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sábado, 16 de julho de 2016

Bangalô ecológico inspirado na estrutura das árvores

A Single Pole House do jovem designer e estudante de arquitetura Konrad Wójcik.
A Single Pole House [Fonte]
Inspirado na estrutura das árvores nas florestas Dinamarquesas, o jovem designer e estudante de arquitetura Konrad Wójcik, desenvolveu um novo conceito de residência ecológica. A Single Pole House é uma moradia sustentável para famílias de duas a quatro pessoas que desejam viver em sintonia com a natureza.

Seu design orgânico tem como objetivo proporcionar aos moradores da casa um contato próximo com o ambiente natural, sem comprometer sua biodiversidade e paisagem. Para isso, a casa é suspensa sobre um pilar inspirado em um tronco de uma árvore que sustenta inteiramente a casa na parte de cima, reduzindo sua pegada no solo. Além disso, sua arquitetura foi pensada para que a casa fique camuflada em qualquer ambiente de floresta. “Estudar a natureza me permitiu avançar com ideias e soluções para criar uma construção completamente auto-suficiente. ” diz o designer.

Contudo, apesar do design inovador da Single Pole, o ponto mais interessante do projeto é o propósito para que foi concebido. Segundo Konrad, a construção de uma comunidade dessas casas ecológicas em paisagens naturais, pode fazer com que se impeça o desmatamento desses locais, contribuindo para a sua manutenção e proteção.

” Para a maioria dos animais , as árvores são os melhores abrigos contra predadores naturais , umidade e tempo ” conta o designer, que se inspirou nas árvores para criar abrigos para os seres humanos protegê-las deles mesmos.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Desde o dia 13 de Agosto que estamos a delapidar as reservas da Terra


Fonte: Over Shoot Day 2015 

Em oito meses, a humanidade consumiu os recursos renováveis que o planeta consegue produzir durante um ano. Depois do dia 13 de Agosto, estamos a delapidar as reservas da Terra.

Há 20 anos que a Global Footprint, uma organização não governamental ligada à conservação da natureza, faz o cálculo: com dados fornecidos pelas Nações Unidas, a ONG compara a pegada ecológica do Homem - que mede a exploração dos recursos naturais do planeta Terra pelo ser humano - com a capacidade do planeta de se regenerar, renovando os seus recursos e absorvendo os resíduos. Perante as informações recolhidas, a Global Footprint determina o dia em que a exploração humana ultrapassa a chamada biocapacidade da Terra. Em 2015, esse dia assinala-se esta quinta-feira, 13 de agosto.

A data é cada vez mais precoce: em 2005, o homem começava a explorar as reservas do planeta só a partir de Setembro. Em 1975, os recursos renovados a cada ano terminavam apenas em Novembro. A vertigem do consumo é cada vez maior e a humanidade, conforme indica a organização, vive cada vez mais Tempo "a crédito", com a dívida ecológica a crescer e a tomar proporções preocupantes. A desflorestação, escassas reservas de água, poluição e o efeito de estufa são o preço que o Homem já está a pagar pelo consumo desenfreado dos recursos terrestres, num ciclo vicioso que, daqui em diante, só pode piorar caso não sejam tomadas medidas urgentes.

A poucos meses da conferência mundial sobre as alterações climáticas - prevista para dezembro, em Paris - o vice-presidente da Global Footprint, Sebastian Winkler, disse ao Le Monde que as negociações que se avizinham serão determinantes para reduzir a pegada ecológica do homem, porque são as emissões de carbono as principais responsáveis pela degradação do ambiente e dos recursos terrestres.

"É um ciclo vicioso. A nossa forma de consumo degrada os ecossistemas dos quais dependemos. Lança gases com efeito de estufa para a atmosfera e o aquecimento global agrava ainda mais esta situação", realça Diane Simiu, a diretora dos programas da WWF, organização dedicada à preservação do ambiente, em França. A CONTINUAR a tendência de sobre-exploração dos recursos do planeta, em 2030 serão necessários os recursos gerados por dois planetas Terra para responder às necessidades do homem.

A boa notícia, segundo Sebastian Winkler, é que basta que os 195 países que vão participar na reunião de Paris cheguem a acordo para a redução em 30% das emissões de CO2: assim, em 2030, a humanidade viveria das reservas da terra só a partir de 16 de Setembro, verificando-se uma maior poupança dos recursos do planeta. Caso nada mude, o dia chegará a 28 de Junho. [Fonte:DN]

terça-feira, 9 de junho de 2015

Sobre o Dia do Excesso da Terra


HIPOTECAR O FUTURO


O conceito do Dia do Excesso da Terra foi primeiro desenvolvido pelo think tank britânico “new economic foundation” e pela organização não-governamental Global Footprint Network (GFN). Mathis Wackernagel, presidente da GFN, estabelece um paralelismo entre a actual absorção de recursos naturais e o nível de consumo acima das possibilidades económicas: “A pressão sobre recursos é semelhante aos gastos financeiros excessivos, e pode tornar-se devastadora. À medida que o défice de recursos cresce e o seu preço se mantém elevado, os custos para os países tornam-se insuportáveis.”
No ranking dos 149 países analisados, entre os que sobrecarregam o ecossistema (60, no total) estão o Qatar, o Kuwait e os Emirados Árabes Unidos. De acordo com o GFN, só para absorver os 11,68 hectares globais por habitante em emissões de dióxido de carbono de que o Qatar é anualmente responsável seriam necessários cinco planetas. Susana Fonseca, da Quercus, defende que “se tivéssemos uma relação equilibrada com o planeta, este problema não se colocaria. Poderia haver uma situação pontual, mas não com a magnitude que hoje se apresenta”.
“Estamos a hipotecar a nossa própria existência enquanto espécie, no futuro, ao não procurarmos o maior equilíbrio com a nossa fonte de vida”, explica Susana Fonseca. Pelo caminho, a população mundial já perdeu biodiversidade (30%, entre 1970 e 2008) e qualidade de vida, e as consequências são claras: “Se dependemos de recursos que estão a desaparecer ou que estão a ficar mais caros, arriscamo-nos a ficar sem bens fundamentais de que precisamos para proporcionar uma vida de qualidade à população, e arriscamo-nos a prejudicar a nossa economia e orçamentos nacionais, porque não podemos suportar o nível de consumo a que nos habituámos”, explica Kyle Gracey, investigador do GFN.

ACIMA DO LIMITE 
Há mais de 40 anos que ultrapassámos a fasquia da sustentabilidade. Uma situação que, segundo o investigador, só tem sido possível com recurso a três soluções: “Importamos recursos produzidos em anos anteriores; usamos recursos que não pertencem a nenhum país – como a pesca em mares profundos; enviamos para a atmosfera o lixo que a natureza não consegue absorver, sob a forma de dióxido de carbono.” O problema, mais uma vez, é que estas são soluções a prazo, e num futuro que já foi distante, mas que agora estamos a experienciar, as consequências voltam a fazer sentir-se, através da sobreexploração de recursos obtidos em anos anteriores e do efeito de estufa que prejudica as actuais produções agrícolas.
A solução, defende Susana Fonseca, é “dar o passo mais difícil, fazendo entrar no discurso do dia-a-dia o conceito de suficiência: sermos felizes com menos”. E a realidade actual é, para Kyle Gracey, “absolutamente reversível”. Como? “Tornando-nos mais eficientes com os recursos que usamos, desenvolvendo formas de usar os recursos que melhores condições oferecem à população, ao mesmo tempo que se reduz o recurso a matérias que são prejudiciais ao ambiente ou que mais contribuem para o efeito de estufa, e certificando-nos de que a redução de obtenção de recursos está integrada no processo de decisão dos governos”, enumera o investigador.
Nos últimos anos, o GFN colaborou com mais de 50 países, junto dos quais procurou difundir a mensagem de que uma mudança de paradigma é necessária. Desses, “17 reviram a contribuição que davam para a pegada ecológica. Nove países e territórios adoptaram formalmente a Pegada Ecológica e usam-na na elaboração das suas estatísticas nacionais e/ou para dar conta das decisões políticas que tomam”, refere Kyle Gracey.
“Se queremos manter a estabilidade social e a produtividade, não podemos sustentar um fosso crescente entre o que a natureza pode oferecer e o quanto a nossa infra-estrutura, economia e estilo de vida requerem”, resume o presidente da GFN.
Fonte: ionline, por Pedro Raminho