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quinta-feira, 18 de maio de 2017

Absurdo: há apenas 60 anos, pessoas negras eram exibidas em zoológicos humanos na Europa


"Zoológico Humano". fonte Jornal Ciência

É fato que o racismo ainda é uma ferida aberta em todo o mundo e difícil de ser curada.

A discriminação racial, por menor que seja, ainda existe. Dessa forma, há apenas 60 anos, em pleno regime do Apartheid – período de segregação racial vigente entre 1948 e 1994 na África do Sul – a Europa e América do Norte disseminavam uma prática conhecida como “exposição etnológica”. Nela, as “vilas de negros” ou “zoológicos humanos” exibiam pessoas, especialmente vindas da África, em confinamentos semelhantes a jaulas de animais.

Assim, elas eram visitadas continuamente por famílias brancas, especialmente crianças. Algumas delas, no entanto, nunca haviam feito contato com negros antes e chegavam a levar pães e doces para alimentá-los e, assim, chamar sua atenção.

Neste cenário, recentemente, a foto de uma menina negra sendo alimentada e observada por um grupo de pessoas, foi vista circulando nas redes sociais.

Logo, segundo o jornal Extra, ela é verdadeira e foi feita em Bruxelas, na Bélgica, em 1958. O registro fotográfico mostra a criança separada por uma cerca e “desfilando” diante de pessoas brancas.

Segundo informações publicadas pelo site Museu de Imagens, a exposição em que ela foi registrada, de acordo com os expositores, mostrava uma jaula identificada como uma “autêntica família de um vilarejo no Congo”.

Mais imagens e reportagem mais aprofundada no Diário de Biologia

domingo, 7 de maio de 2017

A origem esquecida do Dia da Mãe: A proclamação pacifista contra a guerra estava longe de ser a celebração comercial

Embora muitos acreditam que o Dia da Mãe é apenas mais um dia comercial, cuja origem é simplesmente atribuível ao desejo de estimular as vendas, a verdade é que foi uma proclamação anti-guerra e uma chamada para um congresso mundial de mães, que iniciou nos Estados Unidos no séc. XIX.



Estávamos em1870, quando a escritora americana Julia Ward Howe, uma ativista pioneiroa a favor do abolicionismo da escravidão e defensora dos direitos das mulheres, convocou todas as mães do mundo a revoltar-se contra  a guerra, numa proclamação pacifista dilacerante que ainda hoje mantém pleno vigor .

Na proclamação a escritora convocava para um Congresso Internacional das Mães que procuram promover alianças entre as diferentes nações e um arranjo socio-político sem belicismos nas questões internacionais. As boas intenções da primeira mulher eleita para a Academia Americana de Artes e Letras, em 1908, apenas iria conseguir no Congresso dos Estados Unidos, votado em 1914, a pedido do presidente Woodrow Wilson, a celebração anual do Dia das Mães.

A ideia tomou forma, mas nunca teve efeitos reais

A sua ideia de um congresso de mães, não conseguiu vê-lo como concretizada naqueles dias, escreveu que as mulheres "estão mais interessadas em promover o sufrágio das mulheres na elaboração de protesto das mulheres globais contra as crueldades da guerra".

Mas foi outra americana, Ana Jarvis, no Estado da Virgínia Ocidental, que iniciou a campanha para instituir o Dia das Mães. Em 1905 Ana, filha de pastores metodistas, perdeu sua mãe e entrou em grande depressão. Preocupadas com aquele sofrimento, algumas amigas tiveram a ideia de perpetuar a memória de sua mãe com uma festa. Ana quis que a festa fosse estendida a todas as mães, vivas ou mortas, com um dia em que todas as crianças se lembrassem e homenageassem suas mães. A ideia era fortalecer os laços familiares e o respeito pelos pais.
Durante três anos seguidos, Anna lutou para que fosse criado o Dia das Mães. A primeira celebração oficial aconteceu somente em 26 de abril de 1910, quando o governador de Virgínia Ocidental, William E. Glasscock, incorporou o Dia das Mães ao calendário de datas comemorativas daquele estado. Rapidamente, outros estados norte-americanos aderiram à comemoração.
      
Finalmente, em 1914, o então presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson (1913-1921), unificou a celebração em todos os estados, estabelecendo que o Dia Nacional das Mães deveria ser comemorado sempre no segundo domingo de maio. A sugestão foi da própria Anna Jarvis. Em breve tempo, mais de 40 países adoptaram a data.

A proclamação original de Julia Ward ainda é material de estudo nos Estados Unidos.

terça-feira, 25 de abril de 2017

25 de Abril- A liberdade está na procura do bem (com documentário da Herdade Freixo do Meio)


A liberdade está na procura do bem
O nome liga-o a Álvaro Cunhal, líder carismático do Partido Comunista Português. Mas a família deste Cunhal, Alfredo, é fundadora do BCP, o maior banco privado do país. Nasceu nesta contradição e apenas quer ser um agricultor consciente, que prescinde do lucro. Alfredo diz que a sua liberdade está na procura do bem. Ver a reportagem da SIC Notícias da história de Alfredo Cunhal e o seu projecto de agricultura biológica e que conta uma das formas de se ser livre 40 anos depois da queda da ditadura. Filmado e dirigido por Serena Aurora em 2015, procurando a internacionalização do belo exemplo do projeto Herdade do Meio e manter um sistema vivo e sustentável.


Freixo do Meio is the project of a man that became a sustainable reality for many beings. It is a big organic farm and organism, integrating with the sourrounding Montado, a typical ecosystem from Alentejo, Portugal. The presence of human beings here wants to be a peaceful cooperation which welcome and arouse biodiversity. In this visual summery, Alfredo, manager of this ecosystem, starts explaining his philosophy which lays as a basis on his way of farming. In this open view, a circle of people works in the puzzle of nature, in a balance which allows production without exploitation of resources (agroecology). In the video we see people and their various skills, Cooperation, ecofunctionality, managing the risks, as well as a biodinamic approach. The production of the farm flows to Alfredos farm shop in Lisbon, to allow a honest economy which grant the workers to be paid. Alternative projects are included: beekeeping, permaculture, medicinal garden, and a horse-riding school. In the end it´s shown how Sorraias horses (indigenous ancient breed) are respected and kept wild in their ecosystem. This video is an example of how man can act in a sensitive way, contributing with local production and environment protection.

terça-feira, 4 de abril de 2017

Sobre religião, atentados terroristas e xenofobias crescente no seio da Europa



O Hinduísmo, o Taoismo, o Shintoismo, o Budismo, a religião Egípcia, são de muitos séculos antes de Cristo, tal como as religiôes do Norte da Europa. Maomé é do final do século VII, nada tem a ver com essa data dos "primeiros 50 anos pós Cristo." Os muçulmanos entram na Península em 712.

Prossigo com um texto do professor José Gabriel Pereira Bastos: "O Islão tem a mesma divisão estrutural que o Cristianismo, entre Católicos (que correspondem aos Xiitas, com o culto sacrificial e hierarquia ritual = Deus próximo; no caso dos Ismailis, que são Xiitas, o Aga Khan é o representante directo de Deus) e Protestantes (grande divisão em seitas, nenhuma hierarquia vertical, Deus distante ou 'interno', culto da guerra / os do Norte foram os grandes promotores das Cruzadas). Parece tratar-se de uma divisão estrutural / inconsciente entre familialismo (católico, xiita) e individualismo viril (protestante, sunita), que favorece o 'terrorismo' heroico dos sunitas. que procuram 'ir ter com' o seu Deus Distante no 'outro mundo'.

Esta partição estrutural, que reforça lá o Islão e cá o Cristianismo é alterada pelas culturas nacionais e locais, não é a mesma coisa na Arábia Saudita, em Marrocos, na Guiné, em Londres ou na Indonésia. "Fundamentalista" é um termo jornalístico. Mas é verdade que os Sunitas têm um enorme sentimento de superioridade em relação aos Xiitas, como os Protestantes têm em relação aos católicos e os Norte-europeus em relação aos europeus mediterrânicos.

E retrógrado é um conceito ideológico racista e xenófobo de quem vê o Mundo com binóculos ideológicos, de cima de uma Enciclopédia Ocidental, pedida emprestada à Biblioteca da Academia ou pergunta a um Sunita o que é que ele pensa dos Xiitas.. Anglo-americanos e Sunitas são, nesta tipologia, Individualistas Viris Agressivos (com problemas de virilidade), movidos por Narcisismo Destrutivo (Pulsões de Morte), que adoram os seus Heróis caídos em combate (tipo Marvel) e os mortos que eles conseguiram destruir. Um Ciclo de Filmes sobre a Violência Americana tornaria isso evidente."

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Que os cidadãos tenham voz! - Reflexões a propósito do 60º aniversário do Tratado de Roma

Recordando a assinatura do Tratado de Roma, há 60 anos,  reuniram-se, em 25 Março, naquela mesma cidade, berço da Comunidade Económica Europeia, os Chefes de Estado e de Governo dos países membros da actual União Europeia (ex CEE). 


O que se pode esperar desse encontro de alto nível, tendo em conta o período de tensão e de indefinição que se atravessa na Europa e no Mundo?

Há, certamente, espaço para recordar o que de muito positivo foi conseguido nestas últimas 6 décadas, com destaque para o desenvolvimento alcançado, a melhoria da qualidade de vida dos europeus, a sustentação e aprofundamento de diferentes modalidades de estado social nos diversos estados membros, a generosa cooperação com o desenvolvimento mundial e, acima de tudo, a paz entre as nações que integram a União, um bem primordial a preservar.

Estes bons resultados não podem, todavia, lançar uma cortina de fumo sobre as tensões e as disfuncionalidades latentes ou declaradas que, presentemente, se verificam, no espaço da União, com particular acuidade no sub-grupo da Zona euro.

De 1957 em diante, a União cresceu e abrange agora uma variedade de estados membros cujas economias, instituições políticas e culturas apresentam características próprias, sem que tenha havido o correspondente esforço no sentido da acomodação de interesses divergentes e, em alguns casos, aparentemente antagónicos. Veja-se que, por exemplo, não foi ainda possível chegar a consenso acerca de critérios comuns em matérias básicas, como sejam a definição de um salário mínimo e outros direitos laborais, de patamares de segurança social mínimos e fundos comuns de garantia dos mesmos ou de regras de fiscalidade uniformes. 

A livre circulação de pessoas, bens e serviços,  e capital com a qual se pretende alcançar a integração económica do espaço europeu vem sendo feita através de directivas minuciosas emanadas da Comissão, mas não tem sido acompanhada de correspondente esforço no domínio social e político, o que, em muitos casos, se tem traduzido em agravamento do fosso entre as economias mais prósperas e as que apresentam debilidades estruturais.

A desejada progressiva integração a nível político estipulada no Tratado de Roma tem conhecido não só uma lentidão excessiva como retrocessos vários materializados em recentes práticas grosseiras e desrespeitadoras de princípios básicos de democraticidade interna previstos nos tratados.

A saída do Reino Unido deve merecer não só uma leitura aprofundada acerca das suas possíveis consequências para a União e os seus países membros, de modo a minimizá-las, como também a indagação das causas profundas que subjazem à decisão que foi tomada por aquele país membro, para delas serem retiradas lições para futuro.

Presentemente, está em apreciação um conjunto de documentos técnicos elaborados com o objectivo de vir a dar novo impulso ao processo de integração, tendo em conta os desafios novos, internos e mundiais, com que a EU se depara. É, a meu ver, importante que os cidadãos conheçam esses documentos e discutam os seus respectivos conteúdos, formulem os seus juízos, e lhes dêem a devida visibilidade, fazendo pressão sobre os decisores políticos de cada estado membro para que se encontrem os melhores caminhos para levar por diante a visão que esteve na génese do Projecto europeu.

A UE é um projeto inacabado e o seu futuro não tem sentido único, razão maior para merecer a atenção e o cuidado das pessoas e dos povos que, hoje, a constituem, pensando sempre nas gerações futuras.

Por Manuela Silva, em Areia dos Dias

quinta-feira, 30 de março de 2017

Ecologia Profunda: Um Novo Paradigma

Arne Naess (Biografia aqui)
Crise de Percepção

À medida que o século se aproxima do fim, as preocupações com o meio ambiente adquirem suprema importância. Defrontamo-nos com toda uma série de problemas globais que estão danificando a biosfera e a vida humana de uma maneira alarmante, e que pode logo se tornar irreversível. Temos ampla documentação a respeito da extensão e da importância desses problemas.

Quanto mais estudamos os principais problemas de nossa época, mais somos levados a perceber que eles não podem ser entendidos isoladamente. São problemas sistêmicos, o que significa que estão interligados e são interdependentes. Por exemplo, somente será possível estabilizar a população quando a pobreza for reduzida em âmbito mundial. A extinção de espécies animais e vegetais numa escala massiva continuará enquanto o Hemisfério Meridional estiver sob o fardo de enormes dívidas. A escassez dos recursos e a degradação do meio ambiente combinam-se com populações em rápida expansão, o que leva ao colapso das comunidades locais e à violência étnica e tribal que se tornou a característica mais importante da era pós-guerra fria.

Em última análise, esses problemas precisam ser vistos, exatamente, como diferentes facetas de uma única crise, que é, em grande medida, uma crise de percepção. Ela deriva do fato de que a maioria de nós, e em especial nossas grandes instituições sociais, concordam com os conceitos de uma visão de inundo obsoleta, uma percepção da realidade inadequada para lidarmos com nosso mundo superpovoado e globalmente interligado.

Há soluções para os principais problemas de nosso tempo, algumas delas até mesmo simples. Mas requerem uma mudança radical em nossas percepções, no nosso pensamento e nos nossos valores. E, de fato, estamos agora no princípio dessa mudança fundamental de visão do mundo na ciência e na sociedade, uma mudança de paradigma tão radical como o foi a revolução copernicana. Porém, essa compreensão ainda não despontou entre a maioria dos nossos líderes políticos. O reconhecimento de que é necessária uma profunda mudança de percepção e de pensamento para garantir a nossa sobrevivência ainda não atingiu a maioria dos lideres das nossas corporações. Nem os administradores e os professores das nossas grandes universidades.

Nossos líderes não só deixam de reconhecer como diferentes problemas estão inter-relacionados; eles também se recusam a reconhecer como as suas assim chamadas soluções afetam as gerações futuras. A partir do ponto de vista sistêmico, as únicas soluções viáveis são as soluções "sustentáveis". O conceito de sustentabilidade adquiriu importância-chave no movimento ecológico e é realmente fundamental. Lester Brown, do Worldwatch lnstitule, deu uma definição simples, clara e bela: "Uma sociedade sustentável é aquela que satisfaz suas necessidades sem diminuir as perspectivas das gerações futuras." Este, em resumo, é o grande desafio do nosso tempo: criar comunidades sustentáveis — isto é. ambientes sociais e culturais onde podemos satisfazer as nossa necessidades e aspirações sem diminuir as chances das gerações futuras.

A Mudança de Paradigma

Na minha vida de físico, meu principal interesse tem sido a dramática mudança de concepções e de idéias que ocorreu na física durante as três primeiras décadas deste século, e ainda está sendo elaborada em nossas atuais teorias da matéria. As novas concepções da física têm gerado uma profunda mudança em nossas visões de mundo; da visão de mundo mecanicista de Descartes e de Newton para uma visão holística, ecológica.

A nova visão da realidade não era, em absoluto, fácil de ser aceita pelos físicos no começo do século. A exploração dos mundos atômico e subatômico colocou-os em contato com uma realidade estranha e inesperada. Em seus esforços para apreender essa nova realidade, os cientistas ficaram dolorosamente conscientes de que suas concepções básicas, sua linguagem e todo o seu modo de pensar eram inadequados para descrever os fenômenos atômicos. Seus problemas não eram meramente intelectuais, mas alcançavam as proporções de uma intensa crise emocional e, poder-se-ia dizer, até mesmo existencial. Eles precisaram de um longo tempo para superar essa crise, mas, no fim, foram recompensados por profundas introvisões sobre a natureza da matéria e de sua relação com a mente humana.

As dramáticas mudanças de pensamento que ocorreram na física no principio deste século têm sido amplamente discutidas por físicos e filósofos durante mais de cinqüenta anos. Elas levaram Thomas Kuhn à noção de um "paradigma" científico, definido como "uma constelação de realizações — concepções, valores, técnicas, etc. — compartilhada por uma comunidade científica e utilizada por essa comunidade para definir problemas e soluções legítimos". Mudanças de paradigmas, de acordo com Kuhn, ocorrem sob a forma de rupturas descontínuas e revolucionárias denominadas "mudanças de paradigma".

Hoje, vinte e cinco anos depois da análise de Kuhn, reconhecemos a mudança de paradigma em física como pane integral de uma transformação cultural muito mais ampla. A crise intelectual dos físicos quânticos na década de 20 espelha-se hoje numa crise cultural semelhante, porém muito mais ampla. Consequentemente, o que estamos vendo é uma mudança de paradigmas que está ocorrendo não apenas no âmbito da ciência, mas também na arena social, em proporções ainda mais amplas.5 Para analisar essa transformação cultural, generalizei a definição de Kuhn de um paradigma científico até obter um paradigma social, que defino como "uma constelação de concepções, de valores, de percepções e de práticas compartilhados por uma comunidade, que dá forma a urna visão particular da realidade, a qual constitui a base da maneira como a comunidade se organiza".

O paradigma que está agora retrocedendo dominou a nossa cultura por várias centenas de anos, durante as quais modelou nossa moderna sociedade ocidental e influenciou significativamente o restante do mundo. Esse paradigma consiste em várias idéias e valores entrincheirados, entre os quais a visão do universo como um sistema mecânico composto de blocos de construção elementares, a visão do corpo humano como uma máquina, a visão da vida em sociedade como uma luta competitiva pela existência, a crença no progresso material ilimitado, a ser obtido por intermédio de crescimento econômico e tecnológico, e — por fim, mas não menos importante — a crença em que uma sociedade na qual a mulher é, por toda a parte, classificada em posição inferior à do homem é uma sociedade que segue uma lei básica da natureza. Todas essas suposições têm sido decisivamente desafiadas por eventos recentes. E, na verdade, está ocorrendo, na atualidade, uma revisão radical dessas suposições.

Ecologia Profunda

O novo paradigma pode ser chamado de uma visão de mundo holística, que concebe o mundo como um todo integrado, e não como uma coleção de partes dissociadas. Pode também ser denominado visão ecológica, se o termo "ecológica" for empregado num sentido muito mais amplo e mais profundo que o usual. A percepção ecológica profunda reconhece a interdependência fundamental de todos os fenômenos, e o fato de que, enquanto indivíduos e sociedades, estamos todos encaixados nos processos cíclicos da natureza (e, em última análise, somos dependentes desses processos).

Os dois termos, "holísticos" e "ecológico", diferem ligeiramente em seus significados, e parece que "holístico" é uni pouco menos apropriado para descrever o novo paradigma. Uma visão holística, digamos, de uma bicicleta significa ver a bicicleta como uni todo funcional e compreender, em conformidade com isso, as interdependências das suas partes. Uma visão ecológica da bicicleta inclui isso, mas acrescenta-lhe a percepção de como a bicicleta está encaixada no seu ambiente natural e social — de onde vêm as matérias-primas que entram nela, como foi fabricada, como seu uso afeta o meio ambiente natural e a comunidade pela qual ela é usada, e assim por diante. Essa distinção entre "holístico" e "ecológico" é ainda mais importante quando falamos sobre sistemas vivos, para os quais as conexões com o meio ambiente são muito mais vitais.

O sentido em que eu uso o termo "ecológico" está associado com uma escola filosófica específica e, além disso, com um movimento popular global conhecido corno "ecologia profunda", que está, rapidamente, adquirindo proeminência. A escola filosófica foi fundada pelo filósofo norueguês Arne Naess, no início da década de ‘70, com sua distinção entre "ecologia rasa" e "ecologia profunda". Esta distinção é hoje amplamente aceita como um termo muito útil para se referir a uma das principais divisões dentro do pensamento ambientalista contemporâneo.

A ecologia rasa é antropocêntrica, ou centralizada no ser humano. Ela vê os seres humanos como situados acima ou fora da natureza, como a fonte de todos os valores, e atribui apenas um valor instrumental, ou de "uso", à natureza. A ecologia profunda não separa seres humanos — ou qualquer outra coisa — do meio ambiente natural. Ela vê o mundo não como uma coleção de objetos isolados, mas como uma rede de fenômenos que estão fundamentalmente interconectados e são interdependentes. A ecologia profunda reconhece o valor intrínseco de todos os seres vivos e concebe os seres humanos apenas como um fio particular na teia da vida.

Em última análise, a percepção da ecologia profunda é percepção espiritual ou religiosa. Quando a concepção de espírito humano é entendida como o modo de consciência no qual o indivíduo tem uma sensação de pertinência, de conexidade, com o cosmos como um todo, torna-se claro que a percepção ecológica é espiritual na sua essência mais profunda. Não é, pois, de se surpreender o fato de que a nova visão emergente da realidade baseada na percepção ecológica profunda é consistente com a chamada filosofia perene das tradições espirituais, quer falemos a respeito da espiritualidade dos místicos cristãos, da dos budistas, ou da filosofia e cosmologia subjacentes às tradições nativas norte-americanas.

Há outro modo pelo qual Arne Naess caracterizou a ecologia profunda. "A essência da ecologia profunda", diz ele, "consiste em formular questões mais profundas." É também essa a essência de uma mudança de paradigma. Precisamos estar preparados para questionar cada aspecto isolado do velho paradigma. Eventualmente, não precisaremos nos desfazer de tudo, mas antes de sabermos isso, devemos estar dispostos a questionar tudo. Portanto, a ecologia profunda faz perguntas profundas a respeito dos próprios fundamentos da nossa visão de mundo e do nosso modo de vida modernos, científicos, industriais, orientados para o crescimento e materialistas. Ela questiona todo esse paradigma com base numa perspectiva ecológica: a partir da perspectiva de nossos relacionamentos uns com os outros, com as gerações futuras e com a teia da vida da qual somos parte.

Ética

Toda a questão dos valores é fundamental para a ecologia profunda; é, de fato, sua característica definidora central. Enquanto que o velho paradigma está baseado em valores antropocêntricos (centralizados no ser humano), a ecologia profunda está alicerçada em valores ecocêntricos (centralizados na Terra). É uma visão de mundo que reconhece o valor inerente da vida não-humana. Todos os seres vivos são membros de comunidades ecológicas ligadas umas às outras numa rede de interdependências. Quando essa percepção ecológica profunda torna-se parte de nossa consciência cotidiana, emerge um sistema de ética radicalmente novo.

Essa ética ecológica profunda é urgentemente necessária nos dias de hoje, e especialmente na ciência, uma vez que a maior parte daquilo que os cientistas fazem não atua no sentido de promover a vida nem de preservar a vida, mas sim no sentido de destruir a vida. Com os físicos projetando sistemas de armamentos que ameaçam eliminar a vida do planeta, com os químicos contaminando o meio ambiente global, com os biólogos pondo à solta tipos novos e desconhecidos de microorganismos sem saber as conseqüências, com psicólogos e outros cientistas torturando animais em nome do progresso científico — com todas essas atividades em andamento, parece da máxima urgência introduzir padrões "ecoéticos" na ciência.

Geralmente, não se reconhece que os valores não são periféricos à ciência e à tecnologia, mas constituem sua própria base e força motriz. Durante a revolução científica no século XVII, os valores eram separados dos fatos, e desde essa época tendemos a acreditar que os fatos científicos são independentes daquilo que fazemos, e são, portanto, independentes dos nossos valores. Na realidade, os fatos científicos emergem de toda uma constelação de percepções, valores e ações humanas — em uma palavra, emergem de um paradigma — dos quais não podem ser separados. Embora grande parte das pesquisas detalhadas possa não depender explicitamente do sistema de valores do cientista, o paradigma mais amplo, em cujo âmbito essa pesquisa é desenvolvida, nunca será livre de valores. Portanto, os cientistas são responsáveis pelas suas pesquisas não apenas intelectual, mas também moralmente. Dentro do contexto da ecologia profunda, a visão segundo a qual esses valores são inerentes a toda a natureza viva está alicerçada na experiência profunda, ecológica ou espiritual, de que a natureza e o eu são um só. Essa expansão do eu até a identificação com a natureza é a instrução básica da ecologia profunda, como Arne Naess claramente reconhece:

"O cuidado flui naturalmente se o "eu" é ampliado e aprofundado de modo que a proteção da Natureza livre seja sentida e concebida como proteção de nós mesmos... Assim como não precisamos de nenhuma moralidade para nos fazer respirar... [da mesma forma] se o seu "eu", no sentido amplo dessa palavra, abraça uma outro ser, você não precisa de advertências morais para demonstrar cuidado e afeição... você o faz por si mesmo, sem sentir nenhuma pressão moral para fazê-lo... Se a realidade é como é experimentada pelo eu ecológico, nosso comportamento, de maneira natural e bela, segue normas de estrita ética ambientalista.

O que isto implica é o fato de que o vínculo entre uma percepção ecológica do mundo e o comportamento correspondente não é uma conexão lógica, mas psicológica. A lógica não nos persuade de que deveríamos viver respeitando certas normas, uma vez que somos parte integral da teia da vida. No entanto, se temos a percepção, ou a experiência, ecológica profunda de sermos parte da teia da vida, então estaremos (em oposição a deveríamos estar) inclinados a cuidar de toda a natureza viva. De fato, mal podemos deixar de responder dessa maneira.

Mudança da Física para as Ciências da Vida

Chamando a nova visão emergente da realidade de "ecológica" no sentido da ecologia profunda, enfatizamos que a vida se encontra em seu próprio cerne. Este é um ponto importante para a ciência, pois, no velho paradigma, a física foi o modelo e a fonte de metáforas para todas as outras ciências. "Toda a filosofia é como uma árvore" escreveu Descartes. "As raízes são a metafísica, o tronco é a física e os ramos são todas as outras ciências”.

A ecologia profunda superou essa metáfora cartesiana. Mesmo que a mudança de paradigma em física ainda seja de especial interesse porque foi a primeira a ocorrer na ciência moderna, a física perdeu o seu papel como a ciência que fornece a descrição mais fundamental da realidade. Entretanto, hoje, isto ainda não é geralmente reconhecido. Cientistas, bem como não-cientistas, freqüentemente retêm a crença popular segundo a qual "se você quer realmente saber a explicação última, terá de perguntar a um físico", o que é claramente uma falácia cartesiana. Hoje, a mudança de paradigma na ciência, em seu nível mais profundo, implica uma mudança da física para as ciências da vida.

Trechos retirados de "A Teia da Vida: uma nova compreensão científica dos sistemas vivos", Capra, F. 1996. São Paulo: Cultrix, p. 23-29.

sábado, 11 de março de 2017

Papa diz que povos indígenas devem ter a palavra final sobre suas terras


No século XV, as bulas papais promoveram e forneceram uma justificativa legal para a conquista e o saqueamento das terras e recursos dos povos indígenas – cujas consequências são sentidas ainda hoje. O direito à conquista em uma tal bula, Romanus Pontifex, emitida por volta de 1450 quando Nicolau V era o papa, foi dada em caráter perpétuo.

David Hill* – The Guardian / IHU On-Line
Mas o tempo muda. Na semana passada, mais de 560 anos depois, Francisco, o primeiro papa latino-americano, deu um tom bem diferente: pôs-se a favor dos povos indígenas ao redor do mundo, a favor do direito à terra (algo que possui um significado prático), e pôs-se a favor de uma melhor relação com o meio ambiente. Publicamente disse que os povos indígenas têm o direito ao “consentimento prévio e informado”. Em outras palavras, nada deveria acontecer nas – ou impactar suas – terras, territórios ou recursos a menos que concordem.
“O principal desafio é conciliar o direito ao desenvolvimento, incluindo também o social e cultural, com a tutela das características próprias dos povos e territórios indígenas”, disse Francisco, segundo texto divulgado pela Sala de Imprensa da Santa Sé.
“[Esta conciliação] fica ainda mais evidente quando atividades econômicas interferem com as culturas indígenas e sua relação ancestral com a terra”, continuou o papa. “Nesse sentido, sempre deve prevalecer o direito ao consenso prévio e informado, segundo exige o artigo 32 da Declaração dos Direitos dos Povos Indígenas. Somente assim é possível garantir uma cooperação pacífica entre as autoridades governamentais e os povos indígenas, que supere contradições e conflito”.
Francisco falava a representantes indígenas em Roma na conclusão do 3º Fórum dos Povos Indígenas, realizado pelo Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola – FIDA, órgão da ONU.
A Declaração das Nações Unidas – não vinculativa juridicamente – foi adotada há 10 anos. Em seu artigo 32, diz que “é dever do Estado consultar e cooperar de boa-fé com os povos indígenas interessados, por meio de suas instituições representativas, a fim de obter seu consentimento livre, prévio e informado antes de adotar e aplicar medidas legislativas e administrativas que os afetem”.
Francisco também declarou que a “humanidade peca gravemente, deixando de cuidar da terra”, e instou os líderes indígenas a resistirem às novas tecnologias e que “não permitais aquelas que destroem a terra, que destroem a ecologia, o equilíbrio ecológico e que acabam por destruir a sabedoria dos povos”. Convidou os governos a capacitar os povos originários a participarem plenamente no desenvolvimento de “diretrizes e projetos”, tanto no nível local quanto nacional.
Vários meios de comunicação convencionais, incluindo a BBC, os jornais The Independent e Washington Post, interpretaram as palavras do papa como um comentário – ou um comentário aparente – sobre o atual conflito em torno do oleoduto Dakota Access, nos EUA, como se este fosse o único conflito indígena do que se sabe hoje. Mas e quanto a outros casos ao redor do mundo? Essa interpretação foi rapidamente rejeitada por uma porta-voz do Vaticano, que disse que “não há elementos nas palavras do papa que nos permita saber se ele estava falando de algum caso específico”.
Então, o que algumas das pessoas que estavam com Francisco naquele dia pensam do que ele afirmou? Até que ponto o que foi dito é significativo a eles?
Myrna Cunningham, ativista miskita da Nicarágua e ex-presidente do Fórum Permanente sobre Questões Indígenas, da ONU, disse que o papa estava enviando mensagens importantes. Estas incluem a “necessidade conciliar o direito ao desenvolvimento, incluindo também o social e cultural, com a tutela das características próprias dos povos e territórios indígenas”, e a importância da Declaração da ONU, do consenso, que, segundo ela, “de algum modo foi uma resposta às demandas indígenas”.
“Eu esperava uma mensagem incisiva, porém a postura dele excedeu as minhas expectativas”, disse Cunningham ao jornal The Guardian. “Ele foi claro sobre as lutas do nosso povo e vem sendo uma voz importante para fazer que nossas demandas sejam ouvidas”.
Elifuraha Laltaika, da Associação de Direito e Advocacia a Pastoralistas na Tanzânia, diz que foi um “chamado a despertar oportuno aos governos”.
“[Os comentários do papa] foram feitos num momento em que os governos cada vez mais violam e olham com desconfiança para os padrões mínimos da Declaração da ONU”, disse Laltaika ao The Guardian. “Sem ouvir o chamado do Papa Francisco, com certeza a vida vai se tornar mais miserável aos povos indígenas do que alguma vez já foi. A ganância para com a extração de hidrocarbonetos e minerais irá criar rachaduras além das existentes já, acentuando a pobreza dos povos indígenas e a incapacidade deles de lidar com os impactos da mudança climática e uma miríade de outros desafios”.
Para Alvaro Pop, represente maya da Guatemala, as palavras de Francisco demonstram o compromisso contínuo dele para com os direitos dos povos originários.
“Os povos indígenas têm sido os guardiões destes recursos há séculos”, diz Pop, um dos presidentes do Fórum Permanente da ONU. “O consentimento livre, prévio e informado é uma das questões mais importantes do século XXI. As palavras do papa são verdadeiramente significativas”.
Victoria Tauli-Corpuz, membro do povo Kankanaey Igorot das Filipinas e atualmente relatora especial da ONU para os Direitos dos Povos Indígenas, diz que a fala do papa ilustra “a compreensão que ele tem da importância” de implementar a Declaração da ONU.
“A visão dele de que uma maior chance de superar o confronto e o conflito entre os povos indígenas e as autoridades governamentais pode ser alcançada se um consentimento prévio e informado for respeitado ecoa o que muitos povos vêm afirmando”, disse Tauli-Corpuz ao The Guardian.
Les Malezer, da Austrália, descreve como “gratificante” que o papa tenha assumido uma postura tão dura no tocante à necessidade de respeitar os direitos dos povos indígenas, e diz que ele também aproveitou a oportunidade para levantar a questão da “Doutrina da Descoberta” – conceito jurídico internacional fundamentado nas bulas papais do século XV.
“Todos entre nós tiveram a oportunidade de dizer algumas poucas palavras ao papa quando ele circulou pelo salão”, disse Malezer, de Queensland. “Pedi que o papa continuasse a rever a Doutrina da Descoberta, que foi seguida por muitos casos de genocídio dos povos indígenas e pela tomada de suas terras. Também pedi que a Igreja Católica busque conscientizar, em nível mundial, as pessoas para a situação e os direitos dos povos indígenas”.
Ao abordar o direito ao consentimento dos povos indígenas, Francisco ecoava – e dava sustentação a – um órgão crescente do direito e da jurisprudência internacional que vincula os governos, diretrizes, princípios e procedimentos operacionais adotados por algumas instituições financeiras, agências da ONU e grupos do setor privado. Segundo um relatório de 2013 emitido pela REED (sigla inglesa para Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação, entidade da ONU) sobre a base jurídica internacional para o que se conhece por “CLPI” – iniciais para consentimento livre, prévio e informado –, “mais de 200 estados ratificaram numerosos tratados e convênios internacionais e regionais que proveem expressamente o dever e a obrigação do Estado de obter o CLPI onde circunstâncias assim se justificarem”.
*Tradução é de Isaque Gomes Correa.

quarta-feira, 1 de março de 2017

Hoje o BioTerra faz 13 anos de actividade. BioTerra is celebrating 13 years of activity

Horse Feathers - So Long (Sleepover Shows)


PEACE- PAZ- PACO- PACE- PAIX- SHALOM- SALAAM- SHANTY- SELAM VREDE- PAKE - HETEP- RAHU - ASHTE - IRINI - HEIWA - SULH - MIR- PHYONGH'WA - EMIREMBE - PACI - FRED - SULA - POKOJ - PASCH - MIERS- UKUTHULA
em todo o mundo

all over the entire world

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

A biografia fascinante de Janusz Korczak


Janusz Korczak, pseudónimo de Henryk Goldszmit, também conhecido como o Velho Doutor ou o Senhor Doutor, nasceu em Varsóvia, no dia 22 de julho de 1878 ou 1879, e foi assassinado em Treblinka, no dia 5 ou 6 de agosto de 1942) foi médico, pediatra, pedagogo, escritor, autor infantil, publicista, activista social, oficial do Exército Polaco.

Foi um pedagogo inovador e autor de obras no campo da teoria e prática educacional. Foi precursor nas iniciativas em prol dos direitos da criança e do reconhecimento da total igualdade das crianças que hoje encontramos nas Escolas Democráticas.

Na qualidade de diretor de um orfanato instituiu, entre outros, um tribunal de arbitragem de crianças, no âmbito do qual as próprias crianças avaliavam as causas apresentadas por elas mesmas, podendo também levar a tribunal os seus educadores.

O famoso psicólogo suíço, Jean Piaget, que visitou o orfanato Dom Sierot (A Casa dos Órfãos), fundado e dirigido por Korczak, disse dele o seguinte: «Este homem maravilhoso teve a coragem de confiar nas crianças e nos jovens, com os quais trabalhava, ao ponto de transferir para as suas mãos as ocorrências disciplinares e de confiar a certos indivíduos as tarefas mais difíceis e de grande responsabilidade».

Korczak criou a primeira revista redigida a partir de textos enviados por crianças, que se destinava sobretudo a jovens leitores, A Pequena Revista. Foi igualmente um dos pioneiros dos estudos sobre o desenvolvimento e a psicologia da criança, bem como do diagnóstico da educação.

Era judeu-polaco que toda a vida afirmou pertencer às duas nações, a hebraica e a polaca.

Mais informação aqui

A comovente história da recuperação do Diário de Janusz Korczak, por um expatriado polaco, sem o qual dificilmente saberíamos com mais rigor todo o pensamento do Velho Doutor.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Encontros Improváveis: Bernardo Santareno- Sparklehorse and Radiohead - Wish You Were Here


"Um escritor deve acreditar que o que está a fazer é o mais importante do mundo. E deve apegar-se a esta ilusão, ainda que saiba que não é verdade. "

Por mais que mostre textos que elogiam as virtudes da paz, citações sobre Paz e Amor à minha volta no meu mural, o feed-back crescente e cada vez mais frequentes são de gritos, silêncios, prepotência, cinismo, hipocrisia, divisão e egocentrismos. Excepto o abrigo da família e alguns amigos. Já é bom, mas muito insuficiente. Aos meus amigos distantes apelo que sejam diplomatas da paz, apontem soluções aos derrotistas e transmitam exemplos de esperança aos pessimistas, os conservadores e os reacionários que não acreditam no sucesso de Portugal e que não aprofundam a consciência ecocêntrica.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Engenheiras utilizam escombros da guerra em Gaza para fazer tijolos que ajudam a reconstruir a região


Renascer das cinzas. É exatamente isso que as engenheiras Majd Mashharawi e Rawan Abddllaht estão a fazer na região de Gaza, na Palestina.
O cenário por lá não é nada bonito de se ver. Falta humanidade! O local anda às ruínas por conta dos conflitos políticos e religiosos. A guerra mata muita gente e deixa outras tantas completamente desabrigadas.

Segundo a ONU, já são mais de nove mil casas destruídas e outras tantas (cerca de 120 mil) danificadas. Mais: por conta dos conflitos, receber materiais de construção para reerguer a região fica praticamente impossível.

Então, por que não utilizar os próprios escombros (que um dia já foram edificações) para reconstruir Gaza? Essa é a proposta das duas engenheiras, que após muitos estudos e testes desenvolveram um tijolo suficientemente resistente feito com os restos de demolição.

Batizado de Greencake, ele é feito com pedaços de cimento e cinzas de carvão e promete devolver a esperança para muitas famílias palestinas.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Encontros Improváveis: Nelson Mandela e Simple Minds- Nelson Mandela Day

"Ser pela liberdade não é apenas tirar as correntes de alguém, mas viver de forma que respeite e melhore a liberdade dos outros." ~ Nelson Mandela.
"Eu aprendi que a coragem não é a ausência de medo, mas o triunfo sobre ele. O homem corajoso não é aquele que não sente medo, mas aquele que conquista por cima do medo." ~ NelsonMandela

"Florecer de las ideas" street art in Medellin, Colombia,
by artist YALUS.

"I learned that courage was not the absence of fear, but the triumph over it. The brave man is not he who does not feel afraid, but he who conquers that fear." ~ #NelsonMandela

"The dream is coming" Street Art in Bairro da Milharada, Portugal,
by artist Smile1art.

domingo, 18 de dezembro de 2016

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Encontros Improváveis: Dadi Janki e Kled Mone - Insane People


"Fraternidade significa entender que um grito de dor é igual em todas as línguas, e o mesmo se aplica a um sorriso" - Dadi Janki


What kind of world is forming now, beyond this winter of war and sorrow, of poverty, pollution and death? In the winter, we foresee the spring. Those with a positive vision of the future give us an image of a world on this planet where all things are given freely, where the highest human potential is fully realised. But we can get to that stage only when there are leaders to take us there.” - Dadi Janki

Mais Informações
  1. Dadi Janki Org
  2. Brahma Kumaris

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Livres pensadores, por Leo Tolstoi

Foto: Sepultura de Tolstói na Rússia

"Livres-pensadores são aqueles que estão dispostos a usar suas mentes sem preconceito e sem medo para entender as coisas que se chocam com seus próprios costumes, privilégios ou crenças"~ Tolstoi

Tudo sobre Leo Tolstoi
PT
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sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Neurocientista da Universidade de Harvard: Meditação não apenas reduz stress, ela muda o seu cérebro

Sara Lazar, neurocientista do Hospital Geral de Massachusetts e da Escola de Medicina de Harvard, foi uma das primeiras cientistas a aceitar as subjetivas reinvindicações a respeito dos benefícios da meditação e atenção plena e a testa-los com o uso de tomógrafos computadorizados. O que ela encontrou a surpreendeu – que a meditação pode, literalmente, mudar seu cérebro. Ela explica:

Porque você começou a prestar atenção para a meditação, atenção plena e o cérebro?

Eu e uma amiga estávamos treinando para a maratona de Boston. Tive algumas lesões por esforço e procurei um fisioterapeuta, que me disse para parar de correr e apenas fazer alongamentos. Então comecei a praticar ioga como forma de fisioterapia. Percebi que era muito poderoso, que eu tinha benefícios reais, então fiquei interessada em saber como funcionava.
A professora de ioga usou de vários argumentos, dizendo que a ioga iria aumentar a compaixão e abrir o coração. E eu pensei: “ok,ok,ok, estou aqui para alongar”. Mas comecei a perceber que eu estava mais calma. Estava mais apta a lidar com situações mais difíceis. Estava mais compassiva e com o coração mais aberto, e capaz de ver as coisas pelo ponto de vista dos outros.
Pensei, talvez fosse apenas uma resposta placebo. Mas então fiz uma pesquisa bibliográfica da ciência, e vi evidências de que a meditação havia sido associada à diminuição do stress, da depressão, ansiedade, dor e insônia, e ao aumento da qualidade de vida.
A essa altura, estava fazendo meu PhD em biologia molecular. Então simplesmente resolvi mudar e comecei a fazer essa pesquisa como um pós- doutorado.

Como você fez essa pesquisa?
O Primeiro estudo avaliou meditadores de longa data versus um grupo controle. Descobrimos que os meditadores de longa data tem a massa cinzenta aumentada na região da ínsula e regiões sensoriais do córtex auditivo e o sensorial. O que faz sentido. Quando você tem atenção plena, você está prestando atenção à sua respiração, aos sons, a experiência do momento presente, e fechando as portas da cognição. É lógico que seus sentidos sejam ampliados.
Também descobrimos que eles tem mais massa cinzenta no córtex frontal, o que é associado à memória de trabalho e a tomada de decisões administrativas.
Já está provado que nosso córtex encolhe à medida que envelhecemos – se torna mais difícil entender as coisas e se lembrar das coisas. Mas nessa região do córtex pré-frontal, meditadores com 50 anos de idade tinham a mesma quantidade de massa cinzenta que pessoas de 25 anos.
Então a primeira pergunta foi, bem, talvez as pessoas com mais massa cinzenta no estudo já tivessem mais massa cinzenta antes de terem começado a meditar. Então fizemos um segundo estudo.
Pegamos pessoas que nunca tinham meditado antes, e colocamos um grupo deles em um programa de oito semanas de atenção plena com foco na redução de stress.

O que você descobriu?

Descobrimos diferenças no volume do cérebro depois de oito semanas em cinco regiões diferentes dos cérebros dos dois grupos. No grupo que aprendeu meditação, encontramos um aumento do volume em quatro regiões:
  1. A diferença principal encontramos no giro cingulado posterior, o qual está relacionado às lembranças e auto- regulação.
  2. O hipocampo da esquerda, o qual dá suporte ao aprendizado, cognição, memória e regulação emocional.
  3. A junção temporoparietal, ou JTP, à qual está associada a tomada de decisões, empatia e compaixão.
  4. Uma área do tronco do cérebro chamada de Ponte, onde muitos neurotransmissores reguladores são produzidos.
A hipófise , a parte do cérebro responsável pelo instinto de ataque ou fuga, e que é importante nos aspectos da ansiedade, medo e stress em geral. Essa área ficou menor no grupo que participou do programa de oito semanas de atenção plena com foco na redução de stress.
A alteração na hipófise também foi associada a uma redução nos níveis de stress.

Mais Leituras:
It Works: New Study Outlines What Meditation, Yoga, & Prayer Can Do To The Human Body

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Musica BioTerra: ‪Árabe Andalusa - Waṣlah de maqām ḥijāz (Alepo, Siria)‬


Muita informação detalhada disponível sobre este álbum e o que são as  Moaxaja . Saliento este tema:
Muwashshaḥa: "yā ghuṣayna-l-bāni" (0:00) - (3:15)

Música: Sayyid Darwish (1892-1923)
Texto: Anónimo.

maṭla:
Oh, rama del árbol de la moringa (la amada), me siento perplejo.
Ah, desearía que supieras que estoy loco de amor por tí.

bayt:
Mis penas aumentan a causa de mi amor espiritual,
me siento frustrado, guardaré mi secreto.

Foto por Viajeros Cetteros
Alepo (em árabe: حلب, transl. ˈħalab; em turco Halep) é uma cidade no norte da Síria, sendo a maior cidade do país, capital da província homônima. A província se estende em torno da cidade, cobrindo uma área de 18 482 quilómetros quadrados, e abrangendo uma população de mais de 5 315 000 habitantes (estimativa de 2008), o que faz dele a maior província da Síria em termos de população.

Alepo é uma das cidades mais antigas do mundo, tendo sido habitada desde o século XI a.C., o que é evidenciado pelos edifícios residenciais descobertos em Tell Qaramel. Ocupa uma posição comercial estratégica entre o mar Mediterrâneo e o rio Eufrates, e foi construída inicialmente sobre um pequeno grupo de morros que cerca um monte onde o castelo da cidade foi construído. O pequeno rio Quwēq  (قويق) cruza a cidade.

Durante séculos Alepo foi a maior cidade da Grande Síria, e a terceira do Império Otomano, depois apenas de Constantinopla e do Cairo. Embora esteja relativamente perto de Damasco em termos de distância, Alepo é diferente na sua identidade, arquitectura e cultura, todas marcadas por um contexto histórico-geográfico distinto.
Em 1986 foi declarada Património da Humanidade pela Unesco.

Mais informação detalhada na Wikipedia