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sexta-feira, 21 de abril de 2017

Danificados em dois anos 1.500 quilómetros da Grande Barreira de Coral

© Reuters Danificados em dois anos 1.500 quilómetros da Grande Barreira de Coral
Cerca de 1.500 quilómetros da Grande Barreira de Coral australiana, ou dois terços desta, ficaram danificados após dois anos consecutivos de branqueamento de corais, informaram hoje fontes científicas.

"O impacto combinado deste branqueamento consecutivo estende-se ao longo de 1.500 quilómetros, deixando um terço situado a sul ileso", disse o diretor do Centro de Excelência de Estudos de Coral da Universidade James Cook, Terry Hugues, num comunicado daquela instituição de ensino superior.
Em 2016, o branqueamento causado por um aumento das temperaturas das águas acima da média, combinado com os efeitos do fenómeno do 'El Niño', afetou sobretudo a parte norte da Grande Barreira, situada frente às costas da Austrália.

"Este ano, em 2017, estamos a viver um branqueamento maciço, inclusivamente sem a implicação das condições de um fenómeno do 'El Niño'", disse Hughes, ao referir-se aos resultados deste estudo, semelhante ao trabalho realizado em 2016 na Grande Barreira, que viveu fenómenos similares em 1998 e 2002.

"Os corais descolorados não são necessariamente corais mortos, mas na região central afetada severamente, antecipamos que se registaram altos níveis de perda de corais", disse James Kerry, que também participou nas investigações. Kerry, do centro de estudos de coral, também explicou que os corais demoram cerca de uma década para recuperarem completamente, tendo sublinhado que "um branqueamento maciço que ocorre com 12 meses de intervalo oferece zero possibilidades de recuperação para aqueles corais danificados em 2016".~

Para agravar a situação, estima-se que a passagem do ciclone tropical Debbie, que atingiu o nordeste australiano no final de março, danificou o corredor de 100 quilómetros de largura por onde passou.
"Provavelmente, qualquer efeito de arrefecimento relacionado com o ciclone será insignificante em relação ao dano que este causou, já que infelizmente atingiu uma parte do recife que tinha escapado à pior parte do branqueamento", disse Kerry, no mesmo comunicado.

Os cientistas lamentaram que a Grande Barreia de Coral esteja a enfrentar diversas situações com um impacto negativo na sua saúde, especialmente os danos causados pelas alterações climáticas, pelo que instaram os governos a reduzir as emissões poluentes.

A Grande Barreira de Coral começou a deteriorar-se na década de 1990 pelo duplo impacto do aquecimento da água do mar e do aumento da respetiva acidez pela maior presença de dióxido de carbono na atmosfera.

Declarada Património da Humanidade pela UNESCO [Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura], a Grande Barreira de Coral contém cerca de 400 tipos de coral, 1.500 espécies de peixes e quatro mil variedades de moluscos, e já chamou a atenção de líderes mundiais como o ex-Presidente dos Estados Unidos Barack Obama, que pediu a proteção da mesma com medidas contra as alterações climáticas.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Matrimónio Sementes e Pesticidas

Em cima da mesa estão neste momento cerca de 59 mil milhões de euros, ou seja, a aposta da multinacional farmacêutica alemã "Bayer" na compra de "Monsanto", o gigante norte-americano dos pesticidas e das sementes que controla à escala mundial 90% dos Organismos Geneticamente Modificados (OGM). Resta saber se as autoridades da concorrência já se pronunciaram e, na afirmativa, quais foram os procedimentos anti truste adoptados.

Em primeiro lugar, qual é o impacto desta fusão em termos de saúde pública? Há mais de 30 anos que a Monsanto lida com agentes cancerígenos (Cf. Centro Nacional de Pesquisa Científica e Universidade Pierre e Marie Curie, França). Concretamente, a exposição crónica aos pesticidas está associada a patologias graves, tipo linfoma não-Hodgkin e doença de Parkinson. O Roundup Supra, que representa 40% do volume de negócios da Monsanto, é um herbicida não convencional, de degradação muito lenta e de alta solubilidade na água (substância activa: glifosato). Ele actua no combate aos infestantes, em vinhas, pomares, etc., mas provoca intolerância ao glúten, uma proteína presente num vasto leque de alimentos do nosso quotidiano: trigo, cevada, centeio, queijos, etc.


Em suma, nesta aliança alquímica, as mutações genéticas introduzidas pela multinacional rentabilizam os seus herbicidas agro-tóxicos, sendo que as sementes manipuladas só são resistentes aos pesticidas que a multinacional fabrica! (Soja e milho transgénicos para resistir ao Roundup). Estamos face a uma contaminação da Natureza: a biodiversidade e a qualidade comprometidas, o que coloca a questão dos malefícios de certas biotecnologias. Mas também contaminação dos alimentos que temos à mesa. Na realidade, as sementes, riqueza e património da humanidade pela sua variedade, passam a ser simples mercadoria. Para os agricultores deixa de haver alternativa na escolha das sementes, isto é, das plantas, dos cultivos, do que se come e vende. Um sistema anti-social, como é o caso do algodão na Índia. Falam os media das responsabilidades da Monsanto nos suicídios por enforcamento de mais de 280.000 camponeses indianos do "algodão da morte"?* Que adianta ter sido a multinacional condenada várias vezes por agressões ambientais? A Bayer também não está acima de qualquer suspeita: é conhecido o caso das abelhas assassinadas por agentes tóxicos, sem falar na venda de produtos sanguíneos contaminados pelo vírus da Sida HIV.

Diz-se que o dinheiro não tem cheiro. Também não o terão as acções da Monsanto que Bill Gates e a sua esposa Melinda detêm em carteira! ("Via campesina" 2010). Sobretudo agora que o fundador da Microsoft virou filantropo, a querer fazer recuar a pobreza no mundo, com alguns donativos!

Qual é então o interesse da Bayer nesta aquisição aqui em análise? Em 2015, o seu volume de negócios em milhares de milhões de euros no sector agrícola era de 10,37%, enquanto o da Monsanto era de 13,40%, apesar das actuais quedas na venda de OGM. A oportunidade de uma fatia de mercado para a multinacional alemã, que só controla actualmente 22% das vendas no sector pesticidas-sementes. DuPont e Dow Chemicals também acasalaram. Trata-se, com estas fusões, de dominar o mercado mundial da agroquímica, se possível concentrado em uma só empresa, neste momento em mãos de três conglomerados empresariais. Concentração que é a melhor maneira de impor políticas agrícolas baseadas nas sementes OGM & pesticidas associados. Já em 2014 a Bayer alemã tinha procurado engolir a Syngenta, Companhia suíça de pesticidas, o que acabou por ser conseguido, não pela Bayer, mas pela ChemChina, que selou a compra da empresa suíça por cerca de 39 mil milhões de euros. O reverso da medalha de tudo isto é, invariavelmente, a perda da independência alimentar de agricultores e consumidores. Se o leitor tiver alguma apetência em obter outras abordagens do tema destas linhas, o acesso é fácil, dado que "O Mundo Segundo Monsanto", de Marie Monique Robin (2008) é uma obra traduzida em 15 línguas, em mais de 20 países!

António Branquinho Pequeno [Fonte: O Ribatejo]
PS - *4/5 de toda a investigação disponível nos media é proveniente de 3 grandes grupos empresariais! A França proibiu a cultura dos OGM no seu território mas os alimentos manipulados podem ser importados! Em Portugal (2015), o milho MON 810 da Monsanto é cultivado em Portugal (8000 hectares).

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Musica BioTerra: ‪Árabe Andalusa - Waṣlah de maqām ḥijāz (Alepo, Siria)‬


Muita informação detalhada disponível sobre este álbum e o que são as  Moaxaja . Saliento este tema:
Muwashshaḥa: "yā ghuṣayna-l-bāni" (0:00) - (3:15)

Música: Sayyid Darwish (1892-1923)
Texto: Anónimo.

maṭla:
Oh, rama del árbol de la moringa (la amada), me siento perplejo.
Ah, desearía que supieras que estoy loco de amor por tí.

bayt:
Mis penas aumentan a causa de mi amor espiritual,
me siento frustrado, guardaré mi secreto.

Foto por Viajeros Cetteros
Alepo (em árabe: حلب, transl. ˈħalab; em turco Halep) é uma cidade no norte da Síria, sendo a maior cidade do país, capital da província homônima. A província se estende em torno da cidade, cobrindo uma área de 18 482 quilómetros quadrados, e abrangendo uma população de mais de 5 315 000 habitantes (estimativa de 2008), o que faz dele a maior província da Síria em termos de população.

Alepo é uma das cidades mais antigas do mundo, tendo sido habitada desde o século XI a.C., o que é evidenciado pelos edifícios residenciais descobertos em Tell Qaramel. Ocupa uma posição comercial estratégica entre o mar Mediterrâneo e o rio Eufrates, e foi construída inicialmente sobre um pequeno grupo de morros que cerca um monte onde o castelo da cidade foi construído. O pequeno rio Quwēq  (قويق) cruza a cidade.

Durante séculos Alepo foi a maior cidade da Grande Síria, e a terceira do Império Otomano, depois apenas de Constantinopla e do Cairo. Embora esteja relativamente perto de Damasco em termos de distância, Alepo é diferente na sua identidade, arquitectura e cultura, todas marcadas por um contexto histórico-geográfico distinto.
Em 1986 foi declarada Património da Humanidade pela Unesco.

Mais informação detalhada na Wikipedia

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação


Por carta de 6 de Agosto passado, o Papa Francisco instituiu também na Igreja Católica o "Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação" que, a partir do ano corrente será celebrado a 1 de Setembro – como já ocorre há tempos na Igreja Ortodoxa


Descarregue aqui a Encíclica "Laudate si" (versão portuguesa)

Carta do Papa Francisco por Ocasião da Instituição do "Dia Mundial De Oração Pelo Cuidado Da Criação" [1° de Setembro]

Aos Venerados Irmãos

Cardeal Peter Kodwo Appiah TURKSON
Presidente do Pontifício Conselho da Justiça e da Paz
Cardeal Kurt KOCH
Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos

Compartilhando com o amado irmão o Patriarca Ecuménico Bartolomeu as preocupações pelo futuro da criação (cf. Cart. Enc. Laudato si’, 7-9), e acolhendo a sugestão de seu representante, o Metropolita Ioannis de Pérgamo, um dos convidados na apresentação da Encíclica Laudato si’ sobre o cuidado da casa comum, desejo comunicar-vos que decidi instituir também na Igreja Católica o "Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação" que, a partir do ano corrente, será celebrado no dia 1° de Setembro, assim como já ocorre há tempos na Igreja Ortodoxa.

Como cristãos, queremos oferecer a nossa contribuição para a superação da crise ecológica que a humanidade está vivendo.
Por isso devemos, antes de tudo, buscar no nosso rico património espiritual as motivações que alimentam a paixão pelo cuidado da criação, lembrando sempre que para aqueles que crêem em Jesus Cristo, Verbo de Deus que se fez homem por nós, «a espiritualidade não está desligada do próprio corpo nem da natureza ou das realidades deste mundo, mas vive com elas e nelas, em comunhão com tudo o que nos rodeia» (ibid., 216).
A crise ecológica chama-nos, portanto, a uma profunda conversão espiritual: os cristãos são chamados a uma «conversão ecológica, que comporta deixar emergir, nas relações com o mundo que os rodeia, todas as consequências do encontro com Jesus» (ibid., 217).
De facto, «viver a vocação de guardiões da obra de Deus não é algo de opcional nem um aspecto secundário da experiência cristã, mas parte essencial duma existência virtuosa» (ibid.).

Anualmente, o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação oferecerá a cada fiel e às comunidades a preciosa oportunidade para renovar a adesão pessoal à própria vocação de guardião da criação, elevando a Deus o agradecimento pela obra maravilhosa que Ele confiou ao nosso cuidado, invocando a sua ajuda para a protecção da criação e a sua misericórdia pelos pecados cometidos contra o mundo em que vivemos.
A celebração deste Dia, na mesma data, com a Igreja Ortodoxa, será uma ocasião profícua para testemunhar a nossa crescente comunhão com os irmãos ortodoxos.
Vivemos num tempo em que todos os cristãos enfrentam idênticos e importantes desafios, diante dos quais, para ser mais credíveis e eficazes, devemos dar respostas comuns.
Por isto, é meu desejo que este Dia também possa envolver, de alguma forma, outras Igrejas e Comunidades eclesiais, e ser celebrado em sintonia com as iniciativas que o Conselho Mundial de Igrejas promove sobre este tema.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Stop the looting and start prosecuting! Paremos o saque e exijamos prisão!

Tantos submarinos a submergir e a emergir, uns Freeports e um Allgarve bem "pacífico" e depois ainda negócios da China com a EDP, o Douro Vinhateiro em risco de perder o título de Património da Humanidade, por causa da barragem do Tua...mas hummm energia solar em Portugal?? Onde estás? [clica na imagem para ampliar]



Na Finlândia os privados são bem fiscalizados e com mão-pesada...Os títulos de dívida privada em Portugal é TRÊS VEZES maior que na Finlândia. Aqui é mais uma diferença ESSENCIAL deste país com Portugal. O PIB da Filândia = 238.5; PIB de Portugal = 229.0. Títulos da dívida publica da Filândia= 100,3; de Portugal = 178,1; Títulos da dívida privada, Finlândia= 131.9; Portugal = 357.6; todos os valores em mil milhões de dólares, ano 2010, fonte FMI. Mas há mais verdades! Vejam com os vossos próprios olhos![clica na imagem para ampliar]

Dados FMI
No que toca a canibalização económica de um país a fórmula é simples: o Goldman (e seus colaboradores infiltrados nos Governos), com a cumplicidade das agências de rating, declara que um governo está insolvente, como consequência as yields sobem e obriga-o, assim, a pedir mais empréstimos com juros agiotas. Em simultâneo impõe duras medidas de austeridade que empobrecem esse pais. De seguida, em nome do aumento da competitividade e da modernização (antiga escravatura) , obriga-os a abrir os seus sectores económicos estratégicos (energia, águas, saúde, banca, seguros, etc.) às corporações internacionais. [BioTerra]
Roubaram-nos o tempo...aceleraram-se as TIC, os telepais e nós deixamos o ciclo vicioso do consumismo entrar pelas nossas vidas dentro...Seremos capazes de inverter e defender a educação familiar?


Atenção à recessão...é mentira. Trata-se do maior roubo à escala global. Cabe aos EUA evitar o romunismo e seus seguidores Lord Rothschild takes £130m bet against the euro - Telegraph (e já agora lembram-se do episódio Black Wednesday?)


Stop the looting and start prosecuting.
O Dia do Silêncio Mortal [ler aqui]

sábado, 1 de outubro de 2011

Movimento pela ÁGUA - documentário "Ouro Azul"

Ouro Azul: a Guerra da Água
Contra a privatização da água, um Direito e um Bem da Humanidade. Nunca se poderá privatizar a água, enquanto os cidadãos fizerem frente a essa medida.


Este documentário imperdível, baseado no conhecido livro “Ouro azul”, de Maude Barlow e Tony Clarke, é um trabalho vencedor do prémio “Melhor Documentário” em seis prestigiados festivais internacionais 

DEFENDER JUNTOS A ÁGUA DE TODOS

No âmbito da campanha «Água é de todos» diversas organizações subscrevem um Manifesto em defesa da gestão pública da água e apelam à mobilização da sociedade portuguesa num combate fundamental para travar as intenções privatizadoras deste bem público e essencial à vida humana.

A campanha, que junta organizações como sindicatos, autarquias, associações representativas e movimentos sociais, prepara entretanto uma proposta de Iniciativa Legislativa de Cidadãos a apresentar à Assembleia da República com o objectivo de impedir a privatização da água, e que será anunciada num Fórum a realizar em 29 de Outubro próximo, em Lisboa.

Está já em fase de impressão um cartaz de apresentação da campanha e a preparação de materiais de divulgação, nomeadamente uma exposição pública, prevendo-se a realização de diversas iniciativas de âmbito local, nomeadamente debates e acções de esclarecimento das populações.

Negócio lesivo
No Manifesto aprovado, disponível em www.aguadetodos.com, as organizações subscritoras consideram que «a privatização de facto verifica-se em várias frentes, que vão da captação da água na natureza, passando pelas margens e os leitos dos rios, pelos recursos pesqueiros marinhos, pelas infraestruturas públicas como portos e barragens, até aos serviços públicos de abastecimento de água e saneamento de águas residuais», provocando o aumento dos preços da água, seja em tarifas seja em taxas e sobretaxas.

A intenção governamental de privatizar o grupo Águas de Portugal (AdP) ameaça ainda mais o quadro de empobrecimento generalizado das populações, fruto das políticas de austeridade levadas a cabo no âmbito do acordo com a troika FMI/BCE/CE, sendo certo que «a factura da água sobe de forma insuportável com a privatização, com a preparação do negócio para a subordinação ao objectivo de maximização do lucro, com a indexação de outras prestações à utilização doméstica da água e com a aplicação de diversas taxas e o eventual aumento do IVA.»

Para as organizações subscritoras deste Manifesto, esta medida constitui um negócio profundamente lesivo dos interesses das populações e do País em geral, pois «para além de o Estado vender ao desbarato um património comum valiosíssimo e essencial, entregaria às multinacionais o controlo das componentes essenciais do abastecimento de água e saneamento, tornando dependentes centenas de autarquias cujas competências nesse domínio foram já concessionadas em sistemas multimunicipais a empresas do grupo AdP, num monopólio supramunicipal de extensão e poder sem paralelo, mesmo em muitos países onde a privatização é já uma realidade.»

Defender um bem público

«A água é um bem comum, parte integrante e fundamental do constante movimento e evolução da natureza, determinante da composição atmosférica, do clima, da morfologia, das transformações químicas e biológicas, das condições de toda a vida na Terra», e o direito a ela é mesmo reconhecido pelas Nações Unidas como um direito fundamental.

A campanha considera que a água constitui em todas as suas vertentes e funções – serviços de água, recursos vivos aquícolas e infraestruturas de fins públicos – um património comum que não pode ser alienado, arrendado nem concessionado, bem como não pode ser lícita a privação da água nem qualquer atribuição de privilégios ou concessão de direitos exclusivos sobre as águas ou serviços de água.

Os serviços de águas têm por obrigação garantir «de facto a universalidade de fruição do direito à água», atribuição que só é possível assegurar através da propriedade e gestão públicas sem fins lucrativos dos mesmos, pelo que é urgente travar as intenções privatizadoras do actual governo e reverter o caminho que há muito vem sendo prosseguido.

As organizações subscritoras do Manifesto lembram que em todo o mundo «a luta pelos direitos à fruição da água, contra a privatização, tem conseguido inúmeras vitórias e reconquista dos serviços públicos» pelo que afirmam que também em Portugal é possível travar, por antecipação, «a ofensiva privatizadora, alertando e mobilizando as populações.»

Os primeiros aderentes da campanha consideram que é preciso alargar o seu âmbito, pelo que irão iniciar um conjunto de contactos com as mais diversas forças vivas e personalidades da sociedade portuguesa para que a integrem e contribuam para o êxito deste combate que é hoje urgente e fundamental.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Dia D de Darwin- Parabéns Darwin


Visita e conhece a evolução da Vida com Tree of Life, bastante interactiva


Por Filinto Melo, Ciência Hoje

O bicentenário do nascimento de Charles Darwin celebra-se esta quinta-feira!
No caso da Inglaterra, as celebração estão a ser coordenadas pela iniciativa Darwin200, que preparou uma série de eventos para festejar mas sobretudo para salientar a importância da obra do pai da biologia moderna.

Começou em Novembro passado, quando o Museu de História Natural de Londres iniciou uma exposição na qual os visitantes podem percorrer os diferentes cenários da vida do cientista (incluindo animais com que ele se cruzou) e ter acesso a pequenos artefactos do seu universo particular, o cientista e o homem. Mas é a partir desta quinta-feira que se multiplicam os eventos. Na cidade de Shrewsbury, a sua terra natal, o chamado Dia Darwin incluirá a inauguração de um jardim geológico temático e de um monumento ao cientista. Um Museu de Cambridge tentará mostrar as pontes entre a ciência e a arte, tendo perceber o impacto que a teoria teve em artistas do século XIX, como Turner, Monet ou Cézanne.

A
casa de Darwin em Kent vai abrir as portas. Segundo a curadora do espaço, em entrevista à BBC, a visita permitirá perceber porque razão o refúgio do naturalista foi ali, rodeado pela natureza e afastado do frenesi universitário. Nesse refúgio do condado de Kent, onde manteve um laboratório ao ar livre, haverá um pedido formal para que a Unesco o considere Património da Humanidade.


A BBC, por outro lado, pediu a Richard Attenborough um documentário que pretende ser um relato da vida do pai da biologia moderna e do impacto das suas teorias, onde se esperam críticas ao criacionismo.

Ao todo, em Inglaterra, haverá mais de 300 eventos relacionados com o bicentenário.

Em Cabo Verde, o primeiro local em que o HMS Beagle atracou e Darwin fez observações, a Universidade Pública de Cabo Verde Uni-CV, a Câmara Municipal da Praia e outras entidades pretendem celebrar a passagem de Charles Darwin, na cidade da Praia.

Em Portugal, a grande expectativa centra-se na exposição a inaugurar na Gulbenkian. Intitulada A Evolução de Darwin, é inaugurada este dia 12 de Fevereiro e decorrerá até 24 de Maio. A mostra, que pretende ajudar a entender a Teoria da Evolução, inclui elementos da exposição Darwin que esteve patente no American Museum of Natural History, de Nova Iorque, em colaboração com museus congéneres de Bóston, Chicago, Toronto e Londres.

No Porto, a Reitoria da Universidade inaugura a exposição Charles Darwin : Evolução e Biodiversidade.

O Museu da Ciência da Universidade de Coimbra tem a decorrer um concurso de arte postal.

Em Aveiro, a Fábrica – Centro Ciência Viva, organiza hoje, além de outras iniciativas a decorrer ao longo do ano, Darwin em 5: uma representação do casal Darwin (Charles e Emma) sobre alguns factos significativos da sua vida. Segue-se uma conversa com o professor do Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro, José Eduardo Rebelo.

Num outro tom, o blogue de apoio à exposição a inaugurar quinta-feira na Fundação Calouste Gulbenkian, o A Evolução de Darwin associa-se ao Festa de Anos de Darwin para a realização de uma verdadeira festa de anos, a decorrer este dia 12, a partir das 23h no Frágil, em Lisboa.

A par do blogue, a organização já obteve apoios da Flying Sharks, da Associação Viver a Ciência, de uma confeitaria (que confeccionará o bolo de aniversário), a Fundação Luso-Brasileira, o Zoo de Lisboa, o Oceanário, a Fnac e a National Geographic Portugal. O dj será Nuno Lopes.

Virtualmente, Darwin é também celebrado. Por estes dias, surgiu como utilizador na plataforma Twitter associado ao blogue da viagem do Beagle. No Facebook, um grupo tenta juntar 200 mil pessoas, online, naquela que será, com certeza, a maior festa de anos de sempre, embora virtual.

Sugiro outras páginas ou portais muito interessantes

The Complete Work of Charles Darwin Online

Darwin Day Celebration

The Darwin Digital Library

The Charles Darwin Foundation (Galápagos)

E ainda convido-te a ler uma grande compilação de artigos e discussão no blogue Scientific relacionando a Teoria de Darwin com as descobertas da Genética e a Evolução, clicando aqui



terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Moção e manifestações no Chile contra a realização do Rali Dakar Chile-Argentina 2009

Manifestação




Moção

Com a realização do chamado Rali Paris Dakar , desta vez nas áreas de Chile e Argentina, as organizações abaixo declaram:

1 .Hoje, a principal ameaça para a espécie humana é a destruição das condições de vida no planeta e em especial, as alterações climáticas causadas pelas emissões de gases de efeito estufa. Um dos sectores que geram mais emissões são veículos automóveis. Na verdade, muitos estão empregados em trabalho útil. Outros, infelizmente, muitos são simplesmente um luxo consumo, causando sérios danos. Perante este quadro, é um dever moral de primordial importância para as presentes e futuras gerações, mantendo padrões de consumo precisamente aqueles que são desnecessários e causam grande catástrofe universal ameaça para nós. Este tem sido declarado pelos governos da maioria dos países do mundo e líderes espirituais de diferentes tradições.

2 .Não obstante o acima exposto, vemos uma enorme lacuna entre o governo e declarações políticas que estão sendo promovidos. Esta diferença é devido à pressão de interesses económicos desses especuladores formas de produção e consumo mais nocivos. Um exemplo claro disto é o Rally Paris Dakar. Esta é, em essência, é uma grande publicidade que promove a utilização de veículos de exibir sua valentia nesta corrida. Isto cria o seu efeito sobre as mentes das pessoas, sem muita consciência, mas com carteiras volumosas adquirir esses veículos e, em seguida, atormentado com áreas naturais e ruas da cidade.

3 .Conduzir automóveis, motas ou 4x4, são os veículos que consomem maiores quantidades de combustível por passageiro / km / transporte, 40 vezes mais do que os transportes públicos e 20 vezes mais do que um veículo projectado para o ambiente urbano. Eles são também mais peso e volume e, portanto, constituir um risco maior para a segurança. Sem dúvida, eles são muito prejudiciais e brinquedos caros, que também são utilizados indevidamente em áreas onde não há nenhuma justificação para isso. Seu uso deve ser fortemente desencorajado. Mas infelizmente, por causa da irresponsabilidade, futilidade ou falta de valores ambientais de muitos governos, nós continuamos a permitir que grandes promoções, como por exemplo o Rally Paris Dakar.

4 .O Chile é um país muito vulnerável às ameaças da mudança climática. Sete das nove características internacionalmente como indicadores de vulnerabilidade a este fenómeno. Quase como países insulares, o nosso país pode sofrer impactos ingovernável. Como somos um país pequeno, a nossa contribuição para as mudanças climáticas principalmente tem a ver com ser um símbolo da mudança cultural necessária para fazê-lo. Temos o dever de ser um exemplo. Infelizmente, não somos, e do Chile é um dos maiores aumentos nas emissões de gases de efeito estufa tem sido em todo o mundo. Hoje, além disso, a futilidade das nossas autoridades torna o nosso território é dada à cena mundial da promoção de práticas destrutivas.

5 .Não podemos deixar de lamentar a notar também que o papel do governo francês em relação a destruição desta promoção. Os países industrializados têm as maiores responsabilidades históricas têm gerado no efeito estufa. Eles também têm mais recursos e tecnologia para lidar com isso. A liderança do presidente Sarkozy tinha dado sinais de compreensão da magnitude dos desafios que a mudança climática representa para a humanidade. Infelizmente, neste caso também mostra o quão fácil é capim para os interesses da indústria automotora e é o agente condutor do Rali Paris Dakar, já em território latino-americano.

6 .O nosso protesto é também motivada pelos impactos da promoção automotora local. Será uma verdadeira horda motorizadas, compreendendo cerca de 600 veículos na competição, incluindo camiões, e muitos outros tipos de apoio. Onde ir, não vai nunca deixar uma lâmina de grama. Um fenómeno tão maravilhoso como o nosso Spider, que mostra que a vida no areias estéril que muitos podem ser irremediavelmente danificada. O património arqueológico é também ameaçado. Na verdade, o risco directo com as pessoas durante a realização da corrida, como tem ocorrido em territórios Africanos, onde sempre choram mortes.

7 .Face ao exposto expressamos nossa vontade de protestar contra a destruição desta promoção denominada Rally Paris Dakar, quando entra em território chileno. Exortamos os nossos cidadãos conscientes de áreas para reflectir sobre o verdadeiro significado da corrida e também o nosso apelo ao Governo reconsidere e não permitir que nosso território nunca vai ser considerado um simples teste de campo para as indústrias predatória . Os Chilenos, sempre receberam de braços abertos para os visitantes. Amor para mostrar a beleza das nossas paisagens e a riqueza da nossa cultura. No entanto, não é da nossa própria dignidade que nossa natureza é vista como um simples obstáculo óbvio, a ser ultrapassado por máquinas que são precisamente as formas de consumo que a humanidade deve pôr de lado para sobreviver.
Vamos defender a Vida! Para enfrentar frívola irresponsabilidade e os governantes!
Vamos Parar Barbárie motorizado!

[Tradução de João Soares, a partir do blogue
EcoHumanismo]


sexta-feira, 28 de abril de 2006

BiblioTerra- A minha prenda a todos os que me visitam....Biblitotecas de todo o mundo!

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Vieira da Silva- Biblioteca em Chamas

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Partilhar livros e flores é prolongar uma longa cadeia de alegria e cultura, de saber e paixão. E das casas mais fantásticas  que eu conheço são sempre as bibliotecas: de livros, de confidências, de estudo, de história, de património, de democracia, de universidade, de auto-conhecimento, de magia, de sonhos...

Entretanto modernizaram-se e quase todas digitalizaram-se e estão no ciberespaço. Desde 2009 que a Unesco disponibiliza a Biblioteca Digital Mundial, através do site World Digital Library.

Biblioteca Digital Paulo Freire - Com dezenas de vídeos de palestras do excelente pedagogo Paulo Freire, além de que pode conhecer e visitar a sua Fundação on-line.Biblioteca Nacional Portuguesa
Museu da Língua Portuguesa-o único Museu no Mundo sobre a história de um Idioma
Biblioteca Nacional Argentina-biblioteca,fototeca e mapoteca
Gallica - Bibliothèque Numérique - volumes da Biblioteca Nacional da França digitalizados
Human Rigghts Library - mais de 14 mil documentos relacionados com os direitos humanos
IDRC Library - textos e imagens desse centro de estudos do desenvolvimento internacional
Internet Ancient History Sourcebook - página dedicada à difusão de documentos da Antiguidade
Internet Archive - guarda páginas da internet em seus diversos estágios de evolução
Internet Public Library- indica páginas em que se podem ler documentos sobre áreas específicas do conhecimento
John F. Kennedy Library- sobre o presidente americano John F. Kennedy,morto em 1963
LibDex-índice para localizar mais de 18 mil bibliotecas do mundo todo e seus sites
Lib-web-cats - enumera bibliotecas de mais de 130 países, mas o foco são os EUA e o Canadá
Libweb-outro site de busca de instituições, com 6.600 links de 115 países
Mosteiro São Geraldo-livros e periódicos sobre história e literatura húngara, filosofia, teologia e religião
National Library of Australia -divulga periódicos australianos desde a década de 1840
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Servei de Biblioteques - bibliotecas da Universidade Autónoma de Barcelona
The Aerial Reconnaissance Archives - recém-lançado, site promete divulgar 5 milhões de fotos aéreas da Segunda Guerra Mundial
The British Library - além de busca no catálogo, tem colecções virtuais separadas por região geográfica
The Digital Library- diversas colecções temáticas, como a de escritoras negras americanas do século XIX
The Digital South Asia Library - periódicos, fotos e estatísticas que contam a história do Sul da Ásia
The Huntington - grande quantidade de obras raras em arte e botânica
The Math Forum- textos que se propõem a auxiliar no ensino da matemática
New Zealand Digital Library- destaque para os arquivos sobre questões humanitárias
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Bartleby- importantes textos, como os 70 volumes da Harvard Classics e a obra completa de Shakespeare Bibliomania- 2.000 textos clássicos e guias de estudo em inglês
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sexta-feira, 24 de dezembro de 2004

E ainda a Amazónia

Durante um debate numa universidade nos Estados Unidos o Ministro da Educação do Brasil, em 2004, CRISTOVAM BUARQUE, foi questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazónia (ideia que surge com alguma insistência nalguns sectores da sociedade americana e que muito incomoda os brasileiros). Um jovem americano fez a pergunta dizendo que esperava a resposta de um Humanista e não de um Brasileiro. Esta foi a resposta do Sr.Cristovam Buarque:

De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra ainternacionalização da Amazónia. Por mais que nossos governos não tenhamo devido cuidado com esse património, ele é nosso.Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazónia, posso imaginar a sua internacionalização, como também de tudoo mais que tem importância para a humanidade. Se a Amazónia, sob uma ética humanista, deve ser internacionalizada,internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro...
O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazónia para o nosso futuro.Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar oudiminuir a extracção de petróleo e subir ou não o seu preço. Da mesmaforma, o capital financeiro dos países ricos deveria serinternacionalizado. Se a Amazónia é uma reserva para todos os sereshumanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de umpaís. Queimar a Amazónia é tão grave quanto o desemprego provocado pelasdecisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar queas reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpiada especulação.Antes mesmo da Amazónia, eu gostaria de ver a internacionalização detodos os grandes museus do mundo.

O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidaspelo génio humano. Não se pode deixar esse património cultural, como opatrimónio natural Amazónico, seja manipulado e destruído pelo gosto deum proprietário ou de um país.Não faz muito tempo, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele, umquadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.
Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milénio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades emcomparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu achoque Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada.

Pelo menos Manhatan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cadacidade, com sua beleza específica, sua história do mundo, deveriapertencer ao mundo inteiro.Se os EUA querem internacionalizar a Amazónia, pelo risco de deixá-lanas mãos de brasileiros, internacionalizemos também todos os arsenaisnucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes deusar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior doque as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.

Nos seus debates, os actuais candidatos à presidência dos EUA têm defendido a ideia de internacionalizar as reservas florestais do mundoem troca da dívida.Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do Mundo tenha possibilidade de COMER e de ir à escola. Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como património que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazónia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres domundo como um património da Humanidade, eles não deixarão que elastrabalhem quando deveriam estudar, que morram quando deveriam viver.Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas,enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazóniaseja nossa. Só nossa!

ESTE DISCURSO NÃO FOI PUBLICADO. AJUDE-NOS A DIVULGÁ-LO
Porque acho é muito importante ... mais ainda, porque foi censurado.

terça-feira, 14 de setembro de 2004

Professor Jorge Paiva- A Preservação da Biodiversidade

Infelizmente, a maioria das espécies vegetais e animais existentes ainda nem sequer foi recenseada pelos cientistas e, ao extinguirem-se essas espécies, nem sequer se avaliou se eram importantes medicinalmente, ou industrialmente, ou para a alimentação, etc. Nestes casos a perda é, não só irreparável, como é também de valor completamente desconhecido para a Humanidade. Chega a parecer incrível como se deixa perder, impunemente, tanto Património Biológico.

Após variados estudos chegou-se à conclusão que não é possível preservar a Biodiversidade cultivando os seres vivos "ex situ" (ex.: plantas em Jardins Botânicos e animais em Jardins Zoológicos), mas sim "in situ", isto é, nos respectivos ecossistemas. Nem mesmo os designados "Bancos de Sementes" e "Bancos de Germoplasma" são suficientes.

Desta maneira a conservação dos ecossistemas é pois a única alternativa que possuímos, e são urgentes as medidas para os preservar, visto que a continuar o ritmo de destruição actual, caminhamos para uma catástrofe, num rápido suicídio colectivo.

A comunidade internacional e os governos tomaram quatro tipos de medidas que favorecem particularmente a conservação e a utilização durável da Diversidade Biológica:

Medidas visando proteger ecossistemas particulares, tais como os Parques Nacionais, as Reservas Biogenéticas ou outras zonas protegidas (Convenção sobre Zonas Húmidas de importância internacional, particularmente o habitat de aves marinhas, RAMSAR, 1971, a Convenção sobre a Protecção do Património Cultural e Natural da Humanidade, Paris, 1972; etc.);

Medidas visando proteger espécies ou grupos particulares de exploração intensiva (Convenção Internacional ­ com as emendas ­ sobre a Regulamentação da Pesca à Baleia, Washington, 1946; a Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Extinção da Fauna e da Flora Selvagens, Washington, 1973; a Convenção sobre a Conservação de Espécies Migradoras de Animais Selvagens, Bona, 1979; etc.);

Medidas destinadas a promover a conservação "ex situ" de espécies, por exemplo, nos Jardins Botânicos, através de programas de reprodução em cativeiro ou de Bancos de Genes, (Conselho Internacional de Investigação de Genética Vegetal ­ IBPGR; Secretariado da Conservação dos Jardins Botânicos; Comissão da FAO sobre a Investigação Genética Vegetal do Projecto Internacional sobre Investigação Genética Vegetal; etc.);

Medidas tendentes a limitar a contaminação da Biosfera com poluentes (Convenção de Londres sobre o Lixo, 1972; Convenção de Viena sobre a Protecção da Camada de Ozono, 1985; Protocolo de Montreal da Convenção de Ladite, 1987; etc.).

Em cada um destes quatro domínios, existe um número importante de Convenções e Tratados Regionais ou outras medidas de fins mais limitados.

Talvez com estas e outras medidas semelhantes, impostas pela comunidade internacional, se consiga travar atempadamente o actual nível de diminuição da Biodiversidade.

Ler ainda 
A Relevância do Património Biológico [artigo]

Quem é Jorge Paiva?

quarta-feira, 8 de setembro de 2004

Jorge Paiva - A Biodiversidade

Estes três artigos aqui expostos foram retirados de uma publicação do livro "Ambiente e Consumo", de 1996, publicado pelo Centro de Estudos Judiciários, Lisboa. Lendo estes documentos, parecem actuais...no entanto já se passaram 8 anos!!

A Biodiversidade

O Património Biológico, isto é, a Diversidade de todos os seres vivos (Diversidade Biológica ou Biodiversidade), engloba todas as espécies vegetais, animais, fungos, micro-organismos e os ecossistemas de que fazem parte. A Biodiversidade compreende, assim, o número e a frequência dos ecossistemas, espécies e genes de um dado agregado. A Diversidade Biológica deve, pois, ser considerada a três diferentes níveis:

A Diversidade Genética, que não é mais do que a variabilidade no seio de uma espécie. É calculada pela variação dos genes de uma espécie, de qualquer taxon infra-específico (subespécie, variedade, raça, etc.), ou de qualquer população e constitui o Património Genético;

A Diversidade Específica refere-se à variedade dos organismos vivos da Biosfera, cujo número se calcula entre 5 a 10 milhões ou mais, dos quais apenas 2,5 milhões são efectivamente conhecidos (recenseados) (ca. 2 milhões de animais e 0,5 milhões de plantas, fungos e micro-organismos o que é cerca de 1/12 do número estimado por TERRY ERWIN (1991), cerca de 30 milhões de espécies de seres vivos), e que constitui o Património Específico ou Património Taxonómico;

A Diversidade dos Ecossistemas, que se refere à variedade dos habitats, das comunidades bióticas e dos processos ecológicos da Biosfera, e que constitui o Património Ecológico.

É quase inconcebível e inacreditável que, sendo a espécie humana e os outros seres vivos, tão interdependentes, a Biodiversidade esteja ainda tão mal estudada. Apesar do grande desenvolvimento científico, presentemente, ainda não é possível calcular, com uma aproximação sem grande margem de erro, a magnitude do número de espécies de seres vivos.

Como é do conhecimento geral, as florestas tropicais de chuva (Pluvissilva) são as regiões do globo onde há maior abundância de seres vivos. Por isso, a preservação desses ecossistemas, constitui uma das grandes preocupações da Humanidade. Muitos investigadores têm efectuado demonstrações, mais ou menos simples, do elevado Património Biológico dessas florestas. Assim, TERRY ERWIN pulverizou, com insecticida, uma área determinada de florestas tropicais do Brasil e Perú, para calcular o número de insectos e outros artrópodes. Seguidamente, efectuou contagens e cálculos entrando em linha de conta com outros seres e espécies com habitats subterrâneos. Estimou cerca de 30 milhões de espécies para a área de floresta tropical do globo. Portanto, só nesses ecossistemas, devem existir 20 vezes mais espécies do que as estudadas até ao presente para todo o globo.

Um outro exemplo da elevadíssima Biodiversidade das florestas tropicais, foi a demonstração feita por EDWARD WILSON. Este entomologista colheu numa árvore do grupo das leguminosas, numa floresta do Perú, 43 espécies de formigas pertencentes a 26 géneros, o que é aproximadamente igual à diversidade de formigas de toda a Grã-Bretanha.

A diversidade de árvores dessas florestas tropicais de chuva é também muito elevada. PETER ASHTON, em 10 quadrados de 1 hectare cada, na floresta de Kalimantan (Indonésia) encontrou 700 espécies de árvores, o que é sensivelmente o número de espécies arbóreas do continente norte americano.

Mas a estabilidade dos ecossistemas não depende do número de espécies. Mesmo frágeis superestruturas podem tornar-se ecossistemas robustos, desde que o Ambiente se mantenha estável de modo a suportar a sua evolução durante um longo período de tempo. Um ecossistema estável pode desmoronar-se pela perda de um pequeno número de espécies (às vezes até apenas uma), tal qual uma pirâmide de cartas de jogar.

A actividade humana tem tido efeitos devastadores na Biodiversidade e tem acelerado o ritmo das extinções.

O maior efeito da pressão humana tem-se feito sentir mais nas florestas tropicais, nas ilhas, lagos e outros ecossistemas limitados. Um exemplo foi a eliminação de metade das espécies de aves da Polinésia pela caça e destruição das florestas nativas; no século passado a Ilha de Santa Helena foi completamente desflorestada, e a maioria das espécies lenhosas endémicas perdeu-se para sempre; a Ilha do Sal (Cabo Verde) foi praticamente desertificada; centenas de espécies de peixes do Lago Victória (África Oriental), que constituem a base da alimentação e interesse económico das populações limítrofes, estão em vias de extinção, pela introdução da carpa do Nilo, etc.

Calcula-se, por exemplo, que o ritmo actual de devastação das florestas tropicais está a originar, anualmente, 0.2 a 0.3% de extinções das respectivas espécies. Há alguns exemplos concretos e localizados do ritmo da extinção de espécies provocado pela actividade humana. Por exemplo, a devastação da pluvissilva (floresta tropical de chuva) do Perú, numa simples crista montanhosa, fez desaparecer 90 espécies de plantas com flor (Angiospérmicas).

Estes valores significam uma velocidade de extinção de seres 10 mil vezes superior à que ocorreria naturalmente, sem a acção da espécie humana.

São esperadas perdas maciças de Biodiversidade se a devastação da Natureza continuar no ritmo actual.

segunda-feira, 12 de abril de 2004

A Relevância do Património Biológico

Há fundamentalmente três tipos de Património: Material, Cultural e Biológico. Sendo o Património Biológico o mais importante, resultante de milhões de anos de evolução e fonte inesgotável e potencial do Património Material, tem de ser melhor assegurado.

A Diversidade Biológica (Biodiversidade), que teve flutuações desde o início do aparecimento da vida no Globo Terrestre, tem vindo a decrescer drasticamente devido à expansão da população humana, atingindo actualmente os níveis mais baixos desde o Mesozóico.

Várias acções têm sido empreendidas pelas instituições internacionais para a Conservação da Biodiversidade, tais como medidas para proteger ecossistemas; para proteger espécies; para promover a conservação de espécies "ex situ"; e tendentes a limitar a contaminação da Biosfera com poluentes.

A conservação da máxima Biodiversidade dos organismos integrados nos respectivos ecossistemas é fundamental para a salvaguarda do ecossistema global (a Biosfera) habitado pela espécie humana.