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sexta-feira, 16 de março de 2018

Sustentabilidade – Você sabe o que significa essa palavra?


Ainda hoje, conceito não é absorvido de maneira global pela sociedade, sendo confinado a entendimentos rasos
Por: Fernando Credidio
Estamos ouvindo – e vamos ouvir cada vez mais – a palavra sustentabilidade. Ela está presente no ambiente corporativo, nas capas das revistas, nas manchetes dos jornais, nos comerciais de televisão, nas discussões acadêmicas e até nas rodas de amigos. Muita exposição e pouca explicação. Muito discurso e pouca prática.
Quando perguntada sobre o significado da palavra sustentabilidade, a expressiva maioria das pessoas demonstra desentendimento a respeito da expressão, fato preocupante, já que ela veio para modificar, em muito, a vida de todos. Desse conceito, depende a nossa própria sobrevivência no planeta.
Pesquisa divulgada pelo Ibope, no segundo semestre do ano passado, apontou que a maior parte dos cidadãos acredita que a sustentabilidade está relacionada à qualidade do produto, à gestão da empresa e ao quanto ela é tradicional e de confiança. Poucos mencionaram os outros aspectos que compõem uma política sustentável. A mesma pesquisa constatou que os cidadãos executam uma série de ações de maneira desarticulada. Alguns não adquirem produtos “piratas”, outros reciclam o lixo. Há ainda aqueles que racionam energia e os recursos hídricos.
Nas empresas acontece o mesmo, ainda que os empresários e executivos tenham se mostrado um pouco mais alinhados com o conceito de sustentabilidade que se trabalha hoje. Mesmo assim, 80% dos entrevistados enfatizou a gestão, focando mais no aspecto ético, no cumprimento das leis e na não-discriminação. Sustentabilidade também é isto, mas vai mais além.
Conceito
Em 1987, a Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente apresentou na ONU um diagnóstico dos problemas ambientais, cujo documento ficou conhecido como Relatório Brundtland. Ele propunha que o desenvolvimento econômico fosse integrado à questão ambiental. Foi quando apareceu, pela primeira vez, o conceito de sustentabilidade.
Como se vê, a definição não é tão nova assim. Ocorre que, à época, não se sabia bem o que propor. Existia o conceito, mas faltavam tecnologia e investimentos. Atualmente, temos ambos. Portanto, a oportunidade está em nossas mãos. Já possuímos as ferramentas necessárias para compreender, exatamente, quais são as conseqüências de cada ação nossa no planeta e, mais do que isto, partir do discurso para a ação.
Em suma, sustentabilidade é um conceito sistêmico que resulta e se reflete nas atitudes das pessoas, das organizações, e está diretamente ligada à sobrevivência do planeta. Para os mais pragmáticos, ela é o ponto de intersecção entre as estratégias de negócio de uma organização e os interesses de toda a sociedade. A definição mais difundida, contudo, é a da ONU, que define sustentabilidade como “o atendimento das necessidades das gerações atuais, sem comprometer a possibilidade de satisfação das necessidades das gerações futuras”.
Sustentabilidade significa, sobretudo, sobrevivência. Sobrevivência dos recursos naturais, dos empreendimentos e da própria sociedade. Não por acaso, ela está baseada no chamado Triple Bottom Line, uma expressão britânica sem tradução para o português, constituído por três pilares: o econômico, o social e o ambiental. Isto quer dizer que, para qualquer empreendimento se tornar viável, daqui para frente ele terá de ser socialmente justo, ambientalmente responsável e economicamente lucrativo. Dessa maneira, para que haja a perenidade do negócio, esses três componentes deverão estar, obrigatoriamente, presentes.
Sem lucro não existe sustentabilidade, porque o empreendimento não sobreviverá. A antiga oposição entre desenvolvimento e meio ambiente é coisa do passado; não há mais espaço para essa postura no século 21. O desenvolvimento econômico tem de ser sustentável. Se não for, não pode ser considerado desenvolvimento econômico.
Entretanto, a viabilidade econômica, por mais importante que seja, deve possuir um caráter puramente instrumental. O crescimento econômico não pode ser um fim em si mesmo, mas, sim, uma maneira de alcançar os objetivos sociais, respeitando a condicionalidade ambiental.

Desafios
A sustentabilidade não é mais uma questão para uma parcela da sociedade. Todos têm de participar. Como já foi dito, ela precisa ser entendida como uma garantia da manutenção dos recursos naturais, da sobrevivência da humanidade e das próprias empresas. O brasileiro tem a consciência muito clara, até intuitiva, a respeito do impacto de suas ações sobre o meio ambiente. O que ele ainda não desenvolveu é a percepção de que qualquer ação individual, da família, da rua, da vila, do bairro ou do município se repercute, de modo significativo, sobre o seu ambiente.
Paralelamente, no âmbito corporativo, a sustentabilidade ainda é encarada de maneira pontual e pulverizada, havendo dois grandes desafios a serem enfrentados. O primeiro diz respeito à disseminação do conceito, que precisa ser mais bem entendido e não confundido com o significado mais direto da responsabilidade social ou da filantropia, mas, sim, como um valor estratégico que garanta a perenidade da organização. O segundo grande desafio se refere à transparência das organizações ao se comunicarem com os seus diferentes públicos – a chamada prestação de contas, fundamentada em dados, métricas, séries históricas e metas, que, infelizmente, ainda não estão presentes na agenda empresarial.
“Sustentabilidade significa, sobretudo, sobrevivência. Sobrevivência dos recursos naturais, dos empreendimentos e da própria sociedade”
Ainda assim, as mudanças já começaram. Propostas não faltam, nem questionamentos. Mas em um ponto todos concordam: é preciso fazer muito mais do que está sendo feito hoje. E as medidas devem ser urgentes. Estamos apenas no início das discussões. Falta um longo caminho pela frente. A mudança de atitude da sociedade e da cultura empresarial não se faz da noite para o dia. Então, é necessária uma visão de longo prazo e propostas ambiciosas. Ambiciosas, mas factíveis.
Vivemos um capítulo importante da História que todos devem ajudar a escrever. Neste momento, temos a obrigação de pensar sobre que tipo de mundo vamos deixar para as futuras gerações. A situação atual exige ações urgentes e traz desafios que precisam ser vencidos para a promoção do desenvolvimento econômico, ambiental e socialmente sustentável do Brasil e deste condomínio chamado Terra.
Fernando Credidio. Professor, articulista e consultor em sustentabilidade e comunicação e marketing para o Terceiro Setor, além de ministrar cursos e palestras por todo o país.
Publicado em Revista Filantropia – On-line – n. 170

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Os direitos da Mãe Terra e sua dignidade, por Leonardo Boff


Leonardo Boff, 18/11/2017

Anteriormente escrevemos sobre os direitos dos animais. Agora cabe discorrer sobre os direitos da Mãe Terra e de sua alta dignidade. O tema é relativamente novo, pois dignidade e direitos eram reservados somente aos seres humanos, portadores de consciência e de inteligência como o fez Kant em sua ética. Predominava ainda a visão antropocêntrica como se nós exclusivamente fôssemos portadores de dignidade. Esquecemos que somos parte de um todo maior. Como dizem renomados cosmólogos, se o espírito está em nós é sinal que ele estava antes no universo do qual somos fruto e parte.

Há uma tradição da mais alta ancetralidade que sempre entendeu a Terra com a Grande Mãe que gerou todos os seres que nela existem. As ciências da Terra e da vida, por via científica, nos confirmaram esta visão. A Terra é um superorganismo vivo, Gaia (Lovelock), que se autoregula para ser sempre apta para manter a vida no planeta.

A própria biosfera é um produto biológico pois se origina da sinergia dos organismos vivos com todos os demais elementos da Terra e do cosmos. Criaram o habitat adequado para a vida, a biosfera. Ela como tal não pre-existia. Foi criada pelo próprio sistema-vida para poder sobreviver e se reproduzir. Portanto, não há apenas vida sobre a Terra. A Terra mesma é viva e como tal possui um valor intrínseco e deve ser respeitada e cuidada como todo ser vivo. Este é um dos títulos de sua dignidade e a base real de seu direito de existir e de ser respeitada.

Os astronautas nos deixaram este legado: vista de fora, Terra e Humanidade fundam uma única entidade; não podem ser separadas. A Terra é um momento da evolução do cosmos; a vida é um momento da evolução da Terra; e a vida humana, um momento da evolução da vida. Por isso podemos, com razão dizer, o ser humano é aquela porção da Terra em que ela começou a tomar consciência, a sentir, a pensar e a amar. Somos sua porção consciente e inteligente.

Se os seres humanos possuem dignidade e direitos, como é consenso dos povos, e se Terra e seres humanos constituem uma unidade indivisível, então podemos dizer que a Terra participa da dignidade e dos direitos dos seres humanos e vice-versa.

Por isso, não pode sofrer sistemática agressão, exploração e depredação por um projeto de civilização que apenas a vê como algo sem inteligência e por isso a trata sem qualquer respeito, negando-lhe valor intrínseco em função da acumulação de bens materiais.

É uma ofensa à sua dignidade e uma violação de seus direitos de poder continuar íntegra, limpa e com capacidade de reprodução e de regeneração. Por isso, está em discussão um projeto na ONU de um Tribunal da Terra que pune quem viola sua dignidade, desfloresta e contamina seus oceanos e destrói seus ecossistemas, vitais para a manutenção dos climas e do ciclo da vida.

Por fim, há um último argumento que se deriva de uma visão quântica da realidade. Esta constata, seguindo Einstein, Bohr e Heisenberg, que tudo, no fundo, é energia em distintos graus de densidade. A própria matéria é energia altamente interativa. A matéria, desde os hádrions e os topquarks, não possui apenas massa e energia. Todos os seres são portadores também de informação, fruto da interação entre eles,

Cada ser se relaciona com os outros do seu jeito de tal forma que se pode falar que surge níveis de subjetividade e de história. A Terra na sua longa história de 4,5 bilhões de anos guarda esta memória ancestral de sua trajetória evolucionária. Ela tem sujetividade e história. Logicamente ela é diferente da subjetividade e da história humana. Mas a diferença não é de princípio (todos estão conectados entre si) mas de grau (cada um à sua maneira).

Uma razão a mais para entender, com os dados da ciência cosmológica mais avançada, que a Terra possui dignidade e por isso é portadora de direitos, o que corresponde de nossa parte, deveres de cuidá-la, amá-la e mantê-la saudável para continuar a nos gerar e nos oferecer os bens e serviços que nos presta.

Essa é uma das mensagens centrais da encíclica do Papa Francisco “sobre o cuidado da Casa Comum”(2015). Na mesma linha vai a Carta da Terra, um dos documentos axiais da nova visão da realidade (2000) e dos valores que importa assumir para garantir sua vitalidade. O sonho coletivo que propõe não é o “desenvolvimento sustentável”, fruto da economia política dominante, anti-ecológica. Mas “um modo de vida sustentável” que resulta do cuidado para com a vida e com a Terra. Este sonho supõe entender “a humanidade como parte de um vasto universo em evolução” e a “Terra como nosso lar e viva”; implica também “viver o espírito de parentesco com toda a vida”, “com reverência o mistério da existência, com gratidão, o dom da vida e com humildade, nosso lugar na natureza”(Preâmbulo).

A Carta da Terra propõe uma ética do cuidado que utiliza racionalmente os bens escassos para não prejudicar o capital natural nem as gerações futuras; elas também têm direito a um Planeta sustentável e com boa qualidade de vida. Isso somente ocorrerá se respeitarmos a dignidade da Terra e os direitos que ela tem de ser cuidada e guardada para todos os seres, também os futuros.

Agora pode começar o tempo de uma biocivilização, na qual Terra e Humanidade, dignas e com direitos, reconhecem a recíproca pertença, de origem e de destino comum.

Leonardo Boff é articulista do JB on line, eco-teólogo e escritor.

terça-feira, 24 de outubro de 2017

A Semana do Desarmamento / Semana Mundial da Paz



A Semana do Desarmamento/Semana Mundial da Paz, criada pela Organização das Nações Unidas (ONU), é realizada em todo o mundo entre 24 e 30 de outubro, anualmente. No Brasil, projetos legislativos e propostas no Congresso tentam alterar o Estatuto do Desarmamento. Mas não é somente o brasileiro que debate a questão, os americanos também voltaram a discutir o assunto após a tragédia em Las Vegas, onde um atirador matou 59 pessoas.

Para a Organização das Nações Unidas (ONU), a necessidade de uma cultura de paz e de uma redução significativa de armas no mundo nunca foi tão grande “e ela se aplica a todos os tipos de armas”. Para conscientizar o mundo a respeito dessa necessidade, a Assembleia Geral da ONU proclamou a Semana do Desarmamento.

A ONU também ressalta que o custo humano e material das armas convencionais também é alto. “De pelo menos 640 milhões armas de fogo licenciadas em todo o mundo, aproximadamente dois terços estão nas mãos da sociedade civil. O comércio legal de armas de pequeno calibre excede quatro bilhões de dólares por ano. O comércio ilegal é estimado em um bilhão de dólares. E essas armas convencionais, como as minas terrestres, causam destruição da vida e da integridade física, que continua por anos após os conflitos terem acabado”, afirma a organização internacional.

Para o ex-presidente dos Estados Unidos, Dwight D. Eisenhower, e comandante geral das Forças Aliadas durante a 2ª Guerra Mundial, “cada arma produzida, cada navio de guerra lançado ao mar, cada foguete disparado significa, em última instância, um roubo àqueles que têm fome e não são alimentados, àqueles que estão com frio e não têm o que vestir. O custo de um moderno bombardeiro pesado é este: a construção de uma moderna escola em mais de 30 cidades”.

Desde o nascimento das Nações Unidas, em 1945, as metas do desarmamento multilateral e da limitação de armas são consideradas fundamentais para a manutenção da paz e da segurança no mundo todo. Estas metas significam: redução e eventual eliminação das armas nucleares (recentemente, foi assinado um acordo na ONU entre 43 chefes de Estado proibindo armas nucleares); destruição de armas químicas; fortalecimento da proibição contra armas biológicas; suspensão da proliferação de minas terrestres e de armas leves e de pequeno calibre, entre outros objetivos.

A ONU aborda questões do desarmamento continuamente, além de trabalhar frequentemente para implementar acordos específicos de desarmamento entre partes em conflito. As missões de paz das Nações Unidas também utilizam a estratégia do desarmamento preventivo, que procura reduzir o número de armas de pequeno calibre em regiões de conflito.

A organização afirma que é plenamente consciente da relação direta entre desarmamento e desenvolvimento. “Podemos fazer progressos significativos em direção aos objetivos de desenvolvimento do milênio se alguns destes recursos (usados em gastos militares e seus armamentos) fossem redirecionados para esforços para o desenvolvimento econômico e social. Em um momento de elevação dos preços de alimentos e combustíveis e de incertezas na economia global, o mundo não pode ignorar o potencial de desenvolvimento do desarmamento e da não proliferação”, disse o secretário-geral Ban Ki-moon.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Dia Mundial Contra a Pena de Morte



O Dia Mundial Contra a Pena de Morte encontra-se a 10 de outubro no calendário.

A data pretende defender a peça central dos direitos humanos – o direito à vida – sensibilizando os países contra a pena de morte.

Dia Mundial Contra a Pena de Morte foi criado em 2003 por iniciativa conjunta de organizações não governamentais, governos e organizações jurídicas. A Organização das Nações Unidas repudia a legalidade e o uso da pena capital, assim como a União Europeia.

Portugal foi o líder na abolição da pena de morte, já que foi o primeiro país do mundo a abolir a pena capital na Lei Constitucional, após a reforma penal de 1867.

Até há sete décadas, somente 14 países tinham abolido a pena de morte. Atualmente, 82% dos países suspenderam ou aboliram a pena de morte.

O Direito Internacional delimita a aplicação da pena de morte para "a maioria dos crimes graves", o que circunscreve o seu uso ao crime de homicídio intencional.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Efeitos directos dos incêndios na saúde

Para Lá da Cortina de Fumo- os efeitos na saúde

O que importa dar destaque! Como temos feito destacar, os negócios silvícolas não ocorrem apenas entre duas partes. Por isso, o Estado tem de estar presente e com posição reforçada, seja na investigação, seja na fiscalização, seja em extensão, seja na regulação.

Já assinou a Petição- "Nem mais um hectare de eucalipto plantado em Portugal", queremos esta promessa cumprida?


Por  1 e Diogo Pestana 2, Público, 16 de Agosto de 2017

Portugal encara, atualmente, uma situação de emergência para dar resposta à crescente problemática dos incêndios florestais. Os incêndios são eventos adversos com custos tangíveis ambientais (área ardida em 2017 mais de dez vezes superior ao mesmo período de 2016), socioeconómicos (como a desertificação, a erosão do solo, a falta de abastecimento de água, e outros prejuízos económicos estimados em cerca de 250 milhões de euros por ano com incêndios) e para a vida humana. A quantificação dos custos imediatos e diretos dos incêndios permite estabelecer a métrica do impacto socioeconómico; porém, os incêndios têm outras consequências adversas menos imediatas e evidentes sobre o ambiente e, por consequência, sobre as populações. É por isso surpreendente a escassez de literatura e comunicação relativa aos seus efeitos diretos na saúde.

Efetivamente, a relação do ambiente com o binómio saúde-doença é reconhecida desde Hipócrates, no seu mais famoso tratado Dos ares, Águas e Lugares. Numa interessante e rica descrição dos efeitos ambientais na saúde de indivíduos e populações, correlaciona o ambiente aos diferentes quadros nosológicos e características populacionais. O modelo ainda hoje é válido, mas a multifatorialidade de muitas doenças dificulta a avaliação da contribuição relativa dos diferentes fatores ambientais, tornando-se assim premente o aumento do conhecimento integrativo em domínios como a água, o ar, os solos, a nutrição, procurando clarificar um olhar da toxicologia para a saúde.

O impacto dos incêndios nas populações depende de vários fatores, nomeadamente a duração e o tipo de exposição, os meios de transmissão para o meio ambiente e a suscetibilidade do indivíduo. Uma distinção importante na definição dos impactos é a diferenciação entre curto e longo prazo. Os efeitos para a saúde decorrentes de uma exposição aguda são os mais explorados, nomeadamente relacionados com o fumo produzido pelos incêndios (problemas respiratórios, cardiovasculares e oculares), com o excesso de calor (queimaduras, desidratação e golpes de calor) e com falhas do abastecimento de água (ver em Riscos para a saúde resultante da ocorrência de incêndios, DGS).

Em matéria de alimentação e com o objetivo de mitigar estes efeitos, principalmente nas populações vulneráveis e em risco (como os bombeiros), o Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável (PNPAS), da Direção-Geral da Saúde, tem vindo a definir algumas linhas orientadoras sobre alimentação em tempo de incêndios (ver em Recomendações gerais para a alimentação de bombeiros, Nutrimento).

Mas, atrás da cortina de fumo dos incêndios florestais, não podemos menosprezar os efeitos a longo prazo da contaminação do ambiente (solo, água e subsequentemente da cadeia alimentar) e da exposição crónica das populações a outros poluentes provenientes do fumo, como metais pesados, PAH, PCB e dioxinas. Talvez por este impacto não ser imediatamente observado e reconhecido, e muitas vezes decorrente da exposição a baixas concentrações (disruptores endócrinos), escasseia o conhecimento dos seus verdadeiros efeitos (cardiovasculares, respiratórios e carcinogénicos) nas populações afetadas.

Já assinou a Petição- "Nem mais um hectare de eucalipto plantado em Portugal", queremos esta promessa cumprida?

1- Investigadora do grupo ProNutri, Cintesis; Faculdade de Ciência Médicas Universidade Nova de Lisboa
2- Investigador do grupo ProNutri, Cintesis; Faculdade de Ciência Médicas Universidade Nova de Lisboa; Membro da COST Action – Industrially Contaminated Sites and Health Network (ICSHNet)

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Cientistas avisam: Humanidade tem 3 anos para salvar a Terra da destruição

Please read the Six-point Plan for turning the tide of the world´s dioxide by 2020 and share widely and act.

54 graus no Irão: Pode ser a temperatura mais alta de sempre registada no planeta-
Texto original no Washigton Post aqui e em Português  no Jornal de Negócios aqui
O mundo tem apenas três anos para reduzir significativamente as suas emissões de gases do efeito estufa ou as mudanças climáticas vão afetar perigosamente a Humanidade. Aviso de um grupo de 60 cientistas e outras personalidades, numa carta publicada pela renomada revista científica Nature.

No comunicado,publicado na revista Nature, em 28 de Junho de 2017, o grupo de cientistas aponta que a taxa do nível do mar subiu 50% nos últimos 25 anos, ao passo que os últimos três anos foram os mais quentes desde que se iniciaram os registos das temperaturas pelo mundo, o que significa que governos, empresas e cidadãos precisam de refletir sobre as mudanças climáticas.

“Se as emissões continuarem a subir até 2020, ou mesmo se mantenham nos mesmos níveis, os objetivos de temperatura estabelecidos no Acordo de Paris serão inatingíveis”, explicam os cientistas, que citam um relatório publicado em abril de 2016.

“Reduzir as emissões a nível mundial é uma tarefa monumental, mas a investigação nos diz que é necessário, desejável e alcançável”, acrescentam.

Uma das consequências mais claras do aquecimento global são notadas na Gronelândia e na Antárctida, que estão a perder as suas camadas de gelo muito rapidamente, ao passo que o gelo também está a desaparecer no Ártico e os recifes de corais “estão a morrer por causa do calor”.

Ecossistemas inteiros começam a ser destruídos. Os impactos sociais das alterações climáticas, secas e elevação dos mares são inexoráveis, e afetam primeiro os mais pobres e os mais fracos”, lamentam os cientistas. A subida das temperaturas ameaça alterar ecossistemas de uma maneira não vista há pelo menos dez mil anos”.

Foi essa perspectiva que fez o Acordo de Paris definir os limites de emissões de carbono, a fim de evitar que o limite anual de aumento fixado em 1,5ºC não seja ultrapassado. E para permitir que as emissões não voltem a subir, enquanto a economia mundial tenha tempo para se adaptar, os cientistas sugerem algumas medidas:

1.Aumentar a energia renovável para 30% do consumo de eletricidade;

2. Projetos e planos para cidades e estados abandonarem os combustíveis fósseis até 2050, com um financiamento de 300 mil milhões de dólares anuais;

3. Certificar-se que 15% de todos os novos veículos vendidos no mundo são elétricos;~

4. Reduzir as emissões líquidas provenientes do desmatamento;

Reduzir pela metade as emissões de carbono da indústria pesada até 2050;

5. Incentivar os governos e bancos privados para emitir mais “títulos verdes” para financiar os esforços de mitigação climática.

A carta foi assinada por 60 cientistas, políticos, empresários e ativistas, incluindo o ex-presidente do México, Felipe Calderón, a ex-presidente irlandesa, Mary Robinson, e o CEO da Unilever, Paul Polman.

Haverá sempre aqueles que vão esconder as suas cabeças na areia e ignorar os riscos globais das mudanças climáticas. Mas há muitos mais de nós que estão comprometidos a superar essa inércia. Vamos ser otimistas e agir com ousadia”, concluem os autores.

terça-feira, 27 de junho de 2017

FLORESTA, ESQUERDA, DIREITA, por Pedro Bingre do Amaral

Criar ou expandir florestas públicas é evidentemente uma decisão política do mais alto nível. Implica alargar a intervenção directa do Estado em vastíssimas terras durante períodos que se prolongam além da vida de inúmeras gerações. A simples escala de tal projecto, no tempo e no espaço, perdura para lá das correntes ideológicas, dos partidos, dos regimes e por vezes até dos países. E mesmo dando-se o caso de essas florestas ocuparem terrenos pobres, em localizações marginais, e serem naturalmente pouco rentáveis, ninguém deixa de apreciar a sua beleza.

Quantos franceses aceitariam a privatização do enorme Domínio Florestal de Fontainebleau, quantos ingleses tolerariam a alienação das vastas Terras da Coroa da New Forest, ambos no domínio público? Apesar das diferenças entre as suas duas filosofias de Estado — o conservadorismo monárquico britânico quer o progressismo republicano gaulês — os governantes de ambos os países sempre estimaram as florestas públicas como um Bem Comum.

Entre o cortejo florestal das nações Portugal tem ocupado uma triste posição: vai na cauda da marcha, e distancia-se cada vez mais desde a década de 1960. Sob o regime monárquico, os partidos conseguiram pôr-se de acordo quanto à necessidade de alargar as matas públicas. Na primeira república conseguiu-se, pese embora a instabilidade governamental, prosseguir esse desígnio do interesse público. O regime autoritário e dirigista do Estado Novo continuou o processo com o Plano de Povoamento Florestal de 1938-1968. A partir da década de 1960, a expansão e a ambição cessam. Começara a época de demonização dos Serviços Florestais e a perda da ambição política de ombrear com os melhores exemplos do mundo ocidental. A partir de então aos serviços florestais restava apenas gerir (e bem) Matas Nacionais minúsculas, que todas reunidas (60 mil hectares) caberiam no concelho de Tavira. Outros usaram os Serviços Florestais como bode expiatório de todos os males que ocorriam ao sector.

Em inícios da década de noventa mudaram ainda mais os ventos ideológicos. Caído o muro de Berlim, as palavras de Margaret Thatcher passaram a ser uma verdadeira profissão de fé para muitos líderes partidários: “não existe essa coisa a que chamam sociedade: só existem indivíduos e famílias”. Estava dado o grito de guerra ao sector público. Ao Estado só se pretendia subtrair património e poderes, privatizando-os em favor de grupos bem colocados. Privatizaram-se empresas públicas monopolistas, privatizaram-se serviços estatais e, se a crise de 2007 não tivesse abalado esses projectos, provavelmente ter-se-iam até privatizado as matas nacionais, a gestão dos parques e reservas naturais, e os monumentos nacionais. Era esse o caminho para onde nos levava o delírio ideológico de alguns governantes de direita e mesmo de alguns de centro-esquerda. Era a paixão pela “terceira via” por via na qual o Estado não dirigia nem participava na economia, apenas a regulava. Foi a época em que as “Direcções-Gerais” perderam poderes e se redenominaram de meras “Autoridades”.

Desde 1989, portanto, a palavra-de-ordem tem sido afastar o Estado da Economia, pelo menos enquanto empreendedor. Quem diga o contrário é visto como um irresponsável saudosista dos regimes totalitários de Leste. Qualquer pessoa que proponha um grande projecto económico inteiramente dirigido pelo Estado, sem parcerias público-privadas, é acusado de querer reviver os Planos Quinquenais de Estaline ou o Grande Passo em Frente de Mao Tsé-Tung.
Ora, sucede que a Europa entre 1945 e 1980 foi reconstruída justamente graças à intervenção estatal, fossem os governos de Direita, de Centro ou de Esquerda — e graças a essa planificação da economia mista de mercado houve um fortíssimo crescimento económico.
À Direita De Gaulle aplicou a filosofia do “dirigisme” e ofereceu à França os seus “Plans de Développement Économique et Social” num contexto conservardor. Num contexto autoritário, Franco implementou os seus “Planes de Desarrollo” e Salazar os seus “Planos de Fomento”. Por outro lado, o milagre alemão do pós-guerra (o “Wirtschaftswunder”) foi possível graças ao intervencionismo do Plano Marshall, aplicado alternadamente por partidos de centro-direita e de centro-esquerda. No Reino Unido a planificação económica, também ela bem sucedida, teve o protagonismo da Esquerda do Labour Party.

Sabendo-se que a planificação da Economia por parte do Estado pode ser bem sucedida numa economia mista de mercado, seja o Governo de Esquerda ou de Direita, poderíamos supor que a Direita portuguesa não se oporia à iniciativa já historicamente validada de expandir as intervenção do Estado no sector florestal, aumentando a área das Matas Nacionais.

Sucede que não. Há em Portugal várias Direitas, e a mais jovem entre elas — a ultra-liberal — fala mais alto. Ao contrário da Direita institucionalista dos seus pais e dos seus tios, já não reconhecem o Estado Português como um bem a salvaguardar, nem sequer para os seus interesses particulares; querem penhorá-lo para investir em derivados financeiros. Crêem que nada existe além dos mercados. Ao contrário dos antigos democratas-cristãos, de quem herdaram o nome mas não o pensamento, deixaram de entender o que é uma questão de Estado; só entendem questões de rentabilidade.

Mas voltemos à política florestal. Num país como Portugal, as condições ecológicas de grande parte do território tornam inviável a exploração económica no curto prazo e em minifúndio de florestas seja de que espécie for. Há vastas charnecas e ermos onde nem o eucalipto prospera. Por isso estão abandonadas, por isso os donos — se algum dia os houve, pois nunca foram cadastradas — renunciaram à sua posse. Para evitar incêndios e as explorar com viabilidade económica, só mesmo integrando-as em Matas Nacionais com planos de exploração com horizontes de décadas — enfim, segundo a intenção de “plantar para a geração dos netos”.

É evidente que entre a Direita alguns jovens alunos da Escola de Chicago hão-de abominar a ideia. Será impossível convencê-los do contrário: a sua religião laica tem como dogma a incompetência do Estado e a supremacia dos Mercados, de modo que o simples conceito de Mata Nacional será para eles puro anátema. Por preconceito, por ignorância, por convicção, hão-de conotar tal ideia aos casos mais dramáticos de totalitarismo de Esquerda: vão invocar o papão da URSS, da Coreia do Norte, etc.

Pois bem, dirijo-me então àqueles que, à Direita ou à Esquerda, escutam tais argumentos. As florestas públicas fazem sentido sob qualquer forma de governo. Dada a sua natureza ecológica não foi encontrada até agora nenhuma forma melhor de explorar bosques de muito baixa produtividade senão transformando-as num bem comum. Comunistas ou Capitalistas, Colectivistas ou Individualistas, Conservadores ou Progressistas, todos os governos bem sucedidos nesta matéria chegaram à mesma conclusão. São essas as evidências e todas as alternativas até agora propostas ou têm sido aventureirismos por testar, ou fracassos a não repetir.

Dito isto, quero apresentar algumas pessoas a todos aqueles que, em virtude de se sentirem identificados com a Direita, se opõem à expansão das Matas Nacionais.

Na fotografia abaixo podemos três ilustres americanos em visita ao Parque Natural de Yosemite, por volta de 1890. São eles o presidente Teddy Roosevelt (terceiro a contar da esquerda); o grande ambientalista fundador do Sierra Club, John Muir (quarto a contar da esquerda); e o engenheiro florestal fundador dos Serviços Florestais americanos, Gifford Pinchot (primeiro a contar da direita).

Naquela época vivia-se a distopia do Estado Mínimo: tudo era privado, o Estado resumia-se a pouco mais do que à polícia, aos tribunais e às forças armadas. Os “mercados” e a iniciativa individual campeavam praticamente sem baias. E as florestas estavam entregues à sua sorte, à lógica da extracção de rendimentos de forma insustentável.

Por surpreendente que pareça, nestas circunstâncias quem decidiu proteger por lei o primeiro Parque Nacional do Mundo (o de Yellowstone) e de nacionalizar as florestas foi justamente Theodore Roosevelt, que apesar de ter sido eleito pela Direita americana soube compreender que o Estado tem de intervir onde os mercados são incompetentes. E fê-lo apesar da ferocíssima oposição de toda a espécie de negociantes privados que não hesitavam em deixar degradar os recursos naturais do país desde que não tivessem de pagar a factura pelos seus danos.



sexta-feira, 16 de junho de 2017

O povo Maori levaram para a ONU a sua recusa de explorar petróleo offshore nos seus territórios

Os maori na Nova Zelândia têm combatido durante os últimos anos a intenção da Chevron e da Statoil de explorar petróleo offshore. No dia 7 de Junho levaram a sua causa às Nações Unidas

Seismic testing, oil drilling and indigenous rights are at the forefront of the agenda for Māori

Indigenous oil opposition group Te Ikaroa will be sending a delegation including academics, environmentalists, activists, and traditional ocean voyagers. The journey follows on from a successful intervention placed before the United Nations Permanent Forum for Indigenous Issues last month, which highlighted the way in which the seismic testing violates indigenous rights through the disruption of local marine ecosystems

"Our subsistence traditions depend on healthy marine ecosystems and there is now a significant body of science that upholds our concerns about the damage of seismic testing" says Tina Ngata, campaign spokesperson. "For this reason and more, over 80 indigenous communities have voiced their objection to the seismic testing being carried out by Statoil and Chevron along our coastline.
Our petition to the Norwegian government has over 23 thousand signatures from New Zealanders who join us in objection and we will be seeking to present this to Norwegian representatives while there".

The conference runs from Monday 5th- Friday 9th of June and will cover a range of topics under the UN Sustainable Development Goal 14: Healthy Oceans. Tina Ngata says that one particular area of focus will be the discussions around the UN Convention on the Law of the Sea.

"The Convention predates much of the progress that we've made internationally around indigenous rights and has yet to be brought into alignment with important documents like the United Nations Declaration for the Rights of Indigenous Peoples,” says Ngata.

“We will be lobbying heavily for an amendment to allow for indigenous oversight of the Convention and its implementation. The Pacific is indigenous territory - we have made families on the Ocean, fed from it, cared for it and voyaged it for countless generations now and that needs to be recognised and allowed for".

Fonte: Maori Television

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Zika, Pesticidas e o Mosquito Transgénico- pyriproxyfen é a verdadeira causa da microcefalia, não dá mais para esconder.

O que mais me irrita é como andamos "distraídos"...é de 2016. E deixamos que mordam e amordacem as nossas mentes.
O larvicida que contem pyriproxyfen é a talidomida versão séc.XXI, amigos. Isto é sério demais.

English: REPORT from Physicians in the Crop-Sprayed Town regarding Dengue-Zika, microcephaly, and massive spraying with chemical poisons


Español: Informe de Medicos de Pueblos Fumigados sobre Dengue-Zika y fumigaciones con venenos química

Para acceder al informe en pdf para imprimir, haga click aqui: Informe Zika de reduas (792)

Doctors name Monsanto’s larvicide as potential cause of microcephaly in Brazil:
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Componente químico Pyriproxyfen é apontado como causa da microcefalia
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Nem o Zika vírus e nem vacinas, para a Organização dos Médicos Argentinos o grande surto de microcefalia que se abateu sobre o Brasil é causado por um químico larvicida chamado Pyriproxyfen colocado na água ou pulverizado nas cidades afetadas pelo surto de microcefalia.

O relatório da entidade é enfático ao dizer que não é coincidência os casos de microcefalia surgirem na áreas onde o governo brasileiro fez a aplicação do Pyriproxyfen diretamente no sistema de abastecimento de água da população, mais especificamente em Pernambuco.

Componente químico Pyriproxyfen é apontado como causa da microcefalia


“O Pyroproxyfen é aplicado diretamente pelo Ministério da Saúde nos reservatório de água potável utilizados pelo povo de Pernambuco, onde a proliferação do mosquito Aedes é muito elevado ( uma situação semelhante à das ilhas do Pacífico ). (…) Malformações detectadas em milhares de crianças de mulheres grávidas que vivem em áreas onde o Estado brasileiro acrescentou Pyriproxyfen à água potável não é uma coincidência, apesar do Ministério da Saúde colocar a culpa direta sobre o Zika vírus para os danos causados (microcefalia).”, revela o relatório na página 3.

O relatório também observou que o Zika tem sido tradicionalmente considerado uma doença relativamente benigna, que nunca foi associada com defeitos congênitos, mesmo em áreas onde infectou 75% da população.


Posição da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco)

O  relatório argentino, que também aborda a epidemia de dengue no Brasil, concorda com as conclusões de um relatório separado sobre o surto Zika feito por médicos brasileiros e pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva – Abrasco.

A Abrasco também aponta o Pyriproxyfen como causa provável da microcefalia. A associação condena a estratégia de controle químico para frear o crescimento dos mosquitos portadores do Zika vírus. A Abrasco alega que tal medida está contaminando o meio ambiente, bem como pessoas e não está diminuindo o número de mosquitos. Para a Abrasco esta estratégia é, de fato, impulsionada por interesses comerciais da indústria química, a qual diz que está profundamente integrada com os ministérios latino-americanos de saúde, bem como a Organização Mundial de Saúde e da Organização Pan-Americana da Saúde.

Abrasco nomeou a empresa britânica Oxitec que produz insetos geneticamente modificados como parte do lobby empresarial que está a distorcer os fatos sobre o Zika vírus para atender a sua própria agenda com fins lucrativos.

A Oxitec vende mosquitos transgênicos modificados para esterilidade e os comercializa como um produto de combate à doença – uma estratégia condenada pelos médicos argentinos, tida como “um fracasso total, exceto para a empresa fornecedora de mosquitos”.

Vale lembrar também que o Zika vírus é propriedade da família/Fundação Rockefeller, conforme relatado pelo Panorama Livre no dia 31 de janeiro. Além, claro, da ONU já ter declarado que países com casos de microcefalia deveriam liberar o aborto – deixando claro a todos o enorme número de entidades envolvidas no lobby do controle/diminuição populacional.



PANORAMALIVRE
Zika vírus é propriedade da família Rockefeller
Leia mais aqui

Zika Vírus está a venda por €599.00 e o nome do depositário é “J. Casals, Rockefeller Foundation”. Outro fato que chama atenção é que a data de origem do Zika Vírus é o ano de 1947

Eis o link da página do órgão que comercializa o Zika Vírus:


Quem fabrica o Pyriproxyfen?

Os médicos acrescentaram que o Pyriproxyfen é fabricado pela Sumitomo Chemical, empresa japonesa e um “parceiro estratégico” da Monsanto. O Pyriproxyfen é um inibidor do crescimento de larvas de mosquitos, que altera o processo de desenvolvimento da larva, a pupa (estágio intermediário entre a larva e o adulto, no desenvolvimento de certos insetos), para adulto, gerando, assim, malformações no desenvolvimento dos mosquitos e matando ou desativando seu desenvolvimento. O composto químico atua como um hormônio juvenil de inseto e tem o efeito de inibir o desenvolvimento de características de insetos adultos (por exemplo – as asas e genitais externos maduros) e o desenvolvimento reprodutivo. É um disruptivo endócrino e é teratogênico (causa defeitos de nascimento), de acordo com os médicos.

Em dezembro de 2014 a Sumitomo Chemical anunciou que, juntamente com a Monsanto, expandiria seus trabalhos de controle de pragas para a América Latina, mais especificamente para Brasil e Argentina.





Outras leituras


terça-feira, 11 de abril de 2017

PETIÇÃO: Contra o corte raso na Serra da Freita e a replantação com eucalipto

A todos os amigos das árvores nativas: pedimos para irem HOJE à página da Quercus - ANCN Está para sair às 13:50 horas a petição pública: Contra o Corte Raso na Serra da Freita
É muito importante lá pôr "gosto", partilhar e comentar a essa hora (+ 5 minutos) pois só assim será possível alcançarmos milhares de pessoas e assinaturas. A serra agradece.

Assina, divulga e partilha a petição Contra o Corte Raso na Serra da Freita

Após os desastrosos incêndios florestais do ano 2016, o ICNF aplicou uma série de medidas de combate a erosão pós-incêndio. O abate indiscriminado das árvores nativas que sobreviveram a catástrofe não faz parte destas medidas, mas acontece em larga escala. As beiras das estradas que sobem para a Serra da Freita enchem-se com pilhas de madeira de carvalhos, castanheiros e pinheiros, na sua maioria pouco ou nada fustigados pelo fogo. Como é isto possível num espaço da Rede Natura 2000?

Grandes carvalhos que podiam dar bolotas e apoiar a criação dum novo bosque são abatidos sem controle, tanto como castanheiros adultos ou jovens, sem fiscalização, sem qualquer autoridade a visionar e interferir.

Apelamos ao ministério do meio ambiente e os municípios que abrangem este território da Serra da Freita: pronunciem-se, tomem medidas, mostrem presença.

Do mesmo modo que foi entregue aos municípios mais poder para cuidar da floresta, agora é a altura para actuar.


Não deixem transformar as encostas da Serra da Freita num vasto eucaliptal.

sábado, 11 de março de 2017

Papa diz que povos indígenas devem ter a palavra final sobre suas terras


No século XV, as bulas papais promoveram e forneceram uma justificativa legal para a conquista e o saqueamento das terras e recursos dos povos indígenas – cujas consequências são sentidas ainda hoje. O direito à conquista em uma tal bula, Romanus Pontifex, emitida por volta de 1450 quando Nicolau V era o papa, foi dada em caráter perpétuo.

David Hill* – The Guardian / IHU On-Line
Mas o tempo muda. Na semana passada, mais de 560 anos depois, Francisco, o primeiro papa latino-americano, deu um tom bem diferente: pôs-se a favor dos povos indígenas ao redor do mundo, a favor do direito à terra (algo que possui um significado prático), e pôs-se a favor de uma melhor relação com o meio ambiente. Publicamente disse que os povos indígenas têm o direito ao “consentimento prévio e informado”. Em outras palavras, nada deveria acontecer nas – ou impactar suas – terras, territórios ou recursos a menos que concordem.
“O principal desafio é conciliar o direito ao desenvolvimento, incluindo também o social e cultural, com a tutela das características próprias dos povos e territórios indígenas”, disse Francisco, segundo texto divulgado pela Sala de Imprensa da Santa Sé.
“[Esta conciliação] fica ainda mais evidente quando atividades econômicas interferem com as culturas indígenas e sua relação ancestral com a terra”, continuou o papa. “Nesse sentido, sempre deve prevalecer o direito ao consenso prévio e informado, segundo exige o artigo 32 da Declaração dos Direitos dos Povos Indígenas. Somente assim é possível garantir uma cooperação pacífica entre as autoridades governamentais e os povos indígenas, que supere contradições e conflito”.
Francisco falava a representantes indígenas em Roma na conclusão do 3º Fórum dos Povos Indígenas, realizado pelo Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola – FIDA, órgão da ONU.
A Declaração das Nações Unidas – não vinculativa juridicamente – foi adotada há 10 anos. Em seu artigo 32, diz que “é dever do Estado consultar e cooperar de boa-fé com os povos indígenas interessados, por meio de suas instituições representativas, a fim de obter seu consentimento livre, prévio e informado antes de adotar e aplicar medidas legislativas e administrativas que os afetem”.
Francisco também declarou que a “humanidade peca gravemente, deixando de cuidar da terra”, e instou os líderes indígenas a resistirem às novas tecnologias e que “não permitais aquelas que destroem a terra, que destroem a ecologia, o equilíbrio ecológico e que acabam por destruir a sabedoria dos povos”. Convidou os governos a capacitar os povos originários a participarem plenamente no desenvolvimento de “diretrizes e projetos”, tanto no nível local quanto nacional.
Vários meios de comunicação convencionais, incluindo a BBC, os jornais The Independent e Washington Post, interpretaram as palavras do papa como um comentário – ou um comentário aparente – sobre o atual conflito em torno do oleoduto Dakota Access, nos EUA, como se este fosse o único conflito indígena do que se sabe hoje. Mas e quanto a outros casos ao redor do mundo? Essa interpretação foi rapidamente rejeitada por uma porta-voz do Vaticano, que disse que “não há elementos nas palavras do papa que nos permita saber se ele estava falando de algum caso específico”.
Então, o que algumas das pessoas que estavam com Francisco naquele dia pensam do que ele afirmou? Até que ponto o que foi dito é significativo a eles?
Myrna Cunningham, ativista miskita da Nicarágua e ex-presidente do Fórum Permanente sobre Questões Indígenas, da ONU, disse que o papa estava enviando mensagens importantes. Estas incluem a “necessidade conciliar o direito ao desenvolvimento, incluindo também o social e cultural, com a tutela das características próprias dos povos e territórios indígenas”, e a importância da Declaração da ONU, do consenso, que, segundo ela, “de algum modo foi uma resposta às demandas indígenas”.
“Eu esperava uma mensagem incisiva, porém a postura dele excedeu as minhas expectativas”, disse Cunningham ao jornal The Guardian. “Ele foi claro sobre as lutas do nosso povo e vem sendo uma voz importante para fazer que nossas demandas sejam ouvidas”.
Elifuraha Laltaika, da Associação de Direito e Advocacia a Pastoralistas na Tanzânia, diz que foi um “chamado a despertar oportuno aos governos”.
“[Os comentários do papa] foram feitos num momento em que os governos cada vez mais violam e olham com desconfiança para os padrões mínimos da Declaração da ONU”, disse Laltaika ao The Guardian. “Sem ouvir o chamado do Papa Francisco, com certeza a vida vai se tornar mais miserável aos povos indígenas do que alguma vez já foi. A ganância para com a extração de hidrocarbonetos e minerais irá criar rachaduras além das existentes já, acentuando a pobreza dos povos indígenas e a incapacidade deles de lidar com os impactos da mudança climática e uma miríade de outros desafios”.
Para Alvaro Pop, represente maya da Guatemala, as palavras de Francisco demonstram o compromisso contínuo dele para com os direitos dos povos originários.
“Os povos indígenas têm sido os guardiões destes recursos há séculos”, diz Pop, um dos presidentes do Fórum Permanente da ONU. “O consentimento livre, prévio e informado é uma das questões mais importantes do século XXI. As palavras do papa são verdadeiramente significativas”.
Victoria Tauli-Corpuz, membro do povo Kankanaey Igorot das Filipinas e atualmente relatora especial da ONU para os Direitos dos Povos Indígenas, diz que a fala do papa ilustra “a compreensão que ele tem da importância” de implementar a Declaração da ONU.
“A visão dele de que uma maior chance de superar o confronto e o conflito entre os povos indígenas e as autoridades governamentais pode ser alcançada se um consentimento prévio e informado for respeitado ecoa o que muitos povos vêm afirmando”, disse Tauli-Corpuz ao The Guardian.
Les Malezer, da Austrália, descreve como “gratificante” que o papa tenha assumido uma postura tão dura no tocante à necessidade de respeitar os direitos dos povos indígenas, e diz que ele também aproveitou a oportunidade para levantar a questão da “Doutrina da Descoberta” – conceito jurídico internacional fundamentado nas bulas papais do século XV.
“Todos entre nós tiveram a oportunidade de dizer algumas poucas palavras ao papa quando ele circulou pelo salão”, disse Malezer, de Queensland. “Pedi que o papa continuasse a rever a Doutrina da Descoberta, que foi seguida por muitos casos de genocídio dos povos indígenas e pela tomada de suas terras. Também pedi que a Igreja Católica busque conscientizar, em nível mundial, as pessoas para a situação e os direitos dos povos indígenas”.
Ao abordar o direito ao consentimento dos povos indígenas, Francisco ecoava – e dava sustentação a – um órgão crescente do direito e da jurisprudência internacional que vincula os governos, diretrizes, princípios e procedimentos operacionais adotados por algumas instituições financeiras, agências da ONU e grupos do setor privado. Segundo um relatório de 2013 emitido pela REED (sigla inglesa para Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação, entidade da ONU) sobre a base jurídica internacional para o que se conhece por “CLPI” – iniciais para consentimento livre, prévio e informado –, “mais de 200 estados ratificaram numerosos tratados e convênios internacionais e regionais que proveem expressamente o dever e a obrigação do Estado de obter o CLPI onde circunstâncias assim se justificarem”.
*Tradução é de Isaque Gomes Correa.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Anselm Kiefer- Os Sete Palácios Celestiais, 2002- derivação poética por João Paulo Soares


Parei nesta foto formidável de Anselm Kiefer e à distância do que vivemos nesta época, digo-vos: Como os rios e as árvores, assim são os livros. Fascinantes e livres e preciosos. Velhos, novos ou inacabados. São monumentos como a Natureza e da natureza feitos. Estão interligados com os autores e os leitores e as cidades e os minerais e a seiva. Proibidos, irreverentes, ocultos, explodem em regimes se mal geridos e interpretados. Outros são ramos. Outros são cânticos e como pequenos ramos, alguns gostaríamos de conhecer o todo...ficaram no pó ou sedimentaram-se com as rochas. E finalmente o próprio Homem em algumas épocas atiraram jóias inteiras nas fogueiras....

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Dia Internacional das Mulheres e Raparigas na Ciência

Em reconhecimento dos esforços da UNESCO, ONU Mulheres, UIT e outras organizações relevantes que apoiam e promovem o acesso das mulheres e raparigas à educação, formação e actividade de investigação científica, tecnológica, de engenharia e matemática,  a Assembleia-Geral das Nações Unidas adoptou a resolução A/70/474/Add.2, declarando o dia 11 de Fevereiro como o Dia Internacional das Mulheres e Raparigas na Ciência.
A ciência e a igualdade de género são dois fatores vitais para levar a cabo com sucesso a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. Ao longo dos últimos 15 anos, a comunidade global fez muitos esforços para inspirar e envolver as mulheres e raparigas na ciência, mas, infelizmente, muitas continuam a ser excluídas desta área.
De acordo com um estudo levado a cabo em 14 países, a probabilidade de mulheres obterem o grau de licenciatura, mestrado e doutoramento em campos relacionados com a ciência é de 18%, 8% e 2%, respectivamente; enquanto que as percentagens masculinas são de 37%, 18% e 6%.
Saiba mais sobre o papel das mulheres nas investigações científicas: Women In Science And Research

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Ciclovia- sítio das ciclovias, ecovias e ecopistas nacionais

Consulte aqui o sítio CicloVia.pt

Para quem já faz passeios de bicicleta ou para quem está a pensar, nos próximos tempos, comprar uma bicicleta para os fazer, fica aqui a ligação para o site das ciclovias, ecovias e ecopistas. Sabia que, segundo a ONU, a bicicleta é o veículo mais rápido e prático para percursos de até seis quilómetros de distância? Bons passeios em 2017!

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Sim o glifosato é potencialmente cancerígeno

A Organização Mundial de Saúde (OMS) mantém a sua posição de que o herbicida glifosato causa cancro em animais de laboratório, por muito que isso tenha desencadeado a ira da indústria. Na entrevista abaixo é apresentada resumidamente a forma como o processo foi conduzido e reforçada a validade da sua conclusão. Afinal, o glifosato é ou não perigoso?

Afinal, o glifosato é ou não perigoso? O Insiders convidou o investigador Kurt Straif, da Agência Internacional para a Investigação do Cancro em Lyon, que começou por nos falar das conclusões do estudo que conduziu recentemente.
Kurt Straif: A nossa avaliação consiste numa revisão de toda a literatura científica em torno do glifosato e foi levada a cabo pelos melhores especialistas nesse domínio. Nenhum deles tem um conflito de interesses que possa manchar a opinião dada. E a conclusão é, sim, o glifosato é potencialmente cancerígeno para os humanos. Há provas concretas nos testes efetuados em animais; no que diz respeito aos humanos, há evidências relativamente a uma população de agricultores, embora os resultados sejam mais limitados; e também existem provas sólidas nos estudos toxicológicos que revelam nocividade para os genes.
Sophie Claudet, euronews: Tendo em conta essas conclusões, porque é que não se interdita o glifosato?
KS: Esta revisão da literatura científica é completamente independente e conduz-nos a uma classificação que assenta nos elementos que conhecemos da substância e, sobretudo, os riscos em termos de cancro. Mas depois cabe às outras agências, sejam nacionais ou internacionais, como a Organização para a Alimentação e Agricultura da ONU, a avaliação dos riscos, a tomada de decisões quanto ao grau de exposição ao produto – no domínio agrícola, alimentar ou cosmético – e a apresentação de conclusões.
euronews: No passado mês de maio, a FAO e a Organização Mundial de Saúde vieram atestar a ausência de riscos no uso do glifosato. O que é que mudou?
KS: O nosso parecer em termos de risco de cancro mantém-se. Nós somos o organismo que classifica as substâncias cancerígenas para a Organização para a Alimentação e Agricultura. Outro painel de peritos avaliou os limites diários de exposição na comida e definiu quais são as margens de segurança.
euronews: Mas em quem é que os agricultores, os consumidores em geral, as pessoas que frequentam os jardins públicos tratados com glifosato, devem acreditar?
KS: É importante realçar uma vez mais que o nosso parecer sobre o risco de cancro nos humanos provocado pelo glifosato mantém-se. Mas depois há outros pareceres baseados noutros contextos específicos. E sobre eles não me posso pronunciar.
euronews: Em maio, surgiram suspeitas de que alguns dos investigadores envolvidos nestes pareceres científicos teriam recebido subornos do grupo Monsanto, o principal produtor mundial de glifosato. Enquanto cientista, como é que olha para esta situação?
KS: É uma questão importante que necessita de ser escrutinada.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Engenheiras utilizam escombros da guerra em Gaza para fazer tijolos que ajudam a reconstruir a região


Renascer das cinzas. É exatamente isso que as engenheiras Majd Mashharawi e Rawan Abddllaht estão a fazer na região de Gaza, na Palestina.
O cenário por lá não é nada bonito de se ver. Falta humanidade! O local anda às ruínas por conta dos conflitos políticos e religiosos. A guerra mata muita gente e deixa outras tantas completamente desabrigadas.

Segundo a ONU, já são mais de nove mil casas destruídas e outras tantas (cerca de 120 mil) danificadas. Mais: por conta dos conflitos, receber materiais de construção para reerguer a região fica praticamente impossível.

Então, por que não utilizar os próprios escombros (que um dia já foram edificações) para reconstruir Gaza? Essa é a proposta das duas engenheiras, que após muitos estudos e testes desenvolveram um tijolo suficientemente resistente feito com os restos de demolição.

Batizado de Greencake, ele é feito com pedaços de cimento e cinzas de carvão e promete devolver a esperança para muitas famílias palestinas.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Advogado que montou a maior limpeza de praia do mundo ganha prémio da ONU

No último ano, Afroz Shah, um advogado indiano, mobilizou 1.500 voluntários que retiraram quatro mil toneladas de plásticos, vidros e lixo da praia Versova, em Bombaím. Esta já é a maior limpeza de praia do planeta. As Nações Unidas reconheceram o seu trabalho e deram-lhe agora o título de Campeão da Terra.
 
Afroz Shah é um dos vencedores da edição deste ano dos prémios Campeões da Terra, atribuídos pelo Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUA) e que foram entregues a 2 de Dezembro na COP13 da Convenção sobre Diversidade Biológica (2 a 17 de Dezembro) em Cancún (México).
Este advogado venceu na categoria Acção e Inspiração, por causa dos seus esforços em lançar aquela que se tornou na maior limpeza de praia do planeta.
 
 
“Os esforços de Shah, e as centenas de voluntários que ele inspirou, são um exemplo maravilhoso da acção cidadã e lembram o resto do mundo que até os acordos mais ambiciosos e globais dependem da determinação individual”, comentou Erik Solheim, director do PNUA, em comunicado. “A sua espantosa liderança está a chamar a atenção do mundo para os impactos devastadores do lixo marinho”, acrescentou.
Em Outubro de 2015, Shah e o seu vizinho Harbanash Mathur, de 84 anos e que entretanto faleceu, decidiram que tinham de fazer alguma coisa para resgatar a praia do lixo que a estava a engolir. Por isso, arregaçaram as mangas e começaram os dois a limpar uma faixa de 2,5 quilómetros. O lixo – incluindo sacos de plástico, sacos de cimento, garrafas de vidro, peças de roupa e sapatos – cobria todo o areal.
 
Shah decidiu depois bater à porta dos moradores e pescadores da zona para lhes falar dos danos causados pelo lixo marinho. Em apenas um ano, a missão de duas pessoas cresceu e transformou-se numa comunidade de 1.500 voluntários de todas as idades que quiseram tornar a sua praia, mangais e oceano mais saudáveis e seguros, para os humanos e para as espécies marinhas.
Todos os fins-de-semana, os voluntários trabalharam oito horas nas praias, às vezes debaixo de um Sol abrasador, usando pás, camiões ou apenas as suas mãos.
 
“Este prémio é uma honra para as centenas de voluntários que se juntaram a mim durante este último ano para limpar a nossa praia e oceano”, disse Shah. “Sou um apaixonado pelo oceano e sinto que temos o dever de o libertar do plástico.”
O vencedor espera que este seja o início da luta das comunidades costeiras contra o lixo marinho. “Nós humanos precisamos fortalecer a nossa ligação com o oceano e não temos de esperar por alguém que nos ajude a fazê-lo”.
Todos os anos, em todo o mundo são produzidas quase 300 milhões de toneladas de plásticos e uma quantidade semelhante de lixo plástico. Desses, 13 milhões de toneladas acabam nos oceanos, segundo dados do PNUA. “É como se estivéssemos a despejar dois camiões do lixo no mar a cada minuto. O plástico danifica as nossas pescas, os ecossistemas marinhos e as economias, com um custo de até 13 mil milhões de dólares (cerca de 12 mil milhões de euros) por ano”, acrescenta o comunicado do PNUA.
Shah quer agora expandir a acção do seu grupo e evitar que o lixo acabe no rio local, que desagua na praia. Além disso, está previsto o início da limpeza das florestas de mangais na costa, cobertas de lixo, e do esforço para inspirar pessoas na Índia e no resto do mundo a lançar os seus próprios movimentos de limpeza.
Os outros vencedores dos prémios Campeões da Terra 2016 são o biólogo mexicano José Sarukhan Kermez (Prémio Carreira), o Presidente do Ruanda Paul Kagame (Liderança Política), a Agência de Energia Sustentável Marroquina Masen (Visão empresarial), a australiana Leyla Acaroglu com produtos inovadores para a sustentabilidade (Ciência e Inovação) e um prémio póstumo (Acção e Inspiração) para Berta Cáceres, a defensora dos direitos humanos nas Honduras, assassinada em Março deste ano.
Os prémios reconhecem líderes do Governo, sociedade civil e sector privado por acções com um impacto positivo no Ambiente. Desde que foram criados, há 12 anos, já distinguiram 78 pessoas.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Matrimónio Sementes e Pesticidas

Em cima da mesa estão neste momento cerca de 59 mil milhões de euros, ou seja, a aposta da multinacional farmacêutica alemã "Bayer" na compra de "Monsanto", o gigante norte-americano dos pesticidas e das sementes que controla à escala mundial 90% dos Organismos Geneticamente Modificados (OGM). Resta saber se as autoridades da concorrência já se pronunciaram e, na afirmativa, quais foram os procedimentos anti truste adoptados.

Em primeiro lugar, qual é o impacto desta fusão em termos de saúde pública? Há mais de 30 anos que a Monsanto lida com agentes cancerígenos (Cf. Centro Nacional de Pesquisa Científica e Universidade Pierre e Marie Curie, França). Concretamente, a exposição crónica aos pesticidas está associada a patologias graves, tipo linfoma não-Hodgkin e doença de Parkinson. O Roundup Supra, que representa 40% do volume de negócios da Monsanto, é um herbicida não convencional, de degradação muito lenta e de alta solubilidade na água (substância activa: glifosato). Ele actua no combate aos infestantes, em vinhas, pomares, etc., mas provoca intolerância ao glúten, uma proteína presente num vasto leque de alimentos do nosso quotidiano: trigo, cevada, centeio, queijos, etc.


Em suma, nesta aliança alquímica, as mutações genéticas introduzidas pela multinacional rentabilizam os seus herbicidas agro-tóxicos, sendo que as sementes manipuladas só são resistentes aos pesticidas que a multinacional fabrica! (Soja e milho transgénicos para resistir ao Roundup). Estamos face a uma contaminação da Natureza: a biodiversidade e a qualidade comprometidas, o que coloca a questão dos malefícios de certas biotecnologias. Mas também contaminação dos alimentos que temos à mesa. Na realidade, as sementes, riqueza e património da humanidade pela sua variedade, passam a ser simples mercadoria. Para os agricultores deixa de haver alternativa na escolha das sementes, isto é, das plantas, dos cultivos, do que se come e vende. Um sistema anti-social, como é o caso do algodão na Índia. Falam os media das responsabilidades da Monsanto nos suicídios por enforcamento de mais de 280.000 camponeses indianos do "algodão da morte"?* Que adianta ter sido a multinacional condenada várias vezes por agressões ambientais? A Bayer também não está acima de qualquer suspeita: é conhecido o caso das abelhas assassinadas por agentes tóxicos, sem falar na venda de produtos sanguíneos contaminados pelo vírus da Sida HIV.

Diz-se que o dinheiro não tem cheiro. Também não o terão as acções da Monsanto que Bill Gates e a sua esposa Melinda detêm em carteira! ("Via campesina" 2010). Sobretudo agora que o fundador da Microsoft virou filantropo, a querer fazer recuar a pobreza no mundo, com alguns donativos!

Qual é então o interesse da Bayer nesta aquisição aqui em análise? Em 2015, o seu volume de negócios em milhares de milhões de euros no sector agrícola era de 10,37%, enquanto o da Monsanto era de 13,40%, apesar das actuais quedas na venda de OGM. A oportunidade de uma fatia de mercado para a multinacional alemã, que só controla actualmente 22% das vendas no sector pesticidas-sementes. DuPont e Dow Chemicals também acasalaram. Trata-se, com estas fusões, de dominar o mercado mundial da agroquímica, se possível concentrado em uma só empresa, neste momento em mãos de três conglomerados empresariais. Concentração que é a melhor maneira de impor políticas agrícolas baseadas nas sementes OGM & pesticidas associados. Já em 2014 a Bayer alemã tinha procurado engolir a Syngenta, Companhia suíça de pesticidas, o que acabou por ser conseguido, não pela Bayer, mas pela ChemChina, que selou a compra da empresa suíça por cerca de 39 mil milhões de euros. O reverso da medalha de tudo isto é, invariavelmente, a perda da independência alimentar de agricultores e consumidores. Se o leitor tiver alguma apetência em obter outras abordagens do tema destas linhas, o acesso é fácil, dado que "O Mundo Segundo Monsanto", de Marie Monique Robin (2008) é uma obra traduzida em 15 línguas, em mais de 20 países!

António Branquinho Pequeno [Fonte: O Ribatejo]
PS - *4/5 de toda a investigação disponível nos media é proveniente de 3 grandes grupos empresariais! A França proibiu a cultura dos OGM no seu território mas os alimentos manipulados podem ser importados! Em Portugal (2015), o milho MON 810 da Monsanto é cultivado em Portugal (8000 hectares).