EUA, todos os anos são descartadas mil milhões de escovas de dentes de plástico - trata-se de cerca de 50 milhões de quilos de resíduos. Tente usar escovas de dentes de bambu: biodegradam-se em cerca de seis meses.
3. Quando vai às compras, leve sacos de tecido reutilizáveis.
4. Tente comprar por atacado e colocar produtos secos, como arroz, macarrão ou lentilhas, em frascos de vidro, para evitar a compra de produtos embrulhados em plástico.
5. Recicle os brinquedos de plástico que as crianças já não usam. Procure entregar em associações na sua zona, doando a crianças desfavorecidas. E opte por lojas de segunda mão ao procurar presentes.
6. Leve o seu café num termo ou copo reutilizáveis.
7. Diga não aos talheres de plástico. Na sua marmita inclua um garfo de metal ou use uma alternativa compostável.
8. Não use película plástica aderente para a sua comida. Em alternativa, use folhas de alumínio ou caixas de plástico reutilizáveis.
9. Use uma máquina de barbear elétrica em vez de lâminas descartáveis de plástico.
10. Escreva para empresas cujas embalagens não sejam recicláveis, pedindo-lhes que considerem o uso de materiais menos destrutivos.
Investigadores da Universidade de Exeter e do Laboratório Marinho dePlymouth, no Sudoeste de Inglaterra, examinaram 50 animais, entre várias espécies de golfinhos, focas e baleias, e encontraram microplásticos (fragmentos com menos de cinco milímetros) em todos, segundo informação divulgada pela universidade.
A maior parte das partículas (84%) eram de fibras sintéticas, que podem vir de fontes como roupas, redes de pesca e escovas de dentes, enquanto as restantes provinham de fragmentos, possivelmente de embalagens de alimentos e garrafas de plástico.
É chocante, mas não surpreendente, que todos os animais tenham ingerido microplásticos", disse a principal autora do estudo, Sarah Nelms. A investigadora disse que o número de partículas encontrado em cada animal foi de 5,5 em média, um valor "relativamente baixo", o que sugere que as partículas ou passam pelo sistema digestivo ou são regurgitadas. "Não sabemos ainda quais os efeitos que os microplásticos, ou os químicos neles presentes, têm nos mamíferos marinhos. É preciso mais investigação para se perceber melhor os possíveis impactos na saúde dos animais", disse Sarah Nelms.
Segundo a investigação, que foi publicada na Scientific Reports, foram várias as causas que provocaram a morte dos animais estudados, mas os que morreram devido a doenças infecciosas tinham mais partículas de plástico do que os que morreram por outras causas. "Não podemos tirar nenhuma conclusão explícita sobre o potencial biológico desta observação", notou Brendan Godley, do Centro de Ecologia e Conservação, da mesma universidade, concluindo que estão a ser dados "os primeiros passos na compreensão deste poluente omnipresente".
Este não é só um problema para a fauna marinha que é afetada diretamente pelos detritos de plástico. Segundo Olivia Jones, da organização irlandesa An Taisce, quando os peixes ingerem plástico, este material entra na cadeia alimentar e “acaba no seu prato”.
80% da poluição de plástico nos oceanos é de origem terrestre e resulta de atividades humanas, como o hábito que algumas pessoas têm de deitar objetos na sanita, avisa Olivia. Os investigadores identificaram uma lista de 12 artigos frequentemente deitados na sanita, que inclui cotonetes, toalhitas faciais e de bebé, tampões, beatas de cigarro, medicamentos, fraldas e pensos. “As pessoas não sabem que isto é errado – foi por isso que iniciámos a campanha ‘pense antes de puxar o autoclismo’”, disse.
As cotonetes de plástico, por exemplo, são tão finas que conseguem passar através dos filtros das estações de tratamento de águas residuais (ETAR). Daí vão parar, eventualmente, ao mar, poluindo os oceanos e representando um perigo para a vida marinha. Muitas delas acabam por dar à costa, poluindo também as praias. De acordo com a Sociedade para a Conservação Marinha do Reino Unido, as cotonetes perfazem 60% do lixo proveniente das águas residuais encontrado nas praias.
Muitas das peças de plástico que não são comidas inteiras pelas tartarugas, aves marinhas e peixes que as confundem com comida – com consequências fatais para os mesmos – acabam por se decompor em fragmentos minúsculos deste material, os microplásticos, que já cobrem o fundo do mar e cujo impacto nos ecossistemas só agora começa a ser estudado.
Os microplásticos também estão presentes em produtos de cuidado pessoal como o gel de duche, a pasta de dentes e os esfoliantes. Estas micropartículas de plástico já foram proibidas nos EUA e no Reino Unido.
Olivia Jones explica que, para além do perigo de ingestão, o plástico no mar pode acumular toxinas com o passar do tempo, prejudicando os habitats marinhos.
Estima-se que os resíduos de plástico afetem 43% dos mamíferos marinhos e que 90% das aves marinhas tenham plástico nos seus estômagos – de facto, até 2050, este número subirá para 99%, prevê a CSIRO. Os efeitos da ingestão de plástico nas aves têm sido muito estudados e incluem problemas nos intestinos, entrada de poluentes para a corrente sanguínea, úlceras gástricas, lesões do fígado, infertilidade e, em muitos casos, morte.
Também há indícios de que as aves marinhas dão de alimento às suas crias pedaços deste material. Em 2011, a bióloga Jennifer Lavers encontrou uma cria de pardela com 90 dias de idade que tinha mais de 275 peças de plástico no estômago. Numa pessoa, isto seria o equivalente a ingerirem-se 10kg de plástico.
“Podemos todos fazer algo”, enfatiza a ativista. “Podemos participar em limpezas das praias, podemos colocar um caixote de lixo na casa de banho para que as pessoas não deitem cotonetes na sanita e podemos comprar produtos com menos embalagens.” E não se esqueça que pode optar por cotonetes com haste de papel.
Por estes dias, quando olham para cima à entrada da Escola Básica de Manhente, em Barcelos, os alunos vêem uma rede gigante, que cobre todo o átrio interior. Está ali colocada para lhes mostrar como é ser um peixe no oceano. A rede, que para já está limpa, vai carregar todo o plástico que for encontrado no chão do recinto da escola. O objectivo é consciencializar os alunos “de uma forma mais visual” para o que acontece “ao lixo que atiram para o chão e vai parar ao mar". A iniciativa foi partilhada através de uma publicação no Facebook da escola e está a ser recebida com agrado, pelo que se lê nos comentários.
Paula Ribeiro, professora bibliotecária e uma das impulsionadoras da acção, explica, ao telefone com o P3, que a ideia se insere no projecto Missão Possível 4.0, que abrange todo o agrupamento de escolas Alcaides de Faria. O objectivo passa por sensibilizar os alunos desde a primeira classe ao 9.º ano para questões relacionadas com o ambiente e com a solidariedade.
Lembre-se de não deixar nada além das suas pegadas! Texto e imagem aqui
Hoje em dia, já é difícil pensar na palavra “plástico” sem a associarmos ao impacto negativo que os resíduos deste material estão a ter no nosso planeta. Todos os anos, mais de oito milhões de toneladas de lixo plástico acabam nos oceanos, ferindo e matando milhares de tartarugas, golfinhos, aves e outros animais e poluindo os ecossistemas.
Talvez já tente evitar os plásticos descartáveis em casa, mas, quando viaja, esta tarefa pode tornar-se mais difícil. Afinal de contas, o número de coisas que pode levar consigo é limitado, comer fora acaba por se tornar uma rotina e, se calhar, nem percebe a língua do país que vai visitar.
Contudo, com um pouco de preparação, também pode reduzir facilmente a quantidade de plástico que utiliza durante as suas férias. Para o ajudar nesta tarefa, o UniPlanet reuniu estas 10 dicas para si!
1Leve consigo uma garrafa reutilizável.
Pode enchê-la em cafés, restaurantes, hotéis, etc. Em alguns países em desenvolvimento, a água da torneira pode não ser potável, o que resulta na compra de muitas garrafas de água. Mas sabia que uma garrafa de plástico pode demorar 450 anos a decompor-se? Como alternativa, utilize um dispositivo como o SteriPEN, que mata os agentes patogénicos na água em apenas alguns minutos.
2Em vez de pedir take-away, coma as refeições nos restaurantes locais.
Esta é uma das formas mais fáceis de evitar o plástico de uso único durante a sua viagem, para além de o ajudar a desacelerar e a aproveitar o momento. Em países com uma forte cultura de “street food” (como no sudeste asiático), procure vendedores que sirvam a comida em recipientes reutilizáveis ou de papel. Evite os de plástico e esferovite.
Da mesma forma, em vez de pedir um café para levar, saboreie-o num café local para evitar o uso de copos take-away, que são feitos de papel revestido com plástico e muito difíceis de reciclar.
3Leve os seus próprios artigos de cuidado pessoal.
Em vez de usar os sabonetes e champôs embalados em plástico que as cadeias de hotéis oferecem, leve os seus próprios artigos de higiene. Muitos hotéis descartam as embalagens ainda meio cheias destes produtos, mal os clientes se vão embora. Tenha em atenção as normas relativas ao transporte de líquidos nos aviões. Pode optar por sabonetes e champôs sólidos.
Provavelmente, já está acostumado a andar sempre com um saco reutilizável. Quando viaja, não se esqueça de levar um saco leve na carteira, para estar preparado quando precisar de o usar para as compras da mercearia ou da loja de lembranças.
5Escolha um cone de bolacha para o seu gelado ou sorvete.
É bem simples: na gelataria, opte por um cone de bolacha em vez de um copo de plástico com uma colher descartável.
6Leve snacks para comer no avião.
Em vez de comprar snacks embalados em plástico no avião, leve um recipiente reutilizável com frutos secos, frutas desidratadas, bolachas ou uma sanduíche envolta num guardanapo de tecido. Desta forma, poupará dinheiro e evitará a produção de mais resíduos plásticos.
7Leve talheres reutilizáveis.
Pode levar consigo na sua carteira ou mochila uma colher-garfo (“spork”) ou até um pequeno conjunto de talheres para evitar usar os de plástico que lhe poderão oferecer quando come fora.
8Aprenda algumas frases chave.
Se quiser, poderá aprender algumas frases nas línguas locais, como “sem palhinha, por favor” ou “não preciso de um saco”, para facilitar a sua luta contra o plástico.
9Leve os seus auscultadores.
Em vez de utilizar os auscultadores oferecidos pelas companhias aéreas, que vêm embalados em plástico e podem acabar no lixo depois de os ter usado, leve os seus próprios.
10Recuse as palhinhas de plástico.
As palhinhas (ou canudos) são um dos detritos mais frequentemente encontrados nas praias em todo o mundo e representam uma ameaça para a vida marinha. Recuse as palhinhas que lhe oferecerem, mas, se precisar de utilizar uma, leve uma versão reutilizável de inox, vidro, silicone ou bambu na sua carteira ou mochila.
O aviso é feito pelo Governo do Reino Unido, que para já se une à indústria para sensibilizar os consumidores sobre o fim que deve ser dado a este produto descartável.
Práticas de usar e transportar, as toalhitas são uma opção recorrente, não só como produto de higiene pessoal, mas também nas suas versões para limpeza doméstica. No entanto, a sua composição, feita em parte de plástico não-biodegradável está a gerar preocupações ambientais.
No Reino Unido, por exemplo, as toalhitas de limpeza são responsáveis pelo bloqueio de esgotos domésticos em quase 93% das vezes – por comparação, por exemplo, a gordura e óleo são responsáveis por apenas 0,5%; e algodão, produtos de higiene feminina e embalagens de plástico pelos restantes 7%.
Os números são citados pela BBC e servem de partida para a discussão do Governo britânico e indústria para a educação e sensibilização dos consumidores. Para o Governo britânico, o plano é eliminar o desperdício de plástico, onde se inserem as toalhitas. A primeira-ministra britânica, Theresa May, comprometeu-se em Janeiro deste ano a “erradicar todo o desperdício de plástico” até 2042.
Para já, uma das estratégias é sensibilizar os consumidores para que não coloquem as toalhitas nas sanitas, para que não entupam o sistema sanitário.
La vie marine sauvage est en train de disparaître... Seulement 13% des océans de la planète peuvent encore être considérés comme sauvages, et ils pourraient disparaître complètement d'ici 50 ans, selon une étude scientifique. C'est une conséquence de l'augmentation du fret maritime, de la pollution et de la surpêche.
Une équipe internationale de chercheurs a analysé les impacts humains sur l'habitat marin, entre ruissellements et augmentation du transport maritime.
Les scientifiques emmenés par Kendall Jones, de l'université du Queensland, ont établi une cartographie des zones sous-marines considérées comme intactes et les écosystèmes "pour l'essentiel libres de perturbations humaines".
D'après leur étude publiée par le journal "Current Biology", on trouve la plus grande partie des zones sauvages dans l'Antarctique et l'Arctique ainsi que près d'îles reculées du Pacifique. Les zones côtières proches d'activités humaines sont celles où la vie marine est la moins florissante.
"Les zones marines qui peuvent être considérées comme intactes sont de plus en plus rares à mesure que les flottes marchandes et de pêche étendent leur champ d'action à la quasi-totalité des océans du monde et que les ruissellements de sédiments ensevelissent de nombreuses zones côtières", a déclaré Kendall Jones.
"Ces zones diminuent de façon catastrophique"
Selon les chercheurs, seuls 5% des zones restées sauvages sont situés dans des régions protégées. Le restant est d'autant plus vulnérable.
Les chercheurs appellent au renforcement de la coopération internationale pour protéger les océans, lutter contre la surpêche, limiter les extractions minières sous-marines et réduire les ruissellements polluants.
"Les régions maritimes sauvages constituent un habitat vital à des niveaux sans égal, comprennent une abondance énorme d'espèces et de diversité génétique, ce qui leur donne de la résistance face aux menaces comme le changement climatique", a expliqué James Watson, de la Wildlife Conservation Society australienne.
En 2016, l'ONU a commencé à travailler sur un accord international qui régirait et protégerait la haute mer.
"Cet accord aurait le pouvoir de protéger de vastes espaces en haute mer et pourrait représenter notre meilleure chance de protéger la dernière vie marine sauvage", souligne Kendall Jones.
Chegou ao mercado português uma linha de louça descartável de base biológica feita a partir de farelo de trigo, desenvolvido e fabricado pela empresa polaca Biotrem. Os produtos são distribuídos em Portugal pela Soditud.
A louça descartável totalmente biodegradável é produzida a partir do farelo de trigo comprimido – um subproduto comumente disponível no processo de moagem de cereais. Uma tonelada de farelo de trigo pode ser transformada em até 10 mil pratos, tigelas ou copos.
A nova linha de produtos descartáveis feitos de farelo de trigo são uma “alternativa à maioria dos utensílios de mesa descartáveis feitos de plástico, papel e até mesmo alguns produtos de base biológica processados quimicamente, cuja produção e utilização têm uma pegada ambiental elevada”, explica a Soditud.
“Os produtos são totalmente biodegradáveis através de compostagem em apenas 30 dias. Por comparação, um prato de plástico descartável precisa de mais de 500 anos para degradação”, acrescenta.
A marca da cerveja patrocinadora do NOS Alive mudou, mas não mudaram os copos nos quais os festivaleiros a beberam. Ao contrário de outros festivais de Verão, o NOS Alive não adoptou copos reutilizáveis e manteve o plástico descartável das últimas edições. A opção foi inclusive comunicada numa campanha da marca, mas gerou alguma contestação nas redes sociais.
Foi em 2016 quando os principais festivais de Verão – do Super Bock Super Rock ao Vodafone Paredes de Coura – eliminaram os copos descartáveis de plástico e começaram a pedir aos festivaleiros uma caução de dois euros por um copo reutilizável que podia ser devolvido no final do evento (juntamente com o dinheiro). A “moda” chegou, entretanto, a outros espaços de concertos e eventos, como as Festas de Lisboa, e hoje já é normal uma política de copos reutilizáveis.
As promotoras e patrocinadoras justificam a medida com argumentos ecológicos e, apesar de não sabermos ao certo se os copos reutilizáveis – mais rígidos – poupam o ambiente ou se são uma forma camuflada de aumentar receitas/poupar custos de limpeza, o certo é que os recintos passaram a estar mais limpos. Contudo, os festivaleiros passaram a ser obrigados a guardar religiosamente consigo os copos para receberem no final do dia a caução que tinham pago. Andar com o copo atrás nem sempre é prático e, talvez, por isso, o NOS Alive e a Sagres tenham decidido manter os copos descartáveis.
Esses copos não são, todavia, uns copos quaisquer. Segundo a Sociedade Central de Cervejas, dona da Sagres, a marca de cerveja presenta no NOS Alive, os copos disponibilizados são fabricados em ácido poliláctico (PLA) e, além de a sua produção requerer baixo consumo energético, podem ser reciclados ou decompostos após serem utilizados. Essa decomposição demora entre 45 a 60 dias, enquanto que os copos de plástico genérico podem demorar mais de 300 anos a decompor-se.
Apesar de não ser a primeira vez que o NOS Alive aposta neste tipo de copos, os mesmos mereceram destaque numa campanha de comunicação da Sagres e do festival que circulou nas ruas antes do festival. “Nunca deixes de bater palmas” era a frase que se lia num dos outdoors, que mostrava uma rapariga a segurar um copo de cerveja com a boca. Os copos deixados pelos festivaleiros no chão do festival eram recolhidos por equipas de limpeza no final de cada noite.
O plástico é um problema ambiental mas não é um problema de festivais. Resolvê-lo deve ser entendido, mais que uma responsabilidade individual, como uma responsabilidade social, ao nível do Estado, que deve, por exemplo, taxar as empresas que produzam plástico e impor regras que limitem o uso deste material. É o que a Comissão Europeia quer fazer, querendo eliminar o plástico descartável no espaço europeu até 2030, substituindo-o por plástico reciclável ou outras alternativas –meta para a qual empresas como o Lidl já começaram a preparar-se.
Segundodados revelados pela Comissão Europeia, a Europa faz 25 milhões de toneladas de resíduos de plástico todos os anos, dos quais apenas 30% é reciclado – 39% é incinerado e 31% acaba em aterros sanitários. Já noutras contas, 40% do plástico produzido na Europa todos os anos – 58 milhões de toneladas – destina-se a embalagens, acabando uma boa percentagens delas a ser lixo. O plástico como o conhecemos hoje não tem mais do que 60-70 anos e transformou diferentes indústrias, da alimentação ao mobiliário, passando pela roupa e engenharia, em muito mais áreas do nosso quotidiano do que os pontuais festivais. Muito do plástico já produzido ainda existe de alguma forma hoje em dia e uma boa parte dele acaba no mar – estima-se que 8 milhões de toneladas todos os anos. Uma atitude coerente face ao problema do plástico deve passar pela crítica quotidiana e pela promoção de hábitos de consumo conscientes nos 365 dias do ano e não apenas durante 3 dias de festa. Aqui deixámos algumas dicas.
Em 2014 Portugal deu um passo importante para reduzir o consumo de sacos de plástico descartáveis ao introduzir uma taxa sobre alguns deles (sacos leves). Contudo, é hoje comprovável por qualquer cidadão que a utilização de sacos descartáveis voltou a ser muito comum, sendo necessário recusar o saco com regularidade em muitas lojas (sendo em muitos casos cedido sem qualquer custo) e a própria aquisição de sacos descartáveis (10 cêntimos) em supermercados começa a tornar-se mais comum.
A ZERO considera que é o momento de avançar para um novo patamar, no sentido de reforçar a mensagem sobre a importância de pouparmos recursos e reduzirmos o nosso consumo de materiais descartáveis. Assim, a ZERO propõe a aplicação das seguintes medidas:
Fazer uma avaliação da aplicação da medida da taxa sobre os sacos de plástico: até hoje não é conhecida uma avaliação do real impacto da taxa sobre os sacos de plástico. De facto, quantos sacos de plástico são hoje consumidos per capita? É sabido que os sacos de plástico leves já praticamente não existem, mas foram substituídos por outros, de gramagens superiores ou inferiores que escapam ao proposto na lei, ou seja, o seu custo pode ser assumido pelo consumidor ou não, visto que não estão sujeitos a uma taxa. O importante é conhecer quantos sacos são ainda utilizados, independentemente da sua gramagem e alargar a aplicação da lei. Também nos parece importante avaliar se a taxa pensada em 2014 continua a ser suficientemente dissuasora da utilização deste tipo de sacos, devendo ser ponderado o seu aumento caso se verifique que o não é.
Alargar a tipologia de sacos abrangidos: não faz sentido restringir o tipo de sacos de plástico abrangidos pela taxa. A ZERO defende que todos os sacos descartáveis de venda final devem ser taxados, pois só assim será possível fiscalizar com eficácia a aplicação da lei e garantir que a mensagem passada é coerente. Deve ainda haver o compromisso da taxa cobrada ser utilizada em ações de sensibilização e de concretização de soluções sobre este tema. É ainda importante refletir sobre as melhores formas de progressivamente incluirmos os sacos usados nas frutas e legumes. Neste último caso, defendemos que as pessoas devem ser livres de reutilizar os seus sacos, bem como usar outro tipo de embalagens/caixas para o transporte dos alimentos, sendo necessário pensar novas soluções logísticas que tornem estas alternativas viáveis e comuns.
Sacos só a pedido e sempre com custo qualquer que seja a loja: em termos de coerência da mensagem é importante que em qualquer loja a que nos dirijamos a disponibilização de um saco (seja de que tamanho ou material for) seja feita a pedido do utilizador/consumidor (o que hoje muitas vezes ainda não acontece) e sempre com um custo associado.
Alargar o tipo de materiais abrangidos: um saco descartável será sempre um saco descartável, mesmo que seja feito de papel ou de plástico supostamente biodegradável, por exemplo. É hoje claro que estamos a usar demasiados recursos do planeta e com isso estamos a criar graves desequilíbrios que põem em causa a nossa própria qualidade de vida. Reduzir o consumo de recursos é fundamental, pelo que simplesmente substituir um material por outro de pouco ou nada adiantará, passando da eventual solução para um problema para o surgimento ou agravamento de outro. A mudança do paradigma passa pela redução e reutilização, não pela substituição de materiais de forma generalizada.
A necessidade de revisão da atual taxa sobre os sacos de plástico leves
Em 2014, a taxa sobre os sacos de plástico leves foi uma das medidas da reforma fiscal ambiental, criada com o objetivo de reduzir o consumo de sacos plásticos para 50 sacos por pessoa por ano, em 2015, e 35 sacos por pessoa por ano, em 2016, alterando o cenário de 2014 em que, por pessoa, foram consumidos 466 sacos plásticos, por ano. Ao mesmo tempo, previa-se que as verbas resultantes da sua aplicação revertessem para o então Fundo de Conservação da Natureza (agora integrado no Fundo Ambiental).
Contudo, a legislação proposta acabou por ser torpedeada pela indústria e pela distribuição, sendo que em muitos casos se aumentou ou reduziu muito a gramagem dos sacos de plástico, de forma a que deixassem de pagar a taxa e levando a que o valor pago, por exemplo, nas caixas do supermercado, reverta para os mesmos e não para o Estado. O próprio valor de 10 cêntimos tornou-se hoje quase insignificante, sendo a aquisição destes sacos muito frequente.